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Novidades

Filme de docente da Escola das Artes em competição no Festival de Animação de Annecy

O filme de animação “Percebes”, de Alexandra Ramirez, docente da Escola das Artes (EA), e Laura Gonçalves, foi selecionado para a competição das curtas-metragens da 48.ª edição do Festival de Cinema de Animação de Annecy, um dos maiores festivais de cinema de animação do mundo. 

Através da curta-metragem nomeada, “com o mar e um Algarve urbano como pano de fundo, seguimos um ciclo completo da vida de um molusco especial chamado Percebes”. Como descreve a sinopse, “no percurso da sua formação até ao prato, cruzamos diferentes contextos que nos permitem compreender melhor esta região e aqueles que nela habitam.”

A curta-metragem foi produzida por dois professores de animação da Escola das Artes, David Doutel e Vasco Sá, com edição de som de Bernardo Bento, professor de Sound Design da EA, e mistura de som de José Vasco Carvalho, coordenador de Mestrado de Som e Imagem da mesma faculdade. O filme é uma produção do Bando à Parte (BAP - Animation Studio), produtora que tem entre os fundadores vários alumni da EA, 

O festival francês vai decorrer entre 9 e 15 de junho.

 

PERCEBES
Portugal, França, 2024, ANI, DOC, 11'30'"
Realização: Alexandra Ramires (Xá), Laura Gonçalves
Produção: David Doutel, Vasco Sá, BAP – ANIMATION STUDIOS
Edwina Liard, Nidia Santiago, IKKI FILMS
Argumento: Alexandra Ramires (Xá), Laura Gonçalves, Regina Guimarães
Música: Nicolas Tricot
Som: Bernardo Bento
Animação: Inês Teixeira, Joana Teixeira, Leonor Pacheco, Laura Equi, Carolina Bonzinho

 

05-04-2024

O quebrar do silêncio: estudantes de Direito analisam violência doméstica sob novo prisma


A partir de um desafio “de verão”, cinco estudantes do curso de Direito lançaram a obra O Crime de Violência Doméstica: Perspetivas Familiares Contemporâneas, que analisa os principais obstáculos jurídicos que impedem a eficácia na luta contra a violência doméstica.

A convite das coordenadoras do programa ADN Jurista e do programa Mentoria de alunos, as autoras Francisca Rocha, Maria Inês Sousa, Matilde Veloso e Vasques, Paula Filipa Vieira e o coordenador Tomás Carvalho Guerra apresentaram os resultados da sua investigação na conferência, como também escolheram um título provocador para a sua apresentação – O Silêncio dos Inocentes: O Caso da Violência Doméstica - Perspetivas (A)Jurídicas. O título não foi escolhido ao acaso: reflete a omissão da Lei nas novas formas de convivência como no concubinato, nas relações homoafetivas e no poliamor.

Fruto de sete meses de pesquisa, o livro revela as lacunas legais em Portugal que perpetuam o ciclo de violência dentro de quatro paredes, como a falta de produção de prova que resulta no arquivamento de 82% dos inquéritos. Além disso, a desarticulação dos artigos legais cria situações de desigualdade no tratamento das vítimas.

Defensores do princípio da confiança enquanto bem jurídico para manter a paz e a convivência inter-humana, uma vez que “o ser humano não consegue escapar à sua própria biologia e sociogenia, ou seja, à parte inerentemente social”, os escritores acreditam que é na ausência da confiança que surgem os conflitos que levam ao dilema social.

Embora o Estado português esteja a tomar medidas para enfrentar este fenómeno, Rita Bessa, diretora técnica da APAV relembra que o “timing das vítimas não é o timing da Justiça”, destacando a necessidade urgente de reformas no sistema jurídico.

A Faculdade de Direito tem como lema “formar cidadãos que façam a diferença”, enfatizando o papel que os juristas têm na comunidade, perante os problemas que dela emergem. Estes alunos são um bom exemplo disso mesmo, para que também os outros alunos promovam mudanças significativas neste e em outros temas.

05-04-2024

Católica Porto Business School dinamizou masterclass sobre financiamento sustentável

No seguimento da forte aposta, desde 2022, da Sustentabilidade como área fundamental e de futuro na formação para executivos, a Católica Porto Business School recebeu a diretora do Departamento de Estratégia e Execução Climática do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD) e alumna da Licenciatura em Economia, Maria de Melo, e o diretor da Política de Financiamento Sustentável da BERD, Russell Bishop, para uma sessão aberta a atuais e antigos alunos da Formação Executiva da Escola. 

Sob o tema “Sustainable Finance”, a masterclass debruçou-se sobre temas que estão, de forma óbvia, na agenda europeia para o planeamento de um futuro que seja mais sustentável. Maria de Melo começou por ressalvar que o BERD é um banco com um funcionamento distinto dos restantes, sendo mantido por mais de 70 países, e tendo como principal objetivo apoiar a construção de economias de mercado e democracias em países da Europa Central e Ásia. 

A apresentação continuou com uma visão do que é a atual abordagem do setor financeiro e das próprias empresas no que diz respeito ao financiamento sustentável e procurou responder às questões que trouxeram muitos dos presentes à sessão. O foco assentou, por isso, no planeamento de transição, na regulamentação prudencial e nos mecanismos que as empresas estão a adotar, por exemplo, em termos de descarbonização. No final, houve ainda tempo para observar algumas das áreas emergentes, como o próprio financiamento da natureza e obrigações ligadas à sustentabilidade. 

A Católica Porto Business School mantém assim o compromisso com uma formação de excelência, procurando sempre aumentar as competências e conhecimento dos seus alunos em tópicos atuais. Na área da Sustentabilidade, a Escola tem no seu portefólio de formação para executivos o Curso Executivo de Chief Sustainability Officer, cuja segunda edição inicia este mês, e a Pós-Graduação em Sustentabilidade e Regeneração, que começa em outubro.

04-04-2024

Católica Porto Business School reconhecida como Parceira institucional do GRLI - Globally Responsible Leadership Initiative

A Católica Porto Business School foi reconhecida, recentemente, como Parceira institucional do GRLI - The Globally Responsible Leadership Initiative, uma comunidade internacional multissetorial focada em impulsionar o desenvolvimento de lideranças e práticas globalmente responsáveis.

A Católica Porto Business School era já membro desta comunidade. E um dos sete parceiros académicos envolvidos no desenvolvimento do “Globally Responsible Leadership for Sustainable Transformation”, um programa internacional de pós-graduação recentemente reconhecido pelo Financial Times nos Responsible Business Education Awards.

Para João Pinto, Diretor da Católica Porto Business School, este reconhecimento é de particular relevância: "A Católica Porto Business School passa a integrar um grupo exclusivo de apenas 25 escolas de negócios em todo o mundo com assento nesta comunidade". Este reforço de ligação resulta “do forte compromisso estratégico e mesmo operacional da nossa escola a vários níveis. E que no fundo, está alinhado com a nossa missão:  desenvolver profissionais para uma sociedade global, sustentável e ética, assim como avançar o conhecimento em gestão e economia, através de inovação com impacto, ligações à prática e adoção de uma mentalidade global.”


Sobre o GRLI - The Globally Responsible Leadership Initiative: constituída na Bélgica em 2003, esta iniciativa emergiu de uma parceria estratégica entre as Nações Unidas, a European Foundation for Management Development e a AACSB International. É uma comunidade sem fins lucrativos formada por empresas, escolas de negócios e instituições educacionais. Com sede na Bélgica, Bruxelas, o seu objetivo é catalisar o desenvolvimento de liderança e práticas globalmente responsáveis ​​em organizações e sociedades em todo o mundo. Mais informação: consulte aqui.  

04-04-2024

Escola Superior de Biotecnologia abre portas a 1000 estudantes do secundário

Durante três dias, mais de 1000 estudantes do ensino secundário vão ter a oportunidade de participar em 30 experiências promovidas por investigadores e estudantes da Escola Superior de Biotecnologia. “Telhados verdes: Aproveitamento da água da chuva nas cidades”, “Biomateriais no combate às feridas crónicas”, “O segredo da frescura das pastilhas de mentol” ou “Padaria tradicional: leveduras em ação” são alguns dos exemplos das múltiplas experiências disponíveis. Uma iniciativa que decorre entre 10 e 12 de abril na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto.

“Bioengenharia, microbiologia, nutrição e biomedicina são os grandes temas da semana aberta da Faculdade que anualmente procura ser um momento de grande abertura do ensino superior ao ensino secundário,” refere Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa. “Pretendemos contribuir para a literacia científica demonstrando de uma forma rigorosa, mas desconstruída e por vezes divertida, que a ciência contribui decisivamente para a nossa saúde e bem-estar,” salienta.

Os 1000 estudantes já inscritos vão participar em mais de 30 atividades. Vão poder tornar-se detetives que desvendam o mistério de um surto alimentar e descobrem se conseguem organizar o frigorífico. Descobrir, por exemplo, o que se esconde nos alimentos que comem diariamente, quer de saudável quer de menos bom! Partir em busca dos aromas presentes nos alimentos enquanto tentam não se deixar enganar, pois nem tudo é o que parece! Vão aprender mais sobre a água e como ela torna a vida possível, sobre o aproveitamento de resíduos para criação de novos alimentos e medicamentos e ainda sobre a análise dos seus impulsos bioeletrónicos. Vão descobrir soluções, no mínimo, originais, para cuidar de feridas crónicas. Para fazer compras no supermercado terão de descobrir truques que revelam a verdade perdida na publicidade.

A Semana Aberta da Escola Superior de Biotecnologia é uma iniciativa anual que este ano decorre de 10 a 12 de abril, no Edifício de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto.

04-04-2024

Desafios e oportunidades da Psicologia no século XXII em discussão nos Dias da Psicologia

Os Dias da Psicologia marcaram regresso de 19 a 21 de março. Estudantes, alumni, investigadores, docentes e profissionais da área da Psicologia – a nível nacional e internacional – reuniram-se na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa para discutir “A Psicologia no Século XXII: Desafios e Oportunidades”. No total, três conferências, seis workshops e várias conversas e momentos de debates.

“Antecipando-se que os 3/4 que restam do século XXI vão trazer transformações que não conseguimos antecipar, este debate urge”, sublinha Raquel Matos, diretora da Faculdade de Educação e Psicologia.

“O mais marcante desta edição dos Dias da Psicologia foi o momento das FEP TALKS dos nossos alunos”, refere Mariana Barbosa, docente da FEP-UCP e membro da Comissão Organizadora dos Dias da Psicologia. “Os speakers foram fantásticos, os temas superinteressantes, sem dúvida uma inspiração para todos nós”, completa.

As conversas e debates – os desafios e as oportunidades da Psicologia no século XXII – mostram-se relevantes numa altura em que a discussão sobre as rápidas mudanças sociais, culturais, ambientais e tecnológicas tem vindo a ser vastamente debatida entre os psicólogos.

A edição de 2024 dos Dias da Psicologia foi organizada pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa e contou com participações como Frederick (Ted) Scharf, consultor sénior no Human Neurobehavioral Laboratory (HNL), António Fonseca docente da FEP-UCP, Sofia Ramalho, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Luís Scorzafave, professor na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto / USP, e Raúl Manarte, Psicólogo Humanitário.

04-04-2024

Bibliotecas da UCP organizam Ciclo formativo de Direito

As Bibliotecas da Universidade Católica Portuguesa organizam um ciclo formativo na área do Direito, constituído por 3 sessões de fornecedores de bases-de-dados: LegiX, Coletânea de Jurisprudência e HeinOnline. Cada sessão será composta por uma apresentação sobre a base-de-dados em questão e das ferramentas de pesquisa que disponibiliza.

Este ciclo formativo será aberto a todos os interessados, sem limite de participantes, existindo apenas inscrição prévia na sessão da HeinOnline. Pode encontrar os links para as sessões e inscrição aqui:

LegiX | 24 de abril às 15h00-16h00 - Link para a sessão

Coletânea de Jurisprudência | 30 de abril às 15h00-16h00 - Link para a sessão

HeinOnline | 7 de maio às 15h00-16h00 - Link de registo

Para mais informações, consulte o Portal das Bibliotecas UCP ou o Portal de Formação de Utilizadores.

Também poderá entrar em contacto com a equipa de formação das Bibliotecas da UCP através do endereço eletrónico: formacao.bibliotecas@ucp.pt

03-04-2024

Mensagem de Páscoa da Reitora

À Comunidade Académica da UCP

No calendário cristão, a Páscoa apresenta o exemplo último do amor de Deus pela humanidade. Constitui, por um isso, um momento particular de renovação e reconciliação. Numa universidade católica, a celebração da Páscoa é renovada ocasião para assinalar a responsabilidade da universidade para o desenvolvimento da sociedade, para a promoção da solidariedade social, de quadros de crescimento que propiciem maior integração e menos desigualdade, para a defesa da paz e da coesão social.

Na UCP promovemos o espírito de reconciliação pascal nas inúmeras atividades de voluntariado que promovemos, sempre que integramos as missões país e iniciativas de intervenção comunitária, mas também quando estimulamos a aprendizagem em serviço, quando produzimos ciência que melhora a condição humana e do planeta, quando reinventamos de forma criativa o nosso habitat.

Perante as enormes contradições das sociedades atuais e a disseminação de focos bélicos, a missão da universidade na defesa da dignidade das pessoas toma um papel de crescente relevância. O desafio que se nos coloca é o de utilizar o imenso arsenal de conhecimento e de criatividade que congregamos para formar ética e intelectualmente a rica e diversa realidade dos nossos estudantes oriundos de mais de 108 países com diferentes culturas e distintas opções religiosas, de promover a realização académica dos incríveis docentes e investigadores da UCP e o crescimento profissional dos colaboradores. 

Que a renovação pascal vos traga e às vossas famílias um renovado sentido de propósito e comunhão. Só assim ganharemos o futuro! Uma feliz Páscoa!

 

Isabel Capeloa Gil
Reitora

 


 

The President's Easter message

To the UCP Academic Community,

In the Christian calendar, Easter presents the ultimate example of God's love for humanity. It is also a particular moment of renewal and reconciliation. In a catholic university, the celebration of Easter is a renewed occasion to point out the university's responsibility for the development of society, for the promotion of social solidarity, for growth frameworks that foster greater integration and less inequality, for the defence of peace and social cohesion. 

At UCP we promote the spirit of Easter reconciliation in the countless voluntary activities we promote, whenever we integrate country missions and community intervention initiatives, but also when we stimulate service learning, when we produce science that improves the human condition and the planet, when we creatively reinvent our habitat.


Faced with the enormous contradictions in today's societies and the spread of war, the university's mission to uphold people's dignity is becoming increasingly important. The challenge facing us is to use the immense arsenal of knowledge and creativity that we have gathered to form ethically and intellectually the rich and diverse reality of our students from more than 108 countries with different cultures and different religious options, to promote the academic fulfilment of the UCP's incredible professors and researchers and the professional growth of our collaborators. 

May the Easter renewal bring you and your families a renewed sense of purpose and communion. Only in this way will we win the future! Happy Easter!

 

Isabel Capeloa Gil,
President

27-03-2024

Diogo Costa: “Um investigador é ansioso e inquieto.”

Diogo Costa tem 40 anos, é natural de S. João da Madeira e é investigador do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano da Faculdade de Educação e Psicologia (FEP), da Universidade Católica Portuguesa. É licenciado em Psicologia, mestre em Psicologia da Saúde e doutorado em Saúde Pública. Investiga nas áreas da Psicologia da Saúde, da Epidemiologia Social e da Igualdade de Género. É uma das contratações recentes do centro de investigação da FEP e desta oportunidade espera desenvolver novos projetos e novas ideias. Durante o seu percurso profissional esteve em Angola, na Alemanha e na Lituânia. Dedicar a vida à investigação é “viver para a descoberta”.

 

Relativamente ao estigma com a saúde mental, considera que Portugal tem vindo a dar passos positivos nesse sentido?

Sim, claro que sim. A saúde mental evoluiu imenso, sobretudo desde que surgiu o primeiro plano nacional para a saúde mental. Estes planos trouxeram muitas atividades e estratégias fundamentais. A criação da Ordem dos Psicólogos, que não é assim tão antiga, também foi muito importante, porque também tem vindo a fazer um trabalho enorme. Agora há um reconhecimento cada vez maior da necessidade dos psicólogos estarem integrados na comunidade, e nos cuidados de saúde primários, assim como de mais psiquiatras e enfermeiros da especialidade. São apenas alguns exemplos de como o caminho já foi iniciado. Mas temos de continuar a caminhar, e colocar a saúde mental no topo da agenda política.

 

Como é que é uma vida dedicada à investigação?

É viver para a descoberta. É muito gratificante quando vamos fazendo pequenas descobertas, avanços ou contributos, e quando os conseguimos partilhar com a comunidade científica. Eu tive esta sorte de poder trabalhar com várias redes internacionais e, portanto, fazer investigação em conjunto com investigadores de todo o mundo, e perceber também diferenças culturais na valorização dada a pequenos avanços nas áreas em que estava a estudar. É muito interessante. Mas, atenção, porque a vida de investigador, em particular, em Portugal, não é nada fácil. Há pouco financiamento e poucas estruturas. Tem evoluído imenso, mas devemos continuar a crescer, porque somos muito bons em muitas áreas.

 

Porquê Psicologia? Quando é que sentiu que o seu caminho profissional passava por aqui?

O gosto por esta área surgiu ainda durante o secundário e muito concretamente durante as aulas de Filosofia. Tive a Filosofia um daqueles professores inesquecíveis que nos fazem pensar sobre a vida e sobre aquilo que gostamos verdadeiramente. O professor era, também, psicólogo e muitas das aulas eram mais sobre Psicologia, do que propriamente sobre Filosofia.

 

“A Psicologia da Saúde trata de quase todos os temas que impactam a saúde mental das pessoas.”

 

Depois de licenciado, ingressa no Mestrado em Psicologia da Saúde …

Sim e foi, também, um momento que coincidiu com a procura de trabalho. Nessa altura, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto estava a recrutar para vários projetos de investigação e houve um projeto para o qual fui recrutado que tinha a ver com avaliação da prestação de cuidados de saúde mental de população marginalizada. É interessante porque foi este trabalho que me levou a começar a interessar-me por determinados temas, como as desigualdades socioeconómicas. Acabei por fazer o meu mestrado com uma tese intitulada "Desigualdades socioeconómicas na expressão de sintomas depressivos: Estudo observacional numa amostra urbana". Digamos que foi a partir daqui que comecei a delinear o meu caminho de investigação.

 

O que é a Psicologia da Saúde?

A Psicologia da Saúde trata de quase todos os temas que impactam a saúde mental das pessoas. Está preocupada com os fatores psicológicos, comportamentais e também sociais e culturais, que impactam a saúde dos indivíduos. O meu interesse, em particular, tem a ver com um tema muito específico, ligado à vulnerabilidade de alguns grupos que conheci. Estudo as experiências de violência interpessoal e, também, derivei para estudar a violência ao longo do ciclo de vida, também contra crianças, entre pais e crianças, contra pessoas idosas. Tudo tem nuances diferentes e também resultados e impactos em níveis de saúde mental diferentes.

 

Em janeiro de 2024, entra para a equipa de investigadores do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH). Como é que se dá este encontro?

O CEDH estava a recrutar investigadores para a sua equipa e o lugar chamou muito a minha atenção, porque o centro tem um historial de trabalho de grande qualidade e porque faz muita investigação dentro dos temas que me interessam e que têm feito parte do meu percurso. Quando me candidatei à vaga, pesquisei o trabalho do CEDH, as coisas que estavam a ser feitas e considerei logo que seria uma boa oportunidade poder regressar a uma faculdade de Psicologia e Educação.

 

Quais são as suas expectativas?

A minha expectativa é a de conseguir autonomizar-me, com ideias e projetos de investigação meus. Quero desenvolver projetos nas minhas áreas de interesse, como os temas da violência interpessoal e o impacto na saúde e também quero trabalhar a área dos estereótipos de género e da igualdade de género.

 

“A investigação tem o seu próprio timing.”

 

O que é que o fascina na Psicologia?

Fascina-me o estudo da mente, de como as pessoas pensam, sentem e se comportam. Tenho, também, um gosto particular pelo método, que sempre foi uma força e uma fraqueza da Psicologia. Quem faz investigação aplicada em Psicologia, no meu caso da saúde, sente necessidade de aceder à mente com as ferramentas que existem, que muitas vezes não são perfeitas, muitas vezes são aproximadas daquilo que nós achamos que as pessoas estão a pensar, a sentir, e recorrem-se muito do autorrelato. Claro que também houve uma evolução tremenda nos últimos anos sobre aquilo que conseguimos ligar do ponto de vista fisiológico, neurofisiológico, do funcionamento cerebral, associado às emoções, aos pensamentos, e sobretudo aos comportamentos, e isso traz novas possibilidades. E, portanto, eu continuo a sentir um fascínio sobre como é que estas coisas funcionam.

 

Há sempre uma dimensão de mistério por trás da Psicologia…

É para isso que investigamos, para ir desvendando o mistério. Tentamos aprofundar na investigação ainda que sejam dados passos pequeninos de cada vez. Permanece um mistério que continuamos a tentar desvendar. Não é só para a perceção do público em geral, mas, também, das pessoas que estão dedicadas a isto, como eu. Eu tenho muitas dúvidas, muitos enigmas para desvendar. É isso que nos move, a nós investigadores, a continuar a pesquisar e a aprofundar.

 

Ser investigador é um exercício de paciência …

Muitas vezes temos becos sem saída, que não dão em nada. Quando estava na faculdade diziam que as três características que um psicólogo devia ter eram a paciência, a paciência e a paciência (risos). Acho que, também, se aplicam aos investigadores. É preciso muita persistência e resiliência, porque, em quase todas as áreas, a investigação tem o seu próprio timing. A investigação é normalmente lenta.

 

Para além da capacidade de persistir e de se ser paciente, que outras características são importantes num investigador?

Um investigador tem, também, de ter muita preocupação com o rigor, com a atenção ao detalhe. E, claro, é essencial ter honestidade intelectual. E um investigador é normalmente ansioso e inquieto.

 

“Todos estes fatores de contexto são elementos importantes do retrato da saúde mental.”

 

Tem aumentado a incidência de patologias ligadas à saúde mental?

Sim, penso que em Portugal estamos entre os países europeus com maior prevalência de perturbações do humor e questões relacionadas com consumo de álcool e drogas. Todos os anos parece aumentar a prevalência de determinadas patologias, como a depressão, a ansiedade, mas não só.

 

Os casos são realmente em maior número ou porque falamos mais do tema é uma realidade mais evidente?

Acredito que seja uma mistura dos dois. Hoje em dia sabemos, efetivamente, mais desses casos e por isso inevitavelmente acabamos por identificar mais situações, mas, apesar disso, vivemos atualmente um contexto que, realmente, motiva uma maior incidência desse tipo de perturbações e doenças. Acredito que é um bocadinho das duas perspetivas. Atualmente, detetamos e identificamos com muito mais facilidade e as próprias pessoas também vão estando mais alertas para isto. O reconhecimento social tem um papel muito importante. Mas importa olhar para o caso português em concreto e para a forma como a sociedade foi evoluindo. Antes da pandemia, tínhamos atravessado uma transição demográfica e epidemiológica. Somos uma população mais envelhecida, aliás acompanhamos o resto da Europa nesse sentido. Isto leva ao aumento da frequência de outras doenças físicas, mas também outras de doenças mentais. O facto de vivermos mais, de termos menos filhos, de nos preocuparmos mais com a carreira, com a educação e o facto de nos empenharmos mais na competição influencia muito a saúde mental. Todos estes fatores de contexto são elementos importantes do retrato da saúde mental.

 

Tem também experiências internacionais que marcam o seu currículo.  

Estive um ano e meio em Angola, no Centro de Investigação em Saúde de Angola, a fazer trabalho mais aplicado no âmbito da saúde pública, mas também alguma epidemiologia social e também participei num estudo sobre a violência contra mulheres grávidas. Foi um período que abriu os meus horizontes para outros temas. Percebi como é que o trabalho é feito num lugar complicado em desenvolvimento, com algumas dificuldades de recursos e com uma cultura que, apesar de próxima, é muito diferente. Foi uma experiência que também me trouxe alguma humildade. O que nós fazemos aqui, nos países desenvolvidos, não deve necessariamente ser imposto nos países em desenvolvimento, a todos os níveis. Porque as pessoas têm as suas formas de fazer, têm a sua cultura, têm os seus valores, têm a sua história, têm as suas crenças, que as faz desenvolver outras formas alternativas de chegar aos mesmos fins.

 

De Angola vai para a Alemanha …

Sim, estive num contexto muito diferente, o aposto talvez. Estive no norte da Alemanha, na Universidade de Bielefeld. Estive lá durante a pandemia e abordarmos os temas relacionados com a pandemia. Lá aprendi, também, que não precisamos de trabalhar tantas horas, como em Portugal estamos habituados a fazer. Os alemães são muito bons a equilibrar a família, o trabalho e o lazer. Aprendi, também, que em Portugal fazemos muito com pouco dinheiro. Depois, a minha última experiência internacional foi na Lituânia. Estive num contexto muito diferente, porque estive a trabalhar para uma agência da Comissão Europeia, que é o Instituto Europeu para a Igualdade de Género. Aprendi acerca da responsabilidade de ser um investigador e funcionário público europeu, que, para além de representar um país individual, contribui para o trabalho de organismos que se preocupam e impactam todos os europeus, mais de 400 milhões de pessoas.

 

O que gosta de fazer nos seus tempos livres?

Sou um nerd das guitarras. Tenho uma coleção de guitarras e de aparelhos de música.

 

Recomenda algum livro?

The Spirit Level, de Richard G. Wilkinson e Kate Pickett. É um livro um bocadinho controverso, mas acho que traz uma reflexão muito importante. Aborda a forma como as desigualdades socioeconómicas impactam quase tudo na nossa saúde, incluindo a violência, incluindo a agressão e quase todos os campos da saúde mental e da saúde física. Do ponto de vista mais estrutural e mais, se calhar, de saúde mental pública, é algo que deve ser combatido e mitigado. Durante a pandemia isto ficou bem claro, porque as primeiras populações a serem mais afetadas foram as mais vulneráveis do ponto de vista socioeconómico e da sua posição social. Os Anjos Bons da Nossa Natureza, de Steven Pinker, também é um bom livro, estou a lê-lo, precisamente, agora. Fala sobre a violência ao longo dos vários períodos da História e demonstra como, no global, a violência de todos os tipos, incluindo as guerras e outro tipo de agressões, tem vindo a diminuir. O autor relata como é que a humanidade tem conseguido declinar essa violência. Porque morríamos muito mais, éramos muito mais violentos do que somos agora, felizmente. Mas, claro, ainda não estamos livres de violência. Há muito caminho para fazer.

 

27-03-2024

MBA Executivo encerra a sua 17ª edição com entrega de diplomas

A última sexta-feira, 22 de março, ficou marcada pelo término da 17ª edição do MBA Executivo da Católica Porto Business School. A cerimónia, que decorreu em Matosinhos, reuniu os alunos que fizeram o seu trajeto entre 2021 e 2023, naquele que é um dos programas de excelência da Escola e que está cotado, pelo QS Executive MBA Ranking, entre um dos melhores MBA europeus.

Antes do habitual momento de entrega dos diplomas, houve lugar a discursos por parte do diretor da Católica Porto Business School, João Pinto, do diretor do MBA Executivo, Luís Marques, e da coordenadora executiva do MBA Executivo, Sara Pacheco. A maior intervenção ficou a cargo do ‘keynote speaker’, o secretário geral da Associação Business Roundtable Portugal, Pedro Ginjeira do Nascimento.

Após o memorável encerramento de mais uma edição do MBA Executivo, as atenções viram-se agora para a edição que abre em outubro, e que assinala 20 anos de MBA Executivo. Há novidades no programa, como a unidade de Human & Leadership Skills, que vai acompanhar os alunos nos dois anos seguintes à conclusão do programa, ou a recente parceria com a Vienna University of Economics and Business para a realização de uma das semanas internacionais.

Saiba mais sobre a 20ª edição do MBA Executivo da Católica Porto Business School aqui.

27-03-2024

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