Acabada de chegar da Missão País, que decorreu em Arcos de Valdevez. Essa rouquidão toda quer dizer que …
Que foi uma semana espetacular, que se cantou muitas vezes o hino da Missão e que estava muito frio – havia imensa geada de manhã (risos). Foi a primeira vez que participei na Missão País, porque no meu primeiro ano da faculdade, devido à pandemia, não houve, e no segundo ano estava em Madrid, a fazer Erasmus. Gostei imenso da experiência. Durante a semana estive nas escolas do agrupamento com a missão de dinamizar as aulas de Educação Moral e Religiosa, do 5º ao 11º ano. Falámos-lhes da Missão País, do testemunho de serviço e fé, da importância do voluntariado e tentámos elucidar os estudantes para as suas escolhas profissionais, dando-lhes a conhecer as nossas histórias.
O voluntariado faz parte da sua vida desde muito nova.
Sim, porque é uma realidade muito presente lá em casa. Desde miúda que sou incentivada a participar em ações de voluntariado em família. Lembro-me que quando a minha avó morreu, o meu avô foi durante um mês para África fazer voluntariado. A minha irmã também sempre esteve envolvida em vários grupos de voluntariado e os meus pais em diferentes peditórios e ações sociais. Esta realidade sempre foi muito natural em mim. Comecei a fazer voluntariado com a Paróquia de Cristo Rei, no Porto, e depressa me fui sentindo desafiada a participar em mais iniciativas.
“Adoro pessoas, estou mesmo no lugar certo.”
Porta Solidária, Fly, Missão País, Serviço comunitário e a CAtólica SOlidária. O que é que a move a participar?
Para mim, a parte mais importante do voluntariado é pôr-me no lugar do outro. É isso que me move a servir, porque é dessa forma que vivo a alegria da fé cristã. Tento dar-me o máximo que posso aos outros e entregar a minha vida para ser imagem e semelhança d’Ele.
Quando é que descobriu que queria estudar Psicologia?
Sempre achei que ia ser engenheira eletrotécnica, porque adorava robótica (risos), matemática e físico-química. Só mais tarde é que comecei a refletir mais acerca da minha vocação e propósito e percebi que tinha de fazer alguma coisa que passasse por ajudar os outros de forma direta e concreta. Foi nesse momento que encontrei a Psicologia e fiquei fascinada. Adoro pessoas e sinto que estou mesmo no lugar certo.
Está no terceiro ano da licenciatura. Como tem sido o percurso na Católica?
O curso excedeu as minhas expectativas e acabou por ser muito mais do que eu estava à espera. Estou muito contente com a escolha que fiz, principalmente com o facto de ter vindo para a Universidade Católica. Costumo partilhar com as pessoas que é contagiante o entusiasmo que os professores nos transmitem. Torna mais fácil mantermo-nos motivados para estudar. A Católica oferece-nos imensas oportunidades complementares ao curso, o que é excelente. Tenho-me envolvido em diferentes iniciativas, a maioria ligadas ao voluntariado e ao serviço na comunidade – o que é um privilégio enquanto aluna.
Porquê escolher a Católica para estudar Psicologia?
Informei-me com pessoas da área que me ajudaram a esclarecer qual seria a “melhor” instituição de ensino para estudar. Reuni algumas opiniões e percebi que era a Católica que me poderia garantir uma melhor formação, um ensino de excelência e, consequentemente, um futuro profissional mais promissor e seguro.
“A Católica tem professores que são verdadeiros especialistas e por isso estou muito bem entregue.”
Há alguma disciplina que se tenha destacado de forma particular?
Neurociências é uma disciplina que costuma provocar algum medo nos estudantes (risos). Apesar disso e, surpreendentemente, acabei por gostar muito e achar fascinante.
Quais são os planos para quando acabar a licenciatura no fim deste ano?
Quando terminar a licenciatura, vou prosseguir para o mestrado em Psicologia, com a especialização em Psicologia da Justiça e do Comportamento Desviante. Nesta área, a Católica tem professores que são verdadeiros especialistas e por isso estou muito bem entregue. É aqui que quero continuar a aprender e a crescer.
Faz voluntariado no estabelecimento prisional de Santa Cruz do Bispo. Como é estar em ambiente de prisão e que atividades desenvolve?
Nunca senti medo. Sinto-me bem na prisão, porque estas realidades fascinam-me imenso e porque o contacto que já tive neste tipo de ambientes põe-me a pensar que as pessoas que estão lá dentro são pessoas como nós, que em algum momento da sua vida cometeram um delito, e que houve oportunidades que essas pessoas não tiveram por causa do ambiente em que cresceram. Tenho vindo a largar muitos preconceitos e a compreender que os crimes não definem as pessoas. No voluntariado que faço, estou na Clínica Psiquiátrica da prisão e estou a integrar um projeto de desenvolvimento de competências socioemocionais. Jogamos jogos de cartas, de tabuleiro, jogos da memória, jogos de cultura geral... O objetivo é estimular várias competências, incentivar ao espírito de equipa, colocá-los em situações onde têm de lidar com momentos de vitória e de derrota. Além disso, estamos agora a colaborar com o Banco do Livro do Porto e a levar cerca de 8 livros por semana para complementar a biblioteca do Estabelecimento Prisional – que é acessível a todos – e incentivar a leitura ao nosso grupo.
Desejos para o futuro?
Antes de entrar na licenciatura, dizia que queria ser diretora de uma prisão. Não sei se o caminho me levará até aí, mas gostava muito. Era bom que essa vontade se realizasse.
Quero contribuir diretamente para compreender e ajudar estas pessoas, contribuindo para criar sistemas de maior apoio à reinserção. Em Portugal, temos taxas de reincidência muito elevadas e há pouco apoio a estas famílias.
“Sinto-me, verdadeiramente, agradecida pela vida que tenho.”
O que a ocupa nos tempos livres?
Sempre estive envolvida em muitos desportos, mas acabei por ter de abrandar o ritmo por causa de um problema que tive nos joelhos. Ainda assim, e muito por influência do meu pai, estou a preparar-me para a meia maratona. Requer muita disciplina e treinos regulares – o que nem sempre é fácil com o ritmo de vida que levo.
Em que é que se pensa enquanto que se corre?
Nos primeiros cinco quilómetros, penso que preferia estar em casa (risos). Depois, começo a desfrutar e a aproveitar a oportunidade e o privilégio de poder correr à beira mar, muitas vezes com o pôr do sol à minha frente. É neste momento que me sinto, verdadeiramente, agradecida pela vida que tenho. Na parte final, já muito movida pelo cansaço, penso que se alguma vez duvidei, tudo é possível. Somos nós que temos o poder de definir aquilo que é possível na nossa vida.