X

Novidades

Filipe Pinto: “O setor da Economia Social é um mundo em atualização. As organizações estão ávidas por profissionalizar a sua gestão.”

Filipe Pinto é docente da Universidade Católica no Porto e co-coordena a Área Transversal de Economia Social. Foi uma missão de voluntariado em São Tomé e Príncipe que despertou em si a vontade de trabalhar na área social, movido pela vontade de contribuir para dar resposta aos problemas do mundo. Nesta entrevista, explica-nos o que é a Economia Social e alguns dos seus principais desafios. Nos tempos livres? Jardinagem, porque “é uma metáfora espetacular para a vida”.

 

É licenciado em Gestão, mas no final do curso procurou fazer alguma coisa diferente. Que interpelação é que o moveu?

Quando terminei o curso senti-me profundamente interpelado a fazer uma coisa diferente. Foi nessa altura que me aproximei dos Leigos para o Desenvolvimento, uma ONG. No âmbito desta organização, fui como missionário para São Tomé e Príncipe, durante 14 meses. Foi uma experiência muito marcante e de grande desafio, estímulo e aprendizagem.

 

Foi nessa experiência que descobriu o seu interesse pela área social?

Sim, foi aí que percebi o meu interesse e vontade por explorar a área da Gestão ligada ao setor social. Embora, desde muito cedo, já estivesse envolvido em várias iniciativas sociais. Confesso que, na minha juventude, tudo o que existia para além da escola me dava imenso gozo. Refiro-me a iniciativas de voluntariado, de trabalho com crianças, jovens e sem-abrigo. No final do curso, apercebi-me que era isto que eu queria fazer a tempo inteiro e foi aí que encontrei os Leigos para o Desenvolvimento. Tive vontade de entregar a minha vida de uma maneira radical durante um ano. A minha família sempre me influenciou muito para a intervenção social.  O meu pai era um ativista nato, era alguém sempre muito envolvido nos movimentos da Igreja e em movimentos cívicos e também partidários.

 

O que é que foi mais marcante na sua experiência em São Tomé e Príncipe?

O contacto com aquele povo e a proximidade com contextos de pobreza profunda. Também me marcou muito a riqueza das potencialidades, da capacidade e da abertura daquelas pessoas. Durante o período em que lá estive, trabalhei numa Escola do 5º até ao 12º ano. Assumi a função de administrador da Escola e foi muito desafiante. Tive de crescer muito depressa.

 

Quando regressou, sentiu vontade de estudar e de aprofundar os seus conhecimentos nesta área?     

Sim, mas só aconteceu mais tarde. Quando voltei da missão trabalhei ainda durante cerca de dez anos no mundo da gestão de empresas. Fui mantendo ligação com a área social, porque nunca me desliguei do voluntariado e da intervenção social. A uma dada altura, começo a ter vontade de me dedicar de forma plena a esta área e foi aí que resolvi estudar as linhas de intervenção social. Sou um apaixonado pela Gestão com foco no mundo das organizações sociais.

 

“Na ATES, queremos uma sociedade que, no fundo, consiga, harmonizar tudo o que são as diferenças.”

 

Quando é que vem para a Católica?

Vim para a Católica há 12 anos. Cheguei cá através do Professor Américo Mendes, o fundador da Área Transversal de Economia Social. Comecei por colaborar em alguns projetos e por participar numa incubadora de projetos sociais que existia na altura. Mais tarde, comecei a lecionar a disciplina de Economia Social das licenciaturas da Católica Porto Business School e a integrar outros projetos da ATES. 

 

O que é a Economia Social?

A Economia Social é o setor que incorpora as organizações que são sem fins lucrativos. Associações, fundações, IPSS, ONGs. Todas as organizações que têm um cariz social e que têm uma missão orientada para o bem-comum e para a transformação social. Apesar de serem organizações sem fins lucrativos, precisam de boas práticas de gestão. É um desafio grande, desde logo, porque ainda é pouco conhecido. O setor da Economia Social tem de adquirir competências de planeamento estratégico, de comunicação, de direção de fundos, de gestão de recursos humanos, entre outros. Já tem vindo a ser feito caminho neste sentido, mas ainda há muito para evoluir. As organizações deste setor precisam de conhecimento, de suporte, de estratégia. Só se combatem as fragilidades da gestão, quando é reconhecida a importância extraordinária deste setor. Talvez as pessoas não tenham essa consciência, mas a Economia Social corresponde a mais de 3% do VAB nacional e perto de 6% do emprego remunerado. Tem um peso muito significativo e absorve muitos recursos humanos. Infelizmente, é um setor que ainda é pouco valorizado, embora considere que esteja a haver uma mudança de tendência.

 

Qual é a missão da ATES?

A Área Transversal de Economia Social da Católica tem como objetivo promover e desenvolver projetos, prestar serviços e oferecer formação que contribuam para o fortalecimento da Economia Social, para o desenvolvimento local e a inclusão. Queremos uma sociedade que, no fundo, consiga, harmonizar tudo o que são as diferenças. Trabalhamos à escala nacional, mas não só. Temos esta preocupação de estarmos também presentes na área da cooperação para o desenvolvimento e, por isso, temos, também, desenvolvido vários trabalhos em Angola, Moçambique, São Tomé.

 

É já grande a lista de trabalhos desenvolvidos pela ATES …

Sim, temos várias ofertas formativas pós-graduadas nas áreas da gestão das organizações, gestão de projetos, desenvolvimento local e direitos humanos. Por exemplo, na área da gestão das organizações de Economia Social, temos uma pós-graduação que já vai na sua 14ª edição. Para além disto, vamos desenvolvendo investigação e fazendo muito, muito trabalho de proximidade com as organizações sociais através da realização de avaliação de projetos de impacto ou de apoio à geração de novos projetos. No trabalho que temos desenvolvido, temos visto nascer uma série de projetos que querem resolver problemas sociais. O reforço de competências e a tentativa de gerar novos projetos tem sido muito rico.

 

Lidera na ATES a área relacionada com a transparência e prestação de contas nas organizações de Economia Social. Qual é a pertinência do tema?

É um tema relativamente recente. Em Portugal terá, talvez, 10 anos de debate. A ATES tem sido pioneira nesta área. Já conseguimos fazer uma série de coisas, como estudos, publicações, workshops ou cursos mais longos. Destaco, pela sua relevância, a construção de um mecanismo de autodiagnóstico que ajuda as organizações a perceberem como é que estão as suas práticas de transparência. É um tema que precisa ainda muito de ser falado. É preciso discutir as questões da transparência, da ética, da prestação de contas, da divulgação de resultados. As boas práticas da prestação de contas e da transparência são, sem dúvida, um dos grandes desafios da Economia Social. Não acho, propriamente, que as organizações não sejam transparentes, mas as suas práticas ainda são muito pouco estruturadas, organizadas, profissionalizadas e até conscientes.

 

“O cariz social é central na identidade da Universidade Católica.”

 

O trabalho que a ATES realiza implica um grande trabalho de terreno …

Sim, o trabalho de campo caracteriza transversalmente toda a equipa da ATES. No fundo, a equipa da ATES caracteriza-se bastante por pessoas que combinam uma formação académica, avançada e bem preparada, mas, também, e a experiência no terreno. Grande parte das pessoas já foram técnicos ou dirigentes de organizações sociais. É muito importante este conhecimento aprofundado da realidade social. Se não formos para dentro das organizações para percebermos exatamente quais são os seus problemas, não as vamos conseguir ajudar. O mesmo se passa com a nossa comunidade beneficiária. Temos de conhecer a sua realidade e problemas, para conseguirmos construir soluções eficazes. É preciso olhar a partir de dentro.

 

Leciona a disciplina opcional de Economia Social na Católica Porto Business School. Os estudantes estão despertos para o tema?  

É uma disciplina que tem sempre muita procura. Aqui na Católica não me surpreende, porque o cariz social é central na identidade da Universidade. Formamos os nossos estudantes nesta dimensão humanista e, por isso, é grande a probabilidade de se sentirem chamados e atraídos para os temas que implicam a ação e transformação social. Os estudantes da Católica adquirem, de forma especial, esta sensibilidade. 

 

Considera que as organizações do setor da Economia Social estão hoje mais abertas a transformações?

Sem dúvida. É um mundo em atualização, as organizações estão ávidas por profissionalizar a sua gestão, por digitalizar as suas operações, por colaborar também estrategicamente com outros, por avaliar, comunicar e rejuvenescer.

 

Que pessoas são uma inspiração para si?

Profissionalmente, o Professor Américo Mendes é uma grande inspiração. Pelo seu conhecimento profundo da área da Economia, mas também da área da Economia Social. Pela forma extraordinária como combina o cuidado pelo outro com um grande sentido de missão que coloca em tudo o que faz. É uma inspiração por tudo o que tem feito pela visibilidade deste setor na sociedade portuguesa. Num plano mais pessoal, quem mais me inspira é a minha filha, pela maneira como geriu uma situação de saúde muito delicada, com uma capacidade de aceitação extraordinária de fim de vida, sem que isso tenha significado em algum momento acomodação. Essencialmente, porque viveu os seus 18 anos com muita intensidade, mesmo sabendo que não lhe ia ser possível viver até aos 80 anos.

 

O que gosta de fazer nos seus tempos livres?

O meu mais recente hobby é a jardinagem. Tenho o privilégio de ter um espaço fora do Porto que me permite explorar a jardinagem e a natureza. A jardinagem é uma metáfora espetacular para a vida. Respeitar os tempos, o crescimento lento, as estações, a natureza, mas, ao mesmo tempo, também temos a capacidade de interferir de alguma maneira, podando, retirando ervas daninhas. Cuidar e fazer crescer. Na jardinagem, sinto-me terapeuticamente rejuvenescido.

 

O que é que o move?

Sinto-me chamado a viver o Reino de Deus todos os dias. O Reino de Deus vai acontecendo todos os dias aqui na Terra.

 

22-02-2024

ACNUR Portugal distingue Universidade Católica Portuguesa

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) reconheceu a Universidade Católica Portuguesa (UCP) pelo seu contributo e colaboração “por um mundo com mais oportunidades para os milhões de pessoas forçadas a fugir.”

O diploma de reconhecimento destaca a colaboração da Universidade, “para a melhor compreensão da realidade das pessoas obrigadas a fugir e do trabalho” realizado pela ACNUR, ao longo do ano de 2023. Entre as atividades desenvolvidas destaca-se o Programa de Bolsas de Estudo da Universidade Católica para Refugiados, que decorre pelo 3.º ano concecutivo, com candidaturas até dia 29 de fevereiro.

A par deste programa, a Universidade Católica dinamizou ainda o Workshop: "Refugiados e Ação Climática", em parceria com a ACNUR, com o objetivo de consciencializar para a questão da deslocação forçada pelo clima e os refugiados climáticos. Graças à Iniciativa de Apoio a Estudantes e Investigadores Refugiados, coordernada por Inês Espada Vieira, docente da UCP, os estudantes refugiados tiveram ainda a oportunidade de visitar a Assembleia da República, e conhecer os deputados Hugo Carneiro, docente da Católica, e Romualda Fernandes.

"É com enorme orgulho que recebemos este diploma da ACNUR, que reconhece o nosso compromisso com a causa dos refugiados", comenta Rita Paiva e Pona, Assessora da Reitoria para a Responsabilidade Social da UCP e Coordenadora do Gabinete de Responsabilidade Social.

Para a Assessora da Universidade Católica, o reconhecimento é simultaneamente um "incentivo para a UCP continuar o seu trabalho de sensibilização, um símbolo da responsabilidade enquanto Universidade, e da esperança num futuro mais humano e fraterno para todos.”

A distinção recebida assinala o compromisso da UCP com o trabalho da agência das Nações Unidas e destaca a instituição e todos os participantes como “agentes da mudança”.

Agradecendo a colaboração da Universidade e de toda a comunidade académica, a ACNUR sublinha como as atividades desenvolvidas “contribuíram para a dignidade de pessoas obrigadas a fugir e de refugiados de quem conheceram a história e reconheceram a humanidade.”

20-02-2024

Elementis e Universidade Católica estabelecem parceria para desenvolvimento de inovações químicas sustentáveis no Porto

No dia 16 de fevereiro realizou-se o evento de lançamento da recente parceria na área da química sustentável e formação entre o Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e a Elementis, empresa internacional que opera no setor químico.

“Estamos aqui para criar a próxima geração de académicos e investigadores, que irão trabalhar na interseção entre a academia e o mundo empresarial," referiu Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, acrescentando: “Honramos a inquietação que esta visão nos traz: trabalhar sempre na vanguarda, em prol do progresso, do conhecimento, irmos onde ninguém foi e atrever-nos a sair da nossa zona de conforto ao trabalhar com empresas, a criar novos produtos e a criar valor para o país e para o mundo.”

“Esta parceria é uma oportunidade importante para em conjunto trabalharmos na formação de recursos humanos altamente qualificados em ambiente de investigação, mas também para desenvolvermos novos produtos na área da química sustentável,” destacou Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa. “Como centro de investigação e laboratório associado, cuja missão é também a transferência de conhecimento e o impacto na sociedade, é essencial desenvolvermos parcerias estratégicas como esta que nos permitem alavancar a ciência que produzimos,” concluiu.

O grupo Elementis, com sede em Londres, anunciou recentemente que vai investir até três milhões de euros no seu primeiro centro global de excelência e laboratório de investigação e desenvolvimento (I&D) no país, que vai abrir no segundo semestre de 2024, no Porto. “Estamos muito entusiasmados com a nossa parceria com a UCP e reconhecemos o enorme potencial que ela possui. Através desta colaboração, iremos combinar a nossa experiência em formulação com a tecnologia avançada e capacidades analíticas do Centro de Biotecnologia e Química Fina, para oferecer soluções inovadoras e sustentáveis aos mercados que servimos”, explicou Joe Lupia, vice-presidente senior de Investigação & Desenvolvimento da Elementis. “Temos a ambição de lançar 50 novos produtos até 2026, objetivo para o qual este centro de investigação e desenvolvimento no Porto terá um papel crucial, e por isso se torna tão importante estabelecer parcerias que possam enriquecer os nossos esforços,” finalizou.

Sobre este investimento e sobre a criação do hub no Porto, Ricardo Valente, vereador da economia, emprego e empreendedorismo da Câmara Municipal do Porto, destacou que “é muito bom constatar que podemos competir num mundo global.

A parceria entre a Universidade Católica Portuguesa e a Elementis assenta: no suporte e atração de talentos; na formação; na partilha de melhores práticas; na utilização da infraestruturas e equipamentos do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF); na colaboração para inovação nos segmentos de Cuidados Pessoais e Especialidades de Desempenho; e em oportunidades de estágio para estudantes.

Na assinatura do protocolo, que decorreu a 16 de fevereiro no Auditório Arménio Miranda, estiveram presentes Isabel Capeloa Gil (reitora da Universidade Católica Portuguesa), Isabel Braga da Cruz (pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa), Paula Castro (diretora da Escola Superior de Biotecnologia), Manuela Pintado (diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina), Joe Lupia (vice-presidente sénior de Investigação & Desenvolvimento da Elementis), Chris Shepherd (Chief Human Resources Officer da Elementis), Ricardo Valente (vereador da economia, emprego e empreendedorismo da Câmara Municipal do Porto), entre outros convidados.

19-02-2024

Católica Porto Business School integra projeto da Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos

A parceria entre as duas instituições surge através do CEGEA – Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da Católica Porto Business School. O acordo foi anunciado no final de janeiro, numa sessão pública que contou com a presença do diretor executivo do CEGEA, Vasco Rodrigues. “Nesta fase inicial, o projeto implica a realização de dois boletins semestrais de conjuntura, até ao final de 2024, com uma edição já em março e outra em setembro”, começa por referir.

A tomada de decisão é um tema cada vez mais premente em gestão, pelo crescente volume de dados disponíveis e pela importância que tem de ser dada ao seu tratamento. “O CEGEA vem dar à Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos (APIP) consultoria numa área cuja relevância é inegável, o domínio da informação de apoio à decisão”, explica Vasco Rodrigues.

Para o diretor executivo do CEGEA, há dois objetivos neste projeto: “primeiro, permite que a direção da APIP tenha uma perceção mais objetiva sobre a situação da sua indústria, bem como uma atuação mais fundamentada. Segundo, o boletim proporciona às próprias empresas do setor dos plásticos informação atualizada, muito útil para a definição das suas estratégias”.

O documento semestral vai incluir informação sobre a evolução da situação das empresas, obtida por inquérito, em temas como a produção, os preços, o emprego e as principais dificuldades enfrentadas. Para além do mercado interno, Vasco Rodrigues salienta que “também vai ser incluída informação estatística sobre o comércio externo de plástico, recolhida junto do Eurostat”.

O projeto com a APIP está a ser desenvolvido pelo próprio Vasco Rodrigues e por Filipa Cunha Mota, também investigadora do CEGEA. “Isto vem no seguimento do trabalho que desenvolvemos há vários anos, em questões ligadas à tomada de decisão, em setores nucleares da indústria portuguesa como o calçado, com a APPICCAPS (Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos), e a cortiça, com a APCOR (Associação Portuguesa da Cortiça)”.

19-02-2024

Católica in Porto Hosts Sustainable Welcome Event for International Mobility Students

15-02-2024

Alumna da Escola de Enfermagem sagra-se vice-campeã de Atletismo Universitário em Pista Coberta

Bárbara Medeiros, alumna da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem – Escola de Enfermagem da Universidade Católica no Porto, conquistou o segundo lugar do pódio em atletismo universitário (pista coberta de 400 metros),

 “O título deste ano foi muito gratificante para mim, todos são, mas este em especial”, explica Bárbara Medeiros. “Foi o último semestre da minha Licenciatura em Enfermagem, que coincidiu com o estágio mais exigente do curso, o que tornou a minha vida atlética mais complicada. Mas mesmo assim, fui capaz de ser vice-campeã nacional universitária. Soube-me a vitória.”

Bárbara Medeiros representou a Universidade Católica no Porto no Campeonato Nacional Universitário de Atletismo em Pista coberta na Expocentro de Pombal, entre 3 e 4 de fevereiro.

Sobre a conciliação entre a sua formação e o sonho de ser atleta de alta competição, a alumna sublinha que “ajudou bastante toda a ajuda da universidade e dos professores, perante o meu estatuto de Estudante-Atleta”. Sobre o próximo passo? “Tenho o sonho de ir aos Jogos Olímpicos e tenciono alcançá-lo, nunca esquecendo a enfermagem, que é uma profissão que me diz muito.”

15-02-2024

Freni Tavaria: “A Microbiologia está em todo o lado e a grande maioria dos microrganismos tem um impacto muito positivo na nossa vida.”

Freni Tavaria é docente e investigadora da Escola Superior de Biotecnologia. É coordenadora da licenciatura em Microbiologia, única em Portugal. Nasceu em Moçambique e veio para Portugal aos 13 anos. Estudou na Universidade de Coimbra e nos Estados Unidos. Quando chegou ao Porto para integrar um projeto de investigação da ESB soube que era aqui que queria ficar. E assim foi. Para si, a Microbiologia é uma paixão e uma missão. Como explica, “vivemos repletos de microrganismos”. Nos tempos livres? Cozinhar!

 

Quais são as suas principais memórias de infância?

É curioso que pergunte isso, porque ainda esta noite sonhei com as praias de Moçambique. Foi em Moçambique que eu nasci. Aquelas praias do oceano Índico com a água sempre quente. Ficávamos na água a manhã toda…

 

Apesar de ter nascido em Moçambique, a sua família tem origens na Índia …

Os meus avós (tanto maternos como os paternos) eram indianos, mas acabaram por emigrar para Moçambique. Já a família do lado da minha mãe emigrou para a África do Sul. Está explicado o segredo do meu nome …

 

Freni é um nome indiano?

Não. O nome tem origem persa, porque a minha família tem ascendência persa.

 

De que forma é que estas culturas tão diferentes a influenciaram?

Em Moçambique, vivíamos numa comunidade muito heterogénea. Muitas raças e religiões. Cresci nesta diversidade. Éramos muito abertos e tínhamos a liberdade de nos darmos com toda a gente. Acho que tudo isto me deu uma grande capacidade de adaptação e de estar bem em qualquer lugar. Tenho uma facilidade grande em me sentir em casa em qualquer sítio. Muito naturalmente, faço do lugar onde estou a minha casa.

 

Quando é que vem para Portugal?

Eu tinha 13 anos quando vim para Portugal. Fomos para Sintra. Viemos para Portugal quando houve a independência. Nessa altura, os meus pais ainda chegaram a equacionar irmos para a Índia, mas culturalmente nós eramos portugueses, ainda que nunca tivéssemos estado em Portugal, nem tivéssemos família cá.

 

“É muito difícil desconectarmo-nos da Microbiologia.”

 

É bióloga de formação. Quando é que decidiu que queria estudar Biologia?

Eu era uma miúda muito curiosa. Quando chegou a altura de escolher, eu achei que não havia nada tão fascinante como estudar a Vida. Fui para a Universidade de Coimbra, onde estive dois anos, mas depois fui para o Texas, nos Estados Unidos, para continuar a licenciatura.

 

O que é que foi mais marcante nessa experiência?

Foi nos Estados Unidos que descobri a Microbiologia, o que viria a marcar a minha vida para sempre. As propinas nos EUA são elevadíssimas e, por isso, quis logo ir trabalhar. Arranjei trabalho, por mera coincidência, num laboratório de Microbiologia. Foi aí que começou a história da Microbiologia na minha vida. Foi uma paixão. Eu gostava muito do trabalho de laboratório. Quando comecei, a minha tarefa era lavar a louça e preparar os laboratórios para as aulas. Com o tempo, fui ganhando cada vez mais responsabilidades. Sentia que aquilo me dava muita autonomia e fui sendo incluída em vários projetos de investigação. Quando acabei a licenciatura, o meu orientador no laboratório propôs-me fazer mestrado naquele laboratório. E quando terminei o mestrado, recebi o mesmo convite para fazer o doutoramento, mas nessa altura já estava há demasiados anos fora de Portugal e quis regressar.

 

É quando regressa a Portugal que vem para a Católica?

Sim. Quando regressei a Portugal, lancei-me a responder a alguns anúncios do jornal. Foi nessa fase que vi um anúncio para um projeto de 15 meses sobre queijo da Serra, na Escola Superior de Biotecnologia. Depois de estar no Porto uma semana, disse à minha família que nunca mais ia voltar. Eu nunca cá tinha estado, mas sentia que já cá tinha estado. Era-me tudo muito familiar.

 

Os 15 meses transformaram-se numa vida toda…

Precisamente, nunca mais quis sair daqui. Ao fim dos 15 meses do projeto, o professor responsável pelo laboratório acabou por sugerir que eu fizesse o doutoramento e candidatei-me a uma bolsa que ganhei. O doutoramento foi feito na área da Microbiologia Alimentar e, ao mesmo tempo, também já dava aulas.

 

Nesse tempo, já existia a licenciatura em Microbiologia?

Estava nos primórdios. Cheguei à Católica em 1995 e a licenciatura surgiu em 1992. Acompanhei praticamente desde o início. Atualmente, continua, também, a ser a única licenciatura em Microbiologia no país.

 

Porque é que a Microbiologia é importante?

A Microbiologia tem esta particularidade de ser muito transversal. Abarca todas as áreas da nossa vida: alimentação, saúde, ambiente. É muito difícil desconectarmo-nos da Microbiologia, porque, no nosso dia-a-dia, a Microbiologia está em todo o lado. Não nos conseguimos libertar dela.

 

“Os estudantes de Microbiologia estão muito vocacionados para estar em laboratório.”

 

Mas fazemos sempre uma associação maioritariamente negativa relativamente aos microrganismos…

Sim, erradamente. Só cerca de 10% dos microrganismos têm impacto patogénico negativo. Todos os outros são benéficos. A grande maioria, de facto, dos microrganismos que nós usamos são bons e nós usamo-los para nosso proveito. Nós temos microrganismos a trabalhar para nós: para fazer pão, cerveja, vinho, iogurtes. São, também, os microrganismos que têm um papel fundamental na prevenção de muitas doenças. São eles que equilibram os vários ecossistemas/microbiomas.

 

Porque é que a Católica aposta nesta área? 

A Católica tem como missão gerar impacto na sociedade. Queremos ter esse impacto positivo. A Microbiologia é realmente uma área de elevado impacto. Isto justifica a aposta nesta área e a sua relevância. Com a informação e know how que há hoje e com o avanço da genética, a Microbiologia é um mundo por si só e há muito para explorar.

 

A licenciatura tem uma componente muito prática?

O curso de Microbiologia é extremamente prático. Os estudantes de Microbiologia estão muito vocacionados para estar em laboratório. Provocamos nos estudantes a constante vontade e curiosidade de estarem no laboratório a investigar, desde o primeiro ano da licenciatura. Não descobrimos a pólvora todos os dias (risos), mas todos os dias aproximamo-nos um bocadinho mais. Estimulamos os estudantes a terem esta vontade de serem uma gota – imprescindível! – no meio do oceano.

 

Que características é que são importantes para um investigador na área da Microbiologia?

Um bom investigador tem de ser curioso, meticuloso e resiliente. Não se pode deixar abater quando não há resultados, até porque a falta de resultados também é um resultado e faz parte do processo de aprendizagem.

 

E o processo de aprendizagem requer tempo …

Sem dúvida, e tempo é aquilo que, hoje em dia, temos pouco. A vida corre a um ritmo demasiado acelerado. Um professor tem de saber parar para perceber o tempo dos seus alunos. Ninguém aprende com pressa. Para se absorver e interiorizar o conhecimento é preciso tempo.

 

Qual é a melhor parte de se ser professora?

Ensinar é muito gratificante. Não há nada como ver os alunos crescer e a atingirem os seus sonhos.

 

“Quem não tem confiança no seu trabalho nunca vai conseguir persistir.”

 

Sempre quis dar aulas?

Ser professora acompanha-me desde que comecei a trabalhar no laboratório. É uma dimensão que não desligo da investigação. Aliás, contrariamente ao que se pensa, um bom investigador é um bom comunicador. Um bom investigador tem vontade de comunicar conhecimento. Para que serve um investigador que guarda para si a informação? Para nada. Desde cedo que dou aulas, porque sempre foi um prolongamento natural daquilo que faço em laboratório.

 

Enquanto investigadora, como é que gere a frustração de nem sempre atingir os resultados que queria?

Durante o meu doutoramento, estive anos a fazer a mesma coisa, sem ter resultados. A verdade é que nunca me senti abatida. Sou uma otimista por natureza, confesso. Mas até diria que a falta de resultados pode ser muito motivadora... Quanto menos resultados tenho, mais vontade tinha de os atingir e de trabalhar por eles. No fundo, eu sei que o resultado está ali. Simplesmente, ainda não cheguei lá. É aqui que entra a resiliência que falámos há pouco. A resiliência é a capacidade de continuar a trabalhar mesmo sem resultados.

 

A resiliência trabalha-se?

Claro que sim. Trabalha-se, dando confiança. Porque quem não tem confiança no seu trabalho nunca vai conseguir persistir.

 

O que é que gosta de fazer nos tempos livres?

Gosto de andar a pé na praia, gosto de fazer desporto e de estar com a família e amigos. Gosto muito de cozinhar.

 

A cozinha é um verdadeiro laboratório … Que influências tem a sua cozinha?

A cozinha é um importante laboratório da minha vida (risos). A minha cozinha é fundamentalmente portuguesa, mas também tem influências orientais e indianas. Quando estava nos Estados Unidos, fazia comida chinesa e mexicana. Gosto de variar e de criar.

 

 

15-02-2024

Expurgar Papel: Reconstruindo Narrativas do Colonialismo por Carla Filipe na Escola das Artes

Conhecida pela sua envolvente série de trabalhos intitulada "Mastigar papel mastigado, o desejo de compreender o velho continente para cuspir a sua história", iniciada em 2014 durante sua residência artística na Antuérpia, Carla Filipe apresenta, no dia 16 de fevereiro, na Sala de Exposições da Escola das Artes da Universidade Católica, a sua abordagem distinta com a exposição "Expurgar Papel". Neste novo capítulo, a artista explora as complexidades do colonialismo europeu, utilizando documentação do séc. XVII ao séc. XX adquirida em alfarrabistas e em mercados de segunda mão. Um trabalho que desafia as convenções artísticas, focando-se exclusivamente na colagem como meio expressivo. No mesmo dia, a anteceder a inauguração da exposição, vai realizar-se uma Conferência de Lilia Schwarcz sobre “Imagens da branquitude: a presença da ausência.”

A arte é uma jornada complexa e completa, uma privilegiada forma de provocar reflexão e transformar consciências, um passeio fascinante pela mente e pela história. Expurgar Papel é uma contribuição valiosa para o diálogo crítico sobre a história europeia. Através do minucioso trabalho de Carla Filipe, somos convidados a questionar, refletir e, acima de tudo, a compreender as nuances do passado que continuam a moldar o nosso presente”, indica Nuno Crespo, diretor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa.

Carla Filipe trabalha somente em torno desta documentação, sem recorrer ao desenho ou pintura, usando apenas a colagem enquanto veículo e metodologia percorrendo as linhas ténues entre o respeito e o desrespeito do documento muitas vezes considerado uma “entidade imaculada”. Em resumo, esta exposição será um corte e cose de documentos do séc. XVI até à modernidade.

Na construção destas colagens a imaginação é uma constante, a imaginação que vem na ação de combinação de ideias, manipulação de conteúdos, usando o humor, o drama, a realidade. Todos os elementos usados para as colagens são frágeis, onde tudo é informação, desde os vários tipos de papéis usados, como jornais, notas ou papel de fantasia.
Nesta singular exposição temos igualmente representada a revolução industrial, onde o papel tem outra manufatura, que distingue a sua durabilidade enquanto documento, sendo o elemento mais contemporâneo assim como, a introdução do cabelo, que também é arquivo (ADN).

A inclusão do cabelo relaciona o trabalho com o corpo, que também é um “arquivo”, fazendo ligação ao próprio título “mastigar” e “cuspir”; o acto de mastigar é também um acto de mascar, criando saliva misturada com a matéria sem engolir. É triturar toda a documentação entre os dentes, e cuspir este arquivo sem organização, sem categorias e sem preservação.
Seguindo a mesma ideia de repulsa, temos igualmente o “escarro” devido à inalação do pó desta documentação que acumula e necessitamos de expurgar (para não ficarmos contaminados: limpeza). Como se a artista quisesse adquirir todo a documentação possível e mastigar tudo para um novo início, através de uma ação de repulsa e de libertação transformando toda a matéria que é expulsa da sua boca numa espécie de cola que fica peganhenta na superfície. Tomando assim, consciência de que o arquivo é colonizador.

Esta é a primeira de quatro exposições do ciclo “Não foi Cabral: revendo silêncios e omissões”, um programa em co-curadoria entre Lilia Schwarcz e Nuno Crespo, que contempla uma agenda de concertos, conferências, exposições e performances, que vão decorrer entre 16 de fevereiro e 24 de maio. O ciclo é organizado pela Escola das Artes, em parceria com a Universidade de São Paulo (Brasil) e a Universidade de Princeton (EUA). A exposição de Carla Filipe estará patente ao público entre 16 de fevereiro e 15 de março.

15-02-2024

Católica no Porto promove evento de boas-vindas sustentável para estudantes em mobilidade internacional

English version

Com o objetivo de promover a sustentabilidade e fomentar uma receção calorosa aos estudantes em mobilidade internacional, a Universidade Católica Portuguesa no Porto organizou um evento de boas-vindas único que combinou iniciativas eco conscientes com experiências de imersão cultural. Do programa fez parte a prova de iguarias portuguesas, um passeio no rio Douro e uma visita às caves do vinho do Porto.

O evento, realizado no campus Porto da Universidade, acolheu estudantes internacionais que iniciam o seu percurso académico na instituição. O que diferenciou este evento de boas-vindas foi o seu foco na sustentabilidade, refletindo o compromisso da UCP com a gestão ambiental e a cidadania global.

Em linha com a dedicação da universidade ao intercâmbio cultural, os estudantes internacionais tiveram a oportunidade de provar iguarias portuguesas durante o cocktail de boas-vindas. Além disso, os alunos puderam conhecer um pouco mais da cidade, com um passeio no rio Douro e uma visita às caves do vinho do Porto.

Magda Ferro, head do International Office da Universidade Católica Portuguesa no Porto, manifestou o seu entusiasmo pela iniciativa, afirmando: “Estamos muito satisfeitos por receber os nossos estudantes de mobilidade internacional na UCP e no Porto de uma forma que se alinha com os nossos valores de sustentabilidade e inclusão. Ao promover um sentido de responsabilidade ambiental e valorização cultural, esperamos capacitar os nossos alunos para se tornarem cidadãos globais que contribuem positivamente para a sociedade."

Durante o segundo semestre de 2023/2024, as Faculdades da Universidade Católica no Porto acolhem mais de uma centena de estudantes de intercâmbio de cerca de 30 nacionalidades provenientes da Europa, Ásia e América do Norte e do Sul.

 

15-02-2024

Diplomados do Programa ADN Jurista dão início ao “Prémio ADN Jurista – Cavaleiro & Associados”

No âmbito do programa ADN Jurista, foram anunciados no dia 8 de fevereiro os seis alunos de Direito que irão colaborar com a Cavaleiro & Associados, em parceria com a Escola de Direito. Esta é a 7ª geração de diplomados deste programa e a 1ª edição do Prémio. O evento foi marcado pelo sorteio dos temas com os quais os alunos irão trabalhar: Direito das Empresas e Negócios, Direito Público e Energia, Private Clients & Wealth, e Direito Internacional.

Manuel Fontaine, diretor da Faculdade destacou a importância deste programa, salientando que é uma mais valia para os estudantes contactarem no seu dia a dia com profissionais de Direito, afirmando que "regressam sempre destas experiências com uma vontade acrescida de estudar, permitindo-lhes ficar com uma noção do que gostam e do que é que não gostam; o que querem fazer com o Direito".

O programa também se destaca pelo seu caráter inovador, como ressaltou João Quintela Cavaleiro, advogado da Cavaleiro & Associados: "Há um aspeto inovador neste projeto que é o de estimular os alunos a desenvolverem um projeto de investigação que, em regra, está reservado para o Mestrado. Faz todo o sentido que se inicie na licenciatura". Mencionando a diversidade e a importância da pesquisa na prática jurídica, incentivou os alunos a contribuírem para uma "organização da vida das pessoas" por meio de soluções jurídicas bem fundamentadas.

O programa ADN Jurista proporcionará aos alunos selecionados uma experiência prática onde, como é transversal no programa, se vão debater sobre problemas da comunidade em alinhamento com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, contribuindo, através da produção de artigos científicos com o departamento de investigação da mencionada Sociedade de Advogados, para as soluções para os mesmos. Para além da construção de redes profissionais, os participantes terão a oportunidade de compartilhar conhecimentos, de entender a importância da constante atualização e da necessidade de publicar artigos, contribuindo para a comunidade académica e profissional.

No final, o prémio monetário será feito com base na seleção dos melhores artigos científicos, através de um júri composto por um docente da Faculdade e um sócio da Cavaleiro & Associados, como reconhecimento do seu trabalho e contribuição para o desenvolvimento de soluções para problemas da comunidade, contribuindo para a promoção da cidadania ativa dos nossos estudantes.

Com o ADN Jurista, a Faculdade e a Cavaleiro e Associados reforçam o compromisso de promover a integração entre a academia e o mercado de trabalho, em interseção com os valores da cidadania e dos objetivos de desenvolvimento sustentável, designadamente :

  • ODS 5 – alcançar a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e raparigas;
  • ODS 8 – promover o crescimento económico inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho digno para todos;
  • ODS 10 – reduzir as desigualdades no interior dos países e entre países;
  • ODS 16 – proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis.

Estiveram presentes no evento Manuel Fontaine Campos, diretor da Faculdade, João Quintela Cavaleiro, Sofia Garriapa e Pedro Seixas Silva, advogados da Cavaleiro & Associados, Ana Martins, coordenadora executiva do programa ADN Jurista, e quatro dos seis alunos selecionados: Mafalda Cruz, Inês Ribeiro, Joana Xavier, Paula Vieira, Catarina Ferreira e Tomás Guerra.

14-02-2024

Pages