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Novidades

Centro de Conservação e Restauro participa de intervenção na Sé do Porto

O Centro de Conservação e Restauro (CCR) da Escola das Artes é um dos responsáveis pela intervenção e restauro da Capela-mor da Sé do Porto. O trabalho foi desenvolvido em colaboração com a empresa Nova Conservação.
A equipa técnica do CCR foi responsável pelo estudo técnico e intervenção na pintura sobre madeira que representa a Assunção de Nossa Senhora, atribuída a Simão Rodrigues, com possível colaboração de André Reinoso (pintores portugueses que viveram entre os séculos XVI e XVII).
 
A Direção Regional da Cultura do Norte coordena a intervenção e a promoção é feita pelo Cabido Portucalense. É possível conferir em vídeo da evolução da intervenção aqui.

Registos feitos no estudo técnico e durante a intervenção:
 
 
 
    
 
 
Antes e após a intervenção:

 


 
 
 
21-04-2022

Francisca Guedes de Oliveira: “Temos de ter um modelo de crescimento e desenvolvimento económico que permita o bem-estar, sem prejuízo das gerações futuras.”

Otimista, curiosa e imensamente maravilhada com a sua atividade profissional. Chama-se Francisca Guedes de Oliveira e é economista e docente da Católica Porto Business School. Cresceu numa família grande, onde recorda uma infância muito animada e divertida, e foi através do seu gosto pela Matemática, História e Filosofia que se aventurou na Licenciatura em Economia, tendo-se mais tarde especializado na área da economia política e da política pública. Nesta entrevista, fala-nos sobre o seu percurso profissional, os principais desafios da economia e o futuro de Portugal.

 

“É preciso não fazer o mesmo de sempre, sob pena de se conseguir o mesmo de sempre…”

 

Olha para o futuro de Portugal com entusiasmo?

Eu sou uma pessoa bastante otimista (risos). Acho que Portugal tem problemas complicados que tivemos oportunidade de resolver num passado relativamente recente, mas não o fizemos. Agora, vamos ter novamente oportunidade de os resolver, mas eu, confesso, que receio que não a consigamos aproveitar. Portugal tem tido um crescimento morno, tem feito uma convergência fraca com a Europa e precisava, mais que nunca, de dar um salto. Temos uma estrutura produtiva ainda muito frágil. Tivemos uma recuperação absolutamente extraordinária do ponto de vista do ensino e da qualificação nos últimos 30 anos. Temos de facto muito talento criado e talento que dá provas pelo mundo fora. Temos é de arranjar forma de ter empresas com outra escala, com valor acrescentado e com um setor industrial forte e vigoroso que faça subir o salário médio. É preciso pensar fora da caixa, é preciso ter coragem, é preciso não fazer o mesmo de sempre, sob pena de se conseguir o mesmo resultado de sempre…

 

Atualmente quais são os grandes desafios da economia?

Temos desafios brutais. O desafio do preço dos combustíveis e do gás e o desafio da inflação, que já existia antes da guerra. O principal problema é que as economias não estão suficientemente robustas para conseguirem começar a fazer uma política monetária de combate à inflação e, claro, vemo-nos perante um período de guerra que está a provocar a regressão das economias. Mas estes desafios são claros e devemos estar preparados para as suas consequências e impactos. Mais a médio e longo prazo, temos, também, o desafio da sustentabilidade. Temos de ter um modelo de crescimento e desenvolvimento económico que permita todo o bem-estar a que estamos habituados, sem prejuízo do ponto de vista do impacto ambiental e da sustentabilidade para as gerações futuras.

 

“Temos de facto muito talento criado e talento que dá provas pelo mundo fora.”

 

Identifica nas gerações mais novas maior preocupação com as questões da sustentabilidade?

Creio que há uma grande duplicidade de comportamentos. Uma das coisas que sinto de muito diferente relativamente à minha geração é o facto de andarem muito mais de transportes públicos e de manifestarem esse alerta. Em simultâneo, são gerações extremamente consumistas. A facilidade com que trocam de telemóvel, por exemplo, é tremenda. Creio que talvez ainda não tenham percebido que uma coisa tem implicação na outra e que a sustentabilidade tem de estar refletida nesta multiplicidade de comportamentos.

 

“O extraordinário na economia é a possibilidade que temos de pensar e analisar no concreto a vida das pessoas.”

 

Cresceu no seio de uma família grande. Quais as suas principais memórias de infância?

As memórias mais marcantes da minha infância são em casa da minha avó rodeada de muita gente, sempre com muito movimento e agitação. Ainda hoje temos todos uma relação muito próxima! Tive uma infância absolutamente feliz, sempre muito aconchegada. Eu era uma maria-rapaz, gostava muito de jogar futebol, de subir às árvores, a minha avó tinha um jardim enorme com um galinheiro e eu, os meus irmãos e primos andávamos sempre todos sujos por lá a correr. Foi uma infância muito alegre.

 

Que disciplinas é que mais gostava e como é que se dá a escolha pela área da Economia?

Eu sempre gostei muito de matemática e sempre tive alguma facilidade. Gostava, também, muito de Filosofia e adorava História. Acho que em certa medida, este é o motivo pelo qual escolhi Economia na universidade. Cheguei a pensar em Direito, mas não tinha matemática e, por isso, coloquei de lado essa hipótese. Economia absorvia a História, a Filosofia e a Matemática. A minha escolha, mais do que vocacional, foi ir ao encontro das coisas que eu gostava de fazer e pelas quais me interessava.

 

Quando ingressou na faculdade, com que percurso profissional sonhava?

Durante os cinco anos do meu curso, nunca pensei muito bem naquilo que queria fazer profissionalmente. O caminho mais normal era seguir pelas carreiras em empresas ou consultoras. Quando comecei a ir a entrevistas, percebi que não me identificava e que não era o que eu procurava. Lembro-me de me sentir um bocado perdida, sem saber para onde ir. Foi nesse preciso momento que surgiu a possibilidade de vir dar aulas de econometria para a Católica Porto Business School, oportunidade que decidi agarrar. Em simultâneo, surgiu a possibilidade de ir fazer um estágio para o Instituto Nacional de Estatística (INE). Foram tempos muito bons, gostei imenso de dar aulas e também adorei o estágio no INE, porque estive envolvida no Gabinete de Estudos Regionais onde contactava diretamente com a economia, facto que me fez perceber como é que o país se mexia.

 

“Proporcionamos uma preparação profundamente global.”

 

Foi no seu doutoramento que se especializou na área da economia política e da política pública…

Sim, até então o meu percurso foi muito direcionado para a matemática em si. Foi a partir do doutoramento que comecei a perceber que o extraordinário na economia é a possibilidade que temos de pensar e analisar no concreto a vida das pessoas, que é, no fundo, a relação entre os agentes económicos e a maneira como isso condiciona a vida das pessoas, bem como a forma como uma entidade definidora de políticas públicas consegue ser capaz de condicionar e moldar a vida da sociedade.  

 

É docente na Católica Porto Business School há mais de vinte anos. Como é que esta escola se destaca na formação das próximas gerações de economistas e gestores?

Em primeiro lugar, importa referir que os alunos das nossas licenciaturas em Economia e em Gestão partilham um primeiro ano comum, o que significa que proporcionamos uma preparação profundamente global, que muito contribui para o desenvolvimento dos estudantes, não só ao nível técnico, mas, também, comportamental. Temos uma grande preocupação com a preparação holística dos nossos estudantes. Atentamos a todo o envolvimento de forma a que as suas competências sejam desenvolvidas ao máximo e temos um Career and Development Office que presta apoio e acompanhamento a todos os alunos. Das cadeiras de Projeto nascem sempre ideias muito interessantes e é através desse desafio que os nossos alunos trabalham a comunicação, a empatia, a criatividade. Está, também, na nossa natureza uma profunda ligação ao tecido empresarial e isso é muito diferenciador, porque proporciona aos nossos estudantes um contacto próximo com a realidade e com o mercado de trabalho. Todos estes elementos são amplamente reconhecidos pelo mercado, facto que diferencia os nossos alunos.

 

“É absolutamente enriquecedora a diversidade.”

 

Para além da sua atividade como académica, integra, também, o Conselho de Administração da AICEP, entre várias outras posições em diversas instituições, sendo mãe de 3 filhos. É fácil conciliar a vida profissional com a vida pessoal? Para as mulheres é mais difícil ainda?

Muitíssimo mais. Qualquer ideia de que as coisas estão a ficar equilibradas é completamente falsa. Evidentemente, que as coisas estão muito melhores, mas há ainda um desequilíbrio enorme e a pandemia veio agravar a situação. Temos uma visão muito tradicional do papel da mulher e isto é culpa da sociedade, não só dos homens, mas, também, das próprias mulheres. No início cheguei a ser contra as quotas, mas, hoje em dia, sou totalmente a favor, porque já percebi que se não for pela discriminação positiva não vamos lá. As quotas são uma forma de criar condições para haver uma oportunidade de mostrarmos o que valemos e daquilo que somos capazes. É verdade que já se vai ouvindo falar de alguns casos de sucesso e de mulheres com cargos importantes, mas ainda são poucos, porque ainda os conseguimos nomear. Só estaremos bem quando lhes perdermos a conta e quando for uma coisa normal.

 

A defesa da igualdade de género é uma das suas causas?

Faço questão de me envolver na defesa da igualdade de género. A diversidade é absolutamente enriquecedora, seja de género, de raça, de opções políticas ou religiosas ou de outro aspeto qualquer. Quanto maior for a diversidade, maior é a capacidade de se pensar de forma diferente e de se chegar a conclusões inovadoras. Tenho escrito sobre este assunto e, inclusivamente, também já orientei algumas teses na área. É muito importante que haja conhecimento científico objetivo sobre o tema. Tenho, também, uma preocupação muito grande em transmitir isto aos meus filhos. Para quem é mãe de rapazes, como é o meu caso, a preocupação deve ser ainda maior.

 

O que é que a move?

A minha família. É sempre a primeira coisa que me vem à cabeça quando que me perguntam isso. A família está no centro de tudo aquilo que faço e sou. Adoro trabalhar e adoro os projetos nos quais estou envolvida. Movem-me as causas em que acredito e das quais sou militante como a desigualdade social, a desigualdade de género, a desigualdade na distribuição de rendimento, a proteção dos mais frágeis.

 

21-04-2022

Docentes integram órgãos sociais da Fundação AEP

Sofia Salgado Pinto, docente da Católica Porto Business School, é um dos membros do novo Conselho de Administração da Fundação AEP. A nova equipa é liderada por Luis Miguel Ribeiro e integra também Fernando Paiva de Castro, Henrique Veiga de Macedo e Miguel Pinto

Para além do Conselho de Administração, os restantes órgãos sociais serão presididos por José António Barros (Conselho de Curadores) e pelo também docente da Católica Porto Business School Alberto Castro (Conselho Fiscal), ambos reconduzidos nos cargos. O Conselho Fiscal é ainda composto pelos vogais Henrique Cruz e pelos revisores  Santos Carvalho & Associados SROC S.A.

Os novos órgãos sociais da Fundação AEP foram eleitos para um mandato que se prolonga até 31 de dezembro de 2025.  

Recorde-se que a Católica Porto Business School, no âmbito da sua Formação Executiva, e a AEP gozam de uma relação de parceria de mais de 15 anos, parceria essa ainda anterior à constituição da Fundação AEP (reconhecida em Diário da República em Agosto de 2010).

21-04-2022

Rita Lobo Xavier assume Presidência da Comissão Portuguesa de Direito de Família e das Sucessões da ADFAS

A Prof. Doutora Rita Lobo Xavier assumiu no passado dia 23 de março a Presidência da Comissão Portuguesa de Direito de Família e das Sucessões da ADFAS (Associação de Direito de Família e das Sucessões)

A ADFAS é uma Associação brasileira, mas com âmbito internacional, com objetivos de incentivar o estudo, investigação, divulgação do Direito de Família e das Sucessões, promovendo a definição jurídico-institucional da Família, como núcleo fundamental da sociedade, a tutela dos direitos da personalidade dos membros da Família, segundo o princípio da monogamia nas relações conjugais, de casamento e de união de facto/união estável, incentivando a adoção de políticas públicas nestas áreas.

A sua Presidente e Fundadora é a Senhora Professora Doutora Regina Beatriz Tavares da Silva, Doutora e Mestre em Direito Civil pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. 

Embora com sede em São Paulo (Brasil) a ADFAS tem Comissões Internacionais na Argentina, Espanha e México.

21-04-2022

Mensagem de Páscoa da Presidente da Católica no Porto

Estimada Comunidade Académica da Universidade Católica Portuguesa, no Porto,

Aproxima-se um dia especial, o domingo de Páscoa. O dia em que o amor venceu a morte.

Este ano, ao contrário do ano passado, poderá haver oportunidades de encontros familiares, abraços, conversas. No entanto, vivemos tempos de incerteza. O mundo está diferente. Primeiro um vírus silencioso que nos aprisionou numa prisão sem grades, e agora uma guerra, que nos leva a refletir sobre os novos caminhos que a sociedade pode trilhar e qual o papel de cada um nesta mudança. Qual o compromisso de e com a humanidade?

A Páscoa ajuda-nos a olhar a vida sob múltiplos ângulos, a enfrentar a realidade com coragem, determinação e confiança, a alcançar o sentido mais amplo de tudo o que nos rodeia. A Páscoa é também renovação, recomeço. É tempo de também nós recomeçarmos – em cada um de nós e em comunidade. É este o apelo que nos deixa o nosso capelão Padre José Pedro Azevedo:

“Páscoa coloca-nos diante de uma notícia que todos esperamos ouvir hoje: a morte não é a última palavra e a esperança é a chave que abre caminhos novos à humanidade. 

A pandemia e agora a guerra parecem contradizer esta mensagem. No entanto, como comunidade académica devemos ter dentro este  horizonte de sentido, pessoal e coletivamente. Vamos contagiar todos com a esperança! 

Desejo a todos uma Santa Páscoa, cheia de contágios de esperança e vontade de recomeçar!

 

Isabel Braga da Cruz
Presidente

13-04-2022

Tomada de posse da nova direção do ICS e da Escola de Enfermagem - Porto

”É um dia importante, porque marca o início de uma nova fase do ICS, dentro da visão projetada para o futuro do Instituto.” As palavras foram de Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, na cerimónia de tomada de posse da nova direção do Instituto de Ciências da Saúde e da Escola de Enfermagem do Porto, que decorreu a 8 de abril de 2022.

Paulo Jorge Pereira Alves é o novo diretor da Escola de Enfermagem do Porto e diretor adjunto do Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Católica Portuguesa. Licenciado em Enfermagem, Mestre em Administração e Gestão da Educação e Doutorado em Enfermagem pela Universidade Católica Portuguesa, Paulo Jorge Pereira Alves é investigador no Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde (CIIS) na plataforma Nursing Research Platform, sendo responsável pelo Wounds Research Lab (WRL). É também presidente da Associação Portuguesa de Tratamento de Feridas, membro fundador da Sociedade Ibero-Latino Americana de úlceras e Feridas e membro da direção do Institute of Skin Integrity and Infection Prevention: Huddersfield (Inglaterra), entre outras funções noutros organismos nacionais e internacionais.

João Neves Amado é o novo vogal para a área de Enfermagem (pelo Porto) na Direção Nacional do ICS. Licenciado, Mestre e Doutor em Enfermagem pela Universidade Católica Portuguesa, é especialista em Enfermagem de Saúde Comunitária. É investigador no CIIS na Nursing Research Platform. Integra a equipa do Centro de Enfermagem da Universidade Católica desde a sua criação em 2007. Atualmente integra a direção da Cáritas Diocesana do Porto.

Nesta cerimónia tomaram posse Ana Margarida Mineiro, como nova diretora do ICS, Paulo Jorge Pereira Alves, como diretor adjunto, Maria Clara Melo, como diretora executiva e os vogais: Amélia Simões Figueiredo, Filipa Correia Ribeiro, Joana Rato, João Neves Amado e Manuel Vila Capelas. Na mesma cerimónia Alexandre de Lemos Castro Caldas tomou posse enquanto coordenador do Conselho Nacional para as Ciências da Saúde.

 “O ICS foi uma incubadora de faculdades na área da saúde”, salientou a reitora da Universidade Católica Portuguesa, dando os exemplos da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Medicina Dentária, acrescentando que “a vida faz-se de mudanças e nós estamos com grande expectativa para esta nova fase do Instituto, sempre com ambição, realismo e visão para o sucesso.”

13-04-2022

International Student Week Católica Porto Business School – Uma Experiência de Aprendizagem Partilhada

Decorreu, entre os dias 4 e 8 de abril, uma edição da International Student Week, iniciativa da Católica Porto Business School que tem como objetivo promover uma experiência multicultural aos seus estudantes, através de um programa que incluiu workshops, masterclasses, atividades de teambuilding, trabalhos de grupo, uma visita de aprendizagem e uma visita cultural.

O projeto surge de uma parceria entre a CPBS e a Luiss Business School (Itália), a Universidade de Tilburg (Holanda) e a Nottingham Business School (Reino Unido), onde cinco estudantes da Católica Porto Business School visitaram cada uma das universidades supramencionadas e, em simultâneo, a CPBS recebeu cinco alunos de cada uma daquelas instituições.

A componente da Católica Porto Business School na International Student Week foi concebida em cooperação com a Sogrape, um parceiro de longa data da escola, e uma das maiores empresas vinícolas da Península Ibérica. Assim, ao longo da semana do projeto, os estudantes das quatro Escolas de Negócios tiveram a oportunidade de explorar toda a cadeia de valor do vinho, através de masterclasses, visita à Quinta do Seixo no Douro, um piquenique nas vinhas, visitas às Caves Ferreira e uma blind wine tasting, uma experiência que permitiu alargar conhecimentos nesta indústria, desde o seu passado ao seu futuro.

De acordo com Joana César Machado, Associate Dean para a Global Education, “a International Student Week foi uma experiência enriquecedora a todos os níveis, uma semana multicultural absolutamente inesquecível para professores, alunos e empresas participantes”, abrindo espaço para curiosidade, exploração e, sobretudo, transformação.

13-04-2022

António Rangel: “O mais importante é incentivar os alunos a pensar e a evitar o uso sistemático da memorização e mecanização.”

Docente da Escola Superior de Biotecnologia, António Rangel é licenciado em Química e foi o primeiro doutorado pela Faculdade. Confessa que foi já durante a sua licenciatura que começou a ter vontade de dar aulas e, hoje, é aquilo que mais o realiza. Investigador no Centro de Biotecnologia e Química Fina, afirma que o que explica a excelência deste laboratório é o “empenho” e “o amor à camisola.” Adepto do Futebol Clube do Porto, gosta, nos seus tempos livres, de assistir a jogos de futebol, de conduzir e de ler. O que é que o move? “O sentido de missão!”.

 

Como é que a química surge na sua vida?

É engraçado porque na escola eu gostava de muitas disciplinas, talvez a única exceção fosse o português. Eu gostava de deporto, gostava de química e de física, de matemática… Quando ingressei no ensino superior acabei por escolher química pela sua maior abertura (na altura) e também por causa da empregabilidade. Cheguei, inclusivamente, no primeiro ano do curso a ponderar mudar para física, mas depois acabei por concluir que em química poderia ter um leque maior de oportunidades. É claro que os tempos mudaram muito e, hoje em dia, a física tem uma aplicação brutal, mas na altura foi por aqui que orientei a minha escolha. 

 

O que é que o fascina na área da química?

Eu gosto de coisas lógicas, gosto de coisas que façam sentido e que tenham uma aplicabilidade prática. Nunca gostei de nada que implicasse memorização, nem de mecanização. A química é isto: envolve uma lógica e um raciocínio que me interessa imenso e para além disso pode ser aplicada em variadíssimos contextos diferentes.

 

“Fui o primeiro doutorado pela Escola Superior de Biotecnologia.”

 

Como é que surge a vontade em dar aulas?

Quando eu estava a frequentar a licenciatura, já tinha a expectativa de uma carreira na docência. Já a investigação só surgiu mais tarde. Acabei por ser convidado no meu terceiro ou quarto ano para ser monitor, ou seja, para dar umas aulas práticas ou teórico-práticas. Dei umas aulas de uma cadeira do primeiro ano, mas depois não continuei porque não havia orçamento. Gostava tanto daquilo que até disse que podia dar essas aulas voluntariamente, mas não me deixaram (risos).

 

Como é que a Escola Superior de Biotecnologia surge na sua vida?

A Escola Superior de Biotecnologia surge em 1984 e, nessa sequência, em 1985, abriu alguns lugares para assistente estagiário. Um deles era para um licenciado em química. Eu estava no último ano do curso e lembro-me, perfeitamente, que um professor me disse para me candidatar. Acabei por ser o escolhido e soube que iria entrar para a ESB antes mesmo de ter terminado a minha licenciatura. Posteriormente, surgiu a possibilidade de fazer um doutoramento, em Portugal ou no estrangeiro, mas eu acabei por fazer em Portugal. Fui o primeiro doutorado pela Escola Superior de Biotecnologia.

 

“Aquilo que gosto mesmo é de ensinar.”

 

Qual foi o projeto do seu Doutoramento?

Novos métodos analíticos automáticos para análise de vinhos foi o tema da minha tese e o trabalho foi realizado nas instalações da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto. O tema que explorei foi proposto pelo Professor Costa Lima. Fui assistente dele e já gostava muito do seu trabalho e da sua postura profissional e pessoal. Foi por isso que optei por fazer o meu doutoramento aqui e não no estrangeiro. Tenho excelentes memórias destes tempos! Foram tempos desafiantes e de muito trabalho. 

 

O que é que mais gosta no mundo da investigação?

Aquilo que eu mais gosto é de ensinar. Posso-lhe dizer que de tudo aquilo que faço, ensinar é aquilo que faço menos mal (risos)! Dar aulas no sentido de poder contribuir para formar pessoas. Mesmo na investigação, aquilo que mais me prende é a parte do planeamento e da interação. Ao ser professor, tenho a oportunidade de promover a interação junto dos meus alunos e de os ajudar no seu processo de desenvolvimento. Evidentemente, que a investigação é importante e, hoje em dia, é muito valorizada. Foi através da investigação que tive a oportunidade de conhecer muitos colegas ao nível internacional e de trabalhar em parceria com outras universidades. Viajei para muitos países, de diferentes continentes, em trabalho.

 

O que é que tenta transmitir aos seus estudantes?

O mais importante é ensinarmos aos alunos a pensar de forma lógica e autónoma. Que deixem de decorar coisas e que se empenhem em raciocinar e em desenvolverem um pensamento lógico. Tenho a sorte de dar aulas a estudantes do primeiro e segundo ano de licenciatura e nessas idades ainda veem com os vícios de memorização. Gosto de lhes mostrar que podem chegar a conclusões sem terem necessidade de memorizar as coisas. Gosto de incentivar os alunos a pensar e a não terem a tentação de resolverem problemas de forma mecanizada.

 

“O CBQF é o único centro de investigação em Portugal que é laboratório associado e que não está associado a uma universidade estatal. Posso até dizer que o CBQF é quase uma utopia!”

 

De que matéria é que acha que estas gerações mais novas são feitas e que energia é que podem trazer para o ensino superior?

É difícil responder a essa pergunta, porque acabo por ser professor de idades muito distintas. Os alunos de licenciatura são diferentes dos de mestrado e estes ainda diferentes dos de doutoramento. Mas diria que o acesso que têm à informação é brutal! Sinto que os atuais alunos são muito mais abertos e já trazem uma bagagem maior de conhecimentos pessoais, possivelmente porque já tiveram mais oportunidades de viajar e de conhecer outras realidades. Ao mesmo tempo, este acesso à informação e a todos os gadgets digitais são uma grande distração. Hoje em dia, os alunos têm mais dificuldade em estarem focados e concentrados, porque estão constantemente expostos a estímulos e a distrações. Mas é engraçado, porque o mesmo objeto que os distrai, consegue também ser uma ferramenta de desenvolvimento espetacular. A propósito disto, imponho a regra aos meus alunos de não poderem usar o telemóvel durante as minhas aulas. Tento que durante a minha aula estejam totalmente focados. 

 

Como é que acha que o Centro de Investigação e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia se posiciona no panorama nacional da investigação?

O CBQF é o único centro de investigação em Portugal que é laboratório associado e que não está associado uma universidade estatal. Posso até dizer que o CBQF é quase uma utopia! Como é que é possível haver um centro de investigação, que tem normalmente custos muitíssimo elevados e que é privado, e que consegue sobreviver e até se expandir? Não é nada comum e em Portugal é completamente inédito. Para além disso, o CBQF tem uma avaliação de excelente atribuída pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, o que significa que está a cumprir com distinção a sua missão. 

 

“Foi com o Professor Costa Lima que aprendi a importância do rigor científico.”

 

O que é que pode distinguir o CBQF dos demais centros de investigação?

Aquilo que distingue o CBQF é o amor à camisola. Se não remarmos todos para o mesmo lado isto não funciona, não é? Há um grande empenho, dedicação e vontade de fazer valer e crescer este projeto. E, uma vez mais, tratando-se de um laboratório sem qualquer apoio não competitivo do Estado, o empenho tem mesmo de ser muito grande. Há, por exemplo, uma proatividade muito grande na captação de fundos e de oportunidades de investigação. Estamos constantemente atentos às oportunidades que podem surgir.

 

Existe alguma pessoa que seja uma referência para si e que tenha inspirado o seu percurso?

O Professor José Luís Costa Lima que, infelizmente, faleceu recentemente. Foi meu orientador e grande amigo. Fui, também, assistente estagiário da cadeira que ele regia. Influenciou-me muito, tanto na parte científica, como na parte pedagógica. Foi com o Professor Costa Lima que aprendi a importância do rigor científico, uma parte muito importante que está associada à ética. Para além disto, marcou-me particularmente na questão de como me relacionar com os alunos. Com o Professor Costa Lima aprendi a estar sempre disponível para apoiar e a ter uma atitude proactiva com os alunos. Neste aspeto também tive a influência do Professor Carvalho Guerra...

 

Já viajou por muitos países. Existe algum país que tenha sido especialmente marcante?

O Japão esteve durante muito tempo no meu imaginário e acabei por ir lá duas vezes e gostei imenso. Gostei muito pelo relacionamento entre as pessoas e pelo respeito pelos mais velhos. O Japão é mesmo uma referência para mim. Gostei, também, muito de ir à Austrália, é um país muito organizado, onde apesar disso se vive um ambiente muito relaxado. Também as Baleares, especificamente Maiorca:  por razões de colaboração muito próxima na área da investigação e por ser lá a universidade com a qual tenho colaborado mais, acabei por ir lá muitas e muitas vezes.

 

“O que não dispenso é a interação com os alunos e os laços que criamos.”

 

E se, afinal, não fosse professor na área da química? Que outra profissão poderia ter sido a sua?

Eu acho que sou uma pessoa que gosta de fazer aquilo que faço bem ou aquilo pelo qual tenho algum conhecimento.  Quando uma pessoa entende um assunto acaba por gostar dele, não é? Normalmente, é isso que marca os professores. Calhou ser professor na área da química, mas acho que me iria sentir realizado ao ser professor de outra matéria. O que não dispenso é a interação com os alunos e os laços que criamos. Provavelmente, eu seria feliz a ensinar outra área, mesmo que não fosse na área das ciências exatas. Quem sabe professor de História ou de Geografia...

 

Como é que ocupa os seus tempos livres?

Pelo que consegue ver do meu gabinete, sou um adepto fanático do Futebol Clube do Porto (risos). Gosto imenso de ver jogos de futebol e também gosto de ver outras modalidades. Fui praticante de ténis e também adoro conduzir. Gosto de andar pela estrada a fazer quilómetros. Para além disto, gosto de ler, mas que remédio tenho eu se sou professor? (risos)

 

O que é que o move?

É o sentido de missão. É isto que me move. Gosto de ter objetivos e de ter tarefas e se não as tenho, invento-as!

 

13-04-2022

Mensagem de Páscoa da Reitora da Universidade Católica Portuguesa

No tempo de emergência que vivemos, continuamos a acreditar num futuro melhor. É nesse horizonte que a Universidade Católica Portuguesa celebra a Páscoa, rejubilando com o testemunho renovado da Ressurreição e trabalhando para tornar vivo o exemplo maior que nos inspira.

A Universidade Católica programou para 2022 um conjunto de iniciativas transformadoras, que abarcam o ensino, a organização e as nossas infra-estruturas e que se irão concretizar nos próximos meses. Em simultâneo, organizamo-nos para responder à emergência do presente, alargando a Iniciativa de Apoio a Estudantes e Investigadores Refugiados e lançando uma campanha de reforço do Fundo Papa Francisco, que desde 2017 tem vindo a apoiar estudantes migrantes e refugiados. Celebramos este ano 55 anos de vida, num tempo exigente em que a nossa ação e contributo são ainda mais necessários.

A ciência e a educação são estratégias de construção da paz. Sociedades educadas com base nos valores da dignidade humana e orientadas para a produção de conhecimento para o bem comum têm resistência para combater as derivas autocráticas. E é isso que aqui fazemos.

Agradeço à comunidade da UCP o contributo para afirmar a nossa missão de criar valor com valores e a todos desejo uma Santa e Feliz Páscoa.

 


 

Easter message to the academic community

In times of dire predicament, we go on believing in a better future. As it celebrates Easter, Universidade Católica Portuguesa rejoices with the renewed testimony of the Resurrection and strives to inspire and serve in the spirit of Christ.

For 2022 Universidade Católica Portuguesa has  planned a number of important renewal initiatives covering topics such as teaching, organization change and infrastructure development, which will materialize in the coming months. At the same time, we are ready to respond to the current emergency caused by the war in Ukraine by widening the Initiative to Support Refugee Students and Researchers and launching a campaign to boost the Pope Francis Fund. The fund has been providing assistance to migrant and refugee students since 2017. This year we also celebrate the University’s 55th anniversary.  In these demanding times, our action and contribution are more necessary than ever.

Science and education are strategies for peace. Societies educated in the values of human dignity and furthering the production of knowledge for the common good have the resilience to fight autocracy and repression. And that is what we do here.

I thank the UCP community for its contribution in affirming our mission of creating value with values and I wish you all a Holy and Happy Easter.

 

Isabel Capeloa Gil
Reitora

 

13-04-2022

Doctorate Junior Researcher - Project 3Boost

13-04-2022

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