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Laura Anahory: “Tudo é possível na Animação.”

Laura Anahory tem 25 anos e é mestre em Som e Imagem, na especialização em Animação, pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa no Porto. Licenciada em Design de Comunicação, desde cedo que vive fascinada pela criação de personagens. Vive entre a Animação e o Real, mas, como nos conta, “a Animação toca sempre a vida real.” A sua curta-metragem O Pássaro de Dentro ganhou uma menção honrosa na categoria de Escolas no âmbito da Festa Mundial da Animação 2024. Sobre a experiência na Católica: “Aprendi a colaborar e a trabalhar em equipa.”

 

O que é que a trouxe para o mundo das Artes?

O meu contexto familiar foi determinante. Metade da minha família são professores e a outra são artistas. Desde muito nova que convivo com as Artes, tanto com a música como com o desenho.

 

É licenciada em Design de Comunicação e mestre em Som e Imagem. Porquê este percurso?

É uma boa pergunta, porque, na verdade, não tinha certezas do que queria fazer profissionalmente. Sabia que queria explorar diferentes áreas, sabia que queria desenhar e com um foco especial na criação de personagens. Sempre olhei para a formação como parte essencial de um percurso e, acima de tudo, sempre percebi que a nossa formação deveria ser diversificada. Comecei com o Design e depois fiz uma Pós-Graduação em Ilustração e Animação, ambos os cursos na ESAD. Depois surgiu a oportunidade de fazer o Mestrado em Som e Imagem na Escola das Artes da Universidade Católica.

 

“O meu interesse maior na Animação é a transformação do corpo.”

 

Porquê a Católica e o que é que foi mais marcante durante o mestrado?

Estava eu a terminar uma Pós-Graduação em Ilustração e Animação quando ouvi falar do Mestrado em Som e Imagem da Católica. Eu sabia que queria continuar a explorar a vertente da Animação e, por isso, fazia sentido candidatar-me. Através do Mestrado, descobri como é que se trabalha em equipa, porque ninguém consegue fazer um filme todo sozinho. A experiência na Católica foi importante a muitos níveis, mas sobretudo nesta vertente da colaboração. Aprendi a colaborar e a trabalhar em equipa. Tive contacto com professores que me marcaram muito e com quem tive oportunidade de construir uma relação. A orientação que recebi por parte de alguns professores foi essencial. Sempre me encorajaram a aprender coisas novas e a fazer melhor.

 

Porquê o fascínio pela criação de histórias e personagens?

Cresci a ver cartoons e animes. Fez parte do meu crescimento e marcou-me imenso. Passava tardes, deitada no chão, a desenhar personagens. A Televisão teve uma importância enorme. Era na TV que eu via todas aquelas histórias que me inspiravam. Uma vez, a minha tia ofereceu-me A Viagem de Chihiro e foi revolucionário para mim. Não queria outra coisa, porque aqueles desenhos contavam uma história com a qual eu me relacionava diretamente. E para mim, na altura, era tão natural, e fácil até, desenhar personagens e imaginá-las em diferentes contextos, representar os outros ou até a mim própria em diferentes situações do dia-a-dia.

 

Porque é que a Animação pode ser mais interessante que o real?

Porque a Animação é uma extensão da vida real. A Animação toca sempre a vida real.

 

Que área mais gosta de explorar na Animação?

O meu interesse maior na Animação é a transformação do corpo. Por exemplo, quando, na vida real, se sente uma dor no nosso corpo, o corpo não muda de forma, o corpo permanece igual aos olhos dos outros. Mas na Animação é possível pôr o corpo a falar essa dor. Podemos pôr o corpo a contrair e a expandir, podemos dar expressão. Na Animação, o corpo é metamorfósico. É a área que mais me interessa explorar.

 

Não há limites para a expressão?

Não há limites físicos. Tudo é possível na Animação.

 

“O Pássaro de Dentro consiste numa autoexploração do meu próprio corpo e da minha mente.”

 

A Criatividade trabalha-se?

A Criatividade é uma capacidade que se trabalha, como tantas outras. Não posso dizer que sou extremamente criativa. Tenho muito para aprender no que à Criatividade diz respeito. Mas, acredito, que a Criatividade surge das experiências pessoais que temos e também das perspetivas que temos de outros artistas. Eu não posso desenhar ou criar aquilo que não conheço.

 

Qual foi o projeto final do Mestrado?

O filme chama-se “O Pássaro de Dentro”. Consiste numa autoexploração do meu próprio corpo e da minha mente. Também me inspirei no livro O Corpo Não Esquece, uma obra sobre a ligação entre a mente e o corpo e como a mente altera fisicamente o corpo. Este foi o ponto de partida para os meus desenhos. O filme é sobre uma mulher que tem um pássaro que vive dentro do corpo dela e ela não consegue lidar com a existência do bicho. Ao longo do filme eles interagem e o corpo da mulher vai-se alterando. Este projeto recebeu uma menção honrosa na categoria de Escolas no âmbito da Festa Mundial da Animação 2024.

 

Que importância atribui à distinção?

Tem sempre importância, porque significa que alguém reconheceu valor no nosso trabalho. Depois de um ano intenso a trabalhar naquele filme, soube bem saber que alguém apreciou e que fui na direção certa.

 

Fazer um filme de animação implica fazer muitos desenhos e implica desenhar, muitas vezes, a mesma personagem. Quantos desenhos fez para o filme O Pássaro de Dentro?

Nunca fiz as contas, mas o meu filme tem 6 minutos de duração. Há alturas do filme em que para cada segundo foi necessário desenhar cerca de 12 desenhos. É fazer as contas (risos).

 

Um filme de Animação imperdível?

Recentemente vi o filme “In this corner of the World”. É sobre a Guerra. Como é que as vidas das pessoas e das famílias são afetadas pela guerra? Tendo em conta o contexto que vivemos atualmente, parece-me ser um tema que merece a nossa reflexão.

 

 

06-03-2025

Candidaturas abertas para a T4EU Week: O design em todas as suas formas (news)

A Universidade Católica Portuguesa, membro da Transform4Europe Alliance, abre candidaturas para a T4EU Week “Design in all its forms”, que se realizará de 19 a 23 de maio de 2025, em Saint-Étienne, França. O evento destina-se a estudantes de Licenciatura, Mestrado e Doutoramento da Católica e visa promover o desenvolvimento de competências académicas e a interação intercultural em ambiente internacional.

A T4EU Week decorrerá na Universidade de Jean Monet e contará com uma agenda que combina atividades académicas e culturais. Durante o evento, os estudantes participarão em cursos intensivos, focados em temas relevantes para as suas áreas de estudo e comunicação. Além das aulas, haverá atividades como passeios guiados, workshops e eventos culturais, fomentando a troca de experiências entre os participantes.

Saint-Étienne, conhecida como a Cidade do Design, acolherá a T4EU Week durante a Bienal Internacional de Design - Biennale Internationale Design Saint-Étienne 2025. Será uma semana de colaboração e de intercâmbio entre o pessoal universitário e os estudantes, centrada no tema desta edição: “O design em todas as suas formas”. Os cursos e debates explorarão o design em diversos domínios, incluindo a arte, a ciência, o direito e a tecnologia.

Os estudantes poderão escolher entre sete cursos nas áreas da comunicação, negócios, educação, igualdade de género, cibersegurança e ambiente. Cada curso oferece 3 ECTS, reconhecidos no Suplemento ao Diploma da Universidade Católica, e incluirá componentes presenciais e online.

As candidaturas estão abertas até 23 de março de 2025 e devem ser submetidas online. Os estudantes devem preencher um formulário e apresentar uma carta de motivação em inglês, explicando a escolha dos cursos e o impacto da participação no evento. A seleção será feita com base no número de créditos ECTS concluídos, trabalho voluntário, interesse e experiência no tema dos cursos.

Os resultados da seleção serão divulgados até 2 de abril de 2025. Mais informações estão disponíveis na página oficial da Transform4Europe no portal da UCP, na página da Transform4Europe ou escreva para t4eu@ucp.pt

 

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Candidate-se

 

06-03-2025

FCSE promove Simpósio sobre “Feridas, Ostomias e Incontinência. Desafios distintos, abordagens integradas”

“Feridas, Ostomias e Incontinência. Desafios distintos, abordagens integradas”foi o tema do simpósio organizado pela Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem no âmbito do curso de Pós-Graduação em Cuidados Avançados em Feridas, Ostomias e Incontinência.

O evento, que decorreu no dia no dia 24 de fevereiro, contou com 3 painéis de discussão que foram integrados por estudantes, peritos e investigadores nacionais e internacionais que abordaram diferentes problemáticas, desde estratégias para a viabilidade dos tecidos em situações críticas, como feridas abdominais, até à prevenção de lesões por pressão relacionadas com dispositivos médicos em pacientes neonatais e pediátricos, passando pelos desafios e oportunidades emergentes da aplicabilidade da Inteligência Artificial no ensino e investigação.

O evento também ficou marcado pela entrega de diplomas aos estudantes da 8ª edição do Curso de Pós-Graduação em Cuidados Avançados em Feridas, Ostomias e Incontinência reconhecendo os estudantes que concluíram esta edição do curso, marcando um momento de celebração da excelência académica na área de cuidados de saúde.

O Simpósio terminou com a reflexão conjunta sobre a necessidade de rutura com práticas do passado e a construção de um futuro mais inovador e eficaz na gestão das condições discutidas. Assim, este momento revelou-se uma oportunidade para promover um espaço de discussão e fomentação de práticas clínicas baseadas na melhor evidência disponível e contribuir para a excelência no cuidado aos pacientes, solidificando o compromisso da Faculdade em oferecer educação de qualidade e apoio à inovação na saúde.

05-03-2025

Peer2Peer já arrancou na Católica no Porto com 40 participantes a prepararem-se para o mercado de trabalho

Arrancou a 1ª edição do projeto Peer2Peer na Universidade Católica Portuguesa no Porto com cerca de 40 participantes. Trata-se de um programa inovador que prepara pessoas com deficiência e alunos universitários para o mercado de trabalho. O objetivo é criar um ambiente de aprendizagem em pares que incentiva um maior autoconhecimento das próprias capacidades, desenvolvimento de competências e motivação para o futuro profissional.

Ao longo de 11 semanas, os participantes – estudantes universitários e jovens com deficiência – reúnem-se semanalmente no campus da Universidade e trabalham em pares em sessões que incluem workshops em grupo e sessões One2One. Um dos grupos é composto por 10 pares e o outro por 12 pares, envolvendo um total de 22 pessoas com deficiência e 21 estudantes de cinco faculdades da Universidade Católica no Porto – Católica Porto Business School, Faculdade de Direito, Faculdade de Educação e Psicologia, Escola Superior de Biotecnologia e Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem.

"Participar no Peer2Peer é, sem dúvida, um privilégio! Antes da primeira sessão, pensei que poderia sentir algum desconforto por sair da minha zona de conforto, com dúvidas sobre a melhor forma de agir em determinadas situações. No entanto, isso nunca aconteceu, creio que devido à forma como a sessão foi conduzida e ao envolvimento de todo o grupo. Senti que estamos todos para aprender uns com os outros e estou muito motivada para o que aí vem”, partilhou Luísa Sampaio, estudante da licenciatura em Psicologia.

As duas primeiras sessões decorreram num ambiente de entusiasmo e proximidade, marcado pela alegria e pelo espírito de colaboração entre os estudantes universitários e os jovens com deficiência, que iniciam agora um percurso em pares de preparação para o futuro profissional.

Esta edição do projeto decorrerá até ao final de maio e contará com a colaboração do Gabinete de Estudantes e Empregabilidade e do Career and Development Office, empresas de recrutamento e seleção, e com o testemunho de profissionais com deficiência integrados no mercado de trabalho e de outra empresa empregadora.

A segunda edição do projeto terá lugar no início do próximo ano letivo, 2025/26.

05-03-2025

Católica Porto Business School reforça laços globais na Índia

A Católica Porto Business School continua a consolidar a sua presença no panorama internacional, fortalecendo parcerias estratégicas na Índia. O diretor da Católica Porto Business School, João Pinto, esteve recentemente no país para estreitar colaborações com instituições académicas e empresariais indianas, impulsionando oportunidades de intercâmbio, investigação e discussão sobre temas de impacto global. 

A visita incluiu a expansão das relações com a SPJIMR SP Jain Institute of Management & Research, considerada a melhor escola de gestão na Índia pelo ranking do Financial Times master's in management (FT MIM). O reforço da colaboração visa criar mais oportunidades para o intercâmbio de alunos e projetos de investigação conjunta, aprofundando o impacto global da Católica Porto Business School. 

Durante a sua estadia, João Pinto foi orador principal na TASIC 2025: International Technology and Societal Impact Conference, onde abordou a importância das finanças sustentáveis na criação de valor económico a longo prazo. O evento reuniu especialistas académicos, chief innovation officers, responsáveis de CSR, decisores de políticas públicas e estudantes inovadores, proporcionando um espaço de debate sobre tendências e soluções para os desafios globais. 

O diretor da Católica Porto Business School participou ainda num Think Tank sobre "Digital Public Information and Value Creation" com executivos de topo de empresas indianas. A discussão centrou-se em modelos digitais de inclusão, sustentabilidade económica e inovação, reforçando o compromisso da escola com a criação de conhecimento relevante e aplicável a nível global. 

"Esta visita à Índia foi um marco importante para a Católica Porto Business School, permitindo-nos fortalecer relações estratégicas e criar novas oportunidades para os nossos estudantes e investigadores. O intercâmbio de conhecimento e a colaboração internacional são fundamentais para formar líderes capazes de enfrentar os desafios globais do futuro", destacou João Pinto. 

Com este reforço de laços globais, a Católica Porto Business School continua a afirmar-se como uma escola de negócios de referência, comprometida com a internacionalização e o impacto global. 

03-03-2025

Católica Porto Business School promove quatro Summer Schools este julho

Durante o mês de julho, a Católica Porto Business School organiza quatro Summer Schools focadas em temas como Machine Learning, Deep Tech, Finanças e Análise de Dados. Estes programas internacionais de curta duração oferecem uma oportunidade para estudantes e profissionais aprofundarem conhecimentos e aplicarem conceitos a desafios reais. 

Deep Tech & Business Case Summer School (7 a 18 de julho) – Destinada a estudantes de licenciatura e mestrado interessados na interseção entre tecnologia e estratégia empresarial, esta Summer School explora tendências emergentes e desafios do setor. 

Porto Summer School in Machine Learning and Textual Analysis (21 a 25 de julho) – Dirigida a estudantes de doutoramento, de mestrado e finalistas de licenciatura com interesse em finanças e contabilidade, aborda a aplicação de Machine Learning e NLP (Natural Language Processing) na construção de modelos financeiros. 

Python Porto Summer School (21 a 25 de julho) – Orientada para estudantes de mestrado e doutoramento com interesse em finanças, podendo também ser frequentada por finalistas de licenciatura. O foco está na aprendizagem prática de Python aplicado ao contexto financeiro. 

Data Science and AI with KNIME: A Hands-on Approach Summer School (28 de julho a 1 de agosto) – Pensada para estudantes de mestrado, doutoramento e profissionais de áreas científicas quantitativas que pretendem desenvolver competências em análise de dados através da plataforma KNIME Analytics. 

Cada programa é lecionado por professores e especialistas do setor, proporcionando uma experiência prática e interativa, bem como a oportunidade de estabelecer contactos com profissionais e estudantes de diferentes origens. 

As candidaturas decorrem até 30 de maio. Saiba mais aqui.

 

 

28-02-2025

Pobreza e Estratégia: debate na Católica Porto Business School reúne especialistas e comunidade

No passado dia 26 de fevereiro, a disciplina de Estratégia, da Licenciatura em Gestão da Católica Porto Business School, promoveu um encontro-debate sobre "Estratégia e Pobreza". O evento reuniu especialistas de diferentes áreas de intervenção e contou com uma plateia completa e aberta à comunidade. 

A sessão teve início com a intervenção da pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Braga da Cruz, que abordou "O papel da academia na construção de uma sociedade mais justa". Isabel Braga da Cruz destacou que a erradicação da pobreza, um dos maiores desafios da humanidade, exige ações multissetoriais, envolvendo desde as ciências sociais às exatas, do setor produtivo ao ensino superior. 

"No Ensino Superior, a intervenção acontece a vários níveis: além de gerar conhecimento e influenciar a sociedade, tem a responsabilidade de formar e capacitar, não só os jovens, mas todos os que procuram aprendizagem ao longo da vida." 

Sublinhou ainda que as universidades desempenham um papel essencial na educação e desenvolvimento de competências, investigação e apoio a políticas, envolvimento com a comunidade e através de diálogo e parcerias globais. "A colaboração das Instituições de Ensino Superior na erradicação da pobreza não é opcional, mas uma exigência moral", afirmou, destacando que a Universidade Católica Portuguesa ocupa o o quarto lugar mundial no ODS 16 - Paz, Justiça e Instituições Eficazes Rankings do Times Higher Education, reflexo do seu compromisso nesta área. Para isso, acrescentou Isabel Braga da Cruz, contribuem iniciativas que a Universidade Católica Portuguesa promove, assentes em três pilares: Ensino, Investigação e Inovação, e Responsabilidade Social Universitária. 

Seguiu-se a intervenção de Paula Cruz, coordenadora da Unidade dos Projetos e Políticas Europeias da EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza, que trouxe ao debate "O papel da União Europeia no combate à pobreza". Paula Cruz sublinhou a crescente importância da luta contra a pobreza a nível europeu, realçando conceitos fundamentais como trabalho em parceria, desenvolvimento local, igualdade e acesso a direitos. Alertou ainda para o persistente discurso negativo em relação às pessoas em situação de pobreza, ao reforçar a necessidade de uma mudança na narrativa. 

O debate culminou num painel de discussão sobre "Estratégias de combate à pobreza – da visão e da prática a nível nacional à visão e ação local". Moderado por Raquel Campos Franco, docente da Católica Porto Business School, contou com a participação de Sandra Araújo, coordenadora da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, Fernando Paulo, vereador do Pelouro da Educação e da Coesão Social da Câmara Municipal do Porto, e Bárbara Barros, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome do Porto. 

"Não é só o mundo empresarial que formula estratégias, também o setor social o tem de fazer", frisou Raquel Campos Franco. Durante o debate, Sandra Araújo apresentou a abordagem nacional ao combate à pobreza, enquanto Fernando Paulo e Bárbara Barros partilharam perspetivas e iniciativas locais, a partir da Câmara Municipal do Porto e do Banco Alimentar Contra a Fome do Porto, respetivamente.

Esta é uma iniciativa organizada no âmbito do protocolo da Universidade Católica Portuguesa no Porto com a EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza, entidade com quem a UCP colabora e é parceira. O evento reforçou a importância do envolvimento académico, empresarial e social no desenho de estratégias eficazes para erradicar a pobreza, promovendo um futuro mais justo e inclusivo. 

27-02-2025

João Amado: “O cuidar é a base de tudo.”

João Amado é médico, investigador do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde (e ex-docente convidado da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem) da Universidade Católica Portuguesa. Tem 75 anos e é natural da Vila de Cucujães (Santo António da Ínsua). Viveu em Moçambique e licenciou-se em Medicina pela Universidade do Porto. Com uma vida dedicada à saúde comunitária, partilha que esta “é a base de toda a intervenção em saúde” e que os enfermeiros se definem na “proximidade”. O mais importante da vida? “Estar sempre agradecido.”

 

Quando é que decide estudar Medicina?

A Medicina surgiu já muito tarde na minha vida. Tudo surge de antes de uma experiência que tive de voluntariado em Moçambique (1973-1978), ligado à Sociedade Missionária e à Diocese de Nampula, no lar(-escola) de S. José (no “mato”), a cerca de 30 km da cidade e depois em Nacala. Estive lá 5 anos, passei lá a independência. Depois regressei a Portugal para, então, estudar Medicina com a ideia de voltar para lá. Acabou por não acontecer, porque, entretanto, casei, tivemos um filho e, também, surgiu a guerra entre a FRELIMO e a RENAMO.

 

O que guarda desses tempos em Nampula?

Há cheiros que nunca mais esqueço. Os cheiros da noite nas conversas ao luar. Conversávamos muito e é esse tempo de relação pessoal que guardo para sempre. Foi um tempo muito gratificante da minha vida.

 

Tem dedicado toda a sua vida à área da saúde comunitária. Foi da experiência em Moçambique que ficou o interesse de trabalhar junto das comunidades?

Também, claro, mas durante a licenciatura trabalhei com uma professora para a ajudar durante o seu doutoramento. Íamos nas férias trabalhar para Vila Real voluntariamente para lhe conseguirmos os dados para a tese. Foi um tempo que despertou em mim esta vontade de estar perto da comunidade. E, claro, a minha esposa foi uma grande influência para mim. Casei com uma enfermeira de saúde pública absolutamente extraordinária e isso motivou-me muito a seguir por esta área. O compromisso da minha mulher com a saúde pública foi verdadeiramente contagioso. Nos anos 70, a minha mulher fez coisas muito inovadoras a favor das populações. Esteve envolvida na campanha contra o sarampo, em campanhas de vacinação, fazia visitas a casas dos bairros pobres, das salinas, das de prostituição e acompanhou as campanhas de Gonçalves Ferreira que reduziram drasticamente a mortalidade infantil. Estas campanhas foram tão importantes que foi ainda antes do 25 de abril que, em Portugal, atingimos o ponto da civilização. Foram feitos extraordinários.

 

Porque é que a saúde comunitária é uma área tão fascinante para si?

É a base de toda a intervenção em saúde. Quando pensamos em cuidados de saúde primários estamos a pensar na saúde da comunidade. Os mínimos de saúde têm de ser assegurados a toda a gente. Porque é que podemos não ter direito a tratamentos de milhões de euros? Porque esses milhões vão retirar a hipótese de dar efetivamente os cuidados base necessários a todas as pessoas. Este trabalho junto da comunidade sempre me sensibilizou muito, de tal forma que acabei por lhe dedicar a minha vida, embora tivesse sempre mantido o meu trabalho clínico, como médico de medicina geral. A Medicina é uma profissão de relação e de proximidade e isso é muito importante para mim. Já na família onde cresci (somos seis irmãos), o contacto sempre foi muito importante e sempre foi determinante para o meu crescimento. A proximidade tem de estar em tudo o que faço.

 

“É na proximidade que o enfermeiro se define.”

 

Na sua experiência como docente da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem e investigador do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde porque é que é relevante o papel que a Universidade Católica tem na área da saúde comunitária?

Porque os enfermeiros são aqueles que estão na linha da frente e a saúde da comunidade, mesmo quando se trata de atendimento clínico, tem um substrato fundamental que é o enfermeiro. O enfermeiro é aquele que lida com a pessoa no seu ambiente mais próximo. O enfermeiro ultrapassa a parte clínica e tenta perceber a pessoa no seu contexto socioeconómico e familiar. A Católica distingue-se na formação de enfermeiros, porque é na proximidade que o enfermeiro se define. O cuidar é a base de tudo.

 

Como é que sempre viveu a sua carreira ao longo de mais de 40 anos ao serviço da Medicina?

Com espírito de responsabilidade pelo contributo que recebi ao longo de toda a vida. O que tenho e o que pude dar ao longo da minha vida foi-me dado de alguma forma. Eu contribuí dentro do que me foi dado e se me foi dado é para dar aos outros também.

 

“Dá-me muita alegria viver.”

 

Aos 75 anos continua a trabalhar …

Sim, continuo (risos). Dentro do que me pedem e do que posso, nomeadamente em atividades de voluntariado.

 

O voluntariado é uma dimensão importante na sua vida?

É muito importante para mim. O voluntariado faz-nos perceber quão frágeis somos. O voluntariado ensina-nos a agradecer o que somos no que temos.

 

Porque é que é tão importante agradecer?

Agradeço a Deus estar vivo e agradeço toda a vida que me deu. Agradeço o tempo que vivi solteiro, casado, viúvo, agradeço o tempo que vivo agora com a minha família, com filho, nora e neto. Dá-me muita alegria viver e, por isso, devo ser agradecido. Se eu não agradeço, eu não me percebo feliz.

 

 

27-02-2025

Sessão Premium ADN Jurista: a política portuguesa sem filtros

A política portuguesa tem tanto de insólito como de revelador. Foi este o mote da apresentação do livro “Só neste País”, que marcou a mais recente sessão Premium ADN Jurista, com os autores – Liliana Valente in situ e Filipe Santos Costa, a partir do Japão – e os seus comentadores, João Pedro Matos Fernandes, ex-Ministro do Ambiente e da Ação Climática, e Sandra Sá Couto, jornalista e editora geral da RTP. Num debate informal e sem rodeios, falou-se de memória, dos insólitos políticos e do enfraquecimento dos órgãos de comunicação social.

"Há facetas da política que a maioria das pessoas desconhece", mencionou Sandra Sá Couto, ao esclarecer que a obra revela a parte mais cómica da política e dos seus protagonistas no decorrer de meio século de Democracia. De acordo com João Pedro Matos Fernandes não deixam de ser histórias tristes “de pequenos abusos, soberbas, de aldrabices, de homens. E digo homens de propósito porque praticamente não há histórias de mulheres. Infelizmente”.

Sobre silêncios, Liliana Valente reforçou a omissão política atual: "Eles profissionalizaram-se, aprenderam a falar menos de forma intermediada porque podem. Com as redes sociais podem falar diretamente para o público, sem ninguém os confrontar com perguntas. Como há menos escrutínio, os jornais vão morrendo e os políticos remetem-se ao silêncio". A jornalista alertou ainda para o impacto dos algoritmos das redes sociais, que filtram a informação que chega ao público, tornando o debate ainda menos plural.

Filipe Santos Costa, por sua vez, destacou o poder do humor político e a importância da memória para tempos difíceis como estes. E é precisamente entre o riso e a memória que o livro se posiciona: um registo histórico, sob o prisma do caricato e bem-humorado que, no fundo, nos obriga a olhar para a política com mais atenção.

A discussão passou ainda pelo populismo, pela influência dos media e pela proliferação de canais noticiosos 24 sobre 24 horas, alterando a relação das pessoas com a informação.

A sessão terminou com uma reflexão preocupante sobre a verdade – ou melhor, sobre a facilidade com que as mentiras se tornam verdades. No final, ficou claro que, Só Neste País, não é apenas um livro que diverte; é um alerta para a forma como a memória coletiva se constrói – ou se apaga. E se há coisa que a política mundial já provou é que, sem memória, a história repete-se.

27-02-2025

Escola de Enfermagem promove Conferência sobre Inovação e Criatividade na Saúde

Especialistas da indústria farmacêutica, pioneiros do empreendedorismo social e líderes do contexto clínico estiveram no Porto para explorar as interseções entre inovação, tecnologia, empreendedorismo social e práticas avançadas em saúde. A Conferência "Inovação e Criatividade na Saúde: Novas Fronteiras e Impactos Reais", organizada pela Escola de Enfermagem (Porto) da Universidade Católica Portuguesa, realizou-se a 10 de fevereiro, a partir das 9h30, no Auditório Ilídio Pinho, no Porto.

A cerimónia de abertura contou com a presença do Diretor da Escola de Enfermagem (Porto), Paulo Alves, que salientou a importância de incentivar o desenvolvimento de soluções sustentáveis, eficazes e inovadoras para enfrentar os desafios cada vez mais complexos da saúde.

O evento contou com diversas intervenções de representantes de organizações como AstraZeneca, Medtiles, DivisonCare, Arka Medical, Sonae MC e também associações como o Instituto Português da Afasia, Vencer Autismo, Vintage for a cause, entre outros.

O momento também ficou marcado pela apresentação dos projetos inovadores dos estudantes da Licenciatura em Enfermagem, desenvolvidos no âmbito da Unidade Curricular de Criatividade e Inovação, que evidenciam o foco e o compromisso que a Escola de Enfermagem (Porto) assume com a formação de profissionais altamente capacitados para lidar com as transformações da saúde e para serem líderes na inovação da saúde.

A inovação, a criatividade e o empreendedorismo social foram apresentados como forças propulsoras de mudanças significativas na forma como os cuidados de saúde são prestados, com impacto direto na vida das pessoas e na sustentabilidade dos sistemas de saúde a nível global.

Ao longo da conferência, ficou evidente que, para enfrentar os desafios da saúde no futuro, será fundamental apostar em soluções criativas, em um ambiente de constante evolução tecnológica e com uma visão multidisciplinar, envolvendo todos os atores desta mudança. A conferência "Inovação e Criatividade na Saúde: Novas Fronteiras e Impactos Reais" destacou, assim, o papel crucial da inovação na construção de soluções na saúde mais eficientes, inclusivas e sustentáveis para as gerações futuras.

26-02-2025

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