X

Novidades

Será que existe interdisciplinaridade na Alimentação?

Somos aquilo que comemos, mas somos mais ainda. O impacto da alimentação no nosso quotidiano vai muito para além das necessidades do nosso organismo. Provavelmente, já todos teremos pensado em algum momento acerca da importância da alimentação na nossa vida, mas será que temos todos a consciência de como os alimentos nos afetam, nos impactam, nos transformam, nos inspiram, nos divertem? Bem, o rol de oportunidades da Alimentação é imenso e é no campus multidisciplinar da Católica no Porto que se torna evidente a transversalidade deste tema. A investigação, a saúde física e mental, a gastrodiplomacia, a ortorexia nervosa e a interação e a arte têm como denominador comum o tema Alimentação. Não restam dúvidas de que, seja nas Ciências, no Direito, na Economia e Gestão, na Psicologia e Educação, nas Artes ou na Enfermagem, a Alimentação ocupa um lugar de muito relevo.

Este dia comemorativo celebra-se a 16 de outubro, data da criação da FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. Este organismo tem trabalhado em prol do combate à pobreza e à fome, através da promoção do desenvolvimento agrícola e da melhoria da alimentação. Esta comemoração constitui uma oportunidade de reflexão sobre o que pode ser feito para eliminar a pobreza e a fome no mundo e sobre o impacto que a alimentação tem na vida de todos.

 

O que posso, afinal, comer?

A alimentação é crucial na nossa vida, porque é um garante da nossa sobrevivência. Mas não só. É, também, um dos maiores prazeres para muitas pessoas e constitui-se, também, enquanto forma de identidade cultural e até de expressão do status económico.

Mas, vamos diretos à pergunta a que todos querem resposta: afinal, o que posso ou devo comer? Posso comer isto? E aquilo? E em que quantidade? Elisabete Pinto, docente da Escola Superior de Biotecnologia (ESB), explica que a resposta é sempre “depende”, porque depende de quem o come, quando o come, em que quantidade o come, como foi produzido, como foi preparado, entre outros fatores. Quando o tema é Alimentação, não se pode invocar a linearidade, porque cada caso é um caso e porque todos os alimentos estão sujeitos a diferentes combinações, tipos de produção e processamentos. Mas uma coisa é certa: “apesar desta complexidade, é inegável que a alimentação influencia grandemente a nossa saúde, bem como a saúde do nosso planeta” e que o diga a ESB, que tem a Alimentação no seu código genético desde a sua fundação, quando lançou a licenciatura em Engenharia Alimentar, na altura a única no país.

Elisabete Pinto afirma que, desde logo, a ESB “estabeleceu uma forte investigação na área, com grande proximidade com a indústria alimentar, fazendo uma investigação muito aplicada.” Movida pelo dinamismo e pela vontade de estar sempre na vanguarda do conhecimento, a ESB, ao longo dos 38 anos de existência, alargou as suas áreas de ensino (como por exemplo, a criação da licenciatura em Ciências da Nutrição) e apostou numa investigação com uma verdadeira abordagem do “prado ao prato”:  “a qualidade dos solos para produção de alimentos, estudo das diferentes variedades de plantas para seleção das mais produtivas e nutritivas, o desenvolvimento de novos alimentos, a valorização de subprodutos, a reformulação de alimentos existentes, a otimização de processos de produção de alimentos, a segurança alimentar, o estudo da relação dos alimentos/ nutrientes com a saúde e a comunicação destes resultados em termos de Saúde Pública, o estudo da sustentabilidade de toda a cadeia de valor, entre outros.”

Também o Instituto de Ciências da Saúde no Porto (ICS – Porto) tem produzido muito conhecimento sobre a relação que existe entre a alimentação e a saúde, com especial destaque para o papel do enfermeiro e a sua capacidade de intervir para promover a saúde na população.

 

O papel do enfermeiro na promoção da alimentação saudável

O enfermeiro está presente ao longo de todo o ciclo vital e, por isso, intrinsecamente envolvido na promoção de uma adequada alimentação. João Neves Amado, Constança Festas e Luís Sá, docentes e investigadores do ICS – Porto, reforçam a importância do papel do enfermeiro na educação para a alimentação e explicam que para se conseguir “transmitir conhecimentos e promover uma adesão à alimentação saudável é necessário ser-se conhecedor das dificuldades de cada utente.”

A falta de atenção e de força, o excesso de peso, problemas de mobilidade, dificuldade em respirar e as insónias são alguns dos impactos que a alimentação pode ter na saúde e que reforçam ainda mais a importância da proximidade dos enfermeiros. Os docentes explicam, também, que, “ao longo do crescimento, as necessidades de alimentação mudam e, por vezes, em situações de doença específicas, são necessárias adaptações na dieta. Só um acompanhamento pessoal e próximo, como o do enfermeiro, vai permitir o verdadeiro bem-estar da pessoa.”

Relativamente ao impacto da alimentação na saúde mental, estudos recentes demonstraram que “o risco de depressão é de 25% a 35% menor em utilizadores de dietas mediterrânicas, por causa da quantidade elevada de legumes, frutas, grãos não processados, frutos do mar e quantidades limitadas de carnes magras e produtos lácteos.”

O ICS – Porto está presente em várias comunidades e instituições parceiras onde estão a ser implementadas atividades que promovem a alimentação saudável: educar para escolhas de alimentação saudáveis, promover a importância do pequeno-almoço, sensibilizar para uma alimentação variada com base nas proporções da roda dos alimentos, entre outras ações.

Educar para a alimentação pode ser um verdadeiro desafio, principalmente se tivermos em conta que são muitos os estímulos e as vozes que se propagam pelos diferentes canais de comunicação, com especial destaque nas redes sociais. O conceito de ortorexia nervosa pode ainda ser do desconhecimento de muitos, mas já se estima que um valor próximo de 1% dos estudantes universitários dos Estados Unidos da América sofram deste problema. 

 

Redes sociais e ortorexia nervosa

O conceito é explicado por Susana Costa e Silva, docente na Católica Porto Business School (CPBS), num artigo que assina no Dinheiro Vivo. A ortorexia nervosa é considerada como uma desordem obsessivo-compulsiva do foro alimentar que consiste no constante “pensamento que ocupa a mente e se reflete nas atitudes e comportamentos do indivíduo durante uma boa parte do seu dia e que o leva a ter presente o que vai comer, os ingredientes que vai ingerir, como os confecionar e em que quantidades. A questão principal não é aqui o emagrecer, mas sim o desejar ingerir apenas alimentos saudáveis e permanecer fit.”

Susana Costa e Silva explica que “a ortorexia começou a ficar conhecida com a evolução das redes sociais, designadamente do Instagram em que o uso de fotos é uma constante, assim como o apelo para uma imagem de perfeição”.

Este problema tem tido uma evolução crescente, sobretudo nas “situações de forte implantação do Instagram e de outras redes, onde o culto da imagem mais se faz notar.” A multiplicação de conteúdos nas plataformas sociais das marcas e dos influencers, bem como “o abuso de algumas alegações em produtos alimentares, como o light, o sugar free, o healthy e o zero têm a sua quota parte de responsabilidade.”

A docente da CPBS alerta para a importância de se combater o problema com “exigências regulamentares mais apertadas no que diz respeito a benefícios concretos de alguns produtos e campanhas de comunicação.” Acrescenta ainda que “cabe aos organismos reguladores legislarem neste sentido, mas cabe sobretudo às empresas zelarem para que a verdade científica e o rigor pautem a sua postura.”

 

A importância de se alimentar a alma

Mas, a comida também alimenta a alma, enquanto veículo de arte e de expressão e de consequente reflexão e questionamento. E se um artista tivesse convertido o seu espaço expositivo numa cozinha, tendo servido caril tailandês de graça a todos os visitantes? Pode parecer inventado, mas não é. Chama-se Rirkrit Tiravanija e em 1992, na Gallery 303, em Nova Iorque, propôs a exposição "Untitled (free)”.

Com esta proposta, o artista tailandês diminuiu as barreiras entre o artista e o observador e entre o espaço público e o privado. Em detrimento de objetos, “Tiravanija propõe relações como modalidades artísticas, neste caso, em torno da alimentação como agregador de sociabilidades”, explica Alexandra Balona, docente da Escola das Artes.

Para a docente, este é o artista mais paradigmático nesta área, tendo sido pioneiro do movimento Estética Relacional. “Na sua aparente simplicidade, esta proposta contribui para a ampliação do espetro de possibilidades da arte contemporânea. O visitante não está somente a observar arte, mas a sua interação é que constitui a obra de arte”, explica.

Um exemplo de como a arte se serviu da alimentação, enquanto fator de interação e de sociabilidade. É, pois, inegável a forma como a alimentação e os hábitos a ela associados nos envolvem e nos influenciam. Ora vejamos: não é a boa comida sempre um bom pretexto para juntar amigos e família? Não é muitas vezes à volta da mesa que surgem as melhores conversas? E quando se trata de tomar decisões e de influenciar a política externa? Será que a comida também é importante à volta da mesa das negociações? Pois é e chama-se gastrodiplomacia.

 

O couscous royal: um caso de gastrodiplomacia

No Mestrado em Direito, da Escola do Porto da Faculdade de Direito, existe uma unidade curricular intitulada “Artes, Direito e Relações Internacionais”, na qual uma das sessões é dedicada à gastrodiplomacia. Esta área dedica-se ao estudo de como a gastronomia tem um papel de relevo na política externa.

Um bom exemplo disto é o couscous royal, um prato do Magrebe, reivindicado (pelo menos) pela Argélia e por Marrocos. José Azeredo Lopes, docente e investigador da Faculdade de Direito, explica que, apesar de estes dois países não se apreciarem muito por motivos históricos, conseguiram chegar a um acordo para a apresentação de uma candidatura comum do couscous como património imaterial da humanidade. Para o docente “é muito pertinente o estudo da relação entre a gastronomia e as relações internacionais”.

Estão dadas as provas de como a Alimentação ocupa um lugar sem igual na vida de cada um e na vida em sociedade. É em relação que se vive e que se educa para a Alimentação. O papel das universidades é essencial, não só enquanto produtores de conhecimento, mas, também, enquanto agentes ativos na promoção de comportamentos saudáveis, sustentáveis e, sempre, socialmente responsáveis.

 
14-10-2022

European project studies solution to combat food shortages

13-10-2022

Which breakfast cereals are the healthiest?

13-10-2022

Constança Festas: “Acompanhar a evolução dos estudantes é um grande privilégio.”

Constança Festas é docente e investigadora do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica no Porto. A sua área de investigação prende-se com a Saúde Infantil e Pediátrica: “desafiam-me as situações de grande vulnerabilidade”. Em pequena queria ser cientista, mas o seu percurso acabou por levá-la ao encontro da Enfermagem. “Até aos dias de hoje!”, refere com orgulho, porque “a Enfermagem primeiro estranha-se, depois entranha-se e a seguir não se consegue mais largar.” Nos tempos livres? Dançar, ler, caminhar e cozinhar!

 

O que é que a fascina na Enfermagem?

O que me fascina é a oportunidade de ajudar o Outro. A Enfermagem é uma profissão com competência para ajudar as pessoas quando experienciam situações de alguma vulnerabilidade. O facto de podermos relacionar-nos com as pessoas nestes momentos de fragilidade é um privilégio.

 

“O propósito da Enfermagem é ajudar e acompanhar as pessoas ao longo de todo o ciclo da sua vida.”

 

A Enfermagem acabou por ser uma surpresa na sua vida …

Sim, totalmente. Eu sempre quis ser bióloga ou cientista. Esta era a minha paixão desde criança. Na verdade, a Enfermagem nunca me tinha passado pela cabeça. Quando fui para a universidade, ingressei na Faculdade de Ciências, no curso de Química. No fim do primeiro semestre percebi que não era para mim. Nessa altura, alguém me disse que tinha aberto uma segunda fase para o curso de Enfermagem na Escola de Enfermagem da Imaculada Conceição, que atualmente é a Escola de Enfermagem do ICS no Porto. Lá decidi ir, sem grande expectativa, experimentar Enfermagem e aqui estou até aos dias de hoje. A Enfermagem, no princípio, estranha-se, depois entranha-se e a seguir não se consegue mais largar.

 

O que é que marcou a sua infância?

Vivi numa família numerosa, somos quatro irmãs. Os meus pais eram comerciantes e tinham um restaurante. Eu e as minhas irmãs começamos a trabalhar no negócio da família desde cedo e o trabalho, claro, era proporcional à idade. Todas colaborávamos na medida de cada uma e sem nunca descurar os estudos, porque esse sempre foi o grande incentivo dos meus pais. Mas todos contribuíamos de alguma forma. Sabíamos que qualquer que fosse a nossa contribuição era importante. Foi-me transmitido um sentido de união e, também, um grande sentido de trabalho. São estes valores que mais marcaram a minha infância.  Era muito engraçado a analogia que o meu pai construiu em torno desta nossa dinâmica de família. O meu pai dizia que éramos como um carro. Eu e as minhas irmãs éramos as 4 rodas, o pai o volante e a mãe toda a estrutura do carro, isto porque nenhum carro consegue andar se não tiver todos estes elementos… Nunca mais me esqueci disto.

 

“A filosofia do nosso plano de estudos distingue-nos completamente, na medida em que privilegiamos o contacto humano.”

 

Trabalhou, enquanto enfermeira, na Casa de Saúde da Boavista e no IPO no Porto. Acredito que tenha assistido a realidades duras.

As realidades são sempre impactantes na nossa vida. O segredo está em encontrarmos um propósito em tudo. Sempre que me deparava com situações complicadas de doentes que estavam mesmo muito mal, pensava no propósito e na missão do meu trabalho. O propósito da Enfermagem é ajudar e acompanhar as pessoas ao longo de todo o ciclo da sua vida e, muitas vezes, o nosso papel está em ajudar as pessoas a morrer de forma digna. A ciência pode não conseguir fazer mais nada, mas os Enfermeiros conseguirão fazer mais alguma coisa pela pessoa e pela vida que está à nossa frente. Quando entrei no curso tinha um medo tremendo da morte. Mas o tempo corre e passamos a ser capazes de perceber o sentido da vida em todas as suas fases: o nascimento, o crescimento, o envelhecimento e a morte. O enfermeiro pode fazer a diferença em todas estas fases e é isso que me faz chegar a casa confiante no meu propósito de que tenho o poder de fazer a diferença na vida das pessoas. Um dia uma doente disse-me “Enfermeira Constança, eu acho que hoje vou morrer, não me pode deixar sozinha”. Eram onze da noite e por isso havia ainda muitas horas pela frente até ser de novo dia e as noites são sempre especialmente difíceis quando se está numa cama de hospital. A doente tinha trinta e poucos anos e estava num estado muito crítico. Dentro da equipa daquele turno, ficou decidido que íamos agir completamente ao contrário do habitual: “Constança, vais ficar com a doente, porque se a deixarmos sozinha, pode mesmo acontecer o pior”. Ali fiquei ao lado dela, a noite inteira e sempre de mão dada. Quando começou a amanhecer a doente disse-me “Enfermeira Constança, já pode ir. Salvou-me a vida ….” A doente conseguiu sobreviver à noite derradeira e acabou por recuperar, quase que por milagre. Foi a coisa mais avassaladora que me aconteceu.

 

De que forma é que é diferenciador estudar Enfermagem na Católica no Porto?

Durante muitos anos estive ligada à coordenação da licenciatura e houve um momento em que tivemos de tomar a decisão de fazer um plano de estudos diferente de todas as outras escolas do país. A filosofia do nosso plano de estudos distingue-nos completamente, na medida em que privilegiamos o contacto humano através da prática da Enfermagem em diversos contextos. Ao contrário dos planos das outras escolas, em que apenas começa a haver ensino prático depois do 2º ano, nós optámos por colocar ensino prático logo no primeiro semestre do primeiro ano. Não conseguimos conceber um enfermeiro que não goste verdadeiramente de pessoas e de cuidar de pessoas e, por isso, consideramos essencial o contacto logo desde o primeiro ano. Para nós é fundamental que a prática acompanhe a teoria. A outra característica que nos diferencia é a forma como nos relacionamos com os estudantes. Existe uma relação pedagógica muito próxima. Atentamos ao processo de desenvolvimento de cada aluno e acreditamos que é esta proximidade que faz com que os nossos estudantes saiam daqui, verdadeiramente, transformados.

 

“Quem não conhece a sua história, não sabe qual é o seu futuro.”

 

O que é que se sente quando se vê estudantes a terminar a licenciatura ao fim de 4 anos de uma relação muito próxima?

Acompanhar a evolução dos estudantes é um grande privilégio. É muito gratificante! Eu leciono uma unidade curricular no primeiro semestre do primeiro ano e nessa altura acompanho de perto as primeiras emoções sobre o que é a Enfermagem. No quarto ano, leciono também uma unidade curricular no último semestre e aí já os vejo muito mais autónomos e constato que já se apropriaram do conhecimento e das habilidades, tendo agora um conjunto de recursos para poderem prestar Cuidados de Enfermagem e tomarem decisões sobre as situações de saúde/doença das Pessoas. A sensação de orgulho é imensa.

 

Leciona a disciplina de História da Enfermagem. Porque é que é relevante o estudo do passado?

Ninguém consegue viver o presente, nem projetar um futuro, se não conhecer a sua história. Na Enfermagem é exatamente a mesma coisa. É preciso compreender quem é que começou a cuidar com esta intencionalidade, quem é que reclamou o primeiro salário para um trabalho de tanta responsabilidade, quem é que começou a pensar na conceção teórica capaz de suportar a profissão, de que forma é que a profissão foi, primeiramente, organizada, entre muitas outras coisas. Temos de conhecer os intervenientes, os contextos, os diferentes acontecimentos. Temos de compreender que a Enfermagem que hoje conhecemos, e que ainda tem muito para percorrer, é fruto de uma história própria. Só conhecendo a história é que conseguimos dizer assertivamente que queremos fazer diferente. Quem não conhece a sua história, não sabe qual é o seu futuro.

 

A sua área de especialização é a da Saúde Infantil e Pediátrica, área que coordena, inclusivamente, no Mestrado em Enfermagem. O que é que a desafia nesta área?

A vulnerabilidade das crianças e dos seus pais. As crianças nem sempre conseguem comunicar eficazmente, compete aos enfermeiros interpretar o que é que significa aquele choro ou aquela careta, o mesmo se passa com os pais. É esta situação de grande vulnerabilidade que me desafia. No âmbito do meu doutoramento e de outras investigações que promovi, foquei-me na Saúde Escolar, para compreender de que forma é que, nos contextos escolares, os enfermeiros podem capacitar crianças e jovens para melhor tomarem decisões sobre a sua saúde. Trata-se de uma grande oportunidade, se tivermos em conta que as crianças passam muito tempo na escola e que esse tempo pode ser aproveitado para promover a saúde, através da ação dos enfermeiros.

 

“A investigação aproxima-nos das realidades.”

 

Para alguém que gosta tanto do contacto humano, a investigação pode ser um trabalho solitário?

Diria que não, porque a investigação tem a ver com esta possibilidade de trazer
mais conhecimento para melhorar as práticas. Se eu quero melhorar a forma de capacitar as crianças, eu tenho que estudar e tenho que ir para os contextos recolher elementos e informações e coloco-me, assim, em contacto com os outros. O processo de investigação dá a oportunidade de estar junto da realidade que se estuda e depois usar essa informação para melhor capacitar quem vai utilizar a investigação para fazer mais e melhor Enfermagem no Futuro. A investigação não nos afasta, a investigação aproxima-nos das realidades.

 

Quem é que a tem inspirado ao longo da sua vida?

A minha mãe. Pela sua força, coragem e entusiasmo. Quando for grande, quero ser como ela! (risos)

 

O que é que gosta de fazer nos seus tempos livres?

Gosto muito de dançar e de ler. Através da leitura consigo entrar noutras realidades. Gosto também muito de caminhar, porque é libertador, e de cozinhar, porque é terapêutico. Aventuro-me em confecionar pratos que demoram mais tempo, demoro-me a pôr a mesa, cuido dos pormenores, no fundo dedico-me a criar um momento especial para a família.

 

13-10-2022

INSURE.hub: Um Ecossistema Único de Inovação em Sustentabilidade e Regeneração

O INSURE – Innovation in Sustainability and Regeneration Hub faz um ano! Uma iniciativa conjunta da Universidade Católica Portuguesa no Porto – através da Escola Superior de Biotecnologia e da Católica Porto Business School -, com a Planetiers New Generation, à qual já se associaram mais de 40 entidades nacionais e internacionais, dos mais diversos setores. As organizações mais recentes a integrar este leque são a ANJE – Associação de Jovens Empresários e a Fundación Ashoka Emprendedores Sociales.

João Pinto, vice-presidente da Universidade Católica no Porto e docente da Católica Porto Business School, faz um balanço muito positivo: “foi um ano desafiante que nos fez ficar cada vez mais certos de que estamos a trilhar um caminho exigente, mas com muito sentido. Percebemos isso no contacto com os nossos parceiros nacionais e internacionais e na fortificação da parceria que temos entre a Católica e a Planetiers.” João Pinto refere também “completamo-nos e percebemos que temos um papel relevante a desempenhar para levar Portugal para a linha da frente das transformações ambicionadas no plano europeu.

Conversamos com João Pinto, Manuela Pintado (diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia) e António Vasconcelos (co-líder da Planetiers New Generation) sobre os principais marcos e desafios que se avizinham quando se lidera uma iniciativa como o INSURE.hub, que está a desenvolver um conjunto de atividades que ambicionam a persecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, da Estratégia do Pacto Ecológico Europeu e das metas definidas para a Europa 2030, contribuindo para trazer Portugal para a linha da frente de países progressivos no seio da EU.

A 17 de novembro realiza-se a 2ª Conferência do INSURE.hub na Universidade Católica Portuguesa no Porto.

 

Quais os principais desafios que encontraram neste primeiro ano?

Neste primeiro ano de atividade, um dos principais desafios residiu em encontrar uma zona de convergência entre as necessidades sentidas pelas empresas em Sustentabilidade e Inovação vs. abordagens fundadas em pensamento holístico que resultam do trabalho que temos vindo a desenvolver com líderes de pensamento internacionais. Tivemos um diálogo ativo e muito rico com os líderes das empresas, o qual reforçou a necessidade de disporem de estratégias empresarias em que o negócio opera dentro de limites sociais e ambientais; e a importância de haver formação para os quadros das empresas com a perspetiva sistémica e multidisciplinar, algo que consideramos essencial. Em resultado, desenhámos uma Pós-Graduação em Innovation for Sustainable & Regenerative Business, prevista para fevereiro de 2023. Outro desafio prende-se com as dificuldades de financiamento do empreendedorismo sustentável e regenerativo. O sistema financeiro ainda vê com alguma reserva o conhecimento científico de ponta, o qual perspetiva como “fechado” nos laboratórios das universidades e em centros de investigação e tecnológicos. Investidores com caraterísticas mais adequadas a ‘ventures’ ainda escasseiam em Portugal, apesar de toda a evolução do empreendedorismo nos últimos anos e o acesso crescente a investidores em mercados internacionais.

 

Quais as grandes conquistas?

Sentimos, em primeiro lugar, um importante acolhimento para uma dinâmica de reforçar a aproximação do setor empresarial e associativo à academia, tendo como pano de fundo a cooperação e a criação de redes de aprendizagem mútua. São mais de 40 as entidades que ao longo do ano foram aderindo ao INSURE Hub, tendo sentido a importância de ir para além do assinar de um acordo, e aproveitar o que a Universidade Católica (através da Católica Porto Business School e da Escola Superior de Biotecnologia) e a Planetiers New Generation, têm para dar - não só do ponto de vista de competências e abordagens técnicas, como no apoio ao estabelecimento de uma visão integrada do negócio.  Adicionalmente, percebemos que os nossos parceiros estão totalmente alinhados com a necessidade de novas abordagens que os ajudem a navegar através de uma enorme incerteza e complexidade, e dentro das restrições ambientais, passando da filosofia do take-make-waste para novos paradigmas ambientais, sociais e económicos.

 

O lançamento de um novo curso executivo na área da Sustentabilidade e Regeneração pretende responder a uma necessidade do mercado? Quais os grandes fatores diferenciadores?

O novo curso executivo pretende preparar profissionais com o conhecimento e competências necessárias para transformar os modelos de gestão atuais e evoluir para uma economia limpa e circular, de acordo com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu. Importa que tal conhecimento seja transdisciplinar e holístico, compreendendo o sistema em que cada negócio opera e incluindo toda a sua cadeia de valor. Este é desde logo um grande fator diferenciador face a outro tipo de ofertas, o qual é possível pela mobilização de relevantes parceiros nacionais e internacionais, os quais têm vindo a desenvolver trabalho de grande impacto nas suas áreas. Mais do que um curso tradicional de gestão, integramos assim, de forma coerente e sinérgica, o conhecimento de Faculdades da Universidade Católica Portuguesa com a vasta experiência de parceiros internacionais nas áreas da inovação e sustentabilidade, cruzando ciências e gestão.

 

Quais são as grandes prioridades a curto e médio prazo para o INSURE.hub?

No próximo ano queremos incrementar a relação com os parceiros já existentes, alargar substancialmente a rede de parceiros (ao fazê-lo, vamos alargar a aprendizagem de novos desafios a enfrentar), e queremos trabalhar com maior afinco a temática da literacia e da articulação entre o setor empresarial e as novas gerações. Sabemos que a Católica tem uma grande flexibilidade e multidisciplinariedade, a qual queremos pôr de forma plena ao serviço do INSURE.Hub. Estamos, de facto, numa nova era da economia das sociedades, que integram o desenvolvimento económico e empresarial com o desenvolvimento das pessoas e a educação das novas gerações. E esse é o caminho que o INSURE Hub cada vez mais desenvolverá.

13-10-2022

Sociedade Civil: Legumes

13-10-2022

Católica é a melhor Universidade em Portugal pelo 4.º ano consecutivo

A Universidade Católica Portuguesa foi reconhecida, pelo 4.º ano consecutivo, como a melhor universidade portuguesa pela Times Higher Education, no THE World University Rankings 2023.

Na mais recente edição do conhecido ranking anual, divulgado esta quarta-feira, a UCP mantém a posição de liderança nacional, entre 14 instituições de ensino superior portuguesas, situando-se a nível mundial no primeiro quartil do ranking (posição 351-400).

O ranking revela uma subida significativa da UCP, em comparação com a edição anterior, em duas das cinco dimensões avaliadas: Ensino e Investigação.

Segundo a Reitora da UCP, Isabel Capeloa Gil, “o reconhecimento deste prestigiado ranking internacional revela, acima de tudo, a consistência e relevância do trabalho produzido pela comunidade académica da UCP, que tem ao longo dos anos vindo a reforçar a especialização da sua investigação, um dos indicadores mais importantes deste ranking.” 

O THE World University Rankings avalia as instituições que concorreram com base em 13 indicadores, repartidos por eixos que vão desde a qualidade do ensino à reputação da investigação, passando pelas citações em revistas especializadas e a internacionalização.

Na dimensão das Citações, a Universidade Católica Portuguesa é avaliada com distinção, classificando-se na 47.ª posição a nível mundial. Um indicador que procura analisar a qualidade da investigação produzida pelas universidades.

Para este resultado tem contribuído o trabalho dos investigadores da UCP, reconhecido internacionalmente através de vários rankings, de que é exemplo o “World’s Top 2% Scientists 2021”, elaborado pela Universidade de Stanford (EUA), que coloca oito cientistas da UCP no Top mundial de investigadores mais citados em 2020 e 2021.

O Times Higher Education World University Rankings 2023 inclui 1.799 instituições de ensino superior a nível mundial, tais como a Harvard University, a Oxford University e a Imperial College London.

É um dos mais importantes e consultados rankings generalistas utilizados para a classificação das universidades.

Mais informações sobre o Times Higher Education World University Rankings aqui.

12-10-2022

Pages