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Escola das Artes e Fundação Calouste Gulbenkian divulgam selecionados para Formação Avançada em Realização de Cinema e Televisão

A Escola das Artes e a Fundação Calouste Gulbenkian divulgam a lista dos selecionados para Curso de Formação Avançada em Realização em Cinema e Televisão, que decorrerá no Porto entre setembro e dezembro de 2022. 

Os candidatos selecionados são:

Mário Jorge da Cunha Veloso
Clara Villaverde Cabral Jost
Ana Sofia Marques Vilela da Costa
Nuno Miguel Ochôa Pimentel Gonçalves
Ágata de Pinho Lopes
Luisa Albuquerque de Mello
Diego Bragà Portugal
Marta Sousa Ribeiro

 

Combinando perfis e processos do cinema contemporâneo e do showrunning televisivo, o curso permitirá desenvolver um projeto original entre as duas áreas. Ao longo de 15 semanas, os alunos serão acompanhados por realizadores e profissionais de renome internacional (mais informações sobre os formadores aqui), em contexto de residência artística. A encabeçar este grupo de professores, estão Atom Egoyan, Lucrecia Martel e Céline Sciamma – todos eles nomes fundamentais do cinema contemporâneo de ficção e com experiências em diversos campos artísticos – para além dos cineastas portugueses Marco Martins e João Canijo.

Lecionado em português e inglês, o curso é gratuito e oferece um programa de criação artística direcionado para oito profissionais ou artistas em início de carreira. O projeto final a realizar pelos participantes será uma curta-metragem ou um episódio-piloto de uma série televisiva com transmissão prevista na RTP2.
 
A residência artística funcionará em regime de tempo integral, ao longo de 13 semanas distribuídas entre 15 de setembro e 16 de dezembro de 2022 (pré-produção e rodagem), acrescidas de duas semanas a definir entre janeiro e fevereiro de 2023 (para montagem e pós-produção). +info
13-07-2022

Mariana Barbosa: “A paz tem de implicar a justiça e a igualdade social”

Chama-se Mariana Barbosa, nasceu em Braga e tem 41 anos. É docente e investigadora da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica no Porto e é co-coordenadora da Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos. Dedica-se ao estudo da Psicologia da Paz, com especial enfoque na área dos direitos humanos. Determinada e muito envolvida em projetos de voluntariado e de ação social, afirma que não se revê na “lógica do académico puramente teórico”.  Nos tempos livres? “Estou completamente viciada no surf!”

 

Como é que se pode definir a Paz?

Normalmente associamos a paz apenas à ausência de conflito, mas eu acredito que seja muito mais que isso. Há um autor muito importante, Johan Galtung, considerado o fundador dos estudos para a paz, que veio introduzir a chamada “paz negativa” e a “paz positiva”. Esta diferenciação parte do pressuposto de que olhar para a paz apenas através da ausência de conflito é muito redutor e até perigoso. Se olharmos para a paz apenas desta forma, nunca conseguiremos sarar verdadeiramente as feridas e resolver os ciclos de violência. A paz tem de implicar a justiça, a igualdade social e, também, a restauração de dignidade humana, sob pena de se perpetuar a violência e a vingança. É por isso que trabalhar a paz não é só acabar com a guerra, mas sim abrir caminho e trabalhar com programas de reconciliação e de promoção da justiça e da igualdade social. Porque aquilo que alimenta a vontade de pegar numa arma é a sensação de que algo é injusto.

 

“Não adianta só baixar as armas, porque há feridas e traumas que ficam.”

 

Quando é que se começou a interessar pelos temas relacionados com a Psicologia da Justiça?

No terceiro ano da licenciatura em Psicologia, tive a disciplina de Psicologia da Justiça e foi amor à primeira vista. Fiquei completamente fascinada. Na verdade, sempre senti tendência pelas áreas mais sociais e que envolvessem a exclusão social, mas foi um caminho de descoberta. Acabei por me cruzar com pessoas que muito me inspiraram, como é o exemplo da Professora Carla Machado que mais tarde escolhi para ser a minha orientadora de doutoramento e que infelizmente já faleceu. No último ano da licenciatura, tinha de escolher uma área de especialização. É engraçado porque durante toda a minha vida tinha achado que ia seguir a área Clínica e então, apesar de estar completamente fascinada com a área da Justiça, achei que o mais sensato seria tirar à sorte. Lembro-me que escrevi Clínica num papelinho e Justiça noutro. Na secretaria antes de escolher a área tirei um papelinho e saiu “Clínica”. Fiquei desiludida com a sorte que me tinha calhado e acabei por ignorar aquele esquema que tinha montado e escolhi Justiça. Aí percebi realmente o que queria.

 

Foi no âmbito do seu doutoramento que viveu em Boston …

Sim, que grande experiência! Quando soube que queria fazer o doutoramento, fui ter com a Professora Carla Machado. Quando lá cheguei, a professora disse-me que tinha acabado de ser contactada por um grupo de investigadores da Universidade de Boston a propósito de um projeto relacionado com a violência de Estado. No fundo, a investigação estudava de que forma é que as pessoas legitimam ou não a violência quando esta é cometida pelos Estados. Escusado será dizer que quando ouvi a palavra Boston fiquei logo entusiasmada. Este tema também acabou por mudar a minha vida, porque, entretanto, passei a debruçar-me sobre os direitos humanos. O tema do doutoramento foi uma revolução para mim, porque me apaixonou imenso e porque me senti profundamente envolvida. Tentei e tento ainda hoje compreender o que é que leva as pessoas a serem violentas e depois a usar estes mesmos conhecimentos para tentar promover os direitos humanos. A minha tese representou o primeiro contributo em Portugal para a afirmação da área específica da Psicologia da Paz.

 

“Quando vamos para o terreno ficamos ligados a famílias e às suas histórias.”

 

Durante muitos anos, a Psicologia contribuiu para a guerra?

Sim, durante muitos anos a Psicologia contribuiu imenso para esforços de guerra, através dos testes psicotécnicos de inteligência, através da seleção das pessoas mais capazes de matar, entre outros exemplos. Não é por acaso que num pelotão de fuzilamento disparam todos ao mesmo tempo, é para fazer o efeito de ilusão da responsabilidade. A Psicologia é uma arma muito poderosa que, muitas vezes, é utilizada para a guerra e não para a paz. Se a Psicologia pode ajudar a matar, então temos de ser capazes de usar toda a informação e conhecimento para usar ao contrário, contribuindo para a prevenção. Toda esta experiência e o caminho que tenho feito tem sido no sentido de contribuir para a criação de mecanismos de justiça. Não adianta só baixar as armas, porque há feridas e traumas que ficam. É preciso haver reparações, indemnizações, intervir nos encontros das vítimas com os ofensores, intervir nos processos de reconciliação.

 

De que forma é que o trabalho no terreno é importante para a sua atividade académica e de investigação?

É no terreno que criamos uma ligação profunda com o tema em questão. É totalmente diferenciador e fortalece muito o nosso trabalho. Quando vamos para o terreno ficamos ligados a famílias e às suas histórias. Nunca me revi na lógica do académico puramente teórico. Só depois de ter estado na Grécia com a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) é que passei a falar com conhecimento de causa sobre a intervenção em crise e sobre aquele que é o papel de um psicólogo num campo de refugiados.

 

Como é que surge a oportunidade de ir como voluntária para os campos de refugiados, na Grécia?

Eu estava a trabalhar estes temas, mas só numa lógica teórica, e no início de 2016, na crise de refugiados no Mediterrâneo, senti que precisava de ter um papel ativo, na linha da frente. Em janeiro de 2016, pedi autorização à direção da Faculdade para ir para a Grécia e autorizaram. Dei apoio na chegada dos barcos, na organização logística dos campos, fiz intervenção em crise. Quando lá estive apercebi-me que havia muita informação que se estava a perder e alguns processos que não estavam a ser desbloqueados. Fui com a ideia de intervir mais enquanto psicóloga, mas acabei por ter um papel mais de facilitador e de ligação. Quando regressei, o responsável da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) falou comigo e disse que era muito importante continuar a haver um representante português no local que ajudasse a fazer este contacto com Portugal. Fui desafiada a ir novamente e lá fui eu 3 meses em missão, com a função de montar as bases do programa de voluntariado PAR Linha da Frente.

 

“Esta cultura de humanismo e de voluntariado diferencia-nos muito.”

 

Em março de 2022 vai de viagem num autocarro até à Polónia para trazer ucranianos que fogem da guerra para Portugal. O que é que mais a marcou?

Na viagem de regresso, lembro-me que um camionista entregou um peluche que era da filha dele a uma menina ucraniana. De forma geral, havia muita gente que vinha ter connosco e que se interessava. Lembro-me que fomos abordados por duas pessoas que nos vieram entregar um bocado de chouriço. Coisas tão pequenas, não é? As áreas de serviço desbloqueavam as casas de banho para podermos aceder livremente sem termos de colocar a moeda. Havia uma generosidade profunda das pessoas. É muito bonito de ver. Outro momento que me marcou aconteceu também numa área de serviço, quando um senhor, que por acaso me fez muito lembrar o meu pai e que estava com a sua mulher, me perguntou para onde é que nós íamos. Eu disse-lhes que íamos para Portugal e ofereci-me para os ajudar a marcar um alojamento algures através da internet. É no entretanto que lhes digo para ficarem com o meu contacto se precisarem de vir para Portugal e ele responde que tem dinheiro para os próximos 15 dias e começa a chorar. Naquele momento percebi que mais do que terem de sair do seu país, sentiam que tinham perdido a sua dignidade, porque até quando lhes ofereci comida lhes custou a aceitar que, verdadeiramente, precisavam. Acho que projetei neste casal os meus pais e emocionou-me bastante.

 

O voluntariado é ainda uma dimensão pouco valorizada na vida das pessoas?

Sim, embora ache que se está no bom caminho. Acredito que o voluntariado tem de ser uma parte da nossa vida. Da mesma forma que estudamos, que trabalhamos, que nos dedicamos à família e amigos, também temos de nos dedicar ao voluntariado. A Católica valoriza muito a dimensão do voluntariado e proporciona aos estudantes experiências variadas que os ajudam a desenvolver diferentes competências e que os ajudam a compreender a importância do serviço aos outros. Outro bom exemplo é a questão da metodologia Aprendizagem-Serviço que tem sido implementada. Todo este dinamismo da Católica é extraordinário. Esta cultura de humanismo e de voluntariado diferencia-nos muito.

 

“A educação para a paz, em primeiro lugar, tem de ser, essencialmente, um exercício de humildade.”

 

É uma das coordenadoras da Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos da Católica no Porto. De que forma é que considera que é uma formação diferenciadora?

Na Católica temos vindo a implementar um caminho de consolidação nesta área específica dos direitos humanos. A Pós-Graduação já está na 4ª edição, está sempre cheia e, por isso, o teste já está feito, não é verdade? Aquilo que realmente diferencia esta formação é ser verdadeiramente interdisciplinar e é a única formação deste tipo oferecida em Portugal. É uma iniciativa conjunta da Faculdade de Direito, da Faculdade de Educação e Psicologia e da Área Transversal de Economia Social da Universidade Católica Portuguesa. Reúne contributos das áreas do Direito, da Educação, da Economia Social e da Psicologia de igual forma.

 

Como é que se educa para a paz?

A educação para a paz, em primeiro lugar, tem de ser, essencialmente, um exercício de humildade. Sem humildade, vamos sempre sentir que estamos um bocadinho superiores aos outros e este é o primeiro ingrediente para desumanizarmos quem está ao nosso lado. Outro elemento importante é não nos conformarmos com aquilo que é mais confortável. Por exemplo, é mais confortável pensarmos que o Holocausto aconteceu porque existiu o Hitler. No entanto, esquecemo-nos de que houve pessoas que foram espetadoras e que foram alimentando tudo o que estava a acontecer.  Estes espetadores são na sua maioria pessoas que se justificam dizendo que estavam a cumprir ordens. O mesmo acontece quando assistimos a situações de bullying e nem nos apercebemos que direta ou indiretamente estamos a alimentar episódios de violência. Há um conjunto de circunstâncias que nos levam a alterar o comportamento e que nos levam a conformar e a cooperar com muitas das coisas que acontecem à nossa volta. O projeto Heroic Imagination, fundado e liderado pelo Philip Zimbardo, Prof. Emeritus da Stanford University, e do qual eu sou coordenadora em Portugal, trabalha precisamente para a consciencialização de que qualquer pessoa aparentemente vulgar neste planeta é capaz de cometer atos heroicos. Ninguém está isento da possibilidade de ser coagido pelo mal, no entanto, o inverso também é verdade. Este heroísmo comum e do quotidiano é sobretudo sobre a humildade. Há uma frase que gosto muito que é “a linha que separa o bem e o mal atravessa o coração de cada ser humano” e eu acredito nisto. Não há os bons. Nem há os maus, porque tudo nasce de uma decisão. Todos os dias da nossa vida tomamos essa decisão.  

 

O que é que mais gosta de fazer nos seus tempos livres?

A pandemia trouxe-me um vício: o surf! Estou completamente viciada e até ando a pensar em projetos que relacionem o surf e a psicologia. Vivi em Viana do Castelo até aos meus onze anos e, por isso, tenho esta ligação profunda com a praia e com o mar. Sou um bichinho de água e tenho um lado radical. Mas, essencialmente, gosto daquilo que me desafia e daquilo que pode sair fora do meu controlo. No surf basta haver uma alteração no vento que tudo muda. Eu gosto de lidar com esta imprevisibilidade. É a mesma imprevisibilidade com que tinha de lidar quando estava em contexto de crise e emergência nos campos de refugiados. Gosto de me superar perante os desafios imprevisíveis da vida.

 

13-07-2022

Produtos alimentares inovadores desenvolvidos por estudantes distinguidos pelo Prémio Ecotrophelia Portugal

E se o ovo fosse vegetal e as almôndegas tivessem farinha de inseto? As ideias e as fórmulas destes produtos alimentares inovadores surgiram durante o segundo semestre do Mestrado em Engenharia Alimentar, da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto. O «notEggo» e o «MealBalls» foram os dois projetos de estudantes da ESB distinguidos com o 2º e o 3º lugar do Prémio Ecotrophelia Portugal, promovido pela PortugalFoods. Um concurso que distingue produtos alimentares eco inovadores desenvolvidos por estudantes do Ensino Superior. A cerimónia final de atribuição de prémios decorreu a 5 de julho, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto.

Conceição Hogg, docente e investigadora da Escola Superior de Biotecnologia, que coordena a participação dos estudantes neste concurso, afirma que “atividades opcionais como este concurso trazem, ao longo do ano letivo, o mundo real para dentro da sala de aula. Graças a estas iniciativas, os alunos defrontam problemas concretos, com critérios estabelecidos por profissionais.” Neste sentido, ao longo dos anos os docentes da Escola Superior de Biotecnologia incentivam os seus estudantes a participarem em concursos e iniciativas na certeza de que são oportunidades importantes de crescimento e desenvolvimento.

Nesta sexta edição do concurso, a escolha dos oito finalistas partiu de um total de 15 candidaturas, onde estiveram envolvidos cerca de 60 alunos das mais variadas instituições de Ensino Superior do país.

Substituir o ovo da galinha? Sim, é possível!

O «notEggo» é um substituto vegetal do ovo. Estes ovos que vêm das plantas trazem consigo a esperança de separar o ovo da galinha e, finalmente, pôr fim à produção em massa e insustentável de um dos alimentos mais conhecidos do mundo. O «notEggo», cujo grupo de trabalho é constituído por Beatriz Costa, Ema Camacho e Lígia Cruz, estudantes do Mestrado em Engenharia Alimentar, foi distinguido com o 2º prémio, tendo recebido, também, o prémio Born from Knowledge, atribuído anualmente pela Agência Nacional de Inovação na cerimónia do Prémio Ecotrophelia Portugal.

Almôndegas com farinha de inseto. Porque não?

O grupo constituído, também, por estudantes do Mestrado em Engenharia Alimentar – António Pedro Sousa, Beatriz Maria Gonçalves, Fernanda Barros, Sónia Marques e André Roseiro – criou o produto «MealBalls». Trata-se de almôndegas vegetais que integram farinha de inseto. O grupo foi distinguido com o 3º prémio.

 

12-07-2022

Finalistas de Enfermagem terminam licenciatura em cerimónia de compromisso na Sé Catedral

Os novos diplomados em Enfermagem pela Universidade Católica no Porto fizeram o tradicional compromisso profissional na Sé Catedral, após uma Eucaristia de Ação de Graças presidida pelo Bispo da Diocese, D. Manuel Linda. A cerimónia decorreu a 2 de julho e contou com a presença de 28 finalistas e respetivas famílias, de docentes, de representantes das instituições parceiras e da Ordem dos Enfermeiros e, também, com a presença de Isabel Vasconcelos, vice-reitora da Universidade Católica Portuguesa, e de Isabel Braga da Cruz, presidente da Católica no Porto.

O compromisso profissional, comummente reconhecido como “Juramento Nightingale” desde o fim do século XIX, é habitualmente pronunciado à entrada na profissão. O texto atualmente utilizado, com pequenas adaptações, é o proposto pela Ordem dos Enfermeiros e resume os deveres ínsitos no Código Deontológico em vigor. Como sinal de envio o bispo da Diocese do Porto benzeu as mãos dos finalistas que, após receberem a lamparina acesa, proferiram a uma só voz o compromisso profissional perante todos os presentes.

Ao longo da cerimónia foi várias vezes salientada a necessidade dos enfermeiros promoverem sempre um cuidado competente assente no conhecimento e com foco na atenção e dignidade do próximo. O Doutor Paulo Alves, Diretor da Escola de Enfermagem – Porto da UCP, após a introdução do rito do compromisso, reforçou ainda a necessidade de cada um dos novos enfermeiros, à luz das palavras do Papa Francisco, ser um perito em Humanidade. É alicerçada nestes valores que a Escola de Enfermagem, do Instituto de Ciências das Saúde da Universidade Católica no Porto, assume a missão de promover um ensino e investigação de excelência que contribua para o crescimento e desenvolvimento dos estudantes em todo o seu potencial pessoal e profissional.

Parabéns a todos os diplomados!

 

 

12-07-2022

Lab Assistant position

11-07-2022

Comitiva da Universidade de Santo Amaro (São Paulo, Brasil) visita Universidade Católica no Porto

 

Os docentes da Universidade de Santo Amaro, em São Paulo, no Brasil, Enrique Ricardo Lewandowski, também ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Paulo Moura Ribeiro, também Ministro do Supremo Tribunal de Justiça do Brasil, e Vitor Veronezi visitaram a Universidade Católica Portuguesa no Porto para uma reunião com Isabel Braga da Cruz, presidente do Centro Regional do Porto, e Manuel Fontaine, diretor da Escola do Porto da Faculdade de Direito.

O encontro permitiu explorar potenciais colaborações com a Escola do Porto da Faculdade de Direito. Para Manuel Fontaine “a internacionalização é um dos eixos estratégicos da Faculdade de Direito e como tal, é com muito agrado que acolhemos estas possibilidades de parceria”.

Isabel Braga da Cruz afirma que “a Católica está sempre aberta a novas colaborações que consolidem a missão da universidade e que contribuam para uma formação académica de qualidade e para o cultivo do conhecimento para o bem comum.”


 

08-07-2022

Escola das Artes inaugura exposição “É Noite na América” de Ana Vaz

No dia 4 de julho, mais de duzentas pessoas marcaram presença na inauguração da exposição “É Noite na América”, da artista brasileira Ana Vaz, com curadoria de Daniel Ribas. Um momento que integrou o programa público da Porto Summer School on Art & Cinema 2022: Brazil — Cross Dynamics of Otherness, organizado pela Escola das Artes da Universidade Católica no Porto. “É Noite na América” teve estreia mundial no prestigiado Jeu de Paume, em Paris, e é uma comissão e produção da Fondazione in Between Art Film, coproduzida pela Pivô Arte e Pesquisa e Spectre Productions.

“Nesta exposição, a partir de materiais filmados em Brasília, Ana Vaz adensa a sua pesquisa sobre o confronto entre a utopia modernista da cidade com os animais, ditos ‘selvagens’, numa espécie de filme de terror experimental, questionando as nossas preconceções sobre cidade, natureza, humano ou ecologia”, refere Daniel Ribas, coordenador do mestrado em Cinema e curador da exposição da Escola das Artes da Universidade Católica no Porto.

Ana Vaz é uma das mais relevantes artistas e cineastas contemporâneas, tendo os seus filmes e exposições circulado por diversos museus, festivais e cinematecas. O seu trabalho é marcado por um constante desafio experimental sobre as formas poéticas do cinema contemporâneo, ressaltando as profundas contradições do nosso tempo, sobretudo com as práticas destruidoras das instituições.

Na inauguração estiveram presentes os cineastas Kleber Mendonça Filho, João Salaviza e Renée Nader Messora, realizadores convidados desta edição da Porto Summer School on Art&Cinema. “É Noite na América” é uma exposição em formato de instalação fílmica gravada no jardim zoológico de Brasília, habitat de centenas de espécies resgatadas na cidade. Tamanduás, lobos-guará, corujas, cachorros-do-mato, capivaras, carcarás se encontram com biólogos, veterinárias, cuidadores e a polícia ambiental, que através de uma trama soturna onde os desafios da preservação da vida tecem uma trama de perspetivas cruzadas. Nesta iteração, a exposição expande-se de forma poética, assim como de arquivo, contos e conversas num diorama ilusionista onde é possível observar e sermos observados. No final de contas, quem são os verdadeiros cativos? As criaturas ou nós? A exposição estará patente ao público até 7 de outubro. A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.

EXPOSIÇÃO “À NOITE NA AMÉRICA”
Ana Vaz · 4 JULHO· 7 OUT 2022    
Curadoria de Daniel Ribas
Entrada Livre · de terça a sexta · 14H00 – 19H00
Sala de Exposições da Escola das Artes da Católica
Rua de Diogo Botelho, 1327, 4169-005 Porto

07-07-2022

Guilherme Afonso: “O meu projeto final da licenciatura é a minha primeira entrega ao cinema.”

É fotógrafo e finalista da Licenciatura em Som e Imagem da Escola das Artes da Católica. Chama-se Guilherme Afonso, tem 26 anos e é do Porto. Foi numa viagem à Guatemala que o seu caminho se cruzou com uma máquina fotográfica e, hoje em dia, faz da Fotografia e do Cinema a sua arte. Nesta entrevista ficamos a conhecer o seu trabalho, o que mais o marcou na licenciatura, as suas viagens e o seu livro Travel Diaries.

 

Como é que se dá a descoberta da Fotografia na sua vida?

Em miúdo queria ser piloto, mas mais tarde acabei por ingressar no curso de Engenharia Física. No meu primeiro ano do curso, a minha irmã estava na Guatemala e eu fui lá ter com ela. Levei a máquina fotográfica do meu pai, mas sem nenhuma pretensão especial. Inseri-me num projeto de voluntariado, que intervinha na Guatemala em comunidades locais e acabei por acompanhar projetos de construção e por apoiar algumas famílias. Lembro-me que também me pediram para eu fotografar algumas coisas para ficar registado e para enviarmos aos patrocinadores do projeto. Nessa altura fiquei a dormir numa casa de origem humilde que era anexa à casa de uma família com dez crianças e, por isso, acabei por conviver muito com estes miúdos. Foi nesta relação com estas crianças que a máquina fotográfica ganhou alguma importância, porque foi a forma que eu encontrei de comunicar com eles. Eu tirava-lhes fotografias e eles tiravam-me a mim. À volta da máquina fotográfica criamos a nossa relação de amizade.  

 

Mais tarde ingressou no curso de Fotografia do Instituto Português de Fotografia.

Sim, acabei por desistir de Engenharia Física porque já tinha evidências suficientes de que a fotografia me interessava imenso. Mas, mais uma vez, acabei por tentar conciliar o curso com outros projetos e foi por isso que fiz o primeiro ano do curso no Porto e o segundo ano em Lisboa. A meio do curso envolvi-me num projeto da Gap Year Portugal – a Roadtrip - e acabei por ocupar o meu tempo com isso. Estive quatro meses e meio a percorrer Portugal numa carrinha pão de forma para falar do projeto nas escolas secundárias. Quando o projeto terminou retomei o curso e no fim, como projeto final, lancei um livro que se chama Travel Diaries.

 

“Revejo-me muito nestes encontros com as pessoas.”

 

O que é que se pode encontrar nesse livro?

O livro reúne fotografias minhas de viagens que fui fazendo. Não se pode dizer que seja propriamente um livro de fotografia, porque não tem uma narrativa linear. No fundo, é um álbum de fotografias artísticas. O livro foi editado através de uma campanha de crowdfundig que lancei. Fez-me sentido que assim fosse, porque também as viagens, através das quais resultaram as fotografias, foram feitas à boleia. Mais tarde fiz uma segunda edição do livro, alterei algumas coisas e acrescentei outras fotografias. Quero que o livro evolua ao longo dos anos e por isso é um trabalho sempre inacabado. Já estou a pensar noutras alterações e, quem sabe, talvez haja uma terceira edição.

 

Há alguma fotografia do livro que seja especial para si?

Há uma fotografia que é de uma folha de papel no Rio Nilo. É muito simples e minimalista e, por isso, é muito representativa do meu trabalho na fotografia, porque reflete calma e contemplação.

 

“Na Escola das Artes temos a oportunidade de contactar com artistas de fora, com quem podemos aprender mais e a quem podemos, também, apresentar os nossos projetos.”

 

É finalista da licenciatura em Som e Imagem. Porquê a escolha deste curso?

O curso no Instituto Português de Fotografia foi muito prático. Se por um lado isso é bom, por outro senti que tinha pouca sustentação teórica. Queria explorar mais o lado concetual e aprofundar a teoria da arte. Para além disso, comecei a interessar-me pela área do Cinema e queria descobrir mais. Escolhi Som e_ Imagem na Católica porque acreditei que me ia dar aquilo que me fazia falta e que me ia desafiar muito.

 

O que é que foi mais marcante durante a licenciatura?

Eu fiz o curso integralmente com bolsa. Candidatei-me no primeiro ano e consegui manter a bolsa ao longo dos 3 anos da licenciatura. Foi uma oportunidade única que a Católica me proporcionou. Gostei muito dos professores e de toda a comunidade da Escola das Artes. Aqui temos a oportunidade de contactar com artistas de fora, com quem podemos aprender mais e a quem podemos, também, apresentar os nossos projetos e dar a conhecer o nosso trabalho e isso é essencial. As masterclasses e as aulas abertas motivam os estudantes e incentivam o networking no mundo artístico. A Escola das Artes dá-nos muitas ferramentas que nos ajudam a construir a nossa arte e a levá-la aos outros.

 

“Na licenciatura descobri mesmo o meu gosto pelo cinema.”

 

O seu projeto final da licenciatura foi a realização de um filme … Em que é que consistiu?

Na licenciatura descobri mesmo o meu gosto pelo cinema. Se quando entrei para o curso já tinha despertado para o cinema, foi mesmo no curso que percebi que o meu caminho também passava por aqui.  O meu projeto final é a minha verdadeira primeira entrega ao cinema. Trata-se de um filme sobre dois irmãos que viajam. Eu sou um dos atores. Vamos com uma equipa para locais que vejo no Google Maps. É quase como um processo de viagem. Chegamos ao local e vejo a fotografia do sítio e representamos cenas diferentes de improviso. É um filme com uma narrativa muito visual e vai ser apresentado no Panorama’22.

 

“No cinema entrego-me totalmente e gosto de instigar a dúvida relativamente àquilo que é verdade ou ficção.”

 

Viajar é importante para o seu trabalho …

Todos os anos faço uma viagem com o meu pai. Já estivemos em São Tomé, no Perú, no Egipto. O Egipto foi especial porque foi a primeira viagem onde já fotografei de uma forma mais pensada e com um projeto mais concreto na minha cabeça. Ainda tenho muitas fotografias por revelar dessa viagem e como se trata do Egipto pensei que talvez fosse melhor não as revelar todas de uma vez, porque tem uma história tão antiga que quis dar um tempo a estas fotografias. Já viajei pela Europa sempre à boleia. Autodesafiei-me a chegar à Eslovénia com apenas 50 euros no bolso e lá consegui. Aprendi todos os truques para viajar à boleia e gosto imenso. Prefiro ir para Paris à boleia do que me meter num autocarro que custe 1 euro. Nas boleias vou sempre a ouvir histórias e no autocarro é sempre só mais uma música. Revejo-me muito nestes encontros com as pessoas. O meu próximo projeto de viagem vai ser voltar à Guatemala e reencontrar aqueles miúdos que me fizeram descobrir a fotografia. Não tenho os contactos de ninguém, mas espero que eles não tenham mudado de casa. Tenho imensas fotografias deles que espero que me orientem e que me ajudem a encontrá-los. Na altura eram miúdos dos dois aos catorze anos, hoje terão entre os dez e os vinte e tal. Vou à procura deles porque foi com eles que comecei a retratar.

 

A Fotografia e o Cinema: como é que define a sua arte?

Eu sinto a necessidade de distinguir um bocado as duas artes. Eu sou sempre a mesma pessoa quando estou a trabalhar a fotografia ou o cinema, mas tento-me distinguir quando apresento o produto final e quando assino o trabalho. Com a fotografia quero despertar para o exercício da observação e da contemplação. No cinema, sinto que me envolvo muito mais e que já é algo muito mais pessoal. Eu sou uma pessoa extrovertida, invasiva do espaço dos outros e o cinema é isto. No cinema entrego-me totalmente e gosto de instigar a dúvida relativamente àquilo que é verdade ou ficção. Por exemplo, no projeto final da licenciatura gosto que quem esteja a ver o filme não perceba se são dois irmãos, dois amigos ou se se trata de outra relação qualquer.

 

É mito que um fotógrafo não gosta de ser fotografado?

A propósito disto, comecei há bastante tempo um projeto onde o objetivo é invadir o espaço e criar algum desconforto nas pessoas quando se apercebem que estão a ser filmadas ou fotografadas e ficar a falar com elas sobre isso. Ando pela rua com a câmara perto do peito e aproximo-me das pessoas, a menos de meio metro, de forma a que as pessoas entendam que estão mesmo a ser capturadas imagens suas. É, sem dúvida, um projeto arriscado porque a reação das pessoas é muitas vezes imprevisível e, naturalmente, nem todas as pessoas reagem bem ao meu atrevimento. Mas, no meu caso concreto, se detesto que me fotografem? Por acaso sou muito tranquilo. Como tenho o cabelo comprido e como às vezes visto umas roupas um bocado folclóricas, sou apanhado bastantes vezes por alguns fotógrafos (risos).

 

06-07-2022

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