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Conflito na Ucrânia: partilha de reflexões sobre o papel do Direito Internacional

O atual conflito na Ucrânia convoca, pela gravidade e impacto global, inúmeros regimes jurídicos internacionais. Estão em causa, nomeadamente, as regras aplicáveis no domínio do uso da força nas relações internacionais, ou as ditas “sanções económicas”, passando pelo direito internacional humanitário e a responsabilização pela prática de crimes internacionais, ou finalmente, o fluxo de refugiados que é já certo no quadro europeu

A sucessão rápida dos acontecimentos faz com que, ao mesmo tempo que nos sentimos assoberbados pela informação, nem sempre temos o tempo e o momento para uma reflexão com o afastamento crítico possível.

Dando resposta à necessidade de reflexão sobre o tema, os professores de Direito Internacional da Faculdade de Direito realizaram uma sessão aberta sobre o atual conflito na Ucrânia que contou com cerca de 600 pessoas.

O Professor José Alberto Azeredo Lopes iniciou a sessão realçando que “qualquer um de nós tem uma sensibilidade muito aguda quanto àquilo que representa um momento decisivo da história europeia.” Ao constatar que tudo o que se passa no mundo pode ter um impacto “quase instantâneo” na qualidade de vida e perceção de segurança de todos, admite que nunca acreditou que este tipo de abuso de força se concretizasse “de forma tão massiva e racional”.

Seguiu-se a apresentação da Professora Benedita Menezes Queiroz acerca dos refugiados de guerra ucranianos que, neste momento, já são mais de um milhão. Ainda que os Estados-Membros estejam a acolher um enorme número de refugiados, a docente recorda os vários episódios discriminatórios nas fronteiras da Ucrânia que já foram condenados pelas Nações Unidas e pela União Africana: “Espero que não seja com a guerra que alimentamos os discursos xenófobos daqueles que há tantos anos ameaçam a nossa democracia.”, remata.

Já a apresentação de Nuno Pinheiro Torres centrou-se nos crimes que estão a ser praticados na Ucrânia — desde os métodos e meios que estão a ser utilizados até ao desrespeito total pela proteção de civis. Contudo, o docente relembra que cabe também à Ucrânia respeitar estas regras “sob pena de ser responsabilizada por crimes de guerra”.
As sanções económicas à Rússia foram abordadas pelo Professor Manuel Fontaine Campos que aproveitou para explicar que não se podem adotar restrições quantitativas, ou seja, não se pode proibir a importação ou exportação de mercadorias. Ainda assim, há uma exceção: “Se os estados invocarem preocupações legitimas relativas a questões de segurança e sempre que estiver em causa uma situação de guerra, podem adotar medidas que, em princípio, seriam proibidas.” Com o objetivo de convencer a Rússia a adotar uma postura militar diferente, o docente alerta que as sanções poderão vir a ser “duplicadas, triplicadas ou quadruplicadas” de modo a pôr um fim à guerra.

Por último, a Professora Maria Isabel Tavares elucidou os presentes acerca do papel do Direito Internacional Humanitário, sendo que neste cenário parte sempre de uma tentativa de “humanizar o conflito e minimizar os efeitos irreparáveis da guerra”. A docente aconselha “prudência e sensatez” na análise do conflito, tendo em conta que o público está sujeito a muita informação e contrainformação: “Se quisermos fazer uma análise rigorosa em relação ao cumprimento das regras do Direito Internacional Humanitário, temos de procurar fontes independentes que possam assegurar essa informação.”

No final, a plateia física e virtual teve a oportunidade de esclarecer várias dúvidas acerca do conflito.

10-03-2022

Exposição “Ajax et plures” de João Paulo Feliciano inaugurada na Católica no Porto

Patente até 1 de novembro.

A 8 de março realizou-se a inauguração da nova exposição “Ajax et plures”, de João Paulo Feliciano, que apresenta um conjunto de obras dos anos 1990 e 2000, pertencentes à Coleção de Serralves, e uma obra inédita concebida especificamente para o campus da Universidade Católica no Porto. A exposição enquadra-se na adesão da Universidade Católica Portuguesa como membro fundador da Fundação de Serralves.

Isabel Braga da Cruz, presidente do Centro Regional do Porto e pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa, destacou a importância da consolidação da relação com a Fundação Serralves e fez um especial elogio à obra desenvolvida para o campusde que muito gostamos e que nos deixa muito orgulhosos”.

O diretor da Escola das Artes e curador da exposição, Nuno Crespo, enalteceu a forma como a Fundação e a Escola têm vindo a colaborar em diferentes iniciativas, seja ao nível de conservação e restauro de obras do depósito de Serralves, na colaboração em exposições e na integração de estudantes. “É um prazer e uma honra receber e podermos conviver até novembro com obras das quais não só gostamos muito, mas que também nos interpelam de uma forma muito original e pertinente,” concluiu.

Joana Valsassina, curadora do Programa Nacional de Itinerâncias na Fundação de Serralves, elogiou a iniciativa e a multidisciplinaridade do trabalho de João Paulo Feliciano e o que se procura mostrar na exposição “Ajax et plures”.

O artista João Paulo Feliciano destacou a obra inédita – Ajax - que concebeu para o campus da Católica no Porto, mais especificamente para as janelas do corredor do Edifício das Artes. Através desta obra, o artista pretendeu usar a janela como “interface luminoso, que encaminha luz do exterior para o interior e vice-versa”. A obra estabelece um jogo de formas e cores cambiantes, resultando numa instalação imersiva que abarca todo o espaço do corredor e transborda para o exterior. Uma vez que para João Paulo Feliciano os títulos dos seus trabalhos se constituem enquanto “extensões linguísticas” de cada obra, “Ajax et Plures” evoca simultaneamente uma figura mitológica, um clube de futebol e um simples limpa-vidros, referenciando universos tão distintos quanto os que o seu corpo de trabalho tende a abarcar.
 
Ana Pinho, durante a sua intervenção, sublinhou “a importância desta parceria” e a certeza de que “as possibilidades de projetos comuns com a Universidade Católica são imensas”. A presidente do Conselho de Administração de Serralves fez, também, referência ao brilhante trabalho do artista e à sua “vontade de impactar o espetador na interpretação da sua obra”.

A cerimónia de inauguração terminou com o discurso da reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil, que enalteceu a importância da parceria estabelecida entre a Universidade e Serralves para “a concretização de projetos comuns quer na área da investigação científica quer no domínio cultural”. “Queremos que os campi da Universidade Católica sejam lugares onde se respira cultura e onde os nossos estudantes também se sintam desafiados a criar”, acrescentou.

A exposição “Ajax et Plures” de João Paulo Feliciano

As obras apresentadas na exposição são representativas de momentos distintos do percurso de João Paulo Feliciano, onde será possível assistir à atitude irónica e provocadora do artista, bem como a sua vontade de implicar o espetador na interpretação da sua obra, características que se revelam transversais no diverso corpo do seu trabalho. Os trabalhos dos anos 90 caracterizam-se por gravitarem em torno do mundo da música rock e da realidade urbana. Já as obras de 2004 e 2021 demonstram um interesse pela exploração de fenómenos de perceção e permitem distinguir uma inflexão na relação com a tecnologia.

A exposição “Ajax et Plures” de João Paulo Feliciano tem curadoria de Joana Valsassina, curadora do Programa Nacional de Itinerâncias na Fundação de Serralves, e de Nuno Crespo, curador e diretor da Escola das Artes da Universidade Católica. No total, são quatro obras distintas de João Paulo Feliciano que são apresentadas nas janelas do corredor do Edifício das Artes e do Edifício do Restauro, dando assim continuidade a uma série de trabalhos site-specific que o próprio concebeu em 2004 para os edifícios do Museu de Serralves e da Bienal de São Paulo, no Brasil. A exposição estará patente até 1 de novembro de 2022.

 

 

@Fotografias: Rita Queiroz

09-03-2022

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08-03-2022

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08-03-2022

Research Scholarship - Project HAC4CG

08-03-2022

Universidade Católica promove 4ª edição do “Católica, Talento para o Futuro”

A Universidade Católica Portuguesa está a promover a 4ª edição do “Católica, Talento para o Futuro”, um evento em formato digital que pretende esclarecer as dúvidas dos estudantes do ensino secundário que em breve ingressarão no ensino superior.

As 16 faculdades que compõem a UCP integram este evento através da presença em stand e da participação no evento principal que será conduzido pela radialista Joana Cruz e que contará com a presença de Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa.

Das 10h às 19h dos dias 9 e 10 de março, os estudantes poderão visitar stands virtuais das faculdades de todos os campi da UCP: Braga, Lisboa, Porto e Viseu. Será às 16h30 do dia 9 que decorrerá o evento principal, na qual participarão diferentes personalidades que vão partilhar as suas experiências enquanto docentes, empregadores, atuais alunos e antigos alunos.

Na sessão principal irá marcar presença, entre muitos outros, Carlos Andrade, da Michael Page, que colabora com a  Católica Porto Business School, anualmente, em disciplinas de projeto e que recruta estudantes muito frequentemente; Tiago Brandão, do Super Bock Group, empresa parceira da Escola Superior de Biotecnologia, quer em Ensino, quer em I&D; Tiago Novais, atual aluno da licenciatura em Psicologia da Faculdade de Educação e Psicologia; Nuno Brochado de Agarez, estudante da Dupla Licenciatura em Direito e em Gestão, da Católica Porto Business School e da Escola do Porto da Faculdade de Direito; Isabel Salgueiro Maia, estudante da licenciatura em Conservação e Restauro da Escola das Artes; e Beatriz Louro, estudante da licenciatura em Enfermagem do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica. 

Quais as principais dúvidas no momento de escolher um curso e como ultrapassá-las? Como é ser estudante na Católica? Que competências procuram os empregadores e como veem o futuro das suas áreas profissionais? O evento promovido pretende dar resposta a estas e outras perguntas e ajudar os estudantes do secundário na escolha do seu percurso universitário. Ao longo dos dois dias, os stands virtuais de cada faculdade podem ser visitados e através deles os estudantes poderão colocar as suas dúvidas via chat e consultar recursos como brochuras e vídeos.

A participação no evento é gratuita, mas a inscrição é obrigatória.

Mais informação

03-03-2022

Faculdades da Católica no Porto promovem Open Days sobre as suas licenciaturas

Já são conhecidas as datas dos Open Days das licenciaturas das faculdades da Católica no Porto, destinados aos alunos do secundário que em breve terão de escolher o seu futuro universitário.  São no total 14 Open Days, distribuídos pelas várias faculdades, e todos prometem informar e esclarecer acerca da sua oferta formativa. 

Os Open Days são oportunidades únicas que proporcionam aos estudantes do ensino secundário um contacto mais próximo com a realidade de cada licenciatura, através de testemunhos de professores, estudantes e de antigos alunos. Há sessões em regime online, outras em regime presencial e outras até em modelo híbrido. Os formatos estão concebidos de forma a que todos possam participar de forma ativa e segura.

As sessões são de participação livre, mas requerem inscrição. Apesar de se destinarem a alunos do secundário, também poderão participar psicólogos escolares, orientadores pedagógicos e encarregados de educação. Todos são bem-vindos.

Consulte a agenda e inscreva-se!

Instituto Ciências da Saúde - Enfermagem

Escola Superior de Biotecnologia - BioengenhariaCiências da NutriçãoMicrobiologia

Católica Porto Business School – EconomiaGestão e Dupla Licenciatura em Direito e em Gestão

Escola do Porto da Faculdade de Direito  - Direito e Dupla Licenciatura em Direito e em Gestão

Faculdade de Educação e Psicologia - Psicologia

Escola das Artes - CinemaConservação e RestauroSom e Imagem

03-03-2022

Arménio Rego: “Uma das melhores maneiras de ajudar alguém a crescer é ajudá-lo a autocompreender-se.”

Professor catedrático da Católica Porto Business School, Arménio Rego dedica-se ao estudo da Liderança e assume, também, o cargo de diretor do LEAD.Lab. Aos 19 anos começou a dar aulas e até aos dias de hoje nunca mais parou: “Na minha profissão tenho o privilégio de ser pago para aprender”. Nesta entrevista, Arménio Rego fala-nos sobre a infância, os acasos da vida e a sua missão. Através das suas palavras, viajamos, também, até à Birmânia, até ao Japão e até Timor.

 

Dedica-se ao estudo da Liderança. Como é que define um bom líder?

Não há perfis universais, isto é, pode haver alguém que pode ser muito bom líder num determinado contexto, mas não noutro. O que podemos tentar resumir são alguns aspetos que são importantes em qualquer líder e importa clarificar que tudo depende do enfoque que colocamos na avaliação: se o enfoque for o sucesso do líder, eu chego a uma conclusão, mas se o foco for o papel do líder no desenvolvimento das suas equipas ou da sua organização, eu chego a outras conclusões. Tendo em conta esta segunda opção há alguns aspetos importantes: o primeiro é o chamado “tough love”. O que é que nós precisamos num líder? Que seja apoiante, amistoso, que se preocupe com as pessoas, mas que seja, simultaneamente, exigente.  Costumo usar o exemplo dos pais que pensam ensinar o seu filho a andar de bicicleta. Há duas maneiras possíveis de lidar com o assunto: se o miúdo começar a andar sozinho vai acabar por cair e por se ferir e, por isso, o melhor é nem pegar na bicicleta; no outro extremo deixa-se que o miúdo pegue na bicicleta e se cair, paciência, leva-se ao hospital. Tanto uma como outra não são recomendáveis.  O certo é dar ao miúdo a oportunidade de pedalar e de ir aprendendo, e estar por perto para o socorrer caso seja necessário. Esta combinação é muito importante num bom líder. O segundo aspeto é que o líder tenha a capacidade de criar condições para que as pessoas lhe digam a verdade. É crucial que os líderes saibam a verdade e que tenham liderados que lhes comuniquem a verdade. Para isto, é preciso que um líder estimule o “speak up” junto das suas equipas. O terceiro aspeto prende-se com a combinação importante da determinação, garra e perseverança com a humildade. Por exemplo, um líder que é muito perseverante e muito determinado não abandona um projeto se não tiver um bocadinho de humildade. Este líder vai acabar por perseverar em prol de projetos que não têm viabilidade. Mas, se o líder for muito humilde, mas não for determinado, acaba por se tornar pouco proactivo. O importante é a combinação entre a determinação e a humildade. A virtude está no meio, não é?

 

“Enquanto liderados, também temos de ter coragem e não podemos assumir uma atitude passiva.”

 

É importante ensinar-se a ser líder, mas, também, a ser-se liderado?

Nós tendemos a colocar a tónica nos líderes e, portanto, a responsabilidade por aquilo que corre bem e corre mal é sempre dos líderes. Muitas vezes, lavamos as mãos das nossas responsabilidades, enquanto liderados. Há uma coisa que me incomoda muito: quando os trabalhadores discordam de uma decisão do seu líder, manifestam-se contra, mas quando chegam à reunião votam favoravelmente. Terminada a reunião, continuam a manifestar-se contra aquilo que votaram favoravelmente. Compreendo este comportamento nas pessoas que recebem o salário mínimo, que têm uma família para sustentar e que, por isso, não podem arriscar, mas não compreendo esta atitude em pessoas que vivem confortavelmente. Quero com isto dizer que, enquanto liderados, também temos de ter coragem e não podemos assumir uma atitude passiva.

 

“Quem sou eu? Como é que os outros me veem? Este autoconhecimento é crucial, porque se eu não sei quem sou, não posso saber em que áreas é que devo investir.”

 

Como é que se ensina isto aos alunos?

Eu não sei o que nasce e o que não nasce com as pessoas, mas há uma coisa que eu acho que posso dizer: há componentes da liderança que podem ser aprendidas e o facto de alguém não ter competências, neste momento, não significa que não as possa adquirir e desenvolver. Tento, por isso, transmitir aos meus alunos a mensagem de que não podem partir do princípio de que não são capazes. Estimulo a encararem o erro e o fracasso como uma oportunidade de aprendizagem. A participação em atividades fora da universidade é, também, uma forma muito boa de educar para estas questões. Considero que os alunos deviam trabalhar desde cedo, designadamente nas férias e fora da universidade. No trabalho e no voluntariado vivem-se experiências e enfrentam-se circunstâncias que fazem emergir diferentes competências, antes desconhecidas. Por fim, não posso deixar de referir que o autoconhecimento é crucial. Uma das melhores maneiras de ajudar alguém a crescer é ajudá-lo a autocompreender-se. Quem sou eu? Quais são as minhas forças? Como é que os outros me veem? Este autoconhecimento é importante porque se eu não sei quem sou, não posso saber em que áreas é que devo investir. Para este autoconhecimento, coloco a tónica na forma como somos vistos pelos outros, porque a liderança é relacional. Eu só sou líder na relação com os outros.

 

Quais são os grandes desafios de se ser professor?

Um professor tem de estar sistematicamente atualizado. Tenho que saber o que se passa no mundo, sob pena de não ser uma mais-valia para os meus alunos. É um desafio exigente. Para além de ensinar, um professor tem de fazer investigação e de assegurar a transferência de conhecimento. A combinação destes vários papéis é exigente, mas agrada-me imensamente porque temos o privilégio de ajudar pessoas no nosso dia-a-dia. 

 

Estudar na Católica Porto Business School é diferente porquê?

A marca e a reputação da Católica são muito importantes. Um empregador que se confronta com um aluno com o certificado Católica não tem que despender muitas energias para perceber o que é que está a receber. Depois, há aqui um constante profissionalismo com foco na melhoria, e há a combinação e o equilíbrio entre a componente científica e a componente prática. A criação e a transposição de conhecimento para a realidade das empresas. É esta a filosofia de atuação da Católica Porto Business School e é isto que nos distingue.

 

“É bom pensarmos nas complicações da vida para nos apercebermos do quão bom é tê-la.”

 

Dirige o LEAD.Lab da CPBS. Qual o foco da atividade?

Com o LEAD.Lab queremos, fundamentalmente, criar conhecimento na área da liderança. Obtendo dados no terreno, queremos criar e partilhar esse conhecimento com a comunidade científica e com as empresas. Com o LEAD.Lab temos como objetivo contribuir para criar organizações que sejam, simultaneamente, mais eficazes e mais virtuosas. E atenção que quando falo em virtuosas, não quero falar de organizações perfeitas. A humildade é uma virtude, mas tem que ser combinada com outras…

 

Nasce em Viana do Castelo… Que memória da sua infância é que não esquece?

Sim, nasci numa aldeia chamada Subportela, onde ainda hoje vou com frequência. Fiz a vida normal de escola e de aldeia. Era uma criança tímida e introvertida. Em contrapartida, a minha irmã mais nova é que era a dominadora (risos). O meu pai foi imigrante na Argentina e foi para lá quando eu tinha três anos e meio e, portanto, a memória que eu tenho do meu pai, enquanto miúdo, é muito ténue. Fiquei durante sete anos sem ver o meu pai e a minha infância ficou marcada por isso. Na minha cabeça, tenho a imagem de um momento em que vejo a minha mãe chorar, depois de ter recebido uma carta, sentada na soleira da porta, e eu pergunto-lhe “Porquê?” e a minha mãe responde “Porque eu não sei se o pai volta”. Chorava porque acabara de ler que o meu pai estava internado, com um cancro de próstata. É bom pensarmos nas complicações da vida para nos apercebermos do quão bom é tê-la.

 

Porquê a escolha pela Licenciatura em Gestão e Administração Pública?

Cheguei a querer medicina e depois veio a ideia do Direito. Aquando do momento da candidatura, coloquei em primeiro lugar Direito em Coimbra, depois Direito em Lisboa e em terceiro lugar Gestão e Administração Pública, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Se me pergunta porquê tenho de lhe responder que não faço ideia (risos). Pode parecer estranhíssimo, mas mostra-nos como a vida é muitas vezes feita de acasos. Quando entrei na minha terceira opção, percebi que tinha mesmo de ganhar juízo e, atendendo às condições financeiras, tinha mesmo de agarrar a oportunidade e de me esforçar para adquirir empregabilidade no futuro. Dediquei-me de alma e coração ao meu curso.

 

A entrada na Universidade teve, por isso, uma importância grande para si?

Sim, sem dúvida, principalmente porque resultou de uma decisão não muito fácil porque me vi confrontado com duas possibilidades. Aos 19 anos, fui lecionar matemática para Ponte de Lima, gostei muito da experiência e possibilitou a minha independência financeira. Dado isto, tinha a hipótese de continuar a trabalhar e de estudar ao mesmo tempo, que era a minha intenção, ou então ia para Lisboa fazer o curso, com as dificuldades e os desafios que isso acarretava. Por isso, a ideia de ficar 4 anos em Lisboa foi dura, mas eu sabia que isso era necessário para o futuro e nessa altura percebi a importância dos meus pais, porque só nos apercebemos disso quando saímos de casa, não é? Quando fui para Lisboa estudar, eu já não era mais trabalhador-estudante, mas trabalhei, verdadeiramente, como estudante. Estudava muito, muito, muito.

 

O que é que mais o preocupa nas gerações mais novas?

Do que tenho lido e daquilo que me é dado a observar, temos de ter cuidado com as generalizações. Hoje em dia, as gerações mais jovens são uma população muito diversa e aquilo que mais me preocupa é que, no futuro, haja um fosso ainda maior entre duas subgerações. Temos, neste momento, uma grande quantidade de pessoas jovens que, por razões várias, não investe na sua qualificação e, por isso, vai experienciar circunstâncias de precariedade e vai acabar por reproduzir na sua vida a vida dos seus pais. Noutro lado, temos um grupo de jovens que, fruto de condições socioecónomicas superiores, investe na sua educação e acaba por estar preparado para enfrentar muitos desafios. Isto é resultado de um fosso cada vez maior que se tem vindo a cavar ao nível dos rendimentos. As desigualdades são cada vez maiores e isto dificulta a mobilidade social, o que me preocupa bastante.

 

“Os frutos do desenvolvimento têm de ser mais equitativamente partilhados.”

 

Olha para o futuro de Portugal com entusiasmo?

Depende do que nós fizermos por ele. É a responsabilidade de cada um de nós. Mas receio a polarização política, porque a certa altura não há diálogo possível. Os discursos xenófobos e de ódio criam-me muita perplexidade. Há pessoas que se sentem totalmente alienadas dos frutos do desenvolvimento e, por isso, aderem a narrativas de ódio, porque no fundo essas narrativas ajudam as pessoas a lutarem contra algo que, de outra forma, não conseguem. Os frutos do desenvolvimento têm de ser mais equitativamente partilhados, caso contrário a polarização será um problema muito grave em Portugal.  

 

O que é que mais gosta de fazer nos seus tempos livres?

Adoro viajar. Gosto de conhecer outras culturas, principalmente as distintas da europeia. Se me perguntar se prefiro ir ao Nepal ou a Oslo, irei certamente dizer Nepal. Gosto, também, muito de ler e gosto de ler literatura que não seja, exclusivamente, científica. Mas, antes de tudo isto, o que gosto mesmo é de estar com os meus filhos.

 

“Para eu ensinar tenho que aprender, mas ao ensinar, também, estou a aprender. Este binómio cíclico motiva-me muito.”

 

Tem alguma viagem que tenha sido particularmente marcante para si?

Adorei conhecer o Myanmar, a Birmânia. É um país com um enorme potencial que tem sido desbaratado pelas suas lideranças terríveis, por um regime militar horrível. Tem um património monumental muito rico e gostei muito das pessoas. Foi aí que me despertou interesse pela líder que tem sido muito criticada, a Aung San Suu Kyi, e que está, novamente, presa. Gostei, também, muito do Japão e já lá estive duas vezes. Acho que é uma cultura que combina muito bem a amabilidade, a cortesia, a organização e a eficiência.

 

Como é que definiria a sua missão no mundo?

Tenho uma missão que é antes de mais para com os meus filhos. São eles que me mobilizam. Para além disto, acho que procuro fazer o bem, mas, na verdade, nem sei se o faço. Já fiz muita asneira na minha vida. Essencialmente, quero contribuir um bocadinho para ajudar os meus alunos a serem mais responsáveis como cidadãos, como membros das suas famílias, como executivos, como membros das organizações. Enquanto professor, acredito que posso ter algum impacto e isso é uma das coisas que mais prazer me dá. Na minha profissão tenho o privilégio de ser pago para aprender. Para eu ensinar tenho que aprender, mas ao ensinar, também, estou a aprender. Este binómio cíclico motiva-me muito. Ter impacto na vida dos outros, por mais pequeno que seja, vale muito a pena. A propósito disso, há uns dias os meus filhos perguntaram-me em que situação é que eu tinha sentido que o que estava a fazer estava a ter um verdadeiro impacto. Em 2000, estive em Timor a ensinar português, no âmbito de uma missão de voluntariado da Fundação das Universidades Portuguesas. Estive lá dois meses e para além de ensinar, também, estive envolvido noutras funções. Adorei. Qualquer coisa pequena que nós pudéssemos fazer tinha impacto na vida daquelas pessoas.

 

03-03-2022

Declaração da Federação Internacional das Universidades Católicas sobre o conflito na Ucrânia

Leia aqui a declaração (apenas disponível em inglês) da Federação Internacional das Universidades Católicas (FIUC), à qual a Universidade Católica Portuguesa pertence, sobre o conflito na Ucrânia.

The International Federation of Catholic Universities strongly condemns the unprecedented and unjustified attack by the Russian Federation on Ukraine, its institutions and its people. The military violence perpetrated cannot be justified by the arguments put forward by President Putin and poses a strong challenge to the peaceful coexistence of nations worldwide.

The International Federation of Catholic Universities is a global organisation founded in 1924 with the mission of strengthening international academic cooperation, precisely in the wake of one of the most ravaging conflicts on the European continent, in the belief that a free and values-based higher education is crucial to the advancement of justice, human rights and the rule of law.

Sharing our members’ anguish and concern, we call on the Russian authorities to refrain from further hostile actions that would inflict even more suffering and disregard the principles of international law. War is a grave violation of human dignity and has no place in our world.

The Federation assures the Ukrainian people, and more particularly the Ukrainian academic community, of its unwavering support. IFCU expresses a special encouragement to its friends of the Ukrainian Catholic University (UCU) and offers assistance. We feel, as Pope Francis expressed in the general audience of February 23, great pain, concern and anguish about the conflict and, following his example, we call on all parties involved to "refrain from any action that would cause further suffering to the people", "destabilise peaceful coexistence" and "discredit international law".

The Administrative Board of the International Federation of Catholic Universities calls on all of its member universities to express concrete support for Ukrainian scholars and students, as requested by the Catholic University of Ukraine. This can take various forms, such as hosting students and scholars, scholarships, online courses, donations.

The International Secretariat of the Federation is at the disposal of its members, and more generally of those who wish to provide support, to facilitate this assistance.

02-03-2022

Novo Programa de Mentorado em Direito alia alumni e atuais estudantes

A partilha de experiências e aprendizagens entre pessoas com histórias e vivências semelhantes, ainda que separadas no tempo, é uma das dimensões mais valorizadas num programa de Mentorado, que junta alumni e atuais estudantes, numa relação de cumplicidade intergeracional e interpares.

Ainda que unidos por um percurso académico com que tiveram contacto numa fase crucial das suas vidas, encontram-se em fases totalmente distintas da criação da sua identidade profissional.

Se os alumni já a têm bem definida, os atuais estudantes estão ainda a construí-la.

É precisamente neste processo que a troca de experiências assume particular relevo, mormente numa comunidade com cerca de 45 anos de história e mais de 5.000 membros: a comunidade de Alumni e atuais alunos da Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa.

Neste contexto, a Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa criou o programa Mentorado Jurista, que visa promover o acompanhamento individual dos alunos por alumni experientes (mentores).

Pretende-se que o acompanhamento se faça ao ritmo da relação e das necessidades, em que os profissionais se disponibilizam para diluir hesitações normais no percurso académico e partilham experiências profissionais e opções de vida.

Mentores

Pretende-se que o mentor:

  • Acompanhe pelo menos 1 estudante por ano (online e/ou presencial), prevendo-se a realização de quatro reuniões por ano;
  • Contribua para o enriquecimento do percurso do estudante e o apoie na sua construção;
  • Partilhe a sua experiência pessoal/profissional;
  • Encoraje o envolvimento em experiências e desafios que promovam a aprendizagem e desenvolvimento do estudante;
  • Promova a reflexão do estudante sobre as experiências com que se vai deparando.


As inscrições terminam no dia 07 de março.

Para esclarecimentos, envie email para: ee.emprego@ucp.pt.

Mentorados

Os estudantes deverão iniciar o programa enquanto:

  • Estudantes do 4º ano da licenciatura em Direito;
  • Estudantes do 1º ano de mestrado em Direito e em Direito e Gestão;
  • Em cada ano, o nº de estudantes a integrar o programa dependerá do número de profissionais disponíveis.

As inscrições terminam no dia 07 de março.

Para esclarecimentos, envie email para: ee.emprego@ucp.pt.

 

02-03-2022

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