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Novidades

Empower Week: Uma verdadeira experiência de acolhimento na Católica Porto Business School

A Empower Week, uma iniciativa de acolhimento aos novos alunos da Católica Porto Business School, ocorreu nos dias 6, 7 e 8 de setembro, e contou com um total de 280 participantes, divididos por seis grupos.  

Sob o mote “Your best beginning is about to start”, a iniciativa permitiu-lhes conhecer melhor as pessoas que os vão acompanhar nos próximos anos, os serviços e associações que a instituição tem à sua espera, alguns dos docentes que irão fazer parte do seu percurso académico, assim como tudo aquilo que é considerado importante perceber para se dar início a esta jornada, que promete ser de muito sucesso.  

Ao longo do programa, os participantes tiveram acesso a uma série de sessões e atividades dinamizadas pelo Career and Development Office, por associações como a AECPBS e a CASO, sessões com docentes da Católica Porto Business School em jeito de introdução daquilo que se espera dos próximos anos da formação e, ainda, a uma atividade de team-building, dinamizada por uma empresa externa, a MapaZero. 

Durante os três dias, os participantes foram sempre acompanhados por um grupo selecionado de atuais alunos da instituição, no papel de seus monitores, que, não só os acolheram, como os acompanharam, apoiaram e aconselharam durante todo o processo. 

No último dia da iniciativa, 8 de Setembro, a Católica Porto Business School e a Faculdade de Direito promoveram uma sessão de acolhimento aos novos estudantes da Dupla Licenciatura em Direito e em Gestão, no Auditório Carvalho Guerra. A apresentação foi realizada pelas docentes coordenadoras do programa, Luísa Anacoreta Correia, da Católica Porto Business School, e Marta Portocarrero, da Faculdade de Direito. Seguiram-se alguns testemunhos de antigos alunos da dupla licenciatura, um programa inovador em Portugal, que permite aos alunos obter dois graus de licenciatura em 5 anos, em duas áreas diferentes, mas complementares, que os prepara para a natureza interdisciplinar dos desafios que se colocam às pessoas e organizações.

A experiência culminou numa série de atividades e desafios, permitindo aos novos estudantes conhecerem melhor tudo o que a Católica Porto Business School tem para oferecer, que vai muito para além dos cursos, fazendo desta semana um momento inesquecível para que todos vivam o tão desejável “best beginning”.

08-09-2022

Gustavo Ribas: “A escrita é para mim uma ferramenta de pensamento.”

Gustavo Ribas tem 21 anos, é do Porto e é finalista da Licenciatura em Economia da Católica Porto Business School (CPBS) da Universidade Católica. Economia Política é o tema que mais lhe suscita curiosidade e no blogue “E no fim morremos todos” podemos ler o que escreve sobre alguns dos temas da política nacional. Planos para o futuro? Começará a estagiar em Lisboa, em setembro, e está entusiasmado com o desafio!

 

Porquê a escolha pela Licenciatura em Economia?

Desde relativamente cedo que comecei a ganhar alguma sensibilidade para a política e percebi que a Economia era uma ferramenta muito útil. Foi por isso que escolhi este curso, eu procurava estudar algo mais científico e teórico e que andasse lado a lado com este meu gosto pela política.  

 

“Gostei bastante de alguns professores e sente-se uma proximidade grande.”

 

O que é que destaca destes seus 3 anos na Católica Porto Business School?

A Católica é muito organizada e dá muita segurança aos seus alunos. Principalmente para pessoas como eu que são muito desorganizadas (risos). Em contexto de pandemia, a Católica, objetivamente, acabou por responder muito melhor do que qualquer outra faculdade. Eu acabei por fazer grande parte da minha licenciatura à distância, no fundo só tive dois semestres presenciais e, por isso, esta forma de responder à pandemia foi determinante. Gostei bastante de alguns professores e sente-se uma proximidade grande. Como os alunos de Economia são em menor número que os de Gestão, esta proximidade é ainda mais evidente, porque somos praticamente uma turma, no fundo somos todos um grupo de amigos que tem aulas juntos e isso é muito positivo.

 

“O meu percurso de licenciatura aqui na Católica permitiu-me confirmar estes meus interesses e também as minhas convicções.”

 

Que áreas da Economia é que lhe suscitam mais interesse?

Há duas áreas da economia para as quais não sei se tenho apetência, mas tenho, claramente, preferência (risos). Eu gosto muito da Economia Política e da Economia da Desigualdade.  Gosto da Economia que é mais abstrata, quase mais filosófica. Gosto mais da Economia enquanto ciência social e menos da que é mais próxima da matemática. Esta área da Economia que é mais próxima das ciências sociais tem uma tradução bastante ideológica sobre a qual eu reflito bastante. O meu percurso de licenciatura aqui na Católica permitiu-me confirmar estes meus interesses e também as minhas convicções.

 

Esteve na Bélgica em Erasmus, mais concretamente em Antuérpia. O que é que o marcou mais?

Essa zona do centro da Europa sempre me fascinou, embora sempre no abstrato. Os meus pais já tinham estado em Antuérpia e tinham gostado. Gostei muito da dimensão internacional e cultural da cidade. Sou um grande fã de jazz e, infelizmente, o Porto tem bastante pouco. Em contrapartida, em Antuérpia se eu quisesse podia sair todos os dias para ir ouvir jazz. Foi muito bom. Gostei da vida na universidade e do equilíbrio que consegui entre os estudos e o lazer. Também gostei de sentir algum choque cultural. Os belgas têm uma visão nórdica do trabalho, mas uma visão muito latina da diversão e do convívio.

 

“Outra dimensão importante para mim foi o desenvolvimento de competências de gestão de equipa.”

 

Fundou com o Presidente da Associação de Estudantes da CPBS o podcast “Café no Américo”. Em que é que consiste?

É um podcast através do qual se pretende aproximar os membros da Associação de Estudantes da comunidade de alunos. Surgiu em contexto de pandemia e, por isso, assumiu nesses tempos um papel muito relevante. Foram tempos mais parados onde sentimos necessidade de trazer proximidade à AE. Em cada episódio, eu entrevistava um membro da AECPBS, dando a conhecer as suas funções e o seu percurso. É um podcast com um tom muito humorístico e com muitas provocações. Estamos agora a preparar o último episódio para ser lançado em setembro e que encerrará este ciclo. Deu-me muito gozo fazer isto e as audiências do podcast ultrapassaram em muito as nossas expectativas.

 

De que forma é que considera que o envolvimento em atividades extracurriculares contribui para a formação dos estudantes?

No meu caso em concreto, ajudou-me em dimensões diferentes. Um dos projetos nos quais estou envolvido é a Federação Nacional de Estudantes de Economia e Gestão. Através desta minha participação fiz muitos contactos, porque acabei por conhecer imensa gente de muitos sítios diferentes. Neste caso, tratando-se de uma federação nacional, a abrangência e a oportunidade de conhecer pessoas de muitos locais diferentes é ainda maior. Todos os contactos que estabelecemos são positivos e são uma parte importante do percurso. Outra dimensão importante para mim foi o desenvolvimento de competências de gestão de equipa. Ao longo do meu percurso, tenho vindo a coordenar alguns projetos que me têm desafiado e que têm exigido de mim treinar este tipo de competências. Não tenho dúvidas de que isto nos torna mais capazes e melhor preparados para os desafios profissionais.

 

“Através do meu blogue permito-me refletir acerca de diferentes temas.”

 

A título pessoal tem, também, um blogue, que em tempos foi também um podcast

Sim, chama-se “E no fim morremos todos”. É um título extraordinariamente fatalista, mas parece-me ser uma espécie de um lema que tenho sempre presente para relativizar tudo o que se passa na minha vida. Isto no final de contas vai dar tudo ao mesmo, não é? Vamos acabar todos por dar de comer à terra (risos). O “E no fim morremos todos” surgiu em plena pandemia e começou por ser um podcast. Era tudo na base do improviso, eu alinhava alguns pontos e depois em frente ao microfone falava sobre diferentes temas. À medida que ia alinhando os pontos para cada episódio fui desenvolvendo um gosto maior pela escrita e acabei por passar este projeto para o formato de blogue. Agora que os blogues estão fora de moda, pareceu-me uma ótima altura para regressar a este formato. No fundo, faço alguma análise política e exponho devaneios existenciais, às vezes em simultâneo. Através do blogue permito-me refletir acerca de diferentes temas. A escrita é para mim, em primeiro lugar, uma ferramenta de pensamento e só depois é que é um veículo de comunicação.

 

Em setembro começará um novo desafio. De saída do Porto rumará para Lisboa …

Vou começar um estágio, em Lisboa, na GreenVolt, que produz e distribui energias renováveis. Vou integrar o Departamento Financeiro. É uma oportunidade única e eu espero contribuir de forma útil. Estou entusiasmado e disposto a aproveitar este desafio.

 

Sonhos para o futuro?

Na minha vida, gosto pouco de fazer planos, talvez seja uma forma de ir vivendo de forma plena as oportunidades que tenho no presente. Gostaria um dia de ter a minha coluna num jornal e, também, quem sabe, estar de alguma forma ligado à política. Trabalho para conseguir aquilo que ambiciono, mas sei bem que os lugares são poucos para tantas pessoas, tenho consciência de que a probabilidade de um destes objetivos se concretizar é praticamente ínfima. Aquilo que realmente considero importante é saber ter a ponderação necessária para agir perante as oportunidades que podem aparecer. Se algum dia surgir alguma oportunidade na área da política, por exemplo, quero ser capaz de ponderar de forma consciente o contributo que poderei ser nesse determinado projeto. Quero ter sempre a lucidez necessária para saber discernir se serei útil ou não e de que forma.

 

08-09-2022

Nova embaixadora dos Países Baixos visita Universidade Católica no Porto

A nova embaixadora dos Países Baixos em Lisboa, Margriet Leemhuis, visitou a Universidade Católica no Porto para uma reunião com Isabel Braga da Cruz, presidente da Católica no Porto, Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia (ESB), e Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF).

A visita, realizada no âmbito da primeira viagem ao norte de Portugal da nova embaixadora, decorreu na manhã de 7 de setembro e teve como principal objetivo a identificação de novas áreas de cooperação bilateral, bem como dar a conhecer as várias iniciativas atualmente em curso com os Países Baixos, como é exemplo a parceria existente entre a ESB e a Universidade de Wageningen.

Isabel Braga da Cruz realça a importância de se dar a conhecer a Universidade Católica e a sua missão: “queremos construir pontes que contribuam para a produção de conhecimento e para o consequente impacto que este tem na sociedade”.

Paula Castro afirma que é com muita vontade e entusiasmo “que abrimos sempre as portas da ESB e do CBQF para receber novas visitas”, porque “somos uma universidade verdadeiramente aberta para o mundo.” Já a diretora do CBQF, Manuela Pintado, refere que “o campo da investigação beneficia e enriquece-se sempre que nos abrimos a novas oportunidades de partilha e de trabalho conjunto.”

08-09-2022

Projeto europeu usa produtos inovadores com insetos comestíveis e leguminosas para promover mudança de hábitos alimentares

Promover uma mudança de hábitos alimentares, que passa pela redução do consumo de carnes vermelhas e processadas, através do consumo de produtos inovadores à base de insetos comestíveis e leguminosas? O desafio está lançado!A intervenção Change Eat! - Jantar Proteínas Alternativas! irá decorrer no Porto, entre outubro e dezembro, deste ano. Esta iniciativa é liderada pela Universidade Católica Portuguesa - Unidade de Investigação Empresarial e Económica da CATÓLICA-LISBON (CUBE) e o Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF), Laboratório Associado da Escola Superior de Biotecnologia -, sendo parte integrante do projeto europeu SUSINCHAIN - SUStainable INsect CHAIN. Este projeto envolve um consórcio de investigação com 35 parceiros em 14 países.

A Balança Alimentar Portuguesa estima que 21% da ingestão média diária de calorias em Portugal tenha origem no consumo de carne, o que representa mais de quatro vezes o recomendado na Roda dos Alimentos. Em particular, e de acordo com os resultados do último Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF 2015-2016), cada adulto português consume, em média, perto de 100 gramas de carnes vermelhas e processadas diariamente. Este valor excede largamente o recomendado para uma alimentação equilibrada – 28 gramas diárias, e mais ainda o sugerido pela Organização das Nações Unidas para uma dieta saudável a partir de sistemas alimentares sustentáveis – 14 gramas diárias.

Ana Isabel de Almeida Costa, investigadora Principal da CUBE e uma das coordenadoras da intervenção, descreve assim como principal motivação do ChangeEat! “A evidência científica resultante de intervenções realizadas noutros países mostra que a criação de oportunidades para os consumidores jovens experimentarem gratuitamente, no seu dia-a-dia, uma oferta diversificada de produtos alimentares inovadores, que configurem alternativas seguras, saudáveis, nutritivas, saborosas e de fácil preparação às carnes vermelhas e processadas, é uma das formas mais eficazes de reduzir o seu consumo no longo prazo. É isto que propomos fazer em Portugal com o ChangeEat!”
“É tempo de passar das recomendações à ação”, como realça Maria João Monteiro, Investigadora Sénior no CBQF e a outra coordenadora deste estudo. “Em Portugal, o Change Eat! irá selecionar até 56 casais, entre os 18 e os 40 anos, e acompanhá-los na transição de hábitos alimentares até ao final de 2022, proporcionando-lhes a experiência de confecionar e consumir produtos inovadores com origem em insetos comestíveis e leguminosas, ricos em proteína alternativa, saudável e sustentável.

A FAO declarou os insetos comestíveis como um dos alimentos do futuro, constituindo uma fonte segura, saudável, nutritiva, saborosa e sustentável de proteína com potencial para alimentar centenas de milhões de Europeus. As leguminosas são outra fonte de proteína saudável e sustentável para a alimentação humana, sendo o seu consumo um dos pilares da dieta mediterrânica. Picados, preparados ou misturas, salsichas e pasteis - de Tenébrio, grilo, soja, lentilhas, entre outros ingredientes ricos em proteína -, são assim alguns dos produtos que os participantes no ChangeEat! terão oportunidade de experimentar.

Curioso/a para provar? Pronto/a para mudar os seus hábitos alimentares já este Outono?
Saiba como se inscrever no ChangeEat! aqui e conheça em detalhe as atividades programadas e as vantagens em participar.

08-09-2022

Research Scholarship - Project cLabel+

02-09-2022

Início do ano letivo: Católica no Porto acolhe os seus novos estudantes

Mantendo a tradição de anos anteriores, a Universidade Católica Portuguesa no Porto privilegia o bem receber de todos os novos estudantes que escolheram esta universidade para ser a sua casa nos próximos anos.

Para isso, no dia 8 de setembro, às 19h30, no Auditório Ilídio Pinho, decorrerá a cerimónia de acolhimento aos novos estudantes de licenciatura de todas as faculdades. Será um momento único de reunião entre todos, que contará com a presença de Isabel Braga da Cruz, presidente da Universidade Católica no Porto, e dos diretores das Faculdades. Durante a sessão, serão, também, atribuídas bolsas de acessos pelas faculdades e prémios de mérito por instituições parceiras da universidade.

A anteceder esta sessão geral, cada faculdade irá promover, também, uma sessão de boas-vindas com o respetivo diretor. Estas sessões de acolhimento, e outras atividades promovidas, têm o objetivo de promover o acolhimento e a integração dos estudantes e desafiar toda a comunidade académica para um novo ano que se espera animado e repleto de desafios.

Licenciatura em Enfermagem da Escola de Enfermagem – Instituto de Ciências da Saúde Porto
8 de setembro, 18h, no Pátio Paraíso

Licenciatura em Direito da Escola do Porto da Faculdade de Direito
8 de setembro, 18h30, no Auditório Carvalho Guerra

Licenciaturas em Economia e em Gestão da Católica Porto Business School
6, 7 e 8 de setembro | Empower Week

Dupla Licenciatura em Direito e em Gestão da Escola do Porto da Faculdade de Direito e da Católica Porto Business School
8 de setembro, 17h30, Auditório Carvalho Guerra

Licenciaturas em Cinema, Som e Imagem e Conservação e Restauro da Escola das Artes
8 de setembro, 18h00, Salas EA 008, EA018, EA 117

Licenciaturas em Bioengenharia, em Microbiologia e em Ciências da Nutrição da Escola Superior de Biotecnologia
8 de setembro, 18h00, Sala EA 230 

Licenciatura em Psicologia da Faculdade de Educação e Psicologia
8 de setembro, 18h, no Pátio das Artes

Licenciaturas em Teologia e em Ciências Religiosas EaD da Faculdade de Teologia
8 de setembro, 18h00, Sala EC 010

Se ainda não é nosso estudante, saiba que ainda se pode candidatar aqui.

01-09-2022

Católica no Porto reforça compromisso com sustentabilidade: novos dispensadores de água disponíveis no campus

A Universidade Católica no Porto instalou no seu campus dispensadores de água para que toda a comunidade possa encher as suas garrafas reutilizáveis. Esta medida surge no âmbito do compromisso com a promoção do desenvolvimento sustentável e com a proteção da Casa Comum assumido pela Universidade Católica Portuguesa.

Com esta solução pretende-se incentivar à contenção do uso de materiais descartáveis e promover a adoção de atitudes sustentáveis que vão ao encontro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

Isabel Braga da Cruz, presidente da Universidade Católica no Porto, afirma que “a sustentabilidade é a nossa responsabilidade”. “A Católica no Porto está verdadeiramente empenhada na implementação de objetivos estratégicos que garantam o respeito pelo ambiente e a consequente qualidade de vida das populações”, conclui.

No total são 6 dispensadores de água filtrada – com a opção de água natural, fresca ou quente - que estão distribuídos pelos vários edifícios que compõem o campus da Católica no Porto: Edifício Central (Piso 0 junto às máquinas de vending e junto ao Auditório Carvalho Guerra), Edifício das Artes (Bar das Artes), Edifício Américo Amorim (Piso 0), Edifício do Restauro (Piso 0) e Edifício de Biotecnologia (Bar de Biotecnologia). O processo foi coordenado pela CASUS (Católica para a Sustentabilidade)

A Universidade Católica no Porto desafia, assim, toda a comunidade académica a ser parte ativa na construção de um mundo mais sustentável.

01-09-2022

Marisa Carvalho: “Procuro afirmar a inclusão e a diversidade.”

Marisa Simões Carvalho é docente e investigadora da Faculdade de Educação e Psicologia. Foi Psicóloga Escolar durante 16 anos, anos estes que descreve como muito importantes para a descoberta da sua missão.  Muito atenta e interessada pelos temas da inclusão e diversidade, é, atualmente, a Provedora da Igualdade e da Inclusão da Universidade Católica no Porto, cargo que encara “com muita responsabilidade”. Nesta entrevista, falamos sobre o seu percurso de vida e sobre a forma como tem vindo a privilegiar sempre a procura de conhecimento ao serviço da Psicologia e da Educação.

 

Como é que se educa para a inclusão?

Educa-se para a inclusão incluindo, diariamente, enquanto cidadãos e, depois, enquanto profissionais. Educa-se para a inclusão, valorizando a diferença. Educa-se para a inclusão, compreendendo a diferença e o modo como ela se manifesta no comportamento de cada um de nós. Educa-se para a inclusão quando a vivemos. Por isso, quanto mais os nossos contextos educativos forem diversos, do ponto de vista das múltiplas dimensões da diferença, mais nós aprendemos a partilhar espaços e a viver com o outro. Em primeiro lugar, penso que é importante reconhecer a diferença do outro. Este reconhecimento é importante. Permite-nos ver a pessoa na sua vida, na sua história, no seu contexto. Aquilo que marca cada um de nós é a nossa diferença, é o facto de sermos verdadeiramente únicos. Um dos desafios que lanço aos meus alunos nas primeiras aulas é pedir-lhes que destaquem precisamente aquilo em que são diferentes. Em segundo lugar, perceber que a diferença nos enriquece, valorizá-la. Só percebemos o valor da diferença se a vivermos. Para que possamos educar para a inclusão é necessário que as escolas e as universidades valorizem a diversidade, criando as condições necessárias ao acesso e participação efetiva de diferentes pessoas (estudantes e docentes). Não basta afirmarmos que somos inclusivos ou que valorizamos a diferença, é necessário que se garantam as condições para que isto se efetive, em especial, para pessoas em situação de maior desvantagem pelos mais diversos motivos.

 

“Esta provedoria da Católica compromete-se a defender e promover os princípios fundamentais da dignidade e da integridade da pessoa.”

 

É, atualmente, a Provedora da Igualdade e Inclusão da Universidade Católica no Porto. Como encara esta missão?

É um desafio muito interessante, mas, também, de grande responsabilidade. A minha investigação nos últimos tempos tem-se dedicado às questões da inclusão nas suas variadas formas e, por isso, tenho esta constante preocupação em pensar naquilo que posso fazer para promover a inclusão e reduzir os cenários de exclusão. Por exemplo, como docente questiono-me frequentemente sobre “O que é que eu faço nas minhas aulas para incluir os meus alunos?” ou “Como garanto que todos os meus alunos se sintam acolhidos e tenham condições para aprender nas minhas aulas?”. Como investigadora, e como pessoa, questiono-me sobre “Como é que todos podemos contribuir para uma sociedade mais inclusiva e democrática através da educação?”. A Provedoria da Igualdade e Inclusão alinha-se com esta missão. Esta provedoria da Católica compromete-se a defender e promover os princípios fundamentais da dignidade e da integridade da pessoa, que enquadram a matriz humanista cristã da universidade. Através desta missão, espero ter a oportunidade contribuir para um ambiente cada vez mais inclusivo e democrático na nossa instituição, mas, também, desencadear ações que se possam traduzir num combate claro e efetivo às situações de exclusão e de discriminação.

 

“Esta escola inspirou-me muito e acabou por ditar o meu caminho e o meu gosto por esta área.”

 

Foi Psicóloga Escolar durante 16 anos. De que forma é que foram anos importantes da sua vida?

Depois de ter terminado o curso de Psicologia, tive a oportunidade de ir trabalhar, enquanto Psicóloga Escolar, para uma escola no Marco de Canaveses, era uma escola que estava inserida num ambiente muito rural e desfavorecido e, por isso, repleta de desafios. Fui muito bem acolhida, mas lembro-que que quando fui não tinha a expectativa de ficar muito tempo. Esperava explorar outras áreas e contextos da Psicologia. O que é certo é que lá estive 10 anos e foi aí que me contruí como psicóloga escolar. Foram anos de muita aprendizagem. Arrisco dizer que foi nesta escola que aprendi a ser psicóloga e, em particular descobri o que é ser (ou pode ser) psicóloga escolar. Por um lado, o tipo de trabalho desenvolvido foi muito diversificado, tive a oportunidade de trabalhar em diferentes modalidades de intervenção: ora atendia alunos no meu gabinete, ora trabalhava com grupos de estudantes nas escolhas de carreira, ora desenvolvia projetos de prevenção de indisciplina, entre outras tarefas. Por outro lado, foi um momento de tomada de consciência da relevância do conhecimento para a prática psicológica. Finalmente, levou-me a compreender que a Psicologia deve assumir um papel claro e efetivo na luta pela inclusão de todos e de todas as pessoas na educação e na sociedade. Esta escola inspirou-me muito e acabou por ditar o meu caminho e o meu gosto por esta área. Mais tarde, acabei por ter de mudar de escola e fui colocada em Ermesinde e passados dois anos mudei novamente, desta vez para Paços de Ferreira. Esta última escola foi, também, muito importante no meu percurso, porque se tratava de um território educativo de intervenção prioritária. Foi um marco no meu percurso pessoal e profissional. Pode parecer estranho mas creio que foi nesta escola que consolidei a ideia da importância do sentido de comunidade e de pertença na vida das pessoas e, em particular, dos alunos, e o papel que a Psicologia deve ter para que isto se concretize. Foi aqui que o meu trabalho passou a ter uma proximidade muito maior e significativa com os docentes e com a direção da escola e isto foi determinante para o meu percurso profissional.
Voltando à questão, felizmente, foram anos marcantes em termos pessoais e profissionais e isso é visível em quem sou hoje e no que valorizo.

 

Enquanto trabalhava como Psicóloga Escolar, procurou sempre aprofundar os seus conhecimentos. Ingressou num Mestrado e mais tarde, também, num Doutoramento.

Sim, durante o período em que trabalhei como psicóloga, fiz um Mestrado em Psicologia Escolar e, mais tarde, também, um Doutoramento em Psicologia Vocacional.  O meu objetivo, na altura, foi enriquecer o meu conhecimento, na certeza de que isso iria fazer de mim uma melhor psicóloga e uma melhor profissional. A minha expectativa era a de fundamentar a minha prática, sempre convicta de que a minha prática como psicóloga deve ser baseada em ciência, e assim beneficiar os alunos, as crianças, os jovens, os profissionais e a escola. É muito interessante, porque para mim foi muito visível a mudança de prática que aconteceu ao longo do tempo em que fui psicóloga escolar e o impacto que a formação pós-graduada teve no trabalho com as escolas por onde passei.

 

Tem saudades do ambiente da escola?

Encontrei a minha missão de outra forma. Continuo ao serviço da Psicologia Escolar e da Educação, mas de uma maneira diferente. Mas, claro, que vou sentindo falta de alguns aspetos da vida na escola. Mantenho a minha ligação de várias formas, quer seja através do trabalho que vou fazendo com as escolas, quer, também, através das funções que desempenho na Ordem dos Psicólogos, enquanto Presidente do Conselho de Especialidades da Psicologia da Educação. Mantenho a proximidade em relação ao trabalho dos psicólogos e psicólogas nas escolas e também noutros contextos educativos.

 

“A proximidade é uma marca central e transversal a toda a oferta formativa da FEP.”

 

Atualmente, está ligada à área da Psicologia Escolar e da Educação. Como é que se fundem de forma evidente na sua vida as áreas da Psicologia e da Educação?

Quando cheguei à Católica fui desafiada para um segundo doutoramento, desta vez em Ciências da Educação. Agora sim numa perspetiva académica e particularmente centrada na produção e divulgação de conhecimento. A ligação à Educação esteve sempre presente mas a lente da Psicologia é uma lente diferente da das Ciências da Educação e, por isso, fez sentido. O engraçado e interessante é que neste doutoramento vi reforçada a  complementaridade e a interdisciplinaridade entre a Educação e a Psicologia. O meu trabalho como docente, como investigadora e noutras atividades que desempenho é claramente influenciado pelo contributo das duas áreas.  

 

A Faculdade de Educação e Psicologia tem uma ligação próxima às escolas através do Serviço de Apoio à Melhoria da Educação (SAME). Qual é a sua importância?

O SAME assume um papel muito importante. Um primeiro aspeto tem a ver com a necessidade de as escolas terem um olhar externo. Não, necessariamente, o olhar de alguém que seja especialista e que vá lá dizer como é que a escola deve fazer, mas, às vezes, as escolas e os seus profissionais estão tão mergulhados na sua rotina e têm as suas práticas tão cristalizadas que se veem incapazes de identificar aspetos a melhorar e a alterar. Outro aspeto importante é esta dimensão relativa ao conhecimento atualizado e científico. O SAME tem esta ancoragem: sendo uma estrutura de uma instituição de ensino superior que, também, se dedica à investigação pode criar estas sinergias entre a prática, a investigação e o conhecimento.

 

“Dos meus avós maternos, aprendi a importância da dedicação ao trabalho.”

 

Seja na área da Educação, seja na da Psicologia: qual é a marca que melhor caracteriza a FEP?

A proximidade é uma marca central e transversal a toda a oferta formativa da FEP e a verdade é que isto é muito visível, quer pelo modo como a faculdade organiza um sistema de tutorias, quer como os coordenadores e docentes de cada curso acompanham os seus alunos. Tratando-se de uma faculdade que forma profissionais que vão trabalhar tão diretamente com pessoas e que têm de desenvolver competências relacionais importantes que se alinham com os valores humanistas da Universidade Católica, a proximidade tem um relevo ainda maior e mais preponderante. Esta proximidade foi algo que me surpreendeu muito quando aqui cheguei, há seis anos, e que, ainda hoje, me continua a surpreender.

 

O que é que terá influenciado a sua escolha pela Psicologia e a sua dedicação ao trabalho?

A minha mãe era educadora de infância e de alguma forma creio que fui um bocadinho inspirada pelo trabalho com as crianças e com a preocupação pelo outro. Desde nova que me sinto interpelada ao contacto com o outro, à sensibilidade para outras realidades e, de alguma forma, à vontade de ajudar e de colaborar. Dos meus avós maternos, aprendi a importância da dedicação ao trabalho. A devoção ao trabalho faz-nos capazes de nos entregarmos plenamente a uma missão. E, claro, o meu pai e a minha mãe foram sempre uma fonte de suporte muito importante, permitindo-me, ainda hoje, esta dedicação ao trabalho.

 

O que é que a move?

Reflito muito acerca da sociedade em que quero que o meu filho de cinco anos um dia viva e de que forma é que eu posso contribuir positivamente para isso. Gostaria que ele vivesse numa sociedade tão diversa quanto possível e que pudesse relacionar-se com pessoas diferentes. No fundo, que possa ser livre naquilo que queira ser um dia. Pode parecer uma motivação autocentrada, mas de algum modo esta ideia representa a minha preocupação, que se tem agudizado nos últimos anos, sobre o que posso fazer diariamente para contribuir para uma sociedade mais inclusiva. Pensar no mundo motiva-me a querer compreender de que forma é que, enquanto pessoa individual, posso fazer um bocadinho mais todos os dias. Na minha profissão, estou a formar psicólogas e psicólogos que todos os anos vão sair da Universidade Católica para irem atuar em variadíssimos contextos. Seja numa escola, em clínicas, em centros comunitários, cada um destes psicólogos e psicólogas individualmente pode fazer a diferença. Profissionalmente, e também pessoalmente, procuro afirmar a inclusão e a diversidade. Também no campo da investigação, tenho procurado ir ao encontro destes temas, na expectativa de que a minha investigação e as minhas publicações possam contribuir para uma, verdadeira, conceção da diversidade.

 

01-09-2022

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