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“Glossolalia” é a nova exposição da Escola das Artes

A Escola das Artes apresenta ‘Glossolalia’, um projeto de criação artística de Joana Patrão e Tiago Madaleno, com curadoria de Nuno Crespo, que estará patente ao público de 15 de janeiro a 21 de fevereiro de 2026, no Católica Art Center, no Porto. A inauguração está marcada para 15 de janeiro, às 18h30, e é de entrada livre.

“Glossolalia” parte de uma premissa ficcional: a história de um casal que, incapaz de partilhar um lar, decide perseguir a ideia de casa através de uma viagem de automóvel, deslocando-se entre a monotonia da estrada e momentos de êxtase sinestésico. Entre imagens em movimento e paisagens sonoras, a obra explora o tempo, a narrativa e a partilha de experiência, oferecendo ao público uma travessia imaginária fragmentada e intensa.

O termo “glossolalia” - frequentemente associado a uma forma de fala em línguas desconhecidas - é aqui reinterpretado como metáfora para os estados de comunicação e incomunicabilidade que emergem nas experiências humanas. A instalação estabelece um diálogo entre linguagem cinemática e material sonoro, convidando o visitante a uma atenção sensível à relação entre som, imagem e memória.

Segundo Nuno Crespo, diretor da Escola das Artes e curador desta exposição, “Glossolalia constrói-se como um território de escuta e de suspensão, onde imagem e som não procuram explicar, mas antes provocar estados de atenção e de deslocação. A obra convoca o espectador para uma experiência que se aproxima mais de um percurso interior do que de uma narrativa linear, questionando a própria ideia de comunicação, de casa e de partilha.”

As práticas artísticas de Joana Patrão e Tiago Madaleno encontram-se neste projeto. Tiago Madaleno, artista português com formação em Belas-Artes e uma prática que cruza pintura, vídeo e performance, tem mostrado trabalhos que refletem sobre a construção de mundos fictícios e o papel da imagem e do tempo nas experiências humanas. Joana Patrão tem desenvolvido projetos que exploram a presença, o corpo e as relações entre espaço, tempo e materialidade, frequentemente atravessando diferentes meios artísticos. Como um duo, têm vindo a trabalhar no projeto “Glossolalia”, onde recorrem ao universo dos road-movies e do cinema para refletir sobre a representação de uma ideia de casal a partir das propriedades linguísticas e materiais de diferentes meios.

A exposição “Glossolalia” vai estar patente ao público na Sala de Exposições da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa até 21 de fevereiro de 2026. A Sala de Exposições da Escola das Artes faz parte do Católica Art Center que integra a Rede Portuguesa de Arte Contemporânea a nível nacional. De referir que além da Sala de Exposições, o Católica Art Center inclui mais dois espaços: o Auditório Ilídio Pinho, que tem programação semanal de cinema e encontros com artistas; e a Blackbox mais vocacionada para as artes performativas.

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Exposição: ‘Glossolalia’
Artistas: Joana Patrão e Tiago Madaleno
Curadoria: Nuno Crespo
Inauguração: 15 de janeiro de 2026, 18h30
Patente ao público: 15 de janeiro a 21 de fevereiro de 2026
Horário: Segunda a sábado, das 14h00 às 19h00
Entrada: Livre

Local: Sala de Exposições da Escola das Artes
Universidade Católica Portuguesa - Porto
Rua de Diogo Botelho, 1327, 4169-005 Porto

Mais informações: Sobre | Escola das Artes

08-01-2026

Catarina Santos Botelho: “O contacto com a diferença promove a tolerância e também a humildade intelectual.”

Catarina Santos Botelho é docente, investigadora, coordenadora de vários programas e membro do Conselho de Direção da Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa. Recentemente, integrou o Conselho de Administração da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia. O amor pelos livros conduziu-a ao Direito, e o Direito trouxe-a à Católica – já enquanto aluna – num percurso marcado pela proximidade com os docentes e por amizades duradouras. No ensino, descobriu “uma profissão muito bonita”, dedicada à formação não só “de mentes jurídicas”, mas também de “pessoas”. A sua vida profissional é ainda marcada por um forte envolvimento internacional e pelo compromisso contínuo com a proteção da democracia e dos direitos fundamentais: “É essencial contar com uma sociedade civil atenta, informada e participativa.”

 

Foi estudante da Católica durante os vários ciclos de estudo. O que é que mais a marcou no seu percurso universitário?

O que é muito distintivo da Universidade Católica é a relação de proximidade entre professores e estudantes: o facto de os docentes conhecerem os alunos pelo nome e se esforçarem por acompanhá-los. Sempre senti essa atenção e esse cuidado: os professores eram próximos, acessíveis, disponíveis para conversar, dar conselhos e esclarecer dúvidas; podíamos bater à porta do gabinete e pedir ajuda. Esse contacto mais próximo foi fundamental e muito importante no meu percurso e, hoje, como professora, sei que continua a ser uma marca Universidade. Além disto, fiz grandes amizades que levo para a vida.

 

O que é que a trouxe até ao Direito?

As minhas disciplinas favoritas sempre foram Português, História e Filosofia. Sempre gostei muito de escrever e tive a sorte de ser incentivada a fazê-lo. Lembro-me de, numa aula, em vez de estar a ouvir, estar a escrever; a professora de Português apanhou-me e levou o caderno para casa. Com uma empatia e uma visão absolutamente extraordinárias, em vez de me castigar, devolveu-mo numa capa especial e disse-me: «Se me trouxeres outro caderno escrito, dou-te outra capa». Esse gesto foi um incentivo fundamental. Na altura de escolher o meu percurso universitário, estava, por isso, mais inclinada para a Filosofia ou para a Literatura, mas tinha, também, de ponderar as saídas profissionais, e o Direito também me atraía.
Quando era adolescente, gostava muito de ler e sublinhar, no Diário da República, as intervenções dos Deputados na Assembleia da República e aquelas discussões parlamentares.  Já havia aí um interesse pelo Direito, pela política e pelo debate de ideias. Houve também, sem dúvida, uma influência familiar. O meu pai, hoje jubilado, é juiz. É uma pessoa muitíssimo culta, com um gosto profundo pela leitura e uma constante vontade de aprender mais. Essa influência levou-me também a pensar que seria interessante ser juíza, uma profissão em que podemos ler muitos livros – e, na verdade, qualquer carreira que envolvesse leitura e reflexão me atraía (risos).

 

“Os professores eram próximos, acessíveis, disponíveis para conversar, dar conselhos e esclarecer dúvidas”

 

Quando é que percebe que quer seguir a carreira académica?

Durante a licenciatura, pensava que queria ser juíza - nem sequer me passava pela cabeça ser professora (risos). Após terminar o curso, fiz o estágio de advocacia, mas percebi que, apesar de não ter desgostado, não seria aquilo que queria fazer a longo prazo. Foi então que surgiu a oportunidade de vir para a Católica, inicialmente como monitora, enquanto frequentava o mestrado.
Com o tempo, comecei a dar aulas, fiz o mestrado e fui-me envolvendo cada vez mais no ambiente académico. Percebi que queria continuar os estudos, fazer um doutoramento e dedicar-me à investigação. Gosto muito do que faço. É uma profissão muito bonita: acompanhar os estudantes, contribuir para a formação da sua mente jurídica e também para a sua formação enquanto pessoas, e assistir às conquistas que vão alcançando ao longo do tempo. Gosto de manter contacto com os meus estudantes mesmo depois de terminarem o curso e de acompanhar os seus percursos. Essa ligação é muito especial e traz-me uma enorme satisfação.

 

“Não basta termos uma boa Constituição, instituições sólidas ou bons representantes. É igualmente essencial contar com uma sociedade civil atenta, informada e participativa.”

 

Tem dedicado a sua investigação aos temas relacionados com a Constituição e com os direitos fundamentais. Inclusivamente, na sua tese de doutoramento, tratou o tema dos direitos sociais em tempos de crise, um tema que permanece atual...

Os direitos sociais são, infelizmente, um tema que continuará sempre a suscitar preocupação. A grande questão, não apenas dos direitos sociais, mas de todos os direitos fundamentais, é a sua aplicabilidade prática: não se esgotarem em meras proclamações retóricas.
Se pensarmos bem, a democracia e os direitos humanos não são conquistas definitivas; são processos em permanente construção, que exigem vigilância, participação e responsabilidade. Na minha perspetiva, educar para os direitos humanos - ou investigar sobre direitos humanos - é formar cidadãos conscientes de que a liberdade só se preserva quando é defendida de forma responsável.

 

É um alerta que faz também questão de transmitir aos seus alunos durante as aulas?

Nós já nascemos em democracia e, por isso, é-nos muitas vezes difícil imaginar o mundo em que vivemos sem ela. Nas aulas, procuro apresentar de forma sucinta a história constitucional portuguesa e mostrar imagens e vídeos das primeiras eleições democráticas – que tiveram uma taxa de participação de 91%! Ver as longas filas e a emoção das pessoas a votar para a Assembleia Constituinte é particularmente significativo.
Hoje assistimos, em vários países, a processos de erosão democrática que não passam necessariamente pela eliminação formal da democracia, como aconteceu noutros períodos históricos. As eleições continuam a existir, mas isso não impede que as democracias se tornem menos saudáveis, com uma qualidade democrática progressivamente reduzida, seja pela fragilização das instituições, pela limitação de direitos ou pela diminuição do pluralismo e dos controlos mútuos (checks and balances) Este fenómeno representa um risco sério para as próximas décadas.
Por isso, não basta termos uma boa Constituição, instituições sólidas ou bons representantes. É igualmente essencial contar com uma sociedade civil atenta, informada e participativa.

 

Neste contexto pré-eleitoral em que vivemos atualmente, que leitura faz do papel do Presidente da República no sistema político português?

Trata-se de um órgão de soberania com competências muito significativas, que não é meramente cerimonial ou figurativo. Pelo contrário, tem funções determinantes no funcionamento do sistema político e constitucional.
O Presidente da República pode, por exemplo, dissolver a Assembleia da República, demitir o Governo, exercer o veto político e requerer a fiscalização da constitucionalidade dos diplomas junto do Tribunal Constitucional.
Por isso, é essencial que os portugueses façam uma escolha ponderada e esclarecida e que quem venha a ocupar este cargo esteja à altura da sua importância e responsabilidade.

 

Os alunos mais jovens interessam-se pela política e pelos temas constitucionais e dos direitos fundamentais?

Na licenciatura, dou aulas a alunos do primeiro ano, maioritariamente com 18 ou 19 anos, que votaram ou irão votar pela primeira vez – o que me obriga, muitas vezes, a adaptar a minha linguagem e a forma como explico a matéria.
Não creio, contudo, que os estudantes sejam alheios à política ou desinteressados. O que a ciência política e a sociologia demonstram é que as gerações mais jovens participam de forma diferente. Podem revelar menor interesse no ato eleitoral, até porque muitos ainda não pagam impostos ou não gerem autonomamente a sua vida, mas isso não significa ausência de participação. São, por exemplo, muito mais ativos nas redes sociais e respondem a estímulos distintos dos das gerações mais velhas. A participação não é pior; é diferente. Ao longo do seu percurso, vão adquirindo, naturalmente, maturidade. Eu própria me recordo dessa evolução: o meu verdadeiro fascínio pelo direito constitucional surgiu quando voltei a assistir às mesmas aulas (da licenciatura) como monitora, cinco anos mais tarde. Por isso, na licenciatura, procuro deixar esta semente, que mais tarde dará forma à consciência cívica dos estudantes.

 

“O contacto com a diferença promove a tolerância e também a humildade intelectual.”

 

Coordena também a Pós-graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos. Qual é a importância da interdisciplinaridade?

Creio que existe ainda alguma tendência, sobretudo entre juristas, para encarar o Direito como um fenómeno isolado. Portanto, esta perspetiva do Direito articulado com a Economia Social, a Psicologia e a Educação é particularmente relevante quando falamos de direitos humanos. Os direitos humanos não são proclamações etéreas: vivem na prática. A ligação entre a teoria e a prática pareceu-nos, desde o início, essencial, até porque a efetiva implementação dos direitos humanos é, muitas vezes, um dos seus maiores desafios.
A resposta a esta Pós-graduação tem sido muito positiva. Temos um corpo docente muito diversificado, que integra tanto teóricos como profissionais com experiências relevantes em ONG e em contextos de conflito, que trazem muito “mundo” às aulas. E também os alunos não são apenas juristas; contamos ainda com profissionais e estudantes de áreas como a saúde, a história, a filosofia, … E com eles tenho igualmente aprendido muito, pois trazem exemplos práticos do seu dia a dia profissional. Não há nada mais importante do que ouvir quem trabalha no terreno para perceber se a legislação está a ser efetivamente aplicada ou se existem lacunas que importa repensar.
Estas circunstâncias concretas ajudam-nos a identificar aquilo a que muitas vezes chamamos blindspots ou “pontos cegos” da legislação em matéria de direitos humanos - situações que o legislador não consegue antecipar no momento da criação da lei.

 

Enquanto docente e investigadora, tem um envolvimento internacional muito ativo.

A primeira experiência que despertou em mim este “bichinho” da internacionalização foi a participação na Academic Network on the European Social Charter and Social Rights, uma rede de académicos que procura analisar de que forma a Carta Social Europeia está a ser efetivamente implementada pelos Estados.
Desde então, tenho participado em diversas redes internacionais de investigação e gosto também muito de organizar conferências e de participar em congressos, em colaboração com docentes de outras universidades.
Desde 2023, integro os painéis de avaliação do European Research Council - a principal entidade da União Europeia de financiamento da investigação científica de excelência, que apoia investigadores e equipas, exclusivamente com base no mérito científico. As chamadas ERC Advanced Grants são bolsas extremamente competitivas e é muito enriquecedor participar neste contexto. Espero, aliás, que no futuro haja uma participação mais expressiva de investigadores portugueses a concorrer a estas bolsas.
O meu desafio mais recente foi juntar-me ao Conselho de Administração da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia. O nosso objetivo é identificar prioridades no vasto conjunto de direitos consagrados na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, perceber quais são as áreas que suscitam maior preocupação e apontar orientações e possíveis soluções para uma melhor implementação desses direitos.

 

O que é que tem sido mais marcante nestas experiências internacionais?

Estas experiências ajudam-nos a ser mais tolerantes, pois o contacto com a diferença promove a tolerância e também a humildade intelectual. Permite confrontar ideias e aprender com colegas de outros contextos. Para mim, são profundamente enriquecedoras, tanto pelo crescimento académico como pelo contacto humano com pessoas com quem partilho e debato diferentes experiências e perspetivas.

 

Que livro recomenda para aprofundar os temas da Constituição, dos direitos fundamentais e da política?

Constituição e Identidade Nacional na Era dos Populismos, de Rui Medeiros.

 

07-01-2026

Mestrado em Marketing da Católica Porto Business School acreditado pela Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing

O Mestrado em Marketing da Católica Porto Business School recebeu a acreditação da APPM (Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing). Esta distinção reconhece a qualidade do programa e o seu alinhamento com as práticas e desafios atuais do marketing. 

Lecionado em inglês, o programa destina-se tanto a recém-licenciados como a profissionais que pretendam aprofundar os seus conhecimentos, desenvolver uma visão integrada do marketing e reforçar as suas competências para atuar num contexto global, competitivo e em constante transformação. 

Os diretores do Mestrado em Marketing, Božidar Vlačić e Carla Martins, salientam: “Esta acreditação por parte da APPM confirma a qualidade e atualidade do nosso programa, reforçando o compromisso da Católica Porto Business School com uma formação rigorosa, internacional e relevante para a área do marketing.” 

Com esta acreditação, o Mestrado em Marketing consolida o seu lugar como uma referência na formação avançada em marketing em Portugal, aproximando estudantes, empresas e profissionais da área. 

06-01-2026

Alumna ESB Ana Casaca nomeada para o board do European Innovation Council

Ana Casaca, alumna da Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica Portuguesa, foi recentemente nomeada membro do board do European Innovation Council (EIC), o principal instrumento da União Europeia de apoio à inovação disruptiva e a tecnologias deeptech, no âmbito do programa Horizonte Europa. Neste mandato, Ana Casaca é a única portuguesa a integrar este órgão estratégico, composto por 20 membros independentes.

Com mais de 20 anos de experiência nas áreas da transferência de tecnologia, inovação corporativa e desenvolvimento de ecossistemas de inovação, Ana Casaca é atualmente Diretora de Inovação da Galp. Licenciada em Microbiologia pela Universidade Católica Portuguesa, iniciou a sua carreira como investigadora em São Francisco, tendo beneficiado de bolsas da AICEP e da Fulbright. Construiu um percurso sólido entre ciência, indústria e inovação e mantém uma ligação ativa ao meio académico, como professora convidada e associada em instituições de ensino superior e no âmbito do seu desenvolvimento profissional contínuo.

A nomeação de Ana Casaca surge num momento particularmente relevante, em que a União Europeia se prepara para o próximo Quadro Financeiro Plurianual, num contexto de ambição reforçada para consolidar a soberania tecnológica europeia e aumentar a escala do apoio à inovação.

A Escola Superior de Biotecnologia congratula-se com esta distinção, que reflete o impacto e a relevância dos seus antigos estudantes em contextos internacionais de decisão e inovação.

06-01-2026

8 Mil Milhões de Nós: o projeto da Católica que transforma a inclusão em liderança

A Universidade Católica Portuguesa no Porto está a implementar o 8 Mil Milhões de Nós (8MMN), um projeto de inovação social que nasceu com uma missão urgente: combater o estigma e a invisibilidade das pessoas com deficiência e neurodivergência.

Promovido pela Área Transversal de Economia Social (ATES) da Católica, com o apoio dos investidores sociais Grupo JAP e Fundação Amélia de Mello e com cofinanciamento do Portugal Inovação Social, o projeto distingue-se pela sua abordagem inovadora. Em vez de olhar para as pessoas com deficiência como beneficiários passivos, o 8MMN capacita-os para assumirem o papel de líderes e formadores, tonando este grupo protagonista através da capacitação para a autorrepresentatividade. Através de ferramentas de storytelling e educação não-formal, o projeto prepara estas novas vozes para serem agentes da mudança, dinamizando workshops em escolas e instituições sobre os grandes temas da humanidade, concretizando o lema: "Nada sobre nós, sem nós".

Num mundo onde a apatia e a invisibilidade continuam a ser uma realidade para muitas pessoas com deficiência, o 8MMN procura promover a beleza, a empatia e o diálogo como ferramentas essenciais para garantir a participação e inclusão efetiva,” refere Joana Morais e Castro, fundadora do grupo que trabalha há largos anos em projetos sociais na Área Transversal da Economia Social da Universidade Católica Portuguesa no Porto.

O arranque do projeto ficou marcado pela Formação de Formadores que decorreu a 20 de dezembro, no campus do Porto da Católica. A Universidade Católica acolheu a equipa de formadores do projeto, um grupo que espelha a diversidade da multideficiência, envolvendo pessoas Cegas, pessoas com Autismo, Paralisia Cerebral, Trissomia 21, Deficiência Motora, Esclerose Múltipla e Défice Intelectual para um dia intensivo de trabalho e capacitação.

Nesta sessão, os futuros formadores não só receberam ferramentas técnicas para a dinamização de sessões, como iniciaram a construção do seu percurso enquanto líderes. A partir de agora, este grupo será o rosto visível do projeto, levando a sua experiência e competência a centenas de pessoas ao longo do próximo ano, e provando que a verdadeira inclusão se faz através do encontro, do diálogo e do protagonismo na primeira pessoa.

06-01-2026

Nove projetos de cooperação académica da Católica conquistam financiamento da Transform4Europe

Nove projetos de cooperação académica para a diversificação da oferta pedagógica da Universidade Católica Portuguesa vão receber fundos do programa Seed Funding da aliança universitária Transform4Europe (T4EU), num investimento global superior a 55 mil euros. Visam todos a criação de ofertas educativas conjuntas sustentáveis.

Com um total de 19 projetos submetidos a este programa e 14 selecionados, a Católica foi a universidade da rede que apresentou o maior número de candidaturas e que teve mais candidaturas aprovadas, alcançando uma expressiva taxa de sucesso de 90%. Foi também a que mais verbas angariou.

Entre os projetos aprovados em que está envolvida, a Católica lidera dois nas áreas da Teologia e da Educação Inclusiva, cooperando com três universidades membros da aliança e também com universidades de fora da T4EU. Desta forma, reforça a atividade de T4EU Outreach que a Católica encabeça.

A universidade colabora ainda noutros sete projetos, em áreas como a Sustentabilidade, a Literacia Alimentar, a Linguística, a Integração Cultural, os Desafios Sociais, o Design e Bem-estar e o Empreendedorismo.

Estes projetos contam com a participação da Faculdade de Teologia, da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, da Escola Superior de Biotecnologia, da Faculdade de Educação e Psicologia, da Católica Porto Business School e do Instituto de Estudos Políticos.

É ainda de destacar que a maioria dos projetos representam sementes para o enriquecimento e diversificação da oferta pedagógica disponível para toda a comunidade da Católica.

“A dinâmica, a competitividade e os resultados apresentados são o reconhecimento da comunidade académica da Católica, do valor e das oportunidades de colaborar em rede, nomeadamente com e através da Transform4Europe”, refere o Diretor da Transform4Europe da Universidade Católica Portuguesa, Francisco Mendes-Palma.

Já para Inês Monteiro, investigadora no Católica Learning Inovation Lab “a aprovação da candidatura ao Seed Funding Programme com o projeto Collaborative Pathways to Inclusive Education representa um passo importante no meu projeto de doutoramento sobre Educação Inclusiva no Ensino Superior, ao permitir ampliar o alcance da investigação inicialmente planeada. Esta passará de um contexto nacional, centrado em Instituições de Ensino Superior do Norte de Portugal, para uma dimensão internacional, através da colaboração com universidades parceiras da aliança Transform4Europe na Alemanha, Espanha e Lituânia”.

Em particular, o “financiamento possibilitará a criação conjunta de uma microcredencial sobre diversidade e inclusão, bem como a constituição de Comunidades de Aprendizagem e Prática internacionais dedicadas a esta temática”, conclui.

A terceira call para o Seed Funding Programme - Transform4Europe já está aberta, decorrendo até 15 de março de 2026. Esta é mais uma oportunidade para obter financiamento- com verbas entre os 3 mil e os 30 mil euros -, construir parcerias académicas duradouras e promover mudanças sustentáveis além-fronteiras, beneficiando da estrutura e do apoio da T4EU.

“O programa Seed Funding é mais do que uma oportunidade para obter financiamento para um projeto conjunto: é um verdadeiro semeador de ideias, capaz de germinar em futuras calls para novas formações, cursos, investigação e inovações com impacto na vida dos alunos e na sociedade em geral, contribuindo para construir uma aliança verdadeiramente transformadora.”, refere João Cortez, coordenador desta atividade na Católica.

Lançada em 2020, a T4EU integra a iniciativa Universidades Europeias e é composta atualmente por onze universidades.

 

05-01-2026

Óscares 2025: Filme “Percebes” está na lista de pré-selecionados

A Academia anunciou na terça-feira, dia 17 de dezembro, a lista de 15 títulos a integrar a shortlist de pré-selecionados para a Melhor Curta-Metragem de Animação. O filme de animação "Percebes", de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, está entre os finalistas.

Produzido pela cooperativa BAP Animation, Percebes é um documentário, animado em aguarela e digital, sobre o ciclo de vida deste crustáceo no contexto da apanha no Algarve, com as duas realizadoras a abordarem ainda questões sobre a relação dos habitantes locais com o mar, sobre turismo e sobre o desordenamento da costa portuguesa.

Alexandra Ramires é professora da Escola das Artes e integra o corpo de professores da especialização em Animação, do Mestrado em Som e Imagem.

As nomeações finais vão ser reveladas a 17 de janeiro de 2025 e a 97ª cerimónia de entrega dos Óscares decorre em Los Angeles a 2 de março.
 


 

 

PERCEBES
Portugal, França, 2024, ANI, DOC, 11'30'"

Realização: Alexandra Ramires (Xá), Laura Gonçalves
Produção: David Doutel, Vasco Sá, BAP – ANIMATION STUDIOS
Edwina Liard, Nidia Santiago, IKKI FILMS
Argumento: Alexandra Ramires (Xá), Laura Gonçalves, Regina Guimarães
Música: Nicolas Tricot
Som: Bernardo Bento
Animação: Inês Teixeira, Joana Teixeira, Leonor Pacheco, Laura Equi, Carolina Bonzinho

Sinopse: Com o mar e um Algarve urbano como pano de fundo, seguimos um ciclo completo da vida de um molusco especial chamado PERCEBES. No percurso da sua formação até ao prato, cruzamos diferentes contextos que nos permitem compreender melhor esta região e aqueles que nela habitam.

20-12-2025

Investigadoras de Biotecnologia da Católica vencem 7.ª edição do Prémio Food Fab Lab

As investigadoras e alunas Inês Soares (bolseira de investigação / aluna do mestrado em biotecnologia), Maria Leonor de Castro (aluna de doutoramento em biotecnologia) e Rita Vedor (aluna de doutoramento em biotecnologia), da Escola Superior de Biotecnologia e do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica Portuguesa, conquistaram o Prémio Food Fab Lab com o projeto Snack-a-Tummy.

O Snack-a-Tummy é um snack funcional e equilibrado, especialmente desenvolvido a pensar nas necessidades nutricionais das crianças, mas com um sabor que agrada a toda a família. Apresenta-se num formato inovador de dois compartimentos: um com leite fermentado enriquecido com a estirpe probiótica Lacticaseibacillus rhamnosus GG e o seu concentrado pós-biótico, e outro com palitos mastigáveis de maçã, produzidos a partir de farinha de bagaço e puré de maçã de Alcobaça Vermelha IGP.

Este lanche é fonte de cálcio, rico em proteínas e fibras, isento de glúten, com Nutri-Score A, e representa uma abordagem sustentável que valoriza subprodutos nacionais. O projeto vencedor, inserido na categoria de bolachas, snacks e aperitivos, destacou-se entre as 13 candidaturas submetidas à 7.ª edição deste prémio nacional, sendo reconhecido pelo seu caráter diferenciador e pelo potencial de introdução no mercado de novos alimentos de elevado valor acrescentado.

Com esta distinção, as investigadoras garantiram suporte especializado no desenvolvimento do projeto, beneficiando de acompanhamento estratégico e empresarial para a sua introdução no mercado, através do ecossistema TAGUSVALLEY.

A atribuição do prémio, que decorreu no passado dia 15 de dezembro, sublinha a excelência da investigação desenvolvida na Escola Superior de Biotecnologia e no Centro de Biotecnologia e Química Fina, distinguindo projetos que aliam rigor científico, inovação prática e sustentabilidade no setor agroalimentar. A ESB e o CBQF felicitam as suas alunas por este reconhecimento.

18-12-2025

Celso Carvalho: “O ser humano de hoje quer sentido.”

Celso Carvalho é estudante do mestrado em Teologia, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Percebeu aos 12 anos que queria ser padre e, mais tarde, que o seu caminho passava por ser padre diocesano, vivendo “nessa proximidade simples, mas com muita presença”. No diálogo da Igreja com as novas gerações, identifica o desafio de, “no meio do ruído”, ensinar os jovens a “baixar o volume para ouvir o essencial”. E por isso partilha o conselho de arriscar “tirar os fones” e voltar a “Aproximar. Tocar. Falar”.

 

O que o trouxe à Teologia?

A minha vocação foi uma daquelas coisas que se sentem antes de se compreender. Desde pequeno, o meu desejo de servir vestiu-se de mil e uma fardas. Hoje, vou percebendo melhor esse “fio condutor”: fosse no tribunal (como juiz), no hospital (como veterinário ou cirurgião), na oficina (como carpinteiro) ou na igreja (como padre) - eu tinha uma “sede” imensa de cuidar das pessoas, de vê-las “maximizadas” na sua essência.
Aos 12 anos, fui com o meu pai ao seminário dos Passionistas e, sozinho, ao balcão da livraria disse sem rodeios: «Eu quero ser padre! Dizem que aqui se formam padres. Como é que eu faço?». Foi assim, com esta ingenuidade, que a caminhada começou.
Mas foi já na etapa do Seminário Maior que finalmente entendi que tipo de padre sonho ser. Gosto muito daquela imagem do Papa Francisco sobre a Igreja ser um «Hospital de Campanha». Se os missionários são os “especialistas”, eu descobri que a minha vocação é ser o “Médico de Família”, o padre diocesano que está na paróquia, que conhece as pessoas pelo nome, e que as acompanha no dia a dia. Foi nessa proximidade simples, mas com muita presença, que comecei a entrever a minha felicidade, da qual ainda faço caminho.

 

Atualmente, frequenta o 1º ano do Mestrado em Teologia, que é parte do seu percurso de formação sacerdotal.

Na lógica do seminário, o 1º ano de Mestrado equivale ao 4.º ano de uma caminhada longa de sete. Estou também a estagiar na paróquia da Trofa.
Recentemente, dei um passo que me tocou muito: a Admissão às Ordens Sacras, uma “porta” pequenina que se abre para um compromisso maior - não com as paredes de um edifício, mas com a Igreja com «I» maiúsculo: as pessoas. Se Deus quiser, seguem-se etapas bonitas, as chamadas “instituições”. Primeiro o Leitor (enraizar na Palavra) e depois o Acólito (o serviço do altar, na Igreja, onde habita Cristo; mas também no “altar da vida”: na rua, na escuta, na fragilidade do outro). Se tudo correr bem, serei ordenado Diácono e, por fim, Padre.

 

Como descreve a experiência enquanto estudante da Católica?

Acredito que cresci muito, não só como estudante, mas como homem. A Católica é, acima de tudo, um espaço humano. E para além de todo o conhecimento, acredito que ficam as pessoas. Conhecemo-nos pelo nome, olhamo-nos mais facilmente nos olhos. Aqui, reencontrei amigos, cruzei histórias com pessoas de várias congregações e vindas de outras áreas. De facto, é isto que cria um ambiente simpático, onde ninguém se sente apenas um número, mas um rosto.
O ser humano de hoje quer sentido. Queremos crescer por dentro. E a Católica oferece-nos um mundo de oportunidades que vão muito além da sala de aula: voluntariado; semanas/dias temáticos; formações; convidados especiais; etc. A vida não é feita só de Ciência ou de teoria abstrata. E foi essa «vida real», de carne e osso, que eu fui encontrando aqui.

 

“Cuidamos muito do Físico, e cada vez mais do Psicológico, o que é fundamental, mas falta o terceiro pilar: o Espiritual.”

 

Que área escolheu para aprofundar na sua dissertação de mestrado?

O Direito Canónico. A lógica da justiça apaixona-me e vejo o Direito como uma ferramenta urgente para servir o ser humano. Hoje, o grande desafio - tanto da Igreja como da sociedade - é a linguagem: o sentimento humano quase nunca cabe nas palavras. Por isso, fascina-me a hermenêutica - a arte de interpretar, não apenas ler a “letra fria” da lei (dura lex, sed lex); mas perceber o coração de quem a escreveu. Ir além da regra para encontrar o espírito da justiça.
A minha ideia de dissertação junta esta paixão com a paixão de cuidar, focando-se nas Capelanias Hospitalares. Na hora da doença, temos ainda uma visão fragmentada do ser humano. Cuidamos muito do Físico, e cada vez mais do Psicológico, o que é fundamental, mas falta o terceiro pilar: o Espiritual. Eu quero estudar o espírito, o sopro que nos anima.
A grande pergunta da minha tese é: Será que as nossas leis conseguem respeitar a integralidade complexa da vida humana? Quero investigar o valor da consciência e da dignidade no contexto médico. Porque a dignidade de uma pessoa não acaba quando a saúde acaba. E o Direito, tal como a Teologia, tem de servir para proteger esse valor sagrado até ao último suspiro.

 

Um tema muito ligado à questão do sofrimento ... Jesus sofre connosco?  

Também no seminário temático sobre o Sofrimento, tenho tido a oportunidade de estudar um «Deus que sofre connosco, sem deixar de ser omnipotente». Há uma passagem no episódio da Reanimação de Lázaro que mudou a minha visão - o versículo mais pequeno de toda a Bíblia: «Jesus chorou» (Jo 11, 35). Perante a morte do amigo, Jesus não começa por fazer discursos, nem operar um milagre imediato. Jesus chora, mostrando que, diante da dor do outro, não conseguimos (nem devemos) ficar indiferentes.
É aqui que eu encontro o “método” que quero levar para a vida, sobretudo num mundo cheio de ecrãs. Jesus ensina-nos uma gramática de três passos: o primeiro é aproximar: vencer a distância dos telemóveis e chegar ao pé; o segundo, tocar: sentir o calor do outro, o bater do coração no pulso, a mão que treme. O toque que cura onde a palavra não chega; o terceiro é falar: Só no fim, se houver espaço, é que falamos.
E é isto é que nos distingue. Nós, humanos, temos essa capacidade única - e esse fardo - de pensar, de discernir e de procurar sentido no meio da dor. Ajudar as pessoas a fazer esse caminho, sem fugir às perguntas difíceis, é o que mais me entusiasma agora.

 

“A minha mensagem para o Natal é não deixar a cadeira vazia. Aproximar. Tocar. Falar”

 

Que desafios enfrenta a Igreja no diálogo com as novas gerações?

Hoje, ser jovem cristão é um desafio de navegação. Vivemos num mundo onde o algoritmo do Instagram quer a nossa atenção; o X quer a nossa revolta; a política quer o nosso voto… E no mercado da atenção, quem fala com mais convicção ganha, mesmo que não tenha conteúdo. Valorizamos o espírito empreendedor, o palco, o sucesso rápido.
O desafio da Igreja é precisamente não cair nessa armadilha. Gosto muito da abordagem dos Jesuítas neste ponto: eles ensinam-nos bem a lógica do discernimento. Num mundo ruidoso, o desafio não é gritar mais alto, mas ensinar o jovem a baixar o volume para ouvir o essencial.
E, nós, jovens, precisamos de ter a coragem de navegar nesse mar de vozes, sabendo que temos “colo” para as viagens difíceis.

 

O que mais afasta e o que mais aproxima os jovens da fé?

Começo por desfazer um mito: ninguém tem «fé no acaso». A fé não é uma energia solitária, é fé numa Pessoa - se não tem pele, não é real.
Acredito que o que mais afasta é o medo, misturado com a ideia errada de que a fé tem de ser “cega”. Se alguém entrar aqui a correr e me disser que acabou de aterrar um helicóptero no bar da faculdade, eu não vou acreditar. A fé não é acreditar em “helicópteros no bar”; é confiar em algo que faz sentido, mesmo que não vejamos tudo. O que afasta é quando nos vendem a fé como um jogo de “cabra-cega”: tapam-nos os olhos e dizem «Anda lá, caminha!» - todos temos medo, temos dificuldade em deixar-nos guiar. Ninguém gosta de andar às escuras, e isto, paralisa.
O que mais aproxima é, sem dúvida, o sentido de pertença. O que atrai os jovens é sentirem que têm um lugar à mesa, que não estão ali por acaso. Vejo isso, por exemplo, nos grupos ligados a muitos movimentos que criam espaços onde se pode rezar, mas também rir, cantar e fazer “palhaçadas”. É nessa alegria partilhada, onde nos sentimos em casa, que a fé cresce.

 

Onde reside a atualidade da mensagem de Jesus?

Para mim, a mensagem de Jesus reside em dois lugares: no Rosto do outro (Mt 25, 35-40) e no Partir do Pão (Lc 24, 30-35). Primeiro, no rosto, na resposta que nos aparece numa conversa com alguém. É aí que Jesus reside. A mensagem d'Ele não é um texto antigo; é um encontro que acontece no agora, no rosto de quem se aproxima.
Mas para termos força para esse encontro, precisamos da segunda parte: a Eucaristia. A Bíblia diz que a «fé sem obras é morta» (Tg 2, 26), mas como é que eu posso ter boas obras se estiver “oco” por dentro? É na Missa que o peregrino enche a mochila e aprende a mexer melhor no “coração” de qualquer homem. Quando o padre diz «Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!», não está a dizer «Acabou, vão-se embora». Está a dizer: «Já carregaram? Então agora vão melhorar o mundo.» A Missa não é um ponto de chegada, é o ponto de partida. Por que temos medo disso? Não estamos à espera de “segredos mágicos”; estamos à espera de força para caminhar. E é aí que Jesus se torna atual.

 

Que palavras partilharia com quem está em discernimento, vocacional ou pessoal, e ainda não encontrou respostas?

A primeira palavra é de paz: calma, ninguém cruzou a meta. Acredito que todos nós - tenhamos 20 ou 80 anos - estamos em discernimento.
Há uma frase famosa de Viktor Frankl que diz que a porta da felicidade abre para fora. Quem tenta forçá-la para dentro (fechando-se em si mesmo), acaba trancado.
Para quem procura uma resposta, a minha dica é arriscar tirar os fones. A resposta para a vocação não vai aparecer num ecrã nem no isolamento. Vai aparecer no “risco” do encontro. Não tenhamos medo de escutar o barulho do mundo e a voz de quem se senta ao nosso lado no autocarro. Porque, muitas vezes, Deus não grita; Deus sussurra na conversa que ainda não tivemos a coragem de ter.

 

Qual é a mensagem central deste Natal?

Há um anúncio de Natal de 2018 que, para mim, é a maior lição que podemos encontrar. O cenário era simples: várias famílias reunidas à mesa para o jantar de Natal, e um jogo - faziam-se perguntas e, se a pessoa errasse, tinha de se levantar e abandonar a mesa. O jogo começou e foi fácil - perguntavam sobre a vida dos famosos, sobre os influencers, sobre os filtros do Instagram. Toda a gente sabia responder, toda a gente ria. Tudo mudou quando as perguntas passaram a ser sobre a família: «Como é que os teus pais se conheceram?», «Qual foi o primeiro emprego da tua avó?», «Qual é o sonho que o teu pai nunca realizou?». Ninguém sabia. Um a um, tiveram de se levantar e sair. As cadeiras ficaram vazias. Quando vi senti um certo frio. É a prova de que sabemos tudo sobre o mundo digital, mas somos desconhecidos a jantar na mesma mesa.
A minha mensagem para o Natal é não deixar a cadeira vazia. Aproximar. Tocar. Falar. Largar o telemóvel, fazer as perguntas difíceis, descobrir os sonhos de quem vive connosco. A vida é o amor e a atenção que colocamos nela. Nas palavras de São João da Cruz - para o Natal e para a vida inteira - «No entardecer da vida, seremos julgados pelo Amor.».

 

18-12-2025

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