As visões e a participação das crianças e dos jovens são essenciais para a melhoria das escolas e da educação (Amorim & Azevedo, 2018). O que podemos chamar movimento student voice apresenta-se sob modelos muito diversos acerca do que é que se entende por ter voz e por participação das crianças e dos jovens. Escutar a sua voz, em contexto escolar, não é, pois, questão de simples enunciação, uma vez que o protagonismo que os alunos assumem remete para modelos de educação (cívica) radicalmente diferentes (Susinos & Ceballos, 2012). Vejamos: qual é objeto da participação (do âmbito curricular ao da representação nas estruturas da escola), em que territórios se desenvolve (aula, escola, aprendizagem-serviço, participação sociocomunitária), como se concretiza a participação e de que formas se reveste, com que padrões se apresenta, o que é que a participação permite expressar e o que é que silencia, quem participa e quem permanece calado ou relegado, com que autonomia e com que liberdade é que participam os alunos? Como é que a participação chega à sala de aula e às estratégias de ensino e aprendizagem (Vattoy & Gamlem, 2019)? Os modelos didáticos estão a ser alterados (Cabral & Alves, 2016)?
De facto, a participação dos alunos pode ocorrer num contexto mais ou menos marginal das instituições escolares, como práticas intermitentes, condescendentes e ineficazes (Fielding, 2012, p.45), como forma de ouvir a voz dos que têm sempre voz, ou, de outro modo, como decisões profundas e amplas em ordem ao desenvolvimento das escolas como instituições hospitaleiras, democráticas e justas, nas quais adultos e jovens vivem e aprendem a democracia juntos (ibidem, p.47), com proximidade e respeito mútuo, como se estivéssemos a ouvir o bater do coração da ação educativa.
Há algo que parece ser hoje cada vez mais evidenciado: aprende-se imenso com e dos alunos, essas “testemunhas peritas” das suas próprias experiências de escolarização (Lodge, 2005, p. 129).
Este número da RPIE volta, assim, a este importante núcleo problemático da educação, uma vez que o caminho percorrido é ainda muito curto face ao que será preciso percorrer. Queremos conhecer novas pesquisas sobre novas práticas, sobre novos modos de participação dos alunos nas escolas, sobre novos modos de direção e gestão das escolas, desde a sala de aula à organização escolar, assim como novos contributos teóricos para pensar esta mesma problemática, em ordem a uma escola sempre mais democrática e justa.
Referências
Amorim, J. & Azevedo, J. (2017). Lições dos alunos: o futuro da educação antecipado por vozes de crianças e jovens. Revista Portuguesa de Investigação Educacional, 17, 61-97. https://doi.org/10.34632/investigacaoeducacional.2017.3434
Fielding, M. (2012). Beyond student voice: patterns of partenership and the demands of deep democracy. Revista de Educación, 359, 45-65.
Lodge, C. (2005). From hearing voices to engaging dialogue: problematising student participation in school improvement. Journal of Educational Change, 6, 125-146. https://doi.org/10.1007/s10833-005-1299-3
Susinos T. & Cebollos N. (2012). Voz del alumnado y presencia participativa em la vida escolar. Apuntes para uma cartografia de la voz del alumnado em la mejora educativa. Revista de Educación, 359, 24-44. https://doi.org/10.4438/1988-592X-RE-2012-359-194
Vattoy, K-D. & Gamlem, S. (2019). Teachers’ regard for adolescent perspectives in feedback dialogues with students in lower-secondary schools. Nordisk tidsskrift for utdanning og praksis, 13[2], 39–55. https://doi.org/10.23865/up.v13.1970
O Papa Francisco exortou as instituições católicas educativas para que “neste momento particularmente duro de pandemia, fomentem as relações e a colaboração”, criando desta forma “uma cultura de diálogo que possa trazer respostas aos profundos anseios da nossa sociedade, acabando com os individualismos, o sectarismo e a rejeição que a atormentam”, numa mensagem lida esta tarde na abertura do II Simpósio Global Uniservitate, organizado em parceria com a Universidade Católica Portuguesa.
Na comunicação lida pelo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas, o Papa fez ainda um apelo às universidades católicas para que promovam projetos que “à sua conclusão não se mantenham no nível puramente académico, mas sim formando as cabeças, o coração e as mãos dos seus formandos na solidariedade e na fraternidade”.
A abertura do II Simpósio Global Uniservitate, para a promoção da educação Aprendizagem-Serviço, organizado entre 28 e 29 de outubro, pela UCP e a Uniservitate, contou também com uma mensagem do Secretário-Geral da ONU.
António Guterres salientou que “o mundo em que vivemos enfrenta enormes ameaças num contexto de agudas divisões e depara-se com uma multiplicidade de crises”, dando como exemplo “a pandemia da Covid-19, a crise climática, conflitos e tensões geopolíticas, uma onda de desconfiança e desinformação, ameaças aos Direitos Humanos sob fogo, a Ciência sob ataque”.
“Agora, mais do que nunca, precisamos de superar as divisões, reduzir o sofrimento humano, restaurar a confiança e inspirar esperança. A educação de qualidade está no centro da resposta a estes desafios. As universidades, em particular, são chamadas a desempenhar um papel central na busca de soluções e na promoção da Agenda 2030”, acrescentou António Guterres.
Lembrando os “desafios à escala global,” o responsável português referiu que “são, pois, de enorme valia as parcerias estabelecidas a partir de organismos da sociedade civil e, em particular, do meio universitário, visando a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável com vista à redução de desigualdades e à promoção da dignidade e da esperança para toda a Humanidade”.
Educação integral ligada à sociedade
Já Isabel Capeloa Gil, Reitora da Universidade Católica Portuguesa, salientou que “num tempo de explosão de novos e contraditórios protagonistas, esta convocação significa reclamar o direito a fazer diferente, significa encontrar uma proposta de valor que não decorra da reação às tendências ou às necessidades de curto prazo, mas que antecipe as grandes mudanças societais e não deixe ninguém para trás.”
“Uma educação que forme os protagonistas do futuro deve também incentivar ao risco, porque educar e aprender é inexoravelmente um ato arriscado”, acrescentou a Reitora da UCP, numa referência ao Papa Francisco.
“Aqui na Universidade Católica Portuguesa, estamos empenhados numa transformação curricular desenvolvida com o apoio da PORTICUS para implementar a aprendizagem de serviço em toda a universidade”, acrescentou Isabel Capeloa Gil referindo-se ao Projeto CApS – Universidade Católica e Aprendizagem-Serviço: Inovação e Responsabilidade Social.
Na sessão de abertura do encontro, sob o lema "Aprendizagem-Serviço, educação integral e espiritualidade transformadora”, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, lembrou que “foi para servir as comunidades que as universidades surgiram. Com intenção prática para todos”.
O Magno Chanceler da UCP pediu “um ensino ligado à sociedade e às suas necessidades, tanto nacional como internacionalmente”, lembrando a “complexidade dos temas que as universidades tratam, como o clima, os refugiados, os direitos fundamentais ou a capacitação de organizações internacionais, que exigem uma maior ligação entre o ensino e a sociedade”.
Também presente neste primeiro dia de trabalhos, D. José Ornelas, Bispo de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, realçou o papel das universidades “para a promoção do diálogo cultural”.
Este evento, que conta com mais de 1000 inscritos, inclui múltiplas atividades em formato virtual, com painéis temáticos com especialistas, líderes, estudantes e participantes de todo o mundo.
Mais de 30 universidades e instituições de ensino pertencentes a mais de 25 países dos cinco continentes terão, durante o encontro, a oportunidade de apresentar alguns dos seus trabalhos na área da aprendizagem e serviço.
As boas práticas, os desafios e as grandes oportunidades da área da Sustentabilidade e da Regeneração estiveram no centro da discussão da 1ª Conferência Internacional de lançamento do INSURE.hub, a nova plataforma que tem como visão a promoção e a implementação de processos de inovação e gestão numa perspetiva circular e que resulta da mobilização da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, através das suas Faculdades - Católica Porto Business School e Escola Superior de Biotecnologia - e da Planetiers New Generation. O evento de lançamento, que decorreu a 27 de outubro, contou com mais de 400 participantes.
Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, começou por dar as boas-vindas a todos os presentes e envolvidos na sessão de lançamento do INSURE.hub, que caracterizou como sendo uma “plataforma de mudança” que pode “inspirar para um mundo melhor”. A reitora da Católica reforça o compromisso que a Universidade assume, afirmando que “a liderança exige honra e empenho e por isso acreditamos que é nossa responsabilidade trabalhar com empresas para que se possam encontrar soluções para os seus desafios e colaborar na transição para um modelo de desenvolvimento económico mais equitativo e sustentável”.
Isabel Capeloa Gil recordou também que “a tarefa da Católica é a de implantar educação e investigação para alcançar o objetivo e para promover uma transição que seja viável, equitativa e justa” e que a Católica é “a universidade número um em Portugal na investigação orientada para o impacto e pelo terceiro ano consecutivo é, também, a melhor universidade em Portugal de acordo com o ranking da Times Higher Education”.
A sessão de boas-vindas contou, também, com Isabel Braga da Cruz, pró-reitora do Centro Regional do Porto da Universidade Católica, que reforçou a importância da Sustentabilidade e da Regeneração: “A sustentabilidade e a regeneração são áreas-chave para a sociedade. O Green Deal, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e outras iniciativas são apelos urgentes à ação. Mas a ação está nas mãos das instituições e isto foi o que motivou a criação do INSURE.hub, que, hoje, é lançado aqui na Católica.”
Isabel Braga da Cruz explicou, também, que esta primeira conferência conta com oradores e participantes de diferentes geografias que farão deste evento uma oportunidade “estimulante e inspiradora para a mudança”.
Depois das boas-vindas, seguiu-se uma apresentação do INSURE.hub orientada por Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF), por João Pinto, da Católica Porto Business School, e por António Vasconcelos, co-líder da Planetiers New Generation. Durante a apresentação foram destacados os principais elementos da plataforma, bem como a sua missão, visão e objetivos: “O INSURE.hub traz conhecimentos de vanguarda e laboratórios de investigação, juntamente com a capacidade de mobilizar os profissionais para enfrentarem os desafios em matéria de inovação na Sustentabilidade e Regeneração.”
O evento decorreu com um conjunto de 9 apresentações, orientadas por diferentes oradores, que tiveram o objetivo de colocar em discussão diferentes tópicos relacionados com o tema da Sustentabilidade e da Regeneração. No final das apresentações, decorreu um momento de debate, moderado por António Vasconcelos. São exemplo, Edwin Janssen e Rüdiger Rhörig (Sustainable Growth Associates - The Natural Step Germany) que apresentaram um estudo europeu efetuado às empresas sobre Sustentabilidade, Inovação e Liderança e mostraram como podem as empresas criar uma visão de futuro sustentável e regenerativo (backcasting), criando um roadmap de inovação e criação de valor para a alcançar; Tom Bregman (Future-Fit Foundation, UK) que falou sobre Future-Fit Business como uma ferramenta alinhada com o backcasting; João Pinto (Católica Porto Business School) e Sofia Santos (Caixa de Crédito Agrícola) que debateram, com Tom Bregman (Future-Fit Foundation),o Financiamento e o investimento sustentável e regenerativo; o tema sobre a nova era dos negócios regenerativos foi apresentado por John Fullerton (CEO Capital Institute, US); John Melo (CEO Amyris Inc) e Manuela Pintado (coordenadora do projeto Alchemy e diretora do CBQF/ESB/UCP) falaram sobre o case study de um dos maiores projetos europeus em biotecnologia – Alchemy, A surpresa no evento foi a presença de Gunter Pauli, “pai” da Economia Circular.
A sessão de encerramento contou as intervenções dos diretores da Escola Superior de Biotecnologia, Paula Castro, e da Católica Porto Business School, Rui Sousa.
O dia terminou com um jantar que juntou mais de 80 representantes de empresas nacionais e internacionais que permitiu apresentar e abrir o debate sobre a importância do INSURE.hub, ouvir o testemunho de John Melo, CEO da Amyris, sobre a sua parceria com a Católica no âmbito do projeto Alchemy, bem como ouvir uma palestra inspiradora de Gunter Pauli sobre novas formas de olhar para a gestão quando se fala em sustentabilidade e regeneração.
A 1ª conferência internacional do INSURE.hub inaugura aquilo que será uma intensa e dinâmica atividade desta nova plataforma que pretende promover a Sustentabilidade e a Regeneração, enquanto âncoras essenciais para dar resposta aos desafios ambientais globais. O INSURE.hub vai atuar em quatro eixos fundamentais: apoio a empresas e clusters no desenvolvimento de negócio e novos investimentos; promoção de empreendedorismo sustentável/regenerativo; mobilização da sociedade; e formação académica.
A Biblioteca participará, a convite da organização, no 14º Festival West Coast.
Participaremos com a disponibilização de materiais da coleção MIC (Maestro Manuel Ivo Cruz), para a 1ª Mostra de discografia de música antiga portuguesa, integrada neste festival e que decorrerá nos próximos dias 30 e 31, no Palácio do Marquês de Pombal!
Pedro Dias, Lurdes Veríssimo e Patrícia Oliveira-Silva, docentes da FEP e investigadores do CEDH, apresentaram, conjuntamente com Inês Lameiras, estudante FEP, Sofia Serra e Daniela Coimbra, um poster na Conferência Internacional CIPEM. O poster, intitulado "Ansiedade na Performance Musical e Consumo de SubstânciasPsicoativas: Estudo com Estudantes Universitários", apresenta resultados preliminares da dissertação de Mestrado em Psicologia de Inês Lameiras.
A Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa homenageia o artista Julião Sarmento com o lançamento do livro “Julião Sarmento – The Complete Film Works”, no Lux Frágil em Lisboa, em parceria com a Sistema Solar - Documenta e a Associação Julião Sarmento.
Durante a sessão será apresentada uma selecção de obras de imagem em movimento do artista e o evento conta ainda com a participação dos Djs Dexter e Pedro Ramos.
O novo livro dedicado a Julião Sarmento, editado por Nuno Crespo e desenhado por Pedro Falcão, reúne todas as 51 obras em imagem em movimento que Julião Sarmento produziu ao longo da sua carreira e é editado pelo Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e pela Documenta – Sistema Solar, com textos inéditos de Delfim Sardo, administrador do CCB com o pelouro da programação, Kerry Brougher, diretor fundador da Academy Museum of Motion Pictures em Los Angeles, e Chrissie Iles, curadora do Whitney Museum of American Art, de Nova Iorque. O livro conta ainda com uma entrevista de Nuno Crespo e João Pedro Amorim com o artista sobre o seu trabalho em imagem em movimento.
Este livro resulta de uma colaboração com Julião Sarmento iniciada em 2017 com a exposição “Julião Sarmento. Film Works".