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Sociedade Civil: Talking about Science

07-10-2022

Obra de alumnus da EA vence Edigma Semibreve Scholar 2022

 

A instalação Insensored (2022), criada pelo alumnus da EA Gonçalo Cunha, é uma das vencedoras do Edigma Semibreve Award Scholar 2022, prémio que integra o programa da 12ª edição do Semibreve, festival de música electrónica e arte digital. A obra vencedora será exposta durante o evento, que decorre entre os dias 27 e 30 de outubro em Braga.

O Edigma Semibreve Scholar é um prémio focado em trabalhos de cariz académico. Criado em 2019, incentiva a criação artística na comunidade de estudantes do ensino superior. Organizado desde 2011 pela AUAUFEIOMAU com o apoio da Câmara Municipal de Braga, o Festival Semibreve afirmou-se no panorama da música eletrónica exploratória nacional e internacional.

Insensored (2022) é o projeto final de Gonçalo Cunha, desenvolvido na Licenciatura em Som e Imagem. A primeira versão obra foi exposta na Escola das Artes durante o Panorama #22.

 

 

Insensored (Gonçalo Cunha, 2022)

Habituada a uma realidade padronizada, a consciência cria um reflexo da arquitetura do visível no seu seguimento ocultado. Esboça-nos uma continuidade simétrica nos campos de visão omitidos. Através da instalação Insensored (2022), o artista busca por à prova essa reconstrução espacial, onde tenta provar que a consciência reflete, por vezes, de forma errónea, o que está para lá da nossa perceção visual.

 

 

BIO
Gonçalo Cunha (Porto, 1999) é licenciado em Som e Imagem na Escola das Artes da Universidade Católica, Centro Regional do Porto. Ao longo do seu percurso académico foi gradualmente focando-se nas artes visuais, onde teve a oportunidade de explorar temas do seu interesse, tais como a fenomenologia e a psicologia.

07-10-2022

Teresa Santos: “Aproveitem tudo o que a Católica tem para vos dar!”

Teresa Santos é estudante do Mestrado em Direito da Faculdade de Direito – Escola do Porto da Universidade Católica e é, também, a presidente da Associação de Estudantes (AE) de Direito, missão que assume com responsabilidade e entusiasmo. O desporto académico e as oportunidades de formação para os estudantes são alguns dos pilares do seu mandato. Do seu percurso na Católica destaca a “proximidade com os professores” e a “ligação à prática profissional”.

 

Que conselho daria aos estudantes que começaram agora o seu percurso universitário na Católica?

Aproveitem tudo o que a Católica tem para vos dar! Envolvam-se e queiram, verdadeiramente, fazer parte do mundo universitário. Estudar é importante, mas a universidade é muito mais que estudar para os exames. Explorem todos os grupos académicos, todas as oportunidades de crescimento e vivam de forma plena estes anos das vossas vidas. 

 

“Há cada vez mais alunos a querer fazer a diferença.”

 

É a atual Presidente da Associação de Estudantes de Direito. O que a levou a candidatar-se?

Faço parte da Associação de Estudantes desde o meu 2.º ano da licenciatura. Comecei como vogal da direção e no ano seguinte assumi as funções de vice-presidente da direção. O engraçado é que nunca me tinha imaginado a assumir o cargo de presidente. O desafio surgiu através do antigo presidente que achou que eu me devia candidatar no ano seguinte. Pensei muito na sugestão dele e decidi arriscar, movida pela vontade em fazer mais pelos estudantes da minha faculdade.

 

Licenciou-se em Direito e ingressou recentemente no Mestrado em Direito Criminal. Porquê escolher a Católica para estudar na licenciatura e, também, no mestrado?

Quando eu disse aos meus pais que queria estudar Direito, disseram logo que tinha de ser na Católica. Não tive dúvidas de que era aqui que eu queria estudar. Pelo prestígio, pela reputação, pela ligação ao mercado de trabalho e pelas oportunidades de desenvolvimento que nos oferece ao longo de todo o nosso percurso. Acabei por gostar muito do curso, por me sentir muito bem acolhida e isto acabou por me levar a querer prolongar a minha experiência aqui. Quis continuar o meu percurso, orientado pelos mesmos critérios de exigência, de qualidade dos professores, de proximidade e de abertura ao mundo do trabalho.

 

“Não pode haver egos, porque o bem-maior tem de falar mais alto.”

 

O que é que a tem vindo a marcar mais ao longo do seu percurso na Católica?

Tenho-me sentido sempre desafiada e motivada. O plano curricular, através da sua componente prática, é muito diferenciador relativamente a outras universidades. Destaco, também, a grande proximidade com os professores. Estão sempre recetivos às nossas dúvidas e mostram sempre grande preocupação com cada um dos alunos. No fundo, aqui na Católica tudo acaba por fluir bem: das aulas, ao acompanhamento, passando pela dinâmica dos grupos académicos, que estão a crescer cada vez mais. Há cada vez mais alunos a querer fazer a diferença e é ótimo sentir que a Católica nos dá espaço para isso.

 

O que considera imprescindível para se ser um bom presidente de uma Associação de Estudantes?

Ter capacidade de liderança é essencial, porque desde logo é preciso gerir uma equipa de 20 pessoas. Em simultâneo, tem de ser capaz de realizar qualquer tarefa, não deve ter medo do trabalho, deve ser capaz de pôr a mão na massa. Essencialmente, considero que não pode haver egos, porque o bem-maior tem de falar mais alto.

 

Que ações têm marcado o seu mandato, enquanto presidente da Associação de Estudantes?

Começamos o mandato com o objetivo de fazer uma bolsa de estágios de verão por considerarmos que são uma grande mais valia para os estudantes. Empenhamo-nos em traçar parcerias com escritórios que pudessem receber os nossos estudantes. Este foi um primeiro objetivo que foi cumprido e que muito nos contenta saber que há estudantes a usufruir desta oportunidade. O caminho ainda está no início, porque, se até ao momento conseguimos 10 vagas de estágios, o objetivo é multiplicar este número. Outra prioridade para nós foi o desporto académico. Temos vindo a promover a prática do desporto, porque consideramos que é muito enriquecedor para os estudantes a todos os níveis. Não só porque o exercício físico é uma componente muito importante para a nossa saúde, mas, também, porque permite desenvolver inúmeras competências que nos são muito úteis tanto a nível profissional, como pessoal. A área do desporto está a crescer consideravelmente: no meu primeiro ano da faculdade só havia equipa de futebol masculino, depois abriu o voleibol feminino e este ano arrancou, também, o basquetebol masculino. No próximo ano contamos que abra o basquetebol feminino e, também, o futsal. Temos, também, apostado nos cursos intensivos em diferentes áreas. Queremos proporcionar aos estudantes a formação em áreas que merecem ser mais exploradas. Já realizamos uma formação em tratamento de dados, por causa da nova lei do RGPD, e outra formação em práticas processuais penais. Estamos a planear, também, uma próxima formação que será em Direito do Desporto.

 

De que forma é que trabalham a proximidade com os estudantes?

Isso é transversal em tudo aquilo que fazemos. Tudo o que promovemos tem como pano de fundo uma relação próxima com os estudantes. De outra forma, não seríamos uma Associação de Estudantes. Na AE procuramos sempre ter na direção uma representação de todos os anos da licenciatura em especial, mas também do mestrado. Com o objetivo de alargar este âmbito, criamos também comissões de ano. Assim conseguimos garantir que estamos mais perto da realidade de todos. Para além disto, temos também a AE aberta, uma vez por semana, para receber os estudantes que queiram vir ter connosco.

 

“A transversalidade do Direito fascina-me.”

 

No último ano da sua licenciatura, fez um estágio curricular numa Sociedade de Advogados. De que forma é que foi uma oportunidade importante para o seu percurso?

Foi através do estágio que tive o meu primeiro contacto próximo com o mundo da advocacia. É muito importante esta ligação à prática profissional, porque nos permite conhecer a realidade que existe para lá dos livros. Foi ótimo, porque me permitiu aliar a prática a tudo o que tinha aprendido ao longo do curso e também me permitiu entrar no ambiente real de um escritório de advogados.

 

O que é que mais a fascina no Direito?

Acho que todas as áreas se ligam de certa forma ao Direito, porque todas requerem, de alguma forma, o conhecimento da lei. É esta transversalidade do Direito que me fascina e desafia.
 

Quais são os seus planos para o futuro?

Eu entrei para Direito com a vontade de ser juiz e a ideia permanece. Há diferentes formas de chegar à magistratura, porque podemos ir pela via académica ou pela via profissional. Acho que vou gostar da experiência de ser advogada e por isso irei optar por esta segunda opção. No próximo ano quero ingressar na Ordem dos Advogados, enquanto que estarei a escrever a minha dissertação de mestrado.  
 

Espaço do campus favorito?

A sede da AE de Direito, claro (risos). Ou a estudar, ou a conversar ou a receber os estudantes. Estamos lá sempre.

 

 

06-10-2022

Postdoctoral Research Grant - Project ApR-TEC

04-10-2022

“Fictional Grounds” é a nova exposição do coletivo berru na Escola das Artes

Simulações de solos de um território imaginado através das quais se pode procurar vestígios de minerais com potencial energético e apresentar amostras de terra provenientes de diferentes origens com composições variadas que são montadas em planos bidimensionais – é esta realidade ficcionada que se poderá assistir de perto na nova exposição “Fictional Grounds” do coletivo artístico berru criado no Porto, que venceu o prémio Sonae Media Art 2019, e que já expôs e foi responsável por instalações em instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian, BoCA Biennial of Contemporary Arts, e The Old Truman Brewey (Londres). A exposição conta com curadoria de Nuno Crespo, diretor da Escola das Artes. A inauguração tem data marcada para 20 de outubro, às 19h00 na Escola das Artes. A entrada é livre.

A exposição será apresentada ao público através de planos bidimensionais e colocados no espaço expositivo como se de pinturas ou esculturas minimalistas se tratassem. Vista de uma forma crítica e movida pela urgência da catástrofe ecológica atual, a exposição estabelece uma relação subtil com o universo dos earthworks (trabalhos com terra) dos artistas pioneiros da Land Art como Robert Smithson, Richard Long ou com a famosa exposição de Walter de Maria quando em 1977 encheu uma galeria de Nova Iorque com 140 toneladas de terra.

“Em ‘Fictional Grounds’ está bem patente a visão característica de berru, cujo trabalho que têm vindo a desenvolver é baseado numa ideia de exploração de mecanismos, conceitos e materiais muito diferenciados,” salienta Nuno Crespo, curador da exposição. O grupo trabalha indistintamente com imagens em movimento, escultura, som e new media, havendo sempre um elemento performático e muito dinâmico em todas as obras que desenvolvem. O elemento dinâmico acontece quer no momento da conceção das suas obras, quer na experiência que o público faz delas. ”A vita contemplativa dá aqui lugar a vita activa em que o público é convocado a acompanhar o processo dinâmico de desenvolvimento das suas obras.,” conclui Nuno Crespo.

Uma exposição a não perder, patente na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa no Porto até 17 de fevereiro. A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.

Sobre o coletivo berru:
O coletivo berru, criado no Porto em 2015, venceu o prémio Sonae Media Art 2019 com o projeto "Systems Synthesis" e já expôs e foi responsável por instalações em diferentes instituições, como a Fundação Calouste Gulbenkian, BoCA Biennial of Contemporary Arts, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, gnration (Braga), Galeria Municipal do Porto, Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas - Açores, The Old Truman Brewey (Londres), Culturgest, a Fundação Cecília Zino e o Centro Cultural Vila Flor. Em 2021, esteve na quinta edição da Instambul Design Biennial.

04-10-2022

Católica participa na celebração do 30.º aniversário da Rede Europaeum

Isabel Capeloa Gil, Reitora da Universidade Católica Portuguesa (UCP), moderou a sessão “Challenges to Academic Freedom”, e participou no plenário “Key points from the Day”, no passado dia 1 de outubro, nas celebrações dos 30 anos da Rede Europaeum, da qual a UCP é membro. Nuno Sampaio, docente do Instituto de Estudos Políticos (IEP), Ana Martins e Laura Lisboa, alumni do IEP, e António Leitão Amaro, da Católica Global School of Law acompanharam a Reitora no evento que decorreu de 30 de setembro a 1 de outubro, no Balliol College, Oxford, Reino Unido.

A comemoração contou com a presença de especialistas e docentes de diversas universidades europeias, entre os quais se destacam: Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, Dame Sally Mapstone, Vice-Chanceler da University of St Andrews, Pascal Lamy, ex-Diretor-Geral da OMC e ex-membro da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, Diretor do Centro de Estudos Europeus, UCP e ex-Presidente da Comissão Europeia, e Andrienne d’Arenberg, Trustee da Rede.

Estiveram ainda presentes: Lord Patten of Barnes, Tracey Sowerby, Danny Srikandarajah, CEO da OXFAM, Hartmut Mayer, Diretor Executivo da Europaeum, Andrew Serazin, Presidente da Templeton World Charity Foundation, Ngaire Woods, Founding Dean da Blavatnik School of Government, Wim van den Doel, Leiden University, Jan Wouters, KU Leuven, James Manyika, All Souls College, Oxford, Sir Nigel Shadbolt, Diretor do Jesus College, Oxford, Roxana Radu, Blavatnik School of Government, Andrew Graham, Europaeum Trustee, e Timothy Garton Ash, St Antony’s College, Oxford.

O evento celebrou 3 décadas da aliança europeia de universidades de excelência, que se define como uma “Universidade internacional sem fronteiras”, liderada pela Universidade de Oxford. A união é composta pela UCP, Universitat Pompeu Fabra, Freie Universität Berlin, Universitá di Bologna, University of Copenhagen, Graduate Institute of International & Development Studies, Geneva, Helsingin Yliopisto, Uniwersytet Jagielloński, Universiteit Leiden, KU Leuven, University of Luxembourg, Universidad Complutense de Madrid, Ludwig-Maximilians-Universität München, University of Oxford, Université Paris I Panthéon-Sorbonne, Univerzita Karlova, Prague, University of St. Andrews e University of Tartu.

A UCP tornou-se oficialmente membro da rede em 2019, resultado de uma relação de 10 anos com o IEP enquanto membro associado. Conforme já noticiado, a convite do Chanceler da Universidade de Oxford, Lord Chris Patten, a Reitora da UCP irá iniciar funções como Trustee desta rede, a partir de janeiro de 2023.

03-10-2022

Doutoranda recebe Bolsa Fulbright para investigar na área da regeneração de tecidos

Anabela Veiga, estudante do Doutoramento em Biotecnologia da Escola Superior de Biotecnologia (ESB), recebeu uma Bolsa Fulbright que lhe permitirá desenvolver parte da sua investigação de doutoramento nos Estados Unidos da América, de fevereiro a agosto de 2023. Será do outro lado do Atlântico que a estudante irá continuar a desenvolver o seu trabalho na área da regeneração de tecidos e de onde espera trazer muitas competências e conhecimentos que possam, também, enriquecer a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e a sua equipa de investigação: “Aqui lutamos todos por uma melhoria e uma aprendizagem contínua.”

O que é que representa para si a atribuição de uma Bolsa Fulbright?

Anabela Veiga (AV): É uma oportunidade que me vai permitir pertencer a uma comunidade prestigiada e global, que defende os mesmos valores com os quais me identifico: igualdade de género, de oportunidade, colaboração e interajuda, desenvolvimento de trabalho inovador e com significado na comunidade. Para além disso, vou desenvolver trabalho com recurso a tecnologias state of the art (co-cultura de materiais 3D à base de uma proteína natural da seda, em bioreatores de forma a obter uma estrutura totalmente funcional – redes vasculares e neuronais) e terei acompanhamento de especialistas na área, o que vai enriquecer muito o meu projeto e o meu conhecimento em geral.

O que é que espera desta experiência nos Estados Unidos da América?

AV: Conto adquirir muitos conhecimentos de cultura celular, co-cultura e utilização de bioreatores, assim como medidas de quality assurance, gestão e organização de trabalho. Conto trazer de volta todas as competências e conhecimentos para a ESB para toda a equipa de investigação poderem tirar partido. Farei tal como todos os meus colegas fazem quando têm a oportunidade de integrar uma equipa e um laboratório de investigação diferentes. Lutamos todos por uma melhoria e uma aprendizagem contínua.

Qual o maior desafio que antevê?

AV: Provavelmente a integração cultural. Na Europa, encontramos pessoas com uma cultura, um estilo de vida e um comportamento mais semelhante ao nosso aqui em Portugal. Durante a minha estadia em Madrid, onde tive a oportunidade de trabalhar durante mais de meio ano com o apoio da bolsa ERASMUS + da ESB, acho que tive a melhor experiência possível, porque toda a equipa se mostrava pronta para me ajudar, trocar ideias e contribuir para o meu trabalho. Tenho consciência que, nos EUA, as pessoas talvez estejam mais focadas nas suas próprias tarefas e apresentem, eventualmente, deadlines que possam impor mais pressão e stress. De qualquer forma, é tudo uma questão de adaptação e resiliência.

Qual é o tema do seu projeto de investigação de doutoramento?

AV: O meu Doutoramento em Biotecnologia está a ser desenvolvido sob a orientação da Professora Doutora Ana Leite Oliveira e o tema é “Biofabrication of an innovative silk-based 3D construct as a new strategy for engineering skin tissue”. O meu projeto conta com a colaboração do Laboratory for Process Engineering, Environment, Biotechnology and Energy da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, do Instituto de Ciencia y Tecnología de Polímeros, em Madrid, e da Trufs University, concretamente o Departamento de Engenharia Biomédica do Tissue Engineering Resource Center - TERC, nos EUA, para onde vou no início do próximo ano com o apoio da bolsa Fulbright.

Porquê a sua escolha de vir estudar para a Escola Superior de Biotecnologia?

AV: Eu queria trabalhar na área dos biomateriais e o Centro de Biotecnologia e Química Fina tem uma equipa multidisciplinar que tem como foco desenvolver produtos sustentáveis e de valor para a indústria. Para além disso, o grupo de Biobased and Biomedical Products tem know how em proteínas da seda, em desenvolvimento e otimização de materiais para a regeneração da pele e um laboratório de cultura celular completamente equipado. Também mantive sempre o contacto com a Professora Ana Leite Oliveira, que sempre me motivou, acreditou no meu potencial e que me deu liberdade e ajuda para ser criativa e inovadora no meu trabalho.

O que é que a motiva?

AV: Considero-me uma pessoa naturalmente motivada para trabalhar e aprender. Gosto de me desafiar, pois é uma das formas que me leva a crescer profissionalmente e pessoalmente. Consigo adaptar-me a diferentes ambientes de trabalho, com diferentes pessoas e gosto muito de trabalhar em grupo e de ajudar os meus colegas.

03-10-2022

Doclisboa 2022: EA renova parceria com o Arché

 

A Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa estará presente no Doclisboa 2022, no âmbito de uma parceria com o Arché – Espaço de Pensamento e Desenvolvimento Criativo que pretende colocar à disposição ferramentas e momentos de reflexão e formação para a criação de novos projectos cinematográficos, garantindo a sua identidade e qualidade.

No âmbito desta parceria, haverá mais uma edição do Prémio Escola das Artes, Universidade Católica Portuguesa: Prémio Especial do Júri para Melhor Projecto em Fase de Escrita e Desenvolvimento, no valor de 2 000€. Este prémio será atribuído pelo júri (Hajnal Molnár-Szakács, Pedro Filipe Marques e Sarita Matijevic Žilnik) a um dos 12 projetos a concurso. Mais informação sobre os projetos aqui.

O Doclisboa e o Arché decorrem este ano entre os dias 12 e 20 de outubro de 2022.

Este é mais um dos momentos em que a EA se associa aos principais festivais de cinema portugueses, como forma de apoiar o desenvolvimento do cinema português.

29-09-2022

José Azeredo Lopes: “Através da guerra na Ucrânia estamos a testar o nosso modelo de relações internacionais.”

José Azeredo Lopes é docente e investigador da Escola do Porto da Faculdade de Direito. É, também, o coordenador do International Studies Programme (ISP), um mestrado inteiramente lecionado em inglês que reforça o caminho de internacionalização da Católica. Especialista da área Internacional, Azeredo Lopes conta-nos que este seu fascínio vem da consciência de que “o mundo é muito mais do que nós”. Apaixonado por gastronomia, confessa que uma das coisas que mais deseja é terminar o seu livro sobre a História da Gastronomia Europeia.

 

Que memórias guarda da sua infância?

Memórias muito felizes de uma família da classe média a viver no Porto. Ir à escola, ter amigos, fazer algumas patifarias. No fundo, só tenho recordações gratas. Sou, também, daquelas pessoas que conheceram um antes (da democracia) e um depois. Tinha treze anos quando se dá o 25 de abril. Foi uma altura, absolutamente, deslumbrante no Porto.

 

“A Católica representa para a cidade do Porto também uma revolução.”

 

O que destaca desses tempos?

Foi um momento extraordinário de abertura da sociedade, de discussão e liberdade, mas de alguns excessos também. No dia 25 de abril, a primeira grande notícia foi a de que não havia aulas, mas também a ideia de se falar numa revolução pela primeira vez – coisa que, para os mais velhos, parecia um pouco assustadora. Não se fazia ideia do que podia ser uma revolução. Esse período marcou-me muito. Apanho em plena entrada na adolescência um período dos mais entusiasmantes, mas, também, com algumas dimensões sombrias. Isto acaba por culminar no verão quente de 75, em que alguns liceus ficaram a ferro e fogo. Na altura eu estava no Liceu D. Manuel II (Rodrigues de Freitas) e foi aí que fiz algumas das grandes amizades da minha vida, do ponto de vista da solidariedade, mas também onde aprendi os valores da lealdade e do amor ao debate e à troca de ideias. Foram anos determinantes.

 

O curso de Direito da Católica no Porto inaugura em 1978 e fez parte da sua primeira turma. É o primeiro curso de Direito do Norte.

O Porto teve vagamente uma faculdade de Direito a seguir à República, de muito curta vida. O Governo deve ter achado que não éramos gente recomendável, gostávamos demasiado da liberdade. Portanto, a Católica, de facto, representa para a cidade do Porto também uma “revolução” simbólica. Finalmente, existia uma Faculdade de Direito no Porto e saiu-me em sorte fazer parte da sua primeira fornada. Durante décadas, estava cristalizado o dogma de que o Direito era em Lisboa e em Coimbra. A abertura da Católica teve um impacto muito relevante na Cidade que, hoje, se torna difícil de explicar, dada a multiplicação de ofertas, a liberdade de escolha, ou a possibilidade de se estudar no estrangeiro. Hoje, tudo isto é mais relativo (creio que ainda bem), mas na altura foi um acontecimento.

 

“Nunca tive dúvidas de que, para onde quer que eu fosse, o meu regresso era sempre aqui.”

 

O que é que mais o marcou ao longo do curso?

O que me marcou foram os professores. Eu gostava muito da área internacional e desde o início a escolhi. O meu grande destaque vai sempre para os professores. Por exemplo, Direito Administrativo é, para mim, uma área um pouquinho desinteressante. Tive, contudo, a sorte de ter um enorme Professor, Rogério Soares. Nunca me passaria pela cabeça (cada um é como é) investir no Direito da Família. E, no entanto, assistir às aulas do Professor Pereira Coelho era um momento de admiração intelectual muito particular e de respeito por uma capacidade de ensinar que nunca terei. O Direito, de forma especial, é influenciado pelas características do docente e eu tive um naipe de professores muito acima da norma.

 

Qual é a importância da docência na sua vida?

Gosto muito de ser professor e, neste momento, não queria fazer outra coisa. A docência foi sempre, desde que comecei a minha carreira e embora com saídas e regressos, o pilar central da minha profissão. Nunca tive dúvidas de que, para onde quer que eu fosse, o meu regresso era sempre para aqui.  Infelizmente, as pessoas têm dificuldade em compreender isso, porque fomos assistindo a uma degradação do conceito de professor. O professor tem, cada vez mais, um papel importante, até de um ponto de vista concorrencial. Mas, ao mesmo tempo, é comum perceber em alguns interlocutores um olhar que diz “coitado, já só é professor”. Naturalmente, sorrio para dentro.

 

Desde cedo que se apercebeu que aquilo que gostava era da área Internacional. Porquê este gosto?

A minha família é bastante internacional. Além disso, esse apego talvez também venha de em pequeno ter andado na Escola Francesa. Pode parecer que não tem muita influência, mas, na altura, havia uma diferença grande entre a escola privada e a escola pública, do ponto de vista da abertura ao mundo (daquilo que, de forma mais bonita, se pode dizer “mundividência”). Esta diferença atenuou-se muito desde então. No final da quarta classe, acabei por ir para uma escola pública, porque o meu pai achou que eu estava a ficar muito copinho de leite (risos). Lidei com um mundo diferente e estou certo de que foi isso que reforçou muito em mim o acreditar na democracia e na defesa de oportunidades iguais para todos, assim como numa obrigação cidadã e política de solidariedade com os vulneráveis. Na Escola Pêro Vaz de Caminha, ali na Rua do Rosário, era de tal forma gritante a diferença que me vi obrigado a ter o meu protetor, porque era um magricela, que deixava copiar. Também aí, com certeza, aprendi a vantagem da negociação. Com o tempo, com a sorte destas experiências, forjei a convicção forte de que o mundo é muito mais do que nós. Podemos fazer o que quisermos neste Portugal que eu adoro, mas ao mesmo tempo não somos “nada”, porque o que quer que aconteça lá fora vai ter um impacto imediato cá dentro. Infelizmente, basta olhar para o que está a acontecer, atualmente, na Ucrânia, e olhar, depois, para a insegurança que sentimos no dia-a-dia ou para a conta do supermercado.

 

Que lições é que a guerra na Ucrânia já nos deu?

Eu acho que quem tem aprendido mais lições é a Rússia, apenas, infelizmente, não é ainda suficiente. A Rússia cometeu o erro capital de olhar para a Europa como um conjunto de países velhos, um bocadinho gordos e muito burgueses e, sobretudo, incapazes de sacrifícios e de se unirem em torno do que quer que fosse. O elemento decisivo foi a Alemanha. Quando a Alemanha dá o sinal de que vai duplicar o orçamento da defesa e renunciar a prazo ao gás russo (e, no imediato, ao Nordstream 2) dá-se uma revolução mental no continente. A Europa é, de longe, quem mais está a pagar por isto. Tem sido um teste permanente ao projeto comum que temos e que se chama União Europeia. A Rússia fez com que tivéssemos de fazer das tripas coração e obrigou-nos a encontrar aquilo que nos une e a desvalorizar, pelo menos durante algum tempo, aquilo que nos possa dividir. Mas, pelo caminho, temos de acarinhar as democracias e não darmos nada por adquirido. É ver-se a subida eleitoral do extremismo na Suécia, em França ou, mais recentemente, em Itália.

 

Como é que olha para a saída do Reino Unido da União Europeia?

Acho que devemos ao Brexit, de alguma maneira, a existência de uma União Europeia mais robustecida. Gosto muito dos britânicos, admiro-os em não poucas coisas e, claro, não queria que eles saíssem. Porém, de alguma maneira, foi preciso que saíssem para que se percebesse algo de fundamental: quem sai não fica melhor (bem pelo contrário). No fundo, conseguiu demonstrar-se com esta aula prática, como nunca, o conjunto de virtudes da União Europeia: aquilo que até aí não tínhamos sido capazes de fazer. É por isso que mantenho que o Reino Unido antieuropeísta foi talvez uma das maiores prendas políticas (prenda involuntária, claro) que foi dada à União Europeia desde há muitos anos. Apesar de todos os defeitos e discussões, é melhor estar dentro da UE e trabalhar para resolver os nossos diferendos, do que sair, porque o custo é muito maior – e a solidão política manifesta.

 

Como é que a Escola do Porto da Faculdade de Direito tem vivido este momento de guerra com a Ucrânia?

A tradição do Internacional da Escola do Porto é a de olhar sempre para a realidade e acabar com as teorias esotéricas assentes num academismo exagerado, onde se pode fazer a disciplina sem estudar um único caso. Não é só a guerra da Ucrânia, aqui na Católica sempre estivemos atentos a tudo o que estava a acontecer. Mas, evidentemente, este é um caso esmagador, perigoso e destruidor. Através da Ucrânia estamos, afinal, a testar o nosso modelo de relações internacionais.

 

De que forma é que o estudo das Relações Internacionais é essencial?

Quando alguma coisa acontece lá fora repercute-se dez vezes em Portugal, duas ou três em França e uma nos Estados Unidos. Mas dez vezes em Portugal porquê? Porque nós somos um país médio pequeno e, portanto, muito aberto ao mundo. É por isto que é difícil governar em Portugal, estamos sempre a ter de gerir impactos que não dependem de nós. E tendo em conta este contexto, o que é que um exercício de inteligência obriga? A que procuremos conhecer cada vez mais e estudar, também, cada vez mais, e com especial destaque as questões internacionais. Curiosamente, noto que há agora mais estudantes a terem gosto pelo internacional.  Por exemplo, há sete milhões de pessoas em risco de morrerem de fome na Somália. Como é que se pode achar que isto não mexe connosco? Claro que sim, e o estudo que levamos a cabo é para interpretarmos de forma o mais competente possível a realidade internacional, seja patológica, seja como conjunto infindável de oportunidades e desafios. Tem de haver solidariedade, mas inteligente (não confundir com caridade, esse é outro capítulo), e é isso que tentamos transmitir aqui na faculdade.

 

“O International Studies Programme corresponde muito aos objetivos estratégicos da Católica.”

 

Estudar Direito na Católica é diferente porquê?

Acho que, passe a imodéstia evidente, somos mais ágeis do que outros a reagir e a pensar “produtos”. Não falo de uma relação de clientela, até porque não gosto nada dessa ideia, mas refiro-me a apresentarmos produtos de conhecimento. Temos essa capacidade e esse dever, também. Somos uma faculdade que tem o dever de manter uma atitude e prática humanistas e, por isso, mais atenta aos problemas que os nossos estudantes possam ter: quer sejam problemas relacionados com a aprendizagem do Direito, quer sejam de âmbito económico ou, no limite, até privado. Temos conseguido este equilíbrio: entre aquele que é o apoio que queremos dar aos nossos estudantes e aquilo que também tem de partir deles, enquanto adultos responsáveis que são. O equilíbrio é sempre uma marca da Católica. Confesso, pessoalmente, uma pequena obsessão com a melhoria da qualidade, com a diferenciação, dizendo aos estudantes de que sejam exigentes e aplaudam a exigência, que compreendam realidades diferentes, que pensem e desenvolvam e estimulem o pensamento crítico.

 

“Olho para a faculdade como uma casa de saberes.”

 

O International Studies Programme (ISP), um programa de mestrado inteiramente em inglês e do qual é coordenador, faz parte da estratégia da internacionalização da Escola do Porto da Faculdade de Direito?

O International Studies Programme corresponde muito aos objetivos estratégicos da Católica. Independentemente do apreço maior ou menor pela língua portuguesa ou à maior ou menor fluência, temos de ensinar mais conteúdos em inglês – esta é a língua franca do séc. XXI. Só estaremos, verdadeiramente, internacionalizados quando recebermos pessoas de fora e conseguirmos conhecê-los, respeitá-los e compreender as suas idiossincrasias. Com isto não estou a sugerir que percamos a nossa identidade ou que a ela renunciemos, até porque se assim for não seremos mais do que estrangeirados. A nossa identidade, temos de manter e até reforçar, com mais exigência e consolidando a capacidade de atrair pessoas de fora e continuando a construir um corpo docente forte e sólido. No âmbito do ISP, temos o projeto de desenvolver, rapidamente, um programa de estágios específico para que os estudantes tenham oportunidade de contactar com organizações internacionais ou outras entidades que toquem o internacional. Estamos, também, a promover a interdisciplinaridade, orientados por esse clichê tão sábio de que “quem só sabe de Direito, nem de Direito sabe”. Lançamos já, também, os International Studies Programme Dialogues, que só neste semestre trazem à Católica dez oradores dos mais qualificados, com temas e leituras do mundo muito diversos. Queremos dar aos nossos alunos a possibilidade de alargarem horizontes para além da sala de aula (sem nunca desvalorizarmos esta), até porque é desta forma que concebo uma faculdade. A faculdade é uma casa de saberes ou não é faculdade.

 

“Nunca tive falta de esperança em Portugal. Somos um país prestigiado na União Europeia.”

 

No final da sua licenciatura também foi um estudante internacional. Estudou durante um ano em Nice. Foi um ano marcante para si?

Imagine que durante um ano vai para uma cidade fantástica estudar só aquilo de que mais gosta. Foi o que me aconteceu. Não tive de escolher as matérias de que gostava menos. Eu gostava de tudo e por isso foi um ano que me marcou muito. Estava a estudar, de forma intensiva, exigente e exclusiva, Direito Internacional e Direito Europeu. Foi talvez o ano que me caiu mais fundo na minha vida, do ponto de vista da aprendizagem. Aprendi sem parar. Também, tudo isto foi vivido na altura da entrada de Portugal nas Comunidades, hoje União Europeia. Nestes dias, é difícil explicar isto, mas havia um fosso tão, mas tão grande entre Portugal e o resto da Europa. Lutávamos bravamente para nos desenvolvermos e a Europa estava a muitos mais quilómetros de distância do que a distância física. Deparei, por exemplo, com métodos de ensino e com uma abordagem muito diferente daquilo que conhecia.

 

Como é que olha para Portugal?

Somos um grande país, e não padeço de qualquer cegueira nacionalista. É bom não esquecer que estamos nisto há quase novecentos anos. Conseguimos ultrapassar coisas muito duras: o povo português tem uma capacidade de adaptação grande, e uma resiliência (palavra muito na moda) acima da norma. Tem sabido aguentar-se e crescer, tem sabido desenvolver-se e criar oportunidades. Por exemplo, o que estamos a fazer na área do comércio externo é muito importante. São as pessoas, sobretudo. As empresas têm tido a capacidade de se reinventar, de se modernizar e de pensar de forma diferente. Também por isso, nunca tive falta de esperança em Portugal. Somos um país prestigiado na União Europeia, acho aliás que a nossa “dimensão” na Europa e noutras esferas é maior do que o “tamanho” do país.

 

Enquanto investigador, que área do globo destacaria como de grande interesse para analisar?

Eu, hoje, olharia muito para o Indo-Pacífico. Acho que é a área mais excitante, onde muita da nossa história coletiva se vai decidir. O mapa já é agora mais oriental, o futuro vai passar por essa região. É no Indo-Pacífico que as peças se estão todas a colocar, é lá também que, com inteligência, temos de nos “colocar” sem a mania das grandezas. Por outro lado, nunca esqueceria África, do Magrebe à África do Sul. Não esqueçamos: vão ser “em breve” (em menos de um século), o continente mais populoso e, com isso, desafios grandes como a sua grandeza.

 

“A abordagem da gastrodiplomacia mostra-nos como na política externa a gastronomia desempenha um papel de relevo.”

 

O que é que gosta de fazer nos seus tempos livres?

Gosto muito de ler e, também, gosto muito de cozinhar. Gosto, por outro lado, de estudar a gastronomia como expressão de cultura. Tenho, portanto, o sonho de finalmente terminar o livro sobre História Europeia da Gastronomia em que me lancei. Tenho é receio que se trate de uma espécie de obras de Santa Engrácia.

 

Porquê o gosto pela gastronomia?

Conheço muitas cozinhas, tive essa sorte. Defendo a abordagem da gastronomia como cultura. No mestrado, há uma disciplina que se chama Artes, Direito e Relações Internacionais, e uma das sessões é dedicada à gastrodiplomacia. Aí se demonstra que, na política externa, a gastronomia tem um papel de relevo. Um bom exemplo disto é o couscous royal. É um prato do Magrebe, reivindicado (pelo menos) pela Argélia e por Marrocos. Estes dois países não se apreciam muito, por motivos históricos que aqui não interessa desenvolver. Apesar disto, estes dois países conseguiram chegar a um acordo. Qual foi o acordo? A apresentação de uma candidatura comum do couscous como património imaterial da humanidade. Esta relação entre a gastronomia e as relações internacionais é, lá fora, estudada nas faculdades de direito e de relações internacionais. Gostava muito que, entre nós, mais pessoas se ocupassem disto, até porque competência não nos falta para essa reflexão (é pensar-se, por exemplo, em Bento dos Santos).

 

29-09-2022

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