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Sabe lidar com o stress e com a ansiedade? Católica promove cursos gratuitos para os seus estudantes aprenderem

A Universidade Católica Portuguesa no Porto está a promover um programa de formação online e gratuito desenhado para intervir na população universitária e fornecer conhecimento e ferramentas que capacitem os estudantes a tomar decisões mais eficazes e saudáveis no que toca ao stress diário.

Já decorreram três edições do curso, novembro, dezembro de 2021 e outra em janeiro de 2022, onde se inscreveram cerca de 80 estudantes. A 26 de março e a 28 de maio arrancam mais edições, cada uma a durar 6 horas, num sábado, na plataforma Zoom. As sessões contam com formadores especialistas e reconhecidos nas suas áreas: Nutrição, Saúde Mental, Psicologia, Gestão de Stress e Expressão Plástica e Artística.

Este plano de formação, gratuito e aberto a todos os estudantes dos vários centros da Católica, é promovido no âmbito do projeto ACT-19, financiado pela Católica no Porto e desenvolvido por uma equipa multidisciplinar de investigadores de várias faculdades da UCP. O objetivo é perceber o impacto que a pandemia de Covid-19 e outros contextos ansiogénicos exercem na saúde dos estudantes e ensinar como minimizar ou neutralizar as consequências do stress e da incerteza promovendo em paralelo o crescimento pessoal.

A multidisciplinaridade ao serviço da saúde dos estudantes
Marta Correia, responsável pela licenciatura em Ciências da Nutrição na Escola Superior de Biotecnologia da Católica e coordenadora do projeto, explica que o objetivo último é promover «uma abordagem integrada entre a mente e o corpo».

Os testemunhos deixados pelos estudantes participantes nas edições já realizadas falam por si. Uma participante da Católica de Lisboa escreveu: «Considero que vai ao encontro de temáticas extremamente relevantes cujas implicações se têm vindo a salientar nos dias de hoje [...]. Foi uma formação que nos forneceu uma grande compreensão dos temas e contribuiu com estratégias adaptativas para lidar com o stress. É também importante destacar não só a simpatia e empatia dos formadores, como também a sua abertura a explorar os temas e o incentivo face à nossa própria expressão [...]»

Um outro participante, do Porto, comentou: «Esta formação foi enriquecedora por dar a conhecer tanto a dimensão teórica que fundamenta a gestão do stress como variadas técnicas de apoio ao equilíbrio emocional e à revalorização de si mesmo. Tive grande gosto em participar e saliento principalmente a qualidade das apresentações, a variedade dos temas abordados e o caráter muito intimista destas sessões em que todos são estimulados a participar nas reflexões. [...] Mais um vez obrigado pela iniciativa!»

As inscrições para as duas últimas edições encontram-se abertas – está definido um máximo de 40 vagas para cada formação.

24-02-2022

Universidade Católica e Serralves juntam-se para uma exposição de João Paulo Feliciano

“Ajax et plures” é o nome de uma exposição do artista João Paulo Feliciano, uma iniciativa no âmbito da adesão da Universidade Católica Portuguesa como membro fundador da Fundação de Serralves.

A exposição, que será inaugurada a 8 de março, às 19h, apresenta um conjunto de obras dos anos 1990 e 2000 pertencentes à Coleção de Serralves e uma obra inédita concebida para o campus da Universidade Católica Portuguesa no Porto. O artista intervém nas janelas do corredor da Escola das Artes, dando continuidade a uma série de trabalhos site-specific que concebeu em 2004 para os edifícios do Museu de Serralves e da Bienal de São Paulo, no Brasil.

As obras apresentadas na exposição são representativas de momentos distintos do percurso de João Paulo Feliciano. A atitude irónica e provocadora do artista, bem como a sua vontade de implicar o espetador na interpretação da sua obra, são características que se revelam transversais no diverso corpo do seu trabalho. Se os trabalhos dos anos de 1990 gravitam em torno do mundo da música rock e da realidade urbana, as obras de 2004 e 2021 demonstram um interesse pela exploração de fenómenos de perceção e permitem distinguir uma inflexão na relação com a tecnologia.

Esta iniciativa integra o Programa de Exposições Itinerantes da Coleção de Serralves que tem por objetivo tornar o acervo da Fundação acessível a públicos diversificados de todas as regiões do país.

 

A obra inédita intitulada Ajax

A par das obras pertencentes à Coleção de Serralves, a exposição irá apresentar uma obra inédita de João Paulo Feliciano encomendada pela Universidade Católica para o seu campus no Porto. O artista explora novamente as potencialidades do suporte, neste caso, da janela enquanto “interface luminoso”, que encaminha luz do exterior para o interior e vice-versa. A obra estabelece um jogo de formas e cores cambiantes, resultando numa instalação imersiva que abarca todo o espaço do corredor e transborda para o exterior.

Para João Paulo Feliciano os títulos dos seus trabalhos constituem-se enquanto “extensões linguísticas” de cada obra. Ajax evoca simultaneamente uma figura mitológica, um clube de futebol e um simples limpa-vidros, referenciando universos tão distintos quanto os que o seu corpo de trabalho tende a abarcar.

 

Obras

Artista: João Paulo Feliciano
Título: Back Home
Data: 1990
Técnicas: Metal, extintores, lâmpadas fluorescentes, vidro, espuma, telhas, folha de chumbo
Dimensões: 250 x 350 x 275 cm
Col. Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2006
Artista: João Paulo Feliciano
Título: Stage Real Fake
Data: 1990
Técnicas: Contraplacado, alcatifa, plástico, madeira, instalação eléctrica
Dimensões: Dimensões variáveis (53.5 x 335 x 236 cm (stage) site artisita)
Col. Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1996
Artista: João Paulo Feliciano
Título: Newtron
Data: 2004
Técnicas: Painel de vídeo (LED), processador, vídeo, leitor de DVD
Vídeo: DVD, cor, sem som, 13'33'' (loop)
Dimensões: 48 x 64 x 12 cm (painel de vidro)
Col. artista, em depósito na Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2004
Artista: João Paulo Feliciano
Título: Ajax
Data: 2022
Técnicas: vinil autocolante e película dicróica autocolante sobre vidro
Dimensões: 25 m x 3,8 m
Col. artista, efetuada especialmente para o campus da Universidade Católica Portuguesa no Porto.

 

Mais informação disponível: em PT e em ENG.

24-02-2022

Obra de Aurélia de Sousa em investigação na Escola das Artes

                                        
                            
                                   Excertos demonstrativos da paleta e das pinceladas de Aurélia de Sousa

Aurélia de Sousa é a protagonista do projeto da investigadora Maria Aguiar, do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR), da Escola das Artes, que tem como objetivo aprofundar questões materiais e técnicas relacionadas com a utilização de lacas, vernizes intermédios e problemas de conservação associados.
 
Chama-se “Contributos materiais e técnicos sobre a Primeira Pintora Portuguesa: Aurélia de Sousa” e viu a sua candidatura ser aceite pelo European Research Infrastructure for Heritage Science. A aprovação do projeto vai permitir o acesso ao laboratório associado HERCULES (Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda), da Universidade de Évora, para aprofundar o estudo e a investigação. 
O projeto foi proposto em parceria com a Divisão Municipal de Museus da Câmara Municipal do Porto, que detém um importante acervo desta pintora e que será alvo do estudo, em conjunto com outras obras de colecionadores privados.
 
Maria Aguiar, investigadora do CITAR e coordenadora do projeto, explica que este surgiu “no âmbito do centenário da morte da pintora Aurélia de Sousa (1866-1922)” e, também, no seguimento do seu trabalho de doutoramento sobre o “Os Materiais e a Técnica de Pintura a óleo na obra de Aurélia de Sousa e a sua relação com a conservação”. 
 
Aurélia de Sousa nasce em Valparaíso, no Chile, a 13 de junho de 1866, mas será em Portugal que se vem afirmar, país de onde era oriunda a sua família, nomeadamente do Porto. Foi nesta cidade que frequentou a Academia de Belas Artes ao lado da sua irmã, Sofia de Souza, que também se tornaria pintora. Aos 55 anos, a pintora morre a 26 de maio de 1922. 

 
Um catálogo raisonné sobre Aurélia de Sousa
 
Uma das iniciativas promovidas no âmbito do centenário da morte da pintora prende-se com a preparação do catálogo raisonné de Aurélia de Sousa, sob a coordenação de Raquel Henriques da Silva, docente e investigadora do Instituto de História da Arte, da Universidade Nova de Lisboa. A Católica é parceira do catálogo, através do projeto da investigadora do CITAR, juntamente com outros parceiros como o Museu Nacional Soares dos Reis, a Universidade do Porto, a Câmara Municipal do Porto e a Câmara Municipal de Matosinhos
 
Este catálogo, que tem o lançamento previsto em formato e-book para o fim do ano de 2022, contará com uma secção sobre a materialidade e a técnica da artista, baseada no estudo prévio do doutoramento de Maria Aguiar e no projeto de investigação em curso. 
Para além da publicação deste catálogo, esperam-se outras publicações e apresentações em congressos, por forma a divulgar os resultados do projeto da Escola das Artes. 
 
23-02-2022

Research Scholarship - Project Phy2SUDOE

17-02-2022

Alexandra Carneiro: “Temos de continuar a trabalhar na desconstrução do tabu da saúde mental”

Foi no meio da natureza que cresceu e foi através da forma como se relacionava com os seus amigos que descobriu que a Psicologia era a sua vocação. Alumni da Católica, Alexandra Carneiro é docente e investigadora da Faculdade de Educação e Psicologia (FEP), sendo, também, a atual coordenadora da Clínica Universitária de Psicologia (CUP) e membro da equipa de coordenação da Licenciatura em Psicologia. Verdadeiramente feliz na sua profissão, garante que a “vontade em saber mais” e a “humildade” são as características essenciais de um bom investigador! Nesta entrevista, fala-nos da sua infância, da sua missão profissional na FEP e da importância da saúde mental.

 

Como é que acha que se desconstrói o tabu que existe à volta da saúde mental?

Estamos no bom caminho, porque hoje em dia acho que existe um bocadinho menos esse tabu. Embora seja inegável que ainda há muito para desconstruir e para capacitar. As pessoas ainda são muito rotuladas pelo facto de terem consultas de psicologia e/ou de psiquiatria.  Julgo que se as pessoas partilhassem mais esta questão tudo se normalizava. Tratarmos da nossa saúde mental tem de ser uma coisa normal! É, por isso, importante dar-se voz a este tema que faz parte da vida de todos. Enquanto profissionais desta área, temos de continuar a trabalhar nesta desconstrução e nesta consciencialização. Importa, também, referir que os serviços de saúde são muito caros e isto acaba por ser uma enorme limitação. Há muito caminho para fazer neste sentido.

 

É a coordenadora da Clínica Universitária de Psicologia. Qual é a sua principal missão?

A Clínica Universitária de Psicologia integra um serviço de consulta psicológica: consulta psicológica individual, com crianças, jovens, adultos, online, presencial, avaliações psicológicas, entre outros. É, também, um local de recolha de dados, ou seja, um local de investigação. A sua missão é muito abrangente e muito importante. Para além do importante serviço social que presta, fornece muitos casos práticos para as aulas, através das transcrições de entrevistas ou de informações relativas à avaliação psicológica para os nossos alunos trabalharem. Nós fazemos o atendimento à comunidade em geral, à comunidade da Católica no Porto, com exceção da comunidade do curso de Psicologia. É, também, através do trabalho na CUP que damos relevância e importância às questões da saúde, que são tão essenciais e tão necessárias.

 

Quais são as características essenciais de um bom psicólogo?

Um psicólogo deve ser um bom ouvinte e um bom ouvinte não é apenas quem sabe ouvir, mas é a pessoa que está, efetivamente e inteiramente, lá para apoiar e compreender a pessoa. Outra característica importante é a empatia, no sentido de compreender o impacto que todas as questões têm na pessoa e para poder pensar na avaliação e na intervenção mais adequada. Aliado a isto é muito importante a ponderação e a sensibilidade. É importante ser-se ponderado para que se consiga compreender até onde é que a pessoa está disposta a partilhar. Às vezes, as pessoas têm um conjunto de sintomas e é algo na sua vida que está a provocar isso, embora nem sempre estejam dispostas a falar sobre o problema central, porque apenas estão preparadas para falar dos sintomas. Os psicólogos têm de perceber que as pessoas precisam do seu tempo e que, muitas vezes, precisam de explorar muito bem esses sintomas todos para que a pessoa comece a perceber que tem que ir um bocadinho mais fundo.

 

Como é que se ensina isso aos alunos?

Não é fácil. Uma das coisas que nós estamos sempre a dizer aos nossos alunos é que não é possível fazer a licenciatura em psicologia sem que se tenha contacto com os outros. A relação é essencial. Como é que se compreende o ser humano sem se conviver com ele? São, verdadeiramente, importantes as visitas de estudo, os trabalhos de grupo, o serviço comunitário. Tentamos proporcionar aos nossos estudantes contacto com os outros para que estejam expostos a situações práticas e reais. Fomentamos o relacionamento entre todos para que desenvolvam o respeito e a empatia. Para além disto, nada como o poder do exemplo. Enquanto docente, quero ser um exemplo para os meus alunos. Um exemplo de compreensão, de disponibilidade, de dedicação, de empatia, de respeito. Não podemos estar a falar com um aluno, que está a tirar dúvidas connosco, enquanto estamos sempre a olhar para o relógio. Se o fizermos, vamos estar a mostrar-lhes que não estamos verdadeiramente disponíveis. É através do bom exemplo e das nossas ações que lhes vamos dando a descobrir como é que se é um bom psicólogo.

 

Dentro da Psicologia o que é que mais gosta de investigar?

Dentro da Psicologia o que mais gosto é a área da avaliação psicológica. A avaliação psicológica permite-nos conhecer melhor as pessoas e os problemas, bem como permite, também, devolver às pessoas os resultados dessa avaliação. O estudo da avaliação psicológica começou com a minha dissertação de mestrado.  No primeiro ano, nós tínhamos que escolher um tema e eu escolhi a avaliação do temperamento em crianças dos 24 aos 30 meses. Isto está intimamente ligado com outro tema que eu estudo que é a monitorização da intervenção psicológica com crianças e jovens. Também neste tema é essencial ir-se avaliando à medida que vamos intervindo para percebermos o impacto da intervenção que está a ser levada a cabo. A avaliação ao longo do processo vai permitir conhecer os ganhos que estão a ser alcançados, ou se, entretanto, até surgiram outras questões na vida da pessoa que obrigam a uma nova ponderação e avaliação para podermos reconduzir a intervenção.  Estas duas áreas são muito próximas e tenho por elas um especial interesse.

 

Como é que definiria um bom investigador?

Um bom investigador deverá ser alguém que tenha não só curiosidade, mas vontade de saber mais. Às vezes temos curiosidade, mas acabamos por não sair do sítio.  Só com real vontade é que acabamos por fazer alguma coisa. A humildade é, também, uma característica importante de um bom investigador. Devemos ter a humildade de perceber que a nossa contribuição é sempre pequena, porque a partir dali há mais coisas que se podem fazer e descobrir. A investigação é sempre uma pequena grande contribuição na medida em que do nosso trabalho nascerão novas ideias, novos conhecimentos, novas possibilidades.

 

“Falo-lhes dos projetos em que eu participo na expectativa de os contagiar e de lhes despertar curiosidade.”

 

Como é que se contagia os alunos para a investigação?

Isso é um trabalho muito difícil, porque os alunos olham para a investigação como algo muito denso e muito complicado. O que eu faço para contornar esta ideia é partilhar nas minhas aulas dados empíricos que os façam perceber que a investigação tem aplicabilidade. Quero que os meus alunos percebam que a investigação tem, realmente, impacto na prática e é assim que eu os tento seduzir. Incentivo-os a participarem em projetos de investigação. Falo-lhes dos projetos em que eu participo na expectativa de os contagiar e de lhes despertar curiosidade. 

 

Quando é que surgiu o interesse pela Psicologia na sua vida?

O interesse pela Psicologia surgiu mais ou menos entre o 9º e o 10º ano. Eu tinha um gosto especial por ajudar as pessoas à minha volta e por ouvi-las. Na altura, apercebi-me de que os meus amigos me procuravam muito para falarem comigo. Foi isto que me fez pensar: porque não Psicologia? Eu era muito boa ouvinte e isso é uma característica importante dos psicólogos. Na escola onde eu andei havia uma equipa de três psicólogas. Ninguém gostava de ir sozinho ao psicólogo, éramos adolescentes, não é? Muitas vezes quando os adolescentes vão à procura de ajuda não querem ir sozinhos e eu recordo-me de ter sido o apoio de duas ou três amigas que quiseram falar com a psicóloga. Numa das situações, até me foi pedido para entrar para a sala onde estavam a conversar porque a minha amiga me tinha referenciado por eu gostar muito de ajudar os outros.

 

“Vim para o Porto no primeiro ano da faculdade e fiz parte do primeiro ano de Psicologia na Católica!”

 

Acha que essa sua capacidade de ser uma boa ouvinte veio de onde?

Nós somos três irmãs, eu sou a mais nova, e ainda fazemos uma diferença bastante grande. Isto fez com que eu acabasse por crescer num mundo de adultos. As pessoas que me rodeavam eram todas mais velhas. Isto acabou por me influenciar bastante. Cresci num ambiente onde as conversas eram mais sérias e onde havia sempre pessoas a partilharem histórias que eu adorava ouvir.

 

Para além disso, em criança brincou muito ao ar livre …

Nasci em Santo Tirso, depois os primeiros três anos da minha vida foram passados em Guimarães e depois mudamo-nos para uma freguesia que fica entre Guimarães e Santo Tirso. Acabei por crescer nesta freguesia que é muito rural e que tem um ambiente pequeno e fechado, mas a experiência foi muito boa. Brincava com os animais, cuidava dos animais, fazia bolinhos de terra e andava pelo meio da horta. Os meus pais tinham uma empresa têxtil e por isso, também, acabei por passar muito tempo por lá. Foi uma infância muito livre, com muito espaço para brincar ao ar livre.

 

Quando é que vem para o Porto?

Quando termino o 12º soube que queria uma mudança na minha vida e essa mudança passava por sair de casa e por conhecer pessoas novas.  Durante o 12º ano, lembro-me, perfeitamente, que estava a ter aula de latim e a minha professora de filosofia bateu à porta para me avisar que ia abrir Psicologia na Católica no Porto. Vim para o Porto no primeiro ano da faculdade e fiz parte do primeiro ano de Psicologia na Católica!

 

“O serviço comunitário ajuda os nossos estudantes a perceberem que um psicólogo não trabalha apenas dentro de um gabinete, um psicólogo vai para o meio das pessoas, um psicólogo vai ouvir as pessoas, um psicólogo quer relacionar-se.”

 

Quais eram as suas expectativas?

Em primeiro lugar, eu tinha a certeza de que estava a estudar uma área que, realmente, queria. O entusiasmo era muito. Gostei muito do primeiro ano e lembro-me que tive logo ideias de querer trabalhar na área da justiça e do comportamento desviante. Na altura, a investigação nem me passava pela cabeça! No segundo ano, os professores começaram a convidar-nos para alguns projetos de investigação e foi aí que começou o meu interesse. O meu gosto pela investigação residia na possibilidade não só de aprender, como, também, de contribuir para que alguém pudesse aprender.

 

Em que é que considera que estudar Psicologia na Católica é diferente de estudar noutras universidade?

Atualmente sou docente, mas, também, já fui aluna e por isso posso afirmar que desde o início da licenciatura na Católica a essência não mudou. A proximidade entre os professores e os alunos é muito grande. Há uma grande disponibilidade da parte dos professores em ajudarem os alunos e em esclarecerem as suas dúvidas. Esta proximidade e esta disponibilidade que são nossas características não podem ser confundidas com falta de exigência, porque a exigência também nos caracteriza e nos define. É através da exigência e do rigor que motivamos os nossos estudantes a quererem ser sempre melhores. O serviço comunitário é algo que, também, nos distingue. Através do serviço comunitário, os nossos estudantes colocam-se ao serviço dos outros, aprendem a ser socialmente responsáveis e, muitas vezes, acabam por atuar em áreas onde um psicólogo pode vir a trabalhar no futuro. O serviço comunitário ajuda os nossos estudantes a perceberem que um psicólogo não trabalha apenas dentro de um gabinete, um psicólogo vai para o meio das pessoas, um psicólogo vai ouvir as pessoas, um psicólogo quer relacionar-se.

 

“Como é que se compreende o ser humano sem se conviver com ele? São, verdadeiramente, importantes as visitas de estudo, os trabalhos de grupo, o serviço comunitário.”

 

Quais são os seus desejos para os próximos tempos?

Desejo que a nossa vida se aproxime um bocadinho mais daquilo que era, que este ano nos traga mais oportunidades de encontro entre todos. Desejo, também, ter novos desafios de investigação e de ser capaz de continuar a contribuir para a formação dos meus alunos, que serão os meus futuros colegas. Para além disto, gostava imenso de fazer uma viagem. Já não faço há muito tempo e confesso que tenho muitas saudades. No fundo, todos queremos um bocadinho mais de liberdade, não é?

 

17-02-2022

Católica Porto Business School leciona módulo de formação em programa internacional na área da Liderança e Sustentabilidade

São sete diferentes módulos de aprendizagem, cada um conduzido por uma universidade internacional de referência, com um objetivo comum: desenvolver uma nova geração de líderes com alto sentido de responsabilidade global.

Tal como o nome indica, o curso ‘Globally Responsible Leadership for Sustainable Transformation’ consiste numa iniciativa global e colaborativa de alto impacto, que pretende catalisar o desenvolvimento de lideranças e práticas organizativas globalmente responsáveis.

Disponibilizando sete diferentes módulos, cada um assegurado por uma de sete universidades de referência internacional que integram a Globally Responsible Leadership Initiative (GRLI), o curso é totalmente lecionado online e possui um cariz verdadeiramente global dirigindo-se, por isso, a candidatos de todo o mundo.

Antwerp Management School (AMS), Loyola Marymount University (California), Colorado State University, University of Limerick, Sasin School of Management (Tailândia), Católica Porto Business School e LeaderShape Global (Oxfordshire) são então as entidades de ensino envolvidas na iniciativa, com lecionação do seu módulo distribuída entre março e maio de 2022. O pontapé de saída acontece já no próximo dia 9 de março, liderado pela AMS e a Católica Porto Business School apresentará o seu módulo no dia 27 de abril, liderado pela docente Raquel Campos Franco e intitulado “Cross–sector Partnerships for Impact” (Parcerias Setoriais para a criação de Impacto).

Rui Soucasaux Sousa, Dean da Católica Porto Business School, reforça a importância da participação da Escola na iniciativa: “Este curso reflete de forma virtuosa vários dos eixos estratégicos que orientarão a Escola nos próximos anos: educação global com parceiros reputados, inovação pedagógica com capitalização de tecnologia, impacto global e reforço da reputação da Escola nas áreas da Ética, Responsabilidade Social e Sustentabilidade”.

Para concluir o curso, o candidato terá de se registar em pelo menos quatro dos sete módulos lecionados. 

Mais informações sobre o curso ou inscrições disponíveis aqui

17-02-2022

Projeto de investigação permite detetar doença de Alzheimer numa fase precoce

Um projeto de investigação liderado pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto, no domínio da Inteligência Artificial, pode revolucionar o diagnóstico da doença de Alzheimer, mesmo quando ainda não existem sintomas. Desenvolvido em colaboração com o Hospital de São João, no Porto, as faculdades de Medicina e de Engenharia da Universidade do Porto e o Instituto Politécnico de Bragança, este projeto surge num contexto em que a OMS estima que existam 35,6 milhões de pessoas com doença de Alzheimer (DA) no mundo, sendo que o número tende a duplicar até 2030 e a triplicar até 2050.

A tecnologia Neuro SDR foi testada em 38 pacientes do serviço de Neurologia do Hospital de São João, no Porto. Pedro Miguel Rodrigues, investigador do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia (CBQF/ESB/UCP) da Católica no Porto, explica “criamos um algoritmo que utiliza como fonte de informação 19 elétrodos que captam tensões elétricas que, num adulto, variam entre 30 e 50 milivolts, num espaço temporal de 30 e 45 minutos.” Os elétrodos estão numa touca que é colocada pelo médico ao utente. Essa touca está ligada a uma interface que pode ser acedida através de computador, que capta a informação e no espaço de cerca de 5 segundos a torna visível no ecrã.

Pedro Miguel Rodrigues refere que “um diagnóstico precoce abre portas para melhores resultados ao nível das terapias, mas também constitui um poderoso auxiliar em questões relacionadas com a salvaguarda da integridade pessoal e financeira dos portadores de Alzheimer, assim como em assuntos relacionados com profissões de risco e cartas de condução, por exemplo.

Este projeto conta com mais de seis anos de desenvolvimento, permitindo contornar a difícil deteção desta patologia, aperfeiçoar algoritmos e desvendar o desenvolvimento da doença em diagnósticos primeiramente inconclusivos. “A solução criada incorpora um algoritmo de inteligência artificial com uma capacidade de precisão de diagnóstico a rondar os 98% para casos assintomáticos e/ou precoces da doença. E, por conseguinte, estamos numa fase em que precisamos de parceiros para conseguirmos que o protótipo saia do laboratório e possa ser disponibilizado em larga escala,” conclui Pedro Miguel Rodrigues.

Alguns dos resultados deste projeto podem ser consultados “Lacsogram: A New EEG Tool to Diagnose: Alzheimer’s Disease”, publicado recentemente na revista IEEE Journal of Biomedical and Health Informatics.

10-02-2022

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