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Projeto europeu usa produtos inovadores com insetos comestíveis e leguminosas para promover mudança de hábitos alimentares

Promover uma mudança de hábitos alimentares, que passa pela redução do consumo de carnes vermelhas e processadas, através do consumo de produtos inovadores à base de insetos comestíveis e leguminosas? O desafio está lançado!A intervenção Change Eat! - Jantar Proteínas Alternativas! irá decorrer no Porto, entre outubro e dezembro, deste ano. Esta iniciativa é liderada pela Universidade Católica Portuguesa - Unidade de Investigação Empresarial e Económica da CATÓLICA-LISBON (CUBE) e o Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF), Laboratório Associado da Escola Superior de Biotecnologia -, sendo parte integrante do projeto europeu SUSINCHAIN - SUStainable INsect CHAIN. Este projeto envolve um consórcio de investigação com 35 parceiros em 14 países.

A Balança Alimentar Portuguesa estima que 21% da ingestão média diária de calorias em Portugal tenha origem no consumo de carne, o que representa mais de quatro vezes o recomendado na Roda dos Alimentos. Em particular, e de acordo com os resultados do último Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF 2015-2016), cada adulto português consume, em média, perto de 100 gramas de carnes vermelhas e processadas diariamente. Este valor excede largamente o recomendado para uma alimentação equilibrada – 28 gramas diárias, e mais ainda o sugerido pela Organização das Nações Unidas para uma dieta saudável a partir de sistemas alimentares sustentáveis – 14 gramas diárias.

Ana Isabel de Almeida Costa, investigadora Principal da CUBE e uma das coordenadoras da intervenção, descreve assim como principal motivação do ChangeEat! “A evidência científica resultante de intervenções realizadas noutros países mostra que a criação de oportunidades para os consumidores jovens experimentarem gratuitamente, no seu dia-a-dia, uma oferta diversificada de produtos alimentares inovadores, que configurem alternativas seguras, saudáveis, nutritivas, saborosas e de fácil preparação às carnes vermelhas e processadas, é uma das formas mais eficazes de reduzir o seu consumo no longo prazo. É isto que propomos fazer em Portugal com o ChangeEat!”
“É tempo de passar das recomendações à ação”, como realça Maria João Monteiro, Investigadora Sénior no CBQF e a outra coordenadora deste estudo. “Em Portugal, o Change Eat! irá selecionar até 56 casais, entre os 18 e os 40 anos, e acompanhá-los na transição de hábitos alimentares até ao final de 2022, proporcionando-lhes a experiência de confecionar e consumir produtos inovadores com origem em insetos comestíveis e leguminosas, ricos em proteína alternativa, saudável e sustentável.

A FAO declarou os insetos comestíveis como um dos alimentos do futuro, constituindo uma fonte segura, saudável, nutritiva, saborosa e sustentável de proteína com potencial para alimentar centenas de milhões de Europeus. As leguminosas são outra fonte de proteína saudável e sustentável para a alimentação humana, sendo o seu consumo um dos pilares da dieta mediterrânica. Picados, preparados ou misturas, salsichas e pasteis - de Tenébrio, grilo, soja, lentilhas, entre outros ingredientes ricos em proteína -, são assim alguns dos produtos que os participantes no ChangeEat! terão oportunidade de experimentar.

Curioso/a para provar? Pronto/a para mudar os seus hábitos alimentares já este Outono?
Saiba como se inscrever no ChangeEat! aqui e conheça em detalhe as atividades programadas e as vantagens em participar.

08-09-2022

Research Scholarship - Project cLabel+

02-09-2022

Início do ano letivo: Católica no Porto acolhe os seus novos estudantes

Mantendo a tradição de anos anteriores, a Universidade Católica Portuguesa no Porto privilegia o bem receber de todos os novos estudantes que escolheram esta universidade para ser a sua casa nos próximos anos.

Para isso, no dia 8 de setembro, às 19h30, no Auditório Ilídio Pinho, decorrerá a cerimónia de acolhimento aos novos estudantes de licenciatura de todas as faculdades. Será um momento único de reunião entre todos, que contará com a presença de Isabel Braga da Cruz, presidente da Universidade Católica no Porto, e dos diretores das Faculdades. Durante a sessão, serão, também, atribuídas bolsas de acessos pelas faculdades e prémios de mérito por instituições parceiras da universidade.

A anteceder esta sessão geral, cada faculdade irá promover, também, uma sessão de boas-vindas com o respetivo diretor. Estas sessões de acolhimento, e outras atividades promovidas, têm o objetivo de promover o acolhimento e a integração dos estudantes e desafiar toda a comunidade académica para um novo ano que se espera animado e repleto de desafios.

Licenciatura em Enfermagem da Escola de Enfermagem – Instituto de Ciências da Saúde Porto
8 de setembro, 18h, no Pátio Paraíso

Licenciatura em Direito da Escola do Porto da Faculdade de Direito
8 de setembro, 18h30, no Auditório Carvalho Guerra

Licenciaturas em Economia e em Gestão da Católica Porto Business School
6, 7 e 8 de setembro | Empower Week

Dupla Licenciatura em Direito e em Gestão da Escola do Porto da Faculdade de Direito e da Católica Porto Business School
8 de setembro, 17h30, Auditório Carvalho Guerra

Licenciaturas em Cinema, Som e Imagem e Conservação e Restauro da Escola das Artes
8 de setembro, 18h00, Salas EA 008, EA018, EA 117

Licenciaturas em Bioengenharia, em Microbiologia e em Ciências da Nutrição da Escola Superior de Biotecnologia
8 de setembro, 18h00, Sala EA 230 

Licenciatura em Psicologia da Faculdade de Educação e Psicologia
8 de setembro, 18h, no Pátio das Artes

Licenciaturas em Teologia e em Ciências Religiosas EaD da Faculdade de Teologia
8 de setembro, 18h00, Sala EC 010

Se ainda não é nosso estudante, saiba que ainda se pode candidatar aqui.

01-09-2022

Católica no Porto reforça compromisso com sustentabilidade: novos dispensadores de água disponíveis no campus

A Universidade Católica no Porto instalou no seu campus dispensadores de água para que toda a comunidade possa encher as suas garrafas reutilizáveis. Esta medida surge no âmbito do compromisso com a promoção do desenvolvimento sustentável e com a proteção da Casa Comum assumido pela Universidade Católica Portuguesa.

Com esta solução pretende-se incentivar à contenção do uso de materiais descartáveis e promover a adoção de atitudes sustentáveis que vão ao encontro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

Isabel Braga da Cruz, presidente da Universidade Católica no Porto, afirma que “a sustentabilidade é a nossa responsabilidade”. “A Católica no Porto está verdadeiramente empenhada na implementação de objetivos estratégicos que garantam o respeito pelo ambiente e a consequente qualidade de vida das populações”, conclui.

No total são 6 dispensadores de água filtrada – com a opção de água natural, fresca ou quente - que estão distribuídos pelos vários edifícios que compõem o campus da Católica no Porto: Edifício Central (Piso 0 junto às máquinas de vending e junto ao Auditório Carvalho Guerra), Edifício das Artes (Bar das Artes), Edifício Américo Amorim (Piso 0), Edifício do Restauro (Piso 0) e Edifício de Biotecnologia (Bar de Biotecnologia). O processo foi coordenado pela CASUS (Católica para a Sustentabilidade)

A Universidade Católica no Porto desafia, assim, toda a comunidade académica a ser parte ativa na construção de um mundo mais sustentável.

01-09-2022

Marisa Carvalho: “Procuro afirmar a inclusão e a diversidade.”

Marisa Simões Carvalho é docente e investigadora da Faculdade de Educação e Psicologia. Foi Psicóloga Escolar durante 16 anos, anos estes que descreve como muito importantes para a descoberta da sua missão.  Muito atenta e interessada pelos temas da inclusão e diversidade, é, atualmente, a Provedora da Igualdade e da Inclusão da Universidade Católica no Porto, cargo que encara “com muita responsabilidade”. Nesta entrevista, falamos sobre o seu percurso de vida e sobre a forma como tem vindo a privilegiar sempre a procura de conhecimento ao serviço da Psicologia e da Educação.

 

Como é que se educa para a inclusão?

Educa-se para a inclusão incluindo, diariamente, enquanto cidadãos e, depois, enquanto profissionais. Educa-se para a inclusão, valorizando a diferença. Educa-se para a inclusão, compreendendo a diferença e o modo como ela se manifesta no comportamento de cada um de nós. Educa-se para a inclusão quando a vivemos. Por isso, quanto mais os nossos contextos educativos forem diversos, do ponto de vista das múltiplas dimensões da diferença, mais nós aprendemos a partilhar espaços e a viver com o outro. Em primeiro lugar, penso que é importante reconhecer a diferença do outro. Este reconhecimento é importante. Permite-nos ver a pessoa na sua vida, na sua história, no seu contexto. Aquilo que marca cada um de nós é a nossa diferença, é o facto de sermos verdadeiramente únicos. Um dos desafios que lanço aos meus alunos nas primeiras aulas é pedir-lhes que destaquem precisamente aquilo em que são diferentes. Em segundo lugar, perceber que a diferença nos enriquece, valorizá-la. Só percebemos o valor da diferença se a vivermos. Para que possamos educar para a inclusão é necessário que as escolas e as universidades valorizem a diversidade, criando as condições necessárias ao acesso e participação efetiva de diferentes pessoas (estudantes e docentes). Não basta afirmarmos que somos inclusivos ou que valorizamos a diferença, é necessário que se garantam as condições para que isto se efetive, em especial, para pessoas em situação de maior desvantagem pelos mais diversos motivos.

 

“Esta provedoria da Católica compromete-se a defender e promover os princípios fundamentais da dignidade e da integridade da pessoa.”

 

É, atualmente, a Provedora da Igualdade e Inclusão da Universidade Católica no Porto. Como encara esta missão?

É um desafio muito interessante, mas, também, de grande responsabilidade. A minha investigação nos últimos tempos tem-se dedicado às questões da inclusão nas suas variadas formas e, por isso, tenho esta constante preocupação em pensar naquilo que posso fazer para promover a inclusão e reduzir os cenários de exclusão. Por exemplo, como docente questiono-me frequentemente sobre “O que é que eu faço nas minhas aulas para incluir os meus alunos?” ou “Como garanto que todos os meus alunos se sintam acolhidos e tenham condições para aprender nas minhas aulas?”. Como investigadora, e como pessoa, questiono-me sobre “Como é que todos podemos contribuir para uma sociedade mais inclusiva e democrática através da educação?”. A Provedoria da Igualdade e Inclusão alinha-se com esta missão. Esta provedoria da Católica compromete-se a defender e promover os princípios fundamentais da dignidade e da integridade da pessoa, que enquadram a matriz humanista cristã da universidade. Através desta missão, espero ter a oportunidade contribuir para um ambiente cada vez mais inclusivo e democrático na nossa instituição, mas, também, desencadear ações que se possam traduzir num combate claro e efetivo às situações de exclusão e de discriminação.

 

“Esta escola inspirou-me muito e acabou por ditar o meu caminho e o meu gosto por esta área.”

 

Foi Psicóloga Escolar durante 16 anos. De que forma é que foram anos importantes da sua vida?

Depois de ter terminado o curso de Psicologia, tive a oportunidade de ir trabalhar, enquanto Psicóloga Escolar, para uma escola no Marco de Canaveses, era uma escola que estava inserida num ambiente muito rural e desfavorecido e, por isso, repleta de desafios. Fui muito bem acolhida, mas lembro-que que quando fui não tinha a expectativa de ficar muito tempo. Esperava explorar outras áreas e contextos da Psicologia. O que é certo é que lá estive 10 anos e foi aí que me contruí como psicóloga escolar. Foram anos de muita aprendizagem. Arrisco dizer que foi nesta escola que aprendi a ser psicóloga e, em particular descobri o que é ser (ou pode ser) psicóloga escolar. Por um lado, o tipo de trabalho desenvolvido foi muito diversificado, tive a oportunidade de trabalhar em diferentes modalidades de intervenção: ora atendia alunos no meu gabinete, ora trabalhava com grupos de estudantes nas escolhas de carreira, ora desenvolvia projetos de prevenção de indisciplina, entre outras tarefas. Por outro lado, foi um momento de tomada de consciência da relevância do conhecimento para a prática psicológica. Finalmente, levou-me a compreender que a Psicologia deve assumir um papel claro e efetivo na luta pela inclusão de todos e de todas as pessoas na educação e na sociedade. Esta escola inspirou-me muito e acabou por ditar o meu caminho e o meu gosto por esta área. Mais tarde, acabei por ter de mudar de escola e fui colocada em Ermesinde e passados dois anos mudei novamente, desta vez para Paços de Ferreira. Esta última escola foi, também, muito importante no meu percurso, porque se tratava de um território educativo de intervenção prioritária. Foi um marco no meu percurso pessoal e profissional. Pode parecer estranho mas creio que foi nesta escola que consolidei a ideia da importância do sentido de comunidade e de pertença na vida das pessoas e, em particular, dos alunos, e o papel que a Psicologia deve ter para que isto se concretize. Foi aqui que o meu trabalho passou a ter uma proximidade muito maior e significativa com os docentes e com a direção da escola e isto foi determinante para o meu percurso profissional.
Voltando à questão, felizmente, foram anos marcantes em termos pessoais e profissionais e isso é visível em quem sou hoje e no que valorizo.

 

Enquanto trabalhava como Psicóloga Escolar, procurou sempre aprofundar os seus conhecimentos. Ingressou num Mestrado e mais tarde, também, num Doutoramento.

Sim, durante o período em que trabalhei como psicóloga, fiz um Mestrado em Psicologia Escolar e, mais tarde, também, um Doutoramento em Psicologia Vocacional.  O meu objetivo, na altura, foi enriquecer o meu conhecimento, na certeza de que isso iria fazer de mim uma melhor psicóloga e uma melhor profissional. A minha expectativa era a de fundamentar a minha prática, sempre convicta de que a minha prática como psicóloga deve ser baseada em ciência, e assim beneficiar os alunos, as crianças, os jovens, os profissionais e a escola. É muito interessante, porque para mim foi muito visível a mudança de prática que aconteceu ao longo do tempo em que fui psicóloga escolar e o impacto que a formação pós-graduada teve no trabalho com as escolas por onde passei.

 

Tem saudades do ambiente da escola?

Encontrei a minha missão de outra forma. Continuo ao serviço da Psicologia Escolar e da Educação, mas de uma maneira diferente. Mas, claro, que vou sentindo falta de alguns aspetos da vida na escola. Mantenho a minha ligação de várias formas, quer seja através do trabalho que vou fazendo com as escolas, quer, também, através das funções que desempenho na Ordem dos Psicólogos, enquanto Presidente do Conselho de Especialidades da Psicologia da Educação. Mantenho a proximidade em relação ao trabalho dos psicólogos e psicólogas nas escolas e também noutros contextos educativos.

 

“A proximidade é uma marca central e transversal a toda a oferta formativa da FEP.”

 

Atualmente, está ligada à área da Psicologia Escolar e da Educação. Como é que se fundem de forma evidente na sua vida as áreas da Psicologia e da Educação?

Quando cheguei à Católica fui desafiada para um segundo doutoramento, desta vez em Ciências da Educação. Agora sim numa perspetiva académica e particularmente centrada na produção e divulgação de conhecimento. A ligação à Educação esteve sempre presente mas a lente da Psicologia é uma lente diferente da das Ciências da Educação e, por isso, fez sentido. O engraçado e interessante é que neste doutoramento vi reforçada a  complementaridade e a interdisciplinaridade entre a Educação e a Psicologia. O meu trabalho como docente, como investigadora e noutras atividades que desempenho é claramente influenciado pelo contributo das duas áreas.  

 

A Faculdade de Educação e Psicologia tem uma ligação próxima às escolas através do Serviço de Apoio à Melhoria da Educação (SAME). Qual é a sua importância?

O SAME assume um papel muito importante. Um primeiro aspeto tem a ver com a necessidade de as escolas terem um olhar externo. Não, necessariamente, o olhar de alguém que seja especialista e que vá lá dizer como é que a escola deve fazer, mas, às vezes, as escolas e os seus profissionais estão tão mergulhados na sua rotina e têm as suas práticas tão cristalizadas que se veem incapazes de identificar aspetos a melhorar e a alterar. Outro aspeto importante é esta dimensão relativa ao conhecimento atualizado e científico. O SAME tem esta ancoragem: sendo uma estrutura de uma instituição de ensino superior que, também, se dedica à investigação pode criar estas sinergias entre a prática, a investigação e o conhecimento.

 

“Dos meus avós maternos, aprendi a importância da dedicação ao trabalho.”

 

Seja na área da Educação, seja na da Psicologia: qual é a marca que melhor caracteriza a FEP?

A proximidade é uma marca central e transversal a toda a oferta formativa da FEP e a verdade é que isto é muito visível, quer pelo modo como a faculdade organiza um sistema de tutorias, quer como os coordenadores e docentes de cada curso acompanham os seus alunos. Tratando-se de uma faculdade que forma profissionais que vão trabalhar tão diretamente com pessoas e que têm de desenvolver competências relacionais importantes que se alinham com os valores humanistas da Universidade Católica, a proximidade tem um relevo ainda maior e mais preponderante. Esta proximidade foi algo que me surpreendeu muito quando aqui cheguei, há seis anos, e que, ainda hoje, me continua a surpreender.

 

O que é que terá influenciado a sua escolha pela Psicologia e a sua dedicação ao trabalho?

A minha mãe era educadora de infância e de alguma forma creio que fui um bocadinho inspirada pelo trabalho com as crianças e com a preocupação pelo outro. Desde nova que me sinto interpelada ao contacto com o outro, à sensibilidade para outras realidades e, de alguma forma, à vontade de ajudar e de colaborar. Dos meus avós maternos, aprendi a importância da dedicação ao trabalho. A devoção ao trabalho faz-nos capazes de nos entregarmos plenamente a uma missão. E, claro, o meu pai e a minha mãe foram sempre uma fonte de suporte muito importante, permitindo-me, ainda hoje, esta dedicação ao trabalho.

 

O que é que a move?

Reflito muito acerca da sociedade em que quero que o meu filho de cinco anos um dia viva e de que forma é que eu posso contribuir positivamente para isso. Gostaria que ele vivesse numa sociedade tão diversa quanto possível e que pudesse relacionar-se com pessoas diferentes. No fundo, que possa ser livre naquilo que queira ser um dia. Pode parecer uma motivação autocentrada, mas de algum modo esta ideia representa a minha preocupação, que se tem agudizado nos últimos anos, sobre o que posso fazer diariamente para contribuir para uma sociedade mais inclusiva. Pensar no mundo motiva-me a querer compreender de que forma é que, enquanto pessoa individual, posso fazer um bocadinho mais todos os dias. Na minha profissão, estou a formar psicólogas e psicólogos que todos os anos vão sair da Universidade Católica para irem atuar em variadíssimos contextos. Seja numa escola, em clínicas, em centros comunitários, cada um destes psicólogos e psicólogas individualmente pode fazer a diferença. Profissionalmente, e também pessoalmente, procuro afirmar a inclusão e a diversidade. Também no campo da investigação, tenho procurado ir ao encontro destes temas, na expectativa de que a minha investigação e as minhas publicações possam contribuir para uma, verdadeira, conceção da diversidade.

 

01-09-2022

Católica, Águas do Norte, Águas do Douro e Paiva e SIMDOURO desafiam alunos do secundário

O que podemos fazer para combater a escassez da água? É este o mote que servirá para alunos do secundário, provenientes de 80 municípios da região Norte, darem asas à imaginação e criarem um vídeo que sensibilize para a importância de reduzir e reutilizar um dos nossos bens mais escassos: a água. É esse o objetivo do concurso “Não fiques à seca!” promovido pela Universidade Católica no Porto, em parceria com a Águas do Norte, S.A., a Águas do Douro e Paiva e a SIMDOURO – Saneamento do Grande Porto. Os melhores vídeos, quer sejam a título individual ou em equipa até três estudantes, serão premiados. As inscrições já arrancaram e decorrem até 29 de outubro.

O concurso está em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - Água Potável e Saneamento (ODS6) e Ação Climática (ODS13) – e pretende suscitar nos estudantes do secundário a vontade de aliarem as suas competências de comunicação e vídeo com este tema tão pertinente: a preservação de um bem escasso como é a água,” salienta Célia Manaia, vice-presidente da Universidade Católica no Porto.

De acordo com o site das Nações Unidas, "a água é fundamental para o desenvolvimento socioeconómico, para a produção de energia e alimentos, para a construção de ecossistemas saudáveis e para a sobrevivência da espécie humana. A água é também essencial para fazer frente às alterações climáticas, servindo como elo crucial entre a sociedade e o meio ambiente." Neste sentido, é importante combater a sua escassez e por essa razão, até 2050 existirá um aumento da população mundial, em paralelo com uma maior procura do setor industrial e doméstico das economias emergentes.

O concurso “Não fiques à seca!” foi pensado para dar oportunidade a todos os estudantes do secundário, do 10º, 11º e 12º ano e de qualquer área científica, que através da sua criatividade, realizem um vídeo que não deverá ultrapassar os 3 minutos e que através de uma mensagem clara, baseada em informação credível e rigorosa, e igualmente criativa e assertiva, cumpra o objetivo de sensibilização. Este concurso constitui assim uma campanha inclusiva, que pretende chegar a todos os cidadãos, de todas as idades com o objetivo de juntos podermos contribuir para mudar comportamentos e hábitos de consumo, no sentido de promover uma crescente e coletiva eficiência hídrica com vista à preservação deste recurso.

As submissões dos trabalhos deverão ser efetuadas através do preenchimento do formulário online disponível no website da Universidade Católica no Porto até 29 de outubro.

Para mais informações e participação no concurso, consultar: https://www.porto.ucp.pt/pt/concursonaofiquesaseca

29-08-2022

Francisca Carneiro Fernandes: “A vivência cultural aumenta os índices de felicidade e de qualidade de vida da população”

Francisca Carneiro Fernandes nasceu no Porto, em 1972, e licenciou-se em Direito pela Escola do Porto da Faculdade de Direito da Católica no Porto, em 1995. Foi, até há uns dias, diretora-geral da Unidade Orgânica da Cultura da Ágora – Cultura e Desporto E.M e é atualmente Diretora de Novos Projetos na área da Cultura do Município do Porto e, por isso, dedica a sua vida ao serviço público que define como desafiante e recompensador. Memórias dos seus tempos de estudante da Católica? “Foram anos muito felizes” e “há professores que nos marcam para a vida toda”.

 

O que é que recorda dos seus anos de estudante de Direito na Católica no Porto?

Foram anos muito felizes. Eu envolvi-me em tudo: no grupo de dança, no grupo de teatro, na Associação de Estudantes, no Grupo de Estudantes de Direito. Havia uma vivência universitária muito positiva e, também, há memórias muito boas com o nosso querido Pai Guerra, como chamávamos, carinhosamente, ao Professor Carvalho Guerra. Éramos uma família e vivia-se um grande ambiente de proximidade. Para além disso, a Católica tem professores, absolutamente, extraordinários que nos marcam para a vida toda.

 

Porquê a escolha pela Licenciatura em Direito?

Não foi uma decisão óbvia, porque surgiu de uma hesitação grande. Eu gostava muito do Direito e da questão da arte da argumentação, mas, simultaneamente, também gostava muito de arquitetura. Acabei por concorrer ao ano zero da Católica e fiquei muito entusiasmada. A partir daí, nunca mais tive dúvidas de que estava no caminho certo. Entusiasmava-me muito a escrita e os livros. Eu frequentava o Café Pinguim, um café de poesia e que tinha muitas pessoas ligadas ao Direito. A Literatura e o Direito sempre tiveram pontos de contacto muito fortes e isso sempre me agradou. Para além disso, sempre fui uma pessoa de causas, uma verdadeira ativista.

 

“O Direito é uma excelente base humanística de formação humana.”

 

É, atualmente, Diretora de Novos Projetos na área da Cultura do Município do Porto. De que forma é que o serviço público a desafia?

Costuma-se dizer que, quando se entra no serviço público, há uma espécie de bichinho que toma conta de nós. É uma coisa um bocadinho viciante, apesar de, por vezes, ser muito frustrante, porque a gestão pública tem entraves, dificuldades e muita burocracia. Mas o sentido de serviço público e de serviço à comunidade é algo muito recompensador e preenche-me imenso. Os desafios são imensos, mas a recompensa é sempre maior que qualquer dificuldade.

 

Como é que passa do mundo do Direito para o setor público na área da Cultura?

Eu trabalhava numa sociedade de advogados que tinha como clientes várias empresas culturais da cidade. No fundo, ainda que em funções diferentes, acabava por estar muito ligada ao setor. Há um dia em que surge um convite para eu ocupar o cargo de subdiretora do Teatro Nacional de S. João. Lembro-me que tive um bocado de medo do desafio, mas acabei por arriscar e, como se vê, nunca mais saí.

 

O curso de Direito permite essa formação abrangente?

O Direito é uma excelente base humanística, de formação de pensamento e de formação de estudo. É uma base muitíssimo boa, porque, no fundo, acho que é dos poucos cursos onde se pode ser quase tudo. Ao longo do meu percurso, tenho vindo a colecionar conhecimentos, mas a base jurídica da minha licenciatura está lá sempre e é essencial nas minhas funções.

 

Licenciou-se em Direito pela Católica em 1995. Em 2022, que expectativas tem relativamente ao curso?

Sente-se que há uma preocupação de evolução qualitativa muito grande e isso impressiona-me muito. Um bom exemplo é a preocupação que existe, atualmente, com os alunos que vêm do secundário e que precisam de apoio na adaptação ao ensino superior. Motivar os estudantes de hoje em dia é um grande desafio, na medida em que eles estão completamente expostos a diferentes estímulos e a muitas distrações. O curso, tal como o tenho acompanhado, tem ido pelo caminho certo, porque se orienta para ser capaz de entusiasmar os alunos para que eles consigam descobrir a sua vocação e se saibam agarrar a ela.

 

O que é que a entusiasma no mundo da Cultura?

Aquilo que é apaixonante no mundo das artes em geral é a possibilidade que nos dá de vermos o mundo de outra forma. É a arte que nos faz refletir e pensar nas coisas de uma forma diferente. Seja através do belo, seja através do feio, do que é mau, do que nos faz sentir determinadas emoções. Quando entramos num teatro ou numa sala de espetáculos, estamos a ver o mundo de alguma forma, estamos a ver uma forma de refletir o mundo.

 

“É através dos serviços educativos que se consegue promover a aptidão para o consumo cultural.”

 

Existe uma distância grande entre a Cultura e a sociedade ou estamos no bom caminho?

Estamos no bom caminho, apesar da evolução ser lenta. Eu gostaria que fosse muito mais rápida, claro, mas estamos num caminho gradual e muito positivo. As taxas de ocupação do Teatro Nacional de S. João e do Rivoli são um bom exemplo disto, porque superam os 80%. As pessoas percebem que há um trabalho de qualidade e, por isso, gostam de vir. e, lá está, tudo o que é bom vicia. A cultura tem esta dimensão que nos coloca a precisar dela. Quando se começa a gostar da emoção, da reflexão e até dos choques, começamos a perceber que precisamos, realmente, disto na nossa vida. Quando estamos cansados do trabalho e entramos numa sala de espetáculos tudo muda. É como entrar num outro mundo. Só quando nos deixamos entrar neste mundo é que começamos a perceber a falta que isto sempre nos fez. A vivência cultural aumenta os índices de felicidade e de qualidade de vida da população.

 

Onde é que acha que reside essencialmente o desafio da captação de públicos? Na programação ou na comunicação?

Acho que é um casamento entre tudo. A programação tem que ser eclética, tem que saber ler a comunidade. As comunidades são todas diferentes e programar para o Porto é, obrigatoriamente, diferente de programar em Évora, em Santarém ou em Castelo Branco. É muito importante saber como é que se conquistam e se fidelizam públicos e como é que se comunica. Há alturas em que é preciso comunicar muito e há outras alturas em que a comunicação cansa e é preciso deixar que sejam as pessoas a procurar. Diria que a resposta certa é um casamento entre diferentes fatores, porque o importante é encontrar o equilíbrio.

 

A função educativa dos projetos culturais é, também, uma preocupação?

Todos os projetos da Ágora têm serviços educativos e tem-se investido muito nisso. É através dos serviços educativos que se consegue promover a aptidão para o consumo cultural. O trabalho que se realiza hoje vai ser visto quando as crianças de agora forem também pais e estiverem a educar os seus filhos. É um trabalho a longo prazo que requer muita dedicação e compromisso e que deve ser valorizado. É, também, importante referir que o serviço educativo não tem de ser só para crianças. De forma geral, temos de educar os nossos públicos e derrubar alguns preconceitos. Há pessoas que passam no Teatro Nacional de S. João ou no Rivoli e acham que não devem entrar, porque consideram que não são espaços para elas. É preciso combater esse preconceito e derrubar determinadas ideias erradas.

 

“O boom cultural que existiu no Porto foi orientado no sentido certo e foi conseguido de forma consistente.”

 

Como é que descreveria o caminho que a Cidade do Porto tem feito no setor cultural?

Eu sou suspeita, não é? (risos) Vou falar em causa própria, porque trabalho no projeto do Dr. Rui Moreira há quase cinco anos, mas diria que aquilo que tem sido feito na cidade não tem praticamente comparação com mais nenhum caso no mundo. O boom cultural que existiu foi orientado no sentido certo e foi conseguido de forma consistente, o que significa que quando se for embora todos os projetos e iniciativas vão poder prosseguir porque estão devidamente ancorados. Esta cidade tornou-se muito melhor para se viver. A cidade melhorou incrivelmente e está repleta de projetos muito interessantes que não estão ligados unicamente a pessoas que já estavam habituadas a ter consumo cultural, mas, também, houve a preocupação de estender os benefícios do serviço cultural a outros públicos. Este trabalho é, absolutamente, essencial e extraordinário.

 

Será que é aquela pessoa que está sempre a desafiar os amigos e a família com programas culturais?

Não (risos). Aliás, os meus amigos costumam dizer-me, depois dos espetáculos decorrerem, “não me avisaste!”. Eu estou-lhes sempre a dizer que eles é que têm de ir à procura. As pessoas têm de se habituar a procurar. Se conseguem ir usualmente à procura de um determinado filme que querem ver, também têm de ser capazes de ir procurar a programação de uma sala de espetáculos. Habitualmente, não aviso ninguém, porque estou tão embrenhada no resultado final que é muito difícil ter tempo para andar a anunciar.

 

O que é que mais gosta na Cidade do Porto?

É a minha cidade e vai ser sempre a minha cidade. Gosto desta vida, deste movimento, gosto muito da revitalização que se sente, gosto de sair à rua e de encontrar sempre um amigo. Há uma dimensão fascinante na cidade: oferece-nos tudo sem ser demasiado grande, nem demasiado caótica. Para além disso, as pessoas são especiais. Nós, tripeiros, somos reivindicativos e gostamos muito do que é nosso. Valorizamos as boas coisas que temos.

 

Como é que definiria a Cultura do Porto?

Fervilhante, felizmente.

 

27-08-2022

Vacancies for Doctorate Junior Researcher - Project BE@T

23-08-2022

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