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Novidades

Católica Porto Business School integra projeto da Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos

A parceria entre as duas instituições surge através do CEGEA – Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da Católica Porto Business School. O acordo foi anunciado no final de janeiro, numa sessão pública que contou com a presença do diretor executivo do CEGEA, Vasco Rodrigues. “Nesta fase inicial, o projeto implica a realização de dois boletins semestrais de conjuntura, até ao final de 2024, com uma edição já em março e outra em setembro”, começa por referir.

A tomada de decisão é um tema cada vez mais premente em gestão, pelo crescente volume de dados disponíveis e pela importância que tem de ser dada ao seu tratamento. “O CEGEA vem dar à Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos (APIP) consultoria numa área cuja relevância é inegável, o domínio da informação de apoio à decisão”, explica Vasco Rodrigues.

Para o diretor executivo do CEGEA, há dois objetivos neste projeto: “primeiro, permite que a direção da APIP tenha uma perceção mais objetiva sobre a situação da sua indústria, bem como uma atuação mais fundamentada. Segundo, o boletim proporciona às próprias empresas do setor dos plásticos informação atualizada, muito útil para a definição das suas estratégias”.

O documento semestral vai incluir informação sobre a evolução da situação das empresas, obtida por inquérito, em temas como a produção, os preços, o emprego e as principais dificuldades enfrentadas. Para além do mercado interno, Vasco Rodrigues salienta que “também vai ser incluída informação estatística sobre o comércio externo de plástico, recolhida junto do Eurostat”.

O projeto com a APIP está a ser desenvolvido pelo próprio Vasco Rodrigues e por Filipa Cunha Mota, também investigadora do CEGEA. “Isto vem no seguimento do trabalho que desenvolvemos há vários anos, em questões ligadas à tomada de decisão, em setores nucleares da indústria portuguesa como o calçado, com a APPICCAPS (Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos), e a cortiça, com a APCOR (Associação Portuguesa da Cortiça)”.

19-02-2024

Católica in Porto Hosts Sustainable Welcome Event for International Mobility Students

15-02-2024

Alumna da Escola de Enfermagem sagra-se vice-campeã de Atletismo Universitário em Pista Coberta

Bárbara Medeiros, alumna da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem – Escola de Enfermagem da Universidade Católica no Porto, conquistou o segundo lugar do pódio em atletismo universitário (pista coberta de 400 metros),

 “O título deste ano foi muito gratificante para mim, todos são, mas este em especial”, explica Bárbara Medeiros. “Foi o último semestre da minha Licenciatura em Enfermagem, que coincidiu com o estágio mais exigente do curso, o que tornou a minha vida atlética mais complicada. Mas mesmo assim, fui capaz de ser vice-campeã nacional universitária. Soube-me a vitória.”

Bárbara Medeiros representou a Universidade Católica no Porto no Campeonato Nacional Universitário de Atletismo em Pista coberta na Expocentro de Pombal, entre 3 e 4 de fevereiro.

Sobre a conciliação entre a sua formação e o sonho de ser atleta de alta competição, a alumna sublinha que “ajudou bastante toda a ajuda da universidade e dos professores, perante o meu estatuto de Estudante-Atleta”. Sobre o próximo passo? “Tenho o sonho de ir aos Jogos Olímpicos e tenciono alcançá-lo, nunca esquecendo a enfermagem, que é uma profissão que me diz muito.”

15-02-2024

Freni Tavaria: “A Microbiologia está em todo o lado e a grande maioria dos microrganismos tem um impacto muito positivo na nossa vida.”

Freni Tavaria é docente e investigadora da Escola Superior de Biotecnologia. É coordenadora da licenciatura em Microbiologia, única em Portugal. Nasceu em Moçambique e veio para Portugal aos 13 anos. Estudou na Universidade de Coimbra e nos Estados Unidos. Quando chegou ao Porto para integrar um projeto de investigação da ESB soube que era aqui que queria ficar. E assim foi. Para si, a Microbiologia é uma paixão e uma missão. Como explica, “vivemos repletos de microrganismos”. Nos tempos livres? Cozinhar!

 

Quais são as suas principais memórias de infância?

É curioso que pergunte isso, porque ainda esta noite sonhei com as praias de Moçambique. Foi em Moçambique que eu nasci. Aquelas praias do oceano Índico com a água sempre quente. Ficávamos na água a manhã toda…

 

Apesar de ter nascido em Moçambique, a sua família tem origens na Índia …

Os meus avós (tanto maternos como os paternos) eram indianos, mas acabaram por emigrar para Moçambique. Já a família do lado da minha mãe emigrou para a África do Sul. Está explicado o segredo do meu nome …

 

Freni é um nome indiano?

Não. O nome tem origem persa, porque a minha família tem ascendência persa.

 

De que forma é que estas culturas tão diferentes a influenciaram?

Em Moçambique, vivíamos numa comunidade muito heterogénea. Muitas raças e religiões. Cresci nesta diversidade. Éramos muito abertos e tínhamos a liberdade de nos darmos com toda a gente. Acho que tudo isto me deu uma grande capacidade de adaptação e de estar bem em qualquer lugar. Tenho uma facilidade grande em me sentir em casa em qualquer sítio. Muito naturalmente, faço do lugar onde estou a minha casa.

 

Quando é que vem para Portugal?

Eu tinha 13 anos quando vim para Portugal. Fomos para Sintra. Viemos para Portugal quando houve a independência. Nessa altura, os meus pais ainda chegaram a equacionar irmos para a Índia, mas culturalmente nós eramos portugueses, ainda que nunca tivéssemos estado em Portugal, nem tivéssemos família cá.

 

“É muito difícil desconectarmo-nos da Microbiologia.”

 

É bióloga de formação. Quando é que decidiu que queria estudar Biologia?

Eu era uma miúda muito curiosa. Quando chegou a altura de escolher, eu achei que não havia nada tão fascinante como estudar a Vida. Fui para a Universidade de Coimbra, onde estive dois anos, mas depois fui para o Texas, nos Estados Unidos, para continuar a licenciatura.

 

O que é que foi mais marcante nessa experiência?

Foi nos Estados Unidos que descobri a Microbiologia, o que viria a marcar a minha vida para sempre. As propinas nos EUA são elevadíssimas e, por isso, quis logo ir trabalhar. Arranjei trabalho, por mera coincidência, num laboratório de Microbiologia. Foi aí que começou a história da Microbiologia na minha vida. Foi uma paixão. Eu gostava muito do trabalho de laboratório. Quando comecei, a minha tarefa era lavar a louça e preparar os laboratórios para as aulas. Com o tempo, fui ganhando cada vez mais responsabilidades. Sentia que aquilo me dava muita autonomia e fui sendo incluída em vários projetos de investigação. Quando acabei a licenciatura, o meu orientador no laboratório propôs-me fazer mestrado naquele laboratório. E quando terminei o mestrado, recebi o mesmo convite para fazer o doutoramento, mas nessa altura já estava há demasiados anos fora de Portugal e quis regressar.

 

É quando regressa a Portugal que vem para a Católica?

Sim. Quando regressei a Portugal, lancei-me a responder a alguns anúncios do jornal. Foi nessa fase que vi um anúncio para um projeto de 15 meses sobre queijo da Serra, na Escola Superior de Biotecnologia. Depois de estar no Porto uma semana, disse à minha família que nunca mais ia voltar. Eu nunca cá tinha estado, mas sentia que já cá tinha estado. Era-me tudo muito familiar.

 

Os 15 meses transformaram-se numa vida toda…

Precisamente, nunca mais quis sair daqui. Ao fim dos 15 meses do projeto, o professor responsável pelo laboratório acabou por sugerir que eu fizesse o doutoramento e candidatei-me a uma bolsa que ganhei. O doutoramento foi feito na área da Microbiologia Alimentar e, ao mesmo tempo, também já dava aulas.

 

Nesse tempo, já existia a licenciatura em Microbiologia?

Estava nos primórdios. Cheguei à Católica em 1995 e a licenciatura surgiu em 1992. Acompanhei praticamente desde o início. Atualmente, continua, também, a ser a única licenciatura em Microbiologia no país.

 

Porque é que a Microbiologia é importante?

A Microbiologia tem esta particularidade de ser muito transversal. Abarca todas as áreas da nossa vida: alimentação, saúde, ambiente. É muito difícil desconectarmo-nos da Microbiologia, porque, no nosso dia-a-dia, a Microbiologia está em todo o lado. Não nos conseguimos libertar dela.

 

“Os estudantes de Microbiologia estão muito vocacionados para estar em laboratório.”

 

Mas fazemos sempre uma associação maioritariamente negativa relativamente aos microrganismos…

Sim, erradamente. Só cerca de 10% dos microrganismos têm impacto patogénico negativo. Todos os outros são benéficos. A grande maioria, de facto, dos microrganismos que nós usamos são bons e nós usamo-los para nosso proveito. Nós temos microrganismos a trabalhar para nós: para fazer pão, cerveja, vinho, iogurtes. São, também, os microrganismos que têm um papel fundamental na prevenção de muitas doenças. São eles que equilibram os vários ecossistemas/microbiomas.

 

Porque é que a Católica aposta nesta área? 

A Católica tem como missão gerar impacto na sociedade. Queremos ter esse impacto positivo. A Microbiologia é realmente uma área de elevado impacto. Isto justifica a aposta nesta área e a sua relevância. Com a informação e know how que há hoje e com o avanço da genética, a Microbiologia é um mundo por si só e há muito para explorar.

 

A licenciatura tem uma componente muito prática?

O curso de Microbiologia é extremamente prático. Os estudantes de Microbiologia estão muito vocacionados para estar em laboratório. Provocamos nos estudantes a constante vontade e curiosidade de estarem no laboratório a investigar, desde o primeiro ano da licenciatura. Não descobrimos a pólvora todos os dias (risos), mas todos os dias aproximamo-nos um bocadinho mais. Estimulamos os estudantes a terem esta vontade de serem uma gota – imprescindível! – no meio do oceano.

 

Que características é que são importantes para um investigador na área da Microbiologia?

Um bom investigador tem de ser curioso, meticuloso e resiliente. Não se pode deixar abater quando não há resultados, até porque a falta de resultados também é um resultado e faz parte do processo de aprendizagem.

 

E o processo de aprendizagem requer tempo …

Sem dúvida, e tempo é aquilo que, hoje em dia, temos pouco. A vida corre a um ritmo demasiado acelerado. Um professor tem de saber parar para perceber o tempo dos seus alunos. Ninguém aprende com pressa. Para se absorver e interiorizar o conhecimento é preciso tempo.

 

Qual é a melhor parte de se ser professora?

Ensinar é muito gratificante. Não há nada como ver os alunos crescer e a atingirem os seus sonhos.

 

“Quem não tem confiança no seu trabalho nunca vai conseguir persistir.”

 

Sempre quis dar aulas?

Ser professora acompanha-me desde que comecei a trabalhar no laboratório. É uma dimensão que não desligo da investigação. Aliás, contrariamente ao que se pensa, um bom investigador é um bom comunicador. Um bom investigador tem vontade de comunicar conhecimento. Para que serve um investigador que guarda para si a informação? Para nada. Desde cedo que dou aulas, porque sempre foi um prolongamento natural daquilo que faço em laboratório.

 

Enquanto investigadora, como é que gere a frustração de nem sempre atingir os resultados que queria?

Durante o meu doutoramento, estive anos a fazer a mesma coisa, sem ter resultados. A verdade é que nunca me senti abatida. Sou uma otimista por natureza, confesso. Mas até diria que a falta de resultados pode ser muito motivadora... Quanto menos resultados tenho, mais vontade tinha de os atingir e de trabalhar por eles. No fundo, eu sei que o resultado está ali. Simplesmente, ainda não cheguei lá. É aqui que entra a resiliência que falámos há pouco. A resiliência é a capacidade de continuar a trabalhar mesmo sem resultados.

 

A resiliência trabalha-se?

Claro que sim. Trabalha-se, dando confiança. Porque quem não tem confiança no seu trabalho nunca vai conseguir persistir.

 

O que é que gosta de fazer nos tempos livres?

Gosto de andar a pé na praia, gosto de fazer desporto e de estar com a família e amigos. Gosto muito de cozinhar.

 

A cozinha é um verdadeiro laboratório … Que influências tem a sua cozinha?

A cozinha é um importante laboratório da minha vida (risos). A minha cozinha é fundamentalmente portuguesa, mas também tem influências orientais e indianas. Quando estava nos Estados Unidos, fazia comida chinesa e mexicana. Gosto de variar e de criar.

 

 

15-02-2024

Expurgar Papel: Reconstruindo Narrativas do Colonialismo por Carla Filipe na Escola das Artes

Conhecida pela sua envolvente série de trabalhos intitulada "Mastigar papel mastigado, o desejo de compreender o velho continente para cuspir a sua história", iniciada em 2014 durante sua residência artística na Antuérpia, Carla Filipe apresenta, no dia 16 de fevereiro, na Sala de Exposições da Escola das Artes da Universidade Católica, a sua abordagem distinta com a exposição "Expurgar Papel". Neste novo capítulo, a artista explora as complexidades do colonialismo europeu, utilizando documentação do séc. XVII ao séc. XX adquirida em alfarrabistas e em mercados de segunda mão. Um trabalho que desafia as convenções artísticas, focando-se exclusivamente na colagem como meio expressivo. No mesmo dia, a anteceder a inauguração da exposição, vai realizar-se uma Conferência de Lilia Schwarcz sobre “Imagens da branquitude: a presença da ausência.”

A arte é uma jornada complexa e completa, uma privilegiada forma de provocar reflexão e transformar consciências, um passeio fascinante pela mente e pela história. Expurgar Papel é uma contribuição valiosa para o diálogo crítico sobre a história europeia. Através do minucioso trabalho de Carla Filipe, somos convidados a questionar, refletir e, acima de tudo, a compreender as nuances do passado que continuam a moldar o nosso presente”, indica Nuno Crespo, diretor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa.

Carla Filipe trabalha somente em torno desta documentação, sem recorrer ao desenho ou pintura, usando apenas a colagem enquanto veículo e metodologia percorrendo as linhas ténues entre o respeito e o desrespeito do documento muitas vezes considerado uma “entidade imaculada”. Em resumo, esta exposição será um corte e cose de documentos do séc. XVI até à modernidade.

Na construção destas colagens a imaginação é uma constante, a imaginação que vem na ação de combinação de ideias, manipulação de conteúdos, usando o humor, o drama, a realidade. Todos os elementos usados para as colagens são frágeis, onde tudo é informação, desde os vários tipos de papéis usados, como jornais, notas ou papel de fantasia.
Nesta singular exposição temos igualmente representada a revolução industrial, onde o papel tem outra manufatura, que distingue a sua durabilidade enquanto documento, sendo o elemento mais contemporâneo assim como, a introdução do cabelo, que também é arquivo (ADN).

A inclusão do cabelo relaciona o trabalho com o corpo, que também é um “arquivo”, fazendo ligação ao próprio título “mastigar” e “cuspir”; o acto de mastigar é também um acto de mascar, criando saliva misturada com a matéria sem engolir. É triturar toda a documentação entre os dentes, e cuspir este arquivo sem organização, sem categorias e sem preservação.
Seguindo a mesma ideia de repulsa, temos igualmente o “escarro” devido à inalação do pó desta documentação que acumula e necessitamos de expurgar (para não ficarmos contaminados: limpeza). Como se a artista quisesse adquirir todo a documentação possível e mastigar tudo para um novo início, através de uma ação de repulsa e de libertação transformando toda a matéria que é expulsa da sua boca numa espécie de cola que fica peganhenta na superfície. Tomando assim, consciência de que o arquivo é colonizador.

Esta é a primeira de quatro exposições do ciclo “Não foi Cabral: revendo silêncios e omissões”, um programa em co-curadoria entre Lilia Schwarcz e Nuno Crespo, que contempla uma agenda de concertos, conferências, exposições e performances, que vão decorrer entre 16 de fevereiro e 24 de maio. O ciclo é organizado pela Escola das Artes, em parceria com a Universidade de São Paulo (Brasil) e a Universidade de Princeton (EUA). A exposição de Carla Filipe estará patente ao público entre 16 de fevereiro e 15 de março.

15-02-2024

Católica no Porto promove evento de boas-vindas sustentável para estudantes em mobilidade internacional

English version

Com o objetivo de promover a sustentabilidade e fomentar uma receção calorosa aos estudantes em mobilidade internacional, a Universidade Católica Portuguesa no Porto organizou um evento de boas-vindas único que combinou iniciativas eco conscientes com experiências de imersão cultural. Do programa fez parte a prova de iguarias portuguesas, um passeio no rio Douro e uma visita às caves do vinho do Porto.

O evento, realizado no campus Porto da Universidade, acolheu estudantes internacionais que iniciam o seu percurso académico na instituição. O que diferenciou este evento de boas-vindas foi o seu foco na sustentabilidade, refletindo o compromisso da UCP com a gestão ambiental e a cidadania global.

Em linha com a dedicação da universidade ao intercâmbio cultural, os estudantes internacionais tiveram a oportunidade de provar iguarias portuguesas durante o cocktail de boas-vindas. Além disso, os alunos puderam conhecer um pouco mais da cidade, com um passeio no rio Douro e uma visita às caves do vinho do Porto.

Magda Ferro, head do International Office da Universidade Católica Portuguesa no Porto, manifestou o seu entusiasmo pela iniciativa, afirmando: “Estamos muito satisfeitos por receber os nossos estudantes de mobilidade internacional na UCP e no Porto de uma forma que se alinha com os nossos valores de sustentabilidade e inclusão. Ao promover um sentido de responsabilidade ambiental e valorização cultural, esperamos capacitar os nossos alunos para se tornarem cidadãos globais que contribuem positivamente para a sociedade."

Durante o segundo semestre de 2023/2024, as Faculdades da Universidade Católica no Porto acolhem mais de uma centena de estudantes de intercâmbio de cerca de 30 nacionalidades provenientes da Europa, Ásia e América do Norte e do Sul.

 

15-02-2024

Diplomados do Programa ADN Jurista dão início ao “Prémio ADN Jurista – Cavaleiro & Associados”

No âmbito do programa ADN Jurista, foram anunciados no dia 8 de fevereiro os seis alunos de Direito que irão colaborar com a Cavaleiro & Associados, em parceria com a Escola de Direito. Esta é a 7ª geração de diplomados deste programa e a 1ª edição do Prémio. O evento foi marcado pelo sorteio dos temas com os quais os alunos irão trabalhar: Direito das Empresas e Negócios, Direito Público e Energia, Private Clients & Wealth, e Direito Internacional.

Manuel Fontaine, diretor da Faculdade destacou a importância deste programa, salientando que é uma mais valia para os estudantes contactarem no seu dia a dia com profissionais de Direito, afirmando que "regressam sempre destas experiências com uma vontade acrescida de estudar, permitindo-lhes ficar com uma noção do que gostam e do que é que não gostam; o que querem fazer com o Direito".

O programa também se destaca pelo seu caráter inovador, como ressaltou João Quintela Cavaleiro, advogado da Cavaleiro & Associados: "Há um aspeto inovador neste projeto que é o de estimular os alunos a desenvolverem um projeto de investigação que, em regra, está reservado para o Mestrado. Faz todo o sentido que se inicie na licenciatura". Mencionando a diversidade e a importância da pesquisa na prática jurídica, incentivou os alunos a contribuírem para uma "organização da vida das pessoas" por meio de soluções jurídicas bem fundamentadas.

O programa ADN Jurista proporcionará aos alunos selecionados uma experiência prática onde, como é transversal no programa, se vão debater sobre problemas da comunidade em alinhamento com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, contribuindo, através da produção de artigos científicos com o departamento de investigação da mencionada Sociedade de Advogados, para as soluções para os mesmos. Para além da construção de redes profissionais, os participantes terão a oportunidade de compartilhar conhecimentos, de entender a importância da constante atualização e da necessidade de publicar artigos, contribuindo para a comunidade académica e profissional.

No final, o prémio monetário será feito com base na seleção dos melhores artigos científicos, através de um júri composto por um docente da Faculdade e um sócio da Cavaleiro & Associados, como reconhecimento do seu trabalho e contribuição para o desenvolvimento de soluções para problemas da comunidade, contribuindo para a promoção da cidadania ativa dos nossos estudantes.

Com o ADN Jurista, a Faculdade e a Cavaleiro e Associados reforçam o compromisso de promover a integração entre a academia e o mercado de trabalho, em interseção com os valores da cidadania e dos objetivos de desenvolvimento sustentável, designadamente :

  • ODS 5 – alcançar a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e raparigas;
  • ODS 8 – promover o crescimento económico inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho digno para todos;
  • ODS 10 – reduzir as desigualdades no interior dos países e entre países;
  • ODS 16 – proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis.

Estiveram presentes no evento Manuel Fontaine Campos, diretor da Faculdade, João Quintela Cavaleiro, Sofia Garriapa e Pedro Seixas Silva, advogados da Cavaleiro & Associados, Ana Martins, coordenadora executiva do programa ADN Jurista, e quatro dos seis alunos selecionados: Mafalda Cruz, Inês Ribeiro, Joana Xavier, Paula Vieira, Catarina Ferreira e Tomás Guerra.

14-02-2024

Let's Care: o projeto que quer construir Escolas Seguras e Cuidadoras para promover a inclusão educativa e o desempenho académico

O projeto Let's Care, financiado pelo programa Horizon Europe, tem o objetivo de combater o insucesso e o abandono escolar precoce, promovendo a construção de um modelo de Escola Segura: um ambiente educativo cuidador num contexto relacional e emocional eficaz que promova a inclusão e a motivação.

Desde a educação pré-escolar até ao ensino secundário, o projeto Let's Care visa identificar os fatores subjacentes ao insucesso, ao baixo envolvimento, ou ao abandono escolar precoce, tendo em consideração quatro pilares diferentes: individual, relacional, comunitário e político. Além disso, o projeto defende uma investigação inovadora para promover uma Aprendizagem Segura, um Ensino Seguro, Escolas Seguras e uma Educação Segura, ao realçar a importância de relações emocionalmente seguras em contexto escolar. Em situações de vulnerabilidade e desvantagem social, a construção de relações emocionalmente securizantes no âmbito de uma "escola segura" pode desempenhar um papel crucial na inversão destas dinâmicas.

O projeto iniciou-se em outubro de 2022 e estender-se-á pelos próximos 3 anos. Os trabalhos iniciais focaram-se num conjunto de atividades, como a organização de uma comunidade de escolas, a realização de uma investigação teórica e de campo preliminar, e o desenvolvimento do online hub que reunirá material de formação, boas práticas e espaço de discussão para os 2400 professores/as participantes. O objetivo é identificar as ações a serem implementadas para melhorar as relações entre professores/as e alunos/as, escola e famílias, comunidades locais e políticas.

Os alunos/as integrados num ambiente escolar positivo, no qual as suas capacidades e potencialidades são reconhecidas, terão maior probabilidade de se tornarem cidadãos proativos e bem ajustados. Para concretizar este objetivo ambicioso, é essencial o envolvimento ativo da comunidade envolvente da escola. Para isso, o projeto Let's Care envolverá mais de 300 stakeholders, incluindo autoridades públicas, organizações não governamentais e da sociedade civil, associações de professores/as e de pais, bem como instituições académicas.

As próximas etapas do projeto incluirão a participação ativa das escolas envolvidas em workshops práticos, cursos de formação e conferências. Em cada país parceiro, serão organizados cursos de formação em ensino seguro, presenciais e online, com base em abordagens inovadoras.  Em seguida, realizar-se-ão conferências nacionais em cada país membro para divulgar o modelo LET’S CARE e os resultados do projeto e para formar professores/as, educadores/as e investigadores/as na utilização das diferentes ferramentas.

A Conferência Internacional final do LET'S CARE terá lugar em Espanha, em 2026, e contará com a participação de agentes educativos, decisores e responsáveis políticos, juntamente com os representantes de outros projetos europeus.

12-02-2024

Católica lança programa Women+ para incentivar a liderança feminina

A Universidade Católica Portuguesa (UCP) lançou o projeto Women+, um programa de mentoria e job shadowing que pretende inspirar a liderança feminina em jovens recém-graduadas. A iniciativa contará com mentoras de vários setores da sociedade, mundo académico e empresarial.

“É importante inspirar as jovens licenciadas a seguir uma carreira de serviço e liderança. Sabemos que são capazes, mas têm de estar dispostas a assumir esses papéis”, explica Isabel Capeloa Gil. A Reitora da UCP refere ainda que é necessário mostrar a estas jovens que “é difícil articular a vida profissional com a carreira”, mas que é possível. Para isso, “é importante ter modelos para seguir e com quem aprender”.

Segundo Isabel Capeloa Gil, a iniciativa Women+ pretende “impulsionar o desenvolvimento das mulheres no meio académico, e também apoiá-las, através dos exemplos de liderança” das mentoras. O projeto, ainda em fase de desenvolvimento, surge no seguimento de vários programas já estruturados para encorajar as mulheres a desenvolverem as suas capacidades empreendedoras na UCP.

Esta iniciativa vai juntar uma recém-graduada a uma mentora durante um ano de acompanhamento. No fim desse ano, será avaliado o impacto que as atividades tiveram na jovem e se a inspiraram a assumir uma posição de liderança.

No almoço de lançamento desta iniciativa, no dia 2 de fevereiro, a Reitora recebeu a Irmã Helen Alford O.P., Presidente da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, para refletir sobre o papel da Doutrina Social da Igreja e o seu potencial para desvendar as grandes questões que desafiam as mulheres da sociedade atual.

Também Pauline Nugent, Provost da Universidade de Notre Dame, Austrália, e Lilian Ferrer, Vice-Presidente de Relações Internacionais na Pontifícia Universidade Católica do Chile, estiveram presentes para partilhar a sua experiência pessoal enquanto líderes.

No discurso de abertura do evento, Helen Alford refletiu sobre uma experiência transformadora que teve enquanto estudante de Engenharia. Ao ler um artigo sobre o trabalho realizado numa linha de montagem, Helen chegou a uma conclusão que mudaria para sempre a sua vida: “tudo o que estamos a fazer está errado. Estamos a construir as máquinas e depois a organizar o trabalho das pessoas em função das máquinas. Devíamos construir as máquinas a pensar nas pessoas. O ser humano deveria estar no centro”. A partir desse momento, tem dedicado a sua vida a resolver esta questão.

Para a economista, a organização do trabalho dos últimos 250 anos não evoluiu ao ritmo da sociedade, com “custos colaterais para as mulheres e famílias”. Helen Alford defende que “não podemos continuar a aceitar isto, pois o sistema é demasiado disfuncional e, precisamente porque as mulheres são as mais afetadas por ele, as mulheres podem ser as líderes da mudança”.

Já Pauline Nuget falou sobre a sua experiência pessoal. Foi Provost de duas universidades católicas na Austrália, tem formação como enfermeira, e uma carreira distinta nos Negócios. Foi eleita Victorian Business Woman of the Year, em 2009, e já participou em inúmeros organismos de liderança empresarial. Apesar de todas estas qualificações, Pauline explicou que em muitas salas de reuniões nem sempre era levada a sério, simplesmente por ser mulher. Reforçou a importância de haver programas como este, que preparem as mulheres para todos os cenários, sem perderem a confiança nas suas capacidades.

Sobre este tema, Lilian Ferrer, responsável pela iniciativa estratégica da SACRU sobre igualdade de género, destacou a importância que outras mulheres tiveram na sua vida, ao incentivarem-na a evoluir na carreira e a não desistir, apesar das adversidades.

Neste evento de lançamento estiveram presentes Maria de Belém, ex-ministra da saúde, Ana Costa Freitas, ex-reitora da Universidade de Évora, Céline Abecassis-Moedas, Diretora da Formação de Executivos da Católica Lisbon, e Isabel Braga da Cruz, Pró-Reitora da UCP, entre muitas outras personalidades de destaque convidadas a participar neste programa.

08-02-2024

Tiago Mesquita: “Ter um pincel na mão, ou uma caneta para escrever, ou uma câmara para filmar pode ser uma arma muito positiva.”

Tiago Mesquita é realizador e produtor de Cinema e é licenciado em Direito pela Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa. Estudou, também, no Colégio da Europa e na Los Angeles Films School. Desde criança que viveu rodeado de estímulos artísticos, o que acabou por influenciar a sua vida para sempre. Ainda assim, garante que o percurso em Direito lhe deu ferramentas importantes para a sua vida. Vive em Bruxelas há quase quinze anos, cidade onde fundou a sua própria produtora de Cinema. Qual é o seu sonho? “Criar e partilhar beleza no dia-a-dia.”

 

É realizador e produtor de Cinema, mas, em 1993 começa a licenciatura em Direito.

Sim, ingressei na Faculdade de Direito da Católica para estudar Direito. A verdade é que só quando comecei a estudar Direito é que me apercebi que me fazia muita falta explorar o meu lado mais criativo. Ainda assim, até no meu percurso em Direito pude aplicar aquilo que mais gostava de fazer. Recordo-me que, a uma dada altura, me deram a missão de fazer o chamado “serrote”, uma espécie de peça de teatro a brincar com os professores que se fazia no quinto ano do curso. Em vez de teatro, eu fiz uma longa-metragem. Longuíssima-metragem, aliás. Foi uma coisa mais ou menos a sério (risos), porque estive empenhado nisso meio ano, obriguei os meus colegas a serem atores e ainda consegui um patrocínio de uma pequena produtora de televisão, terminando com a projeção no auditório do Seminário de Vilar, cuja sala era ótima e permitiu albergar as centenas de pessoas que vieram ver o nosso filme.

 

O que é que influenciou e estimulou o seu lado mais criativo e ligado às Artes?

Sempre fui muito estimulado pela minha família a criar, a fazer pequenas curtas-metragens, a inventar histórias. Aliás, as principais memórias da minha infância estão precisamente relacionadas com aquilo que faço atualmente. Em miúdo, sempre quis brincar com tudo que tinha a ver com projeção, com sombras chinesas e fachos de luz. Portanto, tudo o que tem a ver com luz, sombras, som, audiovisual e música sempre me fascinou. Sempre gostei de inventar histórias. A minha mãe também estava sempre a escrever teatros e nós eramos os atores das suas criações. Cresci rodeado por esta explosão criativa e de imaginação.

 

Quais foram os momentos mais marcantes dos seus anos na Católica?

Na Católica, o momento mais importante e que marcou a minha vida para sempre foi o ter encontrado a minha mulher. É inevitável referir isto (risos). Foi uma história muito bonita que acompanhou praticamente todo o período do curso, que envolveu poesia, cartas anónimas, muitos amigos a ajudarem na conquista. Mas, também, foi uma relação marcada pela distância de vários países e estadias, viagens, bailes e uma imensa crença e persistência. O meu Erasmus em Paris também marca profundamente o meu percurso e, também, o ter sido presidente da comissão de curso e ter integrado a Associação de Estudantes. Sempre fui muito movido pela vontade de fazer a diferença e de trazer algo inspirador para as pessoas e na Católica tinha espaço para isso. Tenho memórias muito engraçadas e felizes. Como sabiam que eu era um criativo e com ideias diferentes, nomearam-me o ministro do pelouro do “Amor”. No fundo, na Associação de Estudantes, eu tinha a função de pensar nas pessoas, de organizar ações de mobilização, integração, solidariedade e de prestar atenção às pessoas que mais precisavam e estimular as demais para o fazerem. Trouxe sempre muito humor durante o ano, gostava de pensar no marketing criativo, na comunicação, na imagem e adorava provocar algum pendor demasiadamente conservador. Arrisco-me a dizer, por vezes, pseudo-conservador, patente só nalguns dos colegas da altura, mas não a maioria.

 

Apesar de sempre ter alimentado o seu lado criativo, terminou a licenciatura e prosseguiu os seus estudos na área do Direito …

Na verdade, já me começava a passar pela cabeça a ideia de trabalhar profissionalmente na área do Cinema, mas ainda assim continuei pela via do Direito. No fim do curso, tive uma bolsa para o Colégio da Europa e lá fui eu. Nunca deixei de explorar a minha veia criativa e, por isso, durante esse tempo em Brugge, dediquei-me à produção de um filme que se chamava “The art of being portuguese in Brugge”, inspirado na Arte de Ser Português, de Teixeira de Pascoaes, mas, claro, não tinha praticamente nada de semelhante, só mesmo o nome (risos). Tratava-se da história burlesca e cómica de que todo o mundo, um dia, se ia nacionalizar português, para poderem usufruir das vantagens únicas desta nacionalidade, do estado de espírito, do charme, etc.

 

“O facto de ter tido alguns professores brilhantes instigou em mim esta vontade de argumentar e de negociar.”

 

Depois do Colégio da Europa, ruma para os Estados Unidos para estudar Cinema …

Sim, mas antes ainda estive a trabalhar na Comissão Europeia. Só depois, é que fui para os Estados Unidos. Conheci o John Malkovich num filme realizado por ele, onde pude ter uma pequena participação. Deste trabalho resultou uma boa relação entre nós e ele acabou por me escrever umas cartas de recomendação que me abriram portas em Los Angeles.  Acabo por conseguir uma bolsa para estudar Cinema na Los Angeles Films School. Nessa altura já tinha alguma bagagem técnica de todas as experiências que tinha tido e também já fazia os meus projetos, alguns filmes e curtas-metragens. Eu sempre tive um fascínio pelo Cinema americano e, por isso, entre ficar na Europa ou ir para os Estados Unidos não tive dúvidas. Agarrei-me àquilo com uma paixão enorme.  

 

Atualmente, vive em Bruxelas. Foi em Bruxelas que montou a sua própria produtora.

Precisamente. Tenho um estúdio de cinema visual, com todo o tipo de infraestruturas para filmar, produzir cinema, também com estúdio para cinema virtual, infraestruturas completas de pós-produção, efeitos visuais, imagem, som, montagem, estúdio para gravação musical, maquiagem, adereços, design, guarda roupa - (cobrindo a produção de filmes de A a Z, atualmente com grande enfoque nas mais recentes tecnologias, combinado com a arte de cinema tradicional e bastante cinema internacional e americano).  Oferecemos um serviço muito completo. Cobrimos filmagens históricas: Roma antiga, Grécia, Egito, época medieval e até futurista, cinema de ação, etc.

 

Sempre foi importante para si conhecer de perto todas as dimensões do Cinema?

Sim, essa foi sempre a minha prioridade. Sou produtor e realizador, sobretudo, mas com uma bagagem técnica muito forte. Quis conhecer tudo e quis entender profundamente toda a técnica que está por trás do Cinema. Passei por tudo e é isso que, hoje em dia, na minha produtora me faz poder oferecer um serviço de A a Z. A ideia do Cinema é a colaboração de todas as dimensões. O Cinema é, na sua natureza, profundamente colaborativo.

 

“Um líder só é líder quando serve os outros.”

 

De que forma é que liga o Direito àquilo que faz hoje em dia?

Uma das coisas que o Direito me trouxe, através das várias experiências internacionais que vivi, foi esta visão abrangente do mundo. Este lado da diplomacia e das relações internacionais e do conhecimento das instituições comunitárias influenciou-me muito. Também influenciou algumas das temáticas dos guiões que escrevo. Outro aspeto em que o Direito me ajuda é, sem dúvida, nos aspetos formais, como os contratos e as negociações. O facto de ter tido alguns professores brilhantes instigou em mim esta vontade de argumentar e de negociar. Ajuda-me imenso nas negociações a convencer as pessoas. Consegui facilmente convencer atores conhecidos a trabalhar em alguns dos meus filmes, quando não havia sequer um orçamento razoável para os convencer.

 

Como é que fez isso?

Percebi que podia haver muitos motivos, para além do orçamento, para convencer atores a entrarem nos nossos filmes. Uma tática que utilizamos muito foi o tentar ter um acordo inicial com um ator muito consagrado, que tenha ganho um Óscar ou que tenha estado nomeado. A partir do momento em que conseguimos este acordo, é muito mais fácil convencer atores mais novos, porque todos querem trabalhar com alguém desse gabarito. Tive oportunidade de trabalhar com atores absolutamente incríveis, uns que ganharam Óscares e outros que não. Alan Arkin, Bruce Dern, James Earl Jones, David Spade e também alguns atores mais controversos como Steven Seagal, Lindsay Lohan e outros.

 

O que é que o fascina na sua profissão?

A inocência de continuar a acreditar que é possível fazer a diferença e inspirar. Alguns cineastas mais conservadores vão dizer que a missão de alguém que faz um filme não é de todo inspirar, nem influenciar. Eu não concordo. Acredito que sim, que há um poder enormíssimo. Ter um pincel na mão, ou uma caneta para escrever, ou uma câmara para filmar pode ser uma arma muito positiva. Se for bem utilizado, claro. Acredito que a nossa missão, como cineastas, também pode ser a de fazer a diferença. Entretenimento sim, mas também partilhar, mostrar algo de novo, ensinar – História por exemplo – e dar alento. O que não quer dizer que um bom filme seja dar todas as respostas. Pelo contrário. Um bom filme faz a diferença, porque coloca as boas questões, em vez de dar as respostas, que poderão levar o público, ou uma parte do público, a chegar a conclusões, por vezes profundíssimas e abaladoras.

 

Assume muitas funções de liderança na sua profissão. O que é um bom líder?

Ser um bom líder é ser-se líder servindo os outros. Se eu pensar que quero liderar para que todos me sirvam, é certo que não vai funcionar. É precisamente o contrário. Eu sou líder quando sirvo os outros. Houve muitas pessoas da Católica que me inspiraram a este nível, porque tinham precisamente esta visão. Os meus melhores dias de filmagens são sempre aqueles onde consegui que o meu foco fosse Give the best time to people, de forma a conseguir que cada um desse o seu melhor e se sentisse radiante por isso. Claro que isto, às vezes, acontece à custa de nós próprios nos sentirmos bem. Mas é assim que eu vejo um líder. Um líder só é líder quando serve os outros.

 

Projetos para o futuro?

Agora estou concentrado no filme da história de Inês de Castro. Tenho um fascínio grande pela História. É um episódio lindíssimo da História portuguesa e que, embora tenha havido vários filmes feitos em Portugal sobre ele, lá fora não é de todo conhecido. Estou a investir muito tempo para fazer uma versão em inglês e com um casting internacional. Há quem diga até que foi na história de Inês de Castro que Shakespeare se inspirou para a criação do Romeu e Julieta. Estou, também, a trabalhar num filme baseado nos ataques terroristas no Aeroporto da Bélgica, que aconteceu aqui há uns anos. Entrevistei algumas das vítimas que sobreviveram e estive no aeroporto a acompanhar polícias durante um ano.  Com base nisto, escrevi um guião que, necessariamente, teve de ter alguns elementos de ficção, para não invadir a privacidade das vítimas, mas é profundamente baseado em factos reais. Não há praticamente uma semana em que não tenha uma ideia forte. Uma das coisas que aprendi é que nunca se pode deixar uma ideia na cabeça, é preciso apontá-la logo para que não se esqueça. É isso que eu faço. Às vezes, acordo a meio da noite com boas ideias e vou logo apontá-las.

 

“Há um equilíbrio absolutamente excecional em ser português.”

 

Qual é o seu sonho?

O meu ideal? É conseguir criar e partilhar beleza no meu dia-a-dia. Acho que é isso que os verdadeiros artistas conseguem fazer. Eles conseguem olhar para uma mesma realidade, nem que seja lixo na rua, e ver algo de belo, e a partilha dessa visão poderá inspirar os demais. O meu objetivo com aquilo que faço hoje em dia é criar beleza e transmiti-la.

 

Um português, que vive há tantos anos longe de Portugal, de que é que tem mais saudades?

Acho que há uma Arte de se ser português fora de Portugal. É isso que tenho tentado fazer. Estou fora de Portugal há muitos anos, mas acho que sempre tentei isso espontaneamente. Aquilo de que me tenho apercebido ao longo de tantos anos fora e ao longo de tanto contacto com outras nacionalidades é que há algo de muito equilibrado em ser português. Temos uma simpatia e um calor muito particular. Há um equilíbrio absolutamente excecional em ser português.

 

08-02-2024

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