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Conceição Cunha: “Para combater a criminalidade, é preciso integrar as pessoas na sociedade.”

Conceição Cunha é docente da Faculdade de Direito – Escola do Porto. Desde os seus 17 anos na Católica, tem dedicado a sua vida ao ensino e investigação. É especialista em Direito Penal. Nesta entrevista fala-nos da importância da ressocialização e afirma que “nunca devemos desistir das pessoas, devemos sempre tentar reintegrá-las”. O que é que tenta transmitir aos seus estudantes? “Sensibilidade e bom senso. Se querem ser juízes ou advogados, têm de saber olhar para a pessoa que está ali e ter empatia com o seu problema.”

 

É licenciada em Direito pela Faculdade de Direito – Escola do Porto da Universidade Católica. Porquê escolher o Direito para a sua vida?

Tive muitas dúvidas na escolha do curso. Pus a hipótese de seguir Psicologia e, mais tarde, pensei em Línguas e Literaturas – cheguei a estar inscrita no 12º ano, nas disciplinas de Português, Francês e Latim, pois gostava (e gosto) muito de literatura. Mas também tinha interesse em Direito, embora não soubesse bem se o meu caminho seria por aí. O meu irmão estudava Direito em Coimbra e dizia que eu tinha jeito, mas talvez por esse motivo tenha resistido mais (risos). Mas recordo-me de me ter emprestado um livro chamado “O Advogado e a Moral”, com casos éticos difíceis, que achei muito interessante e teve um certo impacto na minha decisão.

 

Porquê escolher a Católica para estudar?

Uma amiga do secundário desafiou-me a assistir a umas aulas do curso de verão da Católica. Fiquei bastante entusiasmada com algumas das aulas a que assisti (em especial, uma aula sobre a aplicação da lei no tempo, lecionada pelo Doutor Taipa de Carvalho – com quem, curiosamente, depois vim a trabalhar) e decidi candidatar-me ao ano zero. Entrei! Mas mantive a minha matrícula no Liceu Rodrigues de Freitas no regime pós-laboral. Foi um ano bastante atribulado da minha vida, onde durante o dia fazia o ano zero da Católica e à noite estudava na área de Letras no Liceu.

 

“Gosto muito do contacto com os alunos, que nos renovam e nos ajudam a compreender os problemas atuais da sociedade.”

 

Ficou na Católica até hoje …

Sim, não saí mais de cá. Estou na Católica desde os meus 17 anos. Acabei por optar por seguir Direito e, durante o curso, fui muito feliz. Havia um ambiente muito bom de amizade entre as pessoas. Costumo dividir as cadeiras do curso em dois grupos: aquelas que me apaixonaram, porque mexem com a natureza humana - como o Direito Penal, a Filosofia do Direito, o Direito Constitucional e o Direito da Família - e outras mais técnicas, que achava interessantes, mas menos cativantes, como o Direito Fiscal ou o Direito das Sucessões (apesar de estas disciplinas também suscitarem questões ideológicas controversas). Gostava sobretudo das disciplinas que tinham a ver com as pessoas, com questões fundamentais de justiça e direitos humanos. No final do curso, fui convidada a ficar como docente.

 

O que é mais fascinante na sua profissão?

São vários os aspetos. Gosto muito do contacto com os alunos, que nos renovam e nos ajudam a compreender os problemas atuais da sociedade. A relação com eles sempre foi muito boa e valorizo esse diálogo constante. Também gosto muito da investigação, porque traz sempre novos desafios. Às vezes penso que, depois de tantos anos no mesmo lugar, poderia sentir monotonia, confesso que tinha esse receio no início da vida adulta, mas a verdade é que o ambiente e o ensino mudaram imenso e até a própria Faculdade. A Faculdade cresceu, o tipo de ensino evoluiu: de aulas teóricas e práticas passámos para aulas teórico-práticas, com uma dinâmica muito maior, análise de casos reais, apresentações e avaliações contínuas. Além disso, somos cada vez mais chamados para conferências, projetos nacionais e internacionais, o que nos coloca em contacto com diferentes realidades e áreas jurídicas e também com outras disciplinas e áreas do saber (curiosamente, tenho trabalho bastante com a área da psicologia, que, como disse, sempre me interessou). Tudo isto faz com que estes muitos anos na Universidade Católica tenham sido tudo menos monótonos.

 

O que é que diferencia o ensino da Faculdade de Direito?

O contacto próximo entre alunos e professores é uma das mais-valias. O sistema de aulas teórico-práticas, com turmas mais pequenas, facilita muito esse contacto direto e o diálogo. Além disso, a possibilidade da avaliação contínua  dá aos alunos a oportunidade de escolherem trabalhar temas polémicos e apresentá-los. Isto torna o ensino mais dinâmico, aproximando os alunos do conhecimento prático. Ponho os meus alunos a trabalhar com acórdãos, a comentá-los, a analisarem casos concretos. Acho essencial preparar os alunos para a vida real, para os problemas concretos da profissão e para isso a dimensão da proximidade é fundamental. E que bom que é reencontrá-los mais tarde já no pleno exercício das suas profissões! Recentemente, estive em Cabo Verde para participar numa conferência e tive a alegria de encontrar antigas alunas cabo-verdianas, que tinham sido minhas estudantes na Católica há cerca de 20 anos e que agora são advogadas e professoras no seu país.

 

“Acredito na ressocialização.”

 

Nas suas aulas, para além de todo o conhecimento técnico, o que é que essencialmente transmite aos seus alunos?

Sensibilidade e bom senso. São essenciais. Se querem ser juízes ou advogados, têm de saber olhar para a pessoa que está ali e ter empatia com o problema das pessoas. Na minha área em particular, o Direito Penal, acho fundamental não perder a esperança. Podem dizer que sou utópica, mas acredito que não é utopia.

 

O que significa não perder a esperança?

Quanto mais visito prisões, mais falo com os seus diretores, conheço casos, mais acredito que o ser humano, apesar de poder ser violento e fazer coisas terríveis, tem uma parte essencialmente boa. É por isso que acredito na ressocialização. No Direito Penal, dizemos que a pena serve para proteger a sociedade e os bens jurídicos, e isso é fundamental, não estou a dizer o contrário, mas a pena também serve para ajudar o condenado a ressocializar-se, a melhorar. Estas duas funções, proteger a sociedade e ajudar o condenado não são incompatíveis e devem andar de mãos dadas. Muitas vezes, porém, as pessoas veem o sistema penal de forma simplista ou radical, e acham que é só prender ou não prender, quando o que realmente importa é garantir a segurança da sociedade através da reintegração. A melhor forma de proteger as vítimas e a sociedade é dar condições para que a pessoa que cometeu o crime deixe de ser um perigo. Claro que existem crimes horríveis onde a ressocialização é um enorme desafio. Há, também, pessoas com patologias ou doenças mentais graves que influenciam de forma determinante o seu comportamento e que exigem tratamentos especiais e muitas vezes para toda a vida. Mesmo nessas situações, com o devido acompanhamento, essas pessoas podem deixar de ser perigosas. Há também pessoas com perturbações de personalidade que não são graves ao ponto de serem consideradas inimputáveis, mas que precisam de tratamento e acompanhamento. Portanto, nunca devemos desistir das pessoas, devemos sempre tentar reintegrá-las.

 

“É fundamental atuar para quebrar estes ciclos de violência e maus-tratos e para dar às pessoas oportunidades de outra vida.”

 

Há alguma relação entre penas mais severas e diminuição da criminalidade?

Se olharmos para outros países, vemos que não são aqueles com penas mais severas que têm maior estabilidade social ou menos criminalidade. Pelo contrário, basta ver os Estados Unidos, onde há pessoas a cumprir penas de centenas de anos e a criminalidade não diminui. Por outro lado, países mais moderados, como a Noruega, que têm prisões pequenas e focadas na reintegração na comunidade, são exemplos de sucesso. O problema é que em muitos países há um grande fosso social que dificulta essa integração. Portugal está num meio-termo, não tem prisões do “terceiro mundo”, mas também não tem todos os apoios necessários. A questão é que, para combater a criminalidade, é preciso integrar as pessoas na sociedade, dar-lhes condições mínimas, para que não caiam no crime desde cedo. Isso leva-nos à questão da delinquência juvenil, que é crucial: quanto mais cedo se atuar, mais fácil é evitar a criminalidade. Por exemplo, em Inglaterra existem programas para agressores sexuais com uma taxa de sucesso de cerca de 70%, o que é muito positivo. Por isso, para além da parte técnica que naturalmente passo aos meus alunos, eu esforço-me por sensibilizá-los para os problemas sociais que estão muitas vezes na origem da criminalidade. É fundamental atuar para quebrar estes ciclos de violência e maus-tratos e para dar às pessoas oportunidades de outra vida. É preciso investir mais, sempre mais. Eu tento manter a esperança. Mas não uma esperança vazia, é uma esperança fundamentada e realista.

 

26-06-2025

"Tecnologia e Transformação" é o tema da Porto Summer School on Art & Cinema

Entre 30 de junho a 4 de julho de 2025, a cidade do Porto vai receber mais uma edição da Porto Summer School on Art & Cinema, que este ano decorrerá sob o tema Technology/Transformation. Organizada pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, esta iniciativa trará à cidade do Porto curadores, pensadores e artistas portugueses e internacionais.

Com foco na análise dos gestos disruptivos iniciados na década de 1970, quando o vídeo e o Super 8 democratizaram o acesso à imagem em movimento, e o impacto desta democratização nas práticas artísticas atuais, a Porto Summer School on Art & Cinema é um curso avançado de novas práticas de cinema, combinando um pensamento crítico com o contacto com grandes criadores do cinema e da arte contemporânea.

Além dos workshops diários, a Summer School tem também um programa público, composto principalmente por sessões de cinema, abertura de exposições e performances, nas quais participarão os realizadores/artistas que estão presentes no curso.

 

5 dias na cidade com o programa público

O programa público da Porto Summer School on Art & Cinema é de entrada livre e é uma oferta da Escola das Artes à cidade, arrancando no dia 30 junho, às 21h30, no Auditório Ilídio Pinho, da Escola das Artes, com a exibição de três curtas-metragens de Gabriel Abrantes (EUA) e uma sessão de Q&A. Neste dia serão exibidos "Os Humores Artificiais" (2016), "Les Extraordinaires Mésaventures de la Jeune Fille de Pierre" (2019) e "A Brief History of Princess X" (2016), obras deste realizador premiado em Cannes, Locarno e Berlim, e que trabalha simultaneamente como artista visual, tendo ganho em 2008 o Prémio Jovem Artista EDP.

No dia 1 julho às 18h30, a norte-americana Chrissie Iles, curadora de grandes exposições retrospectivas de Marina Abramovic, Dan Graham, Louise Bourgeois, Sol LeWitt, Donald Judd ou Yoko Ono, e sendo a atual curadora Whitney Museum of American Art, vai dar uma conferência no Auditório Ilídio Pinho da Escola das Artes. Às 20h inaugura na Sala de Exposições "Karle: Cartas", uma exposição de Pedro Huet (Portugal), artista plástico, cuja prática se tem desenvolvido em torno de teias narrativas que se servem de objectos fílmicos, fotográficos ou escultóricos para refletirem sobre estruturas, discursos ou imagéticas.

O cineasta e artista plástico brasileiro Cao Guimarães, com obras em coleções como a Tate Modern, MoMA, Museu Guggenheim, Fondation Cartier ou Museu Thyssen-Bornemisza, vai apresentar no dia 2 de julho, às 21h30, no Cinema Trindade, o filme "O Homem das Multidões", que corealizou com Marcelo Gomes em 2013. O filme é uma reflexão sobre diferentes formas de solidão e amizade no universo urbano brasileiro. Após a sessão o artista vai estar à conversa com o público portuense.

No Batalha Centro de Cinema, a 3 de julho, serão exibidas duas curtas-metragens da premiada artista e cineasta norte-americana Deborah Stratman: "Hacked Circuit" (2014) e "Last Things" (2023). Stratman expôs internacionalmente no MoMA (NY), Centre Pompidou (Paris), Hammer Museum (LA), Witte de With (Roterdão) e PS1 (NY), entre outros, tendo os seus filmes sido amplamente apresentados em festivais e conferências, como Sundance, Viennale, Berlinale, CPH:DOX, Oberhausen, TIFF, Locarno e Roterdão e os seu filmes exploram temas como o poder, a crença e o espaço social.

O programa público da Porto Summer School on Art & Cinema termina a 4 julho às 22h, no Passos Manuel com o concerto Crepuscule Live A/V às 22h, da dupla japonesa Tujiko Noriko & Joji Koyama, cujas carreiras nas áreas da música e cinema se têm vindo a cruzar criativamente ao longo de duas décadas. 

Daniel Ribas (diretor do CITAR, Escola das Artes), Inês Grosso (curadora-chefe do Museu de Arte Contemporânea de Serralves), João Laia (diretor artístico da Direção de Arte Contemporânea/Ágora Porto), José Alberto Gomes (docente e investigador EA) e Nuno Crespo (Diretor da EA) são os curadores da Porto Summer School, que se realiza em vários espaços culturais da cidade do Porto, reforçando a ligação entre a academia e a comunidade local.

O programa está disponível aqui

 

26-06-2025

Católica Porto Business School assina acordo de parceria com a Universidade ESLSCA no Egito

A Católica Porto Business School e a Universidade ESLSCA, no Egito, anunciaram uma nova parceria, assinalando um passo importante na expansão das oportunidades de educação empresarial internacional entre a Europa e o Norte de África.

O acordo foi oficialmente assinado durante a visita do diretor de Programas Internacionais da Católica Porto Business School, Cosme Almeida, ao Cairo, onde participou na Connect Conference da Association of African Business Schools.

“Esta colaboração foi pensada para proporcionar aos estudantes de educação executiva das duas instituições acesso a programas de intercâmbio enriquecedores, iniciativas académicas conjuntas e contacto com diferentes contextos empresariais”, explica Cosme Almeida. “Foi também fruto de uma relação já existente com o novo reitor da ESLSCA, Helmi Halmani”, acrescenta.

Para o diretor da Católica Porto Business School, João Pinto, "esta parceria exemplifica o nosso compromisso em promover a inovação impactante e uma mentalidade global. Juntamente com a ESLSCA, pretendemos preparar estudantes e profissionais para prosperarem num panorama empresarial em rápida evolução". 

Esta colaboração impulsiona o desenvolvimento de novas iniciativas em educação executiva e programas de formação. Promove também a cooperação nas áreas da inovação e da sustentabilidade. E reforça a ligação estratégica entre a Católica Porto Business School e o continente africano.

25-06-2025

Católica no top nacional em internacionalização e empregabilidade do QS World University Rankings 2026

A Universidade Católica Portuguesa está no top 3 nacional nos indicadores de Estudantes Internacionais e Diversidade Internacional e no top 4 quanto a Docentes Internacionais, de acordo com a mais recente edição do reputado QS World University Rankings.

Além de uma internacionalização sólida, a Católica destaca-se também quanto à empregabilidade, posicionando-se no top 4 nacional nos parâmetros de Employer Reputation e Employment Outcomes, que avaliam o reconhecimento e o impacto dos diplomados no mercado de trabalho.

A nível global, a universidade Católica alcançou também um desempenho significativo, subindo do escalão 901-950 para o escalão 781-790. Desta forma, foi a universidade portuguesa com maior evolução face ao ranking do ano anterior, consolidando a sua presença entre as melhores universidades a nível mundial.

Na sua 22.ª edição anual, o QS World University Rankings avalia mais de 1500 universidades, de 105 sistemas de ensino superior em todo o mundo, e incorpora opiniões de mais de 151 mil académicos e de 100 mil entidades empregadoras.

Analisa o desempenho das universidades a nível global, com base em seis indicadores principais, de modo a refletir a qualidade do ensino e da investigação, o grau de internacionalização e a respetiva atratividade global: reputação académica, reputação entre empregadores, rácio entre docentes e estudantes, citações por docente, percentagem de docentes internacionais e percentagem de estudantes internacionais.

25-06-2025

Católica Porto Business School vê acreditação EQUIS renovada por mais cinco anos

A Católica Porto Business School acaba de ver a sua acreditação EQUIS revalidada por mais cinco anos - o período máximo atribuído pela European Foundation for Management Development (EFMD). É a primeira vez que a Escola alcança esta distinção pelo período máximo, um marco que reforça o reconhecimento do seu compromisso com a excelência académica, inovação, impacto positivo e qualidade em todas as suas áreas de atuação. 

A acreditação EQUIS (EFMD Quality Improvement System) é considerada um dos selos de qualidade mais prestigiados para escolas de gestão a nível mundial. A reacreditação por cinco anos é atribuída apenas a escolas que cumprem todos os padrões de qualidade da EQUIS, demonstrando excelência e desempenho sólido em todas as áreas. 

“Estamos muito orgulhosos por ter recebido a reacreditação EQUIS. Este reconhecimento internacional está totalmente alinhado com a nossa ambição: ser uma escola de referência na formação de líderes responsáveis, com uma visão global. Este processo não só valida a nossa estratégia, como nos integra numa comunidade internacional de excelência, aprendizagem e partilha com as melhores escolas de gestão do mundo”, explica o diretor da Católica Porto Business School, João Pinto.

Ao longo do exigente processo de avaliação, o painel da EQUIS destacou o compromisso da Católica Porto Business School com a criação de impacto positivo na comunidade e com a sua missão de ser uma escola europeia de referência - reconhecida pela forte ligação à sociedade e às organizações, pela produção de investigação relevante nas áreas da Gestão e da Economia, e pela formação integral dos seus estudantes, desde os programas de graduação à formação de executivos.

Para o vice-diretor da Escola, Paulo Alves, “a obtenção desta reacreditação exigiu que mostrássemos, com rigor e transparência, por que continuamos a merecer este selo de excelência. O feedback do painel foi, também ele, um momento de aprendizagem, validou o nosso caminho, mas sobretudo desafiou-nos a continuar a elevar a fasquia em todas as áreas. Continuamos com orgulho a ser a única escola no norte de Portugal com esta acreditação, à qual juntamos a AMBA e a AACSB, o que nos destaca como Triple Crown”. 

Esta renovação por cinco anos reforça o posicionamento da Católica Porto Business School entre a elite global das escolas de negócios e aumenta a responsabilidade de continuar a oferecer uma educação transformadora e com propósito, alinhada com os desafios do mundo atual.

 

25-06-2025

Na Aprendizagem-Serviço “todos somos professores e aprendizes”: Robert Bringle visita a Católica para duas semanas transformadoras

Na Aprendizagem-Serviço (ApS), o serviço é um meio para um fim e esse fim é a aprendizagem”, salientou Robert Bringle, docente na Universidade de Indiana e especialista internacional na metodologia ApS, de visita à Universidade Católica, de 29 de maio a 12 de junho, para duas semanas dedicadas a formação e encontros com a Reitoria, docentes, estudantes e instituições parceiras.

Nos dias 2 e 3 de junho, Robert Bringle foi o orador do 3.º Workshop Aprendizagem-Serviço da Aliança Transform4Europe, sobre os tópicos: “Service-Learning and Civic Engagement” e “Service-Learning: Pedagogical Aspects and Curriculum Design”.

O evento centrou-se na distinção da metodologia Aprendizagem-Serviço de outras situações semelhantes, mas que são “Community-based instruction”, bem como nos aspetos pedagógicos da ApS e nas componentes do desenho curricular dos projetos.

Nos workshops, Robert Bringle sublinhou também: “nas atividades de Aprendizagem-Serviço, servimos com a comunidade e não a comunidade ou para a comunidade. Todos somos professores e aprendizes.”

Esta foi uma oportunidade única para os docentes da Católica, que têm vindo a implementar esta metodologia, de apresentar os seus projetos e receber feedback especializado sobre como melhorar as suas unidades curriculares.

As duas semanas terminaram com uma reunião entre a Reitora da Católica, Isabel Capeloa Gil, o Vice-Reitor José Manuel Pereira de Almeida e Robert Bringle, juntamente com a equipa de coordenação do CApS – Católica Aprendizagem-Serviço: Inovação e Responsabilidade Social.

Neste encontro, o especialista destacou a forma ímpar como a Universidade Católica tem vindo a institucionalizar a metodologia nos quatro campi, destacando-se na Europa como um exemplo neste processo. 

Em 2024, o projeto Aprendizagem em Serviço da Universidade Católica "Ser Cuida(I)doso” ganhou o Prémio Uniservitate, que visa reconhecer as melhores iniciativas de Aprendizagem em Serviço no Ensino Superior Católico.

A visita decorreu no âmbito do Programa de Especialistas da Fulbright e da aliança T4EU.

23-06-2025

5ª Edição do Clube INSURE.Hub: Regeneração e Nature Intelligence em debate

A Regeneração e a Nature Intelligence – inovação de negócio inspirada na natureza – estiveram no centro do debate da 5ª edição do Clube INSURE.Hub, que contou com a presença de Artur Branco, alumni da Escola Superior de Biotecnologia e diretor Executivo do Corredor do Rio Leça, uma associação de municípios que visa a recuperação ecológica e valorização paisagística do rio Leça, desde a nascente até à foz; e de Leen Gorissen, bióloga especializada em ecologia, design regenerativo e inovação bio-inspirada, fundadora do Centre4NI e coordenadora do documento sobre pensamento e desenho regenerativo para a Presidência Belga da EU em 2024.

Leen Gorissen explicou como a natureza é a chave para o futuro do planeta e defendeu o conceito de Natural Intelligence (NI) — Inteligência Natural — como alternativa mais sustentável e eficaz à obsessão por Inteligência Artificial. A NI é a inteligência que a natureza acumula ao longo de cerca de 3,8 mil milhões de anos de evolução — inovando, adaptando-se e regenerando sem causar esgotamento ou poluição.

Exemplificou ainda como já podemos encontrar alguns exemplos reais desta inteligência natural: uma forma de fabricar cimento que imita a forma como os corais constroem os recifes, telhados verdes capazes de regular a temperatura, fibras artificiais inspiradas na seda de aranha, tapetes de chão de floresta, entre muitos outros. Leen Gorissen defende o caminho regenerativo, onde cada solução adiciona valor ao conjunto, beneficiando o sistema como um todo.

Artur Branco apresentou o caso de estudo e de execução do projeto para a despoluição do rio Leça. O rio Leça tem uma extensão de 46 quilómetros, desde a nascente até à sua foz em Matosinhos. Considerado durante décadas um dos rios mais poluídos da Europa, tem vindo nos últimos anos a ser alvo de um programa de regeneração.  O corredor do Rio Leça é uma iniciativa que abrange os municípios de Santo Tirso, Valongo, Maia e Matosinhos, com o objetivo de promover a recuperação ecológica do rio e a valorização do território que o acompanha. Em resultado dessa união de esforços, já é possível a utilização de vários parques, de uma ciclovia e de percursos pedonais, promovendo-se assim um maior contacto com a natureza e novas oportunidade de mobilidade ao longo do rio.

Seguiu-se um momento de diálogo aberto entre os oradores convidados e os membros presentes, moderado por António Vasconcelos, co-leader do INSURE.Hub e Graça Borges, diretora de Comunicação, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Super Bock Group. O evento, que se realizou a 13 de junho realizou-se na sede do Super Bock Group, e contou ainda com a presença de Conceição Silva, associate dean da Católica Porto Business School e membro do Strategic Board do INSURE.Hub e com Rui Lopes Ferreira, CEO do Super Bock Group, tendo juntado cerca de 50 participantes.

23-06-2025

Projeto internacional: estudantes de Psicologia da Católica e de Macau exploram o papel da Inteligência Artificial no luto familiar

Um projeto colaborativo entre a Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP) e a University of Saint Joseph (Macau) proporcionou a 48 estudantes de mestrado uma reflexão sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) no processo do luto familiar.

Integrado no modelo Collaborative Online International Learning (COIL), este intercâmbio transcultural, coordenado pela docente da FEP-UCP, Vânia Sousa Lima, destacou a importância da diversidade cultural e do diálogo no futuro da saúde mental.

Durante uma semana, os alunos do Mestrado em Psicologia – Especialização em Psicologia Clínica e da Saúde, da FEP-UCP, e os estudantes do Mestrado em Counselling and Psychotherapy, da University of Saint Joseph, mergulharam no tema "Artificial Intelligence and Grief within families".

O objetivo central foi “preparar futuros profissionais de saúde mental para os desafios e responsabilidades de trabalhar com indivíduos, casais e famílias em luto, considerando as particularidades dos contextos culturais português, macaense e chinês, e as questões éticas inerentes ao uso da IA neste campo sensível.”, explica Vânia Sousa Lima.

 

Tecnologia, cultura e saúde mental: um diálogo global

Ao longo de vários dias, os estudantes trocaram artigos científicos, organizaram ideias em grupos de trabalho e prepararam uma discussão síncrona de três horas e meia, onde confrontaram perspetivas e experiências dos contextos português e macaense/chinês.

Entre os temas debatidos, destacou-se a forma como o sofrimento é expresso (ou silenciado) em diferentes culturas.

De acordo com os participantes macaenses e chineses, a expressão aberta do sofrimento individual na sua cultura é menos legitimada, crendo tornar o recurso à Inteligência Artificial uma alternativa mais viável para lidar com o luto, algo percebido como distinto do percecionado pelos estudantes da Universidade Católica  em relação ao contexto ocidental.

Além disso, a diferença no avanço tecnológico entre Portugal e Macau impressionou também os estudantes da University of Saint Joseph, que constataram que, em Portugal, o desenvolvimento tecnológico e acesso a baixo custo a dispositivos eletrónicos de qualidade é significativamente inferior.

 

Uma experiência diferenciadora

Este projeto COIL insere-se numa linha de colaboração que já vai no seu quinto ano e que abordou, em edições anteriores, temáticas como as migrações e o uso da tecnologia nas dinâmicas familiares.

A edição de 2025 foi particularmente especial, pela ligação direta da docente Vânia Sousa Lima à prática clínica no âmbito do luto, bem como à sua colaboração na tradução e adaptação para o português do livro de Robert Neimeyer sobre avaliação e intervenção em situações de luto.

A FEP-UCP continua, assim, a afirmar-se como espaço de inovação pedagógica e abertura ao mundo, promovendo a construção de saberes relevantes para um exercício ético e informado da Psicologia.

 

20-06-2025

Cristina Luísa Silva: “Gosto mais de conhecer pessoas do que lugares.”

Cristina Luísa Silva é docente e investigadora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa. Cresceu com uma inclinação natural para a Matemática e é licenciada em Engenharia Química e doutorada pela ESB em Biotecnologia com especialização em Ciência e Tecnologia Alimentar. Tem dedicado a sua vida à investigação, ao ensino e ao trabalho em rede. Em 2022, foi distinguida a nível internacional na área de engenharia e tecnologia alimentar, através da eleição para Fellow da Academia Internacional de Ciência e Tecnologia Alimentar. Gosta muito de viajar e está sempre aberta a descobrir e a fazer coisas novas: “Entusiasma-me mergulhar em áreas novas, gosto da novidade.”

 

Em criança, quais eram as disciplinas que mais a entusiasmavam?

Matemática! Só não segui Matemática na Universidade, porque achava que não queria ser professora e, na altura, não se sabia o que se sabe hoje sobre carreiras e diferentes saídas profissionais. Acabei por seguir Engenharia Química. Um primo mais velho que eu, estava a tirar este curso, e eu achei que podia ser também um bom caminho para mim.

 

Tem um perfil muito quantitativo e analítico?

Sim e acho que é genético. Toda a minha família tem esse perfil. Na família, somos maioritariamente engenheiros – mecânicos, químicas, eletrotécnicos e de computadores. A matemática é-nos muito natural.

 

Tem dedicado a sua vida à área alimentar. Quando é que se cruza com esta área?

Foi durante o meu mestrado aqui na Escola Superior de Biotecnologia, onde também fiz o doutoramento em Biotecnologia, com especialização na área da Ciência e Tecnologia Alimentar. Nesses tempos também já tinha começado a dar aulas. Cruzei-me com esta área, mas de facto penso muitas vezes que podia ter enveredado por muitas outras áreas. Tenho um perfil muito semelhante ao de alguns alunos que vejo hoje em dia um pouco perdidos. Gosto de lhes transmitir que isso não é um problema. Eu própria tenho ainda hoje muitas coisas de que gosto
O caminho vai-se fazendo…

 

Teria sido feliz noutras áreas?

Acho que sim, podia ter escolhido muitas outras. O que fiz sempre foi dar o meu melhor para poder escolher, essa foi sempre a minha preocupação. Ainda hoje me fascinam tantas outras áreas nas quais espero um dia também poder vir a contribuir. Entusiasma-me mergulhar em áreas novas, gosto da novidade, do que é novo. Gosto de me reinventar. Às vezes, as pessoas ficam tristes por perder um cargo ou uma função. Eu vejo isso como uma oportunidade.

 

Que disciplinas leciona? Tem também estado muito ligada a projetos e redes internacionais …

A minha área é muito multidisciplinar. Leciono as disciplinas de Tecnologias Alimentares Avançadas, Mecânica de Partículas Aplicada, Mecânica de Fluidos e Fenómenos de Transferência Aplicados. Coordenei, durante nove anos, uma rede temática Erasmus. Este projeto europeu chegou a ter mais de cinquenta países membros. Dediquei-lhe muito tempo, à sua gestão e dinamização.

 

Como olha para o fenómeno atual da Inteligência Artificial?

É uma área que me interessa muito, mas, de facto, não é propriamente uma realidade nova na minha vida. Algures nos anos 90, participei num projeto para uma empresa para o qual descrevi matematicamente um fenómeno. Estabeleci uma relação entre entradas e saídas e consegui organizá-lo numa fórmula. Uma só expressão matemática que resumia muitos dados e simulações. Costumo dizer que consegui "meter o elefante pelo buraco da agulha", porque eram milhares de simulações e consegui organizá-las todas. Uma vez, alguém me disse: “Isso é inteligência artificial.” E eu percebi que sim, que já nos anos 90 fazia isso.

 

Como é que a IA a ajuda no seu dia-a-dia?

Ajuda-me a organizar as ideias, a estruturar reflexões e redigir e-mails. Aos meus alunos tenho dito para usarem a Inteligência Artificial de forma crítica. Se usamos a IA no nosso dia-a-dia é para termos mais tempo para pensar e para refletir criticamente, nessa tarefa ninguém nos pode substituir. É importante darmos as ferramentas aos nossos alunos. Já ninguém faz cálculos à mão, usamos a máquina de calcular. Não faz sentido ir a pé até Paris, quanto temos o avião. Atualmente, a IA permite-nos ir a sítios onde, de outra forma, não conseguiríamos ir. Há pouco tempo ouvi numa formação que estamos no meio de uma revolução e nem nos apercebemos disso. A verdade é que já estamos a usar a IA sem darmos conta.

 

Em 2022, foi distinguida a nível internacional na área de engenharia e tecnologia alimentar, através da eleição para Fellow da Academia Internacional de Ciência e Tecnologia Alimentar.

Sinto-me sempre pequena para ter sido eu a escolhida. Fui nomeada pela contribuição para a comunidade internacional, pelo empenho na construção de redes. Curiosamente, é uma área onde entrei de alguma forma sem querer, porque não era algo que estivesse nos meus planos. Mas aconteceu e acabei por me dedicar muito à criação de redes com dezenas de países por todo o mundo.

 

Gosta de viajar …

Gosto muito. Sempre quis viajar muito e a investigação proporcionou-me isso.
Hoje toda a gente viaja, mas quando comecei o curso, em 1983, viajar era algo mais difícil, mas eu sentia esse desejo. Queria conhecer outras pessoas, saber como viviam.

 

Uma viagem marcante?

Pequim, China. Fomos até à Grande Muralha. Foi uma experiência muito diferente. Também gostei muito de ir à Islândia e gosto muito da América Latina. Sempre que lá vou, sinto uma energia especial, como se, noutra encarnação, tivesse sido de lá. Talvez seja a energia das pessoas. Gosto mais de conhecer pessoas do que os lugares. Talvez conheça os lugares através das suas pessoas…

 

E em Portugal, qual o seu lugar favorito?

O mar do Norte. O nosso mar é batido. Gosto do cheiro a maresia. Nós, portugueses, somos do mar.

 

18-06-2025

Bolsas de Estudo Porto de Conhecimento - 2025


És do Porto e sempre estudaste no Porto? Então candidata-te, esta Bolsa é para ti!

No ano letivo 2025/2026 a Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional do Porto concede:

  • Isenção integral do pagamento de taxa de candidatura ao curso;
  • Isenção integral do pagamento de taxa de matrícula no 1º ano da licenciatura e nos anos seguintes até à sua conclusão;
  • Isenção de 80% do pagamento de propinas de frequência da licenciatura a 8 candidatos do regime geral (1 em cada um dos cursos: Bioengenharia; Ciências da Nutrição; Ciências e Sociedade; Direito; Microbiologia; Psicologia; 1 num dos seguintes cursos da Escola das Artes: Cinema, Conservação e Restauro ou Som e Imagem; 1 num dos seguintes cursos da Católica Porto Business School: Economia ou Gestão).

Os candidatos às bolsas de estudo Porto de Conhecimento devem enviar para educacao@cm-porto.pt, até dia 17 de agosto, a ficha de candidatura, modelo próprio disponível no site Porto de Conhecimento 2025 | Câmara Municipal do Porto.

Até ao final do mês de setembro, os candidatos elegíveis à atribuição de bolsa de estudo Porto de Conhecimento são contactados pela Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional do Porto para regularização do processo.

 

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18-06-2025

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