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Celeste Gonçalves, Médica Anestesista, Hospital Senhora da Oliveira, Guimarães
Por razões históricas na nossa realidade clinica e social ainda se opta pela medicalização da morte, levando a que se morra no hospital, frequentemente com procedimentos desproporcionados.
Contudo, a maioria das pessoas com doença avançada e capacidade decisória preservada afirma que gostaria de morrer em casa. No cenário social atual com empregabilidade laboral precária em muitas famílias, os cuidadores podem não conseguir cuidar a tempo inteiro ou então podem entrar em sobrecarga por se sentirem impotentes para lidar com a realidade da situação. Ao recorrerem a equipas diferenciadas, a maioria das vezes conseguem-no pois recebem o apoio necessário ao bem-estar do doente, da família e do cuidador (avaliação holística). Aliás, certamente todos os paliativistas se reveem em que “ Cuidados paliativos são os cuidados holísticos, ativos, prestados a indivíduos de todas as idades com sofrimento intenso decorrente de doença grave, especialmente dirigidos àqueles perto do fim de vida. Têm como objetivo melhorar a qualidade de vida das pessoas doentes, das suas famílias e cuidadores.”
Por definição é este o âmbito dos cuidados paliativos (CP), nomeadamente os cuidados paliativos domiciliários, em implementação e já regulamentados (cfr. Plano Estratégico para o Desenvolvimento dos Cuidados Paliativos para o biénio 2019-2020 - DR - Despacho 3721/2019, 2019-04-03 - DRE), lei que incentiva a que em todos os centros de saúde existam equipas domiciliárias de CP (ECSCP).
Infelizmente os dados publicados no último relatório do Observatório Português para os Cuidados Paliativos (OPCP) não são animadores no avanço de equipas de cuidados paliativos, havendo distritos sem uma única.
Entretanto as equipas de Hospitalização Domiciliária (HD) que são de origem hospitalar indicadas em geral para tratamento de situações agudas/ agudizadas elegíveis para internar na própria casa do doente estão em franca melhoria tal como
António Sales realçou: «a Hospitalização Domiciliária é já considerada em Portugal um modelo inovador e potenciador de respostas verdadeiramente centradas na pessoa, numa prestação de cuidados humanizada e com ganhos em qualidade e eficiência».
Em ambas as valências, (CP e HD) é fundamental a integração de profissionais com múltiplas competências técnicas, numa conjugação de saberes e ações que caracteriza a interdisciplinaridade, pautada em competência profissional, sensibilidade, humildade, altruísmo, disponibilidade interna, bom humor e capacidade de comunicação.
Deste modo deveremos fazer protocolos de atuação sinérgica entre CP e HD para situações elegíveis para HD? Será este um futuro promissor no sentido da complementaridade entre as duas tipologias de cuidados?
Quando não há oferta adequada de cuidados há necessidade de olhar para a oferta da Saúde de uma forma inteligente, desapaixonada e projectada para o futuro.
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