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Novidades

Católica completa 5 anos de Aprendizagem-Serviço

No final do 1.º semestre do ano letivo em curso, a Católica completou a 10.ª Etapa de Projetos de Aprendizagem-Serviço, cumprindo assim um ciclo de 5 anos consecutivos de consolidação desta metodologia de aprendizagem e de responsabilidade social.

Lançado em 2020, o projeto CApS – Católica Aprendizagem‑Serviço é hoje marca identitária da Universidade, contribuindo para a institucionalização da ApS na Universidade Católica e para o reconhecimento nacional e internacional da Universidade como referência na institucionalização da metodologia ApS.

Na Etapa 10 que agora termina, foram implementados 14 projetos, distribuídos pelos três campi envolvidos:

  • 3 em Braga,
  • 2 no Porto 
  • 9 em Lisboa.

Os projetos foram implementados em diversas Faculdades: Filosofia e Ciências Sociais, Ciências Humanas, Ciências da Saúde e Enfermagem, Teologia, Psicologia e Educação.

Destes 14 projetos, 8 foram implementados em contexto de licenciatura (Serviço Social, Enfermagem e Psicologia) e 6 de mestrado (“Psicologia da Educação e Desenvolvimento Humano”, “Psicologia do Trabalho e das Organizações”, “Psicologia do Bem-Estar e Promoção da Saúde”, “Gerontologia Social Aplicada” e “Ciências Religiosas”).

Os estudantes sublinham o caráter transformador da ApS, destacando o desenvolvimento de competências essenciais, a consciência social e o contacto com contextos reais de aprendizagem. “Ajudou-me a desenvolver sentido de responsabilidade, adaptação a novas rotinas e melhor compreensão da dinâmica de trabalho numa enfermaria”, afirmou uma aluna, enquanto outra destacou que a experiência constituiu “uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional, que me levou a valorizar ainda mais a importância do serviço à comunidade no processo de aprendizagem.” Para alguns, a participação nos projetos permitiu ainda “enfrentar dificuldades que poderão surgir no mundo do trabalho”, enquanto outro testemunho sublinha que a metodologia incentiva a reflexão crítica sobre o papel dos estudantes como agentes de mudança, mostrando que “pequenas intervenções podem ter impacto real na vida das crianças e na comunidade.”

A Equipa CApS faz um balanço muito positivo de todo o trabalho desenvolvido pelo CApS ao longo destes 5 anos e já se prepara para iniciar a Etapa 11, que conta com uma implementação muito significativa de projetos nos 4 campi, reforçando a visão da Universidade enquanto universidade transformadora ao serviço do bem comum.

20-02-2026

Eduardo Sorte: “Gosto de olhar para a minha obra como um retrato”

Eduardo Sorte é músico e estudante da Licenciatura em Som e Imagem da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa. Destaca a Católica como determinante na sua formação, proporcionando experiências académicas e criativas que lhe permitem explorar diferentes linguagens artísticas e desenvolver novos projetos. Paralelamente, frequenta o Conservatório de Música do Porto e tem acumulado experiências artísticas diversas. Nesta entrevista, partilha o seu percurso enquanto artista, a importância da formação, o papel da música na sua vida e os planos musicais para 2026.

 

Como é que a música surgiu na sua vida?

A música foi algo que surgiu gradualmente na minha vida, até ocupar o lugar fundamental que tem hoje. Foi a prática da composição que me levou a relacionar-me mais profundamente com a música. Foi quando me apercebi da sensação de alívio e libertação que a composição me trazia, que entendi que a música era bem mais importante na minha vida. Quando comecei a fazer orquestração das minhas canções, por volta dos 12 anos, rapidamente surgiu o interesse de explorar outros instrumentos, compreender as suas linguagens para explorar nos meus arranjos.

 

Como é que se foi construindo enquanto artista?

Acredito que a construção de um artista não se separa da construção da sua própria identidade, enquanto indivíduo. A música que toco, que interpreto, que estudo e que componho foi sempre um reflexo do que sou e do que procuro interiormente. Concordo inteiramente com Quincy Jones, quando diz: “A tua música nunca será mais ou menos, do que aquilo que tu és, enquanto ser humano”.
Neste sentido, o tempo que dedico à leitura, à escuta de entrevistas a pessoas que admiro, à exposição da cultura, ao constante questionamento daquilo a que chamo “certezas” são processos que me enriquecem enquanto ser humano e artista.

 

De que forma é que a formação é fundamental nesse caminho?

Os primeiros passos, numa academia como a Valentim de Carvalho, foram enriquecedores e determinantes. Ao nível performativo, pela aprendizagem para colaborar em equipas numerosas, e pela integração de espetáculos heterogéneos, fora da minha zona de conforto, destacaria a Escola do Rock de Paredes de Coura, onde realizei residências artísticas por alguns anos. No mundo académico, a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e a licenciatura em Som e Imagem tiveram um impacto imenso, levando-me ao contacto com pessoas, obras e caminhos inspiradores, que apontam a necessidade de prosseguir estudos para continuar a crescer a todos estes níveis.

 

“É um curso que nos oferece uma paisagem rica sobre diferentes formas de arte, que nos leva a encontrar novos caminhos e possibilidades artísticas.”

 

O que mais o tem marcado na licenciatura?

A pluralidade de projetos que envolvem diferentes técnicas, meios artísticos e processos de pensamento tem sido extremamente enriquecedora. As cadeiras teóricas como História da Arte, Pensamento Contemporâneo, Teoria dos Media, Iconografia e Semiótica tiveram um impacto enorme em mim e na minha conceção do mundo e da arte.
É um curso que nos oferece uma paisagem rica sobre diferentes formas de arte, fundamentos teóricos e históricos que nelas existem, e uma desformatação implícita que nos leva a encontrar novos caminhos e possibilidades artísticas, fundindo tudo o que aprendemos.

 

Há algum projeto desenvolvido no âmbito da licenciatura que o tenha marcado de forma especial?

É difícil escolher um dos vários projetos em que estive envolvido. Um dos trabalhos que mais me marcaram no âmbito da licenciatura foi o Projeto 4, desenvolvido em grupo, com o acompanhamento dos professores Marcelo Reis e Lorena Alves. Efetivamente, foi um projeto que envolveu várias esferas diferentes, incluindo música, programação, construção, escolha do material e montagem da instalação. Um projeto que foi um desafio a vários níveis, mas que se tornou numa grande aprendizagem e experiência. Foi exibido publicamente na sala MOCAP da Universidade Católica, onde recebemos pessoas de dentro e de fora da Universidade.

 

“Procuro explorar em mim o que é universal à experiência humana. Sentimentos de paixão, saudade, alegria, solidão, esperança, questões existenciais... “

 

Paralelamente, estuda no Conservatório de Música do Porto e tem tido várias experiências performativas. Como gere estas diferentes exigências e ritmos?

Gere-se com paixão, é preciso gostar muito do que se faz e cada projeto ser mais aliciante que trabalhoso. Gere-se através da organização do tempo e da definição clara das prioridades. Por vezes, há momentos em que é complicado conciliar todas as tarefas, o que me obriga a avançar no trabalho com a maior antecedência possível. Contudo, já não me vejo de outra forma.

 

Como descrevia a sua obra? Que temas procura explorar e com que linguagens ou estilos mais se identifica?

Gosto de olhar para a minha obra como um retrato. Procuro explorar em mim o que é universal à experiência humana. Sentimentos de paixão, saudade, alegria, solidão, esperança, questões existenciais...
Em termos de estilos e linguagem, foi sempre difícil para mim escolher apenas uma estética, uma identidade, uma só coisa. Sou muitas e demasiadas coisas para mostrar apenas ser um só, e penso: não seremos todos assim? Mutáveis, plurais e amórficos. Dentro do portfólio que tenho, os géneros musicais variam de música eletrónica, para rock alternativo, para jazz contemporâneo, para folk/country, canções de autor, música pop… Todos estes universos musicais apaixonam-me.
Nas letras, a poesia de Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa e os seus heterónimos, Florbela Espanca, Daniel Faria, entre outros, são autores que me ajudaram a encontrar formas disruptivas de usar a linguagem, para captar algo maior. O uso de uma linguagem poética, metafórica e alegórica é um estilo que gosto de explorar, pois permite uma margem de interpretação maior para o ouvinte mergulhar em si mesmo, naquilo que deveras sente e pensa, quando ouve a canção.

 

Que artistas mais o inspiram?

David Bowie, Fiona Apple, Radiohead, Jon Brion, os Beatles, Maria João Pires, Jorge Palma, entre muitos outros, são pessoas que me inspiraram imenso com os seus percursos e identidades. Penso que as nossas influências são importantes, até para descobrirmos mais sobre nós, sobre o que gostamos e sobre o que verdadeiramente nos inspira.

 

Acredita que a música pode ter um papel transformador na sociedade?

Não diretamente. Acho que a mudança estará sempre na mão de quem age, de quem se une a favor de uma causa concreta, de quem se move diretamente num corpo social e o altera. Nesta linha de pensamento, a música em si, isolada de qualquer contexto, não acho que tenha força suficiente para alterar estruturas sociais, enraizadas na cultura. No entanto, somos movidos por emoção, pela sensibilização a favor de uma causa, pela empatia e, nisto, acredito que a música e a arte podem agir.
A música altera o nosso estado de espírito, a poesia também informa, a imagem desvia o nosso foco para onde deve ser dirigido. Acredito que a música pode plantar sementes dentro de nós, que um dia poderão levar-nos a agir. Mas a verdadeira mudança, para mim, não se encontra na arte – encontra-se, sim, no indivíduo.

 

“É muito importante sabermos bem o que queremos para não nos trairmos e agirmos com assertividade e confiança”

 

Que projetos vão marcar o seu ano de 2026?

Neste momento, tenho a sorte de vários projetos estarem a ocorrer em simultâneo. A promoção de 2 singles, o Ser ou Não Ser e o Chuva do Meu Olhar, e do meu EP, está em curso desde finais de 2025 até hoje. Estou responsável pela orquestração dos arranjos do Liceu Francês Internacional do Porto, que serão apresentados no concerto solidário das escolas internacionais da Casa da Música, já em março. Estou encarregue da composição da banda sonora de 3 projetos de alunos finalistas do curso de Som e Imagem. Datas de concertos e gravações estão agendadas para o arranque do ano. Academicamente falando, o projeto final da licenciatura em Som e Imagem e a Prova de Aptidão Artística do Conservatório de Música estão a avançar, e serão para apresentar em maio-junho de 2026.

 

Que conselho deixaria a outros estudantes que queiram conciliar a formação académica com uma prática artística ativa?

Primeiro, aconselharia a experimentarem muito e colaborarem com outros artistas. No entanto, também acredito que é fundamental existir um foco, uma direção, uma estratégia bem definida que oriente essa exposição a novas experiências. Um outro conselho que daria é definirem bem as prioridades entre a vida académica, profissional e pessoal. É muito importante sabermos bem o que queremos para não nos trairmos e agirmos com assertividade e confiança, principalmente, quando o resultado não é o que esperávamos ou desejávamos, o que acontece algumas vezes, à medida que se vai vivendo e aprendendo. É importante, também, fazermos aquilo que verdadeiramente gostamos e que nos move. Por fim, a formação é um pilar importante, ter motivação suficiente para suportar adversidades, confiar no valor que temos e acreditar nos nossos objetivos e sonhos. Partilho um conselho que já ouvi algumas vezes nesta área: “se vens para aqui, tens de gostar muito disto!”.

 

19-02-2026

Universidade Católica adere à Rede Igreja + Segura

A Universidade Católica Portuguesa formalizou, no passado dia 16 de fevereiro, a sua adesão à Rede Igreja + Segura, através da assinatura da respetiva Carta de Compromisso, numa sessão realizada em Lisboa. Esta iniciativa, promovida pelo Grupo VITA, visa promover ambientes verdadeiramente seguros, transparentes e responsáveis em entidades do contexto da Igreja Católica em Portugal que trabalham com crianças, jovens e pessoas vulneráveis.

A adesão à Rede corresponde à Fase 1 do percurso Igreja + Segura, assumindo publicamente princípios e medidas essenciais de prevenção, escuta, transparência e apoio. Numa segunda fase, as instituições podem avançar para um processo de auditoria independente, que sustenta a atribuição do Selo Protetor Igreja + Segura, com diferentes níveis de reconhecimento.

Além da Universidade Católica, também a Fundação Santa Rafaela Maria, o Instituto S. João de Deus, a Paróquia de Santa Isabel, a Catequese do Patriarcado de Lisboa e o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, assinaram esta carta sublinhando a dimensão colaborativa e em rede desta iniciativa.

Na cerimónia estiveram presentes o Vice-Reitor José Manuel Pereira de Almeida, a Administradora Helena Brissos de Almeida, a Diretora de Responsabilidade Social Rita Paiva e Pona e a Diretora do Gabinete de Reitoria Rita Seabra Brito.

Esta adesão vem reforçar o caminho que a Universidade Católica já tem vindo a percorrer desde 2019, quando assumiu um compromisso formal de proteção de menores e pessoas em situação de vulnerabilidade, assente numa política de tolerância zero no que respeita a maus-tratos e abusos.

Ao integrar a Rede Igreja + Segura, a Universidade reafirma a sua responsabilidade na promoção de uma cultura de cuidado e bom trato, fortalecendo práticas de prevenção e de apoio, contribuindo para ambientes de confiança e proteção.

 

18-02-2026

Estudantes do ensino básico e secundário desafiados a "Inventar a Alimentação do Futuro"

A Escola Superior de Biotecnologia encheu-se de energia criativa e curiosidade científica para a final nacional da 4ª edição do Concurso Inventar a Alimentação do Futuro, iniciativa que desafia alunos do ensino básico e secundário a criar receitas inovadoras, saudáveis e sustentáveis.

No dia 13 de fevereiro, a Escola recebeu os grupos com os melhores pratos avaliados em cada um dos temas do concurso, anunciados a 7 de janeiro. Na final, defrontaram-se apenas as propostas que mais se destacaram, 20 receitas, avaliadas por um júri de professores e especialistas das ciências da nutrição e alimentação, incluindo nutrição humana, tecnologia alimentar, análise sensorial e sustentabilidade alimentar.

"Os números desta edição são verdadeiramente impressionantes: 141 pratos criados por 448 alunos, representando 37 escolas de 24 concelhos de Portugal," salienta Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa. "Estes resultados demonstram não só a importância deste tipo de iniciativas, mas sobretudo o entusiasmo, o empenho e a preparação que estes jovens e os seus professores dedicam a inventar a alimentação do futuro. Não se trata de um mero concurso de culinária, mas sim de uma iniciativa que procura despertar vocações e incentivar o interesse por áreas fundamentais como a engenharia alimentar e as ciências da nutrição," conclui.

Após a sessão de abertura, os participantes emprataram as suas criações no Kitchen Lab da Escola Superior de Biotecnologia e levaram à prova do júri propostas sustentáveis, nutritivas, inovadoras e visualmente apelativas. Cada prato foi avaliado por três jurados, que analisaram sobretudo o perfil nutricional, o caráter sustentável, o grau de inovação e a viabilidade económica.

Para os estudantes, a alimentação do futuro "pode ser sustentável e, ao mesmo tempo, saborosa", mas também “saudável” e "igualitária, uma alimentação a que toda a gente tenha acesso". Em conversa e reflexão conjunta, partilharam as aprendizagens decorrentes deste desafio, que os levou a “sair da zona de conforto", e a "considerar várias áreas da ciência, como a nutrição, ecologia, sustentabilidade – algo a que no dia a dia não estamos habituados”. Destacaram o valor do "trabalho de equipa" e a criatividade de "reinventar um prato", explorando a utilização de elementos silvestres e ingredientes menos convencionais na gastronomia. Por tudo isto, sublinharam que a experiência constitui uma significativa "adição para a jornada escolar e profissional e para o currículo” de todos.

Após este momento de partilha, os participantes assistiram à atuação da tuna feminina da Universidade Católica Portuguesa. O dia terminou no auditório Arménio Miranda, onde foram anunciados os vencedores em cada categoria (listados abaixo).

A iniciativa voltou a colocar a sustentabilidade e a inovação à mesa, ao serviço de uma alimentação mais nutritiva e saudável, num dia temperado pela emoção, pelo entusiasmo, por um nervosismo saudável e pela grande qualidade das propostas apresentadas.

Fica lançado o desafio para a próxima edição: continuar a Inventar a Alimentação do Futuro.

 

Vencedores do Concurso
Inventar a Alimentação do Futuro

 
Receita do ano do ensino secundário

Escola Secundária do Entroncamento
Grupo: Masterchef Biológico
Receita: Lasanha da Horta
Membros do grupo:
Ana Carolina Lopes
Eva Santos
Maria Clara Marques
Professor: Maria Adelina Correia
 

Receita do ano do 9º ano

Escola Básica Professor Doutor Ferreira de Almeida, de Santa Maria da Feira
Grupo: SustentaChefs
Receita: Tigela da Horta Sustentável
Membros do grupo:
Tomás Martins
Nicole Magalhães
Inês Familiar
Carolina Ferreira
Professor: Inês Barbosa
 

Sabor a mar

Externato Marista de Lisboa
Grupo: As Ratatouilles
Receita: Almofadinhas do Mar de Curgete
Membros do grupo:
Maria Teresa Cardoso
Adriana Pereira
Leonor Mendes
Rita Gaspar
Professor: Marisa Temporão
 

Plantas silvestres comestíveis

Agrupamento de escolas de Santa Maria da Feira
Grupo: Arco culinário
Receita: Urtigas à mesa
Membros do grupo:
Heitor Araújo Nascimento
Lara Beatriz Marques Mendes
Diana Mota da Silva
Professor: Elisabete Carlos Miranda


Leguminosas luminosas

Agrupamento de Escolas do Cerco do Porto
Grupo
: Cônios
Receita: Pudim do Sol do Sul
Membros do grupo:
Bruna Sousa 
Rafael Gonçalves
Professor: Sónia Ramos
 

Street Food

Escola Secundária Júlio Dinis de Ovar
Grupo:
Mosqueteiros à mesa
Receita: Frango aos cones
Membros do grupo:
Ianis Almeida
Rodrigo Oliveira
Rodrigo Andrade
Rodrigo Leite
Professor: Tânia Almeida

16-02-2026

A experiência de pós-doutoramento de Mehmet Ceylan no Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano

O Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH) da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP) recebeu o investigador Mehmet Ceylan, da HKU – Universidade Hasan Kalyoncu, na Turquia, para a realização do seu pós-doutoramento - uma experiência que conjugou exigência científica, colaboração interdisciplinar e descoberta cultural. O que começou como uma coincidência familiar, associada à vinda da sua esposa para o Porto, transformou-se numa oportunidade de desenvolvimento académico no CEDH.

Motivado pelo perfil científico do Centro e pela diversidade de projetos na área da educação e da psicologia, Mehmet encontrou no CEDH e na FEP-UCP um contexto fértil para aprofundar a sua investigação e estabelecer novas ligações académicas.

 

Uma investigação centrada nos desafios contemporâneos da educação

Sob a orientação de Luísa Antunes Ribeiro, docente da FEP-UCP e coordenadora do Doutoramento Internacional em Psicologia Aplicada, Mehmet desenvolveu um projeto centrado no impacto da utilização da tecnologia na aprendizagem da matemática na educação de infância. Num momento em que os recursos digitais assumem uma presença crescente nos primeiros anos de escolaridade, o objetivo central do estudo é compreender de que forma as ferramentas tecnológicas podem contribuir para a aprendizagem das crianças.

A investigação, baseada numa revisão sistemática e numa meta-análise de estudos internacionais, encontra-se ainda em curso. No entanto, “os primeiros insights sugerem que a eficácia depende largamente da integração num enquadramento pedagógico significativo, e não apenas da tecnologia”, sublinha Mehmet.

O investigador destaca ainda o papel determinante da sua orientadora, salientando o rigor metodológico, a precisão científica e o acompanhamento constante que marcaram o desenvolvimento do projeto desde a sua fase inicial.

 

Um ambiente académico aberto e colaborativo

A escolha do CEDH foi igualmente influenciada pelo ambiente interdisciplinar promovido no seio do Centro de Investigação. Para Mehmet, a convivência com investigadores de diferentes áreas e o contacto próximo com estudantes de doutoramento foram fatores decisivos para uma integração rápida e enriquecedora.

“Segui o trabalho dos investigadores do CEDH e reconheci um grupo forte, a produzir investigação de elevada qualidade em várias áreas da educação e psicologia”, refere. “Vi este ambiente interdisciplinar como uma oportunidade para desenvolver projetos colaborativos, integrando os meus interesses com perspetivas complementares.”

A participação em iniciativas como as Learning Coffee sessions é apontada como um exemplo claro da dinâmica científica do CEDH, criando espaços regulares de partilha, reflexão e desenvolvimento profissional que o investigador considera particularmente valiosos.

 

O Porto como cenário de equilíbrio e inspiração

Para além da dimensão académica, a experiência de viver no Porto assumiu um papel central durante esta etapa. Mehmet descreve a cidade como um espaço que promove um equilíbrio saudável entre trabalho e vida pessoal, condição que considera essencial para investigadores estrangeiros.

“Se tivesse de descrever a minha experiência numa palavra, seria ‘desfrute’. O Douro, os pôr-do-sol, a costa e o centro histórico criam uma atmosfera única. O campus está numa área excecional; poder almoçar junto ao mar é um verdadeiro privilégio.”, menciona. 

 

Um convite à participação ativa e ao futuro da investigação

Na fase final do seu pós-doutoramento, Mehmet prepara agora a publicação dos resultados do estudo, encarando esta experiência como um passo importante para a sua participação em futuros projetos internacionais e interdisciplinares na área da educação de infância.

Ao refletir sobre a sua passagem pelo CEDH, deixa uma mensagem de reconhecimento e incentivo aos futuros investigadores: “Gostaria de expressar o meu sincero apreço ao CEDH e à FEP-UCP por proporcionarem um ambiente de investigação encorajador e intelectualmente estimulante. Em particular, iniciativas como as sessões de Learning Coffee e outras atividades de formação criam espaços valiosos para o intercâmbio académico, colaboração e desenvolvimento profissional. Eu encorajaria fortemente os futuros investigadores a envolverem-se ativamente nestas oportunidades.”

16-02-2026

OPEN CALL para estudantes da Católica participarem na T4EU WEEK: Community, Communities

Já abriram as candiaturas para a T4EU Week "Community, Communities: Engage to Transform", que decorre de 25 a 29 de maio, em Lisboa, dedicado à ideia de uma comunidade de comunidades, onde diferentes grupos se unem em torno de um objetivo comum.

Há 15 vagas para estudantes de Licenciatura, Mestrado e Doutoramento da Católica, que receberão apoio financeiro para cobrir as despesas de viagem e alojamento (6 dias e 5 noites) para a sua participação.

Esta é uma oportunidade única de viver o espírito da Aliança Transform4Europe e partilhar experiências com colegas das 11 universidades europeias que compõem a aliança.

O programa inclui três cursos temáticos, refletindo as principais áreas de transformação da T4EU: Digital Transformation, Societal Transformation e Environmental Transformation. Os dias serão divididos, com as manhãs dedicadas a sessões conjuntas que reúnem todos os participantes, enquanto nas tardes os participantes se envolverão em atividades práticas, aplicadas e específicas da comunidade. 

Os cursos são lecionados em inglês, num formato híbrido (com uma vertente online e outra presencial) e conferem 3 ECTS.

Para se candidatar, os estudantes deverão preencher o formulário até dia 8 de março, e submeter uma carta de motivação.

 

Consulte toda a informação

 

Catálogo de Cursos

 

Consulte os critérios da CALL

 

13-02-2026

Centro de Conservação e Restauro reforça colaboração com a Comunidade de Madrid e o Museu do Prado

Durante três meses, duas estagiárias espanholas irão colaborar com a Escola das Artes, no nosso arquivo de películas radiográficas, no Centro de Conservação e Restauto (CCR).

Maria Esteban Ruiz e Marta Fernandez Gonzalez encontram-se ao abrigo do programa Erasmus, no âmbito da formação em Técnicas Radiográficas Aplicadas ao Estudo de Obras de Arte, promovida pela Comunidade de Madrid, em articulação com o Museu do Prado.

Atualmente, encontram-se a desenvolver um trabalho técnico especializado que inclui a identificação, catalogação, digitalização e acondicionamento das películas radiográficas existentes no arquivo. Paralelamente, será criada uma base de dados que permitirá disponibilizar a professores, alunos e investigadores, não apenas as imagens digitalizadas, mas também os respetivos relatórios de interpretação. Estão ainda previstas outras atividades a desenvolver durante este periodo na Escola das Artes. 



 

13-02-2026

“Devemos entender a universidade como estúdio e espaço de experimentação” defende a Reitora da Católica em fórum europeu

European Learning & Teaching Forum decorreu na sede da Católica, em Lisboa, reunindo cerca de 300 especialistas de 42 países. Evento privilegiou reflexão sobre o futuro do ensino superior.

O futuro do ensino superior e os impactos da inteligência artificial, das alterações demográficas e das novas tendências no mercado laboral estiveram em destaque na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, ao acolher o 2026 European Learning & Teaching Forum da European Association University (EUA).

O evento reuniu cerca 300 especialistas, entre membros de equipas reitorais, líderes académicos, professores, investigadores, educadores e decisores políticos, oriundos de mais de 140 universidades e outras instituições educativas, de 42 países.

Pretendendo ser uma plataforma de reflexão e partilha de boas práticas, o 2026 European Learning & Teaching Forum incluiu sessões plenárias, painéis de discussão, estudos de caso, workshops e apresentações práticas e interativas.

A sessão de abertura contou com a participação da Reitora da Universidade Católica Portuguesa, que defendeu a ideia de “entender a universidade como estúdio e espaço de experimentação”, onde “a aprendizagem acontece através do envolvimento, do diálogo, da crítica e da colaboração”.

“Imaginar a universidade como um estúdio é reconhecer que a aprendizagem e o ensino devem ser dinâmicos e experimentais. Significa capacitar os estudantes como co-criadores do conhecimento. Significa incentivar abordagens interdisciplinares perante desafios societais complexos”, sublinhou Isabel Capeloa Gil.

Nessa lógica, destacou a importância de assumir o risco, de valorizar a inovação, de promover estruturas de governação flexíveis e de qualidade, de ter colaboradores capazes de se adaptar aos novos ambientes académicos e organizacionais e de compreender que “a excelência na investigação e a excelência na educação não são prioridades concorrentes, mas compromissos que se reforçam mutuamente”.

“As nossas universidades devem assentar na liberdade académica, ancorar-se na autonomia institucional, estar comprometidas com a integridade e a qualidade e, ainda assim, ser suficientemente ágeis para responder a transformações profundas”, resumiu a Reitora.

A mesma mensagem quis passar a Vice-Presidente da EUA e Ex-Reitora da Universidade de Belgrado, Ivanka Popović, recordando o objetivo da EUA de “desencadear um efeito multiplicador, promovendo uma motivação contínua que permita aperfeiçoar a ação pedagógica em benefício dos estudantes”.

“Transformar o ensino superior não significa abandonar os seus valores fundamentais. Significa reforçá-los e adaptá-los a um mundo em mudança. Num tempo em que a tecnologia pode gerar respostas instantâneas, o ensino superior deve continuar a formar indivíduos capazes de pensamento crítico, de ações responsáveis e de contribuir para a sociedade. Isto exige instituições abertas à inovação, mas firmemente comprometidas com a qualidade e a equidade. Exige políticas públicas coerentes e comunidades académicas motivadas, reconhecidas e solidárias”, apontou, por sua vez a Secretária de Estado do Ensino Superior, Cláudia Sarrico.

“Investir em quem ensina e apoia os estudantes é investir no futuro das nossas sociedades”, frisou a Governante, que também esteve no arranque do encontro.

Ao longo dos dois dias do 2026 European Learning & Teaching Forum foram abordados temas como o papel da tecnologia na literacia dos estudantes e nas instituições académicas, a inovação pedagógica sustentável, o desenvolvimento profissional do staff académico e as carreiras académicas e a cooperação universitária a nível europeu, entre outros.

 

13-02-2026

Milena Rouxinol: “Precisamos de alimentar a ideia de que é imperioso tratarmo-nos bem uns aos outros”

Milena Rouxinol é docente na Faculdade de Direito - Escola do Porto e Provedora de Ética da Universidade Católica Portuguesa no Porto. Nesta entrevista, fala sobre a sua paixão pelo Direito do Trabalho, da relevância do Direito Antidiscriminação e da educação para a tolerância. Dá também a conhecer o trabalho de um Provedor de Ética, e relembra a importância de comunicar de “forma aberta, cuidadosa e construtiva.”

 

Como foi o seu percurso até ao Direito e a partir dele?

Acho que nunca me imaginei a fazer outra coisa, não sei exatamente explicar porquê, mas a ideia de justiça sempre esteve muito presente na minha forma de estar. Durante o curso, apercebi-me de que gostava de ensinar – investigar só veio depois. Tinha uma professora que, nas aulas práticas, fazia parecer mais fácil tudo o que nas aulas teóricas parecia tão complexo: esquematizava os conteúdos, apresentava-os de uma forma acessível, descodificava o essencial da mensagem. Ficava deslumbrada e lembro-me de pensar “Eu acho que sou capaz de fazer isto”, de transformar uma massa muito rica, mas relativamente informe de conhecimentos, em algo mais facilmente inteligível. E essa ideia foi-me acompanhando.
No final da licenciatura, quando a maioria dos meus colegas seguiu para a Ordem dos Advogados, eu sabia que não queria ser advogada. Então, optei por uma pós-graduação em Direito do Trabalho, quase por acaso. E foi aí que me apaixonei verdadeiramente por esta área. Pouco depois, surgiu a oportunidade de começar a trabalhar em Direito do Trabalho e esse gosto cresceu mais ainda, o que tornou natural o percurso para o mestrado e, mais tarde, para o doutoramento.

 

O que a fascina no Direito do Trabalho?

O Direito do Trabalho regula uma relação muito especial. Do ponto de vista jurídico, trata-se de uma relação entre dois sujeitos, como tantas outras, mas tem algo mais: o trabalho envolve diretamente a própria pessoa do trabalhador. O trabalho não é separável de quem o realiza, e isso introduz uma dimensão de pessoalidade muito marcada na relação laboral. Por outro lado, o trabalhador encontra-se, estruturalmente, numa posição de maior vulnerabilidade ou desnível face à entidade empregadora. Isto coloca desafios muito específicos ao Direito.
No contexto atual, o Direito do Trabalho é frequentemente apresentado como uma ferramenta ao serviço da competitividade económica ou da resolução de crises. Penso que essa função, a poder afirmar-se. é apenas lateral. A sua razão de ser é outra: a proteção, o cuidado e o equilíbrio da relação laboral. É essa dimensão humana, quase do foro da ética, que me seduz e que me mantém profundamente ligada a esta área.

 

No mundo do trabalho temos assistido a várias transformações, como a digitalização, a inteligência artificial, novas formas de emprego. Como é que o Direito do Trabalho consegue acompanhar todos estes desafios?

O Direito do Trabalho é relativamente jovem - forma-se sobretudo no final do século XIX e início do século XX. Inicialmente centrado no contexto da fábrica – que esteve na sua origem –, foi-se progressivamente alargando a novos ambientes, regulando hoje realidades como o teletrabalho, a utilização de meios digitais de controlo do desempenho, ou o fenómeno das plataformas digitais.
No entanto, estas transformações acontecem a uma velocidade vertiginosa e legislar bem é quase intrinsecamente incompatível com legislar rápido. Por vezes, o legislador avança de forma algo experimental, ajustando e corrigindo posteriormente, quando o contexto político o permite. Numa visão de conjunto, embora nem sempre com a rapidez e o grau de apuramento desejáveis, o esforço de adaptação é evidente. Basta olhar para o Código do Trabalho português, em vigor desde 2009, que já foi objeto de mais de vinte alterações. Portanto, há, sim, uma tentativa clara de ir modernizando o Direito do Trabalho. Se isso é sempre conseguido, ou bem conseguido, é menos inequívoco…

 

“Procuramos encontrar um equilíbrio entre o cuidado e a exigência académica necessária para preparar os alunos adequadamente para a sua vida profissional.”

 

O que distingue o ensino de Direito na Universidade Católica?
Oferecemos um ensino de qualidade, assente num corpo docente muito qualificado. Temos uma grande preocupação com a vertente prática, no sentido de preparar efetivamente os estudantes para os desafios profissionais que irão encontrar. Isso reflete-se não apenas nas metodologias pedagógicas, mas também nas iniciativas de aproximação ao mundo profissional, como os protocolos estabelecidos com diversas entidades, nomeadamente, sociedades de advogados. A dimensão internacional tem também sido reforçada, com o ensino de unidades curriculares em inglês, que potenciam a captação de estudantes estrangeiros, mas também a preparação dos nossos alunos para percursos académicos e profissionais internacionais. Além disso, a instituição tem um perfil particularmente acolhedor. Num contexto em que o ensino do Direito se tornou cada vez mais exigente, procuramos dar aos alunos apoio e orientação, e encontrar um equilíbrio entre esse cuidado e a exigência académica necessária para os preparar adequadamente para a sua vida profissional.

 

“Estou convencida, não só como professora, mas como cidadã, de que a tolerância se fomenta essencialmente com conhecimento”

 

Qual é a sua principal preocupação enquanto docente? O que procura transmitir aos seus alunos?

No plano dos conhecimentos técnicos, procuro transmitir rigor, mas sempre de forma clara, estruturada e facilmente apreensível. Além disso, e sobretudo por lecionar numa área que o permite, procuro também despertar nos alunos alguma consciência social, sensibilizá-los para a realidade concreta das relações de trabalho, que muitos ainda não conhecem plenamente, quer pela sua idade, quer pelos contextos em que cresceram. Tento, com equilíbrio, mostrar-lhes que a realidade é mais ampla e complexa do que o seu universo imediato. E, do ponto de vista da relação com eles, tento, acima de tudo, mostrar-me como uma pessoa normal, falível, próxima. Acredito que esta humanização contribui para um ambiente de confiança e proximidade, permitindo que os alunos sintam que podem contar comigo no seu percurso académico.

 

“O Direito Antidiscriminação existe precisamente para contrariar o enraizamento dos preconceitos sociais.”

 

Leciona também a unidade curricular de Direito Antidiscriminação. Porque é que este tema é tão relevante nas relações laborais?

O próprio Código do Trabalho consagra um capítulo dedicado ao princípio da igualdade e da não discriminação, e, ao nível da União Europeia, existem várias diretivas especificamente orientadas para esta matéria. Nas relações laborais está em jogo algo absolutamente essencial: o emprego. Para além da dignidade pessoal, que é sempre afetada numa situação de discriminação, uma decisão discriminatória pode significar a exclusão do mercado de trabalho ou a perda do sustento. A realidade mostra-nos que continuam a existir múltiplas formas de discriminação no contexto laboral – desde desigualdades salariais entre homens e mulheres, até discriminações com base na religião, na origem ou noutras características pessoais. O Direito Antidiscriminação constrói-se, em grande medida, a partir destas situações concretas e procura estabelecer limites claros a práticas que perpetuam desigualdades.

 

Como é que trabalha estas questões com os alunos e de que forma procura promover uma cultura de tolerância?

Estou convencida, não só como professora, mas como cidadã, de que a tolerância se fomenta essencialmente com conhecimento. Combater a desinformação é essencial para reduzir preconceitos, estereótipos e leituras simplistas da realidade.
No ensino do Direito Antidiscriminação, uma das ferramentas mais eficazes é o trabalho com casos reais. Ao analisar situações concretas, os alunos são levados a confrontar as suas perceções imediatas com as respostas que o Direito foi construindo ao longo do tempo. Todos temos tendências automáticas de pensamento; muitas vezes, aquilo que parece banal e até “compreensível” não é juridicamente aceitável. O Direito Antidiscriminação existe precisamente para contrariar o enraizamento dos preconceitos sociais. Esse confronto crítico é, a meu ver, uma poderosa ferramenta de formação cívica e académica.

 

É Provedora de Ética na Universidade Católica no Porto. Qual é a importância desta figura numa universidade?

Existe um canal próprio de comunicação através do qual qualquer membro da comunidade pode apresentar denúncias relativas a alegadas violações das regras éticas. A Universidade rege-se por um Código de Ética e de Conduta, um documento sintético, assente em alguns princípios estruturantes, suficientemente abrangentes para enquadrar uma grande diversidade de situações.
O Provedor de Ética não tem funções decisórias. Ainda assim, o seu papel é relevante, tanto para quem apresenta uma denúncia, ao encontrar uma pessoa identificável, acessível, que assegura confidencialidade, escuta ativa e imparcialidade, como para a pessoa denunciada, que pode apresentar a sua versão num espaço não hierárquico, antes de qualquer desenvolvimento formal. E tudo isto parece-me essencial do ponto de vista da transparência e do bom funcionamento da instituição.

 

Como podemos contribuir para uma comunidade académica eticamente saudável?

Precisamos de alimentar a ideia de que devemos tratar-nos bem uns aos outros. Não se trata apenas de respeito, mas de gentileza e cuidado. Muitas vezes desconhecemos as lutas e os desafios pessoais de quem está do outro lado, e pequenos comportamentos podem funcionar como gatilhos emocionais. Uma parte significativa dos conflitos poderia ser evitada se as pessoas comunicassem de forma mais aberta, cuidadosa e construtiva.

 

O que gosta de fazer nos seus tempos livres?

Gosto muito de fazer puzzles. É um exercício que exige atenção e paciência, mas que me permite desligar completamente de outras preocupações. Ocupa-me o suficiente para não estar, por exemplo, a mexer no telemóvel, mas ativa zonas do pensamento diferentes das que uso no trabalho. Também corro, quase todos os dias. Tendo eu uma profissão eminentemente intelectual e exigente, sinto que essa parte mais física ajuda a minha produtividade, o foco e também - porque não dizê-lo? - a autoestima: encontro também aí uma parte do que gosto de cultivar em mim. E leio bastante mesmo fora do foro jurídico. Gosto de romances em torno de histórias verídicas, ou que poderiam sê-lo.

 

Que livro ou autor recomendaria?

Descobri este ano, por recomendação de uma amiga, a obra de uma autora portuguesa, Dulce Maria Cardoso. Apaixonei-me e li praticamente toda a sua obra; foi uma descoberta muito marcante. Destacaria, em particular, O Retorno e Eliete.
São livros que retratam pessoas normais, com qualidades e fragilidades, e que mostram como os comportamentos humanos podem ser contados e interpretados de múltiplas formas, consoante o ponto de vista. Aquilo que, à primeira vista, pode ser facilmente censurado, ganha outra densidade quando é narrado do prisma de quem o vive e o sente. Essa capacidade de nos colocar no lugar do outro, de compreender a complexidade das decisões humanas, de cultivar empatia e tolerância, é algo que encontrei de forma muito especial em Dulce Maria Cardoso, além de uma escrita extraordinariamente bela. E ainda tem um sentido de humor, nas entrelinhas, subtil, que é encantador.

 

12-02-2026

Arte, tecnologia e cosmologias contemporâneas em diálogo na nova programação da Escola das Artes

Artistas, tecnólogos criativos, curadores, escritores e pensadores reúnem contributos que atravessam múltiplas áreas temáticas: do espiritual e do mítico às infraestruturas sociotecnológicas e às lógicas (des)coloniais, projetando futuros especulativos. Entre fevereiro e maio de 2026, a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa apresenta “Art + Tech x Cosmos =”, um ciclo que integra conferências, concertos, exposições e performances. A conferência de abertura realiza-se a 19 de fevereiro, com Joasia Krysa, curadora do programa, que estará à conversa com as curadoras de arte digital Val Ravaglia e Pita Arreola.

O programa “Art + Tech x Cosmos =” tem curadoria de Joasia Krysa com Nuno Crespo, Daniel Ribas e José Alberto Gomes, e explora como a arte e a tecnologia estão interligadas, como as práticas criativas respondem à crescente complexidade do mundo e como histórias e futuros diversos convergem para gerar novas formas. “Como o título sugere, o programa adota uma abordagem cosmológica, envolvendo-se com o pensamento tecnológico não ocidental e realidades multidimensionais partilhadas,” salientam os curadores.

Art + Tech x Cosmos =” resulta do envolvimento da Escola das Artes com práticas artísticas experimentais no interior dos quais nascem diálogos e relações entre investigação, criação artística e os desafios sociais e culturais contemporâneos,” salienta Nuno Crespo, curador e diretor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa

Art + Tech x Cosmos = | Performances, Conferências, Concertos
Serão duas as performances ao longo do programa. A primeira realiza-se no dia 26 de fevereiro pelas 18h30. Danielle Brathwaite-Shirley apresenta uma performance imersiva e participativa que cruza o videojogo, a animação, o som e a narrativa ficcional.

Através de tecnologias digitais interativas, a artista cria um espaço de confronto crítico e reflexão sobre identidade, poder e opressão sistémica. A 8 de abril é a vez de Günseli Yalcinkaya. Esta sessão propõe uma reflexão híbrida entre pensamento crítico e prática artística, cruzando investigação cultural, ficção especulativa e performance. Num formato que desafia as fronteiras entre conferência académica e acontecimento performativo, a artista convoca narrativas contemporâneas para questionar tecnologia, poder e imaginação coletiva, convidando o público a uma experiência simultaneamente intelectual e sensorial.

O programa de conferências de “Art + Tech x Cosmos =” reúne um conjunto de vozes de referência no cruzamento entre arte, tecnologia e pensamento crítico. Ao longo do ciclo, Legacy Russell, Diana Policarpo, Tabita Rezaire, o coletivo Keiken (representado por Hana E. Amori) e João Melo propõem reflexões que atravessam identidade, poder, espiritualidade, memória, ecologias digitais e futuros especulativos, explorando práticas artísticas e investigativas que questionam as infraestruturas tecnológicas e culturais contemporâneas. O programa encerra com uma conferência conjunta de Joasia Krysa e Libby Heany, que reúne perspetivas curatoriais e artísticas sobre arte, ciência e tecnologia, convidando à reflexão sobre práticas emergentes, investigação e imaginação de futuros possíveis.

A nova temporada dos Dashed Concerts prolonga-se até maio de 2026. O próximo concerto está agendado para dia 5 de março com Lime68k. A 16 de abril está confirmada a presença de Luca Argel, assim como João Pimenta Gomes (30 de abril) e Nuno Loureiro (14 de maio).

Até ao final do primeiro semestre de 2026, a Escola das Artes apresenta duas novas exposições integradas neste programa: uma dos Teatro Praga com inauguração em março e uma de Rodrigo Cass em maio.

De 29 de junho a 3 de julho, decorrerá a oitava edição da Porto Summer School on Art & Cinema, este ano em associação com XVI Lisbon Summer School for the Study of Culture.  O tema em destaque será “Disobedience” enquanto prática artística e ideia, explorando as suas múltiplas formas, dinâmicas e limites.

Todos os momentos irão decorrer no Católica Art Center, estrutura que integra a Rede Portuguesa de Arte Contemporânea. O Católica Art Center integra a Sala de Exposições; o Auditório Ilídio Pinho, que tem programação semanal de cinema e encontros com artistas; e a Blackbox mais vocacionada para as artes performativas.

Mais informações e programa disponíveis aqui:

Art + Tech x Cosmos =
Concertos, conferências, exposições e performances

 


JOASIA KRYSA
Joasia Krysa é curadora e professora de Investigação em Exposições na Liverpool School of Art and Design, com um cargo adjunto na Bienal de Liverpool. Foi curadora-chefe da 2.ª Bienal de Helsínquia (2023) e co-curadora da 9.ª Bienal de Liverpool (2016) e da DOCUMENTA 13 (2012). Trabalhando na intersecção entre arte e tecnologia, o seu trabalho curatorial foi apresentado em importantes instituições internacionais, incluindo o Whitney Museum of American Art de Nova Iorque, o KANAL Centre Pompidou de Bruxelas, o ZKM Center for Art and Media de Karlsruhe, o Museu de Arte de Helsínquia e a Tate Modern de Londres. As suas publicações recentes incluem os livros Curating Intelligences: Reader on AI and Future Curating (London Open Humanities Press 2025) e Helsinki Biennial: New Directions May Emerge (Helsinki Art Museum 2023), um capítulo na Bloomsbury Encyclopaedia of New Media Art (Londres 2025) e o próximo The Routledge Companion to Art and Technology (Londres/Nova Iorque 2027).

PITA ARREOLA
Pita Arreola é diretora de programas do arebyte Digital Art Centre, em Londres, e cofundadora do Off Site Project, uma plataforma curatorial dedicada a apoiar novos talentos da área de new media. Desde 2017, Pita trabalhou com mais de 200 artistas de todo o mundo no desenvolvimento de projetos experimentais que exploram criticamente o impacto social das tecnologias emergentes. De 2021 a 2024, foi curadora de arte digital no Victoria and Albert Museum. É também coeditora de Digital Art:1960s-Now (V&A, Thames & Hudson, 2024), um livro que explora as histórias por trás da arte digital.

VAL RAVAGLIA
Val Ravaglia é curadora de arte internacional na Tate Modern, em Londres. Tem um interesse especial em práticas curatoriais transdisciplinares e recentemente foi curadora da exposição Electric Dreams: Art and Technology Before the Internet (2024-25), destacando a arte inspirada na inovação científica entre os anos 1950 e o início dos anos 1990; a exposição está atualmente patente no OGR, em Turim, até 10 de maio de 2026. Val ajudou na reorganização completa das exposições da Tate Modern na preparação para a expansão do museu em junho de 2016. Foi curadora assistente da Turbine Hall Commission 2017 da SUPERFLEX e da retrospectiva de Nam June Paik na Tate Modern em 2019, co-curou a exposição gratuita A Year in Art: Australia 1992 (2021-23) e liderou a exposição itinerante da Tate The Dynamic Eye: Beyond Op and Kinetic Art, nas suas versões no Porto (2023) e Istambul (2024). A sua próxima exposição é uma exposição individual de Julio Le Parc, com inauguração na Tate Modern a 11 de junho de 2026. 

aestheticbricolage.wordpress.com

11-02-2026

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