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Helena Gil da Costa: “Sem tempo não há criação.”

Helena Gil da Costa é docente na Universidade Católica Portuguesa no Porto desde 1999, onde tem desenvolvido trabalho nas áreas da criatividade, sociologia, educação e cultura portuguesa. Formada em Educação de Infância pela Escola de Educadores de Infância Paula Frassinetti e, mais tarde, em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, concluiu um Master em Criatividade Aplicada Total na Universidade de Santiago de Compostela e fez doutoramento em Ciências Sociais e Humanas na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Desde aí, e qualquer que seja a área que lecione, a criatividade é o eixo central da sua prática docente. Última aventura? 100km a caminhar no Deserto do Saara.

 

Quais são as memórias da sua infância?

Uma imagem-som linda que me acompanha é a da bica da água do tanque da nossa casa na Póvoa de Lanhoso – deita água de dia e de noite, no verão e no inverno, água que sai dali para regar os campos. Nunca nos faltou. É, de alguma maneira, símbolo e metáfora para o que me foi dado viver. Nasci e vivo no Porto, mas aquele é, ainda hoje, o meu lugar de “chegar a casa”. Era, e é, o lugar onde nos juntávamos todos – os avós, os meus pais e irmãos, os tios e os primos. Eramos muitos, de todas as idades. Quando crianças, passávamos os dias a calcorrear os montes. Tive a sorte (acho que é mesmo uma bênção), de crescer numa família de gente de bem – pessoas com valores sólidos, gente íntegra, gente de fé, gente que assumiu a relação e o serviço à comunidade como parte do seu propósito de vida.

 

A sua formação de base é em Educação de Infância. Como surgiu esse caminho?

Ainda que com contornos e em contextos muitos diversos, o trabalho em educação faz parte da minha família. Acompanhou-me desde sempre. Eu descobri o meu próprio caminho de uma forma muito simples, até pueril. Um dia, voltava de elétrico para casa e vi um grupo de crianças de um certo orfanato. Era assim que, naquele tempo, se denominavam as casas de acolhimento. As crianças reconheciam-se ao longe – sempre em grupo, sempre em fila, todas vestidas de cinzento. Não era a primeira vez que as via na cidade. Mas, naquele dia, sei lá porquê, pensei que as coisas podiam e deviam ser diferentes, que o meu lugar podia ser com elas. Abandonei a ideia de fazer a licenciatura em Românicas e, no ano seguinte, matriculei-me na Escola de Educadores de Infância Paula Frassinetti. Aí, fiz a minha formação, parti para o trabalho direto com crianças (tão diferentes das com que me tinha cruzado naquela tarde), e para lá voltei como docente. Poucos anos depois estive envolvida na criação e na direção executiva e pedagógica da Escola de Educadores de Infância Santa Maria e da Escola Santa Maria (creche, jardim de infância e primeiro ciclo do ensino básico). Exerci funções docentes durante quase 25 anos. Nunca mais voltei, no entanto, ao trabalho direto com crianças, nunca trabalhei com as que me fizeram encontrar o meu caminho. Fico a dever-lhes isso. Hoje, com 68 anos, por muitos outros lugares que possa ter percorrido, se me perguntar o que sou, respondo sem hesitar: sou educadora.

 

Mais tarde, já depois de estudar Sociologia, acaba por fazer um Master em Criatividade. O que é que a levou até esta área?

A minha formação como educadora de infância aconteceu numa época muito particular e forte da história do nosso País (1975-1978). Foi, como sabemos um tempo de grandes sonhos e ilusões, de entusiasmo coletivo, um tempo em que se acreditava que era possível mudar e criar um mundo melhor – estava nas nossas mãos, era essa a nossa responsabilidade. Anos mais tarde, durante a minha licenciatura em Sociologia, o impacto foi quase o oposto. A Sociologia obriga-nos a pôr os pés na terra, a olhar para a realidade social como ela é – a conhecer, descrever e compreender a forma como as relações sociais efetivamente acontecem, a perceber que a nossa capacidade individual e o nosso poder de mudança social são reduzidos. Durante muito tempo, senti um vazio que não sabia como preencher – oscilava entre aqueles dois polos, acreditava em cada um deles, mas não sabia como os ligar. A Criatividade, enquanto área de estudo, chegou também “por acaso”, como chegam tantas coisas boas de que andamos à procura, mesmo sem saber. “Caiu-me no colo” durante um congresso. Semanas depois, inscrevi-me, também sem hesitação, no Master em Criatividade Aplicada Total na Universidade de Santiago de Compostela. Aí entendo que esse vazio pode ser preenchido, que a mudança pode e deve acontecer. Já não se trata, porém, de mudar o mundo, mas de mudar mundos – o meu, seguramente, em primeiro lugar, porque também essa é a minha primeira responsabilidade. Desde então, enquanto pessoa e enquanto docente, a preocupação passa a ser “aprender a partir de dentro” – aquilo a que chamamos “conhecimento encarnado”.

 

“Num mundo que está louco, como não pensar na nossa responsabilidade, no que nos cabe fazer?”

 

Hoje identifica a criatividade como o eixo do seu trabalho. Como é que esse percurso a leva até à Universidade Católica?

De uma forma quase “natural”, mas bem desafiante, a criatividade levou-me a fazer formação com pessoas de áreas muito diferentes – jovens estagiários em design industrial, bancários sindicalizados, chefes de linha de montagem de uma fábrica de calçado, gente da gestão de uma empresa de Vinho do Porto… Com essa experiência, em tempo de inquietação, com vontade de mudar, enviei o meu curriculum para a Escola das Artes que tinha começado a sua atividade há pouco tempo. No início, em 1999, a minha colaboração foi muito pontual – orientava um seminário anual de criatividade, durante uma semana, com estudantes do curso de pós-graduação. Em 2001 comecei a lecionar na Faculdade de Teologia. Aos poucos, a colaboração foi-se alargando e, anos depois, quase sem dar conta, chegou o tempo do tempo inteiro na Universidade. Já trabalhei com todas as Unidades Académicas do Porto, participei e estive na coordenação de diversos projetos transversais. Hoje a minha afiliação institucional é na Faculdade de Educação e Psicologia, mas continuo a colaborar com outras Unidades Académicas e com outros projetos.

 

A criatividade ensina-se?

Podem ensinar-se instrumentos e técnicas, mas que, por si só, não são criatividade. Há muitas definições de criatividade validadas academicamente, mas vou-me focar numa delas – a criatividade enquanto capacidade/qualidade e atitude humana. Como tal, não se ensina, como também não se ensina(m) inteligência(s). Podem e devem criar-se condições para que seja aplicada e desenvolvida. Se isso não acontecer, corremos o risco de perder grande parte dessa capacidade. Por outro lado, ainda que todos tenhamos um potencial criativo, isso não significa que o que fazemos com esse potencial seja automaticamente criativo. É costume dizer-se, por exemplo, que as crianças são muito criativas, mas não é rigorosamente assim – as crianças têm uma imaginação muito grande, mas falta-lhes conhecimento e capacidade de avaliação. Para que algo seja criativo, não basta ser diferente ou inusitado, tem de ter qualidade, tem de ter valor, tem de fazer sentido, tem de procurar e dar uma resposta intencional a uma necessidade.

 

Quais são as fases do processo criativo?

Há autores que identificam de forma diferente, com mais ou menos detalhe, as fases (não lineares) do processo criativo. Trago aqui uma das mais simples – o tempo de centrar, o tempo de agir, o tempo de celebrar. Centrar é o tempo de parar, de fazer silêncio, é o tempo lento de encontrar e dar sentido ao que se vive, ao que se procura. Agir é o fazer, é, sob pena da incoerência, o tempo de concretizar o que se encontrou-reconheceu antes. O tempo de celebrar é o tempo da alegria e da festa por causa do que se vai alcançando, por pouquinho e pequenino que seja. Sem cada um deles não há verdadeira criação e sem criação não há vida, há apenas cópia-reprodução. Porém, vivemos muitas vezes em desequilíbrio e, quando um dos tempos prevalece sobre os outros, alguma coisa vai correr mal. Se olharmos, por exemplo, para tantos espaços de trabalho, vemos que o que interessa é fazer, fazer, fazer, sem sabermos, de facto, porquê, menos ainda para quê. O quantitativo prevalece sobre o qualitativo, as pessoas respiram mal. Encontramos, cada vez mais, pessoas-grupos-organizações doentes. Tão doentes que nem reconhecem, ou preferem ignorar, a própria doença… até que seja tarde. Tanta coisa para sentir-pensar-falar-mudar só a partir daqui…

 

“Se nos perguntarmos onde costumamos ter boas ideias, raramente respondemos que as boas ideias surgem enquanto trabalhamos em frente ao computador.”

 

Do seu trabalho com os estudantes internacionais da Universidade Católica no Porto, resultou a publicação de um livro chamado “Educação, Criatividade e Cultura Portuguesa” …

O livro é uma narrativa-testemunho da unidade curricular de Introdução à Cultura e Língua Portuguesa, dirigida a estudantes internacionais, estudantes de todas as Unidades Académicas, de todos os graus, todos juntos. Esta cadeira existe desde 2017 e, desde aí, já por lá passaram mais de 700 alunos, de mais de 40 nacionalidades, de quatro continentes. Como docente e investigadora, o curso e o livro são a última “menina dos meus olhos”. Atualmente só gosto de escrever-pensar em profundidade, e de forma simples, sobre o vivido. Assim, este livro conta e fundamenta (conceptual e metodologicamente) o nosso processo de criação, o que fazemos, como o vivemos, o que resultou da conjugação das minhas diversas áreas de formação e do facto de ser portuguesa, mas, essencialmente, o que resultou do trabalho feito-vivido com os estudantes. A vida e o trabalho académico não se separam. Não é de mim para eles, é nosso. Não é isso ensinar e aprender? Não é isso sermos educadores-educandos? Há quem diga que o livro é brutalmente honesto e gosto de pensar que assim seja. Ainda que o texto geral tenha sido escrito por mim (e, na reflexão final, sobre a educação universitária atual, com a colaboração de Eugenia Trigo), está recheado de testemunhos e extratos de trabalhos feitos pelos estudantes de anos anteriores. Já tinham, por isso, regressado aos seus países quando comecei a reunir esse material. Tive de os contactar, espalhados pelo mundo, para obter a sua autorização. Foi um processo muito bonito, só por isso valeu a pena. Comecei a escrever o livro em 2019 e ficou concluído em 2025. As coisas precisam de tempo.

 

Qual é hoje o grande desafio da educação?

Que pergunta difícil e grande!! São tantos… Num mundo que está louco, como não pensar na nossa responsabilidade, no que nos cabe fazer? Um que me persegue (e repito-me), é o desafio da coerência – a coerência entre o discurso e a prática, entre o que sabemos e o que, efetivamente, fazemos. Há uma diferença fundamental entre informação, conhecimento e sabedoria. Falamos em educação integral, mas, na verdade, continuamos, tantas vezes, a focar-nos quase exclusivamente na dimensão cognitiva e esquecemos que somos corporeidade. A criação não existe sem tempo. Acredito que, talvez mais do que nunca, nós professores precisamos de parar, de refletir acerca de nós mesmos, acerca do que somos e do que fazemos. Precisamos, cada um de nós precisa, de questionar as próprias práticas. Mas isso exige tempo, disponibilidade, distância e muita coragem – muito daquilo de que, tantas vezes, andamos a fugir.

 

Onde encontra espaço para ter ideias e descansar?

Se nos perguntarmos onde costumamos ter boas ideias, raramente respondemos que as boas ideias surgem enquanto trabalhamos em frente ao computador. Referimos, antes, o tempo em que estamos a passear, a conduzir, com amigos, a cozinhar (não é o meu caso), no banho… Nesta fase da minha vida, faço trilhos sempre que posso para ver-sentir-cheirar o que não se vê, não se sente e não se cheira na estrada. A minha passagem de ano foi no deserto do Saara. Fui com algum receio, sabia que ia ser duro, mas ir ao deserto era um sonho antigo. Queria ouvir o silêncio. Vim feliz. Éramos cinco – caminhámos cerca de 100 quilómetros em cinco dias. Hoje, não tenho dúvidas de que, seja lá como for, vou voltar. Caminhar assim é uma das formas que hoje encontro para responder a uma pergunta que, acredito, não é para mim, mas para nós todos - de que maneira e em que contextos a criatividade ajuda a criar (e, até, a reconhecer) mundos mais lindos?

 

30-04-2026

Universidade Católica Portuguesa inaugura Salas de Aula do Futuro INOV-NORTE

Foram inauguradas na Universidade Católica no Porto as Salas de Aula do Futuro INOV-NORTE, uma iniciativa que reforça a aposta na inovação pedagógica e na modernização dos ambientes de ensino e aprendizagem no ensino superior.

A inauguração das salas decorreu no âmbito da 8.ª reunião plenária do consórcio INOV-NORTE – Centro de Excelência de Inovação Pedagógica na Região Norte, projeto financiado pelo programa NextGeneration EU do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O evento, que decorreu a 24 de abril de 2026, juntou membros dos órgãos de gestão do consórcio, coordenadores de atividades e embaixadores do projeto, num momento de acompanhamento e articulação do trabalho desenvolvido pelas instituições parceiras ao longo das várias áreas de intervenção do INOV-NORTE.

Foram ainda abordados pontos relacionados com a calendarização das atividades em curso e com a preparação do relatório final do projeto, num contexto de consolidação dos resultados alcançados e de planeamento da fase de encerramento.

O encontro reforçou a cooperação entre as instituições parceiras e o alinhamento estratégico do consórcio, sublinhando o compromisso conjunto com a inovação pedagógica e a transformação do ensino superior na região Norte, numa iniciativa que se aproxima da sua conclusão, prevista para junho de 2026.

29-04-2026

Presidente do Conselho Europeu na Universidade Católica: "Temos sabido resistir e fortalecer-nos perante cada uma das crises"

“Autonomia Europeia num mundo em mudança” foi o tema da conferência organizada pela Universidade Católica Portuguesa, no Porto, com o Presidente do Conselho Europeu, António Costa. Na sua intervenção, António Costa enunciou os pilares que devem orientar a autonomia estratégica europeia, dos princípios do direito internacional ao investimento na defesa e na competitividade, e deixou uma nota de confiança: "Temos sabido resistir e fortalecer-nos perante cada uma das crises."

Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, deu início à conferência situando o debate no âmbito da missão universitária. “O tema convoca-nos a todos enquanto sociedade e europeus”, afirmou. Isabel Capeloa Gil recordou que “a Europa cresceu, em grande medida, da consciência das suas fragilidades, mas também da coragem de pensar o futuro comum” e que a questão da autonomia “assume hoje uma importância renovada.” “Preservar e renovar esse projeto”, sublinhou, “exige visão estratégica e reflexão crítica, e é aqui que as universidades têm um papel fundamental.”

 

A ordem internacional e os cenários possíveis

Na sua intervenção, António Costa partiu de um diagnóstico sobre a ordem internacional: as regras que emergiram do fim da Segunda Guerra Mundial estão hoje a ser desafiadas por alguns dos principais agentes internacionais, incluindo países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. “A ausência de regras significa o caos”, afirmou.

Perante esta realidade, identificou três cenários possíveis: o prolongamento da situação de caos; o regresso a um mundo de grandes esferas de influência; ou o desenvolvimento de uma parceria de multipolaridade. Foi sobre este último que centrou a sua reflexão, partilhando “cinco Ps” que orientam a acção da União Europeia: “princípios, paz, prosperidade, parcerias e poder.” Sobre a paz, António Costa destacou que esta está no “ADN” da UE: “A União Europeia é um projecto de paz”.

 

Defesa, competitividade e autonomia estratégica

Para António Costa, a autonomia estratégica da Europa passa por perceber que a sua vantagem fundamental é gastar melhor, não apenas mais. "Não precisamos de ter 27 grandes forças armadas, o que precisamos é de um sistema sólido que assegure a defesa coletiva." “Cada país tem as suas próprias prioridades, mas há aquelas que são partilhadas pelos 27”, partilhou.

 

O próximo ciclo de fundos comunitários deverá ter como foco “o investimento no sistema de inovação, a translação para o mercado e o apoio às empresas no investimento em tecnologia e na reindustrialização”. “Só desenvolvendo estes dois pilares - defesa e competitividade – é que se criam os alicerces do poder europeu.”

O Presidente do Conselho Europeu concluiu com uma nota de confiança: “a Europa é o espaço de democracia mais sólido à escala global”, “o principal agente comercial internacional” e “desenvolveu o melhor modelo social do mundo”. "Temos sabido resistir e fortalecer-nos perante cada uma das crises", disse, acrescentando que a melhor forma de evitar crises futuras é a prevenção e que a Europa tem a persistência necessária para o fazer.

 

Estudantes da Católica em diálogo com o Presidente do Conselho Europeu

A conferência contou com um momento de perguntas de estudantes e docentes das várias faculdades da Universidade Católica, que participaram ativamente no debate.

José Azeredo Lopes, professor da Faculdade de Direito – Escola do Porto, encerrou o evento, sublinhando a qualidade das questões colocadas pelos estudantes e agradecendo a presença do Presidente do Conselho Europeu. Na sua intervenção final, destacou que a conferência revelou uma União Europeia "bastante mais complexa e rica do que aquilo que alguns podem supor", deixando uma nota de confiança no futuro do projeto europeu.

A conferência decorreu a 28 de Abril, no Auditório Carvalho Guerra, e reuniu a comunidade académica e o público em geral para um momento de reflexão crítica e diálogo informado sobre o papel da Europa no mundo.

 

29-04-2026

Católica Porto Business School reforça presença no ranking mundial QS Executive MBA pelo quarto ano consecutivo

A Católica Porto Business School continua a integrar o ranking QS Executive MBA, consolidando a sua posição num contexto de crescente concorrência internacional.

Com mais de duas décadas de existência, o programa tem vindo a afirmar-se de forma consistente a nível internacional, reforçando o prestígio de uma escola que detém as três acreditações de excelência — EQUIS, AMBA e AACSB — conhecidas como a Triple Crown, um estatuto alcançado por menos de 1% das escolas de negócios em todo o mundo.  

O principal destaque vai para a qualidade do perfil executivo dos participantes, com o programa a alcançar a 78.ª posição mundial neste indicador, entre 215 programas avaliados, um resultado significativamente acima da média global. Este desempenho reflete a solidez da experiência profissional dos alunos e uma presença crescente de perfis com percurso em cargos de topo. 

Para o diretor da Católica Porto Business School, João Pinto, “continuar a integrar este ranking reforça o posicionamento da Escola como uma instituição alinhada com os valores da ética e da sustentabilidade, bem como com as exigências de um mercado global cada vez mais competitivo”.  

A evolução na carreira dos participantes mantém-se como um aspeto muito relevante do MBA Executivo da escola, a par de uma diversidade acima da média global, nomeadamente no que respeita ao equilíbrio de género. 

Para o vice-diretor da Católica Porto Business School e responsável pela área de Acreditações e Rankings, Paulo Alves, “estes resultados confirmam a consistência do trabalho que temos vindo a desenvolver e o reconhecimento crescente da Escola a nível internacional. É um sinal claro de que estamos a consolidar a nossa presença junto de empregadores e da comunidade académica, de forma sustentada”. 

O diretor do MBA Executivo, Luís Marques, salienta que “os participantes que escolhem o nosso programa procuram uma experiência formativa com reconhecimento internacional, mas também com impacto real no seu percurso profissional. A presença no ranking QS vem reforçar a consistência desse posicionamento, refletindo a qualidade do perfil dos nossos alunos, a relevância do modelo pedagógico e a capacidade do programa em responder às exigências de um contexto global cada vez mais complexo e competitivo”.  

A Católica Porto Business School reforça, assim, a sua ambição de consolidar uma oferta formativa de excelência, pautada pela inovação pedagógica, pelo rigor académico e por uma ligação constante às dinâmicas do mercado, a par de manter o compromisso de preparar líderes capazes de enfrentar os desafios de um mundo em transformação.

Conheça o MBA Executivo da Católica Porto Business School aqui

 

29-04-2026

Nova ferramenta de rastreio psicológico para escolas portuguesas em destaque em revista internacional de referência

Um artigo científico desenvolvido por Rosário Serrão, em colaboração com Pedro Dias, Mhairi Bowe, Ana Andrés e Tyler Renshaw, no âmbito do Doutoramento Internacional em Psicologia Aplicada da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP), foi recentemente destacado no World*Go*Round da International School Psychology Association (ISPA), uma das associações internacionais de maior prestígio na área da Psicologia Escolar.  

O artigo, publicado na revista “International Journal of School & Educational Psychology”, apresenta a adaptação e validação para o contexto português do Youth Internalizing and Externalizing Problems Screener (YIEPS), uma ferramenta de despiste universal da saúde psicológica dirigida a alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico. 

Para a investigadora, este destaque representa um marco particularmente significativo no seu percurso académico e científico. “O reconhecimento pela revista da ISPA é muito importante pois tenho um carinho especial por esta associação que me tem trazido enormes aprendizagens e networks internacionais nos últimos anos.” 

Uma abordagem à “saúde psicológica completa” em meio escolar 

Intitulado “Adaptation and Validation of the Youth Internalizing and Externalizing Problems Screener in Portugal: A Unified Psychological Health Screening Tool”, o trabalho científico teve como principal objetivo a validação de uma ferramenta que pudesse apoiar o trabalho dos psicólogos escolares na identificação de fragilidades na saúde psicológica de estudantes do 3.º Ciclo do Ensino Básico. 

Segundo Serrão, o foco esteve na validação de um questionário que permitisse uma visão integrada da saúde psicológica em meio escolar. “O principal objetivo foi validar uma ferramenta para uso por psicólogas/os escolares de despiste universal para alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico, focada em dificuldades de saúde psicológica (i.e., mal‑estar psicológico), que pudesse acompanhar outra ferramenta de despiste focada, por sua vez, em indicadores de bem‑estar psicológico”, relata. 

Uma resposta a lacunas no sistema de apoio psicológico escolar 

A adaptação do Youth Internalizing and Externalizing Problems Screener (YIEPS) para Portugal surgiu num momento em que os serviços de psicologia escolar estão cada vez mais organizados segundo sistemas de suporte multinível, assentes no despiste universal e na tomada de decisões informadas por dados.  

No início do Doutoramento, a investigadora identificou uma lacuna importante neste domínio, “a falta de uma ferramenta validada para o nosso contexto nacional que abrangesse indicadores de ‘saúde psicológica completa’ e cumprisse os critérios de ferramenta de despiste (por exemplo: ser de rápida aplicação e reunir informação que possa ser conectada a intervenções multinível).”

Este estudo insere‑se, assim, num esforço de disponibilizar instrumentos cientificamente validados que possam ser utilizados no terreno pelos psicólogos escolares portugueses

O que torna o YIEPS‑Portugal uma ferramenta distinta 

O YIEPS‑Portugal distingue‑se de outros instrumentos de avaliação psicológica por várias razões práticas e científicas. Desde logo, trata‑se de uma ferramenta de acesso livre e gratuito, disponível online ou mediante contacto com a investigadora. O questionário é composto por apenas 16 itens, o que facilita a sua aplicação em contexto escolar. Além disso, foi concebido de raiz como uma ferramenta de despiste universal, alinhado com abordagens multinível, e que avalia simultaneamente comportamentos de internalização (como ansiedade e sintomas depressivos) e de externalização, particularmente associados a problemas de conduta. 

Por fim, outro aspeto central prende‑se com o facto de ser um instrumento de autorrelato, permitindo captar diretamente a perspetiva dos alunos sobre o seu próprio bem‑estar e mal‑estar psicológico. Esta característica é especialmente relevante para a identificação de comportamentos de internalização, que tendem a ser menos visíveis para professores e outros adultos na escola. 

Gratuitidade, equidade e justiça social 

Os investigadores optaram por disponibilizar o YIEPS‑Portugal de forma gratuita. “Entendemos que [um pagamento para acesso] poderia ser limitador para várias escolas e, por sua vez, para os psicólogos que nelas trabalham. A gratuitidade permite acesso transversal por parte de qualquer escola e de qualquer contexto socioeconómico.” 

Identificar quem não pede ajuda: um desafio que esta ferramenta pode ajudar a superar 

Um dos problemas salientados no estudo de Rosário Serrão, que foi identificado na literatura, é o facto de muitos alunos em risco psicológico não serem sinalizados pelos professores, sobretudo aqueles que não manifestam comportamentos disruptivos. “A literatura mostra que os alunos que são mais frequentemente sinalizados são os que apresentam comportamentos de externalização, ao passo que os que apresentam comportamentos de internalização são os que muitas vezes não são sinalizados/detectados”, relata. 

Através da utilização universal e oportuna da ferramenta YIEPS, torna-se possível a recolha de dados junto dos alunos sobre a autoperceção da sua saúde psicológica, contribuindo para reduzir o número de jovens que passam, por vezes, "debaixo do radar” nos sistemas de suporte da escola, apesar de poderem estar em risco de sofrimento psicológico. 

Um caminho para a implementação do despiste universal em contexto educativo 

A implementação de um despiste da saúde psicológica com recurso à ferramenta YIEPS exige, de acordo com a investigadora, o seguimento de alguns passos específicos. Entre os aspetos essenciais estão nomeadamente a definição do grupo de alunos a incluir num primeiro despiste e a clarificação dos indicadores que se pretendem recolher. 

Tal como sublinha Rosário Serrão, é fundamental envolver a comunidade educativa ao “definir uma estratégia de comunicação com a comunidade educativa sobre o processo”, sendo igualmente importante “antecipar como querem utilizar os dados.”

Além disso, as escolas devem prever, de forma antecipada, os procedimentos a adotar perante situações identificadas como de elevado risco, bem como devem definir e acompanhar as estratégias de intervenção a desenvolver nos diferentes níveis de prioridade de ação. Assim, o despiste universal pode tornar-se uma prática central na promoção da saúde psicológica, permitindo uma atuação mais preventiva, equitativa e sustentada ao longo do percurso escolar dos alunos, permitindo um alinhamento dos suportes alavancados na escola às necessidades específicas de cada contexto.  

28-04-2026

Católica Porto Teen Academy convida jovens a experimentar e refletir sobre o futuro académico

A Católica Porto Teen Academy está de regresso e já abriu as inscrições para mais uma edição da academia de Verão, dirigida a estudantes do ensino secundário interessados em explorar diferentes áreas de conhecimento.

O campus da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, volta a abrir as portas para proporcionar uma experiência próxima da vida universitária, através de momentos de aprendizagem que combinam atividades práticas e contacto direto com docentes e estudantes das diferentes faculdades.

Com programas dinâmicos e envolventes, os cursos procuram equilibrar teoria e prática, ajudando os alunos a esclarecer dúvidas e a ganhar confiança nas suas escolhas: “Em setembro vou entrar na faculdade e quero ter a certeza que é a Católica que quero escolher, portanto, vim explorar mais”, explicou Leonor Lopes, participante da Católica Porto Teen Academy 2025.

A iniciativa atrai jovens de todo o país, como Afonso Camacho, que se deslocou desde a Madeira para participar na iniciativa da Faculdade de Direto. “Estou vestido com a toga, que é a vestimenta que os advogados utilizam no tribunal, porque estamos aqui a fazer a simulação de um julgamento, exatamente para ter esta vertente mais prática e perceber se é realmente isto que nós gostamos”, revelou.

Na Escola Superior de Biotecnologia, o contacto direto com professores e atividades laboratoriais marcam a experiência. Após participar no Experimenta com Ciência, Leonardo Azevedo garante não haver “dúvida nenhuma” de que vai “seguir ciências”.

Já na Escola de Enfermagem, o realismo das atividades é dos aspetos mais valorizados, tal como afirma Tiago Gomes, participante da edição de 2025: “Gostei muito das atividades que fizemos, atividades muito diferenciadas, com os bonecos de teste muito realistas, e acho que deu para aplicar bem o que aprendemos ao longo da semana.”

Na Escola das Artes do Porto, a diversidade de experiências permite aos estudantes explorar diferentes vertentes criativas. Mariana Nogueira participou na Oficina de Conservação e Restauro, em 2025, e garante que “é sempre uma mais valia ter estas oportunidades para termos a certeza que é isto que queremos fazer.” Também Rita Silva, participante do Short-Film Project, sublinha a dimensão abrangente do programa: “É uma oportunidade de explorar e também aprofundar outras áreas em que eu tenho bastante interesse, como a filosofia, a leitura, e diversos temas.” Já Francisca Machado destaca a vertente prática do Atelier de Som e Imagem: “No estúdio, eu fiz um bocadinho de câmara e também fui assistente de realização.”

As atividades do Young Enterprise, promovidas pela Católica Porto Business School no ano passado, ajudaram a convencer os alunos acerca das suas escolhas: “Estava mesmo a pensar em ir para Gestão aqui na Católica e achei que os professores eram bastante simpáticos, achei que proporcionaram uma experiência muito agradável; foi bastante divertido”, partilha Matilde Esteves.

Na edição de 2026, os alunos podem escolher entre uma oferta diversificada de cursos, como À Descoberta do Direito (30 de junho a 3 de julho), Psicologia em Movimento (1 a 3 de julho), Young Enterprise (6 a 10 de julho), Experimenta com Ciência (6 a 10 de julho), Nursing Academy: best way to choose a future (13 a 16 de julho), e ainda várias propostas da Escola das Artes - Oficina de Conservação e Restauro (6 a 8 de julho), Atelier Criativo de Gravação Livre(6 a 8 de julho) e Short Film Project (8 a 10 de julho).

Todas as informações sobre os cursos estão disponíveis no site da Teen Academy.

28-04-2026

XX Olimpíadas de Biotecnologia: a edição que bateu todos os recordes

As XX Olimpíadas de Biotecnologia foram, por todos os motivos, uma edição para a história. Com 549 estudantes inscritos, provenientes de 42 escolas de todo o país, esta foi a maior participação de sempre na competição. Na final, que decorreu na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa do Porto, estiveram presentes 66 alunos, acompanhados por 45 professores.

Ao longo das vinte edições da competição, estima-se que já tenham passado pelas Olimpíadas de Biotecnologia cerca de 7400 alunos, um legado impressionante que reflete o crescimento e a consolidação da prova no panorama do ensino das ciências em Portugal.

As grandes vencedoras da XX edição

Os dois grandes prémios desta edição foram conquistados por duas alunas de excelência. Kaixin Cheng, da Escola Básica e Secundária de São Martinho do Porto (Alcobaça), e Ana Duarte Abraços, da Escola Secundária de São João do Estoril (Cascais), foram as grandes vencedoras, cada uma premiada com um cartão presente no valor de 300 euros.

Menções honrosas

A organização distinguiu ainda os melhores alunos de cada ano de escolaridade com menções honrosas, premiadas com cartões presente no valor de 100 euros.
10.º ano: André Cancela, da Escola Secundária Dr. Mário Sacramento (Aveiro);
11.º ano: Luciana Fritz, da PaRK International School (Lisboa);
12.º ano: Filipa Ferreira Sousa, do Colégio Internato dos Carvalhos (Vila Nova de Gaia).

Inovação no formato de avaliação

O formato de avaliação das Olimpíadas de Biotecnologia evoluiu nos últimos anos, tornando-se progressivamente mais completo e exigente. Desde a edição anterior, a prova passou a combinar um exame prático com um teste de escolha múltipla.
Os 20 melhores alunos são depois selecionados com base na resposta a uma pergunta de desenvolvimento, nesta edição, subordinada ao tema do determinismo genético e da variabilidade humana, uma das questões mais fascinantes e debatidas da biologia contemporânea.

Ciência sem barreiras linguísticas

Uma das grandes novidades desta vigésima edição foi a oferta bilingue das provas, uma iniciativa inédita na história das Olimpíadas de Biotecnologia. Pela primeira vez, alunos que não têm o português como língua materna puderam participar em igualdade de condições, o que atraiu já alguns estudantes estrangeiros à competição.
Esta abertura reflete uma visão mais inclusiva e internacional da ciência, e posiciona as Olimpíadas de Biotecnologia como uma referência não apenas nacional, mas com potencial para atrair talento de toda a Europa.

Maior participação de sempre

Paula Teixeira, da direção da Escola Superior de Biotecnologia, sublinhou o significado desta edição comemorativa, ao recordar que nas vinte edições da competição já participaram cerca de 7400 alunos, o que reforça o impacto de um projeto que, ano após ano, aproxima os jovens portugueses da biotecnologia.
A responsável referiu ainda que a final desta edição foi “renhida e com muitos bons resultados”, reflexo do elevado nível dos participantes e da qualidade do ensino das ciências nas escolas representadas.

Competição científica

As Olimpíadas de Biotecnologia são uma competição científica nacional dirigida a estudantes do ensino secundário, que visa promover o interesse pela biotecnologia e pelas ciências da vida. Ao longo de duas décadas, a prova cresceu de forma consistente, tornando-se num dos eventos de referência do calendário científico escolar português.

A competição é organizada pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Biotecnologia

27-04-2026

UNUS reúne Igreja e academia para refletir sobre sustentabilidade

A 6ª edição do evento UNUS colocou a sustentabilidade no centro do debate, sob o tema “Sustentabilidade: moda ou missão?”. Promovida pela Universidade Católica Portuguesa, no Porto, a iniciativa reuniu párocos das dioceses do Porto, Vila Real e Coimbra, juntamente com docentes, alunos e outros membros da comunidade académica, num diálogo que reforçou a ligação entre o clero e a academia.

Na sessão de abertura, Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa para o campus do Porto e para a Sustentabilidade, destacou a importância de discutir conjuntamente os temas que influenciam a ação pastoral, orientando o diálogo sobre sustentabilidade para o seu carácter de missão: “nos tempos atuais, a sustentabilidade não pode ser vista como uma tendência passageira”. O P. Abel Canavarro, vice-diretor da Faculdade de Teologia, acrescentou que “a moda passa com o tempo, a missão continua no terço,” apontando para as oportunidades e desafios que se colocam à Igreja, à luz deste tema. A última palavra de abertura, de D. António Azevedo, bispo de Vila Real, marcada pelo simbolismo de regressar ao local onde se formou, realçou a importância de uma “formação permanente” por parte dos párocos.

Seguiu-se a reflexão de Jorge Cunha, docente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, sobre “Ética teológica e sustentabilidade: os desafios da ‘Laudato Si’”. Jorge Cunha explicou como “o reconhecimento é complementar ao conhecimento” - como a teologia e a filosofia acrescentam a dimensão de “reconhecimento” ao saber científico, sublinhando a urgência de “aumentar o sentir”. Numa visão histórica, abordou várias perspetivas dentro da Igreja acerca da sustentabilidade, até à encíclica ‘Laudato si’, e identificou os desafios contemporâneos ao reconhecimento, e, por conseguinte, à sustentabilidade, destacando que o desenvolvimento insustentável da tecnologia e “a inteligência artificial [são] o seu maior desafio”.

O painel “Sustentabilidade em ação”, moderado por José Pedro Azevedo, capelão da Universidade Católica no Porto, partiu da apresentação do Plano Estratégico para a Sustentabilidade da Universidade Católica Portuguesa, por parte de Isabel Braga da Cruz, para refletir sobre a prática da sustentabilidade na Católica e contou com os testemunhos da experiência de Carmo Themudo, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Integral da Pessoa, e de Maria Lopes Cardoso, diretora de Parcerias, Alumni e Empregabilidade. Foram discutidos temas como o acompanhamento dos alunos ao longo dos anos e a forma como as ações promovidas pela universidade impactam a vida dos jovens, em matéria de sustentabilidade.

O encontro, que decorreu no dia 20 de abril, encerrou com as palavras de D. Manuel Linda, bispo da Diocese do Porto, que reforçou que “o sacerdote também tem uma função didática”, sublinhando a relevância da iniciativa e apelando à participação dos sacerdotes em momentos de reflexão e ligação ao meio académico.

23-04-2026

Eduardo Nunes: “Os jogos têm um grande potencial - para adquirir conhecimentos e aprofundar a curiosidade”

Eduardo Nunes é antigo aluno da Universidade Católica e CEO & Lead Educational Game Designer na Kendir Studios, uma start-up dedicada a experiências de ensino/aprendizagem baseadas em jogos ou digitalmente gamificadas. A sua experiência de mestrado em Gestão na Católica Porto Business School foi marcada por uma enorme aprendizagem, sem a qual não estaria onde está hoje - a investigar, liderar projetos e ensinar na área da gamificação. Nesta entrevista, fala sobre o potencial dos jogos para aprender, mas também do que falta para que seja aproveitado ao máximo. Uma ambição? Ajudar “a refletir e redesenhar o sistema educativo”.

 

“Os jogos são o melhor processo de interatividade e, quando devidamente aplicados, são o processo de aprendizagem mais completo.”

 

Porque é que os jogos podem ser uma ferramenta tão importante no processo de aprendizagem?

Sabe-se que o processo de aprendizagem do aluno é valorizado através da chamada aprendizagem ativa - fazendo, construindo, desconstruindo. Mas a aprendizagem também decorre do desenvolvimento de competências, da exposição, observação e reflexão, da liberdade dada ao aluno para encontrar processos de autodeterminação - e da interligação de todos estes aspetos. A imersividade do jogador atinge níveis de profundidade impossíveis em qualquer outra situação de aprendizagem. Os jogos são, sem dúvida, o melhor processo de interatividade que existe e, quando devidamente aplicados à educação, são o processo de aprendizagem mais completo.

 

Com potencial para melhorar o atual paradigma de aprendizagem?

Para muitos alunos, a aprendizagem atualmente baseada em manuais e outros processos passivos é altamente ineficaz, desmotivadora e desenquadrada dos seus interesses. Já é possível encontrarmos algumas melhorias em áreas mais práticas, através de laboratórios digitais. Mas os processos digitais gamificados e sistemas baseados em jogos digitais são muito mais transversais, expansivos e económicos. Ao mesmo tempo, mecanismos específicos, como a introdução de narrativa, a exploração e interação livre e as simulações permitem um foco no desenvolvimento de competências, de forma autónoma, que nenhum outro sistema permite.

 

“Sem o mestrado [em Gestão] e sem o contacto com os professores que tanto me transmitiram, hoje não estaria onde estou.”

 

É mestre em Gestão, pela Católica Porto Business School. Porque escolheu a Católica?

Procurava um programa que respondesse aos meus interesses, que sempre foram muito transversais e expansivos, e que fosse lecionado numa escola de qualidade, com ligação ao tecido empresarial.

 

Como foi a sua experiência no mestrado?

A minha aprendizagem foi enorme. O "salto" cognitivo, uma grande evolução na minha capacidade de interligação de temáticas e na análise estratégica em várias áreas da gestão. Posso dizer com toda a certeza que, sem o mestrado e sem o contacto com os professores que tanto me transmitiram, hoje não estaria onde estou.

 

Quando surge o seu interesse pela área da gamificação?

Lembro-me de jogar os primeiros jogos de estratégia, como Age of Empires e Civilization, e de me aperceber do quão mais rapidamente aprendia com o jogo do que através de um manual escolar.
A ideia de usar mecanismos, sistemas e dinâmicas de jogos em contextos de ensino e aprendizagem acabou por surgir, por isso, naturalmente. Não reconhecia intencionalmente esse processo de gamificação - simplesmente, fazia-o, porque sentia que ia ser mais motivador. Foi num projeto de investigação sobre o tema que comecei a desenvolver, mais formalmente, estes conceitos. Fiz do interesse conhecimento e agora ensino gamificação a alunos de licenciatura e mestrado.

 

Integrou a equipa multidisciplinar da CPBS responsável pelo “Clique Financeiro”, vencedor do concurso “Economia para Todos”. Como foi o processo de desenho deste jogo?

O desafio era muito simples: auxiliar a aprendizagem de temas de literacia financeira - orçamentos pessoais, poupança, investimentos, financiamentos e consumo - através de um jogo. Pode ser muito tentador pensarmos num jogo que foque, de forma isolada, cada um dos conteúdos. Mas sabemos que nada tem mais valor do que a experimentação, a tentativa (mesmo que simulada através do jogo) e a análise do impacto. E por isso trabalhamos na simulação de contextos reais e na sua gamificação, que leva a mudanças de processos mentais quando o jogador procura aplicar esses conhecimentos no seu dia a dia.

 

Em que fase se encontra a gamificação em Portugal?

Encontra-se ainda numa fase de imaturidade conceptual, de resultados mistos e inadequados. A gamificação tem uma ligação muito próxima a áreas como UX, psicologia, sociologia, filosofia e ciências da educação. Pelas suas 3 principais vertentes: regras, mecanismos-dinâmicas e estética, pode resultar em impactos inesperados. O seu desenho e desenvolvimento devem ser considerados através de análises extensivas e deve ser um processo evolutivo, dinâmico, em que se procura adaptar a gamificação às necessidades dos utilizadores, em cada momento da sua experiência de utilização.

 

Foi da investigação que surgiu a ideia de criar uma empresa focada no desenvolvimento de jogos e recursos digitais educativos.

Parte do meu trabalho de investigação foca-se exatamente na criação de uma framework adequada e clara para a aplicação de jogos em contexto educativo. E, nesse processo, o protótipo parecia ser a única forma de identificarmos, em detalhe, impactos concretos. Assim surgiu a Kendir Studios.

 

Que papel quer desempenhar na evolução do ensino?

Gostava de conseguir fazer a diferença no ensino. Considero que será importante refletir e redesenhar o sistema educativo. Não o fazermos implica mantermos os problemas que os nossos alunos continuam a enfrentar, tanto em termos de motivação, como de resultados. Gostava de fazer parte desse progresso.

 

Há algum jogo que recomendaria particularmente?

O OpenTTD, um jogo gratuito para quem quiser aprender sobre gestão, um verdadeiro clássico. E recomendo também a pesquisa de novos jogos nas áreas de interesse de cada um – seja matemática, línguas, engenharia, gestão, ... Para uma nova perspetiva sobre o potencial dos jogos na educação e também para adquirir conhecimentos e aprofundar a curiosidade.

 

23-04-2026

Talentos Maiores arranca na Universidade Católica no Porto com Bootcamp de Empreendedorismo Social

Nos dias 17 e 18 de abril, a Universidade Católica Portuguesa, no Porto, acolheu o arranque do projeto Talentos Maiores, com um bootcamp de empreendedorismo social que reuniu participantes de diferentes gerações num ambiente de partilha, criatividade e colaboração. A iniciativa teve como objetivo transformar desafios sociais em soluções concretas com potencial de impacto real.

A sessão de abertura contou com Isabel Braga da Cruz, Pró-Reitora da Universidade Católica Portuguesa no Porto, Teresa Pouzada, Diretora Não Executiva da ADRITEM, Helena Loureiro, do Portugal Inovação Social, e Gabriela Queiroz, Vereadora da Câmara Municipal do Porto. As intervenções destacaram a importância da articulação entre academia, setor público e sociedade civil na resposta, de forma inovadora, aos desafios contemporâneos.

Seguiu-se o painel “Empreendedorismo Social: Impacto e Desafios”, que, num ambiente próximo e participativo, evidenciou o potencial transformador da inovação social, sublinhando a importância de soluções inclusivas e sustentáveis. Moderado por Carmo Themudo, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Integral da Pessoa da Universidade Católica, o painel reuniu Andreia Moutinho, do Centro de Inovação Social do Porto, Joana Morais e Castro, da Área Transversal de Economia Social da Universidade Católica, e Miguel Neiva, fundador da ColorADD.

O programa assentou na colaboração entre jovens e participantes 50+, concretizada ao longo de três workshops: um na tarde de sexta-feira e dois durante o dia de sábado.

O trabalho prático iniciou-se com o workshop “Vamos co-criar impacto social?”, dinamizado por Adelaide Martins e Salvador Furtado. Organizados em equipas intergeracionais, os participantes começaram a dar forma a ideias e projetos, recorrendo a metodologias de design thinking, mentoring e co-criação, explorando respostas a desafios sociais concretos.

O segundo dia foi dedicado ao aprofundamento dessas ideias, através dos workshops “Enquadramento de problemas sociais – Do desafio à solução” e “Como criar uma proposta com valor social: Social Business Model Canvas”.

Com o apoio de Francisco Pais Rodrigues e Ana Marques, da K. Social, os participantes trabalharam a identificação e análise de problemas sociais, a definição de propostas de valor e o desenvolvimento de modelos de negócio com impacto, recorrendo à ferramenta de estruturação. Este trabalho culminou na apresentação de pitches finais, onde as equipas partilharam as soluções desenvolvidas, que irão agora evoluir nas próximas fases do projeto.

O Bootcamp Talentos Maiores assinala, assim, o início de uma iniciativa que aposta na colaboração entre gerações como motor de inovação social, promovendo a experimentação, a aprendizagem e a construção de respostas com impacto no território. O projeto Talentos Maiores é financiado pelo Portugal Inovação Social, no âmbito do Portugal 2030.

23-04-2026

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