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Católica lança Cátedra dedicada à "Economia de Francisco"

A “Economia de Francisco e de Clara” é a mais recente Cátedra da Universidade Católica Portuguesa, anunciada pela Reitora, Isabel Capeloa Gil, durante a visita do Papa Francisco à UCP, no dia 3 de agosto, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude 2023.
 
Em homenagem ao Santo Padre, a Reitora explica como o projeto visa “acolher iniciativas transversais em todas as áreas de saber da UCP, destinadas a promover os princípios da Economia de Francisco e a desenvolver um modelo social dignificador das pessoas e do ambiente”.
 
Uma iniciativa que Sua Santidade louvou durante o seu discurso, enaltecendo a inclusão de Clara, e sublinhando como “a contribuição feminina é indispensável. Aliás, na Bíblia, vemos como a economia da família está em grande parte nas mãos da mulher.”
 
Para o Papa Francisco, a mulher é “a verdadeira "regente" do lar, cujo objetivo não é exclusivamente o lucro, mas o cuidado, a convivência, o bem-estar físico e espiritual de todos, e também a capacidade de partilhar com os pobres e os estrangeiros.”
 
Como tal, acredita que é “apaixonante empreender os estudos económicos nesta perspetiva, com a intenção de restituir à economia a dignidade que ela merece, para que não fique nas mãos do mercado selvagem e da especulação”.
07-08-2023

Isabel Capeloa Gil: "A universidade como projeto de esperança"

A UNIVERSIDADE COMO PROJETO DE ESPERANÇA

Santo Padre,
Bem-vindo! Reunidos neste campus da Universidade Católica Portuguesa estão estudantes, professores, colaboradores, alumni e amigos da nossa universidade e de outras universidades portuguesas e internacionais que, como peregrinos, de coração aberto, vos dão as boas vindas.

A Universidade Católica Portuguesa, nascida há 56 anos a partir da Faculdade de Filosofia fundada pela Companhia de Jesus, tem hoje 17 Faculdades e 4 campi distribuídos no território nacional (Lisboa, Porto, Braga e Viseu), tendo fundado também a atual Universidade de São José, em Macau. Temos 20.000 alunos, dos quais 25% internacionais, oriundos de 108 países diferentes, e mais de 2.000 professores e colaboradores. Somos uma universidade em saída, com forte sentido social e atribuindo bolsas de estudo e prémios a mais de 20% dos nossos alunos. Orgulhamo-nos, em particular, do trabalho com jovens em situação de fragilidade social e económica, migrantes e refugiados, apoiados ao abrigo do Fundo Papa Francisco.

A Universidade é, por definição, um espaço de busca, de diálogo e de acolhimento. Perante realidades marcadas por exclusão e desigualdade, numa época de incerteza, a universidade ergue-se como guardiã da esperança, o que significa promover a capacidade de sonhar, auxiliar a discernir, escutar as vozes em nosso redor, escutar o tempo e intervir nele, defendendo a dignidade das mulheres e homens e acreditando na sua capacidade de transformação. Na nossa atividade, conjuga-se a busca do conhecimento em prol da melhoria da condição humana, o discernimento ético que orienta a possibilidade de selecionar e agir, o cultivo da beleza e do gesto estético que é também uma busca do sentido no mundo. A universidade é por isso curadora do saber, filósofa da ação e gestora da beleza.

Santo Padre, na Encíclica Laudato si’, convida-nos “a pensar num só mundo com um projeto comum" (Laudato si’, 164) e a acolher o mundo como um "sacramento de comunhão" (Laudato si’, 9). A ciência e a investigação requerem reconhecimento mútuo e capacidade de transformar e transcender, num envolvimento comunitário e colaborativo. A nossa proposta é rica em valores, porque decorre de uma específica visão cristã humanista da existência. Mas, para honrar esta tradição, devemos desafiar-nos constantemente. A universidade não existe para se preservar como instituição, mas para responder com coragem aos desafios do presente e do futuro. E por isso será sempre projeto, nunca obra terminada.

O lançamento do novo Campus Veritati da Universidade Católica Portuguesa cuja primeira pedra Vossa Santidade irá abençoar, alarga o espaço de acolhimento do nosso campus, aberto ao mundo, à escuta e à esperança. Neste momento tão significativo, dedicamo-vos também um gesto de beleza com a oferta da escultura ‘Senhora com livro’, do escultor Manuel Rosa e oferecemos conhecimento, anunciando a criação da nova cátedra “Economia de Francisco e de Clara”, dedicada a acolher iniciativas transversais em todas as áreas de saber da UCP, destinadas a promover os princípios da Economia de Francisco e a desenvolver um modelo social dignificador das pessoas e do ambiente.

Papa Francisco, bem-haja pela generosidade com que nos inspira na nossa missão. Rezamos por si. E obrigada pelo carinho fraternal para com os protagonistas do futuro, os jovens que se reúnem nestes dias em Lisboa e cujas vozes vamos agora ouvir.

Isabel Capeloa Gil

Lisboa, 3 de agosto de 2023

04-08-2023

A Mensagem de Papa Francisco: "Procurai e arriscai."

"Caros irmãos e irmãs: Bom dia!

Obrigado, Senhora Reitora, pelas suas palavras. Obrigado. Disse que todos nos sentimos "peregrinos". É uma palavra bonita, cujo significado merece ser refletido. Significa, literalmente, deixar de lado a rotina quotidiana e pôr-se a caminho com um objetivo, "atravessar os campos" ou "ultrapassar os limites", isto é, sair da zona de conforto, em direção a um horizonte de sentido. O termo "peregrino" reflecte o comportamento humano, porque cada um é chamado a confrontar-se com grandes questões que não têm resposta, [não têm] uma resposta simplista ou imediata, mas que convidam a empreender uma viagem, a superar-se, a ir mais além. É um processo que um estudante universitário compreende bem, porque é assim que nasce a ciência. E é também assim que cresce a busca espiritual. Peregrinar é caminhar em direção a uma meta ou em busca de uma meta. Há sempre o perigo de caminhar num labirinto, onde não há meta. Também não há saída. Desconfiemos das fórmulas pré-fabricadas - são labirínticas - desconfiemos das respostas que parecem estar ao alcance da mão, daquelas respostas tiradas da manga como cartas de baralho; desconfiemos das propostas que parecem dar tudo sem pedir nada. Desconfiemos.  A desconfiança é uma arma para poder avançar e não andar sempre em círculos. Uma das parábolas de Jesus diz que quem encontra a pérola de grande valor é aquele que a procura com inteligência e espírito de iniciativa, e dá tudo, arrisca tudo o que tem para a obter (cf. Mt 13, 45-46). Procurar e arriscar: estes são os dois verbos do peregrino. Procurar e arriscar.

Pessoa disse, de forma atribulada mas correcta, que "estar insatisfeito é ser homem" (O Quinto Império, in Mensagem). Não devemos ter medo de nos sentirmos inquietos, de pensarmos que o que fizemos não é suficiente. Estar insatisfeito - neste sentido e na sua justa medida - é um bom antídoto contra a presunção de autossuficiência e contra o narcisismo. A incompletude define a nossa condição de buscadores e peregrinos, como diz Jesus, "estamos no mundo, mas não somos do mundo" (cf. Jo 17,16). Caminhamos "em direção". Somos chamados a algo mais, a uma descolagem sem a qual não há voo. Não nos assustemos, pois, se nos encontrarmos interiormente sedentos, inquietos, incompletos, desejosos de sentido e de futuro, com saudades do futuro! E aqui, juntamente com as saudades do futuro, não nos esqueçamos de manter viva esta memória do futuro. Não estamos doentes, estamos vivos! Preocupemo-nos antes quando estamos prontos a substituir o caminho a percorrer pela paragem em qualquer oásis - mesmo que esse conforto seja uma miragem -; quando substituímos os rostos pelos ecrãs, o real pelo virtual; quando, em vez de perguntas que dilaceram, preferimos respostas fáceis que anestesiam; e podemos encontrá-las em qualquer manual de relações sociais, de como se comportar bem. As respostas fáceis anestesiam.

Amigos, permitam-me que vos diga: procurai e arriscai. Neste momento histórico, os desafios são enormes, os gemidos são dolorosos - estamos a viver uma terceira guerra mundial aos pedaços -, mas abraçamos o risco de pensar que não estamos em agonia, mas em trabalho de parto; não estamos no fim, mas no início de um grande espetáculo. E é preciso coragem para pensar assim. Sejam, portanto, protagonistas de uma "nova coreografia" que coloca a pessoa humana no centro, sejam coreógrafos da dança da vida. Achei inspiradoras as palavras da Reitora, sobretudo quando disse que "a universidade não existe para se preservar como instituição, mas para responder com coragem aos desafios do presente e do futuro". A auto-preservação é uma tentação, é um reflexo condicionado do medo, que nos faz olhar para a existência de uma forma distorcida. Se as sementes se preservassem, desperdiçariam completamente o seu poder gerador e condenar-nos-iam à fome; se os invernos se preservassem, não haveria a maravilha da primavera. Tenham, portanto, a coragem de substituir os medos pelos sonhos; substituam os medos pelos sonhos; não sejam administradores de medos, mas empreendedores de sonhos!

Seria um desperdício pensar numa universidade empenhada em formar novas gerações apenas para perpetuar o atual sistema elitista e desigual do mundo, em que o ensino superior é um privilégio de poucos. Se o conhecimento não for aceite como uma responsabilidade, torna-se estéril. Se aqueles que receberam o ensino superior - que hoje, em Portugal e no mundo, continua a ser um privilégio - não se esforçarem por devolver parte daquilo de que beneficiaram, não compreenderam verdadeiramente o que lhes foi oferecido. Gosto de lembrar que, no Génesis, as primeiras perguntas que Deus faz ao homem são: "Onde estás?" (3,9) e "Onde está o teu irmão?" (4,9). Será bom perguntarmo-nos: onde estou eu? Estou fechado na minha bolha ou corro o risco de deixar as minhas seguranças para ser um cristão praticante, um artesão da justiça, um artesão da beleza? E também: onde está o meu irmão? Experiências de serviço fraterno como a Missão País, e tantas outras que nascem no ambiente académico, deveriam ser consideradas indispensáveis para quem vai para a universidade. O diploma, de facto, não pode ser visto apenas como uma licença para construir o bem-estar pessoal, não, mas como um mandato para se dedicar a uma sociedade mais justa, mais inclusiva, ou seja, mais desenvolvida. 

Disseram-me que uma das vossas grandes poetisas, Sophia de Mello Breyner Andresen, numa entrevista que é uma espécie de testamento, à pergunta: "O que gostaria de ver realizado em Portugal neste novo século", respondeu sem hesitar: "Gostaria de ver justiça social, a redução das diferenças entre ricos e pobres" (Entrevista de Joaci Oliveira, in Cidade Nova, 3/2001). Remeto esta questão para vós. Caros estudantes, peregrinos do conhecimento, o que é que gostariam que acontecesse em Portugal e no mundo? Que mudanças, que transformações? E como é que a universidade, sobretudo a Católica, pode contribuir para isso?

Beatriz, Mahoor, Mariana, Tomás, agradeço-vos os vossos testemunhos; todos eles tinham um tom de esperança, uma carga de entusiasmo realista, não havia queixas nem voos ilusórios para a frente. Quereis ser protagonistas, "protagonistas da mudança", como disse a Mariana. Ao ouvir-vos, lembrei-me de uma frase que talvez vos seja familiar, do escritor José de Almada Negreiros: "Sonhei com um país onde todos se tornassem mestres" (A Invenção do Dia Claro). Este velho que vos fala - porque eu já sou velho - também sonha que a vossa geração seja uma geração de mestres: mestres de humanidade, mestres de compaixão, mestres de novas oportunidades para o planeta e os seus habitantes, mestres de esperança. E mestres que defenderão a vida do planeta, ameaçada neste momento por uma grave destruição ecológica.

Como alguns de vós já disseram, temos de reconhecer a urgência dramática de cuidar da nossa casa comum. No entanto, isso não pode ser feito sem uma conversão do coração e uma mudança na visão antropológica que está na base da economia e da política. Não nos podemos contentar com simples medidas paliativas ou compromissos tímidos e ambíguos. Neste caso, "o meio-termo é apenas um pequeno adiamento do colapso" (Carta Encíclica Laudato si', 194). Não vos esqueçais disto. O meio-termo é apenas um pequeno atraso em relação ao colapso. Trata-se antes de tomar a seu cargo aquilo que, infelizmente, continua a ser adiado, a saber: a necessidade de redefinir aquilo a que chamamos progresso e evolução. Porque, em nome do progresso, abriu-se o caminho para uma grande regressão. Estudem bem o que vos estou a dizer. Em nome do progresso, abriu-se o caminho para uma grande regressão. Vós sois a geração que pode vencer este desafio, tendes as ferramentas científicas e tecnológicas mais avançadas, mas, por favor, não caiais na armadilha das visões parciais.Não se esqueçam de que precisamos de uma ecologia integral; precisamos de ouvir o sofrimento do planeta ao lado do sofrimento dos pobres; precisamos de colocar o drama da desertificação ao lado do drama dos refugiados, a questão da migração ao lado da diminuição da natalidade; precisamos de tratar a dimensão material da vida dentro de uma dimensão espiritual. Não para criar polarizações, mas para criar visões globais.

Obrigado, Tomás, por ter dito que "uma autêntica ecologia integral não é possível sem Deus", que "não pode haver futuro num mundo sem Deus". Gostaria de vos dizer para tornarem a fé credível através de decisões. Porque se a fé não gera estilos de vida convincentes, não faz fermentar a massa do mundo. Não basta que um cristão esteja convencido, tem de ser convincente. As nossas ações são chamadas a refletir a beleza - alegre e radical - do Evangelho. Além disso, o cristianismo não pode ser visto como uma fortaleza rodeada de muralhas, que se ergue como um bastião contra o mundo. Por isso, achei muito incisivo o testemunho da Beatriz quando disse que é precisamente "a partir da esfera da cultura" que se sente chamada a viver as bem-aventuranças. Em cada época, uma das tarefas mais importantes dos cristãos é recuperar o sentido da incarnação. Sem a incarnação, o cristianismo torna-se uma ideologia, e a tentação das ideologias cristãs, entre aspas, é muito atual; é a incarnação que nos permite ficar maravilhados com a beleza que Cristo revela através de cada irmão e irmã, de cada homem e mulher.

A este propósito, é interessante que na nova cátedra dedicada à "Economia de Francisco" tenham incluído a figura de Clara. De facto, a contribuição das mulheres é indispensável. Quantas vezes, no inconsciente coletivo, se pensa que as mulheres são de segunda categoria, que são suplentes, que não jogam a titular. E isso existe no inconsciente coletivo. A contribuição feminina é indispensável. Aliás, na Bíblia, vemos como a economia da família está em grande parte nas mãos da mulher. Ela, com a sua sabedoria, é a verdadeira "regente" do lar, cujo objetivo não é exclusivamente o lucro, mas o cuidado, a convivência, o bem-estar físico e espiritual de todos, e também a capacidade de partilhar com os pobres e os estrangeiros. E é apaixonante empreender os estudos económicos nesta perspetiva, com a intenção de restituir à economia a dignidade que ela merece, para que não fique nas mãos do mercado selvagem e da especulação.

A iniciativa do Pacto Global para a Educação e os sete princípios que estabelecem a sua arquitetura incluem muitos destes temas, desde o cuidado com a casa comum até à plena participação das mulheres, passando pela necessidade de encontrar novas formas de compreender a economia, a política, o desenvolvimento e o progresso. Convido-vos a estudar o Pacto Mundial para a Educação, a apaixonarem-se por ele. Um dos pontos que aborda é o da educação para o acolhimento e a inclusão. E não podemos fingir que não ouvimos as palavras de Jesus em Mateus capítulo 25: "Eu estava de passagem e eles acolheram-me" (v. 35). Acompanhei com emoção o testemunho de Mahoor, quando ela evocou o que significa viver com "o sentimento constante de falta de casa, de família, de amigos [...], de ficar sem casa, sem universidade, sem dinheiro [...], cansada e exausta e abatida pela dor e pela perda". Ela disse-nos que recuperou a esperança porque algumas pessoas acreditaram no impacto transformador da cultura do encontro. Cada vez que alguém pratica um gesto de hospitalidade, isso provoca uma transformação.

Amigos, estou muito feliz por vos ver como uma comunidade educativa viva, aberta à realidade e consciente de que o Evangelho não é um mero ornamento, mas anima as partes e o todo. Sei que o vosso caminho inclui diversos âmbitos: o estudo, a amizade, o serviço social, a responsabilidade civil e política, o cuidado da casa comum e a expressão artística. Ser uma universidade católica significa sobretudo isto: que cada elemento está em relação com o todo e que o todo se encontra nas partes. Deste modo, ao mesmo tempo que adquirimos competências científicas, amadurecemos como pessoas, no conhecimento de nós próprios e no discernimento do nosso próprio caminho. Caminho sim, labirinto não. Então vamos em frente! Uma tradição medieval conta que, quando os peregrinos do Caminho de Santiago se cruzavam, um cumprimentava o outro com a exclamação: "Ultreia", e o outro respondia: "et Suseia". São expressões de encorajamento para continuar a procura e o risco de caminhar, dizendo uns aos outros: "Vamos, continua, continua!" E é isso que também desejo a todos vós, de todo o coração. Muito obrigado."

Discurso do Papa Francisco
no Encontro com Jovens Universitários na Universidade Católica Portuguesa

04-08-2023

Papa Francisco na Católica: “Substituam os medos pelos sonhos."

“Substituam os medos pelos sonhos. Não sejam administradores de medos, mas sim empreendedores de sonhos”. Palavras do Papa Francisco na Universidade Católica Portuguesa (UCP), no Encontro com os Jovens Universitários, que teve lugar no dia 3 de agosto.

O Santo Padre pediu ainda aos jovens para que o “título académico não seja apenas um privilégio egoísta e pessoal”. Afirmou também que sonha com uma “Geração de mestres. Mestres de humanidade, mestres de compaixão, mestres de novas oportunidades para o planeta e os seus habitantes. Mestres de Esperança”.

Na Cerimónia, a Reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil, deu as boas vindas ao Santo Padre e depois de uma apresentação sobre a Universidade afirmou: “Somos uma Universidade com forte sentido social, atribuindo bolsas de estudo e prémios a mais de vinte por cento dos nossos alunos”. Acrescentou ainda que “a Universidade é por definição um espaço de busca, de risco, de desconforto, de diálogo e de acolhimento”.

A Reitora sublinhou ainda que "perante realidades marcadas por exclusão e desigualdade, numa época de incerteza, a Universidade ergue-se como guardiã da Esperança, o que significa promover a capacidade de sonhar, auxiliar a discernir, escutar as vozes em nosso redor, escutar o tempo, intervir nele, defendendo a dignidade das mulheres e homens, acreditando na sua capacidade de transformação".

Neste Encontro com os Jovens Universitários, o Santo Padre ouviu ainda testemunhos de estudantes envolvidos no “Pacto Educativo Global”, na iniciativa “A Economia de Francisco”, na aplicação da encíclica Laudato si’ e de Mahoor Kaffashian, uma refugiada iraniana, estudante de Medicina Dentária na Faculdade de Medicina Dentária da UCP.

Tomás Virtuoso, mestre em Economia pela Católica Lisbon School of Business and Economics, Mariana Craveiro, licenciada em Psicologia pela Faculdade de Educação e Psicologia, e Beatriz Ataíde, estudante de Filosofia na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, foram os outros estudantes escolhidos pela Católica para falar ao Santo Padre.

A cerimónia contou também com a bênção da primeira pedra do novo campus da Católica (Campus Veritati) e a participação do Coro da UCP.

04-08-2023

Encontro de Sua Santidade com Jovens Universitários

A Universidade Católica Portuguesa recebeu a visita do Papa Francisco, no dia 3 de agosto, para o Encontro com Jovens Universitários.

Veja aqui o Encontro do Papa Francisco com os Jovens Universitários via streaming, no Facebook da Universidade Católica Portuguesa.

Neste Encontro com os Jovens Universitários, o Santo Padre ouviu testemunhos de estudantes refugiados e de jovens envolvidos no “Pacto Educativo Global”, na iniciativa “A Economia de Francisco” e na aplicação da encíclica Laudato si’. Seguiu-se o discurso de Sua Santidade, uma oração, a bênção da primeira pedra do novo campus da Católica (Campus Veritati) e a participação do Coro da UCP.

Este Encontro, que fez parte da visita oficial do Papa Francisco no âmbito da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, contou com cerca de 7 mil pessoas.

 

03-08-2023

“Quero ser protagonista da mudança”: estudantes da Católica com o Papa Francisco

Estudantes dos quatro campi da Universidade Católica Portuguesa partilharam o seu testemunho, enquanto alunos e cidadãos católicos, com o Papa Francisco: Mariana Craveiro, do campus Porto, Beatriz Lisboa, de Braga, Tomás Virtuoso, de Lisboa, e Mahoor Kaffashiam, de Viseu.

O momento decorreu no âmbito da visita do Papa Francisco à Universidade Católica, em Lisboa, evento integrado na Jornada Mundial da Juventude 2023.

Mariana Craveiro tem 21 anos, é natural do Porto e é licenciada em Psicologia pela Faculdade de Educação e Psicologia da Católica no Porto. A partir de setembro de 2023, será estudante do Mestrado em Psicologia da Justiça e do Comportamento Desviante na mesma faculdade. No seu testemunho dirigido ao Papa, a estudante partilha a sua experiência de serviço e afirma convictamente a vontade de ser “protagonista da mudança”

No dia 3 de agosto de manhã, a UCP recebeu cerca de sete mil pessoas, na sua maioria estudantes, mas também personalidades, nacionais e internacionais, do mundo académico, artístico, da sociedade civil e da Igreja Católica.

Leia o texto integral que Mariana Craveiro leu ao Papa Francisco:

Santo Padre,

Reconheço hoje com alegria que o meu percurso nesta Universidade converge com os princípios para os quais Vossa Santidade convocou o mundo académico com a proposta de um Pacto Educativo Global. É nisso que gostaria de me centrar.

Entrei na Universidade Católica em 2020, em plena pandemia. Nesse contexto, por meio do programa Católica Solidária, a Universidade ajudou-me a perceber a urgência de manter a prioridade dada à pessoa humana, e assim pude ajudar a servir refeições, todas as semanas, às pessoas sem abrigo e mais necessitadas, no centro da cidade do Porto.

Mas esta experiência foi apenas um ponto de partida e o modo de Deus me ensinar que estar ao serviço para acolher os mais vulneráveis e excluídos tinha de ser uma prioridade nos meus dias de estudante, como membro de uma “Igreja em saída”. Nos últimos anos, colaborei com uma instituição que apoia pessoas com deficiência, e pude dar-me conta do impacto real da esperança e da alegria, dadas e recebidas.

A Universidade Católica pôs-me também em contacto com a metodologia Aprendizagem-Serviço, o que me deu uma compreensão mais abrangente dos temas curriculares e uma convicção maior quanto à responsabilidade cívica que a educação traz consigo. Nesse contexto, tenho sido voluntária na Clínica de Psiquiatria de um estabelecimento prisional. Entrei neste projeto de cabeça, mãos, coração e alma, e conseguimos alcançar metas altas, fazendo, por exemplo, que 28 reclusos com problemas de saúde mental reconheçam o seu potencial e experimentem a “liberdade dos talentos” (assim designei este projeto).

Reconheço que a comunidade educativa, a mim, não me falhou, dando-me as condições e as ferramentas necessárias para que pudesse crescer integralmente, como jovem e como mulher. Por isso, comprometo-me a ser abraço de reconciliação e paz no serviço à comunidade, como Vossa Santidade nos tem interpelado, e estou certa de que Deus me convida a traçar o meu caminho junto dos mais excluídos. O meu dever, enquanto futura psicóloga, passa por acolher todos sem discriminações e aceitar o outro exatamente como ele é, independentemente da sua morada ou do seu passado.

Santo Padre, quero ser protagonista da mudança – e não jovem “à janela que vê o mundo a passar” –, aplicar profissionalmente o que aprendi para chegar aos mais vulneráveis e ajudar a escrever novas histórias e paradigmas para um mundo mais justo e com mais fé.

A nossa geração quer ser feliz. Constato com alegria que estou rodeada de jovens protagonistas, com iniciativa, e prontos para “fazer barulho” com o entusiasmo, o empenho e a esperança que transformam o mundo. Nós, jovens cristãos, temos muita vontade de contagiar os outros, e de lhes mostrar que vale a pena arriscar com Deus. Sei que Deus é jovem, e eu vejo-O todos os dias em cada um de nós.

Muito obrigada!

Mariana Craveiro

03-08-2023

Zhang Min visits Universidade Católica in Porto

03-08-2023

Zhang Min visita Universidade Católica no Porto

Zhang Min, professora do Instituto de Estudos Europeus da Academia Chinesa de Ciências Sociais, visitou a Universidade Católica Portuguesa no Porto para um encontro com Isabel Braga da Cruz, presidente da Católica no Porto, Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia, e Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina.

Zhang Min coordena as relações com a Europa e foi mandatada para estas visitas pela Academia Nacional das Ciências Sociais da China, que funciona em ligação estreita com o seu governo.

O principal objetivo da visita de Zhang Min a Portugal é "compreender as visões portuguesas sobre a China de hoje e o que as Universidades, municípios e instituições culturais e económicas esperariam da China para ter uma relação mais profunda no futuro". A oportunidade deste encontro com a Universidade Católica é de “mútuo interesse”, podendo resultar em “parcerias futuras”.

A visita, que contou também com a presença de Paulo Duarte, da Câmara de Cooperação e Desenvolvimento Portugal-China, decorreu durante a manhã de 2 de agosto e contou com um momento de reunião, outro de visita ao campus e ainda um almoço.

03-08-2023

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