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Isabel Baptista: “A relação pedagógica deveria ser elevada a património imaterial da humanidade.”

Isabel Baptista é natural de Viseu, tendo vivido a sua infância numa aldeia da Beira Interior (Antas). É nessa mesma aldeia que guarda memórias de infância muito felizes. É docente e investigadora da Faculdade de Educação e Psicologia. É, também, Provedora de Ética da Universidade Católica no Porto. Licenciada, Mestre e Doutorada em Filosofia, dedica a sua vida à Educação e ao constante questionamento: “procuro a verdade todos os dias”. O que é que a move? A possibilidade de relação com os outros. O que é que faz parte da sua rotina matinal? Uma caminhada não pode faltar, porque “reflete-se muito bem a andar a pé.”

 

O que se entende por Ética?

A Ética tem a ver com as escolhas que fazemos, com as qualidades de caráter que apreciamos e com os comportamentos que adotamos. A Ética é a ideia de viver a vida com sentido, com direção, com propósito. Não há Ética sem a prática do dia-a-dia e daí a importância de visarmos o Bem em todas as dimensões da nossa vida, tentando estabelecer relações respeitosas e cuidadoras. É o compromisso de contribuir para a vida em sociedade e, também, para a criação de comunidades mais justas, mais humanas e solidárias.

 

“A Ética é inerente à vida humana.”

 

Dedica a sua vida à Educação e à Ética…

A minha vida está profundamente ligada à Educação e se a Ética é inerente à vida humana, ela está presente, com responsabilidade acrescida, na minha vida profissional. É claro que é parte intrínseca da atividade pedagógica, que neste caso é aquela que eu exerço. Enquanto educadora, tenho a missão de influenciar os outros. Assumo, portanto, o compromisso ético de, desde logo, assumir padrões de conduta que sejam consonantes com esta missão, mas, também, ajudar a promover junto dos outros essa consciência e esse espírito.

 

“Um professor é um profissional da relação.”

 

Tudo começou na Filosofia. Licenciada, Mestre e Doutorada em Filosofia.

Sim, a filosofia foi o caminho que escolhi. Desde cedo comecei a interessar-me muito e a ler sobre Filosofia. Este apetite pelas leituras manteve-me sempre muito envolvida com os temas filosóficos. A minha família tem, também, uma certa vocação metafísica com muitos professores e com pessoas ligadas à vida religiosa. Cedo, todas estas pessoas me iniciaram nas questões da reflexão mais metafísica, sobre o sentido da vida.

 

Quais são as suas principais memórias de infância?

São memórias muito felizes que têm inspirado toda a minha vida e todo o meu percurso profissional. Tive a sorte e a felicidade de crescer numa aldeia da Serra da Estrela, onde os meus pais eram professores primários. Acabei por viver numa pequena comunidade, onde todos cuidavam de todos e onde eram fortes os laços de vizinhança. Nesse tempo, muitos professores primários viviam no andar de cima da escola, por isso posso dizer que nasci dentro da escola. Acho que isso explica esta minha ligação à educação.

 

“Ser Provedora de Ética é uma enorme responsabilidade e um privilégio.”

 

Começou o seu percurso profissional no ensino primário?

Sim e foi na Escola do Magistério Primário do Porto que eu fui formada para a pedagogia. Para se ser professor não basta ter-se conhecimento ou ser-se especialista numa determinada área, um professor é um profissional da relação humana, a quem cabe a responsabilidade de ajudar a formar outros.

 

É Provedora de Ética da Universidade Católica no Porto. Como é que encara este desafio?

É uma enorme responsabilidade e é, também, um privilégio. Ao provedor cabe sobretudo assegurar a observância dos valores e das normas de conduta que estão expressos no código de ética da Universidade Católica Portuguesa. Ser provedora de ética é muito mais do que a pessoa a quem se reportam situações que ferem ou vão contra esses valores e essas  as normas. Vivo esta missão, em primeiro lugar, numa linha de promoção de uma cultura de bem-estar e de cuidado, tentando promover a salvaguarda e a promoção desses valores que inspiram a vida da universidade, seja nas atividades de ensino, na investigação ou no serviço à comunidade. É a partir desta preocupação que deverão ser assegurados os mecanismos internos de proteção, de cuidado e de reporte de situações problemáticas. Muitas vezes procuram-me simplesmente para partilhar inquietações e reflexões pessoais. Isto é o reflexo da cultura ética da nossa instituição. Dias como o Global Ethics Day desafiam-nos a pensar sobre o papel da ética no compromisso com bem comum e sobre a necessidade de refletirmos sobre a forma como, no dia a dia, nos relacionamos ou como comunicamos.

 

O que mais importa é a forma como nos relacionamos?

Esse é o apelo que é feito hoje para a toda a sociedade. O Santo Padre fala-nos na importância de sonhar e cuidar juntos. Eu penso que é que essa cultura de cuidado, de proteção, de promoção dos valores que nos distingue como Universidade Católica.

 

“Os educadores são otimistas por natureza.”

 

Como é que se educa para a Ética?

Não se educa para a Ética sem ser desde a Ética. Só educamos para os valores desde os valores, não é? Esta é a questão principal. A Ética é algo interior à vida humana. É uma exigência de todos e é natural à vida, enquanto vida pautada por um sentido. Muitas vezes as pessoas convocam a Ética como se fosse uma cosmética social. A Ética não é algo que se acrescenta ao que fazemos para dar mais valor. A Ética é uma exigência interior e, por isso, a reflexão ética é muito importante de forma a se promover o bem, mas também a conseguir criar condições para o concretizar. A Filosofia e a Ética são disciplinas muito ligadas à vida e à prática do quotidiano e, por isso, é assim que deve ser trabalho. Aprendi desde cedo com um filósofo, que é o mestre de todos os filósofos e que se chama Sócrates, que a única vida digna desse nome é uma vida socializada e refletida. Para mim, isto é o essencial do compromisso da Ética.

 

Na Universidade Católica Portuguesa no Porto dedica-se, enquanto docente e investigadora, concretamente à Pedagogia Social. Em que é que consiste?

A Pedagogia Social é uma ciência da educação que é construída na ligação entre a educação e a solidariedade social. Normalmente as pessoas associam a tudo o que é educação não escolar, mas nós não gostamos de a identifica pela negativa. No fundo, a Pedagogia Social refere-se à concretização da educação como direito de todas as pessoas, ,, com especial atenção para as pessoas mais vulneráveis. Esta área prende-se com a ideia de capacitar as pessoas, as instituições e as comunidades numa lógica de educação e formação ao longo da vida. Acreditamos no poder transformador da educação. 

 

“Aquilo que nos distingue é esta matriz de valores que inspira o nosso diário pedagógico.”

 

Qual é o poder da educação?

É o poder de influenciar, de ajudar a mudar, percursos de desenvolvimento humano.  Eu não posso ser educadora se não acreditar no poder da educação e se não acreditar que todas as pessoas têm capacidade para fazer um percurso de melhoria de aprendizagem. De certa forma, por inerência, os professores são profissionais dotados de fé antropológica, de crença na condição humana. Os educadores são otimistas por natureza. Como professora, acredito não só na capacidade que o outro tem de poder fazer um trabalho de aperfeiçoamento e de evolução, mas que o poderá fazer com o meu contributo. É aqui que assentam as questões ligadas ao compromisso ético-pedagógico.

 

O que diferencia a Faculdade de Educação e Psicologia da Católica?

Aquilo que nos distingue é a nossa cultura. Não basta dizer que é preciso mais educação e uma educação que seja para todos. Precisamos de uma outra educação, de uma educação que seja, de facto, pautada por valores humanistas e orientada para a promoção do desenvolvimento integral da pessoa, numa perspetiva de relação saudável com a vida e com o mundo. Aquilo que nos distingue é esta matriz de valores cristãos que inspira o nosso ideário formativo evidenciado no respeito por todas as pessoas, em particular pelos alunos na quantidade dos projetos que desenvolvemos e no serviço que prestamos à comunidade. Na educação, por exemplo, temos uma ligação muito forte às escolas. Para além disso, somos uma universidade pioneira na área da Pedagogia Social, com igual ligação aos contextos de formação ao longo da vida e de combate à exclusão social. Somos a primeira universidade com formação pós-graduada nesta área.

 

Algum livro que gostaria de recomendar que reflita sobre a Ética?

Eu recomendaria um livro editado recentemente pela Universidade Católica Editora. Chama-se “A Sociedade do Cuidado”. Parte da reflexão da experiência coletiva gerada pela pandemia e que veio evidenciar aquilo que todos nós já sabíamos, que estamos todos ligados, que todos somos vulneráveis e que todos precisamos de ajuda. O livro integra contributos de pessoas que têm esta preocupação ética e que vêm de áreas de conhecimento diferentes.

 

Qual é o grande desafio de ser professora?

Os professores têm uma autoridade profissional que tem de ser colocada ao serviço da liberdade dos outros. Enquanto professora, estou permanentemente a tentar convidar o outro a fazer um caminho de aprendizagem. Tenho de conseguir despertar em cada aluno o desejo de aprender de forma a poder ensinar-lhes a dar conteúdo à sua própria liberdade. Para isto, a base da metodologia é sempre a comunicação e a relação, ingredientes fundamentais de uma espécie de “alquimia pedagógica”. Pessoalmente, defendo que a relação pedagógica deveria merecer ser elevada a património imaterial da humanidade. É uma relação tão especial, difícil e desafiante que marca vida de muitas pessoas.  

 

“Move-me o desejo de continuar em relação com os outros.”

 

Estudar Filosofia moldou-a de que forma?

Devo à Filosofia o ser mais observadora e atenta e o ter aprendido a cultivar o constante prazer pelo questionamento radical e permanente. Nunca estamos satisfeitos, porque procuramos continuamente respostas. O nosso lema é a procura da verdade e do bem e, como o Papa Francisco diz, esta procura tem de se fazer no concreto do dia-a-dia.

 

O que é que a move?

Move-me o desejo de continuar em relação com os outros. Sempre numa lógica de serviço e, no meu caso concreto, através da educação. No essencial, é isto que me move. Começo todos os meus dias com uma caminhada. Gosto de refletir a andar a pé. De certa forma, também se pensa bem com os pés.

 

 

19-10-2022

Theme: Aquaculture

18-10-2022

CASO inicia atividades com mais de 150 alunos no voluntariado regular

 

O mês de setembro é o mês de arranque da CASO – CAtólica SOlidária, o núcleo de voluntariado da Universidade Católica no Porto. Formação de Responsáveis, Feira Solidária, Sessões de Apresentação, Entrevistas, Formação de Voluntários, são algumas das atividades que deram o pontapé de saída a mais um ano letivo da CASO, que este ano celebra os seus 20 anos.

No fim de semana de 10 e 11 de setembro as 12 responsáveis da CASO receberam formação no âmbito da liderança e gestão de voluntários. Nas palavras da responsável Mariana Craveiro “No fim de semana de formação tive oportunidade de conhecer todas as responsáveis das Áreas Ser+ e criar, desde o início, uma excelente relação entre todas. Houve tempo para tudo: exercícios de autoconhecimento e partilha, testemunhos de pessoas ligadas à CASO, uma versão melhorada do 'Masterchef' em equipa, um gato que saiu do nosso quarto, enigmas e resolução de problemas em equipa para este ano letivo. Saímos de lá no mesmo ponto de partida! Cheias de alegria e vontade para fazer crescer a CASO e acompanhar de perto a nossa equipa de voluntários.

Seguiu-se a Feira Solidária, durante dois dias, no átrio principal, na qual as instituições parceiras da CASO que estiveram presentes puderam apresentar-se aos alunos. Durante a mesma semana, a CASO fez-se representar pelas suas responsáveis numa banca, de forma a apresentar aos potenciais voluntários as diversas áreas de atuação da CASO.

Nos dias 20, 21 e 22 de setembro realizaram-se as três sessões de apresentação da CASO que contaram com a presença de 175 alunos dos diversos cursos da universidade. De acordo com a voluntária Rita Caldeira “A sessão de apresentação da CASO a que tive oportunidade de comparecer permitiu-me visionar, enquanto futura voluntária, de que forma a minha participação nas diversas atividades poderá ter impacto quer na vida das pessoas que me cruzarei, quer no meu desenvolvimento e crescimento pessoal. O testemunho partilhado pelas responsáveis dos/as diversos departamentos/áreas, em especial o da Constança, fez-me perceber que o voluntariado, mais do que saber dar, é saber receber, evoluir e agradecer.

Após estas sessões 180 alunos demonstraram o seu interesse em realizar voluntariado pela CASO, dos quais 125 para realizar voluntariado regular, 61 para realizar voluntariado pontual, 37 para o serviço comunitário e 57 com interesse em realizar voluntariado internacional. Ao longo da semana de 26 a 30 de setembro foram realizadas 132 entrevistas a potenciais voluntários o que permitiu ficar a conhecer o percurso de cada um e de que forma podiam fazer a diferença.

No dia 6 de outubro foi realizada a formação geral e especifica que contou com a presença de 103 voluntários e 7 representantes de instituições parceiras, permitindo dar formação aos estudantes sobre os pilares do voluntariado e a forma como devem atuar com os seus públicos-alvo. Segundo a voluntária Marta Lereno “Gostei imenso de ouvir uma pessoa que trabalha nessa mesma área do Ser+ Especial. E confesso que isso me tenha entusiasmado ainda mais para poder fazer voluntariado! Depois também nos foi dada a oportunidade enquanto equipa de voluntariado de nos conhecermos umas às outras e isso foi super divertido! Começámos por jogar um jogo do 'speed dating' e depois tínhamos que nos lembrar o que cada uma de nós tinha dito (essa foi a parte mais complicada). A nossa responsável de voluntariado (Mariana) também nos mostrou que podemos estar completamente à vontade umas com as outras porque afinal fazemos parte de uma equipa, a equipa do CASO e em particular Ser+ Especial! Acabou por ser quase uma formação-convívio, o que torna as coisas muito melhores para nos relacionarmos e motivarmo-nos para a grande missão que nos espera! Senti que fui muito bem recebida e também bem informada para o voluntariado no Ser+ Especial”.

A segunda e terceira semanas de outubro são as semanas das integrações. Com a ajuda das Responsáveis de área Ser+, os voluntários são apresentados às Instituições para darem início ao voluntariado e, mais tarde, depois de um período experimental, assumirem o compromisso numa sessão conjunta no dia 22 de novembro.

 

17-10-2022

KitchenLab: uma cozinha movida a conhecimento científico

Está pronta a mise en place e o avental vestido: é altura de pôr mãos à obra no KitchenLab, do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF), da Escola Superior de Biotecnologia (ESB). É no âmbito do Dia Mundial da Alimentação, celebrado a 16 de outubro, que a ESB toma a iniciativa de confecionar e partilhar a receita de Bolo de Alfarroba e Grão-de-bico que é fonte de proteína e fibra e que apresenta baixo teor de gordura e de sal.

É neste laboratório de cozinha experimental que se encontra tudo o que é necessário para a conceção, manipulação e preparação de alimentos. Trata-se de um amplo espaço laboratorial de aprendizagem e experimentação de técnicas culinárias novas e tradicionais, de exploração do potencial de ingredientes e de investigação e desenvolvimento de novos produtos alimentares. Uma verdadeira cozinha movida a conhecimento científico.

A receita, da autoria de Ana Pimenta Martins, técnica superior da ESB e doutoranda em Biotecnologia, é, também, isenta de lactose e de glúten e é economicamente acessível. Dos diferentes ingredientes que integram a receita, há três que se destacam pelas suas propriedades.

São eles o grão-de-bico, a alfarroba e a romã
É com a ajuda de Ana Pimenta Martins que descobrimos as potencialidades do grão-de-bico, da alfarroba e da romã. De forma geral, todos se destacam “enquanto alimentos com um elevado valor nutricional”, que “proporcionam benefícios para a saúde dos consumidores.”

O grão-de-bico, que faz parte das leguminosas, deve integrar a alimentação diária. A Roda dos Alimentos recomenda a ingestão diária de 1 a 2 porções de leguminosas [1 porção = 25g de leguminosas secas (1 colher de sopa) ou 80g de leguminosas cozinhadas (3 colheres de sopa)]. O grão-de-bico é um alimento que merece a nossa atenção tendo em conta o seu notável valor nutricional. Apresenta elevado conteúdo em proteína vegetal, fornece fibra alimentar e hidratos de carbono de absorção lenta, contribuindo o seu consumo regular para o controlo do apetite. É rico em micronutrientes e outros compostos protetores e reguladores do organismo, nomeadamente vitaminas do complexo B, ferro, magnésio, potássio e carotenoides. À semelhança de outras leguminosas, o cultivo e a produção de grão-de-bico são amigos do ambiente.

A alfarroba é o fruto proveniente da alfarrobeira, planta que faz parte da família das leguminosas. A farinha de alfarroba deriva da polpa do fruto que foi submetida a um processo de torrefação e moagem. Esta farinha apresenta um sabor adocicado que se assemelha ao cacau/chocolate, sendo por isso utilizada em sua substituição na confeção de doces. É, naturalmente, pobre em gordura, é fonte de vitaminas e minerais, é rica em flavonoides, antioxidantes que apresentam função anti-inflamatória, anticancerígena e antidiabética, e em fibras, contribuindo para o controlo do apetite, regulação do trânsito intestinal, controlo dos níveis plasmáticos de colesterol e glicemia. É, também, isenta de glúten e apresenta propriedades antidiarreicas. Ao contrário do cacau, não apresenta compostos estimulantes, como a cafeína e a teobromina

A romã é uma fruta característica do outono e, por isso, é da época. É um fruto muito interessante do ponto de vista nutricional, apresentando uma elevada concentração de substâncias com propriedades antioxidantes. Estes compostos são importantes na proteção das células do organismo, contribuindo, por exemplo, para a promoção da saúde cardiovascular. Além disso, é fonte de fibra, vitamina C, potássio e ferro.

O KitchenLab
Neste laboratório de cozinha experimental encontra-se tudo o que é necessário para a conceção, manipulação e preparação de alimentos, enquadrado num centro de investigação dotado com os mais avançados recursos científicos nas áreas da química, da biologia, da física e da análise sensorial.
O KitchenLab tem um lugar importante nas várias componentes de cursos promovidos pelas ESB, enquanto palco de aprendizagem e experimentação. Para além disso, oferece, também, um apoio crucial a várias linhas de investigação no CBQF. Pretende-se que o KitchenLab seja considerado um recurso essencial para os profissionais de todos os ramos e dimensões nas mais variadas fronteiras da alimentação.

Não vamos esperar mais. Eis a receita
Uma receita que inspira à cozinha saudável, deliciosa, económica e sustentável.

Material necessário
Processador de alimentos, forno e forma para bolo-

Ingredientes

  • 400g de grão-de-bico cozido
  • 80g de farinha de alfarroba
  • 120g de açúcar mascavado
  • 6 ovos
  • 2 colheres de sopa de vinho do porto
  • 1 colher de chá de fermento
  • Cobertura (opcional): 50g de chocolate 70% cacau e romã (qb)

Modo de preparação

  • Pré-aquecer o forno a 180ºC.
  • Untar forma.
  • Com o auxílio do processador de alimentos, reduzir o grão-de-bico cozido a puré e ir acrescentando os ovos inteiros, o açúcar mascavado, a farinha de alfarroba, as duas colheres de sopa de vinho do porto e o fermento, triturando tudo muito bem.
  • Verter a massa para a forma e levar ao forno durante cerca de 30-35 minutos. Usar um palito para confirmar a cozedura: se sair seco ou apenas com umas migalhas secas agarradas, está pronto. Desenformar com cuidado e deixar arrefecer.
  • Para a cobertura, levar a derreter o chocolate em banho-maria, cobrir o bolo e decorar com romã.

Declaração nutricional por 100g de bolo

  Por 100g
Energia (Kj/Kcal) 872 / 207
Lípidos (g) 6
Saturados (g) 2
Hidratos de Carbono (g) 28
Açucares (g) 18
Fibra (g) 3
Proteínas (g) 8
Sal (g) 0,14

 

17-10-2022

Qual o impacto do stress nos estudantes de Psicologia? FEP participa em estudo sobre o stress académico

O stress é uma parte inevitável da jornada académica de qualquer estudante e é, também, o tema de um estudo desenvolvido, em parceria com o Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH) da Faculdade de Educação e Psicologia, pelo grupo de investigação Alto Rendimento e Desenvolvimento Humano da Universidade do Minho. Cerca de 55% dos estudantes inquiridos apresentam níveis altos de stress, sendo que as principais fontes são os resultados académicos e a sobrecarga de trabalho.

Intitulado “Adaptation to stress in psychology graduate students” e admitindo que o stress emerge quando os estudantes percecionam que os seus recursos são insuficientes para lidar de forma eficaz com os ambientes de exigência e responsabilidade, o estudo pretendeu compreender de que forma é que os estudantes de Psicologia se adaptam a estes desafios e gerem o stress em contexto académico.

Quais as principais fontes de stress para os estudantes de psicologia? Que aspetos são fundamentais na facilitação do processo de adaptação ao stress? Quais os efeitos do stress em contexto académico para os estudantes?: foram estas algumas das questões a que o estudo pretendeu dar resposta através de um inquérito promovido junto de 187 estudantes de Psicologia.

55% da amostra apresenta níveis elevados de stress

Mais de metade dos estudantes inquiridos apresentam níveis elevados de stress. O estudo permitiu, igualmente, concluir que a experiência de burnout em contexto académico é potencialmente melhor explicada se considerarmos a avaliação cognitiva dos stressores, isto é, mais do que a existência do stressor em si, importa perceber de que forma o estudante o interpreta. Quando visto como uma ameaça, retira a sensação de controlo e de capacidade de lidar com a situação, aumentando a experiência de burnout; mas se percebido como uma oportunidade, aumenta a perceção de controlo e coping e, com isso, diminui a experiência de burnout.

Catarina Morais, investigadora do CEDH, explica que este estudo surge da necessidade e da importância de se “dotar os estudantes de competências de vida”, como é exemplo a gestão de stress, “facilitando a transição para o ensino superior, capacitando-os de competências para lidarem melhor com as exigências do contexto académico e não só, transpondo essas competências para os restantes contextos”.

A FEP, enquanto parceira do projeto, auxilia na recolha de dados, na divulgação do estudo e, também, no estabelecimento de parcerias com outras entidades. O estudo continua a decorrer, na expectativa de se recolherem mais dados para melhor compreender os fenómenos e os impactos do stress.

17-10-2022

Is there interdisciplinarity in Food?

16-10-2022

Será que existe interdisciplinaridade na Alimentação?

Somos aquilo que comemos, mas somos mais ainda. O impacto da alimentação no nosso quotidiano vai muito para além das necessidades do nosso organismo. Provavelmente, já todos teremos pensado em algum momento acerca da importância da alimentação na nossa vida, mas será que temos todos a consciência de como os alimentos nos afetam, nos impactam, nos transformam, nos inspiram, nos divertem? Bem, o rol de oportunidades da Alimentação é imenso e é no campus multidisciplinar da Católica no Porto que se torna evidente a transversalidade deste tema. A investigação, a saúde física e mental, a gastrodiplomacia, a ortorexia nervosa e a interação e a arte têm como denominador comum o tema Alimentação. Não restam dúvidas de que, seja nas Ciências, no Direito, na Economia e Gestão, na Psicologia e Educação, nas Artes ou na Enfermagem, a Alimentação ocupa um lugar de muito relevo.

Este dia comemorativo celebra-se a 16 de outubro, data da criação da FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. Este organismo tem trabalhado em prol do combate à pobreza e à fome, através da promoção do desenvolvimento agrícola e da melhoria da alimentação. Esta comemoração constitui uma oportunidade de reflexão sobre o que pode ser feito para eliminar a pobreza e a fome no mundo e sobre o impacto que a alimentação tem na vida de todos.

 

O que posso, afinal, comer?

A alimentação é crucial na nossa vida, porque é um garante da nossa sobrevivência. Mas não só. É, também, um dos maiores prazeres para muitas pessoas e constitui-se, também, enquanto forma de identidade cultural e até de expressão do status económico.

Mas, vamos diretos à pergunta a que todos querem resposta: afinal, o que posso ou devo comer? Posso comer isto? E aquilo? E em que quantidade? Elisabete Pinto, docente da Escola Superior de Biotecnologia (ESB), explica que a resposta é sempre “depende”, porque depende de quem o come, quando o come, em que quantidade o come, como foi produzido, como foi preparado, entre outros fatores. Quando o tema é Alimentação, não se pode invocar a linearidade, porque cada caso é um caso e porque todos os alimentos estão sujeitos a diferentes combinações, tipos de produção e processamentos. Mas uma coisa é certa: “apesar desta complexidade, é inegável que a alimentação influencia grandemente a nossa saúde, bem como a saúde do nosso planeta” e que o diga a ESB, que tem a Alimentação no seu código genético desde a sua fundação, quando lançou a licenciatura em Engenharia Alimentar, na altura a única no país.

Elisabete Pinto afirma que, desde logo, a ESB “estabeleceu uma forte investigação na área, com grande proximidade com a indústria alimentar, fazendo uma investigação muito aplicada.” Movida pelo dinamismo e pela vontade de estar sempre na vanguarda do conhecimento, a ESB, ao longo dos 38 anos de existência, alargou as suas áreas de ensino (como por exemplo, a criação da licenciatura em Ciências da Nutrição) e apostou numa investigação com uma verdadeira abordagem do “prado ao prato”:  “a qualidade dos solos para produção de alimentos, estudo das diferentes variedades de plantas para seleção das mais produtivas e nutritivas, o desenvolvimento de novos alimentos, a valorização de subprodutos, a reformulação de alimentos existentes, a otimização de processos de produção de alimentos, a segurança alimentar, o estudo da relação dos alimentos/ nutrientes com a saúde e a comunicação destes resultados em termos de Saúde Pública, o estudo da sustentabilidade de toda a cadeia de valor, entre outros.”

Também o Instituto de Ciências da Saúde no Porto (ICS – Porto) tem produzido muito conhecimento sobre a relação que existe entre a alimentação e a saúde, com especial destaque para o papel do enfermeiro e a sua capacidade de intervir para promover a saúde na população.

 

O papel do enfermeiro na promoção da alimentação saudável

O enfermeiro está presente ao longo de todo o ciclo vital e, por isso, intrinsecamente envolvido na promoção de uma adequada alimentação. João Neves Amado, Constança Festas e Luís Sá, docentes e investigadores do ICS – Porto, reforçam a importância do papel do enfermeiro na educação para a alimentação e explicam que para se conseguir “transmitir conhecimentos e promover uma adesão à alimentação saudável é necessário ser-se conhecedor das dificuldades de cada utente.”

A falta de atenção e de força, o excesso de peso, problemas de mobilidade, dificuldade em respirar e as insónias são alguns dos impactos que a alimentação pode ter na saúde e que reforçam ainda mais a importância da proximidade dos enfermeiros. Os docentes explicam, também, que, “ao longo do crescimento, as necessidades de alimentação mudam e, por vezes, em situações de doença específicas, são necessárias adaptações na dieta. Só um acompanhamento pessoal e próximo, como o do enfermeiro, vai permitir o verdadeiro bem-estar da pessoa.”

Relativamente ao impacto da alimentação na saúde mental, estudos recentes demonstraram que “o risco de depressão é de 25% a 35% menor em utilizadores de dietas mediterrânicas, por causa da quantidade elevada de legumes, frutas, grãos não processados, frutos do mar e quantidades limitadas de carnes magras e produtos lácteos.”

O ICS – Porto está presente em várias comunidades e instituições parceiras onde estão a ser implementadas atividades que promovem a alimentação saudável: educar para escolhas de alimentação saudáveis, promover a importância do pequeno-almoço, sensibilizar para uma alimentação variada com base nas proporções da roda dos alimentos, entre outras ações.

Educar para a alimentação pode ser um verdadeiro desafio, principalmente se tivermos em conta que são muitos os estímulos e as vozes que se propagam pelos diferentes canais de comunicação, com especial destaque nas redes sociais. O conceito de ortorexia nervosa pode ainda ser do desconhecimento de muitos, mas já se estima que um valor próximo de 1% dos estudantes universitários dos Estados Unidos da América sofram deste problema. 

 

Redes sociais e ortorexia nervosa

O conceito é explicado por Susana Costa e Silva, docente na Católica Porto Business School (CPBS), num artigo que assina no Dinheiro Vivo. A ortorexia nervosa é considerada como uma desordem obsessivo-compulsiva do foro alimentar que consiste no constante “pensamento que ocupa a mente e se reflete nas atitudes e comportamentos do indivíduo durante uma boa parte do seu dia e que o leva a ter presente o que vai comer, os ingredientes que vai ingerir, como os confecionar e em que quantidades. A questão principal não é aqui o emagrecer, mas sim o desejar ingerir apenas alimentos saudáveis e permanecer fit.”

Susana Costa e Silva explica que “a ortorexia começou a ficar conhecida com a evolução das redes sociais, designadamente do Instagram em que o uso de fotos é uma constante, assim como o apelo para uma imagem de perfeição”.

Este problema tem tido uma evolução crescente, sobretudo nas “situações de forte implantação do Instagram e de outras redes, onde o culto da imagem mais se faz notar.” A multiplicação de conteúdos nas plataformas sociais das marcas e dos influencers, bem como “o abuso de algumas alegações em produtos alimentares, como o light, o sugar free, o healthy e o zero têm a sua quota parte de responsabilidade.”

A docente da CPBS alerta para a importância de se combater o problema com “exigências regulamentares mais apertadas no que diz respeito a benefícios concretos de alguns produtos e campanhas de comunicação.” Acrescenta ainda que “cabe aos organismos reguladores legislarem neste sentido, mas cabe sobretudo às empresas zelarem para que a verdade científica e o rigor pautem a sua postura.”

 

A importância de se alimentar a alma

Mas, a comida também alimenta a alma, enquanto veículo de arte e de expressão e de consequente reflexão e questionamento. E se um artista tivesse convertido o seu espaço expositivo numa cozinha, tendo servido caril tailandês de graça a todos os visitantes? Pode parecer inventado, mas não é. Chama-se Rirkrit Tiravanija e em 1992, na Gallery 303, em Nova Iorque, propôs a exposição "Untitled (free)”.

Com esta proposta, o artista tailandês diminuiu as barreiras entre o artista e o observador e entre o espaço público e o privado. Em detrimento de objetos, “Tiravanija propõe relações como modalidades artísticas, neste caso, em torno da alimentação como agregador de sociabilidades”, explica Alexandra Balona, docente da Escola das Artes.

Para a docente, este é o artista mais paradigmático nesta área, tendo sido pioneiro do movimento Estética Relacional. “Na sua aparente simplicidade, esta proposta contribui para a ampliação do espetro de possibilidades da arte contemporânea. O visitante não está somente a observar arte, mas a sua interação é que constitui a obra de arte”, explica.

Um exemplo de como a arte se serviu da alimentação, enquanto fator de interação e de sociabilidade. É, pois, inegável a forma como a alimentação e os hábitos a ela associados nos envolvem e nos influenciam. Ora vejamos: não é a boa comida sempre um bom pretexto para juntar amigos e família? Não é muitas vezes à volta da mesa que surgem as melhores conversas? E quando se trata de tomar decisões e de influenciar a política externa? Será que a comida também é importante à volta da mesa das negociações? Pois é e chama-se gastrodiplomacia.

 

O couscous royal: um caso de gastrodiplomacia

No Mestrado em Direito, da Escola do Porto da Faculdade de Direito, existe uma unidade curricular intitulada “Artes, Direito e Relações Internacionais”, na qual uma das sessões é dedicada à gastrodiplomacia. Esta área dedica-se ao estudo de como a gastronomia tem um papel de relevo na política externa.

Um bom exemplo disto é o couscous royal, um prato do Magrebe, reivindicado (pelo menos) pela Argélia e por Marrocos. José Azeredo Lopes, docente e investigador da Faculdade de Direito, explica que, apesar de estes dois países não se apreciarem muito por motivos históricos, conseguiram chegar a um acordo para a apresentação de uma candidatura comum do couscous como património imaterial da humanidade. Para o docente “é muito pertinente o estudo da relação entre a gastronomia e as relações internacionais”.

Estão dadas as provas de como a Alimentação ocupa um lugar sem igual na vida de cada um e na vida em sociedade. É em relação que se vive e que se educa para a Alimentação. O papel das universidades é essencial, não só enquanto produtores de conhecimento, mas, também, enquanto agentes ativos na promoção de comportamentos saudáveis, sustentáveis e, sempre, socialmente responsáveis.

 
14-10-2022

European project studies solution to combat food shortages

13-10-2022

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