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Novidades

“Série Around Writing”: Católica e T4EU lançam trilogia de workshops sobre comunicação científica

Católica Doctoral School (CADOS) da Universidade Católica Portuguesa, em colaboração com a Transform4Europe organiza a «Around Writing Series», uma trilogia de workshops interativos de Comunicação Científica concebida para ajudar os estudantes de doutoramento a melhorar a sua escrita académica através da criatividade, colaboração e reflexão.

Mais do que um curso de formação, a «Série Around Writing» é um laboratório de ideias onde os participantes co-criam conhecimento, experimentam ferramentas de escrita e estabelecem contactos com colegas de toda a Europa. A iniciativa visa impulsionar tanto a dimensão técnica como a dimensão humana da escrita académica, incentivando o pensamento crítico, o propósito e a alegria no processo.

Aberta a todos os doutorandos da rede T4EU, a série oferece um espaço dinâmico para explorar a arte e a prática da escrita a partir de múltiplas perspetivas — feedback, estrutura e inteligência artificial. Cada sessão combina discussão académica com experimentação prática, capacitando os participantes a desenvolver estratégias, ferramentas e hábitos eficazes para uma escrita académica produtiva.

Integrado na recém-lançada Early Researchers Academy da Transform4Europe e parte das ações de formação avançada das Universidades Europeias Erasmus+, este curso imersivo combina teoria e prática.

Tem como objetivo "capacitar os participantes para transmitir eficazmente conceitos científicos e resultados de investigação a públicos diversos, tais como decisores políticos, partes interessadas da indústria e o público em geral", como explica Isabel Lopes Cardoso, gestora de projeto na Católica.

Embora concebida para estudantes de doutoramento, esta formação está também aberta a estudantes de outros ciclos de estudos, staff, professores e investigadores de qualquer universidade membro da Aliança Transform4Europe que desejem participar.

 

Candidate-se até 15 de novembro  Saiba mais

 

Programa

  • Workshop 1 | Feedbacking Me & My Writing
    24 de novembro, 14-17h (Hora de Lisboa)
    Aprenda o poder do feedback construtivo — como solicitá-lo, oferecê-lo e usá-lo para crescer como escritor.
  • Workshop 2 | The Anatomy of the Text & Map Making
    26 de novembro, 14-17h (Hora de Lisboa)Explore como os textos académicos funcionam de dentro para fora — e como mapear as suas ideias para obter clareza e coerência.
  • Workshop 3 | A.I. & You: Effective Prompts for ChatGPT
    1 de dezembro 1, 14-17h (Hora de Lisboa)
    Descubra como usar a inteligência artificial de forma ética e criativa no processo de escrita.
04-11-2025

INSURE.Hub 2025: Conferência internacional debate futuro da sustentabilidade e economia regenerativa

Sustentabilidade, inovação e regeneração voltaram a cruzar-se na 5.ª edição da conferência internacional do INSURE.hub centrada no conhecimento que transforma. Na Universidade Católica no Porto, estiveram reunidos investigadores, líderes empresariais e decisores públicos para debater o compromisso entre sustentabilidade e rentabilidade, a economia regenerativa, e a aliança pela ação e pelas soluções.

Mas poderão a sustentabilidade e a rentabilidade, afinal, coexistir? Frequentemente perspetivadas como prioridades incompatíveis, o keynote speaker da conferência Donald Roy Lessard, professor emérito na MIT Sloan School of Management e Distinguished Visiting Professor na Asia School of Business (ASB), afirma que sim, apresentando esse sweet spot e desafiando os presentes a repensar a sustentabilidade como oportunidade estratégica, traçando linhas orientadoras para “uma abordagem estratégica relativamente a lucros, planeta e pessoas.

Como afirmou Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa para o Campus do Porto e para a Sustentabilidade, o evento é, ano após ano, “uma oportunidade para trocar ideias, estabelecer parcerias, e inspirarmo-nos mutuamente para tomar ações ambiciosas em matéria de sustentabilidade e regeneração.”  Recordando o percurso que tem guiado as diferentes edições da conferência, reiterou o impacto desta “parceria próxima entre academia, mercado e sociedade civil, para fazer a diferença”, num pleno alinhamento com a visão da Universidade Católica Portuguesa, ao nível da sustentabilidade.

 

Finding the Sweet Spot: quando “fazer bem” e “fazer o bem” se reforçam mutuamente

Donald Roy Lessard, na keynote session, reforçou a tríade "impacto, influência e incentivo", lançando o repto “se uma empresa tem impacto, e pode exercer influência, porque é que não está a usá-la?" Por outro lado, Lessard apontou que o processo pode ser convidativo — e não puramente impositivo, abordando o papel dos incentivos.

A sua exposição percorreu um caso de estudo que ligou tecnologia, políticas e modelos de negócio inovadores como motores de mudança, avançando oportunidades em diferentes dimensões da estratégia, "tecido conectivo" e "elemento agregador" de qualquer organização ou projeto. Um caminho para encontrar este ponto onde “fazer bem” e “fazer o bem” se reforçam mutuamente.

 

Regenerative Economics como novo paradigma para o século XXI

Regenerative Economics foi também um tema de destaque na conferência, como abordagem teórica e prática para enfrentar a meta-crise, marcada por crises ambientais, sociais e económicas interligadas. John Fullerton, fundador do Capital Institute, apresentou este paradigma que propõe compreender “a economia humana, não como uma máquina, mas como um sistema vivo” e interdependente, em que decisões económicas e financeiras alinham valor económico, sustentabilidade ambiental e impacto social.

No Keynote Corner, Fullerton destacou caminhos teóricos e práticos para organizações e líderes promoverem sustentabilidade, resiliência e abundância regenerativa - “uma revolução na nossa maneira de ver, pensar e liderar”.  A sessão, moderada por Wayne Visser, contou com a participação de Paulo Azevedo (SONAE), que trouxe ao debate a perspetiva da indústria. Na sua intervenção, destacou a importância de agir com propósito e urgência, afirmando que, “para atravessar este ponto crítico”, é essencial pensar em soluções em diferentes horizontes: a curto prazo, “mitigar” os impactos negativos; a médio prazo, “fazer com que o sistema funcione de forma regenerativa”; e a longo prazo, “construir uma sociedade cuja narrativa reconheça o sucesso através do bem-estar, e não apenas dos bens materiais” - três caminhos que “devem começar agora”.

 

A perspetiva ibérica de uma aliança para a sustentabilidade avançada

O debate “Iberian perspectives on how to be progressive with sustainability” trouxe uma reflexão sobre obstáculos e oportunidades na adoção de soluções sustentáveis, a partir do ecossistema envolvente da Future-Fit Foundation, que colabora com o INSURE.Hub desde a sua criação.

Moderado por Martin Rich (da Future-Fit Foundation), o painel reuniu representantes da Fundación ECODES - Ecologia y Desarollo, Cuatro Tercios e INSURE.Hub, que debateram casos reais de organizações ibéricas, neste percurso para acelerar a sustentabilidade.

 

Academia e Indústria: da ciência à ação, quando a investigação encontra o mercado

Ao longo dos dois dias, a conferência promoveu o diálogo entre academia e indústria como motor de sustentabilidade e inovação. O primeiro dia destacou os contributos da investigação científica através da apresentação de papers e estudos; o segundo reuniu empresas como Águas do Norte, Fundação Lello, re.store, Lipor, SonaeMC e SuperBock Group, que partilharam case studies de impacto e inovação sustentável.

A mesa-redonda que encerrou o primeiro dia, “From Knowledge to Action”, refletiu sobre esta importância de fazer convergir ciência, política e inovação para acelerar a transformação, com a COP30 no horizonte.

O mesmo princípio de “ação” esteve presente na agenda do evento, que incluiu workshops conduzidos por Donald Roy Lessard e Martin Rich, nos quais se exploraram abordagens estratégicas e resilientes para enfrentar os desafios complexos do mundo contemporâneo.

 

INSURE.Hub: cinco anos de impacto e co-criação

O INSURE.Hub consolida-se como um exemplo de colaboração e co-criação entre diferentes quadrantes da sociedade, num ecossistema centrado na sustentabilidade, inovação e regeneração.  Na apresentação “INSURE.Hub in Action”, os co-líderes do hub — João Pinto (diretor da Católica Porto Business School), Manuela Pintado (diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina) e António Vasconcelos (da Planetiers New Generation) — partilharam as suas notas sobre o passado, presente e (projetos) de futuro do hub.

Envolvendo a Universidade Católica no Porto — através da Católica Porto Business School e da Escola Superior de Biotecnologia — e a Planetiers New Generation, João Pinto destacou a missão do INSURE.hub de promover “soluções circulares, sustentáveis e regenerativas, potenciadas por tecnologia e inovações disruptivas.

Com esse fim, António Vasconcelos mencionou a importância de adotar uma “visão sistemática de sustentabilidade, de negócio dentro da sociedade e do ambiente”, num percurso que parte de uma economia degenerativa para uma regenerativa, entendendo os projetos de forma integrada, holística. Numa retrospetiva do progresso feito nos últimos anos, recordou o trabalho junto de líderes e organizações, em vários setores.

Manuela Pintado acrescentou os avanços ao nível da inovação disruptiva, da capacidade de “trazer esta investigação junto das empresas, e apoiar start-ups para crescerem e encontrarem os parceiros certos.” Abordou também a vertente de formação e educação, com programas executivos desenhados à luz desta perspetiva integradora; e, ao nível da literacia e educação, destacou o foco em “informar, treinar (também) a comunidade e o consumidor,” em “levar a mensagem à sociedade e transformá-la.

Assim se contam cinco anos a criar valor nestes quatros eixos, numa história que não podia chegar ao fim sem um momento de agradecimento e de celebração do trabalho de toda a equipa promotora do evento e integrante do hub.

 

Premiar o progresso, (a) pensar no futuro

A conferência terminou com a entrega dos INSURE.Hub Awards, que distinguiram as melhores apresentações de papers e case studies:

  • Susana Costa e Silva“Repair as a Circular Strategy: How Consumers Weigh Value in Fashion” – Prémio KPMG
  • Bárbara Leão de Carvalho“Regenerative Marketing” – Prémio MDS
  • Ana Martins Vilas-Boas – “BioUpCycle: Circular Innovation for the Bioeconomy through the Upcycling of Agro-Residues” – Prémio Soja de Portugal
  • Wayne Visser – “Regenerative Economy: Linking Theory and Practice – Prémio Superbock Group
  • Sílvia Correiare.store
  • Rita MarquesFundação Livraria Lello

De olhos postos no futuro, foi sob o pano de fundo de mais dois dias de grande empenho e investimento em torno da inovação e sustentabilidade que foi já anunciada a data da próxima edição. A 6.ª Conferência INSURE.Hub trará de novo a discussão frutífera ao campus do Porto nos dias 28 e 29 de outubro de 2026.

04-11-2025

“Educação como promessa de futuro”: Universidade Católica participa no Jubileu do Mundo Educativo

No dia 27 de outubro, as palavras do Cardeal José Tolentino Mendonça, Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação e ex-Vice-Reitor da Católica, ressoaram no coração de Roma para representantes de universidades católicas de todo o mundo: “Ao lado dos jovens não se envelhece: é como manter o motor sempre ligado e olhar o mundo com novos olhos”.

Deu-se assim início ao Jubileu do Mundo Educativo, o grande evento do Ano Santo dedicado às escolas e universidades de todos os continentes, onde a Universidade Católica Portuguesa marca forte presença, com uma comitiva de alunos, alumni, docentes, membros da equipa reitoral e staff.

“A Universidade Católica Portuguesa está comprometida com uma ideia de educação como promessa de futuro, que articule a qualidade profissional com a inovação, a sensibilidade estética e social,” refere Isabel Capeloa Gil, Reitora da Católica, sobre a participação nesta semana histórica.

O Congresso Mundial “Constelações Educativas – Um pacto com o futuro” que tem lugar no dia 30 de outubro, convida a uma reflexão sobre os desafios da educação, tendo em conta as novas configurações culturais e tecnológicas.

Neste evento participa Isabel Capeloa Gil, como Presidente da SACRU, na qualidade de moderadora do painel “Reviving the pact with hope: The Educational and Cultural Commitment of Catholic Schools and Universities”, com a participação de Jon Fosse, Prémio Nobel da Literatura 2023, e de SJ Guy Consolmagno, astrónomo do Observatório do Vaticano.

Também Nuno Crespo, Diretor da Escola das Artes, marcará presença, mas no painel “Os novos projetos do Dicastério para a Cultura e a Educação”, onde irá apresentar a Trienal de Artes das Universidades Católicas, a acontecer em 2026.

Esta será a primeira edição da iniciativa lançada pelo Cardeal José Tolentino Mendonça, e coordenada por Nuno Crespo.

A par deste encontro, a Universidade Católica irá também estar presente na “Aldeia da Educação”, um espaço de networking e intercâmbio educacional, a ter lugar em torno da Praça de São Pedro. Estão também previstos encontros do Papa com estudantes, incluindo membros da delegação da Católica, no dia 30 de outubro.

No dia seguinte, é a vez do Encontro do Papa Leão XIV com os Educadores. Concretiza-se ainda a conferência com a Pastoral Universitária de Lisboa e o encerramento do ciclo “Creio na Universidade”, onde irão participar Isabel Capeloa Gil, Sofia Salgado Pinto, docente da Católica Porto Business School, e o estudante Paulo Martinez.

Sábado, dia 1 de novembro, o programa termina, com a celebração da Santa Missa presidida pelo Papa Leão XIV.

Paralelamente, a Aliança Estratégica das Universidades Católicas de Investigação (SACRU) foi apresentada numa receção na Embaixada Portuguesa no Vaticano, para representantes diplomáticos da Santa Sé. Recorde-se ainda que decorre, em simultâneo e integrado no Jubileu, a Escola de outono da SACRU “Liberdade da investigação académica”, até 31 de outubro, no campus de Roma da Australian Catholic University.

O Jubileu do Mundo Educativo decorre no âmbito do Ano Santo 2025, dedicado ao tema da Esperança e representa um momento único de celebração e reflexão sobre o papel da educação na sociedade contemporânea.

A presença da Universidade Católica Portuguesa neste evento sublinha o compromisso da Universidade com a excelência educativa e com os valores que norteiam a sua missão. "Educar é um ato de esperança" - tema central desta celebração jubilar que reúne educadores de todo o mundo na Cidade de Roma.

30-10-2025

Nuno Crespo é o curador-chefe da primeira Trienal de Arte das Universidades Católicas

É português o curador da primeira Trienal de Arte das Universidades Católicas, que se realizará em múltiplas geografias em 2026. Nuno Crespo, diretor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, foi nomeado pelo Dicastério para a Cultura e Educação da Cúria Romana, para assumir a direção curatorial de um projeto global designado por “Art Cut”.

A Trienal Art Cut – Trienal de arte das universidades católicas - ambiciona ser uma vasta conversa, uma conversa sonhada por sua Eminência o Cardeal Tolentino de Mendonça e que se realizará em múltiplas geografias, com uma equipa vasta e em diálogo com diversas instituições,” refere Nuno Crespo. “Uma equipa coletiva para um projeto comum onde arte, educação e cultura se relacionam e mostram a sua centralidade no desenvolvimento de sociedades inteligentes, humanas e empáticas,” explica.

O que propomos é uma exposição, espalhada pelo mundo, que reunirá artistas que falam diferentes línguas, que desenvolvem diferentes práticas poéticas, artísticas, culturais, sociais e políticas. Comum a todos eles, é a convicção que a arte serve de veículo para uma conversa global acerca do mundo, do humano, das nossas alegrias e das nossas dores,” salienta o diretor da Escola das Artes.

A Trienal de Arte das Universidades Católicas decorrerá em múltiplos espaços expositivos e numa lógica híbrida que inclui plataformas digitais, instalação urbana e colaboração com instituições académicas e artísticas. O programa curatorial integrará artistas emergentes e consagrados de todo o mundo, desafiando-os a refletir sobre temas contemporâneos.

A Universidade Católica Portuguesa está comprometida com uma ideia de educação como promessa de futuro, que articule a qualidade profissional com a inovação, a sensibilidade estética e social. A coordenação da Trienal de Arte de Universidades Católicas organizada pela Santa Sé é justamente o reconhecimento de que afirmamos a diversidade e a liberdade da expressão artística como fundamental no nosso modo de formação,” afirma Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa.

O Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano tem assumido um papel ativo na promoção da cultura contemporânea. Entre as suas iniciativas destacam-se as participações na Bienal de Veneza, desde 2018, e a recente criação da galeria “Conciliazione 5”, em Roma, no âmbito do Jubileu dos Artistas 2025, espaço que reforça o diálogo entre arte, espiritualidade e sociedade contemporânea.

O anúncio foi feito hoje, 30 de outubro, em Roma, durante o congresso internacional “Educational Constellations – A Pact with the Future”, promovido pelo Dicastério para a Cultura e a Educação no âmbito das comemorações do 60.º aniversário da Declaração Gravissimum Educationis do Concílio Vaticano II, documento fundamental sobre o papel da educação na missão da Igreja e no desenvolvimento humano integral. Um momento integrado no Jubileu do Mundo Educativo, sob o tema "Educar é um ato de esperança", que reuniu em Roma educadores de todo o mundo para um momento único de celebração e reflexão sobre o papel da educação na sociedade contemporânea. Durante este período foram vários os membros da Universidade Católica Portuguesa que marcaram presença, sublinhando o compromisso da Universidade com a excelência educativa e com os valores que orientam a sua missão.

Discurso de Nuno Crespo na tomada de posse disponível aqui

30-10-2025

ESB/CBQF participam em projeto europeu para promover práticas agroecológicas na vinha

O Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) e a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa (ESB-UCP) integram o consórcio internacional do projeto VinAE, que pretende promover a adoção de práticas agroecológicas capazes de reforçar a resiliência dos agroecossistemas vitivinícolas em várias regiões de referência europeias.

Financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e cofinanciado pela Agroecology Partnership, o VinAE – Vineyards network for co-creation and expansion of AgroEcological strategies to face viticulture challenges: a basis for cross-border living labs incide sobre regiões de Espanha (Ribeira Sacra, Ribeiro, Txakolí e Rioja), Portugal (Douro), França (Gaillac), Itália (Toscana) e Turquia (Anatólia).

Em Portugal, o projeto será liderado pela investigadora Sofia Pereira e contará com a participação das investigadoras Paula Castro, Ana Sofia Sousa e Mariana Godinho, do grupo Environmental Biotechnology and Resources do CBQF.

Através de uma estratégia participativa e de co-criação, o VinAE reúne especialistas e parceiros de várias regiões produtoras de vinho para partilhar conhecimento e desenvolver soluções conjuntas para os desafios atuais da viticultura. O projeto prevê a utilização de diversas ferramentas inovadoras, como bioinoculantes, retentores de água no solo, biofumigantes, culturas de cobertura e wool mulching, com o objetivo de potenciar o desempenho e reforçar a sustentabilidade dos ecossistemas.

Através da implementação de campos experimentais em 5 regiões vitivinícolas, procura-se avaliar o impacto das práticas propostas em parâmetros como o desempenho das videiras, a qualidade do mosto, o sequestro de carbono no solo, a diversidade microbiana e faunística, e a fertilidade do solo. Em Portugal, a implementação do campo experimental foi realizada em colaboração com a ADVID e a Real Companhia Velha, centrando-se na adoção de práticas agroecológicas adaptadas às condições locais, nomeadamente a aplicação de bioinoculantes, bem como a utilização de culturas de cobertura e retentores de água nas entrelinhas.  

Além de promover a adoção de práticas mais sustentáveis, o VinAE pretende identificar barreiras e propor recomendações baseadas em evidências científicas, que favoreçam a transição agroecológica do setor vitivinícola.  

Coordenado pelo Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), de Espanha, o projeto conta com os seguintes parceiros:  

  • UCP - Universidade Católica Portuguesa, Portugal  
  • ADVID - Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense, CoLAB VINES&WINES, Portugal  
  • NEIKER - Basque Institute for Agricultural Research and Development, Espanha  
  • CEFE - Centre d'Ecologie Fonctionnelle et Evolutive, University Paul-Valéry Montpellier 3, França  
  • CREA - Consiglio per la Ricerca in Agricoltura e l'Analisi dell'Economia Agraria, Itália  
  • IRET - Research Institute on Terrestrial Ecosystems, Itália  
  • GAPTAEM – GAP Agricultural Research Institute (Turquia)  

A Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, acolheu a reunião de arranque do projeto, nos dias 22 e 23 de outubro, reunindo representantes de todos os parceiros nacionais e internacionais.

30-10-2025

Católica distingue práticas inovadoras de ensino com o Prémio de Inovação Pedagógica 2025

Durante a Cerimónia Nacional de Abertura do Ano Letivo 2025-2026 e de Entrega de Diplomas da Universidade Católica Portuguesa (UCP), realizada a 13 de outubro de 2025, foram distinguidos os docentes e investigadores premiados na primeira edição do Prémio de Inovação Pedagógica, sublinhando o seu contributo para o reforço da qualidade, inovação e excelência das práticas pedagógicas.

O prémio tem como objetivo incentivar e reconhecer práticas pedagógicas inovadoras que promovam a renovação das metodologias de ensino-aprendizagem e reforcem o papel transformador da educação superior. Cada candidatura vencedora recebe 1.000 euros, a serem reinvestidos em atividades de ensino, investigação ou outras iniciativas pedagógicas.

Após um rigoroso processo de avaliação conduzido por um júri independente, foram distinguidos três projetos vencedores ex aequo:

  • Ana Filipa dos Santos Sobral – Faculdade de Educação e Psicologia
    Projeto: “Aprender, Produzir, Partilhar: O podcast como ferramenta pedagógica colaborativa”
  • Raquel Campos Franco e Leonor Sopas – Católica Porto Business School
    Projeto: “Aprender com propósito – aplicar competências académicas em desafios reais do setor social”
  • Bruno Cardoso, Ana Cachaço, Ana Luísa Silva, Arlindo Ferreira, Carlota Cunha Matos, Inês Milagre, Jader Cruz e Sofia Menéres – Faculdade de Medicina
    Projeto: “Implementação de Mini-testes em sessões tutoriais: Estratégia de consolidação de conceitos em Problem Based Learning”

Os projetos destacaram-se pela inovação, impacto na aprendizagem e qualidade da apresentação pública.
Durante a cerimónia, Isabel Capeloa Gil, Reitora da UCP, felicitou os vencedores e todos os candidatos, reforçando que o prémio representa um incentivo à experimentação pedagógica e à adoção de abordagens centradas no estudante.

Como parte desta iniciativa, o CLIL – Católica Learning Innovation Lab lançou o ebook Compilação de Projetos Inovadores – Prémio de Inovação Pedagógica UCP / 2025, reunindo todos os projetos elegíveis e promovendo a partilha de boas práticas pedagógicas.

29-10-2025

Candidaturas abertas para participar na Assembleia Europeia de Estudantes 2026 em Estrasburgo

Estão abertas as candidaturas para a Assembleia Europeia de Estudantes (ESA) 2026, um evento pan-europeu anual organizado no âmbito do projeto EUC Voices Erasmus+.

De 20 a 22 de abril de 2026, mais de 230 estudantes das 65 Alianças Universitárias Europeias, incluindo a Transform4Europe, reunir-se-ão no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para debater questões fundamentais para o futuro da Europa e elaborar recomendações políticas concretas a partilhar com as instituições da UE e as partes interessadas.

Esta é uma oportunidade única para os estudantes da Universidade Católica:

  • Trabalharem com colegas de toda a Europa em desafios políticos, sociais e económicos prementes.
  • Adquirirem experiência em primeira mão na deliberação democrática e na elaboração de políticas.
  • Representarem a universidade e a aliança no Parlamento Europeu.

Os estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento da Universidade Católica Portuguesa, com idade até 30 anos, podem candidatar-se até 2 de novembro de 2025 (23:59 CET). Não é necessária experiência prévia, apenas motivação e empenho.

 

Saber mais  | Candidaturas

 

29-10-2025

Manuela Pintado integra Conselho Consultivo da COTEC Portugal

Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica Portuguesa, foi convidada a integrar o Conselho Consultivo da COTEC Portugal, uma das mais importantes plataformas nacionais dedicadas à promoção da inovação e da competitividade das empresas portuguesas.

A COTEC Portugal é uma associação sem fins lucrativos que tem como missão promover o aumento da competitividade das empresas localizadas em Portugal, através do desenvolvimento e difusão de uma cultura e de uma prática de inovação, bem como do conhecimento residente no país. Desde a sua criação em 2003, a COTEC conta com o Presidente da República como Presidente Honorário e foi reconhecida como instituição de utilidade pública. A sua atividade assenta em três eixos estratégicos — Antecipar, Ativar e Advogar — orientados para promover a reflexão sobre tendências futuras, fomentar a inovação colaborativa e contribuir para políticas públicas eficazes que estimulem a inovação empresarial.

É uma honra integrar o Conselho Consultivo da COTEC Portugal e poder contribuir para a reflexão estratégica sobre os caminhos da inovação nacional. Acredito que a colaboração entre ciência e indústria é essencial para transformar conhecimento em valor económico e social,” sublinha Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.

Com uma carreira marcada pela investigação de excelência e pelo forte compromisso com a transferência de conhecimento, Manuela Pintado tem desenvolvido numerosos projetos em colaboração com empresas e instituições científicas, tanto nacionais como internacionais, nas áreas dos alimentos funcionais, cosméticos e materiais, da valorização de subprodutos e resíduos, e da produção e caracterização de compostos bioativos. Enquanto diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina e coordenadora do grupo de investigação Bioactives & Bioproducts Research, tem promovido uma cultura de inovação e colaboração que reforça a ligação entre ciência e indústria, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e para a competitividade nacional. A integração de Manuela Pintado no Conselho Consultivo da COTEC Portugal representa um importante reconhecimento do seu percurso e uma oportunidade para reforçar o diálogo entre o sistema científico e o tecido empresarial português.

29-10-2025

Católica Porto Business School lança dois novos programas de dupla licenciatura internacional para a licenciatura em Gestão

A Católica Porto Business School vai oferecer, já no próximo ano letivo, dois novos programas de dupla licenciatura internacional, para os alunos da licenciatura em Gestão, em parceria com instituições de prestígio mundial: a WU Vienna University of Economics and Business (Áustria) e a KEDGE Business School (França). 

Os novos programas permitem aos estudantes da licenciatura em Gestão obter dois diplomas em apenas três anos – um da Católica Porto Business School e outro da universidade parceira – reforçando competências académicas, culturais e profissionais num contexto global. 

“Estes novos programas refletem a estratégia da Católica Porto Business School de reforçar a sua dimensão internacional e oferecer experiências académicas transformadoras aos seus estudantes, através de parcerias com instituições de excelência”, destaca o diretor da Católica Porto Business School, João Pinto

Formação internacional com foco na empregabilidade 

Entre os principais benefícios para os estudantes está a possibilidade de reforçar a ligação ao mundo empresarial e ampliando as oportunidades de carreira, especialmente em empresas multinacionais. No caso do programa com a KEDGE Business School existe a possibildiade e realizar um estágio internacional, e na WU os alunos terão uma ampla variedade de especializações e disciplinas eletivas num campus moderno e um ambiente de aprendizagem internacional. 

Os alunos que se encontram no primeiro ano da Licenciatura em Gestão já vão poder optar por integrar este modelo. Para a diretora adjunta para as Licenciaturas da Católica Porto Business School, Helena Correia, a iniciativa é mais um passo na formação de gestores preparados para um mercado global: “Através desta dupla licenciatura internacional em Gestão com outra universidade parceira, os nossos alunos vão ter acesso a contextos de aprendizagem diferenciadores, que potenciam ainda mais a sua empregabilidade e a sua capacidade de atuar em ambientes multiculturais e complexos”. A docente recorda ainda que a Católica Porto Business School foi pioneira, juntamente com a Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, no lançamento da dupla licenciatura em Direito e em Gestão. 

 Passo natural na internacionalização

Segundo a diretora adjunta para a Global Education, Rita Ribeiro, “este é um passo natural para uma faculdade que já tem experiência reconhecida com os seus double degrees de mestrado. Para a Católica Porto Business School, estas novas parcerias representam um passo estratégico no reforço da reputação internacional e na consolidação da cooperação académica global, confirmando o reconhecimento da qualidade do ensino por parte de escolas de referência à escala mundial”, conclui.  

Parceiros de excelência 

A Vienna University of Economics and Business é uma das principais Business Schools da Europa, detentora do reconhecimento “triple crown” (AACSB, EQUIS e AMBA), à semelhança da Católica Porto Business School – distinção alcançada por um número muito limitado de escolas em todo o mundo. A colaboração entre a Católica Porto Business School e a WU abrange programas de mobilidade de estudantes e docentes, bem como iniciativas conjuntas de curta duração (Summer Schools), proporcionando uma experiência de aprendizagem global e interdisciplinar. 

A KEDGE Business School (França), igualmente distinguida com o “triple crown”, é uma instituição de referência no ensino da gestão em França, com forte foco na inovação, sustentabilidade e empregabilidade. A parceria com a Católica Porto Business School inclui já programas de mobilidade e Double Degrees ao nível de mestrado, agora alargada à Licenciatura em Gestão, reforçando o compromisso das duas instituições com uma formação global e orientada para o futuro. 

Uma experiência global no Porto 

Os novos programas distinguem-se pela reputação internacional das universidades parceiras, pela integração de estágios internacionais e por uma experiência académica intensiva e multicultural, que promove o desenvolvimento de competências interculturais e amplia as redes de contacto internacionais. 

Os programas de Double Degree da Católica Porto Business School funcionam em dois sentidos: além de enviar estudantes para completar o último ano da licenciatura nas universidades parceiras, a Católica Porto Business School irá também acolher estudantes da WU e da KEDGE no campus do Porto. Esta dinâmica cria um ambiente académico multicultural, promove a troca de experiências e fortalece a rede global de contactos, enriquecendo a vida académica e profissional de todos os alunos envolvidos. 

 

27-10-2025

Rui Armindo Freitas: “A universidade é um lugar de liberdade.”

Rui Armindo Freitas é Secretário de Estado Adjunto da Presidência e Imigração e licenciado em Economia pela Católica Porto Business School. Sobre o cargo que atualmente desempenha no XXV Governo Constitucional, afirma: “Quando somos chamados a servir o país, é difícil dizer que não.” Natural de Guimarães e deputado municipal há 20 anos, defende uma política próxima das pessoas: “Faço sempre questão de conhecer o terreno, qualquer que seja a função.” Nesta entrevista, fala sobre o papel das universidades, a importância de governar com visão de futuro e deixa ainda uma mensagem para os estudantes que agora iniciam o seu percurso no Ensino Superior.

 

Quais as suas memórias de infância?

Tenho uma memória bastante viva desde muito cedo. A minha infância foi feliz, cheia de brincadeiras. Desde pequeno que comecei a gostar, ou talvez a gostar ainda mais, das coisas que hoje me interessam. Era uma criança muito curiosa, especialmente por tudo o que dizia respeito à política, ao ativismo e até à atividade empresarial. Acompanhava muito de perto o meu pai, que estava ligado ao setor têxtil no Vale do Ave, e isso deu-me um contacto muito precoce com o mundo do trabalho.  Desde cedo tive também interesse pela política e pelo que se passava à minha volta. Lembro-me, por exemplo, de ter sido muito ativo, em 1991, na resposta ao massacre de Santa Cruz, em Timor-Leste. Também sempre tive uma ligação muito forte à minha cidade, Guimarães. Quem é de Guimarães costuma ter esse orgulho bairrista e eu cultivei-o desde sempre.

 

É licenciado em Economia. Porquê escolher a Universidade Católica para estudar?

A escolha da Católica foi natural porque, na altura, era uma Escola que já se destacava no Norte na área da Gestão, com uma visão muito contemporânea. A empregabilidade dos cursos da Faculdade de Economia e Gestão, atual Católica Porto Business School, era muito alta, e existia um serviço de apoio ao aluno e às carreiras que fazia realmente a diferença. Ao longo do percurso académico, há sempre professores que nos marcam, nem sempre são os mais óbvios ou os das cadeiras mais centrais, mas aqueles com quem criamos ligações especiais e memórias que ficam. Na Católica, sentia-se um ambiente de grande proximidade. Havia uma relação muito humana com toda a estrutura da Universidade. O Sr. Américo, por exemplo, que trabalhava na Secretaria, conhecia os alunos todos pelo nome. O Professor Carvalho Guerra também é uma pessoa muito marcante e com uma relação próxima com os alunos. Era um ambiente muito próximo e muito familiar.

 

Ao longo da sua vida profissional passou por vários setores de atividade e também esteve sempre ligado ao associativismo. O que é que o move?

Sempre estive ligado ao mundo associativo, talvez por feitio. Essa ligação levou-me, naturalmente, a envolver-me também na política, sempre numa perspetiva de participação cívica. Nunca tive cargos executivos na política, a não ser agora, numa fase da minha vida em que tenho a independência necessária para o fazer com sentido de missão. É isso que me move hoje: um verdadeiro sentido de missão. Servi o XXIV Governo Constitucional e agora o XXV e parei tudo na minha vida para aceitar esse desafio. Quando somos chamados a servir o país, é difícil dizer que não. Mesmo durante os meus anos na Católica, participei na associação de estudantes e estive ligado à juventude partidária do partido em que milito desde muito novo. Fui convidado a filiar-me ainda jovem, e senti esse chamamento. No fundo, o mais importante nos negócios, na política e no associativismo são sempre as relações pessoais, a forma como gerimos as pessoas e nos relacionamos com elas. Os diferentes setores por onde tenho passado têm desafios específicos, mas o essencial é comum: as relações humanas. Os problemas resolvem-se mais facilmente se conseguirmos estabelecer boas relações e encontrar soluções em conjunto.

 

Quando o desafiam é difícil dizer que não?

Sim, muito difícil. Tenho essa dificuldade, porque, quando alguém nos pede ajuda, sinto naturalmente esse chamamento. Quando assumi funções em exclusividade, tive de renunciar a 16 entidades onde colaborava, irmandades, associações e outras organizações. Sempre tive esse impulso: “É preciso ajudar? Então vamos lá.” Foi sempre um traço do meu carácter.

 

Enquanto Secretário de Estado, toma decisões com impacto nacional. Como encara essa responsabilidade no seu dia a dia?

Sou católico e tendo, também, passado pela Universidade Católica, carrego uma matriz que vai além da fé, uma matriz social, ideológica e filosófica, que tem muito a ver com a doutrina social da Igreja. Essa tradição cristã está na base da nossa cultura ocidental, do nosso Direito, da nossa Economia. Mas acredito que uma visão sólida da sociedade, assente em valores claros, ajuda-nos a tomar decisões. Muitas vezes são decisões difíceis e devemos ter sempre consciência de que, no fim da cadeia de decisão, está uma pessoa. E essa decisão pode ter impacto profundo na vida dessa pessoa. Por isso, o objetivo deve ser gerar o maior impacto positivo possível para o maior número de pessoas possível. Claro que nunca se consegue agradar a todos, não existe uma solução perfeita. Mas devemos procurar otimizar, encontrar um equilíbrio que beneficie o máximo número de pessoas. Essa é a grande dificuldade da política: manter os olhos no futuro, mesmo enquanto resolvemos os problemas do presente. Governar é também lançar as bases do que virá.

 

Governar para o presente e para o futuro…

Sem dúvida e não há um manual para ser membro do Governo. De tudo o que fiz na vida, esta é a função mais desafiante. Não há um playbook. Olhamos para o nosso percurso e é ele que nos dá a visão para o futuro. O governante tem de olhar para o dia de hoje, mas sem nunca esquecer que tem de lançar as bases para o futuro.

 

Que papel tem a política de proximidade na sua visão de serviço público?

Hoje sou Secretário de Estado Adjunto da Presidência e da Imigração. E não há forma de tomar decisões difíceis sem contacto direto com a realidade. Faço sempre questão de conhecer o terreno, qualquer que seja a função. É fundamental perceber a realidade concreta que estamos a tentar regular ou transformar. Por vezes, recebemos críticas de quem olha para os assuntos de forma superficial, como se tivesse o mesmo grau de certeza de quem se debruça verdadeiramente sobre as questões. A política tem de ser feita com proximidade, com conhecimento real dos problemas. Sabemos que não conseguimos resolver tudo para todos, mas temos de tentar resolver o máximo possível, com responsabilidade.
No meu caso em particular, continuo, também, a intervir na política local. Sou deputado municipal em Guimarães há 20 anos. Continuo atento a tudo: desde a taxa da água ao orçamento autárquico, à requalificação de uma estrada que pode dinamizar a economia local. Sempre o fiz com paixão. Sou profundamente ligado à minha terra, ao Vale do Ave e à história da indústria têxtil, que é uma das bases da nossa economia e identidade.

 

O que é que a região tem de especial?

São as pessoas e a sua capacidade de trabalho. Eu acho que, no fundo, são sempre as pessoas. As pessoas são sempre um fator determinante em tudo. O espaço não é nada se não for habitado. São as pessoas que lhe dão a sua característica. Mais do que as pessoas que estão agora, são as pessoas que nos antecederam. São as pessoas que foram construindo a História antes de nós, que foram moldando a nossa forma de ver o mundo. Olhando para o Vale do Ave, olhando para Guimarães, é uma região e uma terra de gente que trabalha, de gente que nunca vira a cara à luta. Nesse chão comum do trabalho, os que não viram a cara à luta têm uma forma muito aguerrida de estar em tudo, na forma como se apresentam ao país, sempre com muito bairrismo e muita força. Ninguém fica indiferente. É, de facto, uma cidade que foi Capital Europeia da Cultura em 2012 e continua a marcar claramente aquilo que é Portugal. Toda a gente tem noção daquilo que ali está. O Vale do Ave foi o berço da revolução industrial em Portugal, no século XIX. Uma revolução industrial tardia, mas que parte dali. E foi dali que muito do que é hoje a economia portuguesa acabou por nascer.

 

Como é que olha para o papel das universidades em Portugal?

Há um desafio que ainda temos de ultrapassar, que é o dos contágios entre o mundo universitário e o tecido económico. Já muito foi feito. Nos últimos vinte anos, a realidade mudou completamente. A academia era uma coisa e os agentes económicos outra. Felizmente, hoje já não é assim. Ainda assim, acho que devia existir um contágio maior. As universidades nunca devem perder o que às vezes se perde com a aceleração da comunicação, das redes sociais e dos muitos interesses. A universidade nunca se pode esquecer que é um espaço de debate, um espaço livre de opinião, um espaço onde deve existir capacidade crítica para poder ajudar a construir a sociedade. Esse, sim, é um papel fundamental das universidades. Do ponto de vista político, a universidade é um lugar de liberdade, mas deve ser também um polo de evolução e de contestação. As universidades devem pôr tudo em causa. Temos de questionar mais. Gostava que não existisse uma diferenciação entre aqueles que bebem da primeira água do conhecimento científico e depois outros que só vão ler o que vem de livros produzidos noutro sítio qualquer. Queria que todos questionassem. Olhe-se, por exemplo, para o caso da Católica, tem uma academia com pessoas extraordinárias. Essa massa crítica tem de ser aproveitada pela sociedade no seu potencial. É aí que eu vejo o futuro da universidade, na capacidade de refletir a sociedade e as soluções. Não ter medo de inovar. Não ter medo de falhar e voltar a fazer. Não ter medo de pensar em conjunto.

 

O que é que ambiciona para Portugal?

Depois de um ano em funções, vejo dificuldades que talvez no primeiro dia não imaginasse que existissem. Contudo, venho trabalhar todos os dias com a mesma energia do primeiro dia. E não vou esmorecer. Desde logo, sou de Guimarães (risos). O que é que eu quero e ambiciono? Fundamentalmente, quero deixar aos meus filhos um Portugal melhor do que aquele que recebi. Com mais rendimento, mais poder de compra, uma economia mais desenvolvida, mais produção científica, melhor qualidade de vida, mais crescimento. Vejo em Portugal características de um país extraordinário. Nós somos um povo extraordinário. Portugal é um país com uma força que tem de ser mais despertada. Nós conseguimos provar que temos dos melhores em todas as áreas. Temos sempre o melhor. Mas o que seria ótimo era que todos fôssemos muito bons em média. Ou seja, o desafio é elevar a média: a média das competências, a média da qualidade, a média daquilo que fazemos. Os muito bons nós já os temos. Já nos inspiram. E, de facto, somos um país que, pela sua posição estratégica, pela sua história multicultural, pela sua ligação ao mundo (fomos sempre um país globalista, aberto ao mundo) temos um papel fundamental.

 

É otimista?

Sempre otimista. Nós somos extraordinários. Estive na Católica há duas semanas e pude ver que aquilo que fazem é extraordinário. Mas, felizmente, não são os únicos extraordinários. Há mais extraordinários. Há muitos extraordinários em Portugal e por isso não posso não ser otimista quanto ao nosso país. Saibamos pegar no potencial de Portugal e convertê-lo. Também não podemos viver só de potencial, só de esperança, só de orgulho. O grande desafio é converter esse potencial em algo concreto.

 

Milhares de jovens acabaram de ingressar no Ensino Superior. Que conselho daria a estes jovens que agora começam a sua vida universitária?

Vão iniciar a etapa mais extraordinária da vida deles. É uma etapa que vai moldar aquilo que eles vão ser. O primeiro dia da universidade ninguém esquece. Ninguém se esquece da noite anterior ao primeiro dia. Aquelas borboletas na barriga (risos). Que vivam este percurso universitário com a certeza de que, quando saírem, serão muito melhores. Assim haja esforço e dedicação, tudo se vai alinhar para uma vida que tem tudo para ter sucesso.

 

23-10-2025

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