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Projeto de investigação permite detetar doença de Alzheimer numa fase precoce

Um projeto de investigação liderado pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto, no domínio da Inteligência Artificial, pode revolucionar o diagnóstico da doença de Alzheimer, mesmo quando ainda não existem sintomas. Desenvolvido em colaboração com o Hospital de São João, no Porto, as faculdades de Medicina e de Engenharia da Universidade do Porto e o Instituto Politécnico de Bragança, este projeto surge num contexto em que a OMS estima que existam 35,6 milhões de pessoas com doença de Alzheimer (DA) no mundo, sendo que o número tende a duplicar até 2030 e a triplicar até 2050.

A tecnologia Neuro SDR foi testada em 38 pacientes do serviço de Neurologia do Hospital de São João, no Porto. Pedro Miguel Rodrigues, investigador do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia (CBQF/ESB/UCP) da Católica no Porto, explica “criamos um algoritmo que utiliza como fonte de informação 19 elétrodos que captam tensões elétricas que, num adulto, variam entre 30 e 50 milivolts, num espaço temporal de 30 e 45 minutos.” Os elétrodos estão numa touca que é colocada pelo médico ao utente. Essa touca está ligada a uma interface que pode ser acedida através de computador, que capta a informação e no espaço de cerca de 5 segundos a torna visível no ecrã.

Pedro Miguel Rodrigues refere que “um diagnóstico precoce abre portas para melhores resultados ao nível das terapias, mas também constitui um poderoso auxiliar em questões relacionadas com a salvaguarda da integridade pessoal e financeira dos portadores de Alzheimer, assim como em assuntos relacionados com profissões de risco e cartas de condução, por exemplo.

Este projeto conta com mais de seis anos de desenvolvimento, permitindo contornar a difícil deteção desta patologia, aperfeiçoar algoritmos e desvendar o desenvolvimento da doença em diagnósticos primeiramente inconclusivos. “A solução criada incorpora um algoritmo de inteligência artificial com uma capacidade de precisão de diagnóstico a rondar os 98% para casos assintomáticos e/ou precoces da doença. E, por conseguinte, estamos numa fase em que precisamos de parceiros para conseguirmos que o protótipo saia do laboratório e possa ser disponibilizado em larga escala,” conclui Pedro Miguel Rodrigues.

Alguns dos resultados deste projeto podem ser consultados “Lacsogram: A New EEG Tool to Diagnose: Alzheimer’s Disease”, publicado recentemente na revista IEEE Journal of Biomedical and Health Informatics.

10-02-2022

André Baltazar: “A tecnologia pode potenciar um artista e a sua criatividade.”

Engenheiro de formação e com fortes ligações ao mundo das artes, André Baltazar é docente, investigador e Vice-Diretor da Escola das Artes. Como se não bastasse, é consultor de diversas instituições culturais. Foi durante o doutoramento na Católica em Ciência e Tecnologia das Artes que fez investigação na Universidade de Stanford. Garante que quem vem à Escola das Artes fica apaixonado pelo seu ambiente altamente tecnológico, criativo e desafiante. Nos tempos livres? Brinca com os filhos, integra os be-dom, uma banda de percussão, e faz pranchas de surf, com as quais pratica esse desporto.

 

O que é que desde sempre o ligou ao mundo das artes?

Desde miúdo que sempre estive ligado ao mundo do teatro e da performance, os meus pais sempre fizeram teatro amador (ainda hoje sobem ao palco) e por inerência era eu que fazia a banda sonora, a programação das luzes, cenários, enfim... Para além disso, exatamente como resultado duma peça de teatro em que participei, desde os meus catorze anos que faço parte de uma banda de percussão - os be-dom -, uma banda que usa lixo e objetos do quotidiano como instrumentos de percussão. Esta experiência permitiu-nos viajar pelo mundo inteiro e fazer temporadas, por exemplo, no Fringe de Edimburgo, no Casino Venetian em Macau, em festivais em Itália, Alemanha, França, Bahrain, etc. No fundo, foi através deste meu histórico que, mais tarde, enquanto aluno de engenharia, percebi que, através da tecnologia, era possível potenciar um artista e a sua criatividade. E tem sido nisso que tenho trabalhado.

 

O que é que o levou até à Faculdade de Engenharia?

Sempre gostei muito de desconstruir os objetos. Em pequeno, gostava de perceber como é que os brinquedos funcionavam e gostava de fazer experiências, e creio que apesar da minha ligação à arte, o meu raciocínio sempre foi mais de lógica e pragmático. Foi este meu fascínio que me levou até à Faculdade de Engenharia para estudar Engenharia Eletrotécnica.

 

É no seu Doutoramento que descobre a Escola das Artes …

Precisamente, quando eu comecei a estudar estava longe de pensar que ia fazer o doutoramento, até porque quando estava a terminar o mestrado já tinha praticamente um contrato com uma grande consultora para trabalhar em Lisboa. No entanto, a vida deu uma volta e após me candidatar e ganhar uma bolsa da FCT ingressei no Doutoramento em Ciência e Tecnologia das Artes, onde acabei por investigar e desenvolver um framework que, com recurso a Machine Learning, permitia a um bailarino controlar todo o aspeto tecnológico da sua performance - som, música e luz, por exemplo -, através do reconhecimento dos seus gestos, que eram capturados por uma câmara de vídeo.

 

“Nós temos quer os meios, quer o know-how, quer a infraestrutura para desenvolver projetos de elevadíssimo nível”

 

O seu doutoramento permitiu-lhe passar algum tempo a desenvolver a sua investigação na Universidade de Stanford. Como é que foi a experiência?

Vivi lá cerca de cinco meses, permitiu-me ter contacto com os gurus da computer music e com todo o conhecimento que lá existe. Foi uma oportunidade muito boa não só pelo networking que fiz, mas, também, pela experiência de estudar em Stanford e viver em Silicon Valley, numa altura em que os gigantes tecnológicos como a Google ou o Facebook estavam em franca expansão. O ambiente que se vive na Universidade é muito exigente e o campus tem uma dimensão enorme, comparado aos nossos. Eu entrava no campus e fazia ainda cerca de um quilómetro e meio de bicicleta até chegar ao edifício onde eu trabalhava (e o campus continuava). Sentia-se uma imensa abertura porque praticamente não havia uma sala de aula formatada. Estas decorriam no mesmo open space onde eu fazia investigação e sentia-se um ambiente muito descontraído, mas, ao contrário do que isto possa dar a entender, a exigência era muito alta. Também aqui na Escola das Artes, aos poucos, estamos a tentar desconstruir a formalidade de um anfiteatro ou de uma sala de aula.

 

De que forma é que a Escola das Artes é capaz de desafiar os seus alunos?

O que nós pretendemos é que os nossos alunos, professores e investigadores façam parte duma comunidade criativa. É isto que fomentamos com as imensas atividades que oferecemos paralelas às aulas, é também através destas que pretendemos estimular os nossos alunos e que estes se desenvolvam enquanto artistas, pensadores e profissionais. Também temos trabalhado na abordagem de ensino baseada em projeto. Queremos que os nossos estudantes desenvolvam connosco um portefólio artístico que lhes abra muitas portas no futuro.  Um bom exemplo, é o nosso programa de residências artísticas nacional e internacional e as aulas abertas que realizamos durante os semestres de Primavera. Através destes programas trazemos até à Escola das Artes vários artistas de relevo que acabam por ativar e desafiar a nossa comunidade. Temos também um corpo de professores forte e fazemos questão que realizem não só investigação científica, mas que, também, tenham uma produção artística vasta. Por exemplo, neste preciso momento está um professor nos estúdios a misturar um filme com um realizador internacional. E ainda há pouco tempo o Professor Carlos Lobo soube que o seu filme, rodado com o apoio da EA, foi selecionado e estreará na Berlinale2022.

 

Qual é o impacto da Escola das Artes na vida de todos os que por aqui passam?

Quando as pessoas vêm à Escola das Artes ficam apaixonadas por aquilo que fazemos. Nós temos quer os meios, quer o know-how, quer a infraestrutura para desenvolver projetos de elevadíssimo nível, altamente tecnológicos, e com uma componente artística muito forte. É isto que nos diferencia, é este ecossistema artístico inovador que nos caracteriza.

 

“É minha missão e vontade ajudar na formação de todos os meus alunos. Perseverança, calma, humildade.”

 

Que posição é que a Escola das Artes assume no panorama do ensino das Artes em Portugal?

A Escola das Artes está cada vez mais consolidada a nível nacional e quando nos referimos à Escola das Artes, referimo-nos, também, aos seus dois centros de investigação: o Centro de Criatividade Digital e o Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes. A produção destes dois centros, e das parcerias que criam a nível regional, nacional e internacional, projeta e cimenta a posição da Escola das Artes. Para além disto, somos uma escola totalmente aberta ao exterior. Temos uma relação de proximidade com muitas entidades culturais e artísticas. Somos uma escola que transmite competências artísticas de alto nível e somos uma referência na área da arte mediada pela tecnologia e na conservação e restauro de arte e património.

 

Serralves é um dos grandes parceiros da Escola das Artes …

Temos uma relação muito próxima com Serralves. Não somos apenas parceiros, podemos dizer que temos uma relação de amizade e de contribuição mútua. Colaboramos nas exposições que promovem e ajudamos e fazemos consultoria no desenvolvimento de novos projetos. Esta relação dinâmica e de partilha é extremamente positiva porque o conhecimento não vive só dentro da Escola das Artes, mas estende-se a toda a comunidade envolvente. Outro bom exemplo é a relação que também estabelecemos com a Fundação Gulbenkian. Em parceria, desenvolvemos este outono um curso de curadoria de exposições para alunos dos PALOP totalmente online e estamos a trabalhar juntos num projeto ainda mais ambicioso já para este ano que em breve será anunciado.

 

O que é que tenta transmitir, essencialmente, aos seus alunos?

Eu, às vezes, até digo aos meus alunos que estou a ficar um bocadinho paternalista (risos)! É minha missão e vontade ajudar na formação de todos eles. Perseverança, calma, humildade. Eu falo-lhes muito disto nas minhas aulas, ainda que de forma subliminar.  As minhas aulas são muito ligadas à tecnologia e à programação e nestas áreas há mil e uma maneiras de resolver o mesmo problema, o que faz com que cada um possa e deva ter o seu caminho, porque todos os caminhos são válidos, desde que não fiquem pelo caminho (risos). Tento salientar que devem aproveitar estes anos na universidade para experimentarem, errarem e para aprenderem, verdadeiramente, com os erros. Sempre com sentido crítico e com responsabilidade.

 

O que é que o preocupa nas gerações mais jovens?

Os jovens estão a crescer numa altura que tem tanta informação disponível e tão imediata que o grande desafio é fazer com que tenham a capacidade de parar e avaliar o que consomem. O conhecimento a que estão expostos deveria ser assimilado com muito mais ponderação e de forma mais estruturada e crítica. É neste ponto que reside alguma da minha preocupação, se eles saberão fazer a triagem do que realmente importa. Para além disso, parece-me que têm poucos mecanismos de filtragem de informação, o que faz com que sejam muito mais reativos no imediato, do que pró-ativos para atingirem os fins que ambicionam a longo prazo.

 

Será por esse motivo que às vezes se sente uma grande distância entre os jovens e a cultura?

Com tanta informação e com poucas capacidades de a filtrar, os mais jovens acabam por beber daquilo que lhes chega mais facilmente pelos canais mais massivos e por isso perdem muito conhecimento e muita cultura disponível (que na verdade está ao seu redor). Aqui na Escola das Artes tentamos reverter isto, na medida em que colocamos à disposição dos alunos uma programação cultural intensa que os desafia e os provoca.

 

“Quando vejo uma peça de arte, não só tento ver a estética, como todo o conceito envolvido e toda a parte tecnológica que permitiu o seu desenvolvimento.”

 

Enquanto membro da direção da Escola das Artes, quais são os principais objetivos traçados para 2022?

Temos feito um caminho muito positivo e já estamos numa fase de velocidade de cruzeiro que nos permite ambicionar mais alto. Um dos grandes desafios é a internacionalização. Queremos não só integrar redes internacionais, como, também, criar as nossas próprias redes e parcerias e expandir a Escola internacionalmente. Alicerçado a isto, temos, claro, o constante desafio de inovar! Gostamos de surpreender os nossos estudantes com a nossa atmosfera criativa. Queremos, também, criar uma rede de alumni sólida, com mecanismos de comunicação que nos permita fortalecer a relação com os antigos alunos, estreitando, também, as relações entre toda a comunidade.

 

O que é que mais gosta de fazer nos seus tempos livres?

Apesar de ser cada vez mais raro, devido às profissões de todos, ainda vamos conseguindo marcar alguns concertos dos be-dom, o que é muito bom para desanuviar. Além disso, realmente, gosto é de surfar, e também faço as minhas pranchas. Ao fim de semana ou estou na água se o mar estiver bom, ou estou a fazer pranchas, neste momento estou a acabar uma de madeira. Gosto dos processos de desenhar, esculpir, lixar, fibrar e depois surfar nelas, claro. São hobbies que me ajudam a desligar do dia a dia e esses momentos são muito importantes para mim. Para além disto, tenho dois filhos pequenos que me ocupam a maior parte do tempo (risos)!

 

Há alguma exposição que o tenha marcado de forma especial?

Talvez a Untitled (Orchestral) de João Onofre, no Museu MAAT, em que estive envolvido no desenvolvimento através do CCD.  Consistiu numa instalação sonora na Casa das Caldeiras  para a qual desenvolvemos o software e também 16 braços robóticos que tocavam uma partitura musical que era controlada pela luz solar que incidia na janela do edifício. Resultou muito bem e prolongaram até a exposição em vários meses. Quando visito uma exposição tento sempre perceber como é que chegaram àquele resultado. Quando vejo uma peça de arte, não só analiso a estética, como todo o conceito envolvido e fascina-me, claro, toda a parte tecnológica que permitiu o seu desenvolvimento.

 

10-02-2022

Projeto de investigação alia as Neurociências ao desenvolvimento de jogos para telemóveis

Diante do cenário altamente competitivo, do ritmo das inovações tecnológicas e dos curtos ciclos de vida dos produtos, as empresas precisam de ter em atenção um número maior de exigências por parte dos seus públicos-alvo, incluindo a validação científica dos seus produtos. Patrícia Oliveira-Silva, coordenadora do projeto na Faculdade de Educação e Psicologia (FEP), explica que “o GAIN surgiu através de um pedido de parceria da Infinity Games ao Human Neurobehavioral Laboratory da Faculdade, com o propósito centrado em investigação e inovação que aliasse as Neurociências à área do desenvolvimento de jogos para telemóveis”.
                                                                
No projeto GAIN (Games for Anxiety Inquired through Neuroscience): The Effects of playing mobile games in anxiety and neurocognitive functions, o Human Neurobehavioral Laboratory (HNL/FEP/UCP) e a Infinity Games são parceiros e assumem a responsabilidade conjunta de desenvolverem uma nova tendência no mercado: a validação científica de produtos. O papel do HNL é o de disponibilizar uma ampla experiência no desenho e implementação de estudos científicos, infraestruturas de investigação e recursos humanos preparados para garantir o sucesso da investigação. A Infinity Games disponibiliza suporte financeiro a jovens investigadores, conhecimento no desenvolvimento e comercialização de produtos, uma ampla gama de produtos inovadores nessa área e informação anónima dos utilizadores.

Passamos por tempos desafiantes e queremos que os nossos jogos sejam uma ferramenta para lutar contra esses desafios. Este projeto irá ajudar-nos nessa nossa missão”, refere João Ramos, Head of Business Development da Infinity Games. “Somos uma empresa que está verdadeiramente atenta para com o bem-estar das pessoas que utilizam os seus jogos”, salienta João Ramos, explicando que “desde o início que a nossa preocupacão passa por, para além de providenciar momentos de entretenimento, criar experiências que possam ser redutoras de stress e de ansiedade.

Sobre os desafios colocados por esta parceria, João Ramos refere que “os desafios que se colocam prendem-se com o contexto que atravessamos e não com a parceria em si. Em primeiro lugar, a indústria dos jogos não tem, de forma geral, um relacionamento muito positivo com a saúde. Depois, o mercado dos jogos é um mercado de rápida evolução e transformação, que exige decisões muito rápidas e foco quase exclusivo na receita do próximo trimestre ou dos próximos seis meses, enquanto que, nós estamos focados em como vamos produzir os melhores jogos do mercado dentro de um ou dois anos, aliando as nossa experiências imersivas aos relaxamento”. “Avizinham-se tempos de muita colaboração e investimento”, conclui.

Um dos grandes objetivos deste projeto é o de “criar uma parceria a longo prazo entre os dois parceiros que represente uma boa prática que interliga interesses, valores, investimento, estratégias e objetivos comuns”, explica a investigadora. Ao longo do projeto GAIN, a equipa pretende também desenhar e validar novos protocolo de validação de produtos, que são aplicados como uma ferramenta para incentivar a mudança comportamental e promover atitudes desejadas em diferentes dimensões, e a aplicação de técnicas das Neurociências que procurem validar o efeito de jogos, desenvolvidos pela empresa Infinity Games, no bem-estar dos seus utilizadores, nomeadamente na ansiedade e noutras funções neurocognitivas.

Este projeto de investigação está a ser desenvolvido por uma equipa multidisciplinar composta pela investigadora e diretora do Human Neurobehavioral Laboratory (HNL/FEP/CEDH), Patrícia Oliveira-Silva, em parceria com Pedro Miguel Rodrigues, responsável pela área de Processamento de Sinal do Centro de Investigação CBQF (CBQF/ESB/UCP), e dois estudantes de mestrado do HNL, Pedro Ribeiro (ESB) e Miguel Ferreira (FEP/UCO). Atualmente, os dados estão a ser recolhidos e o estudo será concluído no final do mês de março.

10-02-2022

Escola das Artes inaugura ciclo de aulas abertas com o curador brasileiro Luiz Camillo Osório

A Escola das Artes está a organizar mais um ciclo de aulas abertas. A primeira sessão decorre já a 17 de fevereiro, às 18h30. O convidado é o conceituado curador brasileiro, Luiz Camillo Osório, que falará sobre “Da virada antropológica nos anos 1970 à arte indígena contemporânea no Brasil”.

“Todos os anos a Escola das Artes debruça-se sobre os temas de maior relevância em torno das práticas artísticas contemporâneas. Nestas sessões públicas abertas à comunidade, os nossos alunos entram em contacto com artistas, curadores e pensadores que estão na vanguarda das suas respetivas áreas. Esta é uma dimensão fundamental para que no seu desenvolvimento artístico e profissional possam ganhar consciência sobre as discussões que marcam o meio artístico. Os nossos alunos crescem em diálogo com o meio artístico e preparados para criar trabalho de grande relevância.”, afirma o professor Daniel Ribas, coordenador do mestrado em Cinema da Escola das Artes.

Luiz Camillo Osório, o primeiro convidado deste ciclo de aulas abertas, tem um vasto currículo na área da Estética e da Filosofia da Arte. Além de ser diretor do Departamento de Filosofia da PUC-Rio e de se dedicar à pesquisa académica, também é crítico e um dos mais importantes curadores brasileiros. No âmbito da curadoria, desempenhou funções no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Pavilhão brasileiro, na Bienal de Veneza de 2015. Também, já assinou a coluna de crítica de arte nos Jornais O Globo e Jornal do Brasil. A Aula Aberta de Luiz Camillo Osório tratará de uma transição antropológica da arte brasileira nos anos 1970 e, de seguida, abordará a produção indígena contemporânea, ao longo do século XXI.

O programa das Aulas Abertas 2022 da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa no Porto integra artistas, investigadores e ativistas de áreas e contextos distintos. Os encontros têm como objetivo contribuir para os debates contemporâneos que circundam as práticas artísticas e o pensamento crítico.

Entre fevereiro e maio, estão já confirmadas as aulas abertas com Ulrich Baer (10 de março), Manthia Diawara (17 de março), Ângela Ferreira (21 de abril), Rosangela Rennó (28 de abril), Filipa Lowndes Vicente (12 de maio), Jessica Sarah Rinland (19 de maio) e Marinho de Pina (26 de maio).

As Aulas Abertas são de entrada gratuita e realizar-se-ão no Auditório Ilídio Pinho todas as quintas-feiras (18h30), entre fevereiro e maio de 2022.

10-02-2022

Inês Nogueira: “Olho para o Futuro com confiança.”

Nasceu no Porto e é licenciada em Ciências da Nutrição pela Escola Superior de Biotecnologia da Católica no Porto. É criativa e gosta de pôr a mão na massa, especialmente se for num laboratório. Atualmente, é estudante do Mestrado em Biotecnologia e Inovação da ESB e trabalha numa empresa da Indústria Alimentar, onde exerce funções nas áreas da Inovação e Desenvolvimento, Segurança Alimentar e Nutrição. Assume que foi através do voluntariado que realizou com a CAtólica SOlidária que aprendeu a importância de “escutar” e de “honrar os compromissos”. Com 23 anos e com dois prémios num concurso de inovação alimentar, assume que olha para “o futuro com confiança”.

 

Quais são os lugares do campus da Católica no Porto onde se sente, especialmente, em casa?

Na salinha da CASO - CAtólica SOlidária e no KitchenLab, onde se pode experimentar e criar produtos novos. É nestes locais que surgem as minhas melhores memórias.

 

Quando é que surge a área das Ciências da Nutrição?
 
Eu sabia que o meu futuro profissional seria na área das ciências. Há uma altura em que me começo a interessar pela área da saúde e há um dia em que uma amiga me diz que eu dava uma boa nutricionista e eu respondo “nunca tinha pensado nisso”. Depois deste dia, a Nutrição passou a ser o meu objetivo! Ingressei na Católica porque percebi que a formação que ofereciam era muito abrangente. A licenciatura da Escola Superior de Biotecnologia proporciona um plano de estudos que dá resposta a diferentes abordagens na área da Nutrição. Porque a Nutrição não se resume apenas à parte clínica, mas também à segurança alimentar, à investigação, à inovação. No meu caso em particular, era a área da segurança alimentar e da inovação de alimentos que mais me interessava.

 

O que é que a marcou mais ao longo da licenciatura em Ciências da Nutrição?

Sem dúvida que o plano de estudos variado e muito completo foi uma mais-valia. Deu-me bases muito boas. A par disso, destaco também a grande parte prática. É essencial termos boas bases teóricas, mas a parte prática permite-nos ir ao encontro das evidências. A faculdade tem uns laboratórios excecionais com tudo ao nosso dispor. Era tudo convidativo! Para além disto, senti sempre uma proximidade muito grande. A Católica no Porto é muito grande, mas realmente isso não se sente. E não se sente porque há uma proximidade muito grande entre todos. Não se sente uma separação entre os professores e os alunos, porque estão sempre disponíveis para conversar e para ajudar. Eu posso estar a estudar na biblioteca e de repente surge-me uma dúvida e posso dirigir-me ao gabinete desse professor para me esclarecer a questão.

 

Durante toda a sua licenciatura participou em atividades regulares de voluntariado com a CAtólica SOlidária (CASO). Como é que surgiu essa oportunidade?

Descobri a CASO logo na primeira semana de aulas do meu primeiro ano de licenciatura. Sempre fiz voluntariado através dos escuteiros e pensei que talvez fizesse sentido também fazer voluntariado através da faculdade. Porque não? Quando nos pediram que escrevêssemos num papel em que área é que gostaríamos de trabalhar como voluntários escrevi que tanto fazia. Acabei por ser alocada à área dos idosos que era onde havia mais vagas por preencher. Nunca tinha feito voluntariado com idosos e confesso que no primeiro dia de voluntariado no centro de dia estava nervosa… 
Estava nervosa porque fazer voluntariado com idosos não é como fazer com crianças em que elas vêm ter connosco. Neste caso quem tinha de ir ter com eles era eu. Estava nervosa com o tipo de realidade que ia encontrar e precisei de ganhar alguma confiança.

 

Que retorno é que se traz do voluntariado?

Recebe-se muita coisa, mas principalmente amizade. Fiz muitos amigos, tenho muitos amigos de noventa anos. O que é que a idade importa? Recebi muito amor, muito carinho e senti que estava realmente a contribuir para a felicidade de alguém.

 

“Honrar o meu compromisso sempre foi muito importante e é uma das aprendizagens que eu levo para a vida.”

 

De que forma é que o fazer voluntariado a ajudou no seu crescimento pessoal e profissional?

A palavra de ordem no voluntariado é o compromisso. Nós temos que nos comprometer com aquelas pessoas, quer sejam idosos, crianças, pessoas com deficiência, prisioneiros, não interessa. Honrar o meu compromisso sempre foi muito importante e é uma das aprendizagens que eu levo para a vida. Aprendi a nunca deixar ninguém na mão, porque se eu me comprometo tenho que cumprir. Outra coisa que aprendi foi a saber ouvir. Ao trabalhar com idosos acabei por ouvir muitas histórias. Aprendi a escutar os outros.

 

Ao longo do seu percurso académico também se envolveu em concursos ligados à área da Inovação Alimentar…

Sim, a oportunidade de participar no Innovation Track surgiu precisamente na altura em que eu me questionei sobre se a Inovação era um bom percurso para mim. Acabei por participar com uma equipa em duas edições do concurso e em ambas ganhamos o Prémio. Na primeira edição, concorremos com um snack salgado feito com farinha de tremoço. Ficou super bom! Já na segunda edição ganhamos com um produto de uma gama mais gourmet que consistia numa espécie de “pringle” feita com farinha de bolota e aromatizada com algumas ervas. Ambos os produtos foram snacks salgados, mas direcionados para nichos diferentes.

 

O Mestrado em Biotecnologia e Inovação que frequenta atualmente vem também dar resposta a este seu interesse pela Inovação?

Depois de terminar a licenciatura, eu sabia que queria fazer o mestrado. Andei a explorar as várias ofertas de mestrado e todas as que encontrei eram demasiado direcionadas para a área da restauração, da saúde pública ou mesmo da nutrição clínica e eu sabia que não era por aí que eu queria ir. Só a Católica é que oferecia formação ao nível do mestrado nas áreas da Inovação e, por isso, acabei por permanecer nesta minha casa. Na altura estava indecisa entre Segurança Alimentar ou Inovação e uma docente acabou por me dizer para eu decidir com o coração. Assim foi: estou no segundo ano do Mestrado em Biotecnologia e Inovação na Escola Superior de Biotecnologia.

 

“Tenho muita sorte porque realmente sinto que estou a trabalhar no meu emprego de sonho.”

 

A par do Mestrado também já está a trabalhar numa indústria alimentar. Como é que é o seu dia-a-dia?

Estou a trabalhar numa conserveira gourmet, em contexto de laboratório. Faço as tarefas do departamento de segurança alimentar e realizo todos os testes de laboratório. Em paralelo, também, estou responsável pelo Departamento de Inovação e Desenvolvimento. Sempre que alguém tem alguma ideia para um produto é minha responsabilidade torná-la realidade para ver se funciona. Para além disto, sou também responsável pela parte da nutrição, elaboro as tabelas e alegações nutricionais. Tenho muita sorte porque realmente sinto que estou a trabalhar no meu emprego de sonho.

 

Que conselho daria a um estudante que está prestes a decidir o seu caminho universitário?

É verdadeiramente importante que as pessoas decidam em consciência e só o poderão fazer se experimentarem. Existem muitas atividades que ajudam neste processo de decisão. Por exemplo, a Escola Superior de Biotecnologia tem a Semana Aberta e a Teen Academy. Às vezes precisamos de ser desafiados para encontrarmos caminhos e respostas. No meu caso tive uma amiga que me pôs a pensar na possibilidade da Nutrição. É importante também ouvirmos as experiências de antigos alunos, é importante explorarmos percursos e saídas profissionais.

 

“Quem dá tudo de si acaba por encontrar um local para trabalhar que o vá valorizar.”

 

Como é que olha para o Futuro?

Eu olho com confiança. É importante sermos capazes de nos ouvir e de termos confiança própria para não nos deixarmos contagiar por algum negativismo exagerado. Olhar para o Futuro com confiança implica termos personalidade própria, implica termos opinião, implica esforçarmo-nos e darmos o nosso melhor. Por exemplo, todos sabemos que não há emprego: são muitas as áreas, quase todas, que sofrem deste mal, mas eu acredito que quem dá tudo de si acaba por encontrar um local para trabalhar que o vá valorizar.

 

03-02-2022

Encontro de Networking de Alumni de Portugal em São Paulo

A Universities Portugal tem o gosto de convidar os antigos estudantes das universidades portuguesas para um encontro de networking a realizar no dia 11 de março de 2022, pelas 17h00, na residência oficial do Cônsul Geral de Portugal em São Paulo.

Para receber o convite para esta sessão, pf envie email para alumniporto@ucp.pt até dia 17 de fevereiro.

02-02-2022

Falecimento do Professor Costa Lima

A Universidade Católica Portuguesa no Porto e a Escola Superior de Biotecnologia manifestam o seu profundo pesar pelo falecimento do Professor José Luís Costa Lima. Foi uma figura marcante para toda a comunidade da Universidade Católica Portuguesa, onde foi docente durante décadas. marcando várias gerações de alunos de Biotecnologia.

A presidente da Universidade Católica Portuguesa no Porto, Isabel Braga da Cruz manifesta “o profundo pesar de toda a comunidade académica” e destaca as “várias gerações de alunos, em particular da Escola Superior de Biotecnologia para quem o Professor Costa Lima era uma referência”.

Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia, refere que “O nosso percurso, pessoal e profissional, é enriquecido por tantos encontros ao longo da vida. O nosso querido Professor Costa Lima foi daqueles professores que nos marcou dentro e fora desta Universidade. Lembro com particular carinho as palavras amigas e o sorriso franco. Foi uma grande referência para a ESB não só enquanto professor dedicado e amigo, mas também como companheiro de tantos outros desafios. Para mim, e para toda a família de alumni da ESB, é uma perda e ao mesmo tempo inspiração que perdura“.

Até sempre Professor!

As cerimónias fúnebres terão lugar no dia 2 de fevereiro, às 14h30, na Igreja de Cedofeita.

01-02-2022

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