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Novidades

CEDH participa em projeto europeu de promoção do contexto escolar como um ambiente afetivamente seguro

O Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH) integra o projeto europeu LETS CARE, que pretende contribuir para combater o abandono e o insucesso escolar, através da promoção de ambientes escolares afetivamente seguros. O projeto, que conta com 14 instituições parceiras, tem como objetivo investigar e identificar os fatores que afetam as relações de segurança, e que podem levar ao comprometimento do processo de aprendizagem.

Pedro Dias, Lurdes Veríssimo e Alexandra Carneiro e são os investigadores do CEDH responsáveis pelo projeto em Portugal. A equipa portuguesa participou na reunião de arranque do projeto, que teve lugar em Madrid nos dias 20 e 21 de outubro. . Na reunião, Ana Berástegui, da Universidad Pontificia Comillas, apresentou uma comunicação intitulada "Aprendizagem Segura: a vinculação como pedra angular para o sucesso escolar", enfatizando a importância da teoria da vinculação e da segurança afetiva no processo de aprendizagem.

Os investigadores do CEDH explicam que o projeto “tem como objetivo fomentar uma aprendizagem e um ensino seguros, tal como escolas e a educação seguras, pretendendo-se que esta abordagem auxilie na quebra da cadeia de transmissão transgeracional de exclusão educacional e social”. O impacto que se pretende alcançar é a redução das taxas de insucesso escolar, o menor comprometimento do processo de aprendizagem, e consequentemente diminuir o abandono escolar no contexto europeu atual.

Para além da Universidade Católica Portuguesa, integram o projeto a Universidad Pontificia Comillas, a Association ARID, a Cidalia, a Diversity Consultancy, o Panevezio Rajono Švietimo Centras, o Fachhochschule Vorarlberg GmbH, a Zabala Innovation Consulting, o Polo Europeo della Conoscenza, a Fundación Promaestro, a Jesuit University Ignatianum in Krakow, o Time.lex CVBA, a Stichting International Parents Alliance, o Regional Ministry for Education and Employment of Extremadura e o Kino Information Technology Education.

09-11-2022

Católica disponibiliza Cadeiras ODS sobre Ação Climática e Vida Marinha

A Universidade Católica Portuguesa volta a disponibilizar as Cadeiras ODS – Os grandes desafios da Humanidade, no segundo semestre do ano letivo 2022/2023. As disciplinas opcionais irão dedicar-se a dois Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: ao ODS 13 – Ação Climática e ao ODS 14 – Proteger a Vida Marinha. Alunos de licenciaturas de qualquer faculdade da Católica podem inscrever-se para participar.

A Cadeira ODS 13 – Ação Climática será lecionada online, em língua portuguesa, por cinco professores de diferentes faculdades da Universidade Católica, entre 14 de fevereiro e 28 de março. Confere 3 ECTS num total de 18 horas divididas por 6 sessões.

Já a Cadeira ODS 14 – Proteger a Vida Marinha será lecionada em inglês e terá um total de 10 sessões entre 15 de março e 31 de maio, conferindo 5 ECTS.

As Cadeiras ODS – Os grandes desafios da Humanidade pretendem introduzir no curriculum académico dos estudantes de 1.º ciclo disciplinas dedicadas especificamente ao estudo e compreensão de vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Desde o ano letivo de 2021/2022, têm vindo a cobrir o ODS 13 – Ação Climática e o ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes, passando a incluir agora o ODS 14 – Proteger a Vida Marinha.

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas é constituída por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que visam a criação de um modelo global para erradicar a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar, proteger o ambiente e combater as alterações climáticas. 

Para a consciencialização de todos para estes desafios comuns e globais, a Universidade Católica Portuguesa lançou a iniciativa “Cadeiras ODS”, em 2022, no âmbito do seu Plano de Desenvolvimento Estratégico.

08-11-2022

PhD Scholarship - Project BE@T

07-11-2022

Católica no Porto: Finalistas de Mestrado 2021/22 recebem bênção dos diplomas

Parabéns aos novos mestres da Universidade Católica no Porto! O ambiente que se viveu na cerimónia de bênção e entrega de diplomas foi de muito orgulho, de celebração e já de alguma nostalgia. A plateia do Auditório Ilídio Pinho encheu-se de diplomados, e respetivas famílias, dos diferentes cursos de mestrado da Católica e em todos há um verdadeiro sentimento de pertença e um imenso orgulho pela missão que agora se cumpriu: “Sou mestre pela Universidade Católica e não podia estar mais feliz!”.

Isabel Braga da Cruz, presidente da Universidade Católica no Porto, começou por felicitar todos os novos mestres pelo “percurso de sucesso” e por serem “grandes profissionais” e “cidadãos responsáveis”. A presidente da Católica no Porto garantiu, também, que as “portas estarão sempre abertas” e que a universidade “se revê em cada um dos seus estudantes e que acredita também que cada um deles manterá com ela um sentimento de pertença.” “Cá estaremos, como retaguarda ou como ponto de partida para cada nova caminhada que se venha a desenhar”, concluiu.

Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, desafiou todos os novos mestres a serem “verdadeiros protagonistas”. Mas o que é ser protagonista? “É fazer a boa luta. É ser-se mobilizador, abrindo caminho de forma combativa e inovadora.” A reitora terminou a sua intervenção com o famoso “Live long and prosper”.

A cerimónia contou com a intervenção da mestre em Enfermagem Mariana Magalhães, em representação de todos os diplomados, e de José Pedro Azevedo, capelão da Católica no Porto. Estiveram, também, presentes no evento os diretores e docentes de todas as faculdades: Católica Porto Business SchoolEscola das ArtesEscola Superior de BiotecnologiaFaculdade de Direito da Escola do PortoFaculdade de Educação e PsicologiaFaculdade de TeologiaInstituto de Ciências da Saúde (Porto)/Escola de Enfermagem no Porto - da Universidade Católica no Porto.

Para além da entrega dos diplomas, durante a cerimónia foram atribuídos os prémios de mérito das faculdades e das instituições parceiras (Caixa Geral de Depósitos; Cerejeira Namora, Marinho Falcão; Garrigues; e Venerável Ordem Terceira de S. Francisco) e houve, ainda, um momento musical protagonizado por um Duo de Saxofones, constituído por Isabel Anjo e Rosa Oliveira, que interpretou o Cinema Paradiso de Enio Morricone.

 

07-11-2022

Católica junta-se a consórcio Iberian FoodTec Lab

A Universidade Católica Portuguesa é um dos parceiros promotores do Iberian FoodTec Lab (IFL), um laboratório ibérico na área alimentar. Isabel Capeloa Gil, Reitora da UCP, participou na assinatura do memorando de entendimento para a criação do IFL, no dia 4 de novembro, em Braga.

“Em tempo de emergência, a ciência irá melhorar a qualidade dos sistemas alimentares e contribuir para um mundo mais sustentável,” salienta Isabel Capeloa Gil.

O IFL visa promover iniciativas de investigação multidisciplinar, elaborar diagnósticos sobre a situação alimentar em Portugal e Espanha, contribuir para o desenvolvimento e implementação das políticas públicas, favorecer o intercâmbio de experiências e a colaboração entre instituições académicas, empresas e organismos internacionais, e promover uma alimentação sustentável equitativa e saudável.

O memorando de entendimento para a criação do Laboratório foi assinado pelo primeiro-ministro, António Costa, e pelo presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, no âmbito da 33.ª Cimeira Luso-Espanhola. A cerimónia de assinatura contou com a presença das ministras da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior de Portugal e Espanha, Elvira Fortunato e Diana Morant, da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e da secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira.

Para além da Universidade Católica Portuguesa, o consórcio junta o Instituto Politécnico de Bragança, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, a Universidade de Vigo, a Universidade de Salamanca, a Universidade de Valladolid, a Universidade do Minho, a Universidade do Porto, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e o Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

07-11-2022

Católica Porto Business School lança novo double degree com a NEOMA Business School

Dois anos, dois países, dois diplomas de mestrado. A Católica Porto Business School, em parceria com a NEOMA Business School, está a lançar um novo mestrado internacional em double degree. Em Portugal os estudantes podem escolher um de quatro programas de Mestrado - Marketing, Economia Empresarial, Gestão e Finanças – e em França podem optar por uma de dez especializações do Mestrado em Gestão.

Ter a oportunidade de frequentar um mestrado em duas escolas de gestão internacionais, acreditadas, tem de ser visto como um momento único de exposição internacional pelos estudantes,” salienta Gonçalo Faria, diretor do 2º Ciclo da Católica Porto Business School, acrescentando que “com esta nova parceria estamos a consolidar a estratégia de internacionalização da Católica Porto Business School.” De realçar que “passamos agora a ter quatro programas de mestrado em double degree: um com a Corvinus University of Budapest, um com a Lancaster University Management School, um com a Aston Business School, e agora com a NEOMA Business School,” conclui.

Na Católica Porto Business School os estudantes vão poder escolher um de quatro mestrados - Marketing, Economia Empresarial, Gestão e Finanças – e na NEOMA Business School podem optar por uma de dez especializações do Mestrado em Gestão: Marketing Internacional e Gestão de Marcas; Especialização Digital para o Marketing; Vinho & Gastronomia; Desenvolvimento de Negócios Internacionais; Finanças Empresariais; Mercados e Tecnologias Financeiras; Desenvolvimento de Projectos Internacionais; Empreendedorismo e Inovação; Gestão da cadeia de abastecimento; Gestão Global. No primeiro ano os estudantes frequentam o mestrado na Católica Porto Business School e, no segundo ano, viajam para um dos campus da NEOMA Business School.

Esta é mais uma oportunidade para os estudantes adquirirem experiência académica internacional em duas escolas de gestão de referência a nível internacional. A Católica Porto Business School faz parte de um grupo muito restrito, a nível mundial, de 1,5% de escolas triplamente acreditadas pela EQUIS, AMBA e AACSB.  A NEOMA Business School, fundada em 1871, é uma escola de gestão inovadora com campus em três cidades francesas: Reims, Rouen e Paris.

Este duplo mestrado tem um número limitado de vagas e os candidatos devem possuir um excelente currículo académico e científico para ter acesso a este programa.

03-11-2022

Pedro Alves: “O cinema é uma janela sobre tudo aquilo que ainda não descobrimos sobre nós mesmos.”

Pedro Alves é docente e investigador da Escola das Artes. Foi alumno de Som e Imagem e é, atualmente, coordenador da Licenciatura em Cinema: “Foi um privilégio ter feito parte da equipa que pensou os cursos de Cinema da Escola das Artes.” O cruzamento entre o cinema e a educação é o seu grande interesse de investigação, porque “o cinema tem o poder de ampliar as nossas possibilidades de experiências.” As séries podem ser consideradas cinema? Qual o poder do cinema na promoção de um mundo mais sustentável? Qual o desafio de se ser professor na área das artes? Descobrimos tudo nesta entrevista.

 

O que é que um bom filme tem de ter?

Em primeiro lugar tem de ter espetadores (risos). Convém que haja quem os veja, até porque um filme só se completa quando é visto e quanto mais é visto mais ele se renova nos significados que proporciona. Muita da evolução que o cinema foi tendo prende-se, precisamente, com o questionar dos cânones mais clássicos sobre como é que um filme deve ser feito: as regras de composição, de edição e de montagem, a linearidade narrativa, entre outros. Por exemplo, Jean-Luc Godard veio questionar e revolucionar tudo isso. Um bom filme traz alguma coisa de fresco, de novo e não se limita a reciclar de alguma forma coisas que já foram feitas ou que já estão comprovadas que interessam a um grande público. Bom cinema é aquele que, primeiramente, nos impacta e desperta algum sentido em nós, fazendo-nos pensar e refletir sobre alguma coisa de diferente e de distinto. E pode ser um simples pormenor.

 

O que é que distingue o cinema de outras formas de arte?

As diferentes formas de arte não se substituem, mas complementam-se. Quanto mais estivermos abertos ao contacto com diferentes formas artísticas, melhor. Mas, claro, que enquanto professor e investigador desta área, há algo que me interessa mais no cinema do que noutras artes. Talvez seja a forma como o cinema nasce e o que representa. O cinema de certa forma é uma súmula de muitas outras formas de arte. Temos arquitetura, temos pintura, temos fotografia, temos som. Tudo isto em movimento. É um campo de congregação de muitas formas de expressão, mas com uma singularidade muito própria.

 

É alumno da Licenciatura em Som e Imagem da Escola das Artes.

Vim para a Católica com esta ideia de querer explorar várias áreas. Tal como atualmente, o curso de Som e Imagem era de banda larga e isso abria muitas oportunidades. Foi-me muito útil contactar com diferentes áreas e com professores e trabalhos diferentes. No fundo, os estudantes de Som e Imagem são impactados por áreas tão diversas como o vídeo, a música, a animação, as artes digitais, etc. Isto permitiu-me criar uma rede de contactos e de conhecimentos muito úteis para os próximos passos profissionais.

 

“Queremos alicerçar o trabalho dos alunos através da convocação de artistas, realizadores e profissionais.”

 

Esteve em Madrid a fazer o doutoramento. Em que consistiu o seu projeto de doutoramento?

O doutoramento foi sobre a área que ainda hoje me interessa mais como investigador que é o cruzamento do cinema com a educação. O que é que aprendemos com os filmes? O que é que retiramos deles? Qualquer investigação parte de uma intuição e eu já tinha esta intuição de partida de que qualquer filme nos abre a novas aprendizagens a partir da experiência de novas histórias, mundos, vidas e personagens. Na melhor das hipóteses iremos viver 100 anos e esse tempo não será suficiente para conhecermos tudo. O cinema vem ampliar as nossas possibilidades de experiências. Foi isto que eu procurei estudar não só do ponto de vista teórico, mas também empírico. Recolhi respostas de cerca de 850 portugueses e espanhóis sobre as aprendizagens retiradas a partir do cinema e os resultados foram muito positivos. A grande maioria reconheceu, efetivamente, aprendizagens informais a partir do cinema.

 

Fez parte da equipa que lançou de raiz os novos cursos de Cinema na Escola das Artes.

Foi um privilégio ter feito parte deste conjunto de pessoas que pensaram os cursos de Cinema da Escola das Artes. Apostámos, à imagem de outros cursos da Escola, num modelo de ensino que consiste no desenvolvimento de projetos, na certeza de que o saber teórico deve ser trabalhado e convocado através da prática. O Cinema na Escola das Artes foi construído com base nesta filosofia de trabalho que, realmente, marca a diferença. É isto que nos distingue de outros cursos de Cinema. Para além disso, queremos alicerçar o trabalho dos alunos através da convocação de artistas, realizadores e profissionais externos. Os nossos estudantes têm, assim, a oportunidade de contactarem com alguns dos principais nomes do cinema em Portugal, alguns deles com considerável projeção também internacional. Os nossos estudantes são constantemente convidados a assimilar, observar e discutir novas ideias e perspetivas.

 

Quais são as principais preocupações que têm no ensino do Cinema?

É importante dar a compreender que tipo de cinema se faz em Portugal, na Europa e no Mundo. Como é que se faz cinema? Que realidades há? Com que meios se faz? Com que resultados e para que públicos? Para que circuitos? Muitos alunos chegam à licenciatura, naturalmente, com ideias de fazer grandes séries e filmes de super-heróis. É importante sonhar e ter objetivos, mas também é importante apresentarmos todas as possibilidades e dar-lhes outras perspetivas, porque o cinema nunca é só aquilo que eles conhecem. Dar-lhes a conhecer outras hipóteses é muito importante, mesmo aquelas que poderão não agradar no imediato, como é o caso do cinema experimental ou do cinema de autor. Mas a função da universidade é essa mesmo. Queremos proporcionar conhecimento e mostrar diferentes caminhos para que depois cada um, com as suas ferramentas, possa decidir em consciência qual a direção para a sua identidade enquanto artista, autor e profissional.

 

“O cinema não é apenas um instrumento de experiência, mas, também, um instrumento de expressão.”

 

Qual é o maior desafio de se ser professor?

Não há uma fórmula correta de fazer as coisas. Este é o grande desafio. Se houvesse uma forma certa de ensinar, então seria bem mais fácil. Há diferentes metodologias que devem atender à diversidade de estudantes que nos chegam todos os anos.  Enquanto professor, tenho de ser capaz de acolher e ensinar cada aluno na sua diferença e sempre tendo em conta as suas necessidades. As artes não são uma ciência exata e por isso o desafio é acrescido. O exercício de descoberta é um exercício de desenvolvimento interior, mas, também, de abertura ao mundo. No ensino artístico, os professores devem ter uma grande liberdade e variedade nas abordagens, metodologias e referências.

 

O que é que as novas gerações trazem de diferente?

Tudo de bom, porque nos trazem referências novas importantes para o nosso trabalho. Longe de mim pensar há dez anos que hoje devo estar atento ao que, também, se passa no TikTok, por exemplo. Nós vamos acompanhando tudo aquilo que as novas gerações convocam: os seus hábitos, os seus interesses, a forma como veem o mundo. Para além disto, cada estudante é diferente e temos de lidar com cada um de forma única. Há um lado interpessoal que é sempre convocado com cada nova geração. É nesta relação que somos contagiados pelas novidades que trazem.

 

Cinema e Sustentabilidade: que preocupações tem com este tema?

Há uma discussão atual grande sobre as questões de sustentabilidade na produção cinematográfica. Começam a surgir mais preocupações relativas aos processos de produção, nas suas diversas fases, para que sejam mais sustentáveis. Depois há, também, uma ideia de sustentabilidade que tem a ver com a própria economia do cinema, ao nível dos apoios, dos subsídios, da forma como são atribuídos e de que maneira se conseguem diversificar as fontes de financiamento. Mas para mim, confesso, que aquilo que mais me interessa é a sustentabilidade do ponto de vista da educação. Como é que podemos promover a sustentabilidade das comunidades através do cinema? Isto é, o cinema enquanto instrumento de intervenção social e cultural. O cinema não é apenas um instrumento de experiência, mas, também, um instrumento de expressão. O cinema pode ser um instrumento de sustentabilidade para muitas escolas e regiões. Em 2018, em conjunto com a professora Ana Sofia Pereira, desenvolvemos um projeto numa escola secundária que consistia no uso do cinema para combater o abandono escolar e os resultados foram muito positivos. Está também em curso um novo projeto que tem como objetivo criar recursos digitais que possam fazer chegar o cinema a mais escolas por todo o país, independentemente da sua área geográfica. Isto ajuda à sustentabilidade cultural de diferentes regiões.

 

“Tenho um carinho grande pelo Manoel de Oliveira até porque tive oportunidade de trabalhar com ele num dos últimos filmes que ele fez.”

 

Um profissional da área do cinema consegue ver um filme apenas e só como espetador?

Consigo distinguir os momentos em que vejo filmes por motivos de trabalho e aqueles momentos em que sou apenas espetador. Mas, claro, há sempre um olhar crítico, que, aliás, deve existir em todos os espetadores. É muito importante sermos críticos relativamente àquilo que vemos. Não acho que o olhar crítico destrua a capacidade de fruição, bem pelo contrário: alimenta ainda mais o prazer pelo que estamos a ver, na medida em que nos vai levar a apreciar ainda mais todos os aspetos e elementos que compõem o filme. Não só experimentamos, como também compreendemos o impacto que o filme tem em nós.

 

Uma série pode ser considerada cinema?

Isso é uma outra grande discussão (risos). Diria que cinema não é, mas sim que o êxito atual das séries passa por uma evidente contaminação do cinema. Se olharmos para a forma como as séries são hoje feitas, vemos que há um cuidado acrescido com a realização, com a direção de fotografia, com a direção do som, etc. E antes não havia. As séries começaram a ter maior preocupação em utilizar uma linguagem mais cinematográfica. Portanto, há uma contaminação positiva. Mas as séries não são cinema, da mesma forma que o cinema não são séries, ainda que comecem a aparecer produtos que já se posicionam nos dois campos. E mais uma vez refiro que a lógica não é de substituição, mas de complementaridade. Oxalá se consiga alargar o espectro do número de espetadores e suscitar interesse por produtos audiovisuais variados.

 

“O cinema aproxima-nos daquilo que nunca ninguém imaginou.”

 

Algum género de cinema preferido?

Desde miúdo que tenho uma paixão por filmes de terror e do género thriller. Mas, enquanto professor desta área, tenho adquirido imensas referências diferentes e, por isso, hoje gosto de ver praticamente todo o tipo de cinema.

 

Algum filme português que o tenha marcado particularmente?

Tenho um carinho grande pelo Manoel de Oliveira, até porque tive oportunidade de trabalhar com ele num dos últimos filmes que ele fez. Gosto muito do filme Non, ou a Vã Glória de Mandar. Vi este filme enquanto aluno na universidade e marcou-me muito porque me levou a pensar sobre a identidade portuguesa, a história de Portugal, quais os seus traumas e resquícios.

 

Porque é que o cinema faz falta?

Porque tem o poder de impactar pessoas e comunidades. O cinema faz-nos descobrir não só tudo aquilo que a vida pode ser, mas, também, aquilo que somos. O cinema aproxima-nos do outro. Aproxima-nos daquilo que é estranho e daquilo que está distante. O cinema aproxima-nos daquilo que nunca ninguém imaginou. O cinema é uma janela sobre tudo aquilo que ainda não descobrimos sobre nós mesmos. Nós precisamos disso, porque quanto mais nos contraímos, menor é a probabilidade de concretizarmos todo o potencial que existe em nós.

 

 

03-11-2022

Estudante de Direito com a média mais alta das licenciaturas da Católica no Porto recebe Prémio S. Francisco de Assis

 

Na Cerimónia de Bênção e Entrega de Diplomas dos Graduados das Licenciaturas do ano letivo de 21/22, Diana Camões foi premiada com o Prémio S. Francisco de Assis (atribuído ao estudante com a média mais elevada de todas as licenciaturas da Universidade Católica do Centro Regional do Porto) e, também, com o Prémio Francisco Carvalho Guerra (atribuído ao estudante com a média mais alta da Licenciatura em Direito).

Conversamos com a estudante de Mestrado em Direito Internacional e Europeu sobre este importante marco na sua vida pessoal e académica:

Qual era a sua rotina de estudo ao longo da licenciatura?
Uma boa rotina de estudo passará necessariamente pela conjugação de três fatores. Desde logo, ir às Aulas. Este é o primeiro passo essencial, pois além de nos permitir perceber a matéria, dá-nos a oportunidade de esclarecer todas as dúvidas. No final de cada dia, procurava estudar o assunto discutido em aula, complementando os meus apontamentos com a consulta dos Manuais. Muitas vezes, no nosso curso, poderá haver a perceção (e, a meu ver, errada) de que bastará estudar por resumos que circulam entre alunos. Nada pode dispensar a leitura da Doutrina. Isto é ainda mais evidente em cadeiras com doutrina muito dispersa (por exemplo, Direito das Obrigações) onde não é, de todo, suficiente estudar por apenas um único livro. Assim, ao longo da Licenciatura, foi essencial manter um estudo contínuo, de forma a não acumular a matéria. Por último, e tendo em conta que a Faculdade nos dá essa oportunidade, considero essencial realizar as Avaliações Contínuas, pois isso permite-nos ter sempre os conteúdos em dia e preparar para os Exames Finais.

Este prémio é fruto de muito esforço. De que forma é que conseguiu equilibrar o estudo com as outras vertentes da sua vida?
O segredo está na organização. Eu sempre fui muito metódica, adoro cumprir prazos e não consigo deixar tudo para a última (fugindo um pouco à típica mentalidade portuguesa). Claro que, ao longo do semestre, isso nem sempre é possível, devido às avaliações que temos. Em determinadas circunstâncias, foi difícil conciliar com a minha atividade política. Perdi a conta às semanas que me obrigavam a chegar a casa muito tarde devido às constantes reuniões (muitas vezes noutros distritos do país). Nesse aspeto, as aulas online foram essenciais para conseguir estar em vários sítios ao mesmo tempo. Lembro-me perfeitamente de ter assistido à última aula antes do teste de Processo Executivo e dos Recursos no Alfa, apesar da ligação wifi bastante rudimentar. Por outro lado, o sucesso académico implica, necessariamente, um equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional, sabendo reconhecer as nossas limitações. Por isso, procuro preencher os meus tempos livres com tudo o que não tenha a ver com a faculdade. Essa será sempre a chave para bons resultados.

É possível ser um estudante dedicado e usufruir de todas as diferentes esferas da vida universitária?
Quando entrei no ensino superior, o meu objetivo sempre foi estudar e aprender mais. Não considero, no entanto, que isso seja incompatível com as outras vertentes da vida universitária. Tudo depende dos objetivos de cada um e das prioridades que sejam estabelecidas. Além do estudo propriamente dito, procurei participar ativamente nos grupos académicos com os quais me identifiquei. Por essa razão, fiz parte da Direção da Sociedade de Debates durante dois anos e fui Mentora Fundadora do Projeto de Mentoria da FDUCP. Este último foi o que mais gozo me deu. Desde 2020, tive a oportunidade de contribuir para a melhoria do rendimento académico dos estudantes inscritos, através do sucessivo esclarecimento de dúvidas e partilha de conhecimento. Dei o meu contributo e, por isso, com o sentimento de missão cumprida considero ser o momento certo para sair deste Projeto e abraçar novos desafios. Brevemente, iniciarei a minha Colaboração no Observatório de Aplicação do Direito da Concorrência, enquanto Colaboradora Júnior, o que me deixa muito entusiasmada.

Que planos tem para o seu futuro académico?
Recentemente, venci o Concurso Call for Papers - Direito do Consumo, organizado pelo CNED em parceria com o NOVA Consumer Lab e JurisNova. O Prémio consistirá na publicação do meu primeiro artigo científico (“Dados Pessoais como contraprestação no Direito do Consumo: Análise do Facebook à luz do novo regime legal”) no Anuário do NOVA Consumer Lab, o que será um grande orgulho para mim. Neste momento, encontro-me a realizar o Mestrado em Direito Internacional e Europeu. Simultaneamente, estou a fazer uma Pós-Graduação Avançada em Direito da Proteção de Dados, no Centro de Investigação de Direito Privado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, pois pretendo ser consultora nesta área. Adicionalmente, pretendo seguir a carreira académica, pelo que iniciarei o Doutoramento imediatamente após concluir o Mestrado.

Que memórias leva destes quatro anos de curso?
O meu sonho sempre foi estudar Direito e, nestes últimos 4 anos, almejei muito mais do que alguma vez poderia imaginar e desejar. Ainda antes de terminar o ensino secundário, sabia que só poderia estudar na melhor Faculdade de Direito do país: a Católica do Porto. Guardo alguns amigos para a vida, que estiveram comigo nos momentos de alegria, mas também nos momentos mais difíceis do curso. Os seres humanos distinguem-se por aquilo que conseguem deixar nos outros. Guardarei na minha memória alguns professores desta casa pelo apoio, pelos valores transmitidos, pelo incentivo à investigação e pelos desafios que me colocaram. Neste percurso superei-me a mim própria várias vezes e acho que deve ser isso que deve nortear a vida de um Estudante.

A Cerimónia de Bênção e Entrega dos Diplomas de Mestrados realizou-se no dia 4 de novembro de 2022, no Auditório Ilídio Pinho.

03-11-2022

Católica recebe Menção Honrosa no III Simpósio Global Uniservitate

 

A Universidade Católica Portuguesa recebeu uma menção honrosa pelo projeto Capacitar para Proteger no III Simpósio Global Uniservitate, que decorreu em Roma entre 27 e 28 de outubro.

O projeto Capacitar para Proteger da Escola de Enfermagem, em Lisboa, do Instituto de Ciências da Saúde pretende desenvolver competências nos estudantes, no âmbito da promoção da literacia em saúde em vários contextos na comunidade. A iniciativa integra o projeto CApS: Universidade Católica e Aprendizagem-Serviço: Inovação e Responsabilidade Social, que arrancou em janeiro de 2020, envolvendo os quatro campi da Universidade.

Para Rita Paiva e Pona, coordenadora do Gabinete de Responsabilidade Social da Católica, “esta distinção traduz o empenho e a dedicação de todos os docentes, estudantes e colaboradores da Universidade envolvidos no objetivo comum de institucionalizar a metodologia Aprendizagem-Serviço na UCP e disseminá-la por todo o país.”

O III Simpósio Global Uniservitate reuniu mais de 30 instituições de ensino superior de 26 países dos 5 continentes, para refletir acerca do Pacto Educativo Global proposto pelo Papa Francisco. O evento dedicou-se especialmente ao tema da Aprendizagem-Serviço, uma metodologia de ensino que coloca a educação ao serviço da fraternidade e da comunidade. Participaram neste simpósio representes dos docentes e estudantes premiados, bem como docentes e colaboradores dos quatro campi da UCP envolvidos no projeto CApS.

Um ano após a UCP ter organizado o II Simpósio Global Uniservitate, a Reitora da Católica, Isabel Capeloa Gil, participou na abertura deste evento global. “Quando o Papa Francisco exige que trabalhemos em termos concretos e viáveis para oferecer uma educação de qualidade, precisamos de olhar para a realidade das nossas comunidades, e usar a perícia e o conhecimento produzido nas universidades para melhorar as suas condições de vida”, afirmou Isabel Capeloa Gil.

“Aprendizagem-Serviço é educação com um propósito que encoraja tanto as comunidades como os estudantes num esforço para materializar uma ideia de educação como ação e capacitação. Este é o sentido da verdadeira educação integral que liga a mente, o coração e a mão, num esforço para contribuir para sociedades justas e mais equitativas”, acrescentou a Reitora da UCP e Presidente da Federação Internacional de Universidades Católicas.

Ainda na abertura do simpósio, o Cardeal D. Tolentino Mendonça recordou as palavras do Papa Francisco sobre este propósito comum: “o objetivo principal do Pacto Educativo Global é educar todos para uma vida mais fraternal baseada não apenas na competitividade, mas também na solidariedade.”

Durante dois dias de simpósio, foram discutidos e apresentados vários projetos em resposta ao apelo do Papa Francisco. As melhores propostas foram distinguidas com o Uniservitate Award 2022, um prémio que reconhece a qualidade das práticas de Aprendizagem-Serviço levadas a cabo por Instituições de Ensino Superior Católicas.
 


Fotografia: CLAYSS

 

02-11-2022

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