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Tiago Braga: “A tolerância, a cooperação e a bondade foram valores que aprendi na Universidade Católica.”

Tiago Braga é licenciado pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e ocupa atualmente o cargo de presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto. Dos anos passados na Católica, destaca os valores de “tolerância, bondade e cooperação”, que continua a transportar para a vida profissional. Tem, desde a sua infância, um grande interesse pelo mundo natural e pelas questões do ambiente e foi no curso que encontrou “estrutura para transformar inquietações em soluções”. Sobre a necessidade de mudar mentalidades e hábitos no que à mobilidade sustentável diz respeito: “Ainda há um longo caminho a percorrer.”

 

Quando era criança, que ideias tinha para o seu futuro profissional?

Tive aqueles sonhos habituais das crianças. Sonhava ser piloto da Força Aérea, jogador de futebol e até quis ser bombeiro. Mas, desde muito cedo, comecei a sentir um fascínio muito grande pelo mundo natural. Lembro-me de passar horas a observar girinos, rãs, tudo o que tivesse a ver com o mundo animal. Ainda miúdo, tornei-me membro da Greenpeace. Recordo-me bem da discussão sobre energia nuclear em Portugal, dos autocolantes antinucleares com os smileys amarelos, e do impacto que esses temas já tinham em mim, apesar de ser ainda muito jovem. No 9.º ano, na Escola Secundária de Valadares, tive um professor que marcou bastante o meu percurso. Com ele e outros colegas, formámos um grupo ligado à questão ambiental. Montámos um sistema de suporte de vida para peixes, uma estrutura mais próxima de um pequeno ecossistema do que de um aquário comum. Já naquela altura, percebia que a minha curiosidade estava muito ligada às ciências da natureza e ao ambiente e, de forma especial, ao meio aquático.

 

Porquê esse fascínio pela área do ambiente?

Não tive propriamente referências familiares e de amigos nesta área. Foi uma área que fui explorando e que me inquietava. Naquela altura, o ambiente não era um tema “da moda”. Mas, para mim, já tinha importância. Sentia que havia uma relação emocional forte com a natureza, um impulso para querer compreender e proteger. Não conhecia os conceitos que hoje usamos, como “economia circular”, mas já intuía que não era possível mantermos uma lógica predatória sobre os recursos naturais.

 

É na sequência desse seu interesse que se candidata à licenciatura em Engenharia do Ambiente da Escola Superior de Biotecnologia.

Cheguei a estar muito inclinado para o curso de Ciências do Meio Aquático no ICBAS, mas acabou por não acontecer, porque um primo meu, que estudava Direito na Universidade Católica, falou-me de um curso novo que ia abrir em Engenharia do Ambiente da Escola Superior de Biotecnologia. A proposta pareceu-me interessante e acabei por me candidatar ao ano zero.

 

De que forma é que a licenciatura foi ao encontro do seu entusiasmo e inquietação pelas questões do Ambiente?

O curso veio dar estrutura e racionalidade a uma inquietação que era, até então, sobretudo emocional. A Engenharia ensinou-me a pensar em soluções, ensinou-me a colocar-me diante de problemas e procurar como os resolver. Começávamos a viver uma fase em que a União Europeia desenvolvia legislação ambiental relevante: na área da água, dos resíduos, das emissões… Não se falava ainda de clima com a intensidade de hoje, mas o tema das alterações climáticas e do aquecimento global começava a ganhar terreno. Como o curso era da Escola Superior de Biotecnologia, tinha uma abordagem multidisciplinar e diferenciada. Estávamos rodeados de alunos e professores das áreas da Microbiologia e da Engenharia Alimentar, e isso obrigava-nos a pensar de forma mais aberta e articulada.

 

O que é que foi mais marcante para si no seu percurso na Universidade Católica?

A tolerância, a cooperação e a bondade foram valores que aprendi na Universidade Católica e que me marcaram profundamente até hoje. Éramos poucos alunos e isso criou um ambiente muito próximo. Entre alunos, havia uma ligação forte, quase como uma grande turma. Entre alunos e professores, havia proximidade e respeito. A autoridade não se exercia de forma autoritária, mas sim pelo exemplo. Nunca assisti a conflitos ou tensões, nem dentro nem fora das aulas. Ao contrário de outras universidades onde se falava de contextos mais agressivos, na Católica vivia-se um ambiente profundamente bom, onde imperava a tolerância, a cooperação e a bondade. O bar da Escola, por exemplo, era frequentado por alunos de outras instituições, precisamente porque ali se sentia um ambiente diferente, mais saudável e respeitador.

 

De que forma é que esse ambiente o influenciou?

O ambiente da Católica não foi apenas um contexto favorável. A Católica influenciou o que sou hoje e todos os colegas daquela geração partilham, de certa forma, essa marca. Aprendemos a pensar de forma holística, a integrar diferentes áreas do saber. Até ao terceiro ano, tínhamos várias cadeiras em comum com os outros cursos. Isso obrigava-nos a discutir problemas em conjunto, a encontrar soluções a partir de olhares complementares.

 

Como aplica essa visão enquanto presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto?

Vivemos num mundo cada vez mais instável, volátil e ansioso. As relações de força mudam de um dia para o outro, as decisões são contraditórias, os cenários imprevisíveis. Neste contexto, é fundamental manter a consistência e a clareza de propósito. E isso só se consegue com pensamento coletivo, empatia, tolerância, uma visão integrada e humanista.

A Metro do Porto é uma infraestrutura absolutamente transformadora. É a espinha dorsal da mobilidade da região. Estamos num momento de grande expansão com novos investimentos, novas linhas, maior cobertura. Estamos a chegar a territórios onde não havia transporte público estruturado e a melhorar o serviço onde já existia. É uma operação com um investimento global de cerca de dois mil milhões de euros, com enorme impacto na vida quotidiana das pessoas. Liderar esta organização significa estar permanentemente a gerir múltiplas dimensões. A motivação nasce da clareza do propósito e da perceção do impacto do nosso trabalho. Gosto de lembrar a quem trabalha comigo que estamos do lado certo da história. Que aquilo que fazemos tem um efeito que se sente todos os dias: na redução do tempo de deslocações, na coesão territorial, na criação de oportunidades para quem vive longe dos centros urbanos. Na Metro, trabalhamos muito sob pressão. Os projetos são complexos, os prazos apertados, os interesses múltiplos. Há momentos de tensão, é inevitável. Mas é exatamente nesses momentos que é preciso recordar a missão maior: estamos a ajudar a transformar a cidade e a melhorar e transformar a vida das pessoas.

 

Acha que a sociedade está, hoje, mais desperta para a importância da mobilidade sustentável?

Gostava de dizer que sim, mas temo que ainda haja um longo caminho. Em alguns contextos, até parece que estamos a andar para trás. Veja-se o debate atual nos Estados Unidos sobre o fim dos incentivos aos veículos elétricos. Até podemos discutir se a eletrificação é a única solução, mas o essencial é reconhecer que as alterações climáticas existem e que as emissões de carbono contribuem para esse fenómeno. Mas mesmo para quem insiste em negar estas evidências, há factos que se impõem na nossa realidade, como são exemplo os congestionamentos. Um estudo do Tribunal de Contas Europeu de 2021 apontava que os congestionamentos urbanos custam à Europa 280 mil milhões de euros por ano. Na Área Metropolitana do Porto, um cidadão passa em média 70 minutos por dia no trânsito. Isso dá cerca de 30 dias por ano. Ou seja, estamos mais tempo no trânsito do que em férias. Será que as pessoas já pensaram verdadeiramente nisto? Mas, por agora, o essencial é garantir mais e melhor oferta de transporte público: com mais frequência, mais conforto, mais pontualidade e mais regularidade. Só assim se consegue que a escolha pelo metro, pelo autocarro ou pelo comboio seja uma escolha racional e vantajosa. É, também, preciso que o serviço exista, que funcione e que responda às necessidades das pessoas. É preciso oferecer mais conforto, frequência, pontualidade. O transporte público tem de competir com o carro, que tem a seu favor um enorme investimento publicitário. Mas claro que só a oferta não é suficiente, é mesmo necessário uma mudança de hábitos e sabemos bem como é difícil mudá-los.

 

O que é que o move?

Desde a minha juventude, o propósito é o mesmo – o ambiente. A mobilidade está no centro das questões ambientais. Quando falamos de mobilidade, o impacto é mais do que apenas ambiente. Estamos a falar de impacto social, económico e humano. Quando expandimos uma linha, damos acesso a novos mercados de trabalho, reduzimos desigualdades, melhoramos a qualidade de vida das pessoas. Por isso, estamos a falar de dar às pessoas a possibilidade de uma vida melhor e isso é o mais importante. Que, no fundo, entronca com o espírito da Universidade Católica, o tal espírito de tolerância, bondade e cooperação que acaba por motivar e dar propósito à minha vida.

 

03-07-2025

Artista plástico Pedro Huet expõe "Karle: Cartas" na Escola das Artes

"Karle: Cartas", do artista portuense Pedro Huet (n. 1993) e com curadoria de Nuno Crespo, é a nova exposição da Escola das Artes. O trabalho apresentado propõe um diálogo entre objetos fílmicos, fotográficos e escultóricos, cruzando estruturas narrativas com imaginários fragmentados.

Karle é o nome de uma personagem, cuja forma é desconhecida, destinatária de uma série de cartas onde se reflete sobre os dias guiados por máquinas, intersecções entre natureza e tecnologia, entre capitalismo e trabalho e os animais que nos acompanham. Ao longo de uma hora, estes textos vão-se desvendando, acompanhados por imagens vertiginosas onde diferentes locais se cruzam para questionar a forma como os construímos e habitamos - entre natureza e zonas residenciais, empresarias ou industriais.

Em "Karle: Cartas", o espectador pode viajar por estes lugares, como se estivesse numa dimensão virtual, ou como se os seus olhos fossem a câmara que permite captar essas imagens e pudessem ser transportados de um para outro ambiente.

Artista plástico a viver e trabalhar no Porto, a prática artística de Pedro Huet tem-se desenvolvido em torno de teias narrativas que se servem de objetos fílmicos, fotográficos ou escultóricos para refletirem sobre estruturas, discursos ou imagéticas que têm vindo a moldar a forma como vivemos e nos organizamos.

Esta exposição integra o programa Porto Summer School on Art & Cinema "Technology/Transformation", que se realiza de 30 de junho a 4 de julho de 2025, na cidade do Porto, e que inclui conferências, cinema e um concerto. Com curadoria de Daniel Ribas, Inês Grosso, João Laia, José Alberto Gomes e Nuno Crespo, a Porto Summer School on Art & Cinema reforça a ligação entre a academia e o tecido cultural do Porto, trazendo à cidade nomes incontornáveis da arte contemporânea nacional e internacional.

A exposição "Karle: Cartas"  estará patente até setembro no Porto, na Sala de Exposições do Católica Art Center que integra a Rede Portuguesa de Arte Contemporânea.

03-07-2025

Projeto do CBQF entre os cinco finalistas do Prémio Bolsa Jorge de Mello Indústria e Inovação

O projeto “RECELDERMIS – Advancing 3D Skin Models with Rabbit Derived Dermis for scalable in vitro screening”, do grupo de Biomateriais e Tecnologia Biomédica do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF), foi selecionado como um dos cinco finalistas do Prémio Bolsa Jorge de Mello Indústria e Inovação, entre 55 propostas elegíveis.

A iniciativa resulta de uma colaboração entre as investigadoras Ana Leite Oliveira, Viviana Pinto Ribeiro e Marta Rosadas (CBQF), Alda Sousa (Cortadoria Nacional do Pêlo) e Brigitte Onteniente (Phenocell AXOL, França), e tem como objetivo o desenvolvimento de modelos de pele 3D mais éticos e escaláveis para testes in vitro.

Para Ana Leite Oliveira, “esta distinção reflete não só a qualidade da investigação no CBQF, mas também o valor das parcerias com a indústria para criar soluções com impacto real”.

A nomeação do projeto como finalista reforça o compromisso da Escola Superior de Biotecnologia e do Centro de Biotecnologia e Química Fina com a inovação colaborativa, a ciência aplicada e a promoção de práticas mais sustentáveis e éticas no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias.

A Bolsa Jorge de Mello – Indústria e Inovação afirma-se como um estímulo à investigação aplicada em Portugal, promovendo a colaboração direta entre o meio académico e o setor empresarial.

02-07-2025

Escola de Enfermagem dinamiza formação em Suporte Básico de Vida com escuteiros

Docentes e alunos da Licenciatura e do Mestrado em Enfermagem da Escola de Enfermagem (Porto) da Universidade Católica Portuguesa promoveram recentemente uma ação formativa em Suporte Básico de Vida (SBV) dirigida ao Agrupamento de Escuteiros 521 – Senhora da Hora, reforçando o compromisso com a capacitação da comunidade para agir em situações de emergência.

A formação contou com a participação de 18 escuteiros, de diferentes idades, e foi conduzida pelas docentes Constança Festas e Clara Braga, com o apoio das estudantes do 4ºano de Enfermagem, Maria João Costa Leite, Inês Rodrigo e Ana Beatriz Mayer.

Segundo um dirigente do Agrupamento de Escuteiros 521 da Senhora da Hora, “momentos formativos como os de hoje são de extrema importância para o nosso Agrupamento de Escuteiros e para a nossa associação. Enquanto educadores não formais dos nossos jovens, é necessário prepará-los para a vida futura, dando-lhes ferramentas que lhes permitam atuar em caso de emergência, bem como nas atividades com as suas particularidades da vida em campo. Estas ações formativas ensinam práticas que salvam vidas.”

02-07-2025

Porto acolheu conferência internacional sobre o futuro sustentável da alimentação

A investigação de ponta em proteínas e coloides alimentares passou pelo Porto quando, de 16 a 18 de junho de 2025, a Universidade Católica Portuguesa acolheu a décima edição do CIPCA – Conferência Internacional sobre Proteínas e Coloides Alimentares. Sob o lema “Abordagens Inovadoras em Proteínas e Coloides Alimentares para um Futuro Sustentável”, o encontro funcionou como um fórum multidisciplinar onde cientistas, profissionais da indústria e jovens investigadores exploraram como os avanços na ciência das proteínas e nos sistemas coloidais podem impulsionar a inovação alimentar, a sustentabilidade e a saúde pública. Organizada pelo Centro de Biotecnologia e Química Fina, a conferência reforçou o papel de Portugal na vanguarda da investigação que transforma conhecimento fundamental em aplicações industriais e soluções concretas para os desafios do setor alimentar.

Ao longo de três dias, reuniram-se 108 participantes de 14 países – da Alemanha ao Peru, passando pela Dinamarca, Itália, Micronésia ou Turquia – para apresentar e discutir as mais recentes inovações na área das proteínas alimentares. No total, foram partilhadas 38 comunicações orais e 60 apresentações em formato poster pitch, com a participação de 12 oradores convidados de referência internacional.

Entre os temas em destaque estiveram as novas fontes de proteína – como plantas, algas, insetos e soluções baseadas em fermentação de precisão – e os desafios que estas ainda enfrentam, desde o sabor ao valor nutricional e à aceitação por parte dos consumidores. O objetivo comum: desenvolver alimentos mais sustentáveis sem comprometer a qualidade ou o prazer de comer.

O programa incluiu ainda sessões sobre o desenvolvimento de novos produtos alimentares, soluções de embalagem biodegradável e estratégias para uma comunicação eficaz com os consumidores – aspetos cruciais para o sucesso da inovação nesta área.

Com mais de 95 comunicações científicas e uma forte articulação entre ciência e indústria, o CIPCA 2025 colocou Portugal no centro das soluções alimentares do futuro. Uma oportunidade única para acompanhar como a ciência está a transformar ingredientes emergentes em respostas concretas para os desafios do sector alimentar – e a moldar a alimentação do amanhã.

30-06-2025

Duas investigadoras do Centro de Biotecnologia e Química Fina entre as 10 finalistas portuguesas do programa Empowering Women in Agrifood 2025

Os projetos AgriDerma e BioUpCycle, ambos liderados por investigadoras do Centro de Biotecnologia e Química Fina, da Escola Superior de Biotecnologia, da Universidade Católica Portuguesa, foram selecionados para o programa EWA 2025 Portugal — Empowering Women in Agrifood, promovido pelo EIT Food, com o apoio da União Europeia. A iniciativa apoia mulheres empreendedoras com ideias inovadoras no setor agroalimentar, promovendo soluções sustentáveis, justas e resilientes.

O projeto AgriDerma, coordenado por Viviana Pinto Ribeiro, tem por base a valorização da pele de coelho, um subproduto da indústria alimentar habitualmente descartado, para o desenvolvimento de modelos 3D de pele humana, com aplicações nas indústrias cosmética, farmacêutica e biomédica. Através de processos biotecnológicos, a derme de coelho é transformada em matrizes dérmicas biocompatíveis para engenharia de pele humana. O objetivo é duplo: reduzir o desperdício agroindustrial e oferecer uma alternativa ética e sustentável a substitutos dérmicos e aos testes em animais. Com base numa patente internacional em colaboração com a Cortadoria Nacional do Pêlo e a Universidade Católica Portuguesa, o AgriDerma representa uma ponte entre ciência, sustentabilidade e inovação tecnológica. Nos próximos três anos, prevê-se escalar a produção e atingir o mercado europeu, promovendo uma bioeconomia circular e local.

“A participação no EWA 2025 é uma oportunidade única para acelerar o impacto do AgriDerma e ampliar a visibilidade de soluções científicas que promovem a sustentabilidade e a inovação”, sublinha Viviana Pinto Ribeiro, coordenadora do projeto.

Já o projeto BioUpCycle, representado por Ana Martins Vilas Boas, é resultado do trabalho conjunto de cinco investigadoras na área da biotecnologia e ciência alimentar, unidas pela missão de valorizar resíduos agroindustriais de forma sustentável. A proposta nasceu no âmbito de um curso de empreendedorismo científico, onde a equipa estruturou o modelo de negócio e o plano de impacto. A BioUpCycle propõe transformar resíduos de frutas e legumes em bioestimulantes sólidos e líquidos, que regeneram o solo e promovem o crescimento de culturas, e em meios de cultura líquidos, com aplicações em biotecnologia e microbiologia. Estes produtos são desenvolvidos localmente, com processos biotecnológicos sustentáveis, reduzindo o desperdício e promovendo práticas agrícolas mais ecológicas.

“Estamos muito entusiasmadas por integrar esta rede de mulheres inovadoras e por continuar a desenvolver soluções com impacto real no setor agroalimentar!”, afirma Ana Martins Vilas Boas, que representa a equipa da BioUpCycle ao longo do programa.

Com a seleção de dois projetos do mesmo centro de investigação, a Universidade Católica Portuguesa destaca-se no panorama nacional de inovação agroalimentar liderada por mulheres, reforçando o papel transformador da ciência na construção de um futuro mais sustentável.

30-06-2025

Investigadora do CBQF premiada com distinção europeia na área da biologia vegetal

A investigadora Marta Nunes da Silva, do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF), foi distinguida com o FESPB Young Researcher Prize 2025, atribuído pela Federação Europeia das Sociedades de Biologia de Plantas (FESPB).

Este prémio, concedido bienalmente, reconhece jovens investigadores que se tenham destacado na área da biologia vegetal a nível europeu, e constitui uma distinção de elevado prestígio no panorama científico internacional.

Como parte deste reconhecimento, a investigadora foi convidada a apresentar o seu trabalho na Plant Biology Europe 2025, a principal conferência europeia na área da biologia vegetal, que decorreu entre os dias 25 e 28 de junho em Budapeste, Hungria. A sua comunicação “Inside the host: Mechanisms of tolerance and control against vascular pathogens” aborda os processos de resistência e estratégias sustentáveis de controlo de agentes patogénicos, com enfoque em dois modelos de estudo de elevada relevância agroflorestal.

Além do reconhecimento institucional, o prémio conta com o patrocínio da revista Physiologia Plantarum, que atribui um apoio adicional ao vencedor, e com o convite da Journal of Experimental Botany para a publicação de um artigo, proporcionando uma oportunidade valiosa de divulgação científica internacional.

Para a investigadora, "Este prémio não é apenas um reconhecimento do meu trabalho individual, mas também do ambiente científico estimulante e do apoio contínuo que encontrei no CBQF."

 

27-06-2025

Explore o Renascimento das Artes Liberais com a T4EU WEEK TransformEd

"A tradição das Artes Liberais começou com uma questão simples mas radical: O que significa ser livre? Não apenas no sentido político, mas intelectualmente, moralmente e imaginativamente. Este modelo de educação convida os estudantes a envolverem-se em textos difíceis e questões incómodas; a descobrirem como a linguagem, a cultura, o poder e o conhecimento se entrelaçam; e a desenvolverem a capacidade de interpretar, desafiar e criar."

A Universidade Católica Portuguesa, membro da Aliança Transform4Europe, abriu candidaturas para a T4EU WEEK TransformEd: Renaissance of Liberal Arts, que terá lugar de 20 a 24 de outubro de 2025, em Kaunas, Lituânia. Há 5 vagas, com todas as despesas pagas, para alunos de licenciatura, mestrado e doutoramento da Católica participarem nesta experiência cultural e curso imersivo.

A Semana T4EU acontecerá na Universidade Vytautas Magnus com uma agenda que combina atividades acadêmicas e culturais. Durante o evento, os estudantes participam num curso selecionado de entre os nove disponíveis: Making Sense of Disagreement: How to Communicate Effectively with Epistemic and Moral Awareness; The Idea of Europe; Critical Heritage; Globalization and International Communication; Field Notes to Frontlines: Anthropology That Matters; Creating A Musical from Scratch: Workshop Internacional de Teatro Musical; GIS 360°: Mapas que Transformam a Sociedade; Conservação da Biodiversidade: Understanding, Threats & Solution e Climate Change Science and Solutions.

Além das aulas, haverá várias atividades opcionais, incluindo eventos desportivos, culturais e científicos, promovendo a troca de experiências entre os participantes das 10 universidades europeias.

Ao longo de cinco dias, os participantes irão explorar temas na intersecção entre conhecimento e cuidado, tradição e inovação. Em vez de oferecer respostas prontas, este modelo encoraja o questionamento profundo, a exploração interdisciplinar e o crescimento pessoal. Através de discussões na encruzilhada do conhecimento, da cultura e da responsabilidade, os estudantes envolver-se-ão em ideias complexas e desenvolverão as ferramentas para ligar disciplinas e comunidades.

Cada curso oferece 3 ECTS, reconhecidos no Suplemento ao Diploma da Universidade Católica, e incluirá componentes presenciais e online.

As candidaturas estão abertas até 7 de junho e devem ser submetidas online aqui. Os resultados da seleção serão anunciados até 14 de julho de 2025. Mais informações estão disponíveis na página oficial do Transform4Europe no site da Católica, na página do Transform4Europe ou via email para t4eu@ucp.pt.

 

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27-06-2025

Conceição Cunha: “Para combater a criminalidade, é preciso integrar as pessoas na sociedade.”

Conceição Cunha é docente da Faculdade de Direito – Escola do Porto. Desde os seus 17 anos na Católica, tem dedicado a sua vida ao ensino e investigação. É especialista em Direito Penal. Nesta entrevista fala-nos da importância da ressocialização e afirma que “nunca devemos desistir das pessoas, devemos sempre tentar reintegrá-las”. O que é que tenta transmitir aos seus estudantes? “Sensibilidade e bom senso. Se querem ser juízes ou advogados, têm de saber olhar para a pessoa que está ali e ter empatia com o seu problema.”

 

É licenciada em Direito pela Faculdade de Direito – Escola do Porto da Universidade Católica. Porquê escolher o Direito para a sua vida?

Tive muitas dúvidas na escolha do curso. Pus a hipótese de seguir Psicologia e, mais tarde, pensei em Línguas e Literaturas – cheguei a estar inscrita no 12º ano, nas disciplinas de Português, Francês e Latim, pois gostava (e gosto) muito de literatura. Mas também tinha interesse em Direito, embora não soubesse bem se o meu caminho seria por aí. O meu irmão estudava Direito em Coimbra e dizia que eu tinha jeito, mas talvez por esse motivo tenha resistido mais (risos). Mas recordo-me de me ter emprestado um livro chamado “O Advogado e a Moral”, com casos éticos difíceis, que achei muito interessante e teve um certo impacto na minha decisão.

 

Porquê escolher a Católica para estudar?

Uma amiga do secundário desafiou-me a assistir a umas aulas do curso de verão da Católica. Fiquei bastante entusiasmada com algumas das aulas a que assisti (em especial, uma aula sobre a aplicação da lei no tempo, lecionada pelo Doutor Taipa de Carvalho – com quem, curiosamente, depois vim a trabalhar) e decidi candidatar-me ao ano zero. Entrei! Mas mantive a minha matrícula no Liceu Rodrigues de Freitas no regime pós-laboral. Foi um ano bastante atribulado da minha vida, onde durante o dia fazia o ano zero da Católica e à noite estudava na área de Letras no Liceu.

 

“Gosto muito do contacto com os alunos, que nos renovam e nos ajudam a compreender os problemas atuais da sociedade.”

 

Ficou na Católica até hoje …

Sim, não saí mais de cá. Estou na Católica desde os meus 17 anos. Acabei por optar por seguir Direito e, durante o curso, fui muito feliz. Havia um ambiente muito bom de amizade entre as pessoas. Costumo dividir as cadeiras do curso em dois grupos: aquelas que me apaixonaram, porque mexem com a natureza humana - como o Direito Penal, a Filosofia do Direito, o Direito Constitucional e o Direito da Família - e outras mais técnicas, que achava interessantes, mas menos cativantes, como o Direito Fiscal ou o Direito das Sucessões (apesar de estas disciplinas também suscitarem questões ideológicas controversas). Gostava sobretudo das disciplinas que tinham a ver com as pessoas, com questões fundamentais de justiça e direitos humanos. No final do curso, fui convidada a ficar como docente.

 

O que é mais fascinante na sua profissão?

São vários os aspetos. Gosto muito do contacto com os alunos, que nos renovam e nos ajudam a compreender os problemas atuais da sociedade. A relação com eles sempre foi muito boa e valorizo esse diálogo constante. Também gosto muito da investigação, porque traz sempre novos desafios. Às vezes penso que, depois de tantos anos no mesmo lugar, poderia sentir monotonia, confesso que tinha esse receio no início da vida adulta, mas a verdade é que o ambiente e o ensino mudaram imenso e até a própria Faculdade. A Faculdade cresceu, o tipo de ensino evoluiu: de aulas teóricas e práticas passámos para aulas teórico-práticas, com uma dinâmica muito maior, análise de casos reais, apresentações e avaliações contínuas. Além disso, somos cada vez mais chamados para conferências, projetos nacionais e internacionais, o que nos coloca em contacto com diferentes realidades e áreas jurídicas e também com outras disciplinas e áreas do saber (curiosamente, tenho trabalho bastante com a área da psicologia, que, como disse, sempre me interessou). Tudo isto faz com que estes muitos anos na Universidade Católica tenham sido tudo menos monótonos.

 

O que é que diferencia o ensino da Faculdade de Direito?

O contacto próximo entre alunos e professores é uma das mais-valias. O sistema de aulas teórico-práticas, com turmas mais pequenas, facilita muito esse contacto direto e o diálogo. Além disso, a possibilidade da avaliação contínua  dá aos alunos a oportunidade de escolherem trabalhar temas polémicos e apresentá-los. Isto torna o ensino mais dinâmico, aproximando os alunos do conhecimento prático. Ponho os meus alunos a trabalhar com acórdãos, a comentá-los, a analisarem casos concretos. Acho essencial preparar os alunos para a vida real, para os problemas concretos da profissão e para isso a dimensão da proximidade é fundamental. E que bom que é reencontrá-los mais tarde já no pleno exercício das suas profissões! Recentemente, estive em Cabo Verde para participar numa conferência e tive a alegria de encontrar antigas alunas cabo-verdianas, que tinham sido minhas estudantes na Católica há cerca de 20 anos e que agora são advogadas e professoras no seu país.

 

“Acredito na ressocialização.”

 

Nas suas aulas, para além de todo o conhecimento técnico, o que é que essencialmente transmite aos seus alunos?

Sensibilidade e bom senso. São essenciais. Se querem ser juízes ou advogados, têm de saber olhar para a pessoa que está ali e ter empatia com o problema das pessoas. Na minha área em particular, o Direito Penal, acho fundamental não perder a esperança. Podem dizer que sou utópica, mas acredito que não é utopia.

 

O que significa não perder a esperança?

Quanto mais visito prisões, mais falo com os seus diretores, conheço casos, mais acredito que o ser humano, apesar de poder ser violento e fazer coisas terríveis, tem uma parte essencialmente boa. É por isso que acredito na ressocialização. No Direito Penal, dizemos que a pena serve para proteger a sociedade e os bens jurídicos, e isso é fundamental, não estou a dizer o contrário, mas a pena também serve para ajudar o condenado a ressocializar-se, a melhorar. Estas duas funções, proteger a sociedade e ajudar o condenado não são incompatíveis e devem andar de mãos dadas. Muitas vezes, porém, as pessoas veem o sistema penal de forma simplista ou radical, e acham que é só prender ou não prender, quando o que realmente importa é garantir a segurança da sociedade através da reintegração. A melhor forma de proteger as vítimas e a sociedade é dar condições para que a pessoa que cometeu o crime deixe de ser um perigo. Claro que existem crimes horríveis onde a ressocialização é um enorme desafio. Há, também, pessoas com patologias ou doenças mentais graves que influenciam de forma determinante o seu comportamento e que exigem tratamentos especiais e muitas vezes para toda a vida. Mesmo nessas situações, com o devido acompanhamento, essas pessoas podem deixar de ser perigosas. Há também pessoas com perturbações de personalidade que não são graves ao ponto de serem consideradas inimputáveis, mas que precisam de tratamento e acompanhamento. Portanto, nunca devemos desistir das pessoas, devemos sempre tentar reintegrá-las.

 

“É fundamental atuar para quebrar estes ciclos de violência e maus-tratos e para dar às pessoas oportunidades de outra vida.”

 

Há alguma relação entre penas mais severas e diminuição da criminalidade?

Se olharmos para outros países, vemos que não são aqueles com penas mais severas que têm maior estabilidade social ou menos criminalidade. Pelo contrário, basta ver os Estados Unidos, onde há pessoas a cumprir penas de centenas de anos e a criminalidade não diminui. Por outro lado, países mais moderados, como a Noruega, que têm prisões pequenas e focadas na reintegração na comunidade, são exemplos de sucesso. O problema é que em muitos países há um grande fosso social que dificulta essa integração. Portugal está num meio-termo, não tem prisões do “terceiro mundo”, mas também não tem todos os apoios necessários. A questão é que, para combater a criminalidade, é preciso integrar as pessoas na sociedade, dar-lhes condições mínimas, para que não caiam no crime desde cedo. Isso leva-nos à questão da delinquência juvenil, que é crucial: quanto mais cedo se atuar, mais fácil é evitar a criminalidade. Por exemplo, em Inglaterra existem programas para agressores sexuais com uma taxa de sucesso de cerca de 70%, o que é muito positivo. Por isso, para além da parte técnica que naturalmente passo aos meus alunos, eu esforço-me por sensibilizá-los para os problemas sociais que estão muitas vezes na origem da criminalidade. É fundamental atuar para quebrar estes ciclos de violência e maus-tratos e para dar às pessoas oportunidades de outra vida. É preciso investir mais, sempre mais. Eu tento manter a esperança. Mas não uma esperança vazia, é uma esperança fundamentada e realista.

 

26-06-2025

"Tecnologia e Transformação" é o tema da Porto Summer School on Art & Cinema

Entre 30 de junho a 4 de julho de 2025, a cidade do Porto vai receber mais uma edição da Porto Summer School on Art & Cinema, que este ano decorrerá sob o tema Technology/Transformation. Organizada pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, esta iniciativa trará à cidade do Porto curadores, pensadores e artistas portugueses e internacionais.

Com foco na análise dos gestos disruptivos iniciados na década de 1970, quando o vídeo e o Super 8 democratizaram o acesso à imagem em movimento, e o impacto desta democratização nas práticas artísticas atuais, a Porto Summer School on Art & Cinema é um curso avançado de novas práticas de cinema, combinando um pensamento crítico com o contacto com grandes criadores do cinema e da arte contemporânea.

Além dos workshops diários, a Summer School tem também um programa público, composto principalmente por sessões de cinema, abertura de exposições e performances, nas quais participarão os realizadores/artistas que estão presentes no curso.

 

5 dias na cidade com o programa público

O programa público da Porto Summer School on Art & Cinema é de entrada livre e é uma oferta da Escola das Artes à cidade, arrancando no dia 30 junho, às 21h30, no Auditório Ilídio Pinho, da Escola das Artes, com a exibição de três curtas-metragens de Gabriel Abrantes (EUA) e uma sessão de Q&A. Neste dia serão exibidos "Os Humores Artificiais" (2016), "Les Extraordinaires Mésaventures de la Jeune Fille de Pierre" (2019) e "A Brief History of Princess X" (2016), obras deste realizador premiado em Cannes, Locarno e Berlim, e que trabalha simultaneamente como artista visual, tendo ganho em 2008 o Prémio Jovem Artista EDP.

No dia 1 julho às 18h30, a norte-americana Chrissie Iles, curadora de grandes exposições retrospectivas de Marina Abramovic, Dan Graham, Louise Bourgeois, Sol LeWitt, Donald Judd ou Yoko Ono, e sendo a atual curadora Whitney Museum of American Art, vai dar uma conferência no Auditório Ilídio Pinho da Escola das Artes. Às 20h inaugura na Sala de Exposições "Karle: Cartas", uma exposição de Pedro Huet (Portugal), artista plástico, cuja prática se tem desenvolvido em torno de teias narrativas que se servem de objectos fílmicos, fotográficos ou escultóricos para refletirem sobre estruturas, discursos ou imagéticas.

O cineasta e artista plástico brasileiro Cao Guimarães, com obras em coleções como a Tate Modern, MoMA, Museu Guggenheim, Fondation Cartier ou Museu Thyssen-Bornemisza, vai apresentar no dia 2 de julho, às 21h30, no Cinema Trindade, o filme "O Homem das Multidões", que corealizou com Marcelo Gomes em 2013. O filme é uma reflexão sobre diferentes formas de solidão e amizade no universo urbano brasileiro. Após a sessão o artista vai estar à conversa com o público portuense.

No Batalha Centro de Cinema, a 3 de julho, serão exibidas duas curtas-metragens da premiada artista e cineasta norte-americana Deborah Stratman: "Hacked Circuit" (2014) e "Last Things" (2023). Stratman expôs internacionalmente no MoMA (NY), Centre Pompidou (Paris), Hammer Museum (LA), Witte de With (Roterdão) e PS1 (NY), entre outros, tendo os seus filmes sido amplamente apresentados em festivais e conferências, como Sundance, Viennale, Berlinale, CPH:DOX, Oberhausen, TIFF, Locarno e Roterdão e os seu filmes exploram temas como o poder, a crença e o espaço social.

O programa público da Porto Summer School on Art & Cinema termina a 4 julho às 22h, no Passos Manuel com o concerto Crepuscule Live A/V às 22h, da dupla japonesa Tujiko Noriko & Joji Koyama, cujas carreiras nas áreas da música e cinema se têm vindo a cruzar criativamente ao longo de duas décadas. 

Daniel Ribas (diretor do CITAR, Escola das Artes), Inês Grosso (curadora-chefe do Museu de Arte Contemporânea de Serralves), João Laia (diretor artístico da Direção de Arte Contemporânea/Ágora Porto), José Alberto Gomes (docente e investigador EA) e Nuno Crespo (Diretor da EA) são os curadores da Porto Summer School, que se realiza em vários espaços culturais da cidade do Porto, reforçando a ligação entre a academia e a comunidade local.

O programa está disponível aqui

 

26-06-2025

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