X

Novidades

Agostinho Guedes: “Prolongar a Universidade para a vida toda”

Agostinho Guedes é docente e investigador da Escola do Porto da Faculdade de Direito da Católica. Foi aqui que se licenciou e que descobriu que aquilo que mais gostava de fazer era ensinar. Verdadeiramente apaixonado pela vida universitária, garante que a Faculdade de Direito “é aquela escola que mais investe na formação dos seus alunos”.  Mas não é só numa sala de aula que se sente feliz, mas, também, nas alturas, lá bem perto do céu. Praticante de montanhismo e alpinismo, tem a ambição de subir ao vulcão mais alto de cada continente, tendo já alguns vistos nessa lista.

 

O que é que mais gosta no Direito?

Quando se gosta de qualquer coisa, gosta-se simplesmente, não é? Desde que me lembro que sempre gostei muito de debater e discutir ideias, sempre fui muito argumentativo. Para além disto, o Direito tenta resolver um problema básico de qualquer comunidade. Como é que conseguimos viver em conjunto, sem nos matarmos uns aos outros? Como é que conseguimos interagir pacificamente e colaborarmos uns com os outros para melhorarmos a sociedade e as condições de vida? Fascina-me a possibilidade que um jurista tem em saber identificar conflitos e saber dar passos para os resolver ou até para os prevenir.

 

Como é que surge o Direito na sua vida?

A uma determinada altura, eu tive de escolher uma área para os dois anos seguintes do liceu. Direito era a área que incluía as disciplinas de História, Filosofia, Português, Introdução à Política e permitia que as opcionais fossem línguas. Foi por isso que escolhi Direito no liceu. Não foi resultado de uma revelação extraordinária, mas apenas porque no liceu era a área que reunia as disciplinas que eu mais gostava. Comecei a perceber que estava no lugar certo quando tive introdução à política e quando comecei a ter filosofia a sério. Mas, verdadeiramente, só tive noção do que era o curso de Direito quando ingressei no Ensino Superior, aqui na Católica no Porto.

 

“Fascina-me este valor acrescentado que um jurista tem em saber identificar conflitos e em saber dar passos para os resolver ou até para os prevenir.”

 

O que é que marcou a sua infância?

Marcou-me o meu primeiro dia de escola. Foi a minha mãe que me levou e lembro-me de subir uma escadaria que na altura me pareceu interminável e de pensar que ia para um lugar que devia ser próximo do inferno (risos). Passados muitos anos voltei à escola para um almoço de antigos alunos e a escadaria não passava de meia dúzia de degraus. Tenho, também, presente muitas das brincadeiras com os meus amigos. Recordo-me de fugirmos da polícia por nenhuma razão especial, simplesmente naquela altura fugia-se da polícia mesmo sem se ser culpado de nada. Enfim, talvez eu não tenha sido uma criança muito fácil, até porque me lembro de, um dia, a minha mãe me ter posto de castigo e eu ter acabado por sair pela janela e só ter regressado à hora do jantar. Depois deste episódio, evidentemente, que me esperou uma conversa a sós com o meu pai. Lembro-me, também, de os meus pais me terem comprado uma pasta nova para levar para a escola e eu utilizá-la para escorregar por um talude de terra a baixo. Divertia-me muito …

 

Gostava da escola?

Nem por isso … Achava que era um ambiente pesado e muito rigoroso. Eu nasci em 1961 e, por isso, estamos a falar de tempos antes do 25 de abril. Quando fui para a escola preparatória, as coisas acabaram por melhorar um bocadinho, até porque depois as turmas passaram a ser mistas e, embora eu tivesse 11 anos, era um incentivo especial ter raparigas na turma (risos). Fui um aluno razoável e as disciplinas que não gostava especialmente eram as ligadas às tecnologias e às ciências da natureza. Recordo-me que gostei de Canto Coral e, também, gostei de Moral e Religião, porque não se falava de moral, nem de religião, mas sim de todas as coisas que queríamos falar e que não podíamos com os outros professores. Eu gostava muito dos meus professores e, agora, vendo à distância, acho que eles tinham uma paciência inesgotável para nos aturar!

 

“A sensação de liberdade era indescritível e a consciência política do que estava por trás disto só veio depois.”

 

Tem memórias muito presentes dos tempos do 25 de abril …

Sim, eu tinha treze anos quando se deu o 25 de abril e foi uma mudança brutalmente disruptiva … Passamos de um ambiente rígido para a rebaldaria geral. Lembro-me que no dia 25, os meus pais não me deixaram sair de casa, mas no dia seguinte, fui ao liceu ver como é que estava tudo e numa rua à direita estava um soldado com uma G3 na mão que estava a explicar aos transeuntes como é que funcionava uma espingarda e eu, também, fui ouvir a lição. Lembro-me que nos tempos que se seguiram havia a sensação de que tudo era permitido. Nós entravámos e saíamos da sala de aula pela janela, subíamos pela calha até ao segundo andar. Lembro-me que o reitor do liceu tinha um laranjal e os alunos iam para lá comer as laranjas do reitor até ficarem doentes. Havia alguns que comiam dois a três quilos de laranja de uma vez. Escusado será dizer que com este ambiente, as minhas notas caíram verticalmente! A sensação de liberdade era indescritível e a consciência política do que estava por trás disto só veio depois, quando já toda a sociedade passa a estar muitíssimo politizada.

 

O que é que o fez querer ser professor?

Há um livro de Machado de Assis onde diz a certa altura que gostava de prolongar a Universidade para a vida toda. Acho que foi isto que aconteceu comigo! Eu gostava das aulas, mas gostava particularmente do ambiente académico. Fiz parte da direção da Associação de Estudantes, trabalhei na organização da Queima das Fitas, participava nos jogos de futebol e voleibol. Nesse tempo, não havia internet e, por isso, passávamos muito tempo juntos, o convívio entre todos era imenso. Mal o tempo começava a melhorar, lá íamos nós até à praia durante as horas de almoço ou então durante aquelas aulas que eram menos interessantes (risos). Paralelamente, percebi no início que tinha jeito para o Direito, por isso, sentia que as matérias nem me eram assim tão difíceis. Como corria bem, acabava por ajudar outros colegas. Com o tempo acabei por dar por mim a explicar a matéria com regularidade e a perceber que era a melhor forma de estudo.

 

“Esta é aquela escola que mais investe na formação dos seus alunos!”

 

Como é que define um bom professor?

Um excelente professor é um professor que faz com que os alunos se apaixonem pelo conhecimento, é aquele que, além de transmitir conhecimento, é capaz de dotar os seus alunos de ferramentas para que eles possam criar o seu próprio conhecimento.

 

De que forma é que a Faculdade de Direito da Católica se distingue das demais Escolas de Direito?

Esta é aquela escola que mais investe na formação dos seus alunos! Nós somos uma escola que de facto faz com que o potencial dos seus alunos seja levado até ao limite. Creio que o principal motivo para isso acontecer reside no facto de a maior parte do corpo docente ser composto por pessoas que estudaram cá e, portanto, sabem exatamente o que é que gostaram de ter e o que é que não gostaram quando andavam aqui. Para além disto, a grande maioria dos professores não se limita a dar aulas para garantir o seu emprego, mas trabalha de forma dedicada e apaixonada. É, por isso, que somos capazes de atrair os melhores alunos e é isso que faz de nós uma universidade de primeira linha.

 

“Se não houver reflexão acerca dos vários assuntos, corremos o risco de andar atrás das circunstâncias ou a legislar em função delas.”

 

Quais são, atualmente, os grandes desafios do Direito?

Toda a gente diz que vai ser a questão da inteligência artificial, mas eu tenho as minhas dúvidas, tal como, também, tive as minhas dúvidas quando foi o aparecimento da internet e, como se sabe, toda a gente de adaptou rapidamente. Acho que a inteligência artificial vai trazer a simplificação de algumas tarefas. Aquilo que é mais repetitivo poderá ser muito bem feito por uma máquina e disto vai resultar uma maior disponibilidade de tempo para realizar coisas mais criativas e isso vai ser positivo! Aquilo que receio verdadeiramente e que é um desafio grande é a forma como tudo, atualmente, é mais superficial, tanto na área do Direito, como em tudo o resto. Se não houver reflexão e pensamento acerca dos vários assuntos, corremos o risco de andar atrás das circunstâncias ou a legislar em função delas. Sem reflexão e sem ponderação, e isso requer tempo, acaba por se adotar soluções inconvenientes e injustas. Assusta-me vivermos neste ambiente da espuma dos dias. Estamos demasiado focados naquilo que acontece à superfície e não aprofundamos as questões…

 

“É isto que me move, é ter coisas para fazer e como vê não me faltam coisas para fazer nos próximos 60 anos.”

 

Como é que ocupa os seus tempos livres?

Fiz 60 anos há pouco tempo e costumo dizer que tenho planos para os próximos 60 anos e, por isso, precisava de poder viver até aos 120. Uma das coisas que me faz gastar mais dinheiro e tempo é o contacto com a natureza: faço montanhismo e alpinismo. Já participei em expedições em quatro continentes. Antes da pandemia fui à Tanzânia, subi o Kilimanjaro que tem uma altitude de 6000 metros. Adoro fazer caminhadas na montanha e faço isso com muita regularidade. Para o fazer tenho de me manter bem fisicamente, não é? Treino cinco a seis dias por semana. Gosto, também, muito de música. Cheguei a compor e gosto muito de ler. A minha mulher diz que eu não leio, diz que finjo que leio (risos). Chego a ler livros de 400 ou 500 páginas em dois ou três dias na praia, enquanto oiço música.

 

Que planos tem para o futuro?

Uma coisa que está nos meus planos é subir aos sete vulcões mais altos dos 7 continentes. Já subi dois: já subi o vulcão mais alto da Europa, que é também a montanha mais alta da Europa, que é o Elbrus na Rússia; já fui ao Kilimanjaro, em África; estou a planear ir ao Irão para subir o Damavand. Na pandemia tinha bilhetes para o México, para subir o Orizaba, mas acabou por ficar cancelado. Na América do Sul conto ainda subir aquele que é o mais alto de todos, tem quase 7 mil metros, que é o Ojos del Salado no Chile. E, também, espero subir a umas montanhazinhas de vez em quando. É isto que me move, é ter coisas para fazer e como vê não me faltam coisas para fazer para os próximos 60 anos (risos).

 

06-04-2022

Estudantes da Católica participam em formação de um projeto de voluntariado universitário europeu

10 estudantes de 3 campi da Universidade Católica Portuguesa – Porto, Braga e Lisboa – participaram, em Madrid, de 25 a 27 de março, numa formação do projeto Fly 2022, um programa de voluntariado universitário europeu que promove experiências de intercâmbio e aprendizagem no terreno.

O programa visa reforçar o compromisso das universidades parceiras com o desenvolvimento sustentável e contribuir para a sensibilização das comunidades universitárias para os problemas decorrentes da desigualdade e da injustiça.

Rita Reis, estudante do Mestrado em Direito Fiscal da Escola do Porto da Faculdade de Direito e participante do programa FLY, afirma que a formação é muito importante porque “permite aprender a gerir da melhor maneira conflitos, a escutar as ideias dos outros, assim como expor ideias e, sobretudo, a “colocar-nos nos sapatos do outro”. A estudante afirma, também, que através da experiência os participantes tiveram oportunidade de participar em “dinâmicas interessantes, divertidas e com oradores de excelência que deram excelentes perspetivas sobre como encarar a realidade na sociedade em que vivemos.”

“Este fim-de-semana serviu não só para ter um insight mais profundo daquela que vai ser a grande aventura da minha vida até agora, como também para conhecer tantas pessoas com contextos diferentes dos meus, mas que têm exatamente o mesmo propósito: ajudar os outros sem receber nada em troca.”, refere Beatriz Costa, estudante da licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos, em Lisboa.

O projeto FLY é coordenado pelas Universidades Jesuítas de Espanha: Comillas (Madrid), Deusto (Bilbao) e ESADE (Barcelona), ao qual se juntaram as Universidades Loyola (Andaluzia), LUMSA (Roma, Itália), Mateja Bela (Banská Bystrica, Eslováquia) e a Católica Portuguesa. Cada universidade envolvida apresentou projetos de voluntariado e/ou de aprendizagem-serviço no país de origem, com a possibilidade de receber estudantes de outras universidades parceiras.

 

05-04-2022

Escola das Artes e Fundação Calouste Gulbenkian lançam Formação Avançada em Realização de Cinema e Televisão





A Escola das Artes e a Fundação Calouste Gulbenkian organizam um Curso de Formação Avançada em Realização em Cinema e Televisão a realizar-se entre os meses de setembro e dezembro no Porto. Combinando perfis e processos do cinema contemporâneo e do showrunning televisivo, o curso permitirá desenvolver um projeto original entre as duas áreas. Ao longo de 15 semanas, os alunos serão acompanhados por realizadores e profissionais de renome internacional (mais informações sobre os formadores aqui), em contexto de residência artística.

Lecionado em português e inglês, o curso é gratuito e oferece um programa de criação artística direcionado para oito profissionais ou artistas em início de carreira. O projeto final a realizar pelos participantes será uma curta-metragem ou um episódio-piloto de uma série televisiva com transmissão prevista na RTP2.
 
A residência artística funcionará em regime de tempo integral, ao longo de 13 semanas distribuídas entre 15 de setembro e 16 de dezembro de 2022 (pré-produção e rodagem), acrescidas de duas semanas a definir entre janeiro e fevereiro de 2023 (para montagem e pós-produção).
 
Podem candidatar-se artistas e profissionais portuguese(a)s ou estrangeiro(a)s residentes que trabalham em território nacional, que apresentem uma primeira ideia ou abordagem conceptual para o projeto a realizar – nota de intenções, sinopse estendida ou memória descritiva –, ainda que esta possa ser modificada ou melhorada ao longo do curso.
 
As candidaturas estão abertas a partir de 4 de abril, até às 17:00 do dia 9 de maio de 2022.
 
 

Parceria
04-04-2022

Sandra Martins Pereira copreside à Comissão Científica do 18º Congresso Mundial da Associação Europeia de Cuidados Paliativos

Sandra Martins Pereira, investigadora principal FCT no CEGE, Católica Porto Business School, e diretora do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, copreside à Comissão Científica do 18º Congresso Mundial da Associação Europeia de Cuidados Paliativos que se realizará em Roterdão nos dias 15 a 17 de junho de 2023. 

 


 

Sandra Martins Pereira co-chairs the Scientific Committee of the 18th World Congress of the European Association for Palliative Care 

Sandra Martins Pereira, FCT Principal Investigator at CEGE, Católica Porto Business School, and Director of the Institute of Bioethics, Universidade Católica Portuguesa, is co-chair of the Scientific Committee of the 18th World Congress of the European Association for Palliative Care (EAPC) that will take place in Rotterdam, from June 15 to 17, 2023. 

Under the theme “Equity and Diversity in Palliative Care”, the 18th World Congress of the EAPC will draw attention to the utmost need and goal of creating equity of fair access, opportunity, and advancement in palliative care for all people in need of this care. Promoting equity and taking diversity into account is not only the theme of the 18th World Congress of the EAPC but is also at the heart of palliative care practice, organisation, research, education, advocacy and policy.

04-04-2022

Já Disponível · EA DASHED CONCERTS #4 · João Pais Filipe e Jorge Queijo

 

EA DASHED CONCERTS #4 · João Pais Filipe e Jorge Queijo

Os EA DASHED CONCERTS são momentos concentrados de máxima potência sonora. Estes concertos, promovidos e organizados pela Escola das Artes, com a duração de 15-20 minutos, serão o local onde todos os meses músicos e bandas convidadas de diferentes origens geográficas e artísticas irão apresentar o seu trabalho. Nesta quarta sessão recebemos João Pais Filipe e Jorge Queijo. As gravações dos concertos e performances ficarão disponíveis no canal de YouTube da Escola das Artes.

Na quarta iteração do programa Dashed Concerts, a Escola das Artes — UCP apresenta a primeira colaboração ao vivo dos percussionistas João Pais Filipe e Jorge Queijo. Ambos criadores de um corpo de trabalho idiossincrático no que diz respeito aos seus modos de investigação e construção sonoplástica, os percursos dos dois multi-intrumentalistas partilha uma visão alargada e continuamente expansiva no que diz respeito às possibilidades materiais e rítmicas da percussão. Confluem nesse prisma a construção autoral de instrumentos, a manipulação de objetos incomuns e a preferência por tempos obscuros.

 
 
NOTAS BIOGRÁFICAS
João Pais Filipe é baterista, percussionista e escultor sonoro nascido no Porto nos anos 80. Sua trajetória como músico é marcada pela colisão com uma ampla gama de estilos e linguagens. A sua música surge da construção de gongos, címbalos e outros instrumentos metálicos de percussão, a partir dos quais explora as dimensões escultóricas e as propriedades acústicas do instrumento. Como artista solo, persegue uma exploração das tensões que podem ser criadas entre o mecânico e o orgânico, a repetição e o loop, a pista de dança e o mantra.
 
Jorge Queijo é multi-instrumentista, improvisador, compositor e produtor. Estudou percussão clássica e é licenciado em Jazz pela ESMAE e mestre em Music Leadership pela Guildhall School of Music and Drama. Seus encontros musicais desenvolveram seu gosto por composições contemporâneas, rock, thrash metal, jazz, free jazz, improvisação, minimalismo, música gamelan e formas de música drone profunda. Sua produção inclui encomendas musicais para dança, teatro e exposições, além de seus discos solo e instalações sonoras.
 

 

01-04-2022

ALUMNI da Católica estão Mobilizados para ajudar a Integrar Refugiados da Ucrânia

A Reitora da Universidade Católica Portuguesa apela a todos os ALUMNI que se envolvam nesta iniciativa.

No Porto, as Associações Alumni da Escola do Porto da Faculdade de Direito, da Escola Superior de Biotecnologia e da Faculdade de Educação e Psicologia aderem com entusiasmo a esta interpelação da Senhora Reitora.

Todos os Alumni são convidados a participar!

 

Neste momento estamos todos com a Ucrânia, com o povo ucraniano e com os milhares, já milhões, de pessoas refugiadas. Portugal irá receber muitas e deverá recebê-las bem. Para além de alojamento condigno – que já está a ser tratado por diversas organizações – será necessário disponibilizar condições de vida e de sobrevivência.

Sabemos que muita desta população é altamente qualificada e Portugal precisa de mão-de-obra bem preparada.

Querendo juntar os dois lados, a Universidade Católica Portuguesa, através da Alumni Association Católica-Lisbon (AACL), propõe a construção de uma base de dados, a nível nacional, para poder vir a dar trabalho a quem for chegando ao nosso país.

Para tal, contamos consigo! Basta preencher e/ou reencaminhar o questionário que está disponível através deste link.

Os seus dados não serão cedidos individualmente e serão contactados de forma institucional, através da AACL ou do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS).

Muito obrigada por colaborar!

Isabel Capeloa Gil
Reitora

31-03-2022

Daniel Ribas: “As obras de arte têm a capacidade de nos confrontar com o mundo.”

Daniel Ribas é docente e investigador da Escola das Artes. Foi nesta mesma Escola que começou o seu percurso universitário, onde integrou a primeira turma da licenciatura em Som e Imagem (1997-2002). Coordenador do Mestrado e da Licenciatura em Cinema, dedica-se ao estudo e à investigação do cinema português, que caracteriza como sendo “ambicioso” e “entusiasmante”. Verdadeiramente apaixonado por livros e filmes, confessa que o que o move é a “infindável capacidade de poder saber e conhecer coisas novas.” Nesta entrevista, Daniel Ribas fala-nos sobre o seu primeiro sonho de ser jornalista, sobre algumas das suas referências, sobre o quão diferenciador é estudar na Escola das Artes e ainda partilha a sugestão de dois imperdíveis filmes.

 

O que é que mais gostava de fazer durante a sua infância e adolescência?

Eu era um miúdo fanático por futebol e, por isso, jogava horas a fio e eram tardes sempre muito felizes! Um bocadinho mais velho, comecei a ter um gosto especial pela imprensa e fazia pequenos jornais em casa, fazia relatos de futebol para a rádio e punha-me a escrever. Na adolescência, ocupava grande parte do meu tempo a ler jornais.

 

Na altura, havia alguma pessoa que fosse uma referência para si?

Eu adorava ler um intelectual que escreveu muitos anos no Público que era o Eduardo Prado Coelho. Para mim, é uma grande referência porque escrevia sobre tudo, de temas mais sofisticados, à telenovela e ao futebol. Também nesta área da escrita, o meu avô é uma referência para mim. Nunca o cheguei a conhecer, chamava-se Manuel Ribas e era jornalista. Eu tinha um fascínio muito grande em ver fotografias dele no jornal. Apesar de eu não ser Ribas de último nome, optei por usá-lo porque era o nome do meu avô. Quis manter esta ligação pelo gosto da escrita que partilhamos…

 

Também pensou em ser jornalista …

Sim, o lado da escrita, da leitura e da literatura fizeram-me sonhar com a profissão de jornalista. Na altura, os dois melhores cursos nesta área eram em Lisboa e em Coimbra. Acabei por entrar em Braga e não fiquei muito satisfeito com esta possibilidade e soube que estava a abrir o curso de Som e Imagem na Católica no Porto e no plano de estudos havia a oportunidade de fazer uma especialização em escrita de argumento. Como eu já tinha um interesse imenso pelo cinema, a possibilidade deste curso fez todo o sentido para mim. Nele conseguia aliar o cinema ao meu gosto pela escrita.

 

“As obras de arte têm a capacidade de nos confrontar com o mundo.”

 

Que memórias tem dos seus anos de licenciatura na Escola das Artes?

Havia um espírito muito grande de novidade porque era o primeiro ano do curso. Tudo estava a acontecer pela primeira vez! Uma das coisas que mais me marcou foi o termos tido muitos professores americanos que vinham para cá e com quem aprendíamos imenso. Ensinavam-nos a olhar para o cinema de uma forma mais profunda e mais teórica e, talvez, tenha sido isso que acabou por influenciar o meu percurso. Na altura, com um dos professores (o Van Watson), aconteceu uma coisa que eu achava impossível que foi termos uma cadeira onde passamos o semestre inteiro a ver filmes do Alfred Hitchcock e a falar sobre eles.

 

Começou com um grande interesse pela literatura e o cinema aparece depois. Como é que surge este interesse na sua vida?

Quando chego ao secundário, na Escola Carolina Michaelis, no Porto, encontro-me com pessoas com gostos diferentes dos meus que acabaram por me influenciar. Nessa altura, o Porto era uma cidade com muitos cinemas de bairro e eu comecei a frequentar esses lugares. Comecei a ver muito cinema e a ver coisas diferentes daquelas que davam na televisão.

 

“Aqui encontramos alunos, verdadeiramente, apaixonados pelo seu trabalho.”

 

Ora quando lê um livro, ora quando assiste a um filme: o que é que procura?

Procuro algo novo. Procuro algum elemento que de alguma forma me possa emocionar e esse elemento pode ser uma história, pode ser a maneira como a história está contada, pode ser a maneira como as personagens estão construídas ou até um lugar especial. Tudo isto acontece ou num filme ou num livro. As obras de arte têm a capacidade de nos confrontar com o mundo e de nos desafiar a ver o mundo de uma maneira diferente.

 

Que ambiente é que se vive na Escola das Artes?

A Escola das Artes tem um ambiente bastante relaxado e descontraído, aliado a uma grande paixão por aquilo que se faz. Isso é essencial. Aqui encontramos alunos, verdadeiramente, apaixonados pelo seu trabalho e isso significa que as suas obras artísticas são também resultado da sua intimidade. A relação e o ambiente que se vive cá dentro proporciona uma proximidade e uma partilha muito grande entre os professores e os alunos. Aprendem-se e discutem-se as práticas artísticas e existe uma agenda cultural muito intensa. O ambiente é de constante curiosidade e vontade de saber mais.

 

“Estudar Cinema na Escola das Artes faz-nos entender o cinema de uma forma muito mais abrangente e ampla.”

 

Será que as pessoas têm, hoje em dia, mais acesso a uma vasta cultura cinematográfica?

Diria que não, porque apesar de haver uma oferta grande de serviços de streaming, o mercado está organizado de maneira a que se concentre muito em determinado tipo de filmes. Mesmo nas plataformas de streaming, e apesar da variedade do material que disponibilizam, a verdade é que a maneira como navegamos nos serviços nos leva sempre para o mesmo tipo de cinema. Há, também, uma barreira enorme com a língua e, confesso, que nunca percebi muito bem o porquê de isso existir. Existe a ideia de que os filmes que são em inglês é que são bons… claro que isto faz com que as pessoas acabem por não ver filmes noutras línguas e a sua cultura cinematográfica sai, consideravelmente, afetada.

 

É coordenador do Mestrado em Cinema. O que é que se faz de diferente na Escola das Artes?

Quando criamos o mestrado em cinema tivemos, inevitavelmente, de ter em conta o universo das escolas de cinema que já existem. Foi a partir daí que começámos a desenhar um programa diferenciador. Aquilo que, essencialmente, nos distingue é o facto de colocarmos o cinema num campo mais artístico e experimental e isso significa que o nosso curso tanto pode dar origem a obras para uma sala de cinema clássica, como para uma sala de exposições. Estudar cinema na Escola das Artes faz-nos entender o cinema de uma forma muito mais abrangente e ampla. Queremos que dentro do cinema haja um campo variado de possibilidades. A forma como ensinamos, também, é diferenciadora, porque tem por base o desenvolvimento de projetos. No caso concreto do mestrado, os estudantes, para além das unidades curriculares que frequentam durante o 1º ano, estão durante dois anos a trabalhar num projeto. Os alunos, durante este tempo, são desafiados a experimentar e a pesquisar formas de fazer cinema. É uma experimentação muito individual que vai conduzir a uma obra artística no final do mestrado que passa a ser uma parte decisiva do portefólio do aluno e que pode começar também a circular em festivais de cinema ou galerias de arte.

 

“Estou imerso em cinema português há quinze anos.”

 

O que é que o cativa na investigação e qual é a sua principal área de estudo?

Diria que, provavelmente, é a possibilidade de olhar para as coisas, refletir sobre elas, cruzar a teoria com o cinema. Esta dimensão de ler textos e perceber que eles nos ajudam a compreender um conjunto de filmes é mesmo entusiasmante. Aquilo que me interessa realmente é o estudo da contemporaneidade. Exploro aquilo que está a ser feito agora na área do cinema A minha tese de doutoramento foi sobre um realizador português (João Canijo) e acabei por interagir com muitas pessoas nesta área e, por isso, posso dizer que o cinema português é a minha grande área de especialização. Estou imerso em cinema português há quinze anos (risos). Tenho-me dedicado a descobrir o que é o cinema português, não só através dos filmes que produzimos, como através de toda a dinâmica envolvida no cinema português enquanto indústria.

 

Temos bom cinema em Portugal?

O cinema português é, provavelmente, um dos cinemas mais entusiasmantes do cinema contemporâneo. Curiosamente, é um cinema muito internacionalizado, os nossos filmes atravessam o mundo e são muito conhecidos fora de Portugal, principalmente aqueles que são mais artísticos e que saem fora das convenções. Tenho uma ideia muito positiva do cinema português contemporâneo e é um cinema muito ambicioso.

 

Cinema português contemporâneo: há algum filme que o tenha marcado especialmente?

Há dois filmes que gostei particularmente nos últimos tempos. O primeiro é o “Sangue do meu sangue” do João Canijo. É um filme que se propõe a contar muito bem uma história, mas, também, faz uso de uma estética capaz de contar um quotidiano bastante banal das pessoas e ao mesmo tempo mostrar como, apesar de acharmos que somos uma sociedade muito pacífica, somos também uma sociedade muito violenta. Há muita violência subterrânea e este filme espelha essa realidade. Num registo mais fantasioso, gostei muito do “Tabu” de Miguel Gomes. O filme passa-se em dois tempos: no tempo contemporâneo e nos anos sessenta em África. O filme foi todo filmado em película e tem em simultâneo o prazer da ficção e o prazer estético. É absolutamente maravilhoso em termos visuais.

 

Um estudante ou um profissional da área do cinema revê os filmes muitas vezes? Tira notas durante os filmes?

Nós vemos bastantes filmes em aula até porque os alunos têm que ter essa experiência de sentir o filme e o momento de visualização tem de ser sagrado. Não podem ver um filme enquanto mandam mensagens ou enquanto estão a fazer múltiplas tarefas. Para além disto, aconselho-os a visualizarem o filme com um caderno ao lado para poderem ir tirando algumas notas. Não precisam de ser extensas, têm como função ajudar a recordar alguns momentos-chave. Para além disto, quem estuda cinema facilmente percebe que ao se ver o filme apenas uma vez, não se consegue captar tudo. Na primeira vez sente-se o filme, percebe-se a história e alguns dos seus elementos, mas é impossível compreender todas as camadas e toda a complexidade.

 

“O que me move é esta infindável capacidade de saber e conhecer coisas novas.”

 

O que é que o move?

Uma das coisas que é mais importante para mim é a capacidade que o ser humano tem de apreender conhecimento. Conhecimento este que é infinito, não é? O que me move é esta infindável capacidade de saber e conhecer coisas novas. Uma das forças motrizes da minha vida é saber que ainda não vi muitos filmes, não li muitos livros e há tantas pessoas que eu nunca ouvi falar. É esta imensidão de coisas que eu possa um dia vir a saber que me move e que me desafia.  

 

 

31-03-2022

Mais de 30 entidades associam-se ao INSURE.hub

Lançado em outubro de 2021, num evento público, o INSURE.hub está já a cumprir o seu grande objetivo: criar um ecossistema vibrante, nacional e internacional, de conhecimento transdisciplinar de âmbito circular, sustentável e regenerativo. São já mais de 30 as entidades que se associaram a esta iniciativa que resulta da mobilização da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, através das suas Faculdades - Católica Porto Business School e Escola Superior de Biotecnologia - e da Planetiers New Generation, em conjunto com organizações nacionais e internacionais que se constituem como líderes de pensamento e agentes de transformação para a Sustentabilidade e a Regeneração.

João Pinto, da Católica Porto Business School, explica “o INSURE.hub atua em quatro eixos fundamentais: apoio a empresas e clusters no desenvolvimento de negócio e novos investimentos; promoção de empreendedorismo sustentável/regenerativo; mobilização da sociedade; e formação académica”. Neste sentido, “termos já mais de 30 organizações associadas ao INSURE.hub, é um enorme orgulho e demonstra a importância da existência de uma iniciativa como esta,” conclui.

Temos vindo a desenvolver um conjunto de ações junto das entidades que se associaram ao INSURE.hub, mas estamos também a preparar formação pós-graduada que virá suprir uma necessidade premente das organizações nestas áreas da Sustentabilidade e Regeneração,” refere Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica no Porto. Outras atividades da equipa do INSURE.hub têm sido o desenvolvimento de projetos, a preparação e submissão de candidaturas a fundos europeus em vários setores, incluindo uma parceria de co-criação entre dois hubs europeus. Em paralelo, tem havido um estreitar de relações internacionais com líderes de conhecimento na área da sustentabilidade.

António Vasconcelos, da Planetiers New Generation, reitera que “o compromisso da Planetiers New Generation, criada com a ambição de desenvolver um programa de transformação para Portugal orientado pela Sustentabilidade e a Regeneração, está muito ativo com o INSURE.hub, e uma caraterística muito distintiva do mesmo consiste no crescente envolvimento de líderes de conhecimento e agentes de transformação a nível internacional”, acrescentando “estamos constantemente a ser desafiados pelas organizações, mas também por investigadores da Escola Superior de Biotecnologia e da Católica Porto Business School.”.

Até ao final do mês de março, foram várias as organizações que se associaram ao INSURE.hub: Águas de Monchique; APICCAPS; Aquitex; Associação Comercial do Porto – CCIP; Aveleda; BLC3; Bondalti; Bosch; Cabelte; Câmara Municipal do Porto; Cerealis; Clusaga; Comunidade Portuária de Leixões; Decorgel; ETSA, S.A.; Frutus; GERMEN - Moagem de Cereais, S.A.; Greenvolt; Grupo Soja; Imperial; KPMG; Lipor; MDS; Mendes Gonçalves, S.A.; Mota Engil Capital; Mota Engil Renewing; New-Normal Consulting; Nutripar; Real Companhia Velha; Sarcol; SuperBock Group; Vieira de Castro; Vitacress.

Em breve, no âmbito do INSURE.hub será lançada uma nova Pós-Graduação, serão criadas formações executivas de curta duração, mas também continuarão as ser promovidas dinâmicas de empreendedorismo de projetos fortemente inovadores no domínio da economia circular.

Notícias relacionadas:
INSURE.hub: Católica na vanguarda da promoção da Sustentabilidade e Regeneração | Universidade Católica Portuguesa - Porto (ucp.pt)

31-03-2022

Pages