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Obra de Aurélia de Sousa em investigação na Escola das Artes

                                        
                            
                                   Excertos demonstrativos da paleta e das pinceladas de Aurélia de Sousa

Aurélia de Sousa é a protagonista do projeto da investigadora Maria Aguiar, do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR), da Escola das Artes, que tem como objetivo aprofundar questões materiais e técnicas relacionadas com a utilização de lacas, vernizes intermédios e problemas de conservação associados.
 
Chama-se “Contributos materiais e técnicos sobre a Primeira Pintora Portuguesa: Aurélia de Sousa” e viu a sua candidatura ser aceite pelo European Research Infrastructure for Heritage Science. A aprovação do projeto vai permitir o acesso ao laboratório associado HERCULES (Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda), da Universidade de Évora, para aprofundar o estudo e a investigação. 
O projeto foi proposto em parceria com a Divisão Municipal de Museus da Câmara Municipal do Porto, que detém um importante acervo desta pintora e que será alvo do estudo, em conjunto com outras obras de colecionadores privados.
 
Maria Aguiar, investigadora do CITAR e coordenadora do projeto, explica que este surgiu “no âmbito do centenário da morte da pintora Aurélia de Sousa (1866-1922)” e, também, no seguimento do seu trabalho de doutoramento sobre o “Os Materiais e a Técnica de Pintura a óleo na obra de Aurélia de Sousa e a sua relação com a conservação”. 
 
Aurélia de Sousa nasce em Valparaíso, no Chile, a 13 de junho de 1866, mas será em Portugal que se vem afirmar, país de onde era oriunda a sua família, nomeadamente do Porto. Foi nesta cidade que frequentou a Academia de Belas Artes ao lado da sua irmã, Sofia de Souza, que também se tornaria pintora. Aos 55 anos, a pintora morre a 26 de maio de 1922. 

 
Um catálogo raisonné sobre Aurélia de Sousa
 
Uma das iniciativas promovidas no âmbito do centenário da morte da pintora prende-se com a preparação do catálogo raisonné de Aurélia de Sousa, sob a coordenação de Raquel Henriques da Silva, docente e investigadora do Instituto de História da Arte, da Universidade Nova de Lisboa. A Católica é parceira do catálogo, através do projeto da investigadora do CITAR, juntamente com outros parceiros como o Museu Nacional Soares dos Reis, a Universidade do Porto, a Câmara Municipal do Porto e a Câmara Municipal de Matosinhos
 
Este catálogo, que tem o lançamento previsto em formato e-book para o fim do ano de 2022, contará com uma secção sobre a materialidade e a técnica da artista, baseada no estudo prévio do doutoramento de Maria Aguiar e no projeto de investigação em curso. 
Para além da publicação deste catálogo, esperam-se outras publicações e apresentações em congressos, por forma a divulgar os resultados do projeto da Escola das Artes. 
 
23-02-2022

Research Scholarship - Project Phy2SUDOE

17-02-2022

Alexandra Carneiro: “Temos de continuar a trabalhar na desconstrução do tabu da saúde mental”

Foi no meio da natureza que cresceu e foi através da forma como se relacionava com os seus amigos que descobriu que a Psicologia era a sua vocação. Alumni da Católica, Alexandra Carneiro é docente e investigadora da Faculdade de Educação e Psicologia (FEP), sendo, também, a atual coordenadora da Clínica Universitária de Psicologia (CUP) e membro da equipa de coordenação da Licenciatura em Psicologia. Verdadeiramente feliz na sua profissão, garante que a “vontade em saber mais” e a “humildade” são as características essenciais de um bom investigador! Nesta entrevista, fala-nos da sua infância, da sua missão profissional na FEP e da importância da saúde mental.

 

Como é que acha que se desconstrói o tabu que existe à volta da saúde mental?

Estamos no bom caminho, porque hoje em dia acho que existe um bocadinho menos esse tabu. Embora seja inegável que ainda há muito para desconstruir e para capacitar. As pessoas ainda são muito rotuladas pelo facto de terem consultas de psicologia e/ou de psiquiatria.  Julgo que se as pessoas partilhassem mais esta questão tudo se normalizava. Tratarmos da nossa saúde mental tem de ser uma coisa normal! É, por isso, importante dar-se voz a este tema que faz parte da vida de todos. Enquanto profissionais desta área, temos de continuar a trabalhar nesta desconstrução e nesta consciencialização. Importa, também, referir que os serviços de saúde são muito caros e isto acaba por ser uma enorme limitação. Há muito caminho para fazer neste sentido.

 

É a coordenadora da Clínica Universitária de Psicologia. Qual é a sua principal missão?

A Clínica Universitária de Psicologia integra um serviço de consulta psicológica: consulta psicológica individual, com crianças, jovens, adultos, online, presencial, avaliações psicológicas, entre outros. É, também, um local de recolha de dados, ou seja, um local de investigação. A sua missão é muito abrangente e muito importante. Para além do importante serviço social que presta, fornece muitos casos práticos para as aulas, através das transcrições de entrevistas ou de informações relativas à avaliação psicológica para os nossos alunos trabalharem. Nós fazemos o atendimento à comunidade em geral, à comunidade da Católica no Porto, com exceção da comunidade do curso de Psicologia. É, também, através do trabalho na CUP que damos relevância e importância às questões da saúde, que são tão essenciais e tão necessárias.

 

Quais são as características essenciais de um bom psicólogo?

Um psicólogo deve ser um bom ouvinte e um bom ouvinte não é apenas quem sabe ouvir, mas é a pessoa que está, efetivamente e inteiramente, lá para apoiar e compreender a pessoa. Outra característica importante é a empatia, no sentido de compreender o impacto que todas as questões têm na pessoa e para poder pensar na avaliação e na intervenção mais adequada. Aliado a isto é muito importante a ponderação e a sensibilidade. É importante ser-se ponderado para que se consiga compreender até onde é que a pessoa está disposta a partilhar. Às vezes, as pessoas têm um conjunto de sintomas e é algo na sua vida que está a provocar isso, embora nem sempre estejam dispostas a falar sobre o problema central, porque apenas estão preparadas para falar dos sintomas. Os psicólogos têm de perceber que as pessoas precisam do seu tempo e que, muitas vezes, precisam de explorar muito bem esses sintomas todos para que a pessoa comece a perceber que tem que ir um bocadinho mais fundo.

 

Como é que se ensina isso aos alunos?

Não é fácil. Uma das coisas que nós estamos sempre a dizer aos nossos alunos é que não é possível fazer a licenciatura em psicologia sem que se tenha contacto com os outros. A relação é essencial. Como é que se compreende o ser humano sem se conviver com ele? São, verdadeiramente, importantes as visitas de estudo, os trabalhos de grupo, o serviço comunitário. Tentamos proporcionar aos nossos estudantes contacto com os outros para que estejam expostos a situações práticas e reais. Fomentamos o relacionamento entre todos para que desenvolvam o respeito e a empatia. Para além disto, nada como o poder do exemplo. Enquanto docente, quero ser um exemplo para os meus alunos. Um exemplo de compreensão, de disponibilidade, de dedicação, de empatia, de respeito. Não podemos estar a falar com um aluno, que está a tirar dúvidas connosco, enquanto estamos sempre a olhar para o relógio. Se o fizermos, vamos estar a mostrar-lhes que não estamos verdadeiramente disponíveis. É através do bom exemplo e das nossas ações que lhes vamos dando a descobrir como é que se é um bom psicólogo.

 

Dentro da Psicologia o que é que mais gosta de investigar?

Dentro da Psicologia o que mais gosto é a área da avaliação psicológica. A avaliação psicológica permite-nos conhecer melhor as pessoas e os problemas, bem como permite, também, devolver às pessoas os resultados dessa avaliação. O estudo da avaliação psicológica começou com a minha dissertação de mestrado.  No primeiro ano, nós tínhamos que escolher um tema e eu escolhi a avaliação do temperamento em crianças dos 24 aos 30 meses. Isto está intimamente ligado com outro tema que eu estudo que é a monitorização da intervenção psicológica com crianças e jovens. Também neste tema é essencial ir-se avaliando à medida que vamos intervindo para percebermos o impacto da intervenção que está a ser levada a cabo. A avaliação ao longo do processo vai permitir conhecer os ganhos que estão a ser alcançados, ou se, entretanto, até surgiram outras questões na vida da pessoa que obrigam a uma nova ponderação e avaliação para podermos reconduzir a intervenção.  Estas duas áreas são muito próximas e tenho por elas um especial interesse.

 

Como é que definiria um bom investigador?

Um bom investigador deverá ser alguém que tenha não só curiosidade, mas vontade de saber mais. Às vezes temos curiosidade, mas acabamos por não sair do sítio.  Só com real vontade é que acabamos por fazer alguma coisa. A humildade é, também, uma característica importante de um bom investigador. Devemos ter a humildade de perceber que a nossa contribuição é sempre pequena, porque a partir dali há mais coisas que se podem fazer e descobrir. A investigação é sempre uma pequena grande contribuição na medida em que do nosso trabalho nascerão novas ideias, novos conhecimentos, novas possibilidades.

 

“Falo-lhes dos projetos em que eu participo na expectativa de os contagiar e de lhes despertar curiosidade.”

 

Como é que se contagia os alunos para a investigação?

Isso é um trabalho muito difícil, porque os alunos olham para a investigação como algo muito denso e muito complicado. O que eu faço para contornar esta ideia é partilhar nas minhas aulas dados empíricos que os façam perceber que a investigação tem aplicabilidade. Quero que os meus alunos percebam que a investigação tem, realmente, impacto na prática e é assim que eu os tento seduzir. Incentivo-os a participarem em projetos de investigação. Falo-lhes dos projetos em que eu participo na expectativa de os contagiar e de lhes despertar curiosidade. 

 

Quando é que surgiu o interesse pela Psicologia na sua vida?

O interesse pela Psicologia surgiu mais ou menos entre o 9º e o 10º ano. Eu tinha um gosto especial por ajudar as pessoas à minha volta e por ouvi-las. Na altura, apercebi-me de que os meus amigos me procuravam muito para falarem comigo. Foi isto que me fez pensar: porque não Psicologia? Eu era muito boa ouvinte e isso é uma característica importante dos psicólogos. Na escola onde eu andei havia uma equipa de três psicólogas. Ninguém gostava de ir sozinho ao psicólogo, éramos adolescentes, não é? Muitas vezes quando os adolescentes vão à procura de ajuda não querem ir sozinhos e eu recordo-me de ter sido o apoio de duas ou três amigas que quiseram falar com a psicóloga. Numa das situações, até me foi pedido para entrar para a sala onde estavam a conversar porque a minha amiga me tinha referenciado por eu gostar muito de ajudar os outros.

 

“Vim para o Porto no primeiro ano da faculdade e fiz parte do primeiro ano de Psicologia na Católica!”

 

Acha que essa sua capacidade de ser uma boa ouvinte veio de onde?

Nós somos três irmãs, eu sou a mais nova, e ainda fazemos uma diferença bastante grande. Isto fez com que eu acabasse por crescer num mundo de adultos. As pessoas que me rodeavam eram todas mais velhas. Isto acabou por me influenciar bastante. Cresci num ambiente onde as conversas eram mais sérias e onde havia sempre pessoas a partilharem histórias que eu adorava ouvir.

 

Para além disso, em criança brincou muito ao ar livre …

Nasci em Santo Tirso, depois os primeiros três anos da minha vida foram passados em Guimarães e depois mudamo-nos para uma freguesia que fica entre Guimarães e Santo Tirso. Acabei por crescer nesta freguesia que é muito rural e que tem um ambiente pequeno e fechado, mas a experiência foi muito boa. Brincava com os animais, cuidava dos animais, fazia bolinhos de terra e andava pelo meio da horta. Os meus pais tinham uma empresa têxtil e por isso, também, acabei por passar muito tempo por lá. Foi uma infância muito livre, com muito espaço para brincar ao ar livre.

 

Quando é que vem para o Porto?

Quando termino o 12º soube que queria uma mudança na minha vida e essa mudança passava por sair de casa e por conhecer pessoas novas.  Durante o 12º ano, lembro-me, perfeitamente, que estava a ter aula de latim e a minha professora de filosofia bateu à porta para me avisar que ia abrir Psicologia na Católica no Porto. Vim para o Porto no primeiro ano da faculdade e fiz parte do primeiro ano de Psicologia na Católica!

 

“O serviço comunitário ajuda os nossos estudantes a perceberem que um psicólogo não trabalha apenas dentro de um gabinete, um psicólogo vai para o meio das pessoas, um psicólogo vai ouvir as pessoas, um psicólogo quer relacionar-se.”

 

Quais eram as suas expectativas?

Em primeiro lugar, eu tinha a certeza de que estava a estudar uma área que, realmente, queria. O entusiasmo era muito. Gostei muito do primeiro ano e lembro-me que tive logo ideias de querer trabalhar na área da justiça e do comportamento desviante. Na altura, a investigação nem me passava pela cabeça! No segundo ano, os professores começaram a convidar-nos para alguns projetos de investigação e foi aí que começou o meu interesse. O meu gosto pela investigação residia na possibilidade não só de aprender, como, também, de contribuir para que alguém pudesse aprender.

 

Em que é que considera que estudar Psicologia na Católica é diferente de estudar noutras universidade?

Atualmente sou docente, mas, também, já fui aluna e por isso posso afirmar que desde o início da licenciatura na Católica a essência não mudou. A proximidade entre os professores e os alunos é muito grande. Há uma grande disponibilidade da parte dos professores em ajudarem os alunos e em esclarecerem as suas dúvidas. Esta proximidade e esta disponibilidade que são nossas características não podem ser confundidas com falta de exigência, porque a exigência também nos caracteriza e nos define. É através da exigência e do rigor que motivamos os nossos estudantes a quererem ser sempre melhores. O serviço comunitário é algo que, também, nos distingue. Através do serviço comunitário, os nossos estudantes colocam-se ao serviço dos outros, aprendem a ser socialmente responsáveis e, muitas vezes, acabam por atuar em áreas onde um psicólogo pode vir a trabalhar no futuro. O serviço comunitário ajuda os nossos estudantes a perceberem que um psicólogo não trabalha apenas dentro de um gabinete, um psicólogo vai para o meio das pessoas, um psicólogo vai ouvir as pessoas, um psicólogo quer relacionar-se.

 

“Como é que se compreende o ser humano sem se conviver com ele? São, verdadeiramente, importantes as visitas de estudo, os trabalhos de grupo, o serviço comunitário.”

 

Quais são os seus desejos para os próximos tempos?

Desejo que a nossa vida se aproxime um bocadinho mais daquilo que era, que este ano nos traga mais oportunidades de encontro entre todos. Desejo, também, ter novos desafios de investigação e de ser capaz de continuar a contribuir para a formação dos meus alunos, que serão os meus futuros colegas. Para além disto, gostava imenso de fazer uma viagem. Já não faço há muito tempo e confesso que tenho muitas saudades. No fundo, todos queremos um bocadinho mais de liberdade, não é?

 

17-02-2022

Católica Porto Business School leciona módulo de formação em programa internacional na área da Liderança e Sustentabilidade

São sete diferentes módulos de aprendizagem, cada um conduzido por uma universidade internacional de referência, com um objetivo comum: desenvolver uma nova geração de líderes com alto sentido de responsabilidade global.

Tal como o nome indica, o curso ‘Globally Responsible Leadership for Sustainable Transformation’ consiste numa iniciativa global e colaborativa de alto impacto, que pretende catalisar o desenvolvimento de lideranças e práticas organizativas globalmente responsáveis.

Disponibilizando sete diferentes módulos, cada um assegurado por uma de sete universidades de referência internacional que integram a Globally Responsible Leadership Initiative (GRLI), o curso é totalmente lecionado online e possui um cariz verdadeiramente global dirigindo-se, por isso, a candidatos de todo o mundo.

Antwerp Management School (AMS), Loyola Marymount University (California), Colorado State University, University of Limerick, Sasin School of Management (Tailândia), Católica Porto Business School e LeaderShape Global (Oxfordshire) são então as entidades de ensino envolvidas na iniciativa, com lecionação do seu módulo distribuída entre março e maio de 2022. O pontapé de saída acontece já no próximo dia 9 de março, liderado pela AMS e a Católica Porto Business School apresentará o seu módulo no dia 27 de abril, liderado pela docente Raquel Campos Franco e intitulado “Cross–sector Partnerships for Impact” (Parcerias Setoriais para a criação de Impacto).

Rui Soucasaux Sousa, Dean da Católica Porto Business School, reforça a importância da participação da Escola na iniciativa: “Este curso reflete de forma virtuosa vários dos eixos estratégicos que orientarão a Escola nos próximos anos: educação global com parceiros reputados, inovação pedagógica com capitalização de tecnologia, impacto global e reforço da reputação da Escola nas áreas da Ética, Responsabilidade Social e Sustentabilidade”.

Para concluir o curso, o candidato terá de se registar em pelo menos quatro dos sete módulos lecionados. 

Mais informações sobre o curso ou inscrições disponíveis aqui

17-02-2022

Projeto de investigação permite detetar doença de Alzheimer numa fase precoce

Um projeto de investigação liderado pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto, no domínio da Inteligência Artificial, pode revolucionar o diagnóstico da doença de Alzheimer, mesmo quando ainda não existem sintomas. Desenvolvido em colaboração com o Hospital de São João, no Porto, as faculdades de Medicina e de Engenharia da Universidade do Porto e o Instituto Politécnico de Bragança, este projeto surge num contexto em que a OMS estima que existam 35,6 milhões de pessoas com doença de Alzheimer (DA) no mundo, sendo que o número tende a duplicar até 2030 e a triplicar até 2050.

A tecnologia Neuro SDR foi testada em 38 pacientes do serviço de Neurologia do Hospital de São João, no Porto. Pedro Miguel Rodrigues, investigador do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia (CBQF/ESB/UCP) da Católica no Porto, explica “criamos um algoritmo que utiliza como fonte de informação 19 elétrodos que captam tensões elétricas que, num adulto, variam entre 30 e 50 milivolts, num espaço temporal de 30 e 45 minutos.” Os elétrodos estão numa touca que é colocada pelo médico ao utente. Essa touca está ligada a uma interface que pode ser acedida através de computador, que capta a informação e no espaço de cerca de 5 segundos a torna visível no ecrã.

Pedro Miguel Rodrigues refere que “um diagnóstico precoce abre portas para melhores resultados ao nível das terapias, mas também constitui um poderoso auxiliar em questões relacionadas com a salvaguarda da integridade pessoal e financeira dos portadores de Alzheimer, assim como em assuntos relacionados com profissões de risco e cartas de condução, por exemplo.

Este projeto conta com mais de seis anos de desenvolvimento, permitindo contornar a difícil deteção desta patologia, aperfeiçoar algoritmos e desvendar o desenvolvimento da doença em diagnósticos primeiramente inconclusivos. “A solução criada incorpora um algoritmo de inteligência artificial com uma capacidade de precisão de diagnóstico a rondar os 98% para casos assintomáticos e/ou precoces da doença. E, por conseguinte, estamos numa fase em que precisamos de parceiros para conseguirmos que o protótipo saia do laboratório e possa ser disponibilizado em larga escala,” conclui Pedro Miguel Rodrigues.

Alguns dos resultados deste projeto podem ser consultados “Lacsogram: A New EEG Tool to Diagnose: Alzheimer’s Disease”, publicado recentemente na revista IEEE Journal of Biomedical and Health Informatics.

10-02-2022

André Baltazar: “A tecnologia pode potenciar um artista e a sua criatividade.”

Engenheiro de formação e com fortes ligações ao mundo das artes, André Baltazar é docente, investigador e Vice-Diretor da Escola das Artes. Como se não bastasse, é consultor de diversas instituições culturais. Foi durante o doutoramento na Católica em Ciência e Tecnologia das Artes que fez investigação na Universidade de Stanford. Garante que quem vem à Escola das Artes fica apaixonado pelo seu ambiente altamente tecnológico, criativo e desafiante. Nos tempos livres? Brinca com os filhos, integra os be-dom, uma banda de percussão, e faz pranchas de surf, com as quais pratica esse desporto.

 

O que é que desde sempre o ligou ao mundo das artes?

Desde miúdo que sempre estive ligado ao mundo do teatro e da performance, os meus pais sempre fizeram teatro amador (ainda hoje sobem ao palco) e por inerência era eu que fazia a banda sonora, a programação das luzes, cenários, enfim... Para além disso, exatamente como resultado duma peça de teatro em que participei, desde os meus catorze anos que faço parte de uma banda de percussão - os be-dom -, uma banda que usa lixo e objetos do quotidiano como instrumentos de percussão. Esta experiência permitiu-nos viajar pelo mundo inteiro e fazer temporadas, por exemplo, no Fringe de Edimburgo, no Casino Venetian em Macau, em festivais em Itália, Alemanha, França, Bahrain, etc. No fundo, foi através deste meu histórico que, mais tarde, enquanto aluno de engenharia, percebi que, através da tecnologia, era possível potenciar um artista e a sua criatividade. E tem sido nisso que tenho trabalhado.

 

O que é que o levou até à Faculdade de Engenharia?

Sempre gostei muito de desconstruir os objetos. Em pequeno, gostava de perceber como é que os brinquedos funcionavam e gostava de fazer experiências, e creio que apesar da minha ligação à arte, o meu raciocínio sempre foi mais de lógica e pragmático. Foi este meu fascínio que me levou até à Faculdade de Engenharia para estudar Engenharia Eletrotécnica.

 

É no seu Doutoramento que descobre a Escola das Artes …

Precisamente, quando eu comecei a estudar estava longe de pensar que ia fazer o doutoramento, até porque quando estava a terminar o mestrado já tinha praticamente um contrato com uma grande consultora para trabalhar em Lisboa. No entanto, a vida deu uma volta e após me candidatar e ganhar uma bolsa da FCT ingressei no Doutoramento em Ciência e Tecnologia das Artes, onde acabei por investigar e desenvolver um framework que, com recurso a Machine Learning, permitia a um bailarino controlar todo o aspeto tecnológico da sua performance - som, música e luz, por exemplo -, através do reconhecimento dos seus gestos, que eram capturados por uma câmara de vídeo.

 

“Nós temos quer os meios, quer o know-how, quer a infraestrutura para desenvolver projetos de elevadíssimo nível”

 

O seu doutoramento permitiu-lhe passar algum tempo a desenvolver a sua investigação na Universidade de Stanford. Como é que foi a experiência?

Vivi lá cerca de cinco meses, permitiu-me ter contacto com os gurus da computer music e com todo o conhecimento que lá existe. Foi uma oportunidade muito boa não só pelo networking que fiz, mas, também, pela experiência de estudar em Stanford e viver em Silicon Valley, numa altura em que os gigantes tecnológicos como a Google ou o Facebook estavam em franca expansão. O ambiente que se vive na Universidade é muito exigente e o campus tem uma dimensão enorme, comparado aos nossos. Eu entrava no campus e fazia ainda cerca de um quilómetro e meio de bicicleta até chegar ao edifício onde eu trabalhava (e o campus continuava). Sentia-se uma imensa abertura porque praticamente não havia uma sala de aula formatada. Estas decorriam no mesmo open space onde eu fazia investigação e sentia-se um ambiente muito descontraído, mas, ao contrário do que isto possa dar a entender, a exigência era muito alta. Também aqui na Escola das Artes, aos poucos, estamos a tentar desconstruir a formalidade de um anfiteatro ou de uma sala de aula.

 

De que forma é que a Escola das Artes é capaz de desafiar os seus alunos?

O que nós pretendemos é que os nossos alunos, professores e investigadores façam parte duma comunidade criativa. É isto que fomentamos com as imensas atividades que oferecemos paralelas às aulas, é também através destas que pretendemos estimular os nossos alunos e que estes se desenvolvam enquanto artistas, pensadores e profissionais. Também temos trabalhado na abordagem de ensino baseada em projeto. Queremos que os nossos estudantes desenvolvam connosco um portefólio artístico que lhes abra muitas portas no futuro.  Um bom exemplo, é o nosso programa de residências artísticas nacional e internacional e as aulas abertas que realizamos durante os semestres de Primavera. Através destes programas trazemos até à Escola das Artes vários artistas de relevo que acabam por ativar e desafiar a nossa comunidade. Temos também um corpo de professores forte e fazemos questão que realizem não só investigação científica, mas que, também, tenham uma produção artística vasta. Por exemplo, neste preciso momento está um professor nos estúdios a misturar um filme com um realizador internacional. E ainda há pouco tempo o Professor Carlos Lobo soube que o seu filme, rodado com o apoio da EA, foi selecionado e estreará na Berlinale2022.

 

Qual é o impacto da Escola das Artes na vida de todos os que por aqui passam?

Quando as pessoas vêm à Escola das Artes ficam apaixonadas por aquilo que fazemos. Nós temos quer os meios, quer o know-how, quer a infraestrutura para desenvolver projetos de elevadíssimo nível, altamente tecnológicos, e com uma componente artística muito forte. É isto que nos diferencia, é este ecossistema artístico inovador que nos caracteriza.

 

“É minha missão e vontade ajudar na formação de todos os meus alunos. Perseverança, calma, humildade.”

 

Que posição é que a Escola das Artes assume no panorama do ensino das Artes em Portugal?

A Escola das Artes está cada vez mais consolidada a nível nacional e quando nos referimos à Escola das Artes, referimo-nos, também, aos seus dois centros de investigação: o Centro de Criatividade Digital e o Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes. A produção destes dois centros, e das parcerias que criam a nível regional, nacional e internacional, projeta e cimenta a posição da Escola das Artes. Para além disto, somos uma escola totalmente aberta ao exterior. Temos uma relação de proximidade com muitas entidades culturais e artísticas. Somos uma escola que transmite competências artísticas de alto nível e somos uma referência na área da arte mediada pela tecnologia e na conservação e restauro de arte e património.

 

Serralves é um dos grandes parceiros da Escola das Artes …

Temos uma relação muito próxima com Serralves. Não somos apenas parceiros, podemos dizer que temos uma relação de amizade e de contribuição mútua. Colaboramos nas exposições que promovem e ajudamos e fazemos consultoria no desenvolvimento de novos projetos. Esta relação dinâmica e de partilha é extremamente positiva porque o conhecimento não vive só dentro da Escola das Artes, mas estende-se a toda a comunidade envolvente. Outro bom exemplo é a relação que também estabelecemos com a Fundação Gulbenkian. Em parceria, desenvolvemos este outono um curso de curadoria de exposições para alunos dos PALOP totalmente online e estamos a trabalhar juntos num projeto ainda mais ambicioso já para este ano que em breve será anunciado.

 

O que é que tenta transmitir, essencialmente, aos seus alunos?

Eu, às vezes, até digo aos meus alunos que estou a ficar um bocadinho paternalista (risos)! É minha missão e vontade ajudar na formação de todos eles. Perseverança, calma, humildade. Eu falo-lhes muito disto nas minhas aulas, ainda que de forma subliminar.  As minhas aulas são muito ligadas à tecnologia e à programação e nestas áreas há mil e uma maneiras de resolver o mesmo problema, o que faz com que cada um possa e deva ter o seu caminho, porque todos os caminhos são válidos, desde que não fiquem pelo caminho (risos). Tento salientar que devem aproveitar estes anos na universidade para experimentarem, errarem e para aprenderem, verdadeiramente, com os erros. Sempre com sentido crítico e com responsabilidade.

 

O que é que o preocupa nas gerações mais jovens?

Os jovens estão a crescer numa altura que tem tanta informação disponível e tão imediata que o grande desafio é fazer com que tenham a capacidade de parar e avaliar o que consomem. O conhecimento a que estão expostos deveria ser assimilado com muito mais ponderação e de forma mais estruturada e crítica. É neste ponto que reside alguma da minha preocupação, se eles saberão fazer a triagem do que realmente importa. Para além disso, parece-me que têm poucos mecanismos de filtragem de informação, o que faz com que sejam muito mais reativos no imediato, do que pró-ativos para atingirem os fins que ambicionam a longo prazo.

 

Será por esse motivo que às vezes se sente uma grande distância entre os jovens e a cultura?

Com tanta informação e com poucas capacidades de a filtrar, os mais jovens acabam por beber daquilo que lhes chega mais facilmente pelos canais mais massivos e por isso perdem muito conhecimento e muita cultura disponível (que na verdade está ao seu redor). Aqui na Escola das Artes tentamos reverter isto, na medida em que colocamos à disposição dos alunos uma programação cultural intensa que os desafia e os provoca.

 

“Quando vejo uma peça de arte, não só tento ver a estética, como todo o conceito envolvido e toda a parte tecnológica que permitiu o seu desenvolvimento.”

 

Enquanto membro da direção da Escola das Artes, quais são os principais objetivos traçados para 2022?

Temos feito um caminho muito positivo e já estamos numa fase de velocidade de cruzeiro que nos permite ambicionar mais alto. Um dos grandes desafios é a internacionalização. Queremos não só integrar redes internacionais, como, também, criar as nossas próprias redes e parcerias e expandir a Escola internacionalmente. Alicerçado a isto, temos, claro, o constante desafio de inovar! Gostamos de surpreender os nossos estudantes com a nossa atmosfera criativa. Queremos, também, criar uma rede de alumni sólida, com mecanismos de comunicação que nos permita fortalecer a relação com os antigos alunos, estreitando, também, as relações entre toda a comunidade.

 

O que é que mais gosta de fazer nos seus tempos livres?

Apesar de ser cada vez mais raro, devido às profissões de todos, ainda vamos conseguindo marcar alguns concertos dos be-dom, o que é muito bom para desanuviar. Além disso, realmente, gosto é de surfar, e também faço as minhas pranchas. Ao fim de semana ou estou na água se o mar estiver bom, ou estou a fazer pranchas, neste momento estou a acabar uma de madeira. Gosto dos processos de desenhar, esculpir, lixar, fibrar e depois surfar nelas, claro. São hobbies que me ajudam a desligar do dia a dia e esses momentos são muito importantes para mim. Para além disto, tenho dois filhos pequenos que me ocupam a maior parte do tempo (risos)!

 

Há alguma exposição que o tenha marcado de forma especial?

Talvez a Untitled (Orchestral) de João Onofre, no Museu MAAT, em que estive envolvido no desenvolvimento através do CCD.  Consistiu numa instalação sonora na Casa das Caldeiras  para a qual desenvolvemos o software e também 16 braços robóticos que tocavam uma partitura musical que era controlada pela luz solar que incidia na janela do edifício. Resultou muito bem e prolongaram até a exposição em vários meses. Quando visito uma exposição tento sempre perceber como é que chegaram àquele resultado. Quando vejo uma peça de arte, não só analiso a estética, como todo o conceito envolvido e fascina-me, claro, toda a parte tecnológica que permitiu o seu desenvolvimento.

 

10-02-2022

Projeto de investigação alia as Neurociências ao desenvolvimento de jogos para telemóveis

Diante do cenário altamente competitivo, do ritmo das inovações tecnológicas e dos curtos ciclos de vida dos produtos, as empresas precisam de ter em atenção um número maior de exigências por parte dos seus públicos-alvo, incluindo a validação científica dos seus produtos. Patrícia Oliveira-Silva, coordenadora do projeto na Faculdade de Educação e Psicologia (FEP), explica que “o GAIN surgiu através de um pedido de parceria da Infinity Games ao Human Neurobehavioral Laboratory da Faculdade, com o propósito centrado em investigação e inovação que aliasse as Neurociências à área do desenvolvimento de jogos para telemóveis”.
                                                                
No projeto GAIN (Games for Anxiety Inquired through Neuroscience): The Effects of playing mobile games in anxiety and neurocognitive functions, o Human Neurobehavioral Laboratory (HNL/FEP/UCP) e a Infinity Games são parceiros e assumem a responsabilidade conjunta de desenvolverem uma nova tendência no mercado: a validação científica de produtos. O papel do HNL é o de disponibilizar uma ampla experiência no desenho e implementação de estudos científicos, infraestruturas de investigação e recursos humanos preparados para garantir o sucesso da investigação. A Infinity Games disponibiliza suporte financeiro a jovens investigadores, conhecimento no desenvolvimento e comercialização de produtos, uma ampla gama de produtos inovadores nessa área e informação anónima dos utilizadores.

Passamos por tempos desafiantes e queremos que os nossos jogos sejam uma ferramenta para lutar contra esses desafios. Este projeto irá ajudar-nos nessa nossa missão”, refere João Ramos, Head of Business Development da Infinity Games. “Somos uma empresa que está verdadeiramente atenta para com o bem-estar das pessoas que utilizam os seus jogos”, salienta João Ramos, explicando que “desde o início que a nossa preocupacão passa por, para além de providenciar momentos de entretenimento, criar experiências que possam ser redutoras de stress e de ansiedade.

Sobre os desafios colocados por esta parceria, João Ramos refere que “os desafios que se colocam prendem-se com o contexto que atravessamos e não com a parceria em si. Em primeiro lugar, a indústria dos jogos não tem, de forma geral, um relacionamento muito positivo com a saúde. Depois, o mercado dos jogos é um mercado de rápida evolução e transformação, que exige decisões muito rápidas e foco quase exclusivo na receita do próximo trimestre ou dos próximos seis meses, enquanto que, nós estamos focados em como vamos produzir os melhores jogos do mercado dentro de um ou dois anos, aliando as nossa experiências imersivas aos relaxamento”. “Avizinham-se tempos de muita colaboração e investimento”, conclui.

Um dos grandes objetivos deste projeto é o de “criar uma parceria a longo prazo entre os dois parceiros que represente uma boa prática que interliga interesses, valores, investimento, estratégias e objetivos comuns”, explica a investigadora. Ao longo do projeto GAIN, a equipa pretende também desenhar e validar novos protocolo de validação de produtos, que são aplicados como uma ferramenta para incentivar a mudança comportamental e promover atitudes desejadas em diferentes dimensões, e a aplicação de técnicas das Neurociências que procurem validar o efeito de jogos, desenvolvidos pela empresa Infinity Games, no bem-estar dos seus utilizadores, nomeadamente na ansiedade e noutras funções neurocognitivas.

Este projeto de investigação está a ser desenvolvido por uma equipa multidisciplinar composta pela investigadora e diretora do Human Neurobehavioral Laboratory (HNL/FEP/CEDH), Patrícia Oliveira-Silva, em parceria com Pedro Miguel Rodrigues, responsável pela área de Processamento de Sinal do Centro de Investigação CBQF (CBQF/ESB/UCP), e dois estudantes de mestrado do HNL, Pedro Ribeiro (ESB) e Miguel Ferreira (FEP/UCO). Atualmente, os dados estão a ser recolhidos e o estudo será concluído no final do mês de março.

10-02-2022

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