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João Amado: “O cuidar é a base de tudo.”

João Amado é médico, investigador do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde (e ex-docente convidado da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem) da Universidade Católica Portuguesa. Tem 75 anos e é natural da Vila de Cucujães (Santo António da Ínsua). Viveu em Moçambique e licenciou-se em Medicina pela Universidade do Porto. Com uma vida dedicada à saúde comunitária, partilha que esta “é a base de toda a intervenção em saúde” e que os enfermeiros se definem na “proximidade”. O mais importante da vida? “Estar sempre agradecido.”

 

Quando é que decide estudar Medicina?

A Medicina surgiu já muito tarde na minha vida. Tudo surge de antes de uma experiência que tive de voluntariado em Moçambique (1973-1978), ligado à Sociedade Missionária e à Diocese de Nampula, no lar(-escola) de S. José (no “mato”), a cerca de 30 km da cidade e depois em Nacala. Estive lá 5 anos, passei lá a independência. Depois regressei a Portugal para, então, estudar Medicina com a ideia de voltar para lá. Acabou por não acontecer, porque, entretanto, casei, tivemos um filho e, também, surgiu a guerra entre a FRELIMO e a RENAMO.

 

O que guarda desses tempos em Nampula?

Há cheiros que nunca mais esqueço. Os cheiros da noite nas conversas ao luar. Conversávamos muito e é esse tempo de relação pessoal que guardo para sempre. Foi um tempo muito gratificante da minha vida.

 

Tem dedicado toda a sua vida à área da saúde comunitária. Foi da experiência em Moçambique que ficou o interesse de trabalhar junto das comunidades?

Também, claro, mas durante a licenciatura trabalhei com uma professora para a ajudar durante o seu doutoramento. Íamos nas férias trabalhar para Vila Real voluntariamente para lhe conseguirmos os dados para a tese. Foi um tempo que despertou em mim esta vontade de estar perto da comunidade. E, claro, a minha esposa foi uma grande influência para mim. Casei com uma enfermeira de saúde pública absolutamente extraordinária e isso motivou-me muito a seguir por esta área. O compromisso da minha mulher com a saúde pública foi verdadeiramente contagioso. Nos anos 70, a minha mulher fez coisas muito inovadoras a favor das populações. Esteve envolvida na campanha contra o sarampo, em campanhas de vacinação, fazia visitas a casas dos bairros pobres, das salinas, das de prostituição e acompanhou as campanhas de Gonçalves Ferreira que reduziram drasticamente a mortalidade infantil. Estas campanhas foram tão importantes que foi ainda antes do 25 de abril que, em Portugal, atingimos o ponto da civilização. Foram feitos extraordinários.

 

Porque é que a saúde comunitária é uma área tão fascinante para si?

É a base de toda a intervenção em saúde. Quando pensamos em cuidados de saúde primários estamos a pensar na saúde da comunidade. Os mínimos de saúde têm de ser assegurados a toda a gente. Porque é que podemos não ter direito a tratamentos de milhões de euros? Porque esses milhões vão retirar a hipótese de dar efetivamente os cuidados base necessários a todas as pessoas. Este trabalho junto da comunidade sempre me sensibilizou muito, de tal forma que acabei por lhe dedicar a minha vida, embora tivesse sempre mantido o meu trabalho clínico, como médico de medicina geral. A Medicina é uma profissão de relação e de proximidade e isso é muito importante para mim. Já na família onde cresci (somos seis irmãos), o contacto sempre foi muito importante e sempre foi determinante para o meu crescimento. A proximidade tem de estar em tudo o que faço.

 

“É na proximidade que o enfermeiro se define.”

 

Na sua experiência como docente da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem e investigador do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde porque é que é relevante o papel que a Universidade Católica tem na área da saúde comunitária?

Porque os enfermeiros são aqueles que estão na linha da frente e a saúde da comunidade, mesmo quando se trata de atendimento clínico, tem um substrato fundamental que é o enfermeiro. O enfermeiro é aquele que lida com a pessoa no seu ambiente mais próximo. O enfermeiro ultrapassa a parte clínica e tenta perceber a pessoa no seu contexto socioeconómico e familiar. A Católica distingue-se na formação de enfermeiros, porque é na proximidade que o enfermeiro se define. O cuidar é a base de tudo.

 

Como é que sempre viveu a sua carreira ao longo de mais de 40 anos ao serviço da Medicina?

Com espírito de responsabilidade pelo contributo que recebi ao longo de toda a vida. O que tenho e o que pude dar ao longo da minha vida foi-me dado de alguma forma. Eu contribuí dentro do que me foi dado e se me foi dado é para dar aos outros também.

 

“Dá-me muita alegria viver.”

 

Aos 75 anos continua a trabalhar …

Sim, continuo (risos). Dentro do que me pedem e do que posso, nomeadamente em atividades de voluntariado.

 

O voluntariado é uma dimensão importante na sua vida?

É muito importante para mim. O voluntariado faz-nos perceber quão frágeis somos. O voluntariado ensina-nos a agradecer o que somos no que temos.

 

Porque é que é tão importante agradecer?

Agradeço a Deus estar vivo e agradeço toda a vida que me deu. Agradeço o tempo que vivi solteiro, casado, viúvo, agradeço o tempo que vivo agora com a minha família, com filho, nora e neto. Dá-me muita alegria viver e, por isso, devo ser agradecido. Se eu não agradeço, eu não me percebo feliz.

 

 

27-02-2025

Sessão Premium ADN Jurista: a política portuguesa sem filtros

A política portuguesa tem tanto de insólito como de revelador. Foi este o mote da apresentação do livro “Só neste País”, que marcou a mais recente sessão Premium ADN Jurista, com os autores – Liliana Valente in situ e Filipe Santos Costa, a partir do Japão – e os seus comentadores, João Pedro Matos Fernandes, ex-Ministro do Ambiente e da Ação Climática, e Sandra Sá Couto, jornalista e editora geral da RTP. Num debate informal e sem rodeios, falou-se de memória, dos insólitos políticos e do enfraquecimento dos órgãos de comunicação social.

"Há facetas da política que a maioria das pessoas desconhece", mencionou Sandra Sá Couto, ao esclarecer que a obra revela a parte mais cómica da política e dos seus protagonistas no decorrer de meio século de Democracia. De acordo com João Pedro Matos Fernandes não deixam de ser histórias tristes “de pequenos abusos, soberbas, de aldrabices, de homens. E digo homens de propósito porque praticamente não há histórias de mulheres. Infelizmente”.

Sobre silêncios, Liliana Valente reforçou a omissão política atual: "Eles profissionalizaram-se, aprenderam a falar menos de forma intermediada porque podem. Com as redes sociais podem falar diretamente para o público, sem ninguém os confrontar com perguntas. Como há menos escrutínio, os jornais vão morrendo e os políticos remetem-se ao silêncio". A jornalista alertou ainda para o impacto dos algoritmos das redes sociais, que filtram a informação que chega ao público, tornando o debate ainda menos plural.

Filipe Santos Costa, por sua vez, destacou o poder do humor político e a importância da memória para tempos difíceis como estes. E é precisamente entre o riso e a memória que o livro se posiciona: um registo histórico, sob o prisma do caricato e bem-humorado que, no fundo, nos obriga a olhar para a política com mais atenção.

A discussão passou ainda pelo populismo, pela influência dos media e pela proliferação de canais noticiosos 24 sobre 24 horas, alterando a relação das pessoas com a informação.

A sessão terminou com uma reflexão preocupante sobre a verdade – ou melhor, sobre a facilidade com que as mentiras se tornam verdades. No final, ficou claro que, Só Neste País, não é apenas um livro que diverte; é um alerta para a forma como a memória coletiva se constrói – ou se apaga. E se há coisa que a política mundial já provou é que, sem memória, a história repete-se.

27-02-2025

Escola de Enfermagem promove Conferência sobre Inovação e Criatividade na Saúde

Especialistas da indústria farmacêutica, pioneiros do empreendedorismo social e líderes do contexto clínico estiveram no Porto para explorar as interseções entre inovação, tecnologia, empreendedorismo social e práticas avançadas em saúde. A Conferência "Inovação e Criatividade na Saúde: Novas Fronteiras e Impactos Reais", organizada pela Escola de Enfermagem (Porto) da Universidade Católica Portuguesa, realizou-se a 10 de fevereiro, a partir das 9h30, no Auditório Ilídio Pinho, no Porto.

A cerimónia de abertura contou com a presença do Diretor da Escola de Enfermagem (Porto), Paulo Alves, que salientou a importância de incentivar o desenvolvimento de soluções sustentáveis, eficazes e inovadoras para enfrentar os desafios cada vez mais complexos da saúde.

O evento contou com diversas intervenções de representantes de organizações como AstraZeneca, Medtiles, DivisonCare, Arka Medical, Sonae MC e também associações como o Instituto Português da Afasia, Vencer Autismo, Vintage for a cause, entre outros.

O momento também ficou marcado pela apresentação dos projetos inovadores dos estudantes da Licenciatura em Enfermagem, desenvolvidos no âmbito da Unidade Curricular de Criatividade e Inovação, que evidenciam o foco e o compromisso que a Escola de Enfermagem (Porto) assume com a formação de profissionais altamente capacitados para lidar com as transformações da saúde e para serem líderes na inovação da saúde.

A inovação, a criatividade e o empreendedorismo social foram apresentados como forças propulsoras de mudanças significativas na forma como os cuidados de saúde são prestados, com impacto direto na vida das pessoas e na sustentabilidade dos sistemas de saúde a nível global.

Ao longo da conferência, ficou evidente que, para enfrentar os desafios da saúde no futuro, será fundamental apostar em soluções criativas, em um ambiente de constante evolução tecnológica e com uma visão multidisciplinar, envolvendo todos os atores desta mudança. A conferência "Inovação e Criatividade na Saúde: Novas Fronteiras e Impactos Reais" destacou, assim, o papel crucial da inovação na construção de soluções na saúde mais eficientes, inclusivas e sustentáveis para as gerações futuras.

26-02-2025

Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem e Universidad Católica de Valencia San Vicente Màrtir em parceria para o desenvolvimento de um Blended Intensive Programme

No âmbito do desenvolvimento de um Blended Intensive Programme (BIP), Esther Navarro-Illana, docente no Departamento de Enfermagem na Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade Católica de Valência e co-coordenadora da Mobilidade, Programas de intercâmbio Erasmus e Relações Internacionais visitou a Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem (FCSE) da Universidade Católica Portuguesa no Porto.

O encontro teve como objetivo a construção conjunta de um Blended Intensive Programme (BIP) enquanto mais uma oportunidade de internacionalização quer para os docentes quer para os estudantes. Durante a sua visita, que decorreu no dia 20 de fevereiro, a docente foi recebida por Tânia Costa, docente e coordenadora da Mobilidade e Internacionalização da FCSE, numa reunião que contou com a presença de Armando Almeida, docente da FCSE e coordenador da Licenciatura em Enfermagem na Escola de Enfermagem no Porto.

“É com enorme honra que recebemos docentes de outras universidades, até porque é sempre uma mais-valia o desenvolvimento de respostas pedagógicas inovadoras e sustentáveis, sobretudo quando a missão e os valores partilhados pelas instituições são iguais, como acontece nesta ação que envolve a Universidade Católica Portuguesa no Porto e a Universidade Católica de Valência.”, refere a docente Tânia Costa.

Esta é mais uma sinergia que contribui para consolidar o objetivo da FCSE em estabelecer parcerias internacionais que contribuam significativamente para o curriculum dos estudantes de enfermagem.

 

26-02-2025

Investigação do CBQF em destaque na capa da Marine Drugs

Um estudo recente liderado por Marta Cunha, Ezequiel Coscueta, María Emilia Brassesco e Manuela Pintado, investigadores do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica Portuguesa, recebeu um reconhecimento especial ao ser destacado na capa da revista Marine Drugs. Esta investigação, desenvolvida no âmbito do projeto FISHMUC, centrou-se no peixe-sapo lusitano (Halobatrachus didactylus), nomeadamente no seu abundante muco, que apresenta notáveis propriedades antioxidantes, antimicrobianas e anti-hipertensivas.

Recorrendo a métodos computacionais avançados, a equipa identificou vários péptidos com potencial antioxidante, anti-hipertensivo e antidiabético. Estas propriedades foram posteriormente confirmadas em laboratório, demonstrando o papel promissor destes compostos na proteção celular contra o stress oxidativo e na regulação da pressão arterial e dos níveis de açúcar no sangue.

Além disso, alguns dos péptidos identificados mostraram capacidade para prevenir a formação de biofilmes bacterianos, estruturas responsáveis por infeções persistentes e pelo aumento da resistência aos antibióticos. Um dos principais achados do estudo foi a descoberta de que estes péptidos interagem naturalmente com o muco do peixe, potenciando a sua bioatividade. No entanto, quando isolados, tendem a agregar-se em determinadas condições, reduzindo a sua eficácia. Compreender como o muco otimiza a função destes péptidos abre novas possibilidades para a sua aplicação nas indústrias alimentar, farmacêutica e cosmética.

Este estudo reforça a importância dos ambientes marinhos como fontes ricas em compostos bioativos com potencial benefício para a saúde humana. Investigações futuras irão focar-se na otimização da estabilidade dos péptidos e na exploração de novas estratégias para potenciar as suas propriedades, incluindo técnicas de encapsulamento e o uso de materiais biomiméticos que reproduzem o ambiente natural do muco.

O trabalho já resultou na concessão de uma patente (PT118365) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, assinalando um passo importante na jornada para levar estes péptidos promissores ao mercado.

O CBQF mantém-se empenhado em impulsionar a descoberta científica e em traduzir o conhecimento em aplicações práticas que promovam a inovação nas áreas da saúde e biotecnologia.

 

Ver artigo completo aqui

 

25-02-2025

Investigador do HNL é o único português da T4EU selecionado para a European Student Assembly 2025

O investigador irá participar no debate sobre saúde mental e bem-estar dos jovens na era digital

Miguel Ferreira, investigador do Human Neurobehavioral Laboratory (HNL) e doutorando em Psicologia Aplicada na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP), é o único português da Aliança Transform4Europe selecionado para a prestigiada European Student Assembly 2025 (ESA25). O evento, que decorre no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, de 26 a 28 de maio de 2025, junta estudantes das Alianças de Universidades Europeias para discutir soluções inovadoras para desafios globais.

A seleção de Miguel Ferreira é um feito notável, considerando que apenas 10% dos candidatos conseguiram um lugar na ESA25. Entre os 67 estudantes da Universidade Católica Portuguesa que submeteram candidatura, Miguel foi o único escolhido, destacando-se pelo seu percurso académico e pela sua investigação na interseção entre Psicologia, Neurociência e políticas públicas.

 

Uma discussão essencial sobre a saúde mental dos jovens na era digital

A edição de 2025 da ESA contará com oito painéis temáticos, abordando questões como inteligência artificial, mudanças climáticas, inclusão e saúde mental. Miguel Ferreira integrará o Painel 1 - "Mentally (Un)Stable", um dos debates centrais do evento, focado nos desafios da saúde mental e bem-estar dos jovens na era digital.

Para Miguel, esta é uma oportunidade única para transformar conhecimento em ação. "A Psicologia tem um papel crucial na formulação de políticas públicas mais eficazes. O que mais me entusiasma nesta experiência é a possibilidade de trabalhar com estudantes de diferentes formações e culturas, promovendo uma troca de perspetivas que enriquece a construção de soluções e políticas inovadoras, aplicáveis a nível europeu", afirma o investigador.

 

Ciência e decisão política: um percurso de impacto

O percurso académico e científico de Miguel Ferreira foi determinante para a sua seleção. O doutoramento do estudante, orientado por Patrícia Oliveira-Silva (vice-diretora e docente da FEP-UCP e Diretora do HNL), em conjunto com Ignacio Cifre (Blanquerna - Universitat Ramon Llull, Espanha) e Zaheer Hussain (Nottingham Trent University – Reino Unido), centra-se na utilização de neuroimagem e neuromarcadores para otimizar intervenções no uso de substâncias e comportamentos aditivos, um tema diretamente relacionado com o impacto da sobrecarga de estímulos na saúde mental.

Além disso, a sua investigação sobre adição digital e o seu trabalho prático com populações vulneráveis deram-lhe uma compreensão aprofundada dos desafios enfrentados pelos jovens no contexto da digitalização acelerada. Esta base académica e profissional permitir-lhe-á “contribuir para o painel com propostas informadas e baseadas em evidência científica, ajudando a desenvolver recomendações políticas eficazes para a União Europeia”, considera.

"No HNL, trabalhamos para que as Neurociências e a Psicologia tenham impacto além dos laboratórios, dos artigos ou das conferências, e a participação do Miguel Ferreira na ESA25 é o reconhecimento do valor dessas duas áreas na criação de soluções reais para a sociedade”,destaca Patrícia Oliveira-Silva.

 

Desafios e expectativas para a ESA25

Para Miguel Ferreira, a diversidade de pensamento na ESA25 será um dos aspetos mais enriquecedores da experiência. "Trabalhar com colegas de diferentes contextos culturais e disciplinares vai permitir-me integrar novas abordagens na minha investigação e prática profissional", afirma.

"Um dos desafios será a gestão do tempo, mas esta etapa é essencial para garantir que as propostas apresentadas sejam relevantes e impactantes para a União Europeia", explica.

 

Da investigação para a mudança: um compromisso com a saúde mental

Miguel Ferreira acredita que a participação na ESA25 terá um impacto duradouro no seu percurso profissional. "Esta experiência vai permitir-me desenvolver competências fundamentais, ampliar a minha rede de contactos e reforçar a minha capacidade de aplicar o conhecimento científico a soluções concretas. Quero contribuir para políticas públicas mais eficazes e inclusivas na área da saúde mental, e esta assembleia é um passo fundamental para isso", conclui.

A Diretora do HNL reforça o orgulho na seleção de Miguel. " Quando vejo os nossos investigadores a representarem Portugal em fóruns internacionais, sinto que o nosso país está a formar mentes brilhantes para o futuro. A ESA25 junta os melhores talentos da Europa para debater desafios cruciais, e é um privilégio ver um dos nossos investigadores representar o HNL e a FEP-UCP neste espaço. Precisamos de vozes científicas e jovens na construção de políticas públicas. Formar investigadores não é apenas ensinar técnicas, mas também cultivar o pensamento crítico, a inovação e a responsabilidade científica.",sublinha.

A participação de Miguel Ferreira na European Student Assembly 2025 é um testemunho da excelência académica e científica promovida pela FEP-UCP, reforçando o compromisso da instituição em formar profissionais capazes de influenciar o futuro da Europa.

 

25-02-2025

Economics Meet Yourself: uma ponte entre alunos, docentes e profissionais

A Católica Porto Business School organizou, no passado dia 19 de fevereiro, a 3.ª edição do Economics Meet Yourself, um evento que aproxima alunos da licenciatura em Economia, docentes do Departamento de Economia e um economista convidado. A iniciativa, promovida pelo Departamento de Economia em parceria com a Direção da Escola, proporciona um espaço de partilha de experiências e perspetivas sobre o percurso profissional na área da Economia. 

O encontro decorreu no restaurante do Edifício Américo Amorim e contou, este ano, com a presença de Francisca Guedes de Oliveira, docente da Católica Porto Business School e administradora do Banco de Portugal, como oradora convidada. A sessão foi inaugurada pelo diretor da Escola, João Pinto, que destacou a importância deste tipo de eventos para a formação dos alunos. 

Durante a sua intervenção, Francisca Guedes de Oliveira partilhou um percurso profissional marcado pela diversidade e pelo impacto em diferentes setores. No ensino universitário, esteve ligada à Católica Porto Business School, onde desempenhou o cargo de diretora do Mestrado em Business Economics até 2013 e, posteriormente, assumiu funções como Diretora Adjunta para os programas de mestrado e de gestão do corpo docente até 2020. Lecionou diversas disciplinas, entre as quais Microeconomia, Macroeconomia e Projeto Multidisciplinar. 

A sua carreira passou também pelo setor empresarial, tendo integrado a EDP Renováveis como Board Member não executivo e a Unilabs Portugal, onde viveu um período desafiante e de crescimento intenso no setor da saúde, em plena pandemia de COVID-19. Mais tarde, esteve envolvida na World Expo 2020 Dubai, no Conselho Económico e Social e na AICEP Portugal Global, antes de ingressar no setor público como administradora do Banco de Portugal

Apesar das múltiplas experiências, Francisca Guedes de Oliveira deixou uma mensagem clara aos alunos: "Quando me perguntam qual a minha carreira, respondo que sou professora universitária", incentivando-os a arriscar, mas sempre com uma visão clara dos seus objetivos. 

A sessão encerrou com a intervenção de Leonardo Costa, diretor do Departamento de Economia, que incentivou os estudantes a aproveitarem todas as oportunidades e a manterem uma ligação contínua à Católica Porto Business School. 

Nos dias 18 de março e 15 de maio, vão ter lugar os Open Days da Católica Porto Business School, onde se vai esclarecer todas as dúvidas e questões relativas às nossas ofertas formativas do 1º ciclo: Gestão, Economia e Dupla Licenciatura em Direito e Gestão.  

 

Inscrições aqui: 18 de março | 15 de maio 

21-02-2025

Alunas da Católica Porto Business School e da Escola Superior de Biotecnologia na Final Nacional de concurso de Literacia Financeira

Uma equipa multidisciplinar da Universidade Católica Portuguesa no Porto, que integra alunas da Católica Porto Business School e da Escola Superior de Biotecnologia, é uma das cinco selecionadas para a Final Nacional do concurso "O Meu Futuro Financeiro", promovido pelo Banco de Portugal e pela CFA Society Portugal.  

Carolina Mendonça (Licenciatura em Bioengenharia), Francisca Sousa (Mestrado em Engenharia Biomédica), Rafaela Melo (Licenciatura em Gestão) e Vitória Afonso (Licenciatura em Gestão) destacaram-se entre 124 equipas de 27 universidades, num universo de mais de 390 estudantes. 

A Final Nacional realiza-se no Museu do Dinheiro, em Lisboa, no dia 17 de março, às 14 horas, onde as alunas vão disputar a última fase da competição. Nesta última fase, os finalistas são desafiados a apresentar oralmente as suas conclusões e a responder a questões colocadas pelo júri, num exercício que testa o seu conhecimento financeiro e capacidade de argumentação.

A competição, realizada no âmbito da celebração da Semana da Formação Financeira e da Global Money Week 2025, tem como objetivo promover a literacia financeira entre os estudantes universitários, incentivando a adoção de boas práticas na gestão orçamental, poupança, utilização responsável do crédito e segurança financeira digital. 

20-02-2025

Božidar Vlačić: “O conhecimento é um dos poucos recursos que não perde valor quando o partilhamos.”

Božidar Vlačić é Professor Auxiliar da Católica Porto Business School e coordenador do Centro de Estudos em Gestão e Economia. Com 34 anos e nascido na antiga Jugoslávia, Božidar Vlačić vive em Portugal desde 2019. Desde 2018 é doutorado com distinção em Análise Económica e Estratégia Empresarial pela Universidade de Vigo, Universidade de Santiago e Universidade da Corunha (Espanha). Para ele, “aprender é uma necessidade” e “os valores são fundamentais”.

 

Quais são as suas principais memórias de infância?

Quando penso na minha infância, lembro-me de viajar muito, sempre com a família.  Venho da antiga Jugoslávia, por isso é um tipo de viagem diferente do que estamos agora habituados. Durante a minha infância, passei muito tempo com a minha avó e o meu avô. Gostava de assistir a jogos de basquetebol e havia um livro fantástico que o meu avô me deu, chamado Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Também joguei xadrez com ele. Boas memórias.

 

Durante os anos de ensino secundário, quais eram os seus sonhos profissionais? 

Cresci com os meus avós e ambos estavam ligados às áreas da Economia e dos Negócios por isso sabia que faria algo dentro do tema, só nunca pensei que seria professor. Comecei a trabalhar no setor do turismo, como era normal na minha cidade junto à praia. Foi a área onde trabalhei até iniciar o doutoramento.

 

Tornar-se professor foi inesperado...

Nem tinha a certeza de que me tornaria professor até começar a trabalhar na Católica. Muitas coisas contribuíram para que eu chegasse até aqui. Uma delas foi conhecer a minha mulher, que é portuguesa, e, claro, terminar o doutoramento em Espanha. Quando terminei o doutoramento, nunca pensei em desistir da investigação, porque a curiosidade nunca acaba.

 

“Desde o início, senti-me muito acolhido pela Católica Porto Business School.”

 

O que o fascina nesta área?

Desde muito jovem que sou fascinado por processos, como algo funciona a nível organizacional e descobrir como atravessamos fronteiras porque foi isso que me trouxe até aqui. Depois, quando mudei para a indústria do turismo, deparei-me com hóspedes estrangeiros, línguas novas e exposição a diferentes culturas de uma forma muito positiva, o que realmente despertou o meu interesse e me fez estudar negócios internacionais.
Tenho por hábito combinar esse tipo de conhecimento com sistemas de informação e desenvolvimento tecnológico. A minha investigação centra-se na forma como as empresas atravessam fronteiras, quais são os melhores padrões e quais as abordagens que lhes permitem permanecer competitivas através de muitos aspetos diferentes, incluindo serem inovadoras e resilientes.

 

Quando veio para Portugal e para a UCP?

Conheci a minha mulher e decidi mudar-me para Portugal. Só um ano depois comecei a trabalhar na UCP. Houve uma chamada internacional para professores auxiliares e então inscrevi-me. Lembrar-me-ei para sempre do processo de uma forma muito positiva. Desde o início senti-me muito acolhido pela Católica Porto Business School.

 

É coordenador do CEGE. Sente que é um desafio?

Há bastante para fazer. Há muitas coisas boas que estamos a desenvolver, mas nunca as considerei um desafio porque, para mim, um desafio é quando acordamos e adormecemos a pensar na mesma coisa.

 

E quantos investigadores são?

Neste momento, temos 38 e aspiramos crescer.

 

“Algo que também distingue o centro é a nossa visão de transformar a investigação num ativo impactante.”

 

Quais são as principais áreas de pesquisa?

Temos três áreas-chave - Mercados e Política, Gestão e Desempenho de Serviços e Ética e Sustentabilidade. Os investigadores estão predominantemente afiliados a uma dessas áreas, no entanto, isso não os impede de trabalhar em qualquer outra ou de colaborar entre si, uma vez que o centro foi criado de baixo para cima. Apoiamos colegas que desejam colaborar e também apoiamos os colegas a abraçar uma colaboração interdisciplinar com outros centros.

 

O que distingue o CEGE?

Dado que o centro existe há mais de 20 anos, as áreas de especialização evoluíram devido à sua natureza dinâmica. E penso que a nossa especialização nas três áreas principais mencionadas acima fala por si - as contribuições dos membros do CEGE são reconhecidas mundialmente. Algo que também distingue o centro é a nossa visão de transformar a investigação num ativo impactante. Tentamos que as atividades realizadas tenham a investigação como componente principal, mas ligamo-las à aplicação para que, sempre que possível, partilhemos as grandes coisas que fazemos para além dos corredores da academia.

 

Como é que os alunos do CPBS se relacionam com o CEGE? 

Temos vários mecanismos à nossa disposição. Um deles é, sem dúvida, o programa de mentoria CEGE que iniciámos. Porém, caso os alunos demonstrem interesses específicos, o CEGE tenta encontrar a melhor correspondência entre o aluno e os projetos em curso, onde tenham oportunidades de colaborar em diferentes capacidades. Também organizamos vários eventos, alguns deles com mais de 40 participantes, incluindo estudantes.

 

Porque são hoje as universidades tão importantes para o desenvolvimento das sociedades? 

Enquanto as universidades, na minha opinião, se concentrarem em coisas importantes (promover o conhecimento e transferir conhecimento), a sua relevância será mantida. No entanto, acho que se elas abandonarem qualquer um desses dois, o que espero que nunca aconteça, começaremos realmente a questionar se precisamos delas. Penso que se as universidades estiverem focadas no progresso do conhecimento, ultrapassando as fronteiras do que sabemos e, ao mesmo tempo, transferindo-o para as próximas gerações, então o seu papel é fundamental na sociedade porque o conhecimento é um dos poucos recursos que não perde valor quando o partilhamos.

 

A universidade mudou a sua vida?

Sempre gostei muito de aprender e saber mais. Quando fiz uma licenciatura pensei “OK, aprendi o básico, mas quero aprender algo mais específico”. Por isso, fiz o mestrado em sistemas de informação e terminei-o com especialização em negócio internacional. Ao concluir o mestrado, embarquei na jornada do doutoramento, onde me apaixonei pela investigação.

 

“Para mim, os valores, principalmente na nossa universidade, são fundamentais.”

 

Considera que, na sua vida, aprender é um privilégio?

Aprender é uma necessidade porque existem muitos tipos diferentes de aprendizagem. Muitas vezes penso nas coisas que aprendi e que têm muito pouco a ver diretamente com o que estou a investigar, como basquetebol ou culinária.

 

O que mais gosta em Portugal?

Primeiro, a minha esposa (risos). Em Portugal existe uma cultura familiar, muito parecida com aquela de onde venho. Para mim, os valores, principalmente na nossa universidade, são fundamentais.

 

Sente a falta de Montenegro? 

Vou muito a Montenegro porque encontro forças na vida através da minha família. E a família é muito, muito importante. Vou a Montenegro sempre que possível, a cada dois ou três meses.

 

Por que deveríamos visitar Montenegro? O que é inesquecível e imperdível?

Acho que algo que gosto muito é a natureza selvagem. No mesmo dia podemos esquiar e praticar snowboard no norte ou nadar em água quente no sul. O país também bastante acessível, com várias ligações que nos permitem ir de norte a sul em apenas duas horas. Acho que a natureza e todas as coisas bonitas que esta oferece, aliadas à gastronomia, tornam a estadia muito agradável. As pessoas podem ficar em Montenegro, mas também podem usá-lo como ponto de partida para explorar os países à volta, como a Croácia, a Albánia, a Sérvia ou a Bósnia e Herzegovina.

 

É difícil aprender português?

Morei em Espanha desde 2015 até vir para Portugal. Especificamente, morei em Vigo onde tive a oportunidade de aprender galego. O meu sogro dizia que ficamos para sempre marcados pelo espanhol e pelo galego. Acho que nunca falarei português perfeito. Porém, atualmente conheço mais palavras em português do que em espanhol. Costumo combinar as duas línguas, mas sou sincero: nunca fui a uma aula de português para estrangeiros (risos).

 

 

19-02-2025

Mestrado Europeu da ESB reúne estudantes de várias nacionalidades

A Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica Portuguesa acolheu, uma vez mais, estudantes de diferentes partes do mundo para uma nova edição do European Master of Science in Sustainable Food Systems Engineering, Technology and Business (BiFTec-FOOD4S). Este semestre, 45 alunos frequentam o 1ºano deste prestigiado mestrado europeu, representando 23 países e 4 continentes. Na ESB encontram-se ainda 11 alunos, no 2ºano do mestrado, a realizarem as suas dissertações.

O BiFTec-FOOD4S é um Mestrado Conjunto Erasmus Mundus, organizado por um consórcio de quatro instituições europeias: Universidade Católica Portuguesa, KU Leuven (Bélgica), Universidade de Ciências Aplicadas Anhalt (Alemanha) e University College Dublin (Irlanda). O programa visa impulsionar a inovação, a tecnologia e a sustentabilidade no setor alimentar.

Rui Morais, coordenador do BiFTec-FOOD4S na ESB, destaca o impacto desta parceria: "A indústria alimentar é um setor estratégico para a economia portuguesa, com uma forte ligação ao ecossistema empresarial. A colaboração entre unidades de investigação de excelência científica e com uma aplicação prática relevante pode ter um papel decisivo no desenvolvimento do setor."

18-02-2025

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