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Marta Correia: “A Nutrição é, provavelmente, a área com maior potencial de promover a saúde de forma sustentável e eficaz.”

Chama-se Marta Correia e é a atual coordenadora da licenciatura em Ciências da Nutrição da Escola Superior de Biotecnologia. Docente e investigadora por paixão, assume-se como uma curiosa que não se satisfaz. É na investigação que “com criatividade” consegue dar resposta às questões científicas e é na docência que partilha conhecimento e que se sente desafiada pelos seus estudantes. É mãe, gosta muito de ler, de música e de cinema e é, também, praticante de Iyengar ioga. Prato favorito? Comidas tipicamente mediterrânicas como ovos escalfados com ervilhas. Nesta entrevista, Marta Correia fala-nos sobre o seu percurso profissional, sobre a importância da alimentação e o longo caminho que ainda há a percorrer rumo a uma alimentação mais saudável e sustentável.

 

É verdade que “somos aquilo que comemos”?

Claro que sim. A nutrição e a dieta interagem com o nosso potencial genético, influenciando a saúde, e também os nossos hábitos de sono, a nossa performance física e as nossas emoções. O nosso potencial de nos concretizarmos em corpo, em órgãos, em ações e em crescimento celular depende muito dos nutrientes que comemos e, por isso, não há dúvida alguma de que a Nutrição ocupa um papel muito especial.

 

Qual é o seu prato favorito?

Ervilhas com ovos escalfados e favas estufadas com coentros (risos). Gosto muito de comer e estas são as minhas comidas favoritas, são pratos muito mediterrânicos.

 

“A nutrição está na interface de inúmeras outras áreas, a nutrição é esta linguagem que se fala em todos os sítios.”

 

Porquê a escolha de estudar Ciências da Nutrição?

Quando escolhi estudar Ciências da Nutrição, não tinha sequer perceção deste mundo imenso. Estamos a falar da década de 90 e, por isso, refiro-me a tempos muito diferentes dos de hoje em dia. Quando ingressei na faculdade, eu não tinha qualquer expetativa nem conhecimento sobre o que era a Nutrição. Candidatei-me a este curso porque achei que era interessante e porque tinha a ver com saúde. Estava longe de imaginar o mundo que me esperava. Felizmente vim aqui parar porque a área das Ciências da Nutrição é provavelmente a área da saúde com maior potencial de promover a saúde de forma sustentável e eficaz.

 

O que é que mais a fascina nesta área?

Sou totalmente apaixonada por esta área em termos científicos e é por isso que estou na área da investigação e da docência. O que me move é a minha vontade em querer compreender os mecanismos pelos quais a dieta, os nutrientes e outras moléculas que existem nos alimentos conseguem promover a saúde. Coisas tão simples como modelar a inflamação, impedir aumento da pressão arterial ou uma tiroide que não funciona bem. Há uma esfera de ação que é muito maior do que aquela que as pessoas pensam e que consiste numa oportunidade de sermos agentes da nossa própria saúde. A partir do momento em que sentimos este empoderamento enquanto cidadãos, esta área torna-se imensamente fascinante. A nutrição está na interface de inúmeras outras áreas, a nutrição é esta linguagem que se fala em todos os sítios. É isto que me apaixona.

 

“Sou muito curiosa! Tenho uma curiosidade que não se satisfaz.”

 

Será que quando era mais nova já algo indiciava que seria por aqui o seu caminho?

Aprendi com a minha família a importância do momento da refeição. Não tanto o requinte ou a sofisticação da ementa, mas o momento de convívio e o momento de trazer para a mesa o nosso passado gastronómico. Eu nasci e cresci em Lisboa, mas tenho raízes Algarvias. A minha mãe e a minha avó, as mulheres da família, foram quem mais me influenciou gastronomicamente. As favas, as ervilhas, o azeite, os coentros, em suma, todo este padrão mediterrânico cresceu comigo. É engraçado como nunca tinha pensado nisto, mas é muito provável que estas influências me tenham impactado e tenham, também, decidido o meu caminho.

 

“É a docência que dá sentido à minha investigação.”

 

Doutorou-se em Biomedicina (2012) pela Universidade do Porto e pela Université Paris-Sud XI. Como surgiu a oportunidade deste doutoramento?

Quando terminei a licenciatura comecei a trabalhar. Posteriormente, quando fiz o mestrado apercebi-me que aquilo que eu gostava, verdadeiramente, era de investigar. Sou muito curiosa! Tenho uma curiosidade científica que não se satisfaz. Para mim foi fácil perceber que era a investigação que ia permitir aliar a minha curiosidade constante à vontade de encontrar respostas às questões que eu levantava. Acabei por me despedir e em 2006 inicio o meu doutoramento com o IPATIMUP, atual i3S, para desenvolver o tema centrado na oncologia, por forma a compreender o impacto que a dieta e os nutrientes têm na prevenção. Acabei por estar envolvida num doutoramento em cotutela, porque acabei por fazer metade do Doutoramento em Portugal e a outra em França, na Université Paris-Sud XI. Tive a sorte de investigar no Instituto Pasteur, um instituto onde as possibilidades de investigação são imensas. Foi uma experiência muito enriquecedora!

 

“As recomendações nutricionais, com as crises climatéricas que temos, têm que ir mais além do que meramente a promoção da saúde.”

 

Qual é a importância da docência na sua vida profissional?

É a docência que dá sentido à minha investigação. A investigação só tem sentido se for partilhada, porque de outra forma é estéril. E desta partilha eu aprendo muito porque os alunos fazem perguntas e colocam hipóteses que me fazem sair da zona de conforto e porque me fazem pensar sobre outras perspetivas. É esta dialética que realmente me motiva.

 

Para além dos vários conhecimentos científicos e técnicos que partilha com os seus alunos o que é que lhes tenta, essencialmente, transmitir?

Tento ensiná-los a pensarem por eles próprios e a terem espírito crítico. Independentemente da área onde estejam, isto é mesmo o mais importante. Gostaria que todos nós tivéssemos mais espírito crítico; incutir essa mentalidade nos jovens é muito crucial.  

 

Os seus interesses científicos incluem nutrição e modelação da inflamação, nutrição e cancro e o estudo da relação entre dieta e sustentabilidade ambiental. Apesar de serem temas diferentes, qual é o denominador comum entre todos?

Todos esses temas são muito diferentes, mas no final do dia, o que me interessa é a forma como o nutriente que está na minha comida vai influenciar a doença e promover a saúde e se isso puder ser feito de forma sustentável, melhor ainda! Hoje em dia não faz sentido promovermos a ingestão de alimentos, se sabemos que a produção desses, têm forte pegada ambiental. As recomendações nutricionais, com as crises climatéricas que temos, têm que ir mais além do que meramente a promoção da saúde.

 

“O nosso corpo precisa de tempo para ingerir e absorver os alimentos. Por exemplo, o cheiro é muito importante para iniciar o processo de digestão.”

 

Em que é que estudar Ciências da Nutrição na Escola Superior de Biotecnologia é diferente de se estudar noutro sítio?

Eu sou a atual coordenadora, mas vim depois de duas grandes coordenadoras que trabalharam imenso para que a licenciatura fosse aquilo que é hoje e, por isso, tenho o meu trabalho muito facilitado (risos). A licenciatura em Ciências da Nutrição da ESB tem uma grande ligação à indústria e isto é único desta casa. Os alunos que estudam connosco são desafiados não só por professores excelentes, mas também por pessoas que trabalham no terreno. Esta forte ligação ao mundo empresarial e à indústria dá aos nossos alunos ferramentas que os capacitam a encontrar soluções adequadas às necessidades atuais, porque não basta ser-se cientificamente e tecnicamente excelente, é preciso, também, saber-se vender o produto e adequar o produto numa cadeia de fornecimento alimentar. Um segundo fator que nos distingue é o forte pendor da investigação. Colocamos à disposição dos nossos estudantes o acesso à investigação desde o primeiro ano do curso, o que contribui para o desenvolvimento do seu raciocínio em termos científicos e académicos.

 

Como é que Portugal olha para a Alimentação? Estamos no bom caminho?

Em Portugal coabitam várias realidades e, por isso, é difícil definir uma média ou uma norma, mas se eu tiver de generalizar, diria que ainda temos um longo caminho a fazer. Já temos dado alguns passos importantes, como no aumento da consciência da necessidade de se reduzir o consumo de sal e de açúcar, por exemplo, mas na verdade estamos ainda muito longe daquilo que seria um modelo mais plant-riched e mais mediterrâneo, onde a refeição não só é um momento onde ingerimos alimentos saudáveis e sustentáveis, mas onde, também, convivemos com os outros, sem televisão ou outras distrações, e onde se partilham experiências. Ainda há um longuíssimo caminho a percorrer.

 

Não é só o que comemos, mas a forma como comemos …

Claro que sim e há estudos muito interessantes que falam sobre isso e que nos mostram como é diferente ingerir o mesmo número de calorias numa hora ou em vinte minutos. O nosso corpo precisa de tempo para ingerir e absorver os alimentos. Por exemplo, o cheiro é muito importante para iniciar o processo de digestão. Mas para tudo isto é necessário alterar o modo como comemos e como olhamos para as refeições.

 

A gastronomia portuguesa é compatível com uma alimentação saudável?

Claro que sim! A gastronomia portuguesa é uma gastronomia muito rica, embora tenha acabado por se ocidentalizar mais, fruto da globalização, tendo-se perdido alguns hábitos que importa retomar. É claro que comprar uma lata de salsichas é mais fácil que comprar um saco de favas ou de grão. Mas, tradicionalmente, a nossa alimentação assenta naquilo a que chamamos de uma alimentação mediterrânica, embora este conceito seja muito variável, porque a bacia do mediterrâneo é enorme e o que se come na Tunísia, na Argélia, no Líbano ou em Marrocos, não é o mesmo que se come na Grécia, em Espanha, em França ou em Portugal. Há alguns denominadores comuns: refeições em convívio, as bebidas são na maioria das vezes infusões, ou águas com sabores, onde a base alimentar é com cereais integrais e leguminosas e um bocadinho de peixe, muito pouca carne. Claro que este paradigma se alterou porque se modificou a forma como vivemos, preparamos alimentos e produzimos alimentos, sendo que o acesso aos alimentos era mais escasso. Mas devemos fazer um esforço para selecionar melhor aquilo que comemos e temos de retomar a introdução de mais leguminosas, hortícolas, cereais integrais, pães de cereais, a batata doce. São tudo produtos excelentes que têm uma razão caloria-nutriente interessante e que nos dão, acima de tudo, mais saciedade e mais nutrientes.

 

“A tendência do futuro da educação é precisamente dar ao futuro profissional uma educação plural.”

 

Como é que se educa para a alimentação?

O primeiro passo começa em casa com a alimentação que os nossos pais e família nos dão. A família tem de estar envolvida neste processo. O truque é aproveitarmos todo o nosso espólio gastronómico e sabermos tirar o melhor partido dele. Para além disto, o pedido de ajuda de um profissional é importante. Muitas vezes basta uma consulta, ou duas, para se reorientarem as escolhas alimentares.

 

Coordena, atualmente, o ACT-19, um projeto multidisciplinar que pretende promover o bem-estar junto dos estudantes da UCP. Em que é que consiste?

É um projeto multidisciplinar que tem como motivação ajudar os jovens alunos no desenvolvimento de capacidades para saberem lidar com o stress e com a ansiedade. Sentimos que os nossos alunos têm poucas ferramentas sobre como lidar com situações causadoras de stress e de ansiedade: o luto de uma perda, o insucesso escolar, o divórcio, o término de uma relação, as incertezas da vida. Esta é uma geração que se viu pela primeira vez privada de socialização e convívio, com restrições sem precedentes, e a sua saúde mental tem de ser cuidada e protegida. Neste projeto, usamos a multidisciplinaridade, as artes, a meditação, um maior conhecimento sobre as sua próprias emoções e pensamentos, como estratégia de capacitar os nossos estudantes com ferramentas que os ajudem a agir perante os desafios da vida, as incertezas da vida.  

 

“O ioga ajuda-me a ser capaz de responder com mais tranquilidade à minha família e às exigências do meu dia a dia.”

 

A multidisciplinaridade é a chave deste projeto?

Sim, somos 13 pessoas de áreas muito diferentes como a nutrição, a psicologia, as artes e entre outras. Acreditamos que a educação de futuro tende a ser mais plural. No campus da Católica no Porto vive-se essa multidisciplinaridade que é tão benéfica para os alunos e também para nós docentes e investigadores. O ACT-19 é uma grande prova disso.

 

Como é que gosta de ocupar os seus tempos livres?

Sou mãe e tenho a minha família e, por isso, dedico-lhes todo o meu tempo. Fora isso, gosto de ler, cinema e pratico Iyengar ioga, que me dá muita tranquilidade e paciência. O ioga ajuda-me a ser capaz de responder aos desafios e às exigências da minha família e às exigências do meu dia a dia, ajuda-me a pôr tudo em perspetiva, não numa perspetiva de relativismo irresponsável, mas antes de aceitar o que não se pode mudar e que praticamente tudo é contornável, quando estamos em paz. Tento viver com alegria e cultivar esta forma de estar, sentir e viver junto da minha família.

 

17-03-2022

Amyris integra Clube de Empresas do MBA Executivo da Católica Porto Business School

A Amyris, empresa americana na área da biotecnologia, é o membro mais recente do Clube de Empresas do MBA Executivo da Católica Porto Business School (CPBS). O protocolo, assinado a 14 de março, pelo diretor da CPBS, Rui Sousa, e pelo CEO da Amyris, John Melo, estabelece a entrada da empresa nesta interface universidade – empresa, uma plataforma de residência de vários projetos que partilham em comum o envolvimento das empresas no processo de formação e desenvolvimento dos gestores, tendo em vista profissionais mais bem preparados para as empresas.

“A entrada da Amyris no Clube de Empresas do MBA Executivo reforça a estratégia de internacionalização da escola, oferecendo uma importante oportunidade de exposição dos nossos alunos à realidade internacional desta empresa e desta indústria,” salienta Rui Sousa, diretor da Católica Porto Business School, acrescentando “esperamos agora que a Amyris nos desafie e desafie os nossos alunos do MBA com case studies e diferentes iniciativas multidisciplinares.”

John Melo, CEO da Amyris, partilha que este protocolo “é uma oportunidade importante de interligação com a academia e de criação de sinergias. A Amyris está ansiosa por desafiar os estudantes do MBA Executivo e por conhecer as suas respostas a esses desafios.”

O Clube de Empresas do MBA Executivo é composto por 22 empresas que se disponibilizam para acolher projetos de investigação, visitas de estudos, seminários e iniciativas para o desenvolvimento de casos de estudo; apresentar projetos ou problemas para trabalhos a desenvolver por alunos; participar em seminários; participar em dinâmicas com os alunos do MBA Executivo, através dos seus CEOs/Diretores

São inúmeras as iniciativas ao abrigo deste protocolo que colocam as empresas e a universidade em contacto estreito, criando importantes contributos para o desenvolvimento da missão de ambas as entidades.

Isabel Braga da Cruz, presidente do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa, destacou que “este protocolo reforça a ligação da Católica e da Amyris, uma ligação já muito profícua nas áreas da Biotecnologia e que agora se estende à nossa Business School. É um enorme orgulho promover estas sinergias que nos desafiam a aumentar os nossos padrões de internacionalização e ligação às empresas.”

A ligação da Amyris à Universidade Católica Portuguesa estreita-se, desta forma, com a afirmação de mais uma parceria. De recordar que o projeto Alchemy resulta de uma parceria estratégica entre a Universidade Católica Portuguesa e a Amyris. O Alchemy visa a promoção da transferência de tecnologia que se traduzirá num crescimento de competitividade das empresas na área da bioeconomia. Acrescente-se, ainda, que este projeto de investigação se materializa num centro de competências de excelência em biotecnologia, promovendo Portugal na linha da frente nas áreas da bioeconomia e economia circular.

15-03-2022

Alunos da Escola das Artes vencem quatro prémios Sophia

A Academia Portuguesa de Cinema anunciou no último domingo, 13 de março, em evento no auditório Municipal de Albufeira, os vencedores dos Prémios Sophia Estudante 2022. A Escola das Artes obteve o seu melhor resultado de sempre com quatro prémios, nas categorias Curta-Metragem Experimental, Curta-Metragem Documentário e Design de Cartaz.

O filme Hysteria, de Luísa Campino, obteve o 1º lugar na categoria Curta-Metragem Experimental, enquanto Ata Eterna, de José Fernando Pimenta, obteve o 3º lugar na mesma categoria. Na categoria Design de Cartaz, o filme Sónia, de Maria Moreira, ficou em 1º lugar (design de Maria Moreira). Já o filme Terra à Vista, de Ema Lavrador, obteve o 3º lugar na categoria Curta-Metragem Documentário. 

 

Cursos nesta área

  

  

 

 


Filmes vencedores

Melhor Curta-Metragem Documentário
Terra à Vista
De Ema Lavrador
3º lugar na categoria Curta-Metragem Documentário






Melhor Curta-Metragem Experimental

Ata Eterna 
De José Fernando Pimenta
3º lugar na categoria Curta-Metragem Experimental




 

Hysteria 
De Luísa Campino
1º lugar na categoria Curta-Metragem Experimental




 


Design de Cartaz
Sónia
De Maria Moreira
(Design de Cartaz de Maria Moreira)
1º lugar na categoria Design de Cartaz

 

 

14-03-2022

Ajuda à Ucrânia

Partilhamos diferentes formas de ajudar a Ucrânia:

 

  1. DOAR BENS – átrio principal da Católica

Uma iniciativa da Associação de Ucranianos em Portugal, em parceria com o Consulado da Ucrânia e a Camara Municipal do Porto. No átrio principal do campus Porto da Universidade Católica haverá um ponto de recolha de bens, que posteriormente serão entregues no Seminário Redentorista de Cristo Rei em Gaia. 

+ informação 933 159 266 / 933 159 267 | apoio.ucrania.cristorei@gmail.com

  

 

  1. REZAR PELA PAZ – capela da católica

Momento de oração todas as 5ªs feiras entre as 12h50 e as 13h00 (início 10 de março)

 

  1. ACOLHER REFUGIADOS | Serviço Jesuíta aos Refugiados / PAR Linha da Frente UCRÂNIA

Iniciativa da Plataforma de Apoio aos Refugiados com o objetivo de mapear voluntários e soluções de alojamentos para acolhimento de refugiados ucranianos em Portugal. Se tem algum espaço que possa disponibilizar para acolhimento de refugiados, preencha este formulário.
+ informações Ajudar e rezar pela Ucrânia - Ponto SJ

 

  1. DOAÇÕES FINANCEIRAS

Nos links em baixo encontra os dados para transferência

  • A Universidade associa-se à Cáritas Portuguesa, que lançou a Campanha “Cáritas ajuda Ucrânia” para recolha de ajudas financeiras.

Cáritas Ucrânia | Salvar e Proteger Vidas - Cáritas Portuguesa (caritas.pt)

Diferentes Associações de Estudantes e Grupos Académicos estão a divulgar também iniciativas nas suas redes sociais, designadamente as Associações de Estudantes de Direito, CPBS, Educação e Psicologia, Biotecnologia; Católica CTC Club; Católica Policy Society; Comissão de Praxe de Direito, Artes e Psicologia; Mentoria da Faculdade de Direito – Porto; Tuna Feminina.

11-03-2022

Doctorate Hiring in the scientific field of Chemistry

11-03-2022

Católica Porto Business School e Fundação José Neves fazem parceria na área da Formação Executiva

Mais de oito cursos executivos e dezenas de bolsas reembolsáveis ISA da Fundação José de Neves com o objetivo de contribuir para transformar Portugal numa sociedade do conhecimento através da educação alinhada com as necessidades do futuro. Este é o âmbito da mais recente parceria da Católica Porto Business School com a Fundação José de Neves.

Carlos Vieira, diretor executivo para a Formação Executiva da Católica Porto Business School, reforça a importância desta parceria: “pretendemos apoiar todas as iniciativas que permitam o acesso a formação de qualidade a quem tem potencial humano, mas que tem limitações financeiras”.

"A parceria com a prestigiada Católica Porto Business School permite à Fundação alargar a oferta das bolsas reembolsáveis ISA FJN e continuar a cumprir a sua missão de democratizar o acesso à educação e de preparar os portugueses para os empregos do futuro”, refere Carlos Oliveira, presidente executivo da Fundação José Neves (FJN).

Os cursos executivos abrangidos são Gestão Financeira, Controlo de Gestão e em Fiscalidade Intensiva, o Curso Geral de Gestão, o MBA Executivo, a Pós-Graduação ‘Driving Marketing Transformation’, a Pós-Graduação ‘Hospitality Management’ e o Programa Intensivo de Gestão.

São dezenas as vagas disponíveis para os oito cursos da Formação Executiva da Católica Porto Business School que estão abrangidos pelas bolsas reembolsáveis ISA FJN, da Fundação José Neves, um programa de apoio ao desenvolvimento de competências para o futuro. O programa garante o pagamento integral da propina e o investimento só é reembolsado se, e quando, o estudante atingir as condições para o fazer de forma sustentada. 

No total, entre mais de 30 universidades, institutos politécnicos e diversas escolas de formação prática e intensiva parceiras da FJN, são mais de 250 os cursos elegíveis para financiamento. Desde setembro de 2020, a FJN já investiu cerca de 1.6 milhões de euros no pagamento de propinas a 213 portugueses.

10-03-2022

Fernando Silva: “Quero participar, ativamente, na valorização do papel do conservador-restaurador”

Fernando Silva tem 36 anos, trabalha na Biblioteca Municipal de Vila Real, cidade onde também vive, e frequenta o 3º ano da Licenciatura em Conservação e Restauro na Escola das Artes. Cresceu rodeado de livros, jornais e documentos antigos e, hoje, tem a certeza de que quer trabalhar na Conservação e Restauro de documentos gráficos e, quem sabe também, na área da pintura a óleo sobre tela, ramo que o surpreendeu muito nestes anos da licenciatura. Nos tempos livres? Ainda que raros, gosta de dar passeios pela natureza com o Parque Natural do Alvão como fundo.

 

De onde é que surge o seu interesse pela área da Conservação e Restauro?

A paixão pela Conservação e Restauro é antiga, porque desde a adolescência que me vejo rodeado por livros, documentos e jornais antigos. Tenho familiares ligados a esta área do colecionismo e desde muito novo, com 12 anos, que comecei a ajudar na catalogação dos vários objetos. Por força de influência, acabei por, também, frequentar alguns eventos culturais nesta área.

 

E hoje em dia trabalha numa biblioteca …

Sim, exatamente. Trabalho na Biblioteca Municipal de Vila Real há 15 anos e por isso sou muito ligado ao mundo dos livros. Quando saí do Ensino Secundário, quis ir logo trabalhar, queria fazer uma pausa nos estudos e foi nessa altura que apareceu a Biblioteca.

 

O que é que faz na biblioteca?

Ocupo funções muito diversas, mas na maioria do meu tempo ocupo-me da conservação do acervo da biblioteca e o engraçado é que quando entrei na biblioteca estava longe de perceber que ia acabar por trabalhar nesta área, mas a verdade é que surgiu muito naturalmente e comecei a perceber que havia algo intrínseco em mim que me ligava a isto.  Em paralelo também colaboro na montagem de exposições e dou apoio aos nossos utilizadores.

 

“É para este curso que eu estou a direcionar todo o meu esforço e dedicação.”

 

Deve gostar muito de viver no meio dos livros …

Gosto muito e dentro da Conservação e Restauro espero poder trabalhar na área dos documentos gráficos, julgo que será por aqui que farei o meu percurso depois de terminar a minha licenciatura. Gosto dos papéis, das páginas, gosto do toque e do cheiro dos livros. E os antigos têm um charme especial! Não há nada igual que possa substituir o prazer físico dos livros! Não há nada digital que possa roubar isto e eu sou um fã da tecnologia e tento estar sempre na vanguarda de tudo, mas não há sombra de dúvidas que o digital não consegue competir com o prazer de se ter um livro nas mãos.

 

Quando é que decide ingressar na Licenciatura em Conservação e Restauro?

Dentro daquilo que gosto mesmo de fazer sentia que precisava de evoluir, mas foi uma ideia que ainda se demorou a efetivar. Já há alguns anos que comecei a procurar a oferta que existia em Portugal. Só a possibilidade de estudar na Católica é que me permitia, ainda que com muito esforço, ter uma vida de trabalhador-estudante. Tenho aulas quatro dias por semana e faço diariamente viagens entre Vila Real e o Porto. Antes da pandemia, eu vinha às oito e meia para a universidade, saía por volta das cinco e ia diretamente trabalhar para a Biblioteca até às onze da noite que era quando fechava. Mas quem corre por gosto não cansa …

 

Foi uma decisão difícil?

Tomar a decisão de aos 33 anos começar uma licenciatura foi muito simples, porque era mesmo isto que eu queria. Não deixa, claro, de ser uma decisão que tem implicações grandes e que exige alguma ginástica e muita vontade. Mas eu tenho a sorte de me sentir motivado desde o primeiro dia. É para este curso que eu estou a direcionar todo o meu esforço e dedicação.

 

“Um percurso muito intenso e muito desafiante, mas sempre com muita vontade de fazer este meu caminho.”

 

O que é que tem gostado mais na licenciatura de Conservação e Restauro da Escola das Artes?

A proximidade, sem dúvida. A qualquer momento consigo falar com os professores e com os funcionários da universidade. Sinto-me mesmo em casa porque a proximidade é imensa. Temos muito apoio e há uma interajuda muito grande e isto faz-me sentir que não vou ficar para trás, porque estou constantemente apoiado e seguro. No meu caso particular também tenho sentido uma grande compreensão com a minha condição de trabalhador-estudante e isso é muito importante porque de outra forma seria muito difícil conseguir conciliar o trabalho com a faculdade.

 

Está no terceiro e último ano da licenciatura. Como descreveria o seu percurso até aqui?

Muito intenso e muito desafiante, mas sempre com muita vontade de fazer este meu caminho. Acho que é isto que caracteriza estes meus três anos. Não digo que tem sido um sacrifício – embora às vezes essa palavra surja – porque eu quero muito isto e faço aquilo que, verdadeiramente, gosto. Mas não vou mentir e dizer que não deixei muita coisa para trás porque, claro, que tive de abdicar de algumas coisas, mas tenho um objetivo muito específico e quero muito cumpri-lo, na expectativa de que o esforço é recompensado. Estou a construir o meu caminho. 

 

“Quando nos colocam uma pintura à frente, sentimos o peso da responsabilidade.”

 

Apesar do seu gosto pela área dos documentos gráficos, que outra área dentro da Conservação e Restauro é que o surpreendeu?

Pintura a óleo sobre tela, sem dúvida. Foi uma grande descoberta. Muito surpreendente! É engraçado porque eu não tinha qualquer formação no campo artístico e a pintura deixava-me um bocadinho de pé atrás e quando nos colocam uma pintura à frente sentimos o peso da responsabilidade porque o nosso trabalho não pode ser feito de ânimo leve, sob pena de estragarmos obras de arte valiosas. Acabei por ultrapassar esses constrangimentos e por perceber que até tinha jeito e, hoje, acredito que esta área também fará parte do meu percurso.

 

Qual a importância do papel de um conservador-restaurador?

Um profissional desta área agrega em si conhecimentos variados que vão desde a biologia, à química, ao teor dos materiais, à arte. Para além de tudo isto, um conservador-restaurador, também, domina as técnicas artísticas. Um profissional desta área tem um perfil muito completo que tem de ser valorizado. Acho que esta profissão ainda não é do domínio público e, por isso, ainda há muito caminho a percorrer no que diz respeito à valorização e ao reconhecimento desta atividade profissional.

 

Termina o curso no final deste ano letivo. Quais são os seus planos para o futuro?

Em princípio, continuarei o meu percurso aqui na Escola das Artes da Católica. Quero seguir o Mestrado com a especialização em Conservação e Restauro de documentos gráficos. Quero muito prosseguir estudos nesta área porque é importante uma especialização e aqui estou muito bem entregue. Com este mestrado acredito que vou conseguir multiplicar a minha capacidade em dominar o assunto e ganhar mais ferramentas. Para além do mestrado, quero continuar na Biblioteca Municipal de Vila Real. É uma grande Biblioteca que tem uma matéria-prima muito boa edetém desde a sua fundação dois importantes fundos com centenas de anos que são o seu ex-líbris: o fundo do Convento de São Domingos e o do Convento de São Francisco. Quero colocar ao serviço da Biblioteca tudo o que aprendi até aqui.



Qual é o segredo para se conseguir conciliar o trabalho e os estudos com sucesso?

Escolher-se fazer aquilo de que se gosta e ter uma grande capacidade de adaptação. Neste percurso foi essencial eu ter a capacidade de me adaptar às circunstâncias e a cada desafio e de ter a capacidade de abdicar de certas coisas. Para além disto e não menos importante, faço-me rodear de pessoas que me apoiam e que me dão força e coragem.

 

“Tenho a certeza que é por aqui que quero ir e estou empenhado em dar o meu melhor.”

 

O que é que mais gosta de fazer nos tempos livres?

Fui desde pequeno um incessante praticante de desporto, algo que fui obrigado a abrandar pela agitação entre o trabalho na Biblioteca Municipal de Vila Real e o curso de Conservação e Restauro na Escola das Artes. Ainda assim, não dispenso fazer as minhas deslocações a pé, sempre que posso, e passeios pela natureza, na maioria das vezes com o Parque Natural do Alvão como fundo. Gosto imenso de passear ao ar livre e de me fazer acompanhar pelos meus 2 cães. Com tempo, gostava também de poder voltar às corridas.

 

Esse seu gosto pela natureza e pelo ar livre já vem desde criança …

Vivi uma infância muito divertida em Vila Real e, também, muito diferente daquela que as crianças de hoje vivem. Saía para as aulas de manhã e só chegava a casa à hora de jantar porque depois das aulas ia para a rua brincar. Fui um privilegiado!

 

Encontrou na Conservação e Restauro o seu caminho?

Este é mesmo o meu caminho, já não há volta a dar (risos). Tenho a certeza que é por aqui que quero ir e estou empenhado em dar o meu melhor e em evoluir e participar, ativamente, não só na valorização do património, como na valorização do papel do Conservador-Restaurador no mundo.

 

10-03-2022

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