Os ISP Dialogues receberam Isabel Furtado, CEO da TMG Group, durante a conferência "From Portugal to the World" realizada a 22 de novembro. Apelidada por Isabel Braga da Cruz como “mulher do mundo”, a neta do fundador do Grupo partilhou a trajetória e os valores fundamentais que moldaram o percurso da empresa ao longo das décadas.
Isabel Furtado faz parte da terceira geração que integra a TMG Group, empresa famalicense fundada pelo avô Manuel Gonçalves, em 1937. Dando os primeiros passos enquanto fábrica de fiação e tecidos, a empresa expandiu a sua atividade com a produção de PVC nos anos 50 que lhe abriu portas à indústria automóvel ao fornecer algumas das principais marcas internacionais, Volvo e SAAB.
Enfrentando os desafios da globalização e a concorrência da China no virar do século, a TMG Group arriscou de forma inovadora na produção de interiores para automóveis. “Ainda hoje é a inovação que nos permite crescer e avançar”, salienta.
Atualmente o Grupo emprega 650 profissionais e fornece mundialmente as gigantes da indústria automóvel. Com 22% de produtos exportados para a China e com uma fatia expressiva de 68% da produção destinada à Europa, a empresa detém uma presença robusta no mercado, incluindo no de carros elétricos, tendo a Fischer e a Ineos como algumas das mais recentes marcas parceiras.
Valores e estratégias de sucesso
Isabel Furtado destacou ao longo da conferência os elementos-chave que permitem o crescimento sustentado da empresa. De acordo com a CEO, baseiam-se na transformação digital, na sustentabilidade, no cuidado com as pessoas, na gestão eficiente do cash flow e na constante vontade de adaptabilidade e inovação. Da mesma forma, partilhou com o público algumas lições que retirou ao longo da sua carreira enquanto empresária - a importância de saber trabalhar em equipa, de dar o bom exemplo aos demais, de ser determinada e de não ter medo de arriscar. “O que vocês quiserem, vocês conseguem. Lutem por isso!”.
Conquistas pessoais
Questionada sobre a sua experiência enquanto mulher no mundo industrial do automóvel, Isabel Furtado ressaltou a importância de manter sempre uma atitude profissional, mesmo que num ambiente predominantemente masculino. “Tenho muito cuidado sobre a forma como me apresento e falo”. Em relação à abordagem familiar, perante um negócio geracional, a palestrante estabelece protocolos e regras para garantir uma clara separação entre os aspetos particulares e profissionais.
Maria Dória trabalha nos Recursos Humanos e é a colaboradora mais antiga da Universidade Católica Portuguesa no Porto. Soma 46 anos ao serviço da Universidade e a partir do dia 1 de dezembro estará reformada. O seu percurso começou desde os primórdios da Católica no Porto, quando apenas tinha 19 anos e tinha acabado de regressar de uma aventura de três anos em Londres. Na Católica, assumiu diferentes funções sempre com grande empenho e lealdade e para si “o mais importante são as pessoas”. Uma pessoa inspiradora? O Professor Carvalho Guerra. Planos para a reforma? Família, amigos e aprender a fazer tapetes de Arraiolos. De que é que vai ter mais saudades? Das pessoas.
Até já, Maria!
Está na Universidade Católica no Porto há 46 anos, praticamente desde o primeiro dia. Como é que vem aqui parar?
Vim parar à Universidade Católica por causa do Professor Carvalho Guerra. O Professor conhecia os meus pais e, na altura, procuravam uma pessoa para a abertura da Universidade e eu fui convidada. Tinha 19 anos. Eu era praticamente da mesma idade que a maioria dos estudantes que, naquele ano, inauguraram a Universidade Católica Portuguesa no Porto, na Licenciatura em Direito. Alguns dos quais são, atualmente, professores da casa.
Antes de vir trabalhar para a Católica,viveu cerca de três anos em Londres. Como foi essa experiência?
Foi um tempo em que eu desabrochei. Tinha 16 anos quando fui para Londres. Fui para lá depois de ter terminado no Porto a Escola Comercial. Tinha uma tia a viver em Londres e os meus pais quiseram que eu fosse para lá, porque vivíamos aqueles tempos em que não se sabia o que se esperar da situação política em Portugal. Em Londres estudava inglês e trabalhava num hostel. Foram anos maravilhosos.
No primeiro ano, o edifício onde funcionava a Católica no Porto era na Torre da Marca.
Precisamente. É um edifício que fica em frente ao Palácio de Cristal. O responsável na altura pela Torre da Marca era o Dr. Godinho de Lima. De repente, viu o seu edifício ser invadido por cerca de oitenta e tal estudantes cheios de energia que gostavam de fazer umas asneiras (risos). Faziam trinta por uma linha e eu era praticamente da idade deles. Ria-me perdidamente. Era eu que tocava o sino para dar as entradas e as saídas das aulas. Veja lá que há um dia em que decidem roubar-me o sino. Não houve aulas para ninguém (risos).
“Foi com o Professor Carvalho Guerra que aprendi a ouvir as pessoas.”
Durante esses primeiros tempos que funções assumiu?
Eu era a única a trabalhar para a Católica nesse primeiro ano e, por isso, fazia de tudo, literalmente. Fazia serviço administrativo, garantia que, no final das aulas, as salas ficavam com as mesas e cadeiras alinhadas, lançava as pautas, datilografava o que me pediam. Quando as notas saíam nós não tínhamos onde as afixar e, nesses momentos, eu dava o meu número de telefone aos alunos. O resultado é que eu chegava a casa e tinha os alunos a ligarem-me para saber a sua nota. Era uma maneira muito caseira de se trabalhar, muito familiar. A maioria dos processos são, hoje em dia, impensáveis, mas, há 46 anos, foi assim que a Católica começou.
Trabalhou com o Professor Carvalho Guerra de uma forma muito próxima. Que importância é que teve na sua vida?
Aprendi muito com o Professor Carvalho Guerra. O que hoje sou devo-o em grande parte ao Professor. Por algum motivo é conhecido por tantas pessoas como “Pai Guerra”. Tem uma característica que para mim é fundamental: tinha sempre a porta aberta do gabinete. A qualquer hora, qualquer pessoa podia lá entrar. Ele tinha sempre tempo e ouvia as pessoas como se não tivesse mais nada para fazer. Foi com ele que aprendi a ouvir as pessoas e a fazer disso uma prioridade.
Quando é que a Católica se muda para a Foz, mais concretamente para o Edifício do Paraíso?
Cerca de um ano e meio depois. Quem não conheceu a Universidade Católica na altura, nem imagina como é que isto na Foz era. Só existia o Edifício do Paraíso e o resto era tudo campo e havia cavalos. Lembro-me que nos dias de inverno em que anoitecia cedo, tínhamos de sair do edifício acompanhados pelo Sr. Carvalho que nos guiava com uma lanterna. Gostávamos tanto do Sr. Carvalho, temos muitas saudades dele. Era contínuo, um excelente funcionário da casa e era de uma simplicidade maravilhosa. Na altura, também entrou para a Universidade a Rosa Lina, outra pessoa que também acompanha a Católica no Porto praticamente desde os primórdios.
Ao longo do seu percurso na Universidade, assumiu diferentes funções. No início fez um bocado de tudo, depois passou pela Contabilidade e também pelos Recursos Humanos. O que é que mais a preencheu?
Os Recursos Humanos, precisamente por causa do contacto com as pessoas.
30 anos depois de ter estado a trabalhar no campus da Foz, foi chamada para ir para o campus da Asprela, onde funcionava a Escola Superior de Biotecnologia e a Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem. É verdade que houve quem assinasse um abaixo-assinado para não sair da Foz?
É verdade, alguns professores (risos). Mas para mim era claro que se a minha chefia me pedia para eu estar num determinado local eu não podia dizer que não, por isso recusei qualquer abaixo assinado que simpaticamente foi assinado pelas pessoas que não queriam que eu fosse para longe. Fui para a Asprela e integrei uma equipa nova de RH, dirigida pela Cláudia Cunha, a quem devo o ter sido maravilhosamente bem recebida e acolhida. Chegou, também, a fazer parte dessa equipa a Cláudia Cabral, com quem, mais tarde, vim a integrar o gabinete jurídico e com quem, atualmente, divido gabinete, novamente inseridas na Direção de Recursos Humanos. É aqui que encerro o meu percurso na Católica que fica, também, marcado por funções, lugares e equipas diferentes.
“Quero gozar bem estes tempos.”
Passados 46 anos, o sentimento é de missão cumprida?
Acima de tudo, aquilo que orienta a minha vida, e que naturalmente orientou o meu trabalho ao longo de 46 anos na Universidade, foi a vontade de ajudar os outros. Mais do que missão cumprida, sinto que é um dever cumprido. O dever e o compromisso de ajudar e de apoiar os outros são centrais na minha vida. Não o faço por obrigação, faço-o por verdadeiro gosto.
É uma boa ouvinte?
Sempre procurei ir ao encontro das pessoas e para isso sempre me propus a ouvi-las. Para o que fosse preciso, seja para temas relacionados com a Universidade, seja outros temas de âmbito pessoal. Faço por olhar para as pessoas como pessoas. Para mim, essa é a regra número um. É uma regra que considero extremamente importante para a instituição. Temos de olhar para as pessoas como pessoas e não como números. Foi sempre isso que tentei fazer.
Que característica considera indispensável para quem trabalha com pessoas?
Ter tempo. Ter tempo para as pessoas é o mais importante. Pode estar a cair tudo o que está atrás de mim, mas, naquele momento, se alguém precisar de mim, eu tenho de lá estar. Para o que ficou por fazer naquele momento há sempre solução.
“Saio com um enorme carinho pelas pessoas.”
Está a poucos dias de se reformar. Qual a sensação?
A partir do dia 1 de dezembro sou oficialmente pensionista (risos). Há fases para tudo. Há a fase de se trabalhar e há a fase de se ser reformado. Quero gozar bem estes tempos. Será um tempo para gozar com a família, com os amigos e, muito importante, comigo mesma também.
Que planos tem para os próximos tempos?
Vou ter mais tempo para os meus dois netos, certamente, mas há muitas outras coisas que me vão ocupar. Gosto muito de desporto e, também, estou interessada em começar a ter aulas numa Universidade Sénior para aprender a fazer tapetes de Arraiolos. E para começar bem a reforma, vou já no início de dezembro para a Madeira. A família do lado do meu pai é da Madeira e, apesar de já lá ter ido várias vezes, é sempre bom voltar.
De que é que vai ter mais saudades da Católica?
Das pessoas. Saio com um enorme carinho pelas pessoas. Levo-as comigo!
Desenvolver a próxima geração de biomoléculas. Este é o grande objetivo da parceria entre o Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e a Biorbis que foi anunciada num evento a 20 de novembro. Uma sessão que contou também com a presença do Secretário de Estado para Internacionalização, Bernardo Ivo Cruz.
Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, partilhou a enorme importância desta parceria que é lançada “num momento em que a Universidade está a recentrar a sua missão não apenas na investigação, onde somos excelentes, mas também em fazer da Universidade um espaço de reinvenção contínua, integrando uma diversidade de ideias, experiências e práticas, e em particular reforçando as pontes entre disciplinas, comunidades, e muito especificamente com a indústria e os mercados.” Isabel Capeloa Gil reforçou também que “esta jointventure nasce num momento em que se vê uma transição mundial para a bioeconomia.”
A colaboração entre a Universidade Católica Portuguesa e a Biorbis tem um horizonte de 5 anos e terá início com a integração de 40 investigadores para desenvolverem um projeto privado de investigação – o CIRCULAS. Este programa prevê um investimento privado inicial de 3 milhões, com um potencial de 23 milhões nos próximos 5 anos, no projeto de investigação e inovação que procura desenvolver a próxima geração de biomoléculas seguras, sustentáveis e de elevado valor.
“Partilhamos os valores humanistas e juntos, aliando o talento à investigação em prol de um mundo mais amigo do Ambiente, vamos conseguir grandes resultados,” as palavras foram proferidas pelo CEO da Ingenio Magdalena e co-fundador da Biorbis, Jorge Leal. “A Ingenio Magdalena lidera a produção de cana-de-açúcar na Guatemala e integra o top 5 dos produtores de açúcar da América Latina,” salientou, acrescentando “e orgulhamo-nos de ser uma empresa que tem implementado um sistema que permite a circularidade total.” Mas neste projeto, “vemos um potencial enorme de crescimento porque o desenvolvimento de biomoléculas de nova geração vai permitir dar mais valor aos nossos subprodutos e inspirar e ajudar muitas empresas a atingir o desperdício zero, através da reconversão dos seus resíduos em subprodutos com criação de valor.”
Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina, destacou o trabalho que tem sido desenvolvido pelos investigadores que fazem parte deste laboratório associado na área da fermentação e desenvolvimento de biomoléculas. “Temos uma equipa multidisciplinar, laboratórios com equipamento de topo e procedimentos standardizados que nos permitem ser ágeis na resposta às necessidades e exigências do mercado empresarial,” referiu. O projeto prevê “a valorização económica de subprodutos identificados pela Biorbis para obtenção de novas biomoléculas bem como otimizar fermentação para aumentar a eficiência da sua produção,” concluiu.
Jorge Portugal, diretor da COTEC Portugal, realçou a importância de trazer para Portugal “um projeto tão importante e transformativo que alia a ciência e a tecnologia para tornar a economia mais produtiva e sustentável nas próximas décadas.” O diretor da COTEC Portugal salientou também que “em paralelo, é muito importante para o país ter políticas públicas de base científica.”
“A abordagem multidisciplinar é a chave da economia e a combinação de diferentes áreas do conhecimento permite construir projetos que aliam a ciência à indústria, como o que agora vemos nascer,” referiu Bernardo Ivo Cruz, secretário de Estado para a Internacionalização, no encerramento da sessão.
A assinatura do memorando de entendimento entre a Universidade Católica Portuguesa e a Biorbis decorreu no dia 20 de novembro, no Auditório Comendador Arménio Miranda, na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.
Rapid Phage Sensing foi o projeto vencedor da 8ª edição do programa Born from Knowledge, BfK Ideas, na categoria “Health, Biotechnology and Food”. Desenvolvido por Cláudia Maciel, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina, da Escola Superior de Biotecnologia (ESB), trata-se de um dual purpose lab-on-a-chip que integra dois módulos independentes que permitem a deteção e identificação de bactérias nosocomiais resistentes a antibióticos.
O Rapid Phage Sensing é um dispositivo portátil, cost-efficient, de elevada especificidade e sensibilidade, constituindo um sistema analítico rápido, automatizado e robusto, que vem dar resposta à epidemia de resistência a antibióticos.
Para Cláudia Maciel, “o reconhecimento da tecnologia RapidPhageSensing, desenvolvida em colaboração com investigadores do LAQV-Requimte, constitui um incentivo para a continuidade e consolidação do projeto, perspetivando a implementação desta solução inovadora”. A investigadora explica, também, que a distinção permitiu “despertar o interesse de stakeholders que serão determinantes para a transferência da tecnologia para o mercado”.
“É com muito orgulho que vejo reconhecido o trabalho desenvolvido pela Cláudia, reconhecimento materializado com a atribuição deste prestigiado prémio. A Cláudia é, sem dúvida, uma pessoa 'nascida para o conhecimento' e o projeto premiado é um exemplo bem-sucedido de algo 'nascido do conhecimento'.” – afirma Paula Teixeira, docente e investigadora da ESB e orientadora de doutoramento de Cláudia Maciel.
Reconhecimento da excelência e inovação da investigação do CBQF
Paula Teixeira lembra, também, que a nova tecnologia “não podia ser mais oportuna”, uma vez que “enfrentamos uma epidemia de resistência a antibióticos ...”. “Como líder do grupo “Food & Nutrition” do CBQF, vejo este prémio reconhecer a excelência e a inovação da nossa investigação e um incentivo para continuarmos empenhados em promover uma cultura de excelência na investigação e gerar conhecimento científico que contribua para dar resposta aos muitos desafios da sociedade”, acrescenta.
A atribuição deste prémio contempla a participação na próxima edição do Programa de Aceleração em Ciência e Tecnologia, o BfK – Rise, que permitirá estruturar um plano estratégico go-to-market e obter financiamento para a implementação desta tecnologia.
Cláudia Maciel recordou, também, que “a atribuição da distinção “Born From Knowledge”, pelas mãos de Elvira Fortunato, Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, “foi de grande simbolismo, dada a iminência da World Antimicrobial Awareness Week”.
Promovido pela Agência Nacional de Inovação, BfK Ideas visa impulsionar a transferência de conhecimento das Instituições de Ensino Superior para o tecido empresarial. Rapid Phage Sensing (ESB/CBQF, da Universidade Católica), Flattie (da Universidade de Aveiro) e Inclusive Programming (da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) foram os três projetos distinguidos pelo programa. Na 8.ª edição do concurso foram apresentados 21 projetos inovadores semifinalistas. A final decorreu a 16 de novembro, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.
Sete estudantes da Universidade Católica Portuguesa no Porto receberam a bolsa de estudo Porto de Conhecimento para o ano letivo 23/24. Trata-se de um apoio à prossecução dos estudos, concedido por instituições de ensino superior privado, universitário e politécnico, parceiras da Câmara Municipal do Porto (CMP).
Para além dos sete estudantes, também dois estudantes da Católica no Porto receberam o diploma de conclusão de licenciatura realizada ao abrigo deste programa de bolsas.
A cerimónia de atribuição de bolsas e de entrega de diplomas de conclusão decorreu a 14 de novembro, na Super Bock Arena, tendo Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da UCP, marcado presença.
Para Isabel Braga da Cruz “a parceria com a CMP permite apoiar a prossecução dos estudos de vários jovens e permite promover o envolvimento da comunidade com o Ensino Superior.”
O programa municipal Porto de Conhecimento visa a capacitação e o aumento da literacia científica da comunidade educativa, enriquecendo a cultura científica da população, contribuindo para o desenvolvimento sustentado e para a construção da cidadania plena.
Na cerimónia de atribuição das bolsas, Fernando Paulo, vereador da educação, afirmou que "a educação é a força motriz que impulsiona a inovação, a criatividade e a resolução de problemas, criando um ambiente propício para a realização individual e coletiva".
A participação da Universidade Católica Portuguesa neste projeto, com a atribuição das bolsas de estudo é reconhecida pela Câmara Municipal do Porto como “um importante contributo para a capacitação e qualificação dos jovens do município na construção do seu projeto de vida”.
A terceira conferência do INSURE.hub veio dar palco à Inovação, à Sustentabilidade e à Regeneração, enquanto componentes centrais para a responsabilidade social das Universidades. A Universidade Católica Portuguesa, como lembrou o vice-reitor Peter Hanenberg, tem como três pilares estratégicos o Ensino, a Investigação e Inovação, e o Serviço e Responsabilidade Social e, por esse motivo, este evento assume especial pertinência, enquanto fórum de encontro entre a academia, as empresas e as organizações.
“Não podemos ser espectadores do futuro, temos de ser atores do futuro”, afirmou Manuela Veloso, a keynote speaker da conferência. É head of J.P. Morgan AI Research & Herbert A e Simon University Professor Emeritus in the School of Computer Science at Carnegie Mellon University e teve a oportunidade de abordar a “interação simbiótica entre o Humano e a Inteligência Artificial”, destacando as “muitas oportunidades da Inteligência Artificial”.
Manuela Veloso afirmou que “o ser humano não tem capacidade de ver e descobrir tudo” e que a Inteligência Artificial “foi inventada por humanos e não caiu na terra como uma espécie de allien”. “Com a Inteligência Artificial é possível fazer muita coisa. A Inteligência Artificial vem dar resposta a muitos problemas críticos”, referiu.
Peter Hanenberg, vice-reitor da UCP, durante a sessão de abertura da conferência, afirmou a missão da investigação da Universidade, tendo destacado algumas das iniciativas da UCP que incorporam os princípios do INSURE.hub. “A investigação na UCP tem como foco o desenvolvimento e a melhoria das condições de vida das pessoas”, afirmou o vice-reitor, referindo, também, que “precisamos de sustentabilidade e regeneração para enfrentar os desafios. Nada é possível sem co-criação e parceiros.” “Precisamos de assumir o papel de empreendedores de sonhos”, acrescenta.
“Mais do que nunca os temas da sustentabilidade e da regeneração são fundamentais para todas as organizações”, afirmou Isabel Braga da Cruz, pró-reitora do Centro Regional do Porto da UCP, durante a sua intervenção no segundo dia da conferência. Destacou, também, a importância de reunir empresas e entidades em torno dos temas da sustentabilidade e a missão assumida pelo INSURE.hub, “um ecossistema internacional vibrante de conhecimento multidisciplinar e transdisciplinar”.
As oportunidades e os desafios da Inteligência Artificial
Alexandre Palma, docente da Faculdade de Teologia, participou no painel da keynote speaker, tendo sido desafiado a comentar a intervenção e a lançar algumas questões que ajudam a colocar a Inteligência Artificial em perspetiva.
Alexandre Palma desafiou a plateia a pensar de que forma é que a Teologia se pode relacionar com os temas da Sustentabilidade, Tecnologia e Inteligência Artificial. O docente destacou a abordagem positiva e prática que Manuela Veloso trouxe ao tema da Inteligência Artificial. “Enquanto teólogo, sou fascinado por esta black box, que é focada em outputs e inputs: mas o que é que está entre os dois?”, questionou. Alexandre Palma sublinhou, também, a aceleração digital e a velocidade da transição: “Não tenho a certeza se a velocidade deste processo nos está a dar a possibilidade de nos envolvermos e se nos está a dar o tempo necessário para acompanharmos a subida da escada sem falharmos alguns passos.”
Manuela Veloso afirmou que tem uma visão muito positiva relativamente à Inteligência Artificial e às suas oportunidades, porque “acredito na bondade da humanidade.” “Convido-vos a olharem à vossa volta e a apreciarem tudo o que faz uso desta tecnologia. Estamos rodeados de Inteligência Artificial”, disse também. “O desafio é que não estamos a aplicar estas possibilidades nas nossas empresas, indústrias e nos nossos trabalhos”, disse também.
INSURE.hub reúne a academia, as empresas e as organizações
A conferência, que decorreu a 16 e 17 de novembro no campus da UCP-Porto, reuniu mais de 200 pessoas em cada dia, tendo estado presentes muitos investigadores a apresentar os seus papers e estudos e, também, vários representantes de empresas e organizações que vieram partilhar o seu caminho para a sustentabilidade com práticas e projetos inspiradores.
“Innovation and Sustainability: how can universities and organizations converge and collaborate?” foi o nome de uma das mesas redondas que colocou o tema da sustentabilidade e inovação em diferentes perspetivas: a das universidades, a das empresas e a do poder local.
Jenny Lao Phillips, dean da Faculty of Business and Law da University of Saint Joseph em Macau, afirmou que as universidades “podem gerar talento para a Indústria, mas a Indústria tem de partilhar as suas experiências. A colaboração é essencial.” “É urgente trabalharmos mais em conjunto”, acrescentou.
Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP), referiu que “as cidades têm um papel crucial” rumo a um mundo mais sustentável. O vice-presidente da CMP destacou a importância da colaboração com as universidades, afirmando que “todas as estratégias definidas pelo município nos seus vários temas estão a ser desenvolvidas em conjunto com as universidades.”
Luis Silva, partner da KPMG, também integrou este painel que foi moderado por Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia. Luís Silva afirmou que “não existe um rio que separa as empresas das universidades” e que “a colaboração é essencial”. O orador explicou também que as empresas precisam das Universidades “muito para além das necessidades de formação”, dando o exemplo de que as empresas “têm uma enorme necessidade de professores e de conhecimento nos seus projetos.”
O INSUREhub é um exemplo desta colaboração e co-criação entre diferentes quadrantes da sociedade. Procura estar na vanguarda da promoção da inovação, da sustentabilidade e da regeneração e resulta da mobilização da Universidade Católica no Porto, através das suas Faculdades - Católica Porto Business School e Escola Superior de Biotecnologia - e da Planetiers New Generation.
“Existimos para permitir uma profunda transformação e evolução.”
João Pinto, membro da comissão executiva da Católica no Porto e docente da Católica Porto Business School, Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina e docente da Escola Superior de Biotecnologia e António Vasconcelos, da Planetiers New Generation, são os co-líderes do INSURE.hub. Juntos em palco no arranque do segundo dia da conferência, tiveram a oportunidade de apresentar a iniciativa, dando a conhecer a sua missão, o envolvimento dos mais de 70 parceiros, os projetos promovidos e, também, os principais desafios a que querem dar resposta. Segundo os co-líderes, “existimos para permitir uma profunda transformação e evolução.”
Depois da apresentação INSURE.hub pelos seus co-líderes, seguiu-se um momento de apresentações de várias empresas e organizações. Vasco Granadeiro, da Bondalti, Jorge Leal, da Ingenio Magdalena, e Diogo Figueira, da Mendes Gonçalves, participaram no primeiro painel da sessão dedicação aos Industry Cases, moderado por Manuela Pintado. O segundo painel, moderado por Luís Rochartre, senior advisor Planetiers New Generation e industry fellow Católica Porto Business School, contou com a participação de Pedro Baganha, da Domus Social, Alexandra Magalhães, da Sarcol, e Vítor Hugo Gonçalves, da Águas de Monchique.
O Green Deal e o modelo económico da UE
Jorge Portugal, da COTEC Portugal, que sublinhou o papel da União Europeia e a importância de uma “verdadeira ambição de transformação”, foi o moderador da sessão especial dedicada ao Green Deal, que contou com a participação de Annette Bongardt, (FCH e Católica Lisbon, UCP e CICP da Universidade de Évora) e de Francisco Torres (FCH and Católica Lisbon, UCP).
Annette Bongardt e Francisco Torres apresentaram algumas das questões que têm estudado em conjunto, numa apresentação intitulada “O Green Deal e o modelo económico da EU.” Relembraram a essência do Green Deal e desafio da neutralidade carbónica na União Europeia até 2050. O que é que motiva a mudança e a necessidade de transformação? Os oradores referem que é a “visão científica dos danos e dos desafios ambientais multifactorais (entre outros, as alterações climáticas, a perda da biodiversidade, a destruição da camada do ozono, a poluição da água e o stress urbano)”. “Temos de mudar o paradigma” e “a sustentabilidade tem de ser transformar em ações concretas”, reforçam os oradores. Annette Bongardt e Francisco Torres afirmam, também, que temos de “transformar ameaças em oportunidades” e que “a União Europeia sozinha não consegue salvar o planeta.” “A convergência inicial das preferências tornou possível o Green Deal, mas a sua aplicação está a constituir um grande desafio”, acrescentam.
Ciências Naturais e Ciências Sociais: rumo a um mundo mais sustentável
Durante o primeiro dia da conferência, foram apresentados papers nas sessões dedicadas às Ciências Naturais e às Ciências Sociais.
Durante a manhã, as sessões foram moderadas respetivamente por Célia Manaia, docente e investigadora da Escola Superior de Biotecnologia, e por António Vasconcelos, co-líder da Planetiers New Generations. Os papers apresentados foram: “Food Safety in Sustainable Local Production of Fruits and Vegetables in Braga and Porto districts”, apresentado por Ariana Macieira, “Transforming Food Production and Waste Management: A Regenerative Approach for Community Empowerment and Environmental Sustainability”, por Derrick Oti, “Unlocking the potential of orange juice side streams: a cascade extraction approach to develop food bio-based ingredients", por Ana Vilas-Boas, “Green and Reliability Method to Extract Phenylethyl Isothiocyanate in a circular economy approach”, por Ana Sofia Sousa, “Promoting business transformation in supply chain demand forecasting through supervised learning”, por João Nuno Gonçalves, “The pricing of sustainable syndicated loan”, por Paulo Alves, “ARTE4US Sustainability at the local level – awareness and literacy with an artistic approach”, por Teresa Sarmento e Catarina Selada, “The Corporate Social Responsibility with Female Leadership”, por Clotilde Passos, “SOLL for an education aligned with the Sustainable Development Goals”, por Andreia Magalhães, e “From Risk to Opportunity: Financial Instruments for Tackling Climate Change”, apresentado por Marcel Piterman.
Durante a tarde, a sessão dedicada às Ciências Naturais foi moderada por João Cortez, diretor do gabinete de Investigação e Inovação da UCP, e a focada nas Ciências Sociais por João Pinto: “Communication in Pharmaceutical Industry in Hybrid Work Environments: Info Wants and Info Seeking Actions of Portuguese Neurologist”, por Amílcar Barreto, “High-fibre breakfast cereals products by valorisation of food industry by-products”, por Diva Santos, “BioShoes4All, Towards Sustainable Footwear: Integrating Agro-Food Byproducts for Eco-Friendly Shoe Components”, por Sara Silva, “Rhodococcus sp. ED55 – a bacterial strain with potential for application in wastewater treatment for effective removal of endocrine disruptors”, por Irina Moreira, “Mycopigments for a sustainable textile industry”, por Ana Paulo, “Sustainable crop cultivation: integrated use of extracellular polymeric substances, biochar, and bioinoculants to enhance maize growth”, por Sofia Almeida Pereira, “Not All Eggs in One Basket: The Need for New Product Portfolio Management”, por Eelko Huizingh, “Science for the Common Good: the contribution of Integral Ecology for Curriculum Innovation”, por Cristina Sá Carvalho, “Narratives on sustainability in education: a close look at the Portuguese Educational Policies”, por Ana Paula Saltos, “RegChain: is Regulatory Technology innovating with Blockchain?”, por Rachel Anastacio, “Promoting Integral Human Development to innovation and business transformation: And what if a territory changes for the better?”, por Maria Alexandra Araújo, e “ESG Framework and Financial Performance”, por Rúben Tiago Pimentel.
“BioShoes4All, Towards Sustainable Footwear: Integrating Agro-Food Byproducts for Eco-Friendly Shoe Components” foi o paper premiado com o KPMG Best Paper Presentation Award e o “The pricing of sustainable syndicated loan” foi premiado com o MDS Best Paper Presentation Award.
Foram dois dias intensos e repletos de muitas oportunidades de partilha de conhecimento e de networking. Uma conferência que é prova viva do compromisso que a UCP assume para com os tópicos da Inovação, Sustentabilidade e Regeneração. Isabel Braga da Cruz, durante a sua intervenção, não deixou de felicitar o INSURE pela “energia, compromisso e entusiasmo”. E assim se faz caminho rumo a um mundo mais sustentável. E, também, já há quarta conferência do INSURE.hub à vista: outubro de 2024. Todos estão convidados.
2023 fica marcado pela comemoração dos 20 anos da CAtólica SOlidária (CASO), o núcleo de voluntariado da Universidade Católica Portuguesa no Porto. Um ano repleto de celebrações que culmina com a conferência “Inovar com propósito: voluntariado na e com a comunidade”,que teve no centro do debate os dados do recente estudo desenvolvido que demonstram que os impactos percebidos do voluntariado, apesar de diversificados, perduram no tempo e permanecem “vivos” nas várias gerações de voluntários da CASO.
Estudantes e alumni que participaram na CASO avaliaram as experiências de voluntariado como tendo impactado o seu desenvolvimento pessoal (empoderamento pessoal), social (empatia) e cívico (consciência política). Estas foram algumas das conclusões que resultaram de um estudo desenvolvido pela Faculdade de Educação e Psicologia que procurou dar voz às várias gerações de voluntários, estudantes e alumni, que fazem a história da CASO, quanto às experiências de voluntariado que vivenciaram.
Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa, durante a intervenção de abertura da conferência, afirmou que a CASO é “símbolo de compromisso e serviço” e “tem um impacto transformador na vida dos estudantes e da sociedade.” A pró-reitora da UCP destacou, também, que os 20 anos da CASO são parte da “marca educativa da UCP que transforma para a vida”, sublinhando a importante missão que a CASO assume de “cultivar a solidariedade da comunidade”.
Carmo Themudo, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Integral da Pessoa (UDIP) que detém a gestão da CASO, afirmou que “mais do que estarmos a celebrar anos, estamos a celebrar vidas.”
Carmo Themudo descreve a CASO como “uma família”, explicando que “o nosso tesouro são as pessoas, são elas que fazem parte da nossa história”. A coordenadora da UDIP destaca, também, o papel essencial das instituições parceiras que “ajudam na formação e desenvolvimento dos estudantes”.
272 inquiridos para o estudo de impacto
Intitulado “Impactos percebidos da experiência de voluntariado de estudantes e alumni da UCP-Porto”, o estudo contou com 272 participantes, todos com experiência regular de voluntariado na CASO, que se dividem em três grupos: 1) estudantes voluntários na CASO há 1 ou mais anos; 2) alumni recentes, diplomados há 5 ou menos anos; e 3) alumni experientes, diplomados há mais de seis anos.
O primeiro grupo olha para o voluntariado como experiência de aprendizagem, potenciadora do empoderamento pessoal, orientada para o exercício da cidadania ativa; o segundo vê o voluntariado como uma experiência promotora do desenvolvimento de competências interpessoais e resolução de problemas, aliadas ao exercício de uma cidadania ativa; e para o terceiro grupo o voluntariado é uma experiência gratificante do percurso de vida, com impacto presente, mantendo-se o seu efeito de empoderamento pessoal.
O estudo foi apresentado por Diana Soares e Amanda Franco, docentes e investigadoras da Faculdade de Educação e Psicologia, e por Mariana Rossi, estudante da faculdade, que integram o Católica Learning Innovation Lab.
“Os primeiros 20 anos da CASO são mesmo um caso sério”
“Uma Universidade comprometida: Aprender com e na Comunidade” foi o tema da mesa redonda que juntou Laurinda Alves, autora e professora de Comunicação, Liderança e Ética, Carlos Prieto, Comillas Solidária - Universidade de Comillas, Teresa Guimarães, da APPACDM – Porto, e Manuel Alçada, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Moderada por Filipe Martins, da Área Transversal de Economia Social, o painel discutiu o compromisso das Universidades com o voluntariado e a importância da ligação à comunidade.
“Os primeiros 20 anos da CASO são mesmo um caso sério”, começou por afirmar Laurinda Alves. A autora reforçou, também, a importância de se trabalhar com os alunos as dimensões da ética e do bem-comum: “temos de capacitar os alunos para que saibam olhar à sua volta e perceber quem está em situação de fragilidade.”
Carlos Prieto sublinhou a dimensão “transformadora” do voluntariado e referiu, também, que as Universidades têm de ter um propósito: “Não basta formar bons profissionais. Temos de formar bons profissionais para alguma coisa.” “O voluntariado é um espaço absolutamente privilegiado e as Universidades devem oferecer essas oportunidades, acompanhadas de motivação e acompanhamento”, acrescentou.
Para Teresa Guimarães, “o que mantém vivo o voluntariado é a gratidão, porque é a gratidão que nos leva mais longe”. Teresa Guimarães destaca que as parcerias com as universidades são fundamentais para o crescimento e desenvolvimento das instituições e da sociedade”.
Manuel Alçada começou por questionar: “Como é que ainda há pessoas que não percebem que o voluntariado faz bem a quem faz e a quem recebe? Porque é que não há mais gente a fazer voluntariado perante tais benefícios comprovados?”. “O voluntariado ensina aquilo que não está nos livros”, acrescentou. Manuel Alçada sublinha também a importância da “valorização do voluntariado”, porque acredita que “promover o voluntariado é promover a aprendizagem”.
A voz dos voluntários
Três voluntários, três testemunhos. Eduardo Lopes e Raquel Montenegro, antigos voluntários da CASO, e Mariana Craveiro, atual voluntária, partilharam os seus testemunhos com a plateia sobre a experiência pessoal de se ser voluntário da CASO.
Eduardo Lopes destacou a importância do voluntariado para a aquisição e desenvolvimento de softskills. “Foi através do voluntariado que descobri o meu rumo profissional e aquilo que quero fazer para o resto da vida”, afirmou. Eduardo Lopes partilha que a CASO “abriu portas para outras realidades” e “ensinou-me a saber colocar-me nos sapatos do outro e a aceitar as diferenças.”
Raquel Montenegro afirmou que a CASO é “uma referência de excelência” e partilhou que “foi na Católica e através do voluntariado que cresci e aprendi os valores fundamentais de uma vida em comunidade”. “O voluntariado transforma vidas. Porque nos ensina a olhar o mundo e para o mundo de uma forma especial. O outro passa a ser alguém que precisa de nós, mas de quem nós também precisamos para sermos felizes”, partilhou.
“Não há contexto mais seguro para desenvolver competências do que no voluntariado”, disse a voluntária Mariana Craveiro. A estudante da Católica partilhou as várias experiências que têm marcado o seu percurso universitário e que não teriam sido possíveis sem o envolvimento com a CASO: o voluntariado na Porto Solidária e a entrega de centenas de refeições nos tempos do confinamento, a participação no programa internacional de voluntariado FLY, durante a sua experiência de Erasmus, o projeto com doentes inimputáveis “Liberdade dos Talentos” que desenvolveu no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo. “Deste caminho com a CASO, levo comigo a certeza de que, quando a vontade é a de ajudar, primeiro dizemos que sim e depois arranjamos sempre forma de concretizar”, foi assim que Mariana Craveiro terminou o seu testemunho.
Seguiram-se os comentários de Sónia Fernandes, da Pista Mágica, e de Raquel Campos, docente da Católica Porto Business School, moderados por Célia Manaia, membro da Comissão Executiva da UCP – Porto e docente e investigadora da Escola Superior de Biotecnologia.
Sónia Fernandes destaca que o contacto com a realidade é a motivação para o voluntariado e sublinha a importância de as Universidades estarem ao serviço da comunidade, enquanto “sentido de propósito”. Para Raquel Campos, “o sonho das universidades devia ser que todos os alunos tivessem uma experiência de voluntariado ao longo do percurso.” Para a docente, é importante “desafiar os estudantes para a resolução de problemas concretos”.
O compromisso dos voluntários 23/24
A conferência de encerramento dos 20 anos da CASO também integrou o momento de compromisso dos voluntários do ano letivo 23/24. Neste momento, cada estudante assume, perante as instituições parceiras, a Universidade e os colegas, o compromisso anual com a CASO e com o voluntariado. A CASO arranca com mais de 130 voluntários das várias faculdades da Católica no Porto divididos pelas 8 áreas de voluntariado. Como referiu Carmo Themudo, a CASO tem um papel importante na “concretização da missão da Universidade Católica”.
Encerram-se, assim, as comemorações dos 20 anos da CASO, mas a contagem prossegue. Tal como muitos dizem, “Que venham mais 20!”.
2023 fica marcado pela comemoração dos 20 anos da CAtólica SOlidária (CASO), o núcleo de voluntariado da Universidade Católica Portuguesa no Porto. Um ano repleto de celebrações que culmina com a conferência “Inovar com propósito: voluntariado na e com a comunidade”,que teve no centro do debate os dados do recente estudo desenvolvido que demonstram que os impactos percebidos do voluntariado, apesar de diversificados, perduram no tempo e permanecem “vivos” nas várias gerações de voluntários da CASO.
Estudantes e alumni que participaram na CASO avaliaram as experiências de voluntariado como tendo impactado o seu desenvolvimento pessoal (empoderamento pessoal), social (empatia) e cívico (consciência política). Estas foram algumas das conclusões que resultaram de um estudo desenvolvido pela Faculdade de Educação e Psicologia que procurou dar voz às várias gerações de voluntários, estudantes e alumni, que fazem a história da CASO, quanto às experiências de voluntariado que vivenciaram.
Isabel Braga da Cruz, pró-reitora do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa, durante a intervenção de abertura da conferência, afirmou que a CASO é “símbolo de compromisso e serviço” e “tem um impacto transformador na vida dos estudantes e da sociedade.” A pró-reitora da UCP destacou, também, que os 20 anos da CASO são parte da “marca educativa da UCP que transforma para a vida”, sublinhando a importante missão que a CASO assume de “cultivar a solidariedade da comunidade”.
Carmo Themudo, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Integral da Pessoa (UDIP) que detém a gestão da CASO, afirmou que “mais do que estarmos a celebrar anos, estamos a celebrar vidas.”
Carmo Themudo descreve a CASO como “uma família”, explicando que “o nosso tesouro são as pessoas, são elas que fazem parte da nossa história”. A coordenadora da UDIP destaca, também, o papel essencial das instituições parceiras que “ajudam na formação e desenvolvimento dos estudantes”.
272 inquiridos para o estudo de impacto
Intitulado “Impactos percebidos da experiência de voluntariado de estudantes e alumni da UCP-Porto”, o estudo contou com 272 participantes, todos com experiência regular de voluntariado na CASO, que se dividem em três grupos: 1) estudantes voluntários na CASO há 1 ou mais anos; 2) alumni recentes, diplomados há 5 ou menos anos; e 3) alumni experientes, diplomados há mais de seis anos.
O primeiro grupo olha para o voluntariado como experiência de aprendizagem, potenciadora do empoderamento pessoal, orientada para o exercício da cidadania ativa; o segundo vê o voluntariado como uma experiência promotora do desenvolvimento de competências interpessoais e resolução de problemas, aliadas ao exercício de uma cidadania ativa; e para o terceiro grupo o voluntariado é uma experiência gratificante do percurso de vida, com impacto presente, mantendo-se o seu efeito de empoderamento pessoal.
O estudo foi apresentado por Diana Soares e Amanda Franco, docentes e investigadoras da Faculdade de Educação e Psicologia, e por Mariana Rossi, estudante da faculdade, que integram o Católica Learning Innovation Lab.
“Os primeiros 20 anos da CASO são mesmo um caso sério”
“Uma Universidade comprometida: Aprender com e na Comunidade” foi o tema da mesa redonda que juntou Laurinda Alves, autora e professora de Comunicação, Liderança e Ética, Carlos Prieto, Comillas Solidária - Universidade de Comillas, Teresa Guimarães, da APPACDM – Porto, e Manuel Alçada, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Moderada por Filipe Martins, da Área Transversal de Economia Social, o painel discutiu o compromisso das Universidades com o voluntariado e a importância da ligação à comunidade.
“Os primeiros 20 anos da CASO são mesmo um caso sério”, começou por afirmar Laurinda Alves. A autora reforçou, também, a importância de se trabalhar com os alunos as dimensões da ética e do bem-comum: “temos de capacitar os alunos para que saibam olhar à sua volta e perceber quem está em situação de fragilidade.”
Carlos Prieto sublinhou a dimensão “transformadora” do voluntariado e referiu, também, que as Universidades têm de ter um propósito: “Não basta formar bons profissionais. Temos de formar bons profissionais para alguma coisa.” “O voluntariado é um espaço absolutamente privilegiado e as Universidades devem oferecer essas oportunidades, acompanhadas de motivação e acompanhamento”, acrescentou.
Para Teresa Guimarães, “o que mantém vivo o voluntariado é a gratidão, porque é a gratidão que nos leva mais longe”. Teresa Guimarães destaca que as parcerias com as universidades são fundamentais para o crescimento e desenvolvimento das instituições e da sociedade”.
Manuel Alçada começou por questionar: “Como é que ainda há pessoas que não percebem que o voluntariado faz bem a quem faz e a quem recebe? Porque é que não há mais gente a fazer voluntariado perante tais benefícios comprovados?”. “O voluntariado ensina aquilo que não está nos livros”, acrescentou. Manuel Alçada sublinha também a importância da “valorização do voluntariado”, porque acredita que “promover o voluntariado é promover a aprendizagem”.
A voz dos voluntários
Três voluntários, três testemunhos. Eduardo Lopes e Raquel Montenegro, antigos voluntários da CASO, e Mariana Craveiro, atual voluntária, partilharam os seus testemunhos com a plateia sobre a experiência pessoal de se ser voluntário da CASO.
Eduardo Lopes destacou a importância do voluntariado para a aquisição e desenvolvimento de softskills. “Foi através do voluntariado que descobri o meu rumo profissional e aquilo que quero fazer para o resto da vida”, afirmou. Eduardo Lopes partilha que a CASO “abriu portas para outras realidades” e “ensinou-me a saber colocar-me nos sapatos do outro e a aceitar as diferenças.”
Raquel Montenegro afirmou que a CASO é “uma referência de excelência” e partilhou que “foi na Católica e através do voluntariado que cresci e aprendi os valores fundamentais de uma vida em comunidade”. “O voluntariado transforma vidas. Porque nos ensina a olhar o mundo e para o mundo de uma forma especial. O outro passa a ser alguém que precisa de nós, mas de quem nós também precisamos para sermos felizes”, partilhou.
“Não há contexto mais seguro para desenvolver competências do que no voluntariado”, disse a voluntária Mariana Craveiro. A estudante da Católica partilhou as várias experiências que têm marcado o seu percurso universitário e que não teriam sido possíveis sem o envolvimento com a CASO: o voluntariado na Porto Solidária e a entrega de centenas de refeições nos tempos do confinamento, a participação no programa internacional de voluntariado FLY, durante a sua experiência de Erasmus, o projeto com doentes inimputáveis “Liberdade dos Talentos” que desenvolveu no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo. “Deste caminho com a CASO, levo comigo a certeza de que, quando a vontade é a de ajudar, primeiro dizemos que sim e depois arranjamos sempre forma de concretizar”, foi assim que Mariana Craveiro terminou o seu testemunho.
Seguiram-se os comentários de Sónia Fernandes, da Pista Mágica, e de Raquel Campos, docente da Católica Porto Business School, moderados por Célia Manaia, membro da Comissão Executiva da UCP – Porto e docente e investigadora da Escola Superior de Biotecnologia.
Sónia Fernandes destaca que o contacto com a realidade é a motivação para o voluntariado e sublinha a importância de as Universidades estarem ao serviço da comunidade, enquanto “sentido de propósito”. Para Raquel Campos, “o sonho das universidades devia ser que todos os alunos tivessem uma experiência de voluntariado ao longo do percurso.” Para a docente, é importante “desafiar os estudantes para a resolução de problemas concretos”.
O compromisso dos voluntários 23/24
A conferência de encerramento dos 20 anos da CASO também integrou o momento de compromisso dos voluntários do ano letivo 23/24. Neste momento, cada estudante assume, perante as instituições parceiras, a Universidade e os colegas, o compromisso anual com a CASO e com o voluntariado. A CASO arranca com mais de 130 voluntários das várias faculdades da Católica no Porto divididos pelas 8 áreas de voluntariado. Como referiu Carmo Themudo, a CASO tem um papel importante na “concretização da missão da Universidade Católica”.
Encerram-se, assim, as comemorações dos 20 anos da CASO, mas a contagem prossegue. Tal como muitos dizem, “Que venham mais 20!”.