X

Novidades

Dino d'Santiago e rapper brasileira MC Carol dão concertos performance na Escola das Artes

Exposição “Enciclopédia Negra” pela primeira vez em Portugal

Entre os dias 17 e 21 de junho, a cidade do Porto vai receber um conjunto de iniciativas abertas ao público. Estão confirmadas as presenças do músico Dino d’Santiago, do artista brasileiro Jaime Lauriano, da artista visual e realizadora Keila Sankofa, da historiadora Lilia Schwarcz e da rapper brasileira MC Carol. O tema desta edição é “Não Foi Cabral” e pretende estimular o debate sobre o fazer da(s) História(s), mostrando como muitos artistas contemporâneos têm contribuído para a alteração de paradigmas de conhecimento do mundo. Este ano, o programa divide-se entre a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e o Cinema Batalha.

“Esta semana internacional é o culminar de um ciclo que permitiu trazer ao Porto artistas contemporâneos para falar sobre ‘decolonialismo’ e mudança de paradigmas,” refere Nuno Crespo, diretor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa. “É para nós importante, como universidade, expor os nossos estudantes, mas também restante comunidade, a estes temas e ajudá-los a conhecer o passado para refletir no futuro,” conclui.

A Porto Summer School on Art & Cinema 2024 inicia o seu programa aberto ao público no dia 17 de junho, às 19h, na Blackbox do Auditório Ilídio Pinho, na Escola das Artes da Universidade Católica no Porto, com um showcase do músico Dino d’Santiago, que desde cedo se envolveu nos movimentos de música urbana globalizada, fundindo os universos do soul, hip-hop com o Batuku e Funaná. Em 2019, na primeira edição dos Prémios Play, Dino foi distinguido nas categorias de Melhor Artista Solo, Melhor álbum e Crítica, com o álbum Mundu Nôbu. A GQ Portugal atribuiu-lhe o prémio Man of The Year na área da música. É também um ativista pelas causas sociais sendo participante em vários projetos pela equidade e igualdade social.

No dia 19 de junho, pelas 21h15, haverá uma sessão de cinema e Q&A “Sankofa e seus Espelhos” na presença de Keila Sankofa e a investigadora Ellen Lima, no Cinema Batalha. A sessão é composta por uma seleção de curtas da realizadora e filmes por ela escolhidos.

A 20 de junho, pelas 19h, será inaugurada a “Enciclopédia Negra”, na Sala de Exposições da Escola das Artes. Uma exposição de Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz que é exibida pela primeira vez fora do Brasil. O objetivo é passar em revista a história do Brasil, da colonização aos nossos dias. A inauguração será seguida de uma roda de fala com rapper brasileira MC Carol e os DJs Farofa e Dorly, no Pátio das Artes da Universidade Católica no Porto.

Dia 21 de junho, pelas 19h, Lilia Schwarcz e Jaime Lauriano darão uma conferência no Auditório Ilídio Pinho sobre “Escravidão e reparação: nosso passado do presente”. Será uma conferência que concluirá todo o programa “Não Foi Cabral”, que ocupou a Escola das Artes nos últimos meses.

Ao longo de cinco dias, a Escola das Artes da Universidade Católica no Porto irá proporcionar uma experiência cultural e imersiva direcionada a todos os amantes de cultura da cidade do Porto. 

A Porto Summer School on Art & Cinema 2024 é organizada pela Escola das Artes e pelo Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) da Universidade Católica Portuguesa, em colaboração com a Universidade de São Paulo e Princeton University.

13-06-2024

Centro de Biotecnologia e Química Fina explora investigação que permite moldar o futuro mais verde

O Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) celebrou mais um Dia do CBQF com o tema “How Green is Our Future?”, realizado na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa - Porto. O evento reuniu investigadores, especialistas e convidados para debater e explorar temas cruciais relacionados com sustentabilidade e inovação.

A sessão de abertura da manhã, liderada por Manuela Pintado, diretora do CBQF, deu início a um dia repleto de conhecimento e troca de ideias. "Este é um momento de celebração da investigação de excelência que fazemos,” destacou Manuela Pintado. “Nos últimos 5 anos, desenvolvemos 170 projetos em colaboração com entidades públicas e privadas, conseguimos 30 milhões de euros em financiamento competitivo, e publicamos cerca de 1000 artigos em revistas internacionais com sistema de avaliação por pares."

O que mais atual se faz em investigação na área da sustentabilidade no CBQF foi apresentado pelos investigadores do centro, tendo cativado o interesse da audiência e estimulado a discussão dos resultados.

O “Creative Jam” promoveu um ambiente dinâmico e colaborativo entre os participantes, culminando na sessão plenária. A sessão de abertura da tarde também foi conduzida por Manuela Pintado, preparando o terreno para as palestras de convidados moderadas por António Rangel, bem como para a mesa redonda conduzida por Marta Vasconcelos.

O evento culminou com o discurso de encerramento de Isabel Braga da Cruz, Pró-Reitora da Universidade Católica Portuguesa - Porto, que sublinhou a importância da colaboração e do contínuo compromisso com a sustentabilidade.

O Dia do CBQF foi um sucesso, destacando o crescimento e a relevância do centro, que conta com mais de 255 investigadores dedicados a áreas distintas como Ambiente e Recursos, Alimentação e Nutrição, Produtos Biológicos e Biomédicos e Inovação Biotecnológica e Transferência de Tecnologia. A iniciativa reforçou a necessidade de abordar temas como a sustentabilidade e o Pacto Ecológico Europeu (Green Deal) de uma perspetiva transversal, promovendo o contacto e a colaboração com outros laboratórios associados em todo o país.

12-06-2024

Católica no top 5 mundial na promoção da “Paz, Justiça e Instituições eficazes”

A Universidade Católica Portuguesa (UCP) obteve a quinta mais elevada classificação, no mundo, entre as instituições com melhores resultados no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável para a promoção da “Paz, Justiça e Instituições Eficazes” (ODS 16), no ranking THE Impact Ranking 2023, divulgado pelo Times Higher Education (THE).

Este é um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos na agenda 2030 das Nações Unidas para a promoção de uma sociedade em paz e inclusiva, com acesso universal à justiça e a existência de instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis.

Quanto aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para a “Igualdade de Género” (ODS 5) e “Cidades e Comunidades Sustentáveis” (ODS 11), a UCP ficou classificada acima do percentil 75% do ranking, no intervalo 101-200.

No ranking Global, a UCP mantém a posição alcançada no último ranking, estabelecendo-se no primeiro quartil de instituições, no intervalo 201–300, num universo de 1963 Instituições (mais 23,4% face à última edição do ranking).

O THE Impact Ranking University visa avaliar o desempenho das universidades em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, medindo o impacto social e ambiental das ações desenvolvidas pelas instituições, em temas como desigualdade de género, educação de qualidade, mudanças climáticas, paz mundial e crescimento económico.

12-06-2024

Dia Mundial da Segurança Alimentar: refletindo sobre Desafios e Soluções

O Dia Mundial da Segurança Alimentar, celebrado anualmente em 7 de junho, destaca a importância de práticas seguras na produção, manipulação e consumo de alimentos. Este dia é essencial para aumentar a conscientização sobre a segurança alimentar, um tema vital que afeta a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo.

Apesar dos avanços significativos na indústria alimentar e na regulamentação, as doenças transmitidas por alimentos contaminados continuam a representar uma ameaça significativa à saúde pública em escala global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 600 milhões de casos de doenças transmitidas por alimentos são registados a cada ano. Isso significa que quase uma em cada 10 pessoas no mundo adoece após consumir alimentos contaminados, sendo 40% crianças com menos de 5 anos. A segurança alimentar é, portanto, uma questão de saúde pública de extrema importância, exigindo atenção e ação coordenada a nível global.

O tema de 2024 lançado pela OMS é “Preparar para o inesperado” e sublinha a importância de estar preparado para incidentes que possam, direta ou indiretamente, colocar em risco a segurança alimentar, independentemente da sua gravidade. Estes podem ser incidentes de pequena dimensão e, portanto, baixo impacto, ou grandes crises internacionais. O corte de eletricidade em casa, uma intoxicação alimentar num restaurante local, a recolha voluntária de produtos contaminados associados a casos de doença em diversos países, uma catástrofe natural, uma pandemia ou uma guerra, são exemplos de situações que podem ocorrer de forma inesperada e ter um grande impacto na segurança dos alimentos.

Outros desafios como a crescente globalização dos mercados, a escassez de recursos, a instabilidade económica e migrações em massa e as alterações climáticas contribuem para o aumento da ocorrência de eventos inesperados com comprometimento da segurança alimentar, tornando essencial a colaboração entre governos, organizações internacionais, setor privado e sociedade para garantir a segurança e a qualidade dos alimentos em todas as etapas da cadeia alimentar. A educação e a investigação científica promovidas pela Escola Superior de Biotecnologia (ESB) e pelo seu centro de investigação, o Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF), estão na vanguarda destes esforços contribuindo significativamente para a melhoria da segurança alimentar, garantindo que os consumidores tenham acesso a alimentos seguros, saudáveis e de qualidade.  

Aproveitemos este Dia Mundial da Segurança Alimentar para refletirmos sobre a importância deste tema e para nos prepararmos para o inesperado. Com mais de 30 anos de experiência, a ESB e o CBQF, instituições de referência na promoção da segurança alimentar, continuarão na vanguarda do ensino e da investigação nesta área, para responder e antecipar desafios inesperados, garantindo a segurança dos alimentos “do prado ao prato”. Este compromisso não só protege a saúde pública, como também contribui para a construção de um futuro mais saudável e sustentável para todos.

Que este dia seja o mote para refletirmos:

07-06-2024

Artigo descreve protocolo de avaliação da implementação do Modelo Integrado de Acolhimento Familiar em Portugal

Um artigo recente, publicado na revista PLOS ONE, descreve o protocolo de avaliação da fase inicial de implementação do Modelo Integrado de Acolhimento Familiar (MIAF) em Portugal. O MIAF é um modelo inovador de acolhimento familiar que visa oferecer às crianças em situação de perigo e com necessidade de acolhimento um ambiente familiar mais acolhedor e estável, como alternativa à institucionalização.

O paper, que conta com a coautoria de Mariana Negrão, docente na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP) e investigadora no Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH) desta faculdade, descreve o protocolo de avaliação do MIAF, que vai ser implementado em diversas regiões do país e instituições nacionais.

Este é um trabalho que se integra no projeto All4Children, que prevê um estudo, de natureza longitudinal, a acompanhar a implementação deste modelo inovador junto de crianças entre os 0 e os 9 anos em situação de acolhimento familiar, as suas famílias de acolhimento e os profissionais inscritos no projeto.

A avaliação da implementação do modelo terá duas vertentes principais: uma focada na análise do processo de implementação, ou seja, na fidelidade, viabilidade, adequação e aceitabilidade dos diversos módulos do MIAF, bem como na identificação dos facilitadores e das barreiras à sua implementação em Portugal; e outra centrada na avaliação dos resultados do modelo, que terá em conta o desenvolvimento, a segurança e a estabilidade das crianças acolhidas, o bem-estar da família de acolhimento e a qualidade dos cuidados relacionais.

 

O aperfeiçoamento contínuo do MIAF

"Este projeto contribuirá para o aperfeiçoamento do MIAF, melhorando a prática e informando a política durante uma fase crucial da desinstitucionalização em Portugal", afirma Mariana Negrão.
Os resultados do estudo fornecerão dados valiosos para o aprimoramento do MIAF e para a promoção de melhores práticas no âmbito do acolhimento familiar em Portugal. Acredita-se que o MIAF possa ter um impacto positivo significativo na vida das crianças em situação de risco, oferecendo-lhes um ambiente familiar mais acolhedor e estável.

O artigo The All4Children project to assess the initial implementation of the Integrated Model of Family Foster Care in Portugal: A description of the study protocol é produto do projeto All4Children, no qual a FEP-UCP participa, juntamente com o Iscte-IUL, ProChild CoLAB e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Para além de Mariana Negrão, o artigo é também assinado por Joana Baptista (Iscte-IUL), Helena Grangeia (ProChild CoLAB e JusGOV), Cláudia Camilo (Iscte-IUL), Sandra Ornelas (ProChild CoLAB), Sandra Nogueira (ProChild CoLAB), Isabel Pastor (Santa Casa da Misericórdia de Lisboa), Ana Gaspar (Santa Casa da Misericórdia de Lisboa), Isabel Soares (Faculdade de Psicologia da Universidade do Minho) e Stephanie Alves (HEI-Lab).

07-06-2024

A olhar para o futuro: MBA Executivo da Católica Porto Business School assinalou 20 anos

Foi perante uma plateia repleta que o diretor da Católica Porto Business School, João Pinto, e o diretor do MBA Executivo, Luís Marques, abriram a conferência “MBA Executivo - 20 Anos: Passado, Presente e Futuro”. Os momentos iniciais contaram com a passagem de um pequeno filme que enquadrou a história do programa e aquilo que foi o seu crescimento, sem esquecer um debate sobre o seu momento atual e um olhar atento ao que devem ser os próximos anos de um MBA que se posiciona entre os melhores europeus. 

O primeiro convidado a subir a palco foi o CEO do Grupo Bernardo da Costa, Ricardo Costa, para falar sobre a importância do MBA no desenvolvimento pessoal. Alumno do MBA Internacional da Católica Porto Business School, Ricardo Costa começou por referir que a conclusão do programa, em 2011, coincidiu também com o assumir do atual cargo de CEO. Para si, a experiência adquirida foi crucial para a evolução da sua empresa, em termos de expansão e internacionalização e no aumento do volume de negócios. 

À apresentação de Ricardo Costa seguiu-se a primeira mesa-redonda da tarde, moderada por Sofia Salgado, Professora Auxiliar da Católica Porto Business School. “MBA: ontem, hoje e no futuro” foi o mote para a partilha de experiências pessoais e profissionais do CEO do Centro Porsche Porto, Hugo Ribeiro da Silva, da diretora de People & Culture da COLEP Packaging, Joana Roda, e de Arménio Rego, Professor Catedrático da Católica Porto Business School

A segunda intervenção coube ao CEO da KPMG Portugal, Vitor Ribeirinho, que falou do MBA e dos novos desafios da gestão. Na sua opinião, os principais desafios que se colocam aos gestores passam pela mudança e a incerteza, onde a informação deve levar a tomadas de decisão ponderadas, pela inovação como processo de negócio e pilar de estratégia empresarial, pela necessidade de diversidade e talento e pela sustentabilidade. 

O momento seguinte trouxe a segunda mesa-redonda, com o tema “As (novas) práticas de gestão” a contar com as participações do CEO da Mota-Engil, Carlos Mota Santos, do CEO do Super Bock Group, Rui Ferreira, e da antiga vice-presidente da Associação Nacional de Farmácias, Cristina Gaspar. Alberto Castro, Professor Catedrático Convidado da Católica Porto Business School, foi o moderador da sessão, colocando também questões aos vários convidados. 

O encerramento da conferência coube a Luís Marques, que aproveitou para agradecer novamente a todos os presentes, salientando que foi um momento de afirmação da ambição de melhoria e evolução do MBA Executivo da Católica Porto Business School. 

A 20ª edição do MBA Executivo arranca já em outubro. Se quiser saber mais sobre este programa, clique aqui.  

Assista à conferência de comemoração dos 20 anos do MBA da Católica Porto Business School.

 

06-06-2024

Professor da Escola das Artes toma posse no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, Professor Catedrático da Escola das Artes, tomou posse, no Rio de Janeiro, Brasil, como sócio correspondente estrangeiro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, fundado em 2 de Outubro de 1838, considerado como "a mais antiga e tradicional entidade de fomento da pesquisa e preservação histórico-geográfica, cultural e de ciências sociais do Brasil". O acto decorreu na sede do IHGB, na presença do Presidente da Instituição, Dr. Victorino Chermont de Miranda, e da Cônsul-Geral de Portugal no Rio de Janeiro, Embaixadora Gabriela Soares de Albergaria (alumnaUCP). O Prof. Vasconcelos e Sousa aproveitou a sua estadia no Rio de Janeiro para realizar diversas conferências, designadamente no Real Gabinete Português de Leitura e no Palácio de São Clemente.

 

 

06-06-2024

Manuela Pintado: “A investigação tem de ser transformadora.”

Manuela Pintado é docente da Escola Superior de Biotecnologia e diretora e investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina. É também co-líder do INSURE.hub, uma iniciativa da Católica que atua na área da sustentabilidade, inovação e regeneração. Transmontana de gema, veio para o Porto para estudar no liceu Carolina Michaelis e mais tarde ingressa na licenciatura em Ciências Farmacêuticas. A paixão pela investigação, pela partilha de conhecimento e pela transformação da sociedade são o motor da sua carreira profissional. Como líder, procura “mostrar que qualquer um de nós consegue crescer”.

 

Quais são as suas principais memórias de infância?

Os meus pais foram maravilhosos porque me ajudaram a ser a pessoa que sou hoje. Esta é uma das minhas grandes memórias de infância. Para além disto, é impossível não referir que tive uma doença dos 5 aos 12 anos que, inevitavelmente, me marcou bastante. Mas também me tornou mais resiliente. Cheguei a perder um ano de aulas e depois sempre vivi muito condicionada pelo meu estado de saúde. Aparentemente diziam que a doença não tinha solução, mas, afinal, quando tinha eu 12 anos, a ciência trouxe solução para o meu problema. Isto também me ensinou a ter sempre esperança e a acreditar muito na ciência.

 

De que forma é que isso marcou o seu futuro?

O que vivi na minha infância trouxe-me àquilo que sou hoje. A Ciência traz soluções para as nossas vidas e eu acabei por dedicar a minha vida à Ciência e à investigação. Sinto-me profundamente realizada. Graças ao que vivi, sempre fui muito resiliente e acredito profundamente que se nos esforçarmos e que se acreditarmos, conseguimos lá chegar. É esta a principal mensagem que retiro da minha infância.

 

É transmontana. De Freixo de Espada a Cinta.

As realidades transmontana e transfronteiriça marcaram-me muito. A minha mãe era espanhola e, portanto, íamos muitas vezes a Espanha. Lembro-me de me encontrar com os meus tios e família quase no meio da ponte. No fundo, hoje olho para isto com a capacidade de dizer que somos superiores àquilo que muitas vezes nos impõem. Quando queremos muito uma coisa, acabamos por consegui-la e aquilo que nos une é capaz de ultrapassar qualquer obstáculo.

 

Quando é que vem para o Porto?

Vim para o Porto no 9º ano. A minha irmã já vivia no Porto e por isso abriu-me as portas. Mudei radicalmente de realidade. Na altura, as diferenças que se sentiam entre o interior e a cidade eram ainda mais gritantes. Desde logo, na Escola. Não foi uma adaptação fácil. Vim para um dos liceus mais difíceis do Porto, o Liceu Carolina Michaelis. Havia um gap muito grande entre aquilo que eu tinha aprendido na escola em Trás-os-Montes e aquilo que os outros já tinham aprendido aqui na cidade. Tive de me esforçar muito para conseguir acompanhar o resto da turma. Tenho muito orgulho de ser transmontana, mas, inevitavelmente, tive de me adaptar à realidade urbana. Tentei sempre fazê-lo sem perder o valor e a identidade.

 

Como é que os seus pais assistiam a esta sua adaptação à cidade?

Nunca mais me esqueço de uma frase que o meu pai dizia: “Temos de confiar nos nossos filhos”. Trago isto em mim até aos dias de hoje. Foi um grande voto de confiança por parte dos meus pais, que acreditaram, verdadeiramente, na minha responsabilidade. Por exemplo, quando trabalho com investigadores, procuro estimular a sua autonomia. Foi isto que os meus pais fizeram comigo. Naquela altura, lembro-me que a confiança dos meus pais em mim me responsabilizou ainda mais. Cresci muito naqueles tempos.

 

É licenciada em Ciências Farmacêuticas. Porquê?

Sempre tive uma atração grande pela componente científica. Talvez o interesse pela saúde surja do problema de saúde que tive na infância. Desde nova fui obrigada a contactar com hospitais. Gostei imenso do curso. Deu-me muitas competências. Depois de ter terminado o curso, fui trabalhar para um laboratório. Gostava do que fazia, mas sentia que faltava alguma coisa. Comecei a perceber que eu tinha de tentar a investigação. Na altura, a Escola Superior de Biotecnologia era pioneira. Foi das primeiras escolas a começar com uma investigação avançada com toda a nova geração que se tinha doutorado, com oportunidades de projetos e bolsas. Fui atrás da minha paixão e, hoje em dia, sinto-me completamente realizada.

 

Entra, então, para a ESB em 1991 com uma bolsa de investigação.

Precisamente. Quando eu entrei, vim trabalhar para o grupo de investigação do Professor Xavier Malcata. O meu primeiro trabalho foi em kefir. O objetivo era caracterizar os grãos de kefir que existiam em Portugal. Entrei para a Escola Superior de Biotecnologia com uma grande especialização em saúde, porque vinha de análises clínicas. Juntei-me à Microbiologia e comecei a trabalhar a área dos laticínios. Entretanto, surgiu a oportunidade de entrar no mestrado. Fiz um ano de mestrado para captar competências de engenharia, porque não tinha essas competências e eram muito relevantes se queria entrar nas áreas da biotecnologia. Posteriormente entrei no doutoramento.

 

“Para que serve uma investigação que fica fechada no seu laboratório?”

 

Que áreas de investigação acabaram por orientar a sua carreira?

Iniciei na área dos laticínios, já na componente de valorização do soro. Na altura, ainda muito pouco explorada. Fiz um trabalho de investigação que consistia em criar alternativas para valorizar este subproduto. É um tema que me move até aos dias de hoje, porque me permite ajudar a sociedade, o planeta e a indústria através da criação de soluções de sustentabilidade que, em simultâneo, permitem a criação de novos produtos.

 

Mas trabalhou e trabalha com muitas outras áreas …

Sim, até porque durante muito tempo publicar na área da valorização de subprodutos era difícil. Mantive sempre muitos trabalhos paralelos, que também me apaixonaram, como desenvolver investigação que valoriza os nossos produtos tradicionais, como os queijos, por exemplo. Trabalhei muito com o Queijo da Serra. Como investigadores, temos essa responsabilidade de promover o valor que temos em cada região do país e de criar oportunidades para essas regiões se desenvolverem à volta de novos produtos. Para além disto, trabalhei na Associação para a Escola Superior de Biotecnologia, que implicava ter muita ligação com a indústria e aí, também, descobri uma grande paixão: o contacto com as empresas.

 

A ligação à indústria é um pilar da Escola Superior de Biotecnologia?

A ligação à indústria é parte da cultura da Escola Superior de Biotecnologia. É extremamente diferenciador. É através desta ligação que a nossa investigação ganha sentido. Temos uma capacidade e uma proximidade excecional com a indústria e com as empresas e é isto que nos permite fazer a diferença. A investigação tem de ser transformadora e é nesta proximidade com o mundo lá fora que conseguimos que a investigação tenha um verdadeiro impacto. Para que serve uma investigação que fica fechada no seu laboratório?

 

O que é que acontece quando se abre a investigação para o mundo?

Quando assim é conseguimos criar mais valor para as empresas, dar respostas aos problemas e necessidades das pessoas, conseguimos captar investimento internacional, melhorar a capacidade e as competências dos profissionais e muito mais. É para isto que serve a investigação e é isto que me move nesta profissão.

 

É diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina desde 2017. Como é que têm sido estes anos?

Integrei o Centro de Biotecnologia de Química Fina no início dos anos 90, quando o centro foi criado, e em 2016 tornei-me membro da direção do Centro que era liderado pelo Professor Tim Hogg. Em 2017, fui nomeada diretora e, de facto, aceitei o desafio com uma grande convicção de uma abertura do Centro à transformação e internacionalização. Havia dois grandes objetivos a curto prazo: integração de um grande projeto com uma empresa cotada na bolsa americana e o aumento da classificação pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Acreditámos que podíamos ser excelentes e somos. Foi muito gratificante perceber que toda a equipa, todos os investigadores, dos mais jovens aos mais seniores, se envolveram neste objetivo. Desde então que a minha missão como líder do CBQF se mantém. Estamos focados na transformação, na mudança e na melhoria contínua. É nossa prioridade mantermos uma equipa motivada e entusiasmada, assegurando um futuro sólido para os nossos investigadores. Queremos alavancar as nossas parcerias com as empresas, que são determinantes para suportar economicamente a investigação que fazemos, e continuar a fazer caminho pela investigação que realmente transforma o mundo.

 

O que é ser líder?

É, sobretudo, mostrar que qualquer um de nós consegue atingir os seus objetivos. Acredito muito na equipa que temos. A vida tem-me ensinado, ao longo dos anos, que é na relação com a pessoa e no diálogo que podemos ajudar a fazer a diferença.

 

“Ser professora é central para mim.”

 

É, também, co-líder do INSURE.hub, iniciativa da Universidade Católica Portuguesa - através da Escola Superior de Biotecnologia e da Católica Porto Business School - e da Planetiers New Generation, que tem como objetivo criar um ecossistema internacional de conhecimento transdisciplinar na área da Inovação, da Sustentabilidade e da Regeneração. O que é que esteve na base da criação deste hub?

Sozinhos não conseguimos resolver os grandes desafios da sociedade. No fundo, este foi o mote para a criação do INSURE.hub. Percebemos que, do ponto de vista da Inovação, não conseguíamos, em muitos momentos, transferir e implementar sem a visão económica e sem, em alguns casos, da própria Psicologia, que traz a dimensão da mudança de comportamento. Concretizar a sustentabilidade sem cruzar todas estas áreas não é possível. O INSURE.hub criou esta cultura da multidisciplinaridade. Ao serviço da comunidade! Existimos movidos pelas empresas e por aquilo que a sociedade nos pede. 

 

O que é que diferencia a Católica relativamente ao tema da Sustentabilidade?

As áreas de conhecimento na maioria das instituições de ensino superior estão muito mais compartimentadas. Na Católica, temos esse valor de podermos combinar de forma diferenciadora as várias áreas. Este é um dos nossos grandes trunfos. Quando falamos de Sustentabilidade isto torna-se ainda mais claro. A Sustentabilidade não pode fazer parte de mim ou de uma faculdade em específico. A Sustentabilidade tem de se afirmar transversalmente e é isso que acontece na Universidade Católica. A Sustentabilidade é uma forma de estar e isto diferencia-nos muito. Este tema tem crescido gradualmente nas várias faculdades, com várias camadas de conhecimento, várias experiências e em muitos projetos. Na Católica, o nosso projeto de Sustentabilidade é coletivo.

 

Qual é a importância da docência na sua carreira profissional?

Ser professora é central para mim. Não me imagino a não ser professora. Um investigador que não partilha o seu conhecimento e que não o propaga, não cumpre a sua missão. A investigação e a docência coexistem.

 

Teve professores marcantes durante a sua vida?

Recordo um professor de Microbiologia que me ensinou imenso e que, com o seu rigor e disciplina, me fez apaixonar pela área. Ensinar Ciência é isto. É conseguirmos transmitir o que a Ciência tem de belo. O que tento fazer com os meus alunos é passar-lhes esta paixão pelo Conhecimento e como podem impactar a sociedade e a economia.

 

“Trás-os-Montes ensinou-me coisas muito importantes.”

 

O que mais gosta no Edifício de Biotecnologia?

É o ambiente que se vive no seu interior. A relação humana entre alunos, investigadores e docentes.

 

O que é que mais aprendeu por ter nascido no interior?

Trás-os-Montes ensinou-me coisas muito importantes. A resiliência, a relação com as pessoas, a entreajuda. No interior não somos uma pessoa, não somos uma família, somos um coletivo. Ajudamo-nos a todos e vivemos em verdadeira comunidade.

 

Depois de tantos anos a viver no Porto de que é que continua a ter saudades?

Da relação com as pessoas. Tenho lá muitos amigos ainda. No verão, encontramo-nos sempre. A relação com a família também é muito forte e, por isso, reunimo-nos. Já sem os meus pais para visitar, tenho uma casa que me traz essa saudade e que me reporta ao passado. Há uma ligação inquebrável. Freixo está sempre presente.

 

 

06-06-2024

Primeiro Congresso de Investigação em Bioengenharia no Ensino Secundário

Estudantes do ensino secundário de todo o país foram desafiados a apresentar os seus projetos no BIOFASE – I Congresso de Investigação em Bioengenharia no Ensino Secundário. Este evento inovador foi organizado pela Escola Superior de Biotecnologia e reuniu cerca de 50 jovens investigadores e seus professores durante um dia de partilha, descoberta e alguns prémios.

O foco específico dos trabalhos foi muito alargado: desde a microbiologia à biotecnologia, passando pela saúde e inteligência artificial, a ênfase na resolução de problemas através de ferramentas biológicas resultou em trabalhos de muita qualidade e provou que há escolas secundárias num patamar que merece visibilidade e reconhecimento.

Este primeiro Congresso de Investigação em Bioengenharia no Ensino Secundário foi uma excelente oportunidade para os alunos explorarem ciência, tecnologia, engenharia e ética de uma maneira prática e criativa, preparando-os para um futuro num campo interdisciplinar em constante evolução”, conclui Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.

"Gostei muito de ter vindo apresentar o meu trabalho! Descobri imenso sobre a área da Bioengenharia. É um evento interessante para desenvolver e conhecer ideias nesta área", partilhou Joana Antunes, aluna do 12º ano da Escola Secundária do Entroncamento.

Durante todo o dia os participantes foram envolvidos em sessões plenárias, interagiram com oradores convidados, participaram em grupos de discussão e assistiram a apresentações orais dos seus pares. Os trabalhos competiram para os quatro prémios monetários atribuídos: inovação alimentar, biotecnologia alimentar, melhor apresentação oral e melhor poster.

"É motivador para os alunos virem apresentar e partilhar os trabalhos que foram desenvolvendo ao longo do ano", afirmou a professora Natália Ferreira da Escola Secundária de Rio Tinto e que acompanhou os seus alunos no evento.

O sucesso deste congresso, em tudo equivalente aos seus congéneres mais adultos, reflete o interesse mais vasto dos jovens pela ciência e tecnologia e demonstra a oportunidade de eventos em investigação e a inovação desde as etapas mais precoces da educação. Com a promessa de mais edições no futuro, o BIOFASE já se afirmou como um marco no panorama científico do ensino secundário.

Prémio Ano Escola Alunos Trabalho Professor

Valor

MELHOR ORAL 12º ano Escola Secundária do Entroncamento Joana Patrícia Malhó Antunes Explorando o Potencial do Brufen como Modulador do Crescimento do Tomateiro Marta Azevedo 150 €
MELHOR POSTER 12º ano Escola Secundária da Maia Beatriz Ribeiro de Sousa; Maria Veiga; Irene Constantino HealingScales Luísa Santos 100 €
PRÉMIO BIOTECNOLOGIA ALIMENTAR 12º ano Escola Secundária Luís de Freitas Branco (Paço de Arcos) Manuel de Castro Violante; Pedro Martins; Rodrigo Passos; Rúben Silva Rice DNA barcoding Cristina Dias 120 €
PRÉMIO INOVAÇÃO ALIMENTAR 10º ano Escola Secundária com 3º Ciclo de Alcanena João Maria Marques Miguel; Guilherme Nascimento Vieira; Rafael Correia Calado CurtiPol: transformação de desperdícios da indústria dos curtumes em biopolímeros sustentáveis José Fradique 120 €

 

PROFESSOR INVESTIGADOR Escola Secundária do Entroncamento Marta Azevedo Este reconhecimento é atribuído automaticamente ao professor que coordenou o trabalho vencedor do prémio de melhor apresentação oral e garante-lhe a oportunidade de indicar um grupo de alunos que receberá mentorado regular por um investigador da faculdade ao longo do ano letivo seguinte.


Esta atividade é realizada no âmbito do projeto BLUE DESIGN ALLIANCE, financiado pelos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para 2021-2026.

06-06-2024

Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem fortalece parceria com Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo

A Faculdade Ciências da Saúde e Enfermagem (FCSE), da Universidade Católica Portuguesa, e a Escola de Enfermagem, da Universidade de São Paulo, fortalecem parceria de investigação na área do tratamento de feridas e ostomias.

Paula Nogueira, docente da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP), no âmbito do programa de Apoio a Missões Académico-Científicas no Exterior (PAME), visitou a Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem. O programa incluiu atividades que permitiram dar a conhecer as linhas de investigação da Faculdade de Ciências da Saúde e de Enfermagem, nomeadamente, da Investigação na área das feridas e ostomias, bem como dar a conhecer a realidade do Ensino em contextos de prática clínica em Portugal. As atividades do programa decorreram maioritariamente no campus da Católica no Porto, tendo havido também uma visita ao campus da Católica em Lisboa.

Tânia Costa, docente da FCSE e coordenadora da mobilidade e internacionalização, destaca “a importância do trabalho colaborativo e em rede.” “Podemos e devemos aprender com as outras instituições e partilhar com elas o nosso conhecimento. É prioridade da FCSE a aposta no fortalecimento das parcerias internacionais”, conclui.

Durante a visita, que começou a 24 de maio e que decorreu por 10 dias, a FCSE deu a conhecer a dinâmica dos contextos de prática clínica, através de visitas técnicas a instituições de saúde públicas e privadas. Paula Nogueira integrou, também, reuniões de apresentação e discussão de projetos dos investigadores do Wound Research Lab (laboratório integrado no Centro Interdisciplinar em Saúde (CIIS)), de forma a fortalecer parcerias de pesquisa e de modo a dar o seu contributo. Realizou uma palestra para os docentes da FCSE subordinada ao tema “Realidade da Formação da Universidade de São Paulo no 2º e 3º Ciclos em Enfermagem: Desafios e oportunidades”.

A FCSE valoriza o fortalecimento de laços de parcerias internacionais, permitindo a partilha de conhecimento e de experiências no âmbito da investigação em Enfermagem.

06-06-2024

Pages