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Novidades

Católica lança novo Doutoramento em Ecologia Integral

A Universidade Católica Portuguesa (UCP) lança novo Doutoramento em Ecologia Integral, no dia 21 de maio, pelas 17h.

Na semana Laudato Si’, que se assinala entre 19 e 26 de maio, a Católica apresenta na sua sede em Lisboa, e com transmissão online, o programa do novo Doutoramento, transversal a várias Faculdades da UCP, inspirado pelo texto do Papa Francisco.

“Dado que tudo está intimamente relacionado e que os problemas atuais requerem um olhar que tenha em conta todos os aspetos da crise mundial, proponho que nos detenhamos agora a refletir sobre os diferentes elementos duma ecologia integral, que inclua claramente as dimensões humanas e sociais.”

Laudato Si’

O novo programa foi lançado pela Faculdade de Ciências Humanas em conjunto com a Escola das Artes, a Escola Superior de Biotecnologia, a Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, a Faculdade de Medicina e a Faculdade de Teologia, da UCP.

Com um programa interdisciplinar, há docentes de várias Unidades Orgânicas da UCP envolvidos no Doutoramento que tem como objetivo fornecer respostas éticas adequadas aos desafios globais.

Entre as matérias a abordar estão, entre outras, a cultura e sustentabilidade ambiental; a justiça intergeracional; a economia verde; o combate à pobreza sistémica e o crescimento económico e sustentabilidade.

Os vários temas são enquadrados em três seminários centrais: Cidadania Ecológica, Ecologia Ambiental e Espiritualidade Ecológica.

O prazo para candidaturas termina no dia 30 de maio.



Assista à apresentação
 

Conheça mais sobre o Doutoramento | Candidate-se

 

16-05-2024

João Couto: “Quero contribuir para que o artista em Portugal seja visto como alguém tão essencial no tecido social como qualquer outra profissão.”

João Couto é músico e atual estudante do Mestrado em Gestão de Indústrias Criativas da Escola das Artes. Licenciado em Som e Imagem pela mesma Escola, venceu o programa Ídolos em 2015, tendo sido este o ponto de partida para se dedicar inteiramente à música. Sobre a Licenciatura em Som e Imagem? “Abriu os meus horizontes”. Sobre o Mestrado em Gestão de Indústrias Criativas? “Quero entender qual é o futuro da indústria da música em Portugal”.

 

Em 2016, licenciou-se em Som e Imagem pela Escola das Artes da Universidade Católica no Porto. Porquê escolher estudar esta área?

Eu sabia que queria estudar a área do som. Sempre foi a minha paixão. A par disso, também, fui desenvolvendo algum gosto pela área da imagem. Soube que existia o curso de Som e Imagem numa feira de cursos que o meu colégio organizou e foi um dos cursos que me chamou logo à atenção, porque oferecia verdadeiramente a possibilidade de juntar teoria à prática. Também me motivou imenso o facto da Escola das Artes disponibilizar aos alunos meios e materiais para o trabalho prático na área, mesmo para projetos extracurriculares. Tinha muita vontade de começar a trabalhar e criar. Quando descobri que existia o programa das bolsas de mérito, trabalhei muito para garantir que tinha notas para ser elegível para a bolsa e posso afirmar, com orgulho, que consegui entrar no curso com a bolsa e mantê-la até ao fim da licenciatura.

 

“A licenciatura em Som e Imagem abriu os meus horizontes.”

 

Já havia em si uma clara tendência para a música?

Eu sabia que queria ser artista, que queria ser músico. Mas não sabia ainda exatamente que forma é que isso ia tomar e de que maneira o meu percurso académico ia influenciar esse meu caminho.

 

O que é que destaca da licenciatura em Som e Imagem da Escola das Artes?

A licenciatura em Som e Imagem abriu os meus horizontes. Fez-me perceber que, para além da música, eu tinha capacidade para fazer outras coisas e que tinha também paixão por outras áreas do som, como a rádio, as dobragens, a edição de som para vídeo e a edição de som para cinema. O curso é, verdadeiramente, abrangente e desafia-nos a sair da nossa zona de conforto. Havia disciplinas nas áreas do cinema, da produção, do audiovisual e outras mais que me deram uma bagagem muito completa. O curso proporcionou-me uma noção muito holística da multimédia.

 

2015 acabou por ser um ano muito marcante para si.

Sim, porque foi em 2015 que venci o programa Ídolos. Foi o que me permitiu, depois da licenciatura, seguir a carreira da música a 100%.

 

Como foi entrar no mundo da música?

Apesar de ter sido uma coisa muito desejada, a verdade é que quase tudo o que envolvia trabalhar no mundo da música foi uma novidade a partir do momento que entrei nessa realidade. Aprendi a movimentar-me no meio em tempo real, a conhecer as pessoas. Foi um percurso de descoberta e de aprendizagem. Comecei a escrever as minhas próprias canções e depois comecei a perceber que também o podia fazer para outras pessoas. Depois comecei também a produzir. Fui descobrindo e adicionando diferentes camadas ao meu trabalho. Atualmente, sou músico a tempo inteiro e trabalho maioritariamente no meu projeto a solo, mas colaboro também com outros projetos.

 

“Quero conhecer profundamente a indústria da música, ajudar a alavancar talentos (…)”

 

Atualmente, é, também, estudante do Mestrado em Gestão de Indústrias Criativas, também na Escola das Artes.

Com o mestrado, procuro profissionalizar a minha compreensão e atuação no mundo da música. Acreditei que era necessário ganhar um maior conhecimento do mercado e da indústria. Ser artista em Portugal é muito, muito difícil e eu senti isso na pele estes últimos anos, ainda para mais como artista independente. A experiência de trabalhar no setor independente despertou em mim a vontade de fazer a minha parte para melhorar este meio que me é tão próximo e considero tão essencial nas nossas vidas. A escolha deste mestrado prende-se precisamente com o querer ajudar quem entra neste meio e melhorar o rumo que a indústria está a tomar de alguma forma. Quero conhecer profundamente a indústria da música, ajudar a alavancar talentos e mostrar-lhes como gerir as suas carreiras e o seu repertório.

 

O que é que procura conhecer mais profundamente?

Quero entender qual é o futuro da música gravada em Portugal e não só. Como é que funcionam as associações ou editoras discográficas, majors e independentes? Quero saber como gerir um negócio desses num momento em que esses negócios têm um futuro cada vez mais incerto. Como é que a indústria se vai comportar no futuro? Quero fazer parte dessa construção. Além disso, quero contribuir para que o artista em Portugal seja visto como alguém tão essencial no tecido social como qualquer outra profissão… e temo que ainda haja muito trabalho a ser feito nessa frente.

 

Participou no Festival da Canção em 2024 com a música Quarto Para Um. Como é que foi a experiência?

Foi muito gratificante e desafiante ao mesmo tempo. Foi gratificante, em parte porque consegui entrar na corrida pelo processo de livre submissão, e isso deu-me uma alegria e confiança redobrada na direção musical que estava a explorar. Mas foi gratificante, acima de tudo, porque vivi a experiência com os meus amigos e a minha família. Criei memórias muito boas desse momento e devo-lhes isso. Por outro lado, foi desafiante, porque senti que tinha de fazer algo que surpreendesse o público e honrasse a escolha da RTP, e isso implicou um trabalho e rigor muito grande da minha parte. Quis explorar coisas que nunca fiz antes naquela escala e, por isso, lutei para que quaisquer ideias pré-concebidas sobre mim ou sobre o meu trabalho não afetassem o que eu imaginava para a atuação. Olhando para trás, acredito que consegui. Fiz uma atuação da qual me orgulho e na qual vejo felicidade estampada no meu rosto do início ao fim.

 

Também em 2024, o tema Ausente, que escreveu e produziu para a artista Mia Moura, foi nomeado para os Portuguese Music Awards, na categoria de melhor performance de fado. Como é que recebeu a notícia desta nomeação e que história é que conta esta música?

Recebi esta notícia com muito orgulho. Soube da novidade por e-mail, no dia em que regressei do Festival da Canção, e não podia ter ficado mais feliz. Quando me pedem canções faço-as de coração para quem as vai cantar, nunca é enviada uma "sobra" ou uma "rejeitada". Tento, tanto quanto possível, pôr o meu ego em segundo plano e servir a pessoa que a vai cantar e o ‘Ausente’ foi definitivamente um caso desses. Ver que uma canção que fiz dessa forma, que explora o momento delicado do fim de uma longa relação, foi nomeada para "melhor performance de fado" é testemunha do talento e da entrega da Mia como intérprete. É uma das minhas grandes alegrias na música: contribuir de alguma forma para que talentos como o dela possam mostrar ao mundo a sua verdade.

 

“Através da música, toda a gente se consegue entender.”

 

Qual é a importância da música na vida das pessoas?

Antes de ser músico, sou fã, por isso, sinto verdadeiramente o poder da música em mim. A música é essencial para o bem-estar das pessoas e é parte da nossa identidade, da nossa cultura e da nossa linguagem comum como cidadãos.

 

O que é que o inspira como artista?

A felicidade e o propósito que a música me dá é o que mais me inspira. Inspira-me o facto da música conseguir mudar o rumo das nossas vidas. A importância que a música tem, particularmente, na minha vida é o próprio alimento para que eu continue a criar. Sempre senti alguma dificuldade em comunicar desde muito novo e a música sempre foi o que me ajudou a expressar e a crescer. Quando dizem que é uma língua universal, é mesmo verdade. Revejo-me nisso. Através da música, toda a gente se consegue entender.

 

Artistas de referência?

Como compositor, o Paul McCartney será sempre a minha influência. Mas há muita gente que me inspira! A nível nacional, talvez o António Variações seja de momento a minha maior referência.

 

 

16-05-2024

Filme da EA vence Prémio PrimeirOlhar Cineclubes dos XXIV Encontros de Cinema

A curta-metragem Litoral, do alumnus Francisco Dias, venceu o Prémio PrimeirOlhar Cineclubes, no festival XXIV Encontros de Cinema. O filme foi realizado no contexto do Mestrado em Cinema, na Escola das Artes. 

O Prémio PrimeirOlhar é uma secção competitiva com o objetivo de promover o cinema documental e destacar os melhores filmes produzidos por alunos de escolas de cinema.

Mais informações na página do festival.

Litoral
Portugal, 2023, FIC, 13'09''

Sinopse: Numa noite de inverno, o mar volta a ameaçar a torre de apartamentos onde moram duas vizinhas. No dia seguinte, os filhos vêm pressioná-las a deixarem tudo para trás.

 

15-05-2024

Estudante de doutoramento da Faculdade de Educação e Psicologia no Congresso dos Poderes Locais e Regionais do Conselho da Europa

Ioanna Xenophontos, estudante do doutoramento internacional em "Psicologia Aplicada: Adaptação e Mudança nas Sociedades Contemporâneas", participou na qualidade de deputada jovem, nas 44.ª e 45.ª sessões do Congresso dos Poderes Locais e Regionais do Conselho da Europa, em Estrasburgo, no âmbito da iniciativa “Rejuvenating Politics” (“Rejuvenescer a Política”).

Durante as sessões, a estudante de doutoramento da FEP interveio sobre o tema da saúde mental, defendendo a sua importância para uma abordagem inclusiva e participativa na governação local e regional em toda a Europa.

Ao destacar a saúde mental como um pilar central do bem-estar da comunidade, Ioanna Xenophontos sublinhou a necessidade de uma governação que reconheça e que responda às questões de saúde mental com a urgência e a seriedade que estas merecem, assim como a importância de incluir o tema nas agendas políticas locais e regionais.

“Esta participação ofereceu uma plataforma inestimável para a troca e colaboração interculturais, permitindo-me aprender e contribuir para um conjunto diversificado de ideias e de práticas em toda a Europa”, afirma o estudante de doutoramento da FEP.

 

Sobre a iniciativa “Rejuvenating Politics”

A iniciativa foi lançada pelo Congresso dos Poderes Locais e Regionais, em 2014, no âmbito do compromisso de promover a participação dos jovens na vida pública e na tomada de decisões a nível local e regional.

O projeto "Deputados Jovens" (“Youth Delegates”, em inglês) faz parte desta iniciativa. "O projeto oferece aos jovens dos 46 Estados-membros do Conselho da Europa uma oportunidade única de participarem (sem direito de voto) numa assembleia europeia ao lado dos representantes eleitos locais e regionais", pode ler-se no website do Congresso.

10-05-2024

Inovação e Inclusão: A Inteligência Artificial em Enfermagem

No Dia Internacional do Enfermeiro, celebrado a 12 de maio, as Escolas de Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa reforçam o seu compromisso com a inovação e inclusão na área da enfermagem, com ênfase na utilização da Inteligência Artificial. Alguns dos projetos atualmente em desenvolvimento representam um avanço significativo na personalização do tratamento, especialmente voltado para a população mais vulnerável, como idosos e crianças.

Perante o constante avanço da tecnologia, as Escolas de Enfermagem (Lisboa e Porto) da Universidade Católica Portuguesa têm-se dedicado a incorporar essas ferramentas nas suas práticas educativas e de pesquisa, nomeadamente na área da saúde, tendo em conta os novos desafios que se apresentam e o equilíbrio necessário no uso da tecnologia em paralelo com o desenvolvimento de competências interpessoais, na formação dos estudantes, que enfrentarão novos desafios enquanto futuros enfermeiros.

Paulo Alves, diretor da Escola de Enfermagem (Porto) da Universidade Católica Portuguesa, assume que a Escola "está a preparar os alunos para o futuro com ferramentas para a prática clínica”. Neste contexto, estão atualmente a ser desenvolvidos projetos de investigação que visam o uso de tecnologias avançadas como a termografia, a medição de humidade transepidérmica e ultrassons, integrando ainda ferramentas de inteligência artificial como machine learning e deep learning nos campos do ensino e da prática clínica. Esta visão integradora, não disruptiva da evolução tecnológica, não só prepara os estudantes para o futuro da enfermagem como também se foca na melhoria da qualidade de vida das comunidades mais vulneráveis, incluindo idosos e crianças.

Estes projetos incluem o desenvolvimento de recursos educativos que utilizam a inteligência artificial para simular diagnósticos e tratamentos, proporcionando uma formação prática sem precedentes para os estudantes de enfermagem. Estes representam também um enorme potencial para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde, em especial das comunidades mais vulneráveis como idosos e crianças, contribuindo de uma forma positiva na personalização do tratamento e na humanização dos cuidados evidenciados pela prestação de cuidados de excelência.

As Escolas de Enfermagem (Lisboa e Porto) da Universidade Católica Portuguesa promovem também a transferência da investigação para a comunidade, através de serviços de extensão universitária que envolvem o corpo docente, investigadores e estudantes. Nesta relação, é fundamental a importância do cuidado centrado no indivíduo e nas comunidades, particularmente nas mais vulneráveis, reforçando o compromisso social da Universidade com a inclusão e o cuidado integral. Conciliando a introdução de novas tecnologias e a melhoria das condições ou cuidados prestados, esta inovação passa, por exemplo, pelo uso da tecnologia para prevenir úlceras de pressão em pessoas totalmente dependentes ou em cadeira de rodas, uma preocupação comum neste tipo de cuidados.

Outro dos exemplos de grande relevo na prevenção e tratamento, é a investigação na área do tratamento das feridas, que permite uma personalização mais eficaz, com um protocolo definido através da leitura de dados, retirados por fotografia, sem necessidade de uma extensa inserção dos mesmos de forma manual e assente em conjeturas gerais.

Por tudo isto, os estudantes das Escolas de Enfermagem da UCP, são peças-chave no desenvolvimento e incorporação destes projetos, uma vez que participam ativamente tanto na investigação como na implementação das tecnologias. Desde a codificação de algoritmos até à aplicação direta das tecnologias em cenários clínicos, os alunos estão na vanguarda deste campo emergente. João Alves, estudante de Doutoramento envolvido nestes projetos, refere que "É incrivelmente gratificante saber que o nosso trabalho não só contribui para o nosso desenvolvimento profissional, mas também tem um impacto direto na vida das pessoas.”

Ao desenvolver projetos que interligam a investigação, a educação e a inclusão, a Universidade Católica Portuguesa não só está a preparar os seus estudantes para serem profissionais de excelência como também está a moldar o futuro da enfermagem, tornando-a mais inclusiva e acessível a todos. Com isso, a Instituição destaca-se como uma referência na vanguarda da utilização de novas tecnologias no ensino, proporcionando aos seus alunos uma formação prática, interdisciplinar e dinâmica.

10-05-2024

Paulo Alves: “Só quando pensamos na Enfermagem de forma preventiva é que podemos ter uma noção do seu real impacto”

Paulo Alves é Diretor da Escola de Enfermagem (Porto) e diretor-adjunto da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa. É enfermeiro, docente, investigador e especialista na área do tratamento de feridas. É, também, mergulhador nos tempos livres. Nas Berlengas ou no Mar Vermelho, garante que é uma experiência “impressionante” e que os enfermeiros e os mergulhadores têm coisas em comum. Nesta entrevista, falamos sobre os desafios da Enfermagem, a importância da inovação e dos valores que orientam o ensino da Enfermagem na Universidade Católica. Maior motivação para a vida? “A família é a minha motivação para ser feliz”.

 

O que é que um enfermeiro e um mergulhador têm em comum?

Têm em comum duas coisas muito importantes. Primeiro, há um fator risco muito elevado. No mergulho podemos pagar com a vida, literalmente. Na Enfermagem, nós zelamos pela vida dos outros. Por isso, este fator risco de pagar com a vida também existe na Enfermagem. Tanto no mergulho como na Enfermagem, devemos pensar em antecipar e programar e estar atentos aos sinais que nos podem colocar em risco. Principalmente, quando olhamos para a Enfermagem não só do ponto de vista curativo, mas, também, e acima de tudo, do ponto de vista da prevenção. Só quando pensamos na Enfermagem desta forma é que conseguimos ter uma verdadeira visão sobre a sua importância e o seu impacto. O segundo ponto que têm em comum é que o mergulhador precisa de verificar o equipamento antes de mergulhar. A Enfermagem também nos obriga a antecipar e a verificar se está tudo preparado para o procedimento que se segue. É preciso ter a capacidade de antecipar, para que possamos ser capazes de dar a resposta certa. Seja no oceano, seja num hospital com os pacientes, é necessário acautelar todos os riscos, é preciso antever e definir um plano. No mergulho, não posso entrar na água se vejo que as marés estão fortes ou sem verificar oxigénio e o tempo que tenho. O mesmo se passa nas feridas e no tratamento que faço: pondero sempre qual vai ser o prognóstico e que complicações é que podem advir.

 

O que é que se sente quando se está com a cabeça dentro de água?

Faço mergulho há muitos anos e é impressionante porque sempre que mergulho esqueço-me de tudo o que tenho à minha volta. Quando meto a cabeça dentro da água passo a estar num outro ecossistema. Literalmente. Abre-se um mundo novo de possibilidades à minha frente para eu ir descobrir.  

 

É uma prática desportiva de equipa?

Sem dúvida. Quando mergulhamos vamos sempre descobrir algo novo e é impossível conseguir fazê-lo sem ser em equipa. No mergulho, nunca podemos estar sozinhos, porque os riscos associados a esta prática são muito grandes.  O mergulho obriga a uma confiança enorme na equipa que vai connosco. Se um sobe, o outro também sobe. Nunca ninguém fica para trás.

 

Não gosta de estar sozinho?

Não gosto nada. Preciso de estar com pessoas, com família e amigos. Até no desporto: acho que não gosto de correr porque é uma atividade muito solitária. Vivo para estar com as pessoas, para colaborarmos e nos desenvolvermos em conjunto. É uma característica que me define bem.

 

E a Enfermagem também não se faz sozinha…

Os enfermeiros trabalham sempre em equipa. Tomamos decisões de forma autónoma, e outras são decisões interdisciplinares, mas, no fim do dia, é o trabalho de equipa que faz toda a diferença. Além disso, envolvemos sempre o doente e a sua família nas decisões, pois acreditamos que a colaboração com todos os envolvidos é fundamental para alcançar o melhor resultado. Quem ousa dizer que consegue fazê-lo de forma isolada não vai conseguir da melhor forma. Não é possível.

 

É diretor da Escola de Enfermagem – Porto da Católica e (colocar cargo na FCSE). Quais são as principais prioridades do seu mandato?

A nossa prioridade é sermos inovadores na forma como ensinamos e investigamos. Acima de tudo, temos de olhar para as necessidades da Saúde. São muito diferentes das que tínhamos antes, portanto, temos de ser capazes de adaptar os currículos dos programas, temos de adaptar as novas capacidades – do ensino e dos nossos docentes - e otimizá-las para as novas realidades. É nossa prioridade trazer inovação e tecnologia para o ensino, mas também para a prestação de cuidados de saúde. Preparamos os futuros enfermeiros para as necessidades do mundo.

 

“A matriz humanista e cristã diferencia-nos muito.”

 

O que é que tem sido mais desafiante no cargo de liderança que ocupa?

É inevitável trazer de novo a questão da equipa e do facto de ninguém conseguir fazer nada sozinha. Como diretor, não tenho outra forma de atingir os objetivos se não for através do envolvimento de todos. A Gestão tem processos que são muito solitários, mas aquilo que me tem fascinado é a procura pela mobilização das pessoas. Como é que se envolve uma equipa, levando a que tenham todos um foco comum? É isto que tenho tentado fazer. O meu empenho está concentrado nisto. É um grande desafio.

 

Que valores orientam o ensino da Enfermagem na Universidade Católica?

A matriz humanista e cristã diferencia-nos muito. Os valores que orientam a forma como ensinamos os nossos estudantes têm muito impacto. Nós centramo-nos muito no apoio aos mais vulneráveis. Para além disto, os enfermeiros são quem acompanha as pessoas em todo o seu ciclo de vida. Do nascimento até à morte. Não podemos ter medo de acompanhar as pessoas também na morte, isto é muito importante. É por isso que nos preocupamos tanto com a humanização e é um fator que nos distingue verdadeiramente.

 

É especialista na área do tratamento das feridas. Como é que se cruza com esta área?

No meu primeiro ano de trabalho como enfermeiro, estive a prestar cuidados de enfermagem no estabelecimento prisional do Porto, em Custóias. Comecei a ter um contacto próximo com situações de violência física e psicológica dentro da prisão e percebi que as lesões apareciam com alguma frequência. Refiro-me tanto a lesões mais simples como a lesões cirúrgicas. Mais tarde, quando também estive a trabalhar no Hospital de S. João e no Hospital de Gaia, voltei a perceber que a área das lesões e das feridas estava demasiado dispersa e que havia alguma falta de conhecimento. Dentro da Enfermagem temos várias especialidades, mas nessa altura a área da ferida crónica não tinha este espaço e esta atenção. Havia muito pouca evidência científica sobre este tema e eu comecei a interessar-me muito. Não era só a ferida aguda por motivo de trauma ou acidente, mas também a ferida crónica que muita gente tem, como o pé diabético, ou as feridas que muitos idosos apresentam por estarem acamados.

 

“A Universidade Católica foi pioneira na valorização da área do tratamento de feridas.”

 

A área das feridas é uma área abrangente?

É um campo enorme, sem dúvida. Mas eu comecei a debruçar-me especialmente não nas feridas de rápida cicatrização – uma queimadura simples ou uma ferida cirúrgica -, mas nas feridas que têm vinte ou trinta anos e que não cicatrizam. Percebi que estas feridas crónicas estão na comunidade. Os números dizem que cerca de 70% destas feridas estão na comunidade e nas famílias. Uma verdadeira epidemia escondida. Não havia números sequer. Nós não sabíamos onde é que estas pessoas estavam.

 

E assim começou a sua área de investigação…

Sim, para além de manter a prática clínica, comecei a especializar nessa área e a fazer formação específica. Quando chego à Universidade Católica, em 2009, é, precisamente, por causa desta área. Comecei logo por implementar a área da prevenção e do tratamento de feridas e a lecionar uma unidade curricular dedicada em exclusivo a esta área. Aliás, o meu primeiro estudo nesta área procurou perceber o tempo que as escolas de enfermagem, farmácia e medicina dedicavam à área das feridas. Pude concluir que muitas vezes havia seis horas dedicadas a este tema num curso de 4 anos, por exemplo. A Universidade Católica foi pioneira na valorização desta área e em trazer este tema para o ensino e para a investigação. Atualmente, somamos cerca de 20 anos de investigação e de evidência sobre este tema. Temos, hoje em dia, novos instrumentos e dispositivos médicos para uso no tratamento de feridas. Temos, também, um caminho de investigação partilhada nesta área com outras faculdades da Católica, por exemplo, com a Escola Superior de Biotecnologia. Somos os primeiros, a nível nacional, a trabalhar as feridas, as ostomias e a incontinência, oferecendo uma pós-graduação sobre isto. É importante referir que, hoje em dia, a Ordem dos Enfermeiros já reconhece como competência acrescida a áreas das feridas, coisa que não acontecia há uns anos, precisamente porque faltava evidência científica sobre esta área. É uma área que tem tido uma franca evolução. Para além de estar presente nos nossos programas de licenciatura e mestrado, temos também já estudantes de doutoramento que exploram este tema. Temos, também, ensino pós-graduado estamos a desenvolver agora novas tecnologias, quer no diagnóstico, quer no tratamento. Foi a Universidade Católica que permitiu este caminho.

 

“A investigação tem um lugar muito importante, porque foi a investigação que me trouxe esta dúvida constante, esta permanente insatisfação.”

 

O que é que o move?

A família! É o mais importante. É a família que tolera os meus maus feitios, mas acima de tudo, a família é a minha motivação para ser feliz. A investigação tem, também, um lugar muito importante, porque foi a investigação que me trouxe esta dúvida constante, esta permanente insatisfação. O que é extremamente desafiante e motivador. Tenho a sorte de poder variar a minha vida profissional entre a parte clínica, que muito valorizo porque me permite estar em contacto com a comunidade, a docência, que me realiza muitíssimo, e a investigação, que é sempre um grande desafio.

 

Bons locais para mergulhar em Portugal?

Gosto muito de mergulhar nas Berlengas, sem dúvida. Gosto também do Algarve e da Madeira. Os Açores também são excecionais, mas eu ainda não tive a oportunidade de fazer lá mergulho. Há, ainda, um sítio fabuloso que é em Vila Chã aqui no Norte. Está nesse local um submarino alemão afundado desde a II Guerra Mundial a cerca de 33 metros de profundidade. É um mergulho arriscado, porque a zona tem marés e correntes complexas.

 

Um mergulho inesquecível?

No Mar Vermelho. Foi absolutamente extraordinário. Tem uma imensa riqueza de vida animal e a visibilidade que se tem dentro de água é muito maior. Tem animais de grande porte! E o risco é maior, o que nos dá uma grande adrenalina.

 

09-05-2024

Estudantes da Universidade Católica enchem as ruas da Invicta no cortejo da Queima das Fitas

As cores dos cursos da Universidade Católica Portuguesa no Porto encheram as ruas da cidade do Porto durante o cortejo da Queima das Fitas. Para os muitos caloiros e finalistas este é “o dia mais feliz do ano”. Festejam-se as conquistas e os sonhos, festeja-se a Academia!

Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa, felicitou todos os estudantes da Universidade Católica no Porto com o desejo de “que as memórias do cortejo e da semana académica se perpetuem para sempre”.

Estudantes das faculdades da Católica no Porto – Faculdade de Direito, Católica Porto Business School, Escola das Artes, Escola Superior de Biotecnologia, Escola de Enfermagem, Faculdade de Educação e Psicologia e Faculdade de Teologia (plurilocalizada) – desfilaram pela Invicta, a pé ou à boleia dos carros alegóricos. Muito sol, bengalas, cartolas, gritos de celebração, convívio, alegria sem fim. O dia ficou marcado pela festa e pela emoção. Os finalistas celebraram o fim da sua jornada académica e já havia nostalgia no ar. Pois, claro! Uma vez Católica, para sempre Católica.

A edição da Queima das Fitas de 2024 decorre de 4 a 11 de maio com uma agenda preenchida. É organizada pela Federação Académica do Porto e é a maior festa académica do país.

08-05-2024

Candidaturas abertas para Prémios “Economy and Society”

Até 22 de maio, as candidaturas encontram-se abertas para os Prémios “Economy and Society” da Fundação Centesimus Annus Pro Pontifice. Estes prémios internacionais irão galardoar jovens investigadores e publicações na área da Economia e Ciências Sociais com até 20 mil euros.

Existem duas bolsas destinadas a jovens investigadores até aos 35 anos que estudem a aplicação de novos modelos de desenvolvimento socioeconómico, em linha com os princípios de inclusão e sustentabilidade da Doutrina Social da Igreja.

Além destas bolsas, existe ainda um prémio para publicações notáveis, lançadas após 2019, que contribuam para a explicação, desenvolvimento ou implementação da Doutrina Social da Igreja no contexto atual.

Os projetos ou trabalhos considerados podem ser em francês, inglês, italiano, português, espanhol, alemão ou polaco.

Para efetuar a candidatura, consulte os documentos oficiais:

 

BOLSAS PARA JOVENS INVESTIGADORES

 

PRÉMIO PARA PUBLICAÇÕES

 

Para mais informação, contactar: centannus.award@foundation.va

 


 

Applications open for Economy and Society Awards

Applications are open until May 22 for the Economy and Society Awards of the Centesimus Annus Pro Pontifice Foundation. These international awards will grant young researchers and publications in the field of economics and social sciences with up to 20,000 euros.

There are two scholarships for young researchers up to the age of 35 who study the application of new models of socio-economic development, in line with the principles of inclusion and sustainability of the Social Doctrine of the Church.

In addition to these scholarships, there is also a prize for outstanding publications, issued after 2019, which contribute towards explaining, developing or applying the Church's Social Doctrine in today's context.

The projects or works can be in French, English, Italian, Portuguese, Spanish, German or Polish.

To apply, please consult the official documents:

 

YOUNG RESEARCHERS SCHOLARSHIPS

 

PUBLICATIONS AWARD

 

Para mais informação, contactar: centannus.award@foundation.va

08-05-2024

Estudantes da Faculdade de Direito vencem torneio de debates universitários

Mateus Costa e Marta Cansado, estudantes da Escola do Porto e da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, venceram a 5ª edição do Open da Católica, um torneio de debates que reúne estudantes das mais diversas Sociedades de Debates de todo o país. Organizado pela Sociedade de Debates da Católica no Porto (SdDCP), esta edição do torneio contou com mais de 70 participantes.  

Mateus Costa, estudante do 3.º ano do curso de Direito da Escola do Porto, afirma que “a vitória na Grande Final do Open da Católica 2024, em conjunto com a Marta Cansado, foi o culminar de um longo percurso de aprendizagem e de treino nos debates semanais da SdDCP e nos torneios nacionais e regionais de debate.” “Espero que a nossa conquista inspire os alunos da Universidade Católica”, conclui. 

Para além da vitória, ambos os vencedores, também, ficaram posicionados no Top10 de melhores oradores do Torneio, tendo ficado Marta Cansado em 5.º lugar e Mateus Costa em 8.º lugar.

Esta conquista orgulha a Universidade, reforçando o seu compromisso com a excelência e a formação integral dos alunos. Parabéns!

08-05-2024

CLIL: Mais de 50 docentes dos 4 campi da Universidade Católica participam no arranque da 2ª edição das Comunidades de Aprendizagem e Prática

A 2ª edição das Comunidades de Aprendizagem e Prática (CAP), organizada pelo CLIL | Católica Learning Innovation Lab, arrancou com a presença de mais de 50 docentes dos quatro campi da Universidade Católica Portuguesa (UCP), com o objetivo de projetarem e implementarem, colaborativamente, cenários inovadores de aprendizagem.

Isabel Vasconcelos, vice-reitora da UCP, acolheu os facilitadores e participantes presentes na sessão de lançamento das CAP, realçando a importância destas iniciativas de desenvolvimento profissional docente promovidas na UCP.  “Ressalto o caráter inovador das dinâmicas promovidas pelo CLIL, em que a formação é realizada pelos próprios docentes, entre pares, com partilha de experiências e aprendizagem colaborativa”, acrescentou a vice-reitora.

A seguir, Elsa Costa e Silva, da Universidade do Minho, partilhou um relato da sua ampla experiência como participante e facilitadora de Comunidades de Aprendizagem e Prática. “Efetivamente, a partilha com os pares que desenvolvemos em termos da nossa Comunidade de Prática foi essencial para que eu pudesse ir ajustando o meu processo de transformação como docente”, afirmou a oradora convidada, reforçando as mais-valias do trabalho colaborativo no âmbito das CAP.

 

4 Comunidades de Aprendizagem e Prática mobilizam 72 participantes e 13 facilitadores

Nesta edição, que arrancou a 23 de abril, serão implementadas quatro Comunidades em torno das temáticas: Curtas de Aprendizagem Ativa, Aprendizagem baseada em Projetos e Problemas, Aprendizagem-Serviço e Inteligência Artificial e ensino. Esta iniciativa pretende proporcionar espaços de exploração de novas metodologias e estratégias pedagógicas que permitam repensar e transformar a prática pedagógica no ensino superior.

Um total de 85 docentes estarão envolvidos nesta atividade que se estenderá por oito meses, com encontros mensais de estudo, partilha e reflexão entre os pares. As comunidades serão dinamizadas por uma equipa de facilitadores, composta por representantes de diferentes unidades académicas da UCP.

 

Primeira experiência com participação interinstitucional

Pela primeira vez, as CAP contam com participantes de outra instituição. Nesta edição, seis docentes da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/Brasil) vão integrar as comunidades com o intuito de estabelecer trocas de experiências, que têm em vista promover aprendizagens de docentes de ambos os contextos. Na sequência, esses docentes partilharão a sua experiência com os seus colegas da UNICAMP, envolvendo, assim, mais profissionais interessados em refletir sobre as suas práticas pedagógicas.

“Esta cooperação com outras instituições nacionais e internacionais é um passo importante na consolidação das ações do CLIL, pois abre caminhos para intercâmbios de práticas e de conhecimentos, o que é fundamental no desenvolvimento de ações de inovação pedagógica que sejam efetivamente significativas para os nossos estudantes”, destaca Diana Soares, coordenadora do CLIL.

08-05-2024

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