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Conferência sobre Segurança Alimentar marca início das comemorações dos 40 anos da Escola Superior de Biotecnologia


No dia 16 de outubro a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa no Porto celebrou o Dia Mundial da Alimentação e iniciou as comemorações do seu 40.º aniversário com a conferência "Segurança Alimentar: Perspetivas e Prospetiva". O evento reuniu especialistas, antigos alunos e colaboradores da faculdade para discutir como garantir alimentos seguros, nutritivos e acessíveis para todos num mundo que enfrenta desafios inquietantes.

A conferência começou com uma estatística que fala por si: em 2023, cerca de 2,33 mil milhões de pessoas em todo o mundo enfrentaram insegurança alimentar moderada ou grave, um número que se mantém estável desde o aumento acentuado em 2020 provocado pela pandemia de COVID-19. Dessas, cerca de 860 milhões passam fome diariamente. O problema é de tal ordem que tem de ser considerado a todos os níveis de estudo e atuação pelo que nenhuma instituição se pode alhear.

"Ao longo destes 40 anos, a Escola Superior de Biotecnologia tem sido um exemplo de inovação, investigação de excelência e formação de profissionais altamente qualificados, com atividades de alto impacto", referiu Isabel Braga da CruzPró-Reitora da Universidade Católica Portuguesa. Já a Diretora da Escola Superior de BiotecnologiaPaula Castro, refletiu: "não faltam razões de orgulho nesta história de 40 anos e os próximos 40 perspetivam-se igualmente intensos e transformadores. Sabemos que, num mundo em mudança constante como é o atual, uma boa parte dos nossos diplomados provavelmente não vai trabalhar estritamente na sua área de estudo. Mesmo que não houvesse outras razões esta é suficiente para demonstrar que assentar o foco no desenvolvimento de pessoas com capacidade para desenvolver as suas competências ao longo do tempo, muito mais do que de especialistas pré-definidos, é a estratégia desejável para o futuro". No final da sua intervenção Paula Castro agradeceu formalmente a Francisco Carvalho Guerra por ter sido o visionário que tornou a Escola Superior de Biotecnologia uma realidade diferenciadora no panorama nacional.

A conferência propriamente dita iniciou-se com a palestra do especialistas Roy Kirby, que conta com vasto currículo internacional em segurança alimentar. Kirby, que abordou as principais questões globais na área da segurança alimentar, destacou a necessidade de soluções inovadoras e colaborativas. Após esse contributo seguiu-se uma mesa-redonda sobre "Engenharia e Segurança Alimentar em Portugal", moderada por Tim Hogg (docente da ESB) e que contou com a participação de Ana Veiga de Macedo (engenheira alimentar e consultora em segurança alimentar), António Vicente (engenheiro alimentar e representante da Ordem dos Engenheiros), Lilia Ahrné (engenheira alimentar e professora na Universidade de Copenhaga) e Nuno Soares (engenheiro alimentar e autor de “How to Sell Food Safety”). O foco esteve nas soluções e práticas para enfrentar os desafios atuais no setor alimentar.

Isabel Capeloa GilReitora da Universidade Católica Portuguesa, encerrou o evento com uma mensagem de futuro: "Estamos aqui para celebrar os 40, 50 e 60 anos futuros da ESB. Entretanto saliento quatro características essenciais desta Faculdade: visionarismo, capacidade de acreditar, trabalho e, por fim, genialidade. A Escola Superior de Biotecnologia mudou o paradigma da Universidade Católica Portuguesa, afirmando-se e transformando a área da ciência".

Com este evento a Escola Superior de Biotecnologia reafirma o seu compromisso em continuar a promover soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios globais, preparando-se para enfrentar as exigências futuras e contribuir de forma significativa para o desenvolvimento sustentável da sociedade, do país e do planeta.

17-10-2024

Faculdade de Direito acolhe edição especial do podcast Bloco Central no ADN Jurista


A Escola do Porto da Faculdade de Direito foi palco de uma edição especial ao vivo do Bloco Central, o mais antigo programa de análise política em Portugal, atualmente um podcast do jornal Expresso. A gravação foi inserida no âmbito do programa ADN Jurista, um projeto da Faculdade que visa formar futuros juristas mais críticos, conscientes e ativos na sociedade. A sessão contou com a presença dos comentadores Pedro Siza Vieira e Pedro Marques Lopes que, sob a moderação do jornalista Paulo Baldaia, analisaram os temas da semana e discutiram o impacto da sua formação jurídica nas suas leituras políticas.

Paulo Baldaia abriu a sessão com uma questão que norteou a conversa - o modo como a formação em Direito de ambos os comentadores, influencia a maneira como analisam os grandes temas da atualidade. Esta pergunta levou os comentadores a refletir sobre como a lógica jurídica permeia o pensamento crítico e a independência intelectual que ambos valorizam nas suas análises. Pedro Siza Vieira começou por explicar: "A maneira como nós pensamos pela vida fora é muito marcada pelos quadros mentais e raciocínio que adquirimos nos primeiros anos. E, obviamente, o curso de Direito é muito marcante na reflexão sobre o mundo, sobre a sociedade em que vivemos". Pedro Marques Lopes corroborou esta visão, sublinhando que o curso de Direito “dá-nos sempre uma vantagem perante as pessoas com quem falamos. Não ponham duvidas nenhumas”.

Quando o tema da polémica entre Luís Montenegro e André Ventura foi mencionado, Siza Vieira e Marques Lopes demonstraram o valor do pensamento jurídico. O líder do Chega acusou o primeiro ministro de lhe propor, em privado, um acordo político para aprovar o Orçamento do Estado, uma alegação prontamente negada por Montenegro. “Nós, enquanto advogados, sabemos o que é o dever da reserva”. “É muito importante que se preserve relações de confiança entre os atores políticos para que se possa sair de impasses e situações difíceis”. “O André Ventura está-se a desqualificar como parceiro e agente político”, salientou Siza Vieira.

A análise crítica esteve também presente no caso de Pedro Nuno Santos, líder do PS, que lançou confusão no próprio partido quando exigiu aos camaradas que ocupam o espaço mediático que respeitem o partido e falem a uma só voz. “Revela uma insegurança brutal”, anuiu Pedro Marques Lopes. “É normalíssimo que haja militantes que tenham opiniões diferentes”, afirmou. De acordo com Siza Vieira é essencial filtrar “as opiniões, percebendo quais são os interesses de quem fala, perceber porque uma mensagem nos chega ao telemóvel, nos chega às redes sociais de terminada maneira ou de outra”. “Nós somos uma pessoa a quem o Estado nos dá um voto igual ao de todos os outros e o nosso voto contribui para aquilo que é o destino do nosso país”.

Ao falar sobre as tentativas de Luís Montenegro de estabelecer "regras" para a comunicação social, Siza Vieira foi direto: “Eu acho que todos nós ficamos empobrecidos enquanto cidadãos”. Marques Lopes foi ainda mais incisivo, descrevendo a atual precarização dos jornalistas em Portugal, o que, segundo ele, enfraquece a sua independência e compromete a própria democracia. “Não há democracia sem jornalistas”, declarou, sublinhando a importância de um jornalismo livre e vigoroso.

Ao longo da sessão, foi evidente que a formação em Direito dos comentadores lhes ofereceu não só o vocabulário, mas a metodologia para desmontar os acontecimentos da semana. Para Siza Vieira, “a essência da atividade de um jurista é exercermos o nosso espírito crítico” e foi essa essência que permeou todas as análises da sessão. O confronto de ideias entre Montenegro e Ventura, a liderança de Pedro Nuno Santos no PS e as relações entre políticos e a imprensa não foram apenas discutidos de forma superficial, mas aprofundados e filtrados através de um pensamento rigoroso. “Todas estas coisas nós treinamos enquanto somos juristas”, salientou.

No final da sessão, os estudantes de Direito tiveram a oportunidade de colocar questões aos comentadores, aprofundando o debate, trazendo-se inclusive as eleições norte-americanas para a discussão.

A sessão especial do Bloco Central foi uma oportunidade única para os estudantes verem como o pensamento jurídico se cruza com a análise política, reafirmando a importância de uma educação que fomente o espírito crítico e a independência intelectual. Paulo Baldaia resumiu bem o tom do evento: "Este episódio não é especial apenas por ser ao vivo, mas porque os dois comentadores procuraram dar mais contexto à forma como fazem a análise de uma realidade que muda a uma velocidade, por vezes, difícil de entender para quem não tem experiência no terreno".

Aceda ao podcast completo aqui.

 

17-10-2024

José Gagliardini Graça: “Continuar na Católica permite-me ver a Universidade a crescer e a desenvolver-se.”

Natural do Porto, José Gagliardini Graça é alumno da Faculdade de Direito e atualmente também docente convidado. É advogado, foi um dos fundadores da Tuna da Católica e é, atualmente, o presidente da Associação Alumni da faculdade, cujo objetivo se prende com “alimentarmos a nossa contínua formação e desenvolvermos o espírito e os valores da Católica”. Tempos livres? Atividade associativa, desporto e leitura. A família? “São o meu projeto de vida”.

 

É licenciado e mestre em Direito pela Universidade Católica. Porquê estudar Direito?

A minha família, quer de um lado, quer do outro, tem bastante tradição no Direito. Quer como magistrados, quer como advogados. Desde novo que oiço estes temas. Começaram por ser temas dos mais velhos, mas depois também eu me comecei a interessar, principalmente movido pela vontade de proteger quem mais precisa.

 

Entra para a Universidade Católica em 1989…

Sim, entrei para o Ano Zero, que, atualmente, já não existe. Foram anos muito intensos. Fui fundador da Tuna e foi muito marcante. Sou, também, do tempo em que começou a ELSA. Fui presidente deste grupo que trazia para quem nele participava a possibilidade de abertura ao mundo exterior. Não tínhamos Erasmus na altura. Lembro-me de ir a reuniões da ELSA na Holanda, em Amesterdão.

 

“Dar aulas é um privilégio.”

 

Ir a Amesterdão naquela altura não era como ir nos dias de hoje…

Pois não, porque, naquele tempo, era um mundo completamente diferente do mundo português. Foi uma experiência. Aliás, os meus anos de Universidade foram anos de grande transição e de grandes mudanças no país.

 

É docente convidado na Escola do Porto da Faculdade de Direito. Como é que surge esta oportunidade?

Comecei a exercer as funções de docente convidado na Católica em 2010. A Faculdade de Direito considera que a formação que oferece deve estar aberta à experiência prática dos advogados e, portanto, considera que os advogados devem estar dentro do curso. O objetivo é que possamos transmitir os nossos conhecimentos mais práticos em disciplinas opcionais.

 

Que significado é que tem dar aulas numa universidade onde também foi aluno?

Faz muito sentido! Desde logo, porque estamos na Universidade em permanente atualização. É engraçado, porque o tempo passa e os espaços permanecem. Há uns tempos estive na Católica para a inauguração de um novo auditório e, quando entrei no local, comentei com uma colega que aquele local era o mesmo onde há muitos anos tínhamos aulas e onde também ensaiávamos com a Tuna. Continuar na Católica permite-me ver a Universidade a crescer e a desenvolver-se. Dar aulas é um privilégio. As pessoas que estão connosco na sala nunca envelhecem (risos). Só nós, professores, é que ficamos mais velhos! Os alunos são sempre gente nova e desafiam-nos. Não nos deixam cristalizar.

 

A sua atividade profissional fica marcada pela sua atividade como advogado e também por alguma intervenção cívica.

Sou advogado e também formador na Ordem dos Advogados. É curioso, porque muitas vezes reencontro estudantes que vêm da Católica e até alguns que foram meus alunos. É interessante ir acompanhando o seu percurso. Para além disto, fui sendo autarca e tenho ocupado diferentes funções. No final do curso, em 1997, fui desafiado aqui na Junta de Freguesia da Foz do Douro para concorrer e ganhamos, fui eleito Presidente da Assembleia de Freguesia. Hoje em dia, curiosamente, voltei a ser autarca dessa freguesia, em união de freguesias. Tenho também experiência na Assembleia Municipal e também na Câmara, como adjunto. Sinto-me comprometido com a minha cidade.

 

Nasce no Porto, mas é em Ponte de Lima que passa parte da sua infância …

Nasci em 1972 no Porto, mas era eu pequenino, talvez uns dois anos, quando fomos para Ponte de Lima. O meu pai foi para lá trabalhar. Naquela altura, sair para o interior era uma jogada muito arriscada. Fomos viver para uma quinta, mas que não tinha luz elétrica e a água era servida por gravidade. Tudo isto significou uma aventura incrível. Tenho memórias muito boas, de uma grande liberdade para brincar. No fundo, era uma vida um bocado rural, com tudo o que isso implica e com tudo o que tem de bom. Foi um privilégio ver como tudo acontece na natureza.

 

“A Associação quer ser um espaço de encontro entre todos os que partilham o mesmo passado de Direito na Católica.”

 

Que importância é que a intervenção cívica tem na sua vida?

A vontade associativa fica em nós para sempre. Ficou-me na pele, desde os tempos da Universidade. Hoje em dia, esta dimensão está um bocadinho fora de moda, infelizmente. Porque ser associativo e trabalhar por carolice implica algum altruísmo e uma vontade grande de viver em comunidade. As pessoas que andam nestas atividades é porque, realmente, têm também esse espírito mais inquieto, mais aventureiro e mais dado aos outros. Acho que estes também são os valores da Católica! Foi isto que aprendi na Universidade. Na Católica, não entramos para estudar, para tirar um curso e para sair com um diploma. Na Católica, procuramos ser mais do que isso.

 

No meio de uma vida profissional bastante diversificada, o que é mais desafiante?

Essa diversidade é o próprio desafio. Na minha vida profissional, tenho procurado fazer coisas diferentes. Sou um bocado desprendido, na medida em que acredito que devemos cumprir os nossos mandatos e os nossos tempos. Depois temos de dar lugar aos outros. Recentemente fui nomeado Presidente da Associação Alumni da Escola do Porto da Faculdade de Direito. Estou comprometido com esta minha nova função, mas vai haver depois um tempo onde terei de dar lugar a outro. As gerações sucedem-se…

 

“O dia em que nos licenciamos é sempre marcante de alguma forma.”

 

Qual é o objetivo da Associação Alumni da Escola do Porto da Faculdade de Direito?

Um dos nossos grandes objetivos é alimentarmos a nossa contínua formação e desenvolvermos o espírito e os valores da Católica. A Associação quer ser um espaço de encontro entre todos os que partilham o mesmo passado de Direito na Católica. Trocamos experiências, desenvolvemos o nosso trabalho em networking, mantemos vivos os valores que a Católica nos transmitiu. Para além disso, misturamos gerações!

 

Um momento marcante dos seus anos como aluno da Católica?

O dia em que nos licenciamos é sempre marcante de alguma forma. No meu caso, lembro-me bem do dia da minha última prova oral. Mas um momento mesmo muito marcante foi quando fomos em digressão para Estrasburgo com a Tuna. Na altura, não se viajava com facilidade. Tínhamos pouca capacidade de movimentação dentro da Europa. Foi uma aventura! Tivemos imensas peripécias e criou-se um espírito de grupo muito forte.

 

O que gosta de fazer nos tempos livres?

O desporto é importante. Sempre foi. Aos 18 anos fiz o curso para ser árbitro de futebol e durante a licenciatura arbitrava jogos. Hoje em dia, vou procurando adaptar o desporto na minha vida de acordo com a idade. Há uns anos decidi deixar os desportos mais de contacto e dediquei-me ao surf. Vivemos mesmo aqui ao lado do mar e, às vezes, tenho a sensação de que não aproveitamos bem o seu potencial. Para além do desporto, a parte associativa ocupa algum tempo dos meus tempos livres e, também, gosto de me dedicar à leitura. Tenho, graças a Deus, uma família grande. Sou casado há 24 anos e tenho quatro filhos. É uma casa cheia e um barco grande para gerir. É, com alegria e amor, um projeto de vida.  De todos!

 

17-10-2024

Escola das Artes inaugura exposição “Dança do Labirinto” de Ricardo Jacinto

Ricardo Jacinto, artista sonoro e músico que se concentra principalmente na relação entre som e espaço, vai ter uma exposição patente na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa no Porto intitulada “Dança do Labirinto”. A inauguração está agendada para 24 de outubro, pelas 19h00, dia em que também vai ser apresentado o seu segundo disco a solo, para violoncelo, eletrónica, áudio feedback e objetos ressonantes.

“Dança do Labirinto”, de Ricardo Jacinto, é um projeto onde a figura ancestral do labirinto surge como desenho-força para orientar a relação dos muitos corpos, fantasmas e tempos que serão convocados para o seu interior. Uma instalação feita da matéria de muitas músicas, ou talvez, uma dança para um ruído infinito.

Nesta exposição o artista cria uma experiência sensorial imersiva, onde o espaço físico e o som atuam como elementos estruturantes para o movimento. A ideia central é a criação de um "labirinto" sonoro e físico, que guia os participantes/visitantes através de um espaço com diferentes estímulos auditivos e visuais. Promovendo interações não convencionais entre corpo, espaço e som, propondo um tipo de experiência que vai além do visual, envolvendo diretamente a perceção corporal e auditiva dos participantes.

Ricardo Jacinto explora o conceito de "coreografia invisível", onde a música e o som desempenham o papel de moldar os movimentos dos corpos no espaço, sem que esses corpos estejam necessariamente visíveis ou tangíveis.

“Para nós é motivo de orgulho contar com a obra diferenciadora do artista e músico Ricardo Jacinto. “Dança do Labirinto” cria uma espécie de jogo sensorial, no qual os visitantes se deslocam por ambientes cujo desenho não é meramente físico, mas também acústico”, refere Nuno Crespo, diretor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa no Porto.

Ricardo Jacinto é membro fundador e diretor artístico do coletivo OSSO e realizou a sua pesquisa de doutoramento no Sonic Arts Research Centre, Queens University Belfast. Desde 1998, tem apresentado o seu trabalho em exposições individuais e coletivas, concertos e espetáculos em Portugal e Europa, tendo colaborado frequentemente com outros artistas, músicos, arquitetos e performers. A sua música foi editada pela Clean Feed, Shhpuma Records e Creative Sources. É representado pela Galeria Bruno Múrias e as suas instalações estão presentes em várias coleções nacionais: Fundação de Serralves, Caixa Geral de Depósitos, Fundação Leal Rios ou Fundação António Cachola. Foi co-representante (c/ Pancho Guedes) de Portugal na 10.ª Bienal de Arquitetura de Veneza 2006 e o ​​seu trabalho foi apresentado em diferentes locais como Culturgest (Lisboa e Porto), Fundação de Serralves, Fundação Calouste Gulbenkian, Palais de Tokyo, MUDAM, Teatro Maria Matos, Museu Vostell, Casa da Música, CCB, Manifesta 08_Bienal Europeia de Arte Contemporânea, Frac Loraine_Metz ou OK CENTRE_Linz, entre outros.

 

A Sala de Exposições da Escola das Artes faz parte do Católica Art Center que integra desde o início de setembro a Rede Portuguesa de Arte Contemporânea a nível nacional. De referir que além da Sala de Exposições, o Católica Art Center integra mais dois espaços: o Auditório Ilídio Pinho, que tem programação semanal de cinema e encontros com artistas; e a Blackbox mais vocacionada para as artes performativas.

Mais informações sobre a exposição: Dança do Labirinto · Ricardo Jacinto | Escola das Artes (ucp.pt)

Exposição “Dança do Labirinto”
Artista: Ricardo Jacinto
Curadoria: Nuno Crespo
Inauguração · 24 OUT · 19h00
Sala de Exposições da Escola das Artes
Entrada livre
Patente entre 24 de outubro e 13 de dezembro

Biografia de Ricardo Jacinto
Músico, artista visual e arquiteto com pesquisa artística e académica focada na relação entre som e território em práticas transdisciplinares.

É membro fundador e director artístico do colectivo OSSO e realizou a sua pesquisa de doutoramento no Sonic Arts Research Centre, Queens University Belfast. Desde 1998, tem apresentado o seu trabalho em exposições individuais e colectivas, concertos e espectáculos em Portugal e Europa, tendo colaborado frequentemente com outros artistas, músicos, arquitectos e performers. A sua música foi editada pela Clean Feed, Shhpuma Records e Creative Sources.

É representado pela Galeria Bruno Múrias e as suas instalações estão presentes em várias colecções nacionais: Fundação de Serralves, Caixa Geral de Depósitos, Fundação Leal Rios ou Fundação António Cachola. Foi co-representante (c/ Pancho Guedes) de Portugal na 10.ª Bienal de Arquitetura de Veneza 2006 e o ​​seu trabalho foi apresentado em diferentes locais como Culturgest (Lisboa e Porto), Fundação de Serralves, Fundação Calouste Gulbenkian, Palais de Tokyo, MUDAM, Teatro Maria Matos, Museu Vostell, Casa da Música, CCB, Manifesta 08_Bienal Europeia de Arte Contemporânea, Frac Loraine_Metz ou OK CENTRE_Linz, entre outros.

17-10-2024

Católica Porto Business School promove evento “O Meu Futuro Financeiro” em parceria com Banco de Portugal e CFA Society Portugal

Na semana passada, a Católica Porto Business School acolheu o evento "O Meu Futuro Financeiro", em conjunto com o Banco de Portugal e a CFA Society Portugal, focado em ajudar os jovens a adquirir conhecimentos de finanças pessoais. 

Apesar de serem a geração com maior literacia digital, um em cada dois jovens ainda não compreende conceitos como a taxa Euribor. Por isso, este evento foi pensado para estudantes universitários da Católica Porto Business School e de outras faculdades da Universidade Católica Portuguesa no Porto, mas aberto a todos os interessados, com o objetivo de promover um futuro financeiro mais seguro e informado. 

A sessão foi inaugurada por Francisca Guedes de Oliveira, membro do Conselho de Administração do Banco de Portugal e docente da CPBS, pelo diretor da Católica Porto Business School, João Pinto, e pelo CEO da CFA Society Portugal, Marcos Soares Ribeiro. 

O programa prosseguiu com as palestras "Porque poupar e como investir", por Vítor Ribeiro, membro da CFA Society Portugal, e "Recurso ao crédito e impacto no orçamento" e "Utilização segura dos serviços financeiros digitais", por Luís Vaz, do Banco de Portugal. Os participantes tiveram ainda oportunidade de escutar uma intervenção de João Pinto sobre a temática de finanças sustentáveis. 

A sessão foi encerrada com uma mesa-redonda que permitiu uma troca de perguntas e respostas entre os palestrantes e os participantes. 

O evento contou ainda com a apresentação do concurso "O Meu Futuro Financeiro", uma iniciativa do Banco de Portugal e da CFA Society Portugal, que desafia os jovens a propor soluções inovadoras em áreas como orçamento familiar, poupança e crédito. Para saber mais sobre o concurso e como participar, clique aqui

16-10-2024

37 nacionalidades no 10.º Encontro do Estudante Internacional da Católica

No passado dia 11 de outubro, a Universidade Católica voltou a desafiar os seus novos estudantes internacionais a participar no Encontro do Estudante Internacional, o evento nacional de acolhimento, que teve lugar no Campus do Porto da UCP.

Nesta 10.ª edição, 170 estudantes provenientes de 37 nacionalidades e quatro continentes (Europa, África, Ásia e América) recém-chegados aos campi da UCP – Braga, Lisboa, Porto e Viseu – uniram-se para esta celebração de acolhimento, partilha e integração.

A manhã foi marcada por uma sessão de boas-vindas, no Centro Regional do Porto, que contou com a presença da Vice-Reitora da Universidade Católica, Isabel Vasconcelos, e com palavras de boas-vindas aos novos estudantes internacionais da Pró-Reitora Isabel Braga da Cruz.

Num espírito de dinamismo e interação, os participantes foram desafiados a conhecer melhor o campus através de uma “caça ao tesouro” (scavenger hunt), com equipas compostas por alunos dos diferentes campi. Dos vários momentos de animação, destaca-se a atuação da tuna académica.

Durante a tarde, o grupo partiu para um passeio de barco pelo rio Douro, onde pôde apreciar as paisagens da cidade do Porto e do Cais de Gaia. O dia terminou com uma visita às caves de vinho do Porto, encerrando este encontro multicultural com um toque de tradição e história locais.

Contando com 10 edições, o Encontro do Estudante Internacional é uma iniciativa que reforça o compromisso da UCP com a integração e valorização da diversidade, promovendo o contacto entre culturas e oferecendo aos seus alunos uma experiência académica e social enriquecedora.

16-10-2024

Escola das Artes lança nova rubrica mensal dedicada ao cinema português

A Escola das Artes iniciou o ano letivo com uma nova proposta que promete aproximar os estudantes ao cinema nacional. A partir deste mês, o Cineclube da EA inicia uma rubrica mensal inteiramente dedicada ao cinema português, promovendo o diálogo direto entre estudantes e realizadores de renome.

Todos os meses, um(a) realizador(a) irá apresentar um dos seus filmes no Auditório Ilídio Pinho, seguido de uma conversa com os estudantes. Este formato permitirá não só a exibição de relevantes obras do cinema português, mas também uma discussão aprofundada sobre o trabalho dos convidados.

O Cineclube da Escola das Artes, que já conta com uma programação rica e diversificada, reforça assim o seu papel como plataforma de divulgação e reflexão sobre o Cinema. Esta nova rubrica promete fomentar o interesse dos estudantes pelo cinema nacional, estimulando o seu espírito crítico e oferecendo-lhes uma oportunidade de aprender diretamente com alguns dos nomes mais importantes da sétima arte em Portugal.

A iniciativa é de entrada livre e inicia já no dia 30 de outubro, às 18h30, no AIP, com a apresentação de "Mal Viver" de João Canijo, que estará presente após a sessão para uma conversa. +info

Em novembro, no dia 19, às 18h30, no AIP, receberemos Cláudia Varejão que estará presente após a sessão de "Lobo e Cão". + info

Em dezembro, no dia 3, também às 18h30, no AIP, será a vez de acolhermos João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata que conversarão com os alunos após a exibição do filme “Onde Fica Esta Rua? ou Sem Antes Nem Depois”. + info

16-10-2024

Outubro Rosa na UCP: Sensibilização para a prevenção do cancro da mama

A Universidade Católica Portuguesa associa-se à iniciativa Outubro Rosa, com o objetivo de sensibilizar a comunidade académica para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do cancro da mama.

Durante o mês de outubro, a UCP organiza várias iniciativas e disponibiliza informação sobre os fatores de risco associados ao cancro da mama e recomendações para a prevenção e o diagnóstico precoce desta doença.

No dia 26 de outubro, a Católica Medical School Students’ Union, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade Católica, o ABC Indoor Padel Sintra e o Gabinete de Responsabilidade Social, organiza a 2.ª Edição do Torneio de Padel, cujas receitas reverterão a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Já no dia 30 de outubro, a Faculdade de Medicina, em colaboração com a Católica-Lisbon School of Business & Economics, promove uma iniciativa educativa. Durante este evento, os alunos utilizarão modelos anatómicos para demonstrar técnicas de prevenção do cancro da mama a toda a comunidade académica.

O Centro Regional do Porto associou-se ao habitual Peditório Nacional da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que acontecerá este ano nos dias 31 de outubro e 1, 2 e 3 de novembro.

No campus de Viseu, os estudantes de 2.º ano da Licenciatura em Gestão, no âmbito da Unidade Curricular de Psicologia Social, em parceria com a Delegação de Viseu da Liga Portuguesa Contra o Cancro, dedicaram a semana de 7 a 11 de outubro à sensibilização e consciencialização sobre esta temática. A iniciativa visou também a angariação de fundos e a mobilização da comunidade académica para a realização de exames de rastreio e para a adoção de um estilo de vida saudável

O movimento Outubro Rosa (Pink October) foi criado nos Estados Unidos da América, nos anos 90, com o objetivo de inspirar mudança e mobilizar a sociedade para a luta contra o cancro da mama. A cor rosa foi escolhida como símbolo desta causa, sendo amplamente utilizada para sensibilizar para a importância da prevenção, apoiar a investigação científica e homenagear as mulheres afetadas pela doença.

O cancro da mama continua a ser um grave problema de saúde pública, sendo o tipo de cancro mais prevalente em Portugal e no mundo. Embora a maioria dos casos ocorra em mulheres com mais de 50 anos, 1 em cada 100 casos afeta homens. Fatores como a idade, histórico familiar, alterações genéticas, excesso de peso, tabagismo, consumo de álcool, início precoce da menstruação e menopausa tardia são considerados de risco para o desenvolvimento da doença. O diagnóstico precoce é essencial, uma vez que aumenta a taxa de cura para mais de 90%, melhorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

 

Mais informação aqui 

 

15-10-2024

Equipa do Projeto Hymenaeus ouvida na Assembleia da República Portuguesa sobre a proteção das vítimas de violência doméstica

A equipa de investigadores do Projeto Hymenaeus da Escola do Porto da Faculdade de Direito, liderada pela docente Elisabete Ferreira, deslocou-se no dia 10 de outubro à Assembleia da República para ser ouvida pela Subcomissão para a Igualdade e Não Discriminação. A audição teve como objetivo a apresentação de sugestões de alteração legislativa no domínio da violência doméstica, fruto da investigação desenvolvida no âmbito do Projeto.

"O dia de hoje representa o culminar de cerca de um ano e meio de investigação académica que agora colocamos à disposição da comunidade, cumprindo a essência da missão da Universidade Católica: investigação ao serviço da sociedade", afirmou a coordenadora na audição.

Foi sugerida a revisão do artigo 152º do Código Penal, para incluir no âmbito de proteção do tipo legal todos os ascendentes e descendentes do agressor, independentemente da coabitação com este, ou da aferição da especial vulnerabilidade daqueles. A equipa do Projeto chamou ainda a atenção para a necessidade de alterar o regime da inibição do exercício das responsabilidades parentais previsto no artigo 152º, n.º 6, do Código Penal, no sentido de ser permitido o seu levantamento, caso as circunstâncias que a determinaram cessem, entretanto. Defendeu a eliminação da possibilidade de aplicação da suspensão da execução da pena de prisão, no caso de condenação pelo crime de violência doméstica, e a necessidade de repensar o instituto da suspensão provisória do processo, medidas que visam aumentar a eficácia na proteção destas vítimas e dissuadir a reincidência.

Para além de Elisabete Ferreira, fazem parte deste projeto Sandra Tavares e Pedro Freitas, docentes da Escola do Porto, e Mariana Vilas Boas, aluna do doutoramento em Direito.

O Projeto Hymenaeus, financiado pelo Fundo de Relações Bilaterais da EEA Grants, é uma iniciativa da Escola do Porto da Faculdade de Direito, em colaboração com a Universidade de Bergen, Noruega.

Aceda à audiência completa

 

14-10-2024

Sofia Salgado: “Quanto mais tecnologia temos à disposição, mais importantes são as competências pessoais.”

Sofia Salgado é alumna e docente da Católica Porto Business School. De 2013 a 2020, foi diretora da Escola, tempos de “grande desafio e realização”. Vem de uma família de “educadores”, missão que também abraça com grande convicção. Divide a sua vida entre a academia e o tecido empresarial, assumindo atualmente cargos de gestão em empresas como a Monta-Engil, a EDP e a Corticeira Amorim. Sobre a Católica, Sofia Salgado destaca a importância da proximidade, como marca identificativa da Universidade. “Maníaca com listas e agendas”, a sua prioridade é “a Família sempre em primeiro lugar.”

 

Principais memórias de infância?

Sempre memórias felizes, sobretudo em família. São estas memórias que ficam. Tenho duas irmãs e tenho os meus pais ainda vivos. São com eles as principais memórias que tenho. Muito tempo em família, muitas brincadeiras com muita imaginação. Eram tempos onde havia menos coisas, mas eram tempos onde se usava verdadeiramente a imaginação.

 

Quando é que surge a ideia da Gestão na sua vida?

Algures na adolescência, não sei precisar bem quando, mas lembro-me de, a uma dada altura, saber que queria trabalhar em empresas. Não sabia bem a fazer o quê, mas a ideia estava nas empresas. Durante a minha juventude, estive sempre muito ligada à Igreja e sempre envolvida em muitas atividades. Fiz parte de muito projetos, era muito intensiva nas atividades e no dia-a-dia. Acho que este meu perfil já indiciava a minha tendência para a Gestão.

 

“Faço parte de uma família de educadores e gosto muito disso.”

 

Havia alguma referência na área da Gestão na família?

Não, aliás grande parte da minha família está ligada ao ensino. O meu pai tem quatro irmãos e dos cinco só ele é que não seguiu a carreira do ensino. Os meus avós também tinham um colégio. Faço parte de uma família de educadores e gosto muito disso. Mal sabia eu que também ia ser professora. Gosto desta vocação de educadora, ajudar os outros a desenvolverem-se.

 

Ingressa em Gestão na Universidade Católica Portuguesa no Porto. Quando entra para a licenciatura, já havia algum sonho profissional?

Não, nenhum objetivo profissional, nem grandes sonhos. Fui à descoberta. Postura, aliás, que fui mantendo e que mantenho, ainda hoje, relativamente ao meu percurso. Fiz um caminho sem um rumo determinado, de alguma forma gosto de lhe chamar incerto. Eu sabia que gostava de Gestão, de empresas e das matérias estudadas, mas fui fazendo o caminho sem grandes objetivos. Só mais tarde é que foram surgindo algumas questões. Foi no quinto ano da licenciatura que começaram a surgir as primeiras questões. Eu não queria especializar-me só no marketing ou só nas finanças, sabia que queria continuar com um leque alargado de possibilidades. Lembro-me inclusivamente que os meus colegas diziam a brincar “tu queres é ser diretora-geral” (risos). Na verdade, eu não tinha ambição disso, simplesmente não me revia particularmente em nenhuma especialização e foi nessa altura que surgiu uma oportunidade que considero ter sido um privilégio e uma grande escola no meu percurso. Ainda antes de terminar o curso, comecei a trabalhar numa empresa, enquanto assessora da direção. Foi uma excelente oportunidade onde pude aplicar os meus conhecimentos de uma forma transversal e onde pude acompanhar novos projetos. As pessoas têm apelos diferentes e eu senti que aquele era o meu.

 

De estudante passa a professora assistente na Católica …

Sim, depois de terminar o curso fiquei como na altura se chamava de “monitor”. Atualmente, diríamos um professor assistente. O meu percurso como docente na Católica começou após terminar o curso. Depois, houve uma altura em que por motivos profissionais e pessoais acabei por não conseguir conciliar tudo e tive de deixar de dar aulas. Regresso em 1997, ano em que também comecei a fazer o meu mestrado. Mais tarde surge o desejo do doutoramento. O que me levou a fazer o mestrado foi também o que me levou a fazer o doutoramento. Em ambas as situações, eu estava insatisfeita com o que sabia e queria saber mais. Na altura, eu tinha percebido que gostava de gestão de operações e gestão de serviços, no fundo é uma área que mantém a lógica da não especialização por área funcional. Foi sempre aquilo que procurei, uma visão transversal e abrangente da Gestão.

 

Parte para Warwick para o seu doutoramento…

Sim, nessa altura já tinha duas filhas e, por isso, ir para Inglaterra foi uma decisão pensada em família. A família ficou cá. No primeiro ano, eu ia à terça e voltava à sexta. Foi preciosa a ajuda dos avós. Foram quatro anos dedicada exclusivamente ao doutoramento.

 

Como descreve a experiência do doutoramento?

O doutoramento realizou-me em várias dimensões e cresci muito. Foi um tempo importante para me conhecer e perceber o que é que era esta minha curiosidade constante. Fui-me descobrindo e fui descobrindo, também, todo este contexto da academia, da investigação e das publicações. Ter estado numa universidade boa e com grande dimensão foi muito importante. Foi uma experiência muito rica quer na universidade, quer na própria cultura inglesa que gostei muito de conhecer.

 

Uma cultura de trabalho bastante diferente da portuguesa…

É uma cultura muito exigente em termos de mérito e na qualidade do trabalho, mas, simultaneamente, são informais na relação uns com os outros, são cuidadosos. Para eles o que interessa é a qualidade do trabalho, os títulos não importam.

 

Para quem sempre quis estar ligada às empresas, o doutoramento não foi um processo um pouco solitário?

No meu doutoramento desenvolvi um estudo empírico, por isso acabei por estar ligada às organizações. Estudei os handlings aeroportuários, na altura a TAP e a Portugália (PGA), nos seus serviços em terra. Passei muitas horas no aeroporto de Lisboa, nos corredores que ninguém conhece, entrevistei administradores da TAP e da PGA, ia no avião da manhã do Porto para Lisboa, passava o dia no aeroporto e vinha no último avião do dia. Com a minha tese aprendi muito sobre o escrito e o não escrito, o comportamento das pessoas, fiz muita observação. Mas falando sobre trabalho solitário, é claro que um doutoramento tem uma carga de trabalho de secretária muito grande e dessa parte eu não gosto tanto. Eu gosto de interação, gosto do envolvimento com pessoas. É isto que também me define profissionalmente, a minha capacidade de interagir com os outros e de envolver uma equipa.

 

“O maior desafio começa antes de entrar numa sala de aula.”

 

E depois do doutoramento regressa à Católica?

Quando acabei o doutoramento, perguntei-me “E agora?” Foi claro para mim que eu gostava de dar aulas, já tinha dado aulas na Católica e fui dando algumas durante o doutoramento. Apesar disso, a ideia de carreira é uma coisa que nunca me encaixou muito bem na cabeça. Nunca tive um plano definido e, por isso, nunca pensei “quero fazer esta carreira, quero chegar àquele grau ou àquela posição”. Até este momento o que me tinha movido tinha sido a minha curiosidade em saber mais. É com base nisto que posso afirmar que as grandes questões profissionais surgiram precisamente na altura em que terminei o doutoramento e não propriamente quando entrei para a faculdade. Porque é que eu fiz isto? Porquê este caminho? Porque é que eu não me especializei? O que é que eu faço agora com isto que tenho na mão? A verdade é que o caminho depois seguiu com muita naturalidade na Católica. Regressei para dar aulas e quando se começa a dar muitas aulas não há grande tempo para pensar (risos).

 

Em 2008, integra a equipa de direção da Católica Porto Business School.

Sim, na altura era diretor o Prof. Álvaro Nascimento. Fiquei surpreendida quando me convidou para fazer parte da sua equipa. Foi a partir daqui que comecei a desempenhar cargos de gestão na faculdade. Em 2013, sou nomeada diretora, mas continuava a dar aulas. Tudo fazia sentido, porque eu ensinava o que fazia e fazia o que ensinava.

 

Tempos desafiantes?

Muito desafiantes. Na altura, já tinha a minha terceira filha, por isso a minha vida requeria uma ginástica grande para que ninguém nem nada de importante ficasse para trás. Nesse tempo, os dias eram muito longos e tudo muito intenso. Foi uma altura da minha vida particularmente exigente, mas também foi uma altura em que as coisas fizeram muito sentido e, por isso, de uma grande realização pessoal.

 

Qual é o maior desafio de ser professora?

O maior desafio começa antes de entrar numa sala de aula. Tento parar sempre um bocadinho para pensar. O que é que estes alunos podem aprender com isto? Como é que eu consigo desafiar os meus alunos? É um exercício muito importante.

 

Enquanto gestora, o que é que mais aprende com o facto de ser professora?

Continuo a acumular cargos de gestão, apesar de serem não executivos. Estou na Mota-Engil no meu terceiro mandato, na EDP no segundo e este ano aceitei o desafio da Corticeira Amorim. Tem-me feito muito sentido, porque me permite aprender a indústria, aprender a empresa, aprender as equipas de gestão, conhecer áreas de atividade diferentes. Integro, também, o Conselho Fiscal da Media Capital. O que é que estas experiências me permitem? Permitem-me acompanhar de perto os momentos em que as organizações estão a enfrentar fases mais críticas. Porque estando num cargo não executivo, não nos chegam os problemas do dia-a-dia, mas os momentos mais críticos e de alguma forma estruturais. Temas como a pandemia, as guerras, a inteligência artificial, a digitalização. É um privilégio acompanhar as empresas nesse furacão e estas experiências ajudam-me muito nas minhas aulas. Levo para as aulas casos concretos, levo quadros de análise, levo uma capacidade de ver os problemas de uma forma muito mais abrangente. E, porque não estive num setor de atividade muito tempo, levo-lhes, também, uma independência grande. Tenho um quadro mental independente, não condicionado pelas áreas de atividade, o que me permite uma abordagem e uma análise global e transversal.

 

“Temos de ajudar as próximas gerações a pôr pés ao caminho.”

 

Internacionalmente, integra, também, uma entidade em Bruxelas.

Sim, dois dias por semana são dedicados à EFMD Global, como Associate Director. É uma entidade que dá as acreditações às Escolas, como por exemplo a acreditação EQUIS que a Católica Porto Business School tem. Eu fiz o percurso todo com a escola, desde a primeira acreditação e posterior reacreditação. Depois comecei a colaborar com a EFMD em pequenas coisas de forma voluntária e, há um ano, desafiaram-me a começar a trabalhar com eles. Sou a única portuguesa na minha equipa que conta com um espanhol, um alemão, uma escocesa, um chinês e um italiano. Gosto muito de trabalhar em equipas internacionais, é uma experiência muito rica.

 

O que é que distingue e caracteriza a Católica Porto Business School?

Na Católica Porto Business School damos prioridade à proximidade, porque um mundo de distância não funciona. Temos de ajudar as próximas gerações a pôr pés ao caminho. No mundo da Gestão em particular, se eu quero fazer acontecer, eu tenho de ir bater à porta, tenho de ir ter com o meu colega, tenho de cultivar a interação. Na Católica abrimos as portas para essa proximidade e trabalhamos com os estudantes as competências transversais. Já o fazemos há muitos anos e sabemos fazê-lo muito bem. Isto é uma marca que continua a identificar a nossa Escola. Quanto mais tecnologia há, mais importantes são as competências pessoais.

 

O trabalho tem uma grande importância para si …

Nasci numa família de pessoas trabalhadoras. O meu avô materno, que conheci bem, é uma referência para mim. Lembro-me das histórias de que ele trabalhava em duas empresas e trabalhava horas a fio para poder sustentar a família em alturas difíceis da história e da economia portuguesa. A noção de ter de trabalhar e de se ter gosto em trabalhar está em mim de forma muito natural.

 

A família ocupa também um lugar muito importante na sua vida. Qual é o segredo para haver tempo para tudo?

A família está sempre em primeiro lugar. Diria que não tenho um segredo. Coloco-me frequentemente a questão: qual é a coisa com a qual eu não quero mesmo falhar? Ajuda-me muito a discernir sobre o que é ou não é prioritário.  Sejamos realistas, quando fazemos muitas coisas, nalgumas poderemos falhar. Esta pergunta ajuda-me a orientar as minhas escolhas de forma a não falhar naquilo que é mais importante. Tenho um perfil muito perfeccionista e não gosto de falhar e esta é a minha forma de definir prioridades. Sou, também, um bocadinho maníaca com agendas e listas. Revejo a minha agenda do ano, a minha agenda do mês e a da semana. Costumo, aliás, dizer que não há super-mulheres ou super-homens, há famílias que tomam opções em conjunto. E, na minha vida, a família está em primeiro lugar. Se só uma prioridade houver, a minha família é a minha prioridade. Nunca foi uma questão para mim falhar aos momentos importantes da minha família, das minhas filhas, do meu marido, dos meus pais e das minhas irmãs. Pela minha família eu largo tudo. Ao mínimo sinal de que algum deles precisa de mim, eu largo tudo e vou.

 

Conseguir esse equilíbrio implica algum discernimento …

E no meu caso esse discernimento e equilíbrio vem da oração. Eu não faço isto sozinha, não é? Desta forma, a minha experiência é muito mais rica. Em alturas intensas e de caos, ofereço a minha vida a Deus. Digo-lhe “Olha, isto está complicado e difícil …” E, de repente, tudo encaixa…

 

Que livros tem na sua mesinha de cabeceira?

Estou a ler dois livros:  o “The Coming Wave”, sobre a Inteligência Artificial, e o “O perigo de estar no meu perfeito juízo”, da Rosa Montero, uma jornalista espanhola.

 

10-10-2024

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