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Qual o impacto da aprendizagem socioemocional? Investigadores publicam artigo em revista internacional

Avaliar e compreender o impacto da aprendizagem socioemocional foi o objetivo de um estudo desenvolvido por investigadores e docentes do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica no Porto.

Intitulado “Socioemotional Skills Program with a Group of Socioeconomically Disadvantaged Young Adolescents: Impacts on Self-Concept and Emotional and Behavioral Problems” e desenvolvido pelos investigadores Lurdes Veríssimo, Isabel Castro, Marisa Costa, Pedro Dias e Francisca Miranda, o artigo, publicado na revista internacional Children, descreve a investigação que pretendeu avaliar a eficácia da aprendizagem socioemocional, implementada num grupo de jovens adolescentes socioculturalmente vulneráveis. Lurdes Veríssimo, primeira autora do artigo, explica que esta aprendizagem diz respeito ao processo de desenvolvimento de competências socioemocionais (e.g., capacidade de gerir a frustração, autoestima, assertividade), nomeadamente através de programas estruturados.

Os resultados indicam um impacto significativo no autoconceito, nomeadamente um aumento no ajustamento comportamental, felicidade e satisfação e uma diminuição na ansiedade no grupo de intervenção.

Lurdes Veríssimo refere, também, que “o desenvolvimento de competências socioemocionais permite (Durlak et al., 2011): 1) aumento da realização académica (e.g., melhores notas); 2) melhor ajustamento de comportamentos e atitudes (e.g., automotivação); 3) diminuição de problemas de comportamento (e.g., agressividade); 4) diminuição de problemas psicopatológicos (e.g., ansiedade e depressão).”

Este estudo realizou-se no âmbito do projeto de intervenção e investigação Aprender Com Todos (ACT), promovido pela Faculdade de Educação e Psicologia e pela Área Transversal de Economia Social da Universidade Católica no Porto que terminou em fevereiro de 2022.

22-06-2022

U-Multirank atribui nota máxima à Universidade Católica Portuguesa em 11 indicadores

A Universidade Católica Portuguesa obteve a classificação de “Muito Bom” em 11 indicadores e classificação de “Bom” em outros 10 indicadores, na edição de 2022 do U-Multirank, que avaliou mais de 2200 universidades de 96 países, através de múltiplos indicadores.

Destaca-se o excelente desempenho obtido pela UCP nas áreas da investigação, transferência do conhecimento, orientação internacional e envolvimento regional, com nota máxima em 11 indicadores, entre os quais: “Publicações mais citadas”; “Publicações mais citadas em patentes”; “Captação de financiamento privado para investigação”; “Captação de rendimentos gerados por formação profissional contínua”; “Docentes internacionais”; Mobilidade dos alunos”; “Mestrandos que trabalham na região”, “Equilíbrio de género”; “Publicações científicas profissionais”; “Publicações científicas conjuntas regionais”; e “Autoras femininas”.

Os resultados refletem uma melhoria face à edição de 2021, em que a UCP tinha obtido a classificação de “Muito Bom” em 10 indicadores e classificação “Bom” em outros 10 indicadores.

O ranking compara o desempenho de instituições de ensino superior nas diferentes atividades em que cada universidade está envolvida, através de 30 indicadores, divididos em 5 áreas de desempenho: ensino e aprendizagem; investigação; transferência de conhecimento; internacionalização; envolvimento regional.

22-06-2022

Escola das Artes lança podcast em parceria com a Cinemateca Portuguesa



Está no ar o primeiro episódio do podcast FILMar, uma parceria da Escola das Artes com a Cinemateca Portuguesa. O podcast propõe, através de um conjunto de várias conversas, entrevistas e debates, uma viagem pela história do cinema português, acompanhando paralelamente o trabalho feito pelo FILMar, projeto da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, com apoio do programa EEAGrants. O podcast é uma parceria entre a Cinemateca e a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, com apoio do CITAR e da FCT, através do projeto UIDB/0622/2020. A autoria é de Daniel Ribas e Miguel Mesquita, e a edição de José Lobo.
 
No primeiro episódio, o podcast mergulha no trabalho de Paulo Rocha, realizador cujos filmes "A Ilha dos Amores" e "A Ilha de Moraes" foram recentemente lançados pela Midas Filmes. O mar, e a viagem, no cinema do realizador, é o mote para o primeiro episódio deste podcast, dedicado à relação do cinema português com o mar. Tiago Bartolomeu Costa (coordenador do projeto FILMar) e Paulo Cunha (professor da Universidade da Beira Interior) são os primeiros convidados.
 

Para ouvir:
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21-06-2022

Reitora da Católica reúne com o Secretário-Geral das Nações Unidas

O encontro entre Isabel Capeloa Gil, Reitora da Universidade Católica Portuguesa, e António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, no passado dia 16 de junho, em Nova Iorque, constituiu uma oportunidade para a apresentação da Federação Internacional de Universidades Católicas, da qual a Reitora é presidente, e para a discussão de estratégias para a educação superior.

A reunião ficou marcada pelo debate de estratégias concretas para a concretização do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4: Educação de Qualidade “Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”, num tempo em que a educação superior se está a tornar um fator de crescente desigualdade. Foi neste contexto que a Reitora deu a conhecer o Programa Ser Capaz, a ser lançado pela Católica.

21-06-2022

Docentes da Católica Porto Business School publicam artigo sobre a experiência do confinamento dos seus alunos

De um momento para o outro, tudo mudou: no ano de 2020, o mundo ficou em suspenso e refém de um vírus que afetou o nosso quotidiano e cujas consequências, a longo prazo, ainda são desconhecidas. Através de um artigo de três docentes da Católica Porto Business School - Cláudia Carvalho Amador, Sandra Lima Coelho, Maria Isabel G. G. Castro Guimarães -, deu-se visibilidade às vivências juvenis do primeiro período de confinamento e chamou-se a atenção para o impacto do mundo digital. 

Assim, as autoras recolheram dados junto de  um conjunto de 43 jovens estudantes do primeiro ano das licenciaturas de Economia e Gestão , com idades compreendidas entre os 17 e os 19 anos que transitaram, de forma inesperada e sem qualquer tipo de preparação, para um regime de ensino à distância, que culminou numa experiência de confinamento nunca antes vivida. Se, por um lado, os dados recolhidos permitiram compreender o papel desempenhado pelas redes sociais durante o período de isolamento, por outro lado, permitiram esclarecer aquela que foi uma experiência única, no âmbito mundial, de implementação do ensino à distância. 

Os relatos dos jovens só provam que o mundo digital permitiu, de facto, superar o afastamento geográfico, contribuindo para a diminuição da solidão e da depressão, uma vez que foi através de ecrãs que muitos destes jovens conseguiram contrariar sentimentos de solidão, alimentando-se de momentos de socialização online com familiares e amigos e encarando as redes sociais como principais aliadas contra o isolamento e o afastamento físico. 

Por sua vez, os jovens estudantes que integraram esta amostra associaram uma panóplia de dificuldades ao ensino à distância durante esse primeiro confinamento – quando eram, ainda, estudantes do ensino secundário -  que vão muito para além do fator económico. Realçaram as dificuldades de ajustamento dos professores daquele nível e ensino ao ambiente online, um ambiente em que os próprios estudantes se sentiram mais suscetíveis a mecanismos de distração e no qual admitiram ser mais difícil manter a concentração,  concluindo-se que esta amostra de  estudantes, na sua grande maioria,  prefere o sistema de ensino presencial. 

“Sentia, e ainda sinto, que este tipo de ensino [online] não é tão rentável como o ensino presencial. Penso que há uma tendência muito maior para nos distrairmos, visto que estamos sempre na nossa zona de conforto (a nossa casa). É como se nunca saíssemos realmente do nosso estado de repouso e, mesmo quando estamos a ouvir uma aula, a nossa atenção acaba por não ser a maior.” 

Desta forma, os resultados demonstram  que estes jovens, extremamente familiarizados com o mundo digital, encararam as redes sociais e a escola à distância como uma oportunidade de manter as suas práticas de sociabilidade e concluir o ano letivo, mas de uma forma que os obrigou a efetuar ajustes e reestruturações. Conclui-se, portanto, que apesar de todo o mal-estar e incerteza associados àquela nova realidade, foi o mundo digital que permitiu manter uma certa “normalidade”, possibilitando a estes jovens estudantes cumprir os seus objetivos e ingressar no ensino superior. 

Ler artigo na íntegra aqui.

 

20-06-2022

Alberto Castro é o novo Provedor do Estudante da Católica no Porto

Alberto Castro, professor catedrático convidado da Católica Porto Business School, é o novo Provedor do Estudante da Universidade Católica Portuguesa no Porto. O Provedor do Estudante tem como missão principal defender e promover os direitos e os interesses legítimos dos estudantes da Universidade Portuguesa no Porto, através de uma atuação independente e confidencial. “Encaro este desafio com a responsabilidade de suceder, no cargo, a uma pessoa única, um símbolo da Católica no Porto, que ele ajudou a fundar e afirmar na cidade e no País”, salienta Alberto Castro.

A participação ativa dos estudantes na vida da Universidade é essencial, sobretudo na apresentação de soluções concretas que conduzam à melhoria do serviço e prossecução da missão e objetivos da Universidade Católica Portuguesa no Porto. Assim, o Provedor do Estudante tem como “missão providenciar um canal complementar a que os estudantes possam recorrer, com garantias de isenção, sempre que, em geral, considerem que a Universidade não agiu de acordo com o preceituado pela doutrina social da Igreja”, realça o professor.

Isabel Braga da Cruz, Presidente do Centro Regional do Porto da UCP, destaca que “o Provedor do Estudante representa uma figura imparcial e experiente, disponível para ouvir e apoiar os nossos estudantes. A senioridade do Professor Alberto de Castro marcada pela longa vivência na nossa academia inspira e alicerça a função que agora inicia”.

Alberto Castro sucede a Francisco Carvalho Guerra que foi o 1.º Provedor do Estudante da Universidade Católica no Porto entre 2013 e 2022. “Neste momento de sucessão, quero deixar uma palavra de reconhecimento ao Professor Carvalho Guerra, que ao longo de várias gerações desempenhou, com o carisma que lhe conhecemos, não só a função de Provedor do Estudante, mas também a de “mentor” de toda a nossa comunidade! Esse papel tão especial continua vivo!” afirma Isabel Braga da Cruz.

Saiba mais sobre o Provedor do Estudante aqui.

15-06-2022

Católica lança programa de bolsas para refugiados

[English version below]

 

A Universidade Católica Portuguesa (UCP) lança um programa de atribuição de bolsas destinado a estudantes em situação de emergência humanitária, com documentação emitida pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

O programa surge no âmbito do esforço nacional de acolhimento e integração dos refugiados e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pelas Nações Unidas.

Ao abrigo do programa, serão abertas 24 vagas para 17 cursos de licenciatura em Lisboa, Porto, Braga e Viseu, com isenção de propinas.

O período de candidaturas decorre de 22 de junho, dois dias após a celebração do Dia Mundial do Refugiado, a 6 de julho. O processo de seleção dos candidatos com documentação aprovada inclui entrevistas que decorrem de 11 a 15 de julho.

Para efetuar a candidatura a este programa, os candidatos deverão seguir os seguintes passos:

  • Conhecer aqui as licenciaturas da Universidade Católica Portuguesa para escolha daquela à qual se irá candidatar;
  • Preparar os seguintes documentos:
    • Documento emitido pelo SEF;
    • Documento de identificação;
    • Certificado de conclusão do ensino secundário e exames finais, traduzido em língua portuguesa ou inglesa;
    • Curriculum Vitae.

 

Se ainda não conhece os cursos ou necessita de mais informação, consulte aqui.

 


 

 

Católica launches Initiative for students at risk

The Universidade Católica Portuguesa (UCP) launches a scholarship programme for students in humanitarian emergency, with documentation issued by the Portuguese Immigration and Borders Service (SEF).

The programme is part of the national effort to welcome and integrate refugees and the 17 Sustainable Development Goals (SDGs) proposed by the United Nations.

Through this programme, 24 vacancies will be open for 17 bachelor degrees in Lisbon, Porto, Braga and Viseu, with tuition fee exemption.

The application period runs from June 22, two days after the celebration of World Refugee Day, to July 6. The selection process for candidates with approved documentation includes interviews that take place from July 11 to 15.

To apply for this programme, candidates should follow these steps:

  • Get to know Católica's courses here.
  • Check your SEF document;
  • Have your ID handy;
  • Prepare your high school diploma and final exam certificate, translated into Portuguese or English;
  • Organize your Curriculum Vitae.

If you don't know the courses or need more information, please visit this site.

 

15-06-2022

Alberto Castro: “Nunca fui um economista teórico”

Alberto Castro é professor catedrático convidado da Católica Porto Business School (CPBS) e o novo Provedor do Estudante da UCP no Porto. Lecionou no primeiro curso de Gestão da Católica no Porto, tendo vindo a ser seu diretor, e esteve na fundação da CPBS, assumindo o cargo de diretor durante dois mandatos. Assume-se como um “economista pouco teórico” e durante todo o seu percurso privilegiou o contacto com o tecido empresarial. Para além da sua atividade académica, assume, e assumiu, várias outras posições em diversas instituições, sendo membro do Conselho Económico da Diocese. É um adepto ferrenho do Futebol Clube do Porto e gosta de ocupar os seus tempos livres com bom cinema e boa música.

 

“Gosto da possibilidade que a Economia nos dá de podermos minorar os problemas de uma parte significativa da população.”

 

Olha para o futuro de Portugal com entusiasmo?

Olho com preocupação, mas não uma preocupação negativa, porque acho que nós temos potencial. Temos de o explorar e parar de ficar à espera da sorte e do acaso, sob pena de não conseguirmos melhorar o bem-estar da população, promover uma maior equidade e igualdade. A economia e as escolas têm um papel a desempenhar. Uma das coisas que realmente me preocupa é o facto de haver muitos jovens qualificados que emigram. Em paralelo, tem de haver um esforço para atrair jovens de outros países. Sou muito a favor desta liberdade de movimentação. Das coisas de que mais me orgulho é do programa INOV CONTACTO, que nasceu aqui, na Católica do Porto, e que visa dar mundo aos nossos jovens, dando-lhes a oportunidade de estagiar 9 meses no estrangeiro. É, também, essencial não perdermos a ligação com os portugueses que estão lá fora, porque eles são os nossos embaixadores, e nós não temos investido e temos falhado na gestão dessas redes, tão importantes para o nosso desenvolvimento.

 

O que é que o fascina na Economia?

Para alguns dos meus colegas aquilo que os fascina é a parte da formalização e quantificação. Eu confesso que me fui afastando dessa visão. Quando eu estudava, a Economia era vista como uma ciência social. Eu sou do tempo em que a Economia se chamava economia política, ou seja, que tem a ver com a pólis, com a cidade, com o mundo. É uma disciplina que lida com os problemas das pessoas e que pode ajudar a resolvê-los, na qual confluem muitas áreas do conhecimento como a História e a Sociologia. Gosto da possibilidade que a Economia nos dá de, através dela, podermos minorar os problemas de uma parte significativa da população, como são exemplo as situações de pobreza, de exclusão e de desigualdade.

 

Como é que se dá a escolha da Economia?

Na escola eu gostava de Matemática e de História, de forma particular. Na primária, como então se chamava, a minha professora chegou a proibir-me de responder às perguntas de cálculo mental, porque eu respondia logo. Relativamente à História, interessava-me, especialmente, por algumas figuras e heróis, gostava de ler as suas biografias, perceber aqueles tempos.
A Economia surge por exclusão de partes. A minha primeira ideia era a Engenharia, porque eu era um bocado engenhocas, mas, ao mesmo tempo, não tinha jeito nenhum para o Desenho e, como achava que isso era essencial, acabei por excluir esta hipótese. Fiquei com duas alternativas: ou Direito ou Economia. Acabei por ir para Economia por influência do meu pai que tinha o curso comercial. No fundo, escolhi Economia por exclusão de partes mas, como se costuma dizer, “o hábito faz o monge”, não é?

 

Fez o seu doutoramento na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Que memórias tem desses tempos?

Fui para os Estados Unidos no princípio de 1981. Custou deixar cá a família. A primeira memória que tenho é do frio, quatro ou cinco graus negativos. Outra coisa que me marcou foi o facto de na Carolina do Sul, que foi o último estado a arrear a bandeira confederada, ainda haver muito marcada a relação entre raças, apesar da dessegregação já ter ocorrido há mais de 15 anos. Houve um episódio muito surpreendente. No primeiro dia de aulas, apanhámos o autocarro para irmos para a universidade e sentámo-nos nos primeiros lugares que vimos. Quando chegámos à nossa paragem, uma senhora que saiu connosco pergunta-nos “Vocês não são de cá, pois não?”. Nós respondemos que não e quisemos saber o porquê da pergunta e a senhora respondeu que nos tínhamos sentado nos “lugares dos pretos”. Aquilo marcou-nos imenso.
Relativamente ao doutoramento em si, a experiência internacional foi, em si, muito enriquecedora, tendo permitido, no plano académico, aprender, aprofundar e sedimentar muitos conhecimentos durante os quatro anos em que me dediquei, quase em exclusivo, à investigação.

 

“O centro de estudos aplicados é um pilar na nossa ligação à comunidade.”

 

Iniciou o seu percurso na Católica há 35 anos. Como é que recorda esse percurso?

O meu caminho aqui começou no primeiro ano do curso de Gestão, à época uma extensão do de Lisboa. Na altura o diretor era o Professor Oliveira Marques que me convidou para lecionar Microeconomia. Mais tarde, o Professor Marques foi para Lisboa e sugeriu o meu nome, ao Professor Carvalho Guerra, para o substituir. Embora eu fosse de Economia e não de Gestão, o Professor Guerra considerou que eu tinha a competência necessária para assumir o lugar e assim foi. Uns anos mais tarde, começou a ser claro que o estatuto de extensão nos limitava: a Economia é uma disciplina de contexto que, tem uma base teórica comum, mas em que, depois, existe uma aplicação específica, idiossincrática. No Norte, as pequenas empresas e a internacionalização são muito importantes e, por isso, é essencial proporcionar uma formação mais polivalente que englobe o Marketing, a Contabilidade, as Finanças, a Economia, o Direito, etc. Por isso, o curso ganhava em ser diferente do de Lisboa. Fomos forçando essa autonomia. Com o apoio do Professor Carvalho Guerra começámos a pensar na hipótese de ter uma faculdade própria, cá em cima. Entretanto, criou-se o curso de Economia e fomos formando, também, um corpo docente próprio. O processo foi ganhando dinâmica, porque, também, era muito estribado num pilar essencial da doutrina social da Igreja que é a subsidiariedade, ou seja, o melhor espaço da decisão é o espaço da proximidade. Dom José Policarpo, na altura Reitor da Universidade Católica, dizia que no Porto se sentia o verdadeiro espírito da Católica, tínhamos um sentido de pertença único, vestíamos a camisola e tínhamos uma grande proximidade com a envolvente. Após alguma resistência inicial, persistimos e o projeto acabou por ser aprovado e, até, acarinhado. Estive à frente da faculdade dois mandatos e, dezasseis anos depois de ter assumido a direção do curso de gestão, achei que era altura de passar a uma nova geração.

 

Uma das suas primeiras decisões quando veio para a Católica foi a criação de um Centro de Estudos Aplicados (atual CEGEA), algo muito inovador à época.

Eu nunca fui um economista teórico. Já a minha tese de doutoramento foi uma tese aplicada. Na altura, em conjunto com o Dr. Guilherme Costa, decidimos que um centro de estudos aplicados era essencial para a nossa diferenciação estratégica. O nosso primeiro grande trabalho foi com o setor do calçado na elaboração do seu plano estratégico. Desde aí que mantemos uma relação, praticamente, umbilical com a APICCAPS. Sentimos os sucessos e os insucessos do setor como se fossem os nossos. Fomos, também, fazendo um caminho de ligações com outras associações, empresas e indústrias. O CEGEA é um pilar na nossa ligação à comunidade, cuja atividade constitui motivo de orgulho para a Escola. 

 

Fez sempre questão de estar ligado à disciplina História e Iniciativas Empresariais…

Sim, é uma disciplina que junta a História, a Economia da Empresa e o Empreendedorismo. Há uma pessoa, o Professor António Almodôvar, infelizmente já falecido, que foi muito importante na sua criação, embora num formato algo diferente. Nesta disciplina, os alunos têm que estudar empresas nacionais ou estrangeiras que já estão estabelecidas e que, portanto, têm um histórico que deve ser analisado e com o qual se deve aprender. Numa segunda parte, há uma aproximação ao novo empreendedorismo. Pelo meio, há vários testemunhos presenciais, de empresários e gestores, aquilo a que podemos chamar de história empresarial vivida. Através destes testemunhos pode-se perceber o que é ser empresário ou o que é ser gestor, sem a intromissão de uma narrativa professoral…
Ou seja, a disciplina permite fazer as pontes entre a Economia e a História e depois desaguar no empreendedorismo, conhecendo pessoas, projetos e aplicando conceitos. Damos aos alunos a cultura necessária e a possibilidade de se desmistificarem algumas questões como a de que criar uma empresa é uma complicação. Queremos colocar no seu espaço de decisão a possibilidade de criarem uma empresa se tiverem uma boa ideia, se tiverem vontade e se tiverem a capacidade de enfrentar o desconhecido.

 

“Devia haver um investimento maior na difusão de boas práticas.”

 

A Qualidade da Gestão é uma área que lhe é muito querida. Continuamos a ter baixos indicadores na qualidade da gestão em Portugal?

Essa é uma das nossas obsessões aqui na faculdade: ajudarmos a melhorar aquilo que se pode chamar de qualidade de gestão ou, se quisermos, os processos de gestão. No início do século XXI, foi-se sedimentando uma evidência internacional sobre a qualidade das práticas de gestão empresariais, nas quais Portugal aparecia na cauda da Europa. O que esses estudos mostravam era que se fosse possível, diria quase por milagre, darmos às empresas portuguesas os processos e os métodos de gestão que tinham, por exemplo, as empresas suecas, a diferença entre os dois PIB per capita podia ser diminuída em cerca de um terço. Há coisas que têm a ver não, propriamente, com as competências das pessoas, mas com a forma como estamos organizados e como aplicamos essas competências. Eu gosto muito de futebol e costumo dizer que sou o Mourinho do sofá (risos). Um bom exemplo para explicar a falta de eficácia na economia portuguesa é pensarmos no Porto e no Benfica, este ano. Os jogadores do Benfica eram, um a um, talvez melhores que os do Porto. No entanto, o Porto tinha uma equipa que funcionava melhor, mais coesa, que sabia bem o que queria e que atuava com eficácia. É isto que a economia portuguesa precisa. Precisamos de eliminar de vez os processos que são pouco eficazes e que não nos deixam evoluir. Precisamos de nos comparar com os outros, de não inventar desculpas e de assumirmos as nossas responsabilidades.

 

“É importante que os incentivos batam certo com as prioridades do país.”

 

Qual seria a melhor forma de as universidades chegarem às empresas?

Devia haver um maior investimento na difusão de boas práticas. Sobre este tema costumo dizer que os empresários e os gestores portugueses são muito devotos de São Tomé, ou seja, vivem muito a lógica do ver para crer. Claro que as escolas têm o seu espaço próprio no ensino, mas era muito importante que reforçassem esta ligação aos estudos de caso e o fizessem em colaboração com empresários e gestores.

O setor do calçado é um excelente exemplo disso. Quando começámos a trabalhar com eles já havia uma lógica de exposição à concorrência internacional, mas as empresas ainda eram relativamente débeis e estavam, sobretudo, mal equipadas e organizadas. O layout da empresa era muitas vezes completamente errado. Na altura, havia o PEDIP, um programa para o desenvolvimento da indústria portuguesa, e o setor do calçado apostou naquilo que se chamavam as ações de demonstração. No fundo as empresas, as melhores, as que iam à frente, mostravam às outras o que, e como, estavam a fazer. Era uma medida importante que rompia, inclusivamente, com aquela ideia de que “o segredo é a alma do negócio”. As empresas competiam todas no mercado mundial. O importante era serem capazes de competir lá fora. Os resultados dos novos investimentos que fizeram foram muito visíveis e, em 4 anos, a indústria do calçado deu um salto enorme e tornou-se, provavelmente, na mais moderna da Europa, ultrapassando até a Itália. E isto aconteceu porquê? Não fui eu, enquanto professor, que lhes fui dizer o que deviam fazer, mas as empresas viram com os seus próprios olhos através do exemplo. Eu até posso vir dar uma aula sobre isto, até posso trazer alguns exemplos ou mostrar um filme sobre o tema, mas nada se irá comparar ao poder que tem verem com os seus próprios olhos e falarem com iguais. E, em cima disso, então pode-se explicar as condições necessárias para dar sustentabilidade e ambição aos projetos. A massificação destas iniciativas seria extremamente importante.

 

Que áreas de investimento considera prioritárias para Portugal?

As áreas já estão mais ou menos identificadas e são consensuais. Falámos, por exemplo, do reforço das energias renováveis e, eventualmente, um investimento na Economia do Mar que possa trazer resultados ou acabar com mitos. E, obviamente, o reforço das qualificações e da formação. No geral, deve-se inovar sobre as nossas competências, por extensão. Há muita “inovação mediática”. Na prática, vai-se a ver, e pouco acrescenta. É importante que os incentivos batam certo com as prioridades do país, que haja uma desburocratização dos processos, bem como uma justiça mais célere. Em Portugal, as coisas são sobre-regulamentadas, porque vivemos uma completa cultura de desconfiança, alimentada pela ineficácia da justiça. No fim, isso dá origem a processos complicadíssimos e muito morosos.

 

Acaba de ser nomeado provedor do estudante da Universidade Católica Portuguesa no Porto. Qual a missão de um provedor do estudante e como encara este desafio?

Começando pelo fim. O convite que a Presidente do Centro Regional do Porto(CRP) e a Reitora me fizeram encheu-me de orgulho. Encaro este desafio com a responsabilidade de suceder, no cargo, a uma pessoa única, um símbolo da Católica no Porto, que ele ajudou a fundar e afirmar na cidade e no País. Não é impunemente que o Professor Carvalho Guerra era chamado de “Pai Guerra” pelos alunos daquele tempo. Como um pai era exigente, capaz de dar o raspanete mais desabrido que conjugava com o carinho, o estímulo e o respeito paternais.
Quando fui Diretor, recusei vários pedidos de alunos, sempre que os considerava não fundamentados. Dizia-lhes que não estava preocupado com a minha popularidade, mas com o prestígio da Escola. E tinha a certeza de que no futuro me entenderiam. Ainda assim, se entendia que os alunos tinham razão, fazia o necessário para que fosse reconhecida. A missão do Provedor do Estudante é, de algum modo, afim, dando ao estudante um canal complementar a que possa recorrer, com garantias de isenção, sempre que, em geral, considere que a Universidade não agiu de acordo com o preceituado pela doutrina social da Igreja. É uma figura que muitas organizações, hoje em dia, têm e que a Universidade Católica, por maioria de razão, não pode deixar de ter e, sobretudo, dignificar e respeitar.

 

Como é que gosta de ocupar os seus tempos livres?

Sou um grande desportista de sofá, sobretudo de futebol. No resto, sou igual à imensa maioria: gosto de ler, de ouvir música, de cinema e arte. Com um grupo de amigos temos um cineclube que reúne uma vez por mês. Juntamo-nos para ver um filme, uma boa desculpa para convivermos, para beber uns copos e comer boa comida (risos). Na música, tenho gostos diversificados. Por exemplo, no carro, se é verdade que tenho a M80, também é verdade que tenho a Antena3. Não sou nostálgico: estou atento às novas tendências e aos novos nomes.

 

15-06-2022

Católica abre concurso para bolsas de investigação

A Universidade Católica Portuguesa, através da Católica Doctoral School, abriu concurso para a atribuição de bolsas de investigação para estudantes de mestrado e doutoramento em regime de dedicação exclusiva, nas áreas da Arte, Cultura e Humanidades, Ciências Sociais, Religião e Teologia e ainda Saúde e Biotecnologia, para o ano de 2022/23.

As bolsas serão financiadas ao abrigo do Protocolo entre a Fundação Amélia de Mello e a Universidade Católica Portuguesa.

O período de candidaturas decorre entre 4 de julho de 2022 e as 17h00 (hora de Lisboa) de 15 de julho de 2022.

 

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15-06-2022

Ministro para a Inovação e Tecnologia Húngaro visita Católica Porto Business School

No âmbito de uma parceria entre a FIN e a Iberian Business Rail, a Católica Porto Business School recebeu nas suas instalações, László Gyorgy, ministro para a Inovação e Tecnologia Húngaro. A visita surgiu na sequência de uma sessão sobre “negócios no mundo lusófono” e sobre o “mundo pós-pandemia e seu impacto nos negócios e novos negócios”.

Esta sessão, organizada pela Iberian Business Rail, permitiu refletir sobre a posição estratégica de Portugal e sobre as oportunidades em diversos setores, sendo um dos oradores Alberto Carvalho Neto, coordenador do programa “Portugal as Open Door for Portuguese Speaking Countries”, na Católica Porto Business School.

Na sequência das comunicações e da possibilidade de networking criada entre os vários participantes, de múltiplas nacionalidades (Angolanos, Moçambicanos, Georgianos, Húngaros, entre outros), a FIN convidou o ministro húngaro para uma visita à Católica Porto Business School, para troca de sinergias nas temáticas abordadas, dando ênfase à importância da visita a novos locais e a novas experiências empresariais.

A FIN2022, que se realizou nos dias 2 e 3 de junho de 2022, é um evento multissectoral dirigido a empresas que querem alargar a sua rede e conexões comerciais em todo o mundo tendo reconhecimento mundial pela experiência e notoriedade dos seus oradores, e pelo surgimento de sinergias entre os vários envolvidos.

15-06-2022

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