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Inês Azeredo Caeiro: “O voluntariado é um exercício de vulnerabilidade que nos torna mais humanos.”

Inês Azeredo Caeiro é diretora executiva da Fundação Vasco Vieira de Almeida. Licenciada e mestre em Psicologia pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, tem um percurso fortemente ligado à intervenção social e ao voluntariado. Depois de nove anos de trabalho no terreno, na Vida Norte, integrou o universo corporativo, criando pontes entre investidores, voluntários e organizações sociais através da Fundação Vasco Vieira de Almeida. Nesta entrevista, fala sobre escolhas profissionais nem sempre óbvias, responsabilidade social corporativa e o papel profundamente transformador do voluntariado na construção pessoal e profissional.

 

O que a levou a escolher Psicologia e que áreas a marcaram durante a licenciatura?

Na altura, a escolha não foi muito intencional. Sabia que queria trabalhar numa área com contacto próximo com as pessoas e cheguei a ponderar áreas da saúde e o serviço social. A Psicologia acabou por combinar essa vontade de trabalhar com pessoas com a possibilidade de conhecer a mente humana, perceber a dinâmica das relações e compreender o impacto que estas têm na nossa forma de estar, pensar e sentir.

Durante a licenciatura, marcaram-me principalmente as disciplinas ligadas à psicoterapia de crianças e adultos e à saúde mental, sobretudo a ênfase na prevenção. Por ter uma família grande e muitos amigos, nunca tinha refletido verdadeiramente sobre o impacto que a rede de apoio tem no tratamento, na cura e no prognóstico de uma doença mental.

O estágio curricular num centro de saúde e em projetos de prevenção mostrou-me que um problema de saúde mental não se resolve isoladamente: ao trabalhar, por exemplo, com uma criança, é essencial envolver toda a comunidade - escola, educadores, colegas, pais -, e compreender todos os contextos em que essa pessoa está inserida.

 

 

“A Católica mostrou-nos que existiam outras formas de aprender fora das salas de aula e de nos desenvolvermos enquanto pessoas"

 

 

Quando é que se cruza com a área social?

Depois de terminar o mestrado, comecei a trabalhar na Vida Norte, uma associação de apoio a grávidas e famílias em situação de fragilidade. Foi na Vida Norte que descobri o fascínio pela intervenção social. Durante o curso, já tinha desenvolvido esse interesse através do voluntariado (através da CASO - Católica Solidária e do Serviço Comunitário) e, na Vida Norte, pude concretizá-lo profissionalmente. O meu trabalho consistia em acompanhar mulheres grávidas e famílias. Começávamos por fazer uma avaliação das necessidades, identificávamos os recursos disponíveis e estabelecíamos um plano de acompanhamento com várias vertentes: apoio psicológico, apoio social, capacitação, disponibilização de bens materiais, visitas domiciliárias e ativação da rede de suporte. Estive nove anos dedicada ao acompanhamento próximo das famílias. Foi um trabalho que me marcou muito porque, apesar de lidar diariamente com fragilidade humana, também era possível ser um veículo de esperança e ânimo, ajudando a transformar histórias difíceis em trajetórias de suporte e crescimento.

 

Nove anos depois integra a Fundação Vasco Vieira de Almeida, onde é, atualmente, diretora executiva.

Depois de nove anos na Vida Norte, onde me sentia muito realizada, surgiu a oportunidade de integrar a Fundação Vasco Vieira de Almeida (fundação corporativa instituída pela VdA), onde atualmente sou diretora executiva. Sentia que precisava de um desafio profissional. Na Fundação, mergulhei no setor corporativo e, em particular, na área da responsabilidade social corporativa. Percebi que, além de conhecer profundamente as necessidades das organizações sociais no terreno, podia também atuar do lado dos investidores e das empresas, continuando a apoiar o setor social a partir dessa perspetiva. O meu trabalho na Fundação consiste essencialmente em criar e fortalecer pontes entre os investidores (VdA e Fundação Vasco Vieira de Almeida), quem quer ajudar (colaboradores e voluntários) e as organizações sociais que estão na linha da frente e que vivem, muitas vezes, com recursos muito limitados.

 

Quais são as áreas de atuação da Fundação?

Atuamos principalmente em quatro áreas: educação, justiça e direitos humanos, conhecimento e ciência, e cultura. O nosso papel fundamental é apoiar organizações sociais que atuam nestes domínios. A visão e missão da Fundação sempre estiveram orientadas para educar para a cidadania e promover oportunidades para que os colaboradores da Vieira de Almeida exerçam a sua responsabilidade cívica no âmbito profissional. Promovemos a educação para a cidadania dentro do escritório e facilitamos oportunidades para que os nossos colaboradores se envolvam diretamente nos projetos que apoiamos. O nosso apoio às organizações inclui tanto investimento financeiro - fundamental para garantir a continuidade dos projetos nas comunidades - como investimento não financeiro, que engloba ações de voluntariado, formação e capacitação, programas de mentoria e campanhas de angariação de fundos.

 

Que projetos apoia a Fundação Vasco Vieira de Almeida?

A maioria dos projetos que apoiamos e nos quais atuamos enquanto investidores e parceiros, desenvolvem a sua ação em Portugal, mas também apoiamos alguns projetos que têm deixado uma grande marca em Angola, em S. Tomé e Príncipe e em Moçambique.

Por exemplo, colaboramos com organizações como a Teach for Portugal, o Upfarming, Stand4Good, a Comunidade Vida e Paz, a Junior Achievement Portugal ou a Girl MOVE Academy.

Ao nível internacional, destaco a Girl Move Academy, que promove a liderança e o empreendedorismo entre jovens moçambicanas, particularmente em Nampula. Todos os anos, recebemos duas jovens para um estágio intensivo na VdA, no qual, durante cinco semanas, os colaboradores atuam como mentores, proporcionando experiências de crescimento pessoal e profissional bem como o contacto direto com o mercado de trabalho. Este projeto cria um impacto muito grande tanto nas girl movers, que adquirem ferramentas e inspiração para enfrentar novos desafios, como nos colaboradores, que são contagiados por novas ideias e por um espírito muito marcado de inovação e empreendedorismo social. A Fundação também promove projetos próprios, como o InclusivaMente, que lançámos em 2019, em parceria com a EAPN Portugal - Rede Europeia Anti-Pobreza, e que incide nas áreas da saúde mental e dos direitos humanos no envelhecimento e na saúde mental. Com a entrada em vigor do novo Estatuto do Maior Acompanhado, percebemos que existia muito desconhecimento por parte das organizações sociais acerca das implicações deste estatuto e criámos então um programa de formação dirigido a técnicos, dirigentes, familiares e beneficiários, abordando temas como direitos e deveres das pessoas em situação de maior vulnerabilidade, testamento vital e preparação para a longevidade.

Para além destes projetos continuados, também promovemos ações pontuais no escritório. Acreditamos que a mudança social exige o esforço conjunto de pessoas, empresas e organizações e, sendo uma fundação associada a uma firma que atualmente tem mais de 500 colaboradores, reconhecemos a nossa responsabilidade acrescida nesse processo.

 

 

"O meu fascínio e compromisso com a área social, esta paixão por fazer a diferença, nasceram das experiências de voluntariado"

 

 

Esteve sempre ligada a iniciativas de voluntariado. De que forma é que o voluntariado fez parte da sua formação e como contribuiu para a profissional que é hoje?

O voluntariado foi um fator decisivo na minha formação. A importância de cuidarmos uns dos outros, sobretudo das pessoas que se encontram em situação de maior vulnerabilidade, sempre me foi transmitida pela família, mas só quando comecei a envolver-me diretamente em projetos de voluntariado através da Católica percebi o impacto real que esse tipo de experiência tem, tanto em quem ajuda como em quem é ajudado.

A Católica teve um papel fundamental: mostrou-nos que, para além das disciplinas essenciais do curso, existiam outras formas de aprender fora das salas de aula e de nos desenvolvermos enquanto pessoas. O voluntariado trouxe-me muito desse crescimento e ajudou-me a perceber a forma como queria posicionar-me no mundo.

Depois de terminar o mestrado, integrei o Grão, um grupo de voluntariado ligado aos Jesuítas, e fiz uma missão de dois meses em São Tomé e Príncipe. Todas estas experiências de voluntariado aproximaram-me da fragilidade humana, tornando-me mais sensível, empática, prática e ajudando-me a sair do meu próprio umbigo. Percebi como a fronteira entre a estabilidade e a vulnerabilidade pode ser muito ténue.

 

Que competências é que o voluntariado lhe trouxe?

Tornou-me uma pessoa mais próxima, empática e capaz de comunicar com diferentes perfis. Esta capacidade de proximidade e comunicação é fundamental no mercado de trabalho. Além disso, estar em situações de desconforto permite-nos reconhecer a sorte que temos e valorizar mais a nossa realidade. Sem dúvida, o meu fascínio e compromisso com a área social, esta paixão por fazer a diferença, nasceram dessas experiências de voluntariado. Elas ensinaram-me a valorizar o trabalho das equipas sociais e dos voluntários que lidam diariamente com a fragilidade humana. E, sobretudo, mostraram-me que só conseguimos lidar melhor com a fragilidade dos outros quando também nos permitimos vivê-la: o voluntariado é, em si, um exercício de vulnerabilidade que nos torna mais humanos.

 

 

"Se antes a responsabilidade social era um nice to have, hoje é um must have.
As empresas que não se envolvem ficam “fora da corrida"

 

 

Como avalia o panorama da responsabilidade social corporativa em Portugal?

Olho com esperança. A jornada para a sustentabilidade é longa e cada empresa parte de um contexto diferente: há aquelas que já se preocupam com responsabilidade social há muitos anos e outras que estão apenas a começar. Apesar disso, vejo progressos importantes. Se antes a responsabilidade social era um nice to have, hoje é um must have. As empresas que não se envolvem nestas áreas acabam por ficar “fora da corrida”. Além disso, a responsabilidade social tornou-se um fator de retenção de talento. Se um colaborador tiver de escolher entre duas empresas onde o salário é equivalente, provavelmente optará por aquela com a qual se identifica em termos de propósito e valores. Por isso, vejo este compromisso como um elemento de competitividade. Noto também que algumas empresas, que até agora não tinham intervenção relevante nestas áreas, estão cada vez mais empenhadas em desenvolver programas de voluntariado corporativo, projetos de investimento de impacto, inovação social e protocolos de longo prazo com organizações sociais. Não se trata apenas de caridade ou de donativos ocasionais: há uma estratégia mais consciente e estruturada para gerar impacto duradouro nas comunidades e promover a sustentabilidade.

Que conselho daria a estudantes que se preparam para seguir uma carreira na área social?

O meu conselho é que se envolvam no terreno. Uma experiência de voluntariado ou de trabalho direto com organizações sociais é essencial para quem quer trabalhar em impacto social. No meu caso, os nove anos que passei na Vida Norte foram determinantes quando integrei a Fundação: já conhecia as necessidades das organizações, tinha adquirido competências e conseguia antecipar desafios. O voluntariado é uma excelente preparação. Sejam voluntários de forma genuína, envolvendo-se de corpo e alma. Não se trata apenas de “fazer” voluntariado - ir um dia e voltar para casa -, mas de ser voluntário, incorporando esse espírito de serviço na forma de estar e colocando-se realmente à disposição de quem precisa.

 

22-01-2026

Ana Lourenço integra comissão governamental para reforçar a independência das entidades reguladoras

Foi formalmente constituída, por despacho publicado em Diário da República a 22 de dezembro de 2025, a comissão criada pelo Governo para estudar o reforço da independência das entidades reguladoras em Portugal. Entre os membros designados encontra-se Ana Lourenço, docente e diretora adjunta da Católica Porto Business School para a área da docência. 

A comissão tem como missão avaliar o atual enquadramento institucional das entidades reguladoras e propor medidas que reforcem a sua independência, quer ao nível do modelo de designação dos membros dos conselhos de administração, quer no plano orçamental e financeiro, de forma a garantir maior autonomia face ao poder político e aos ciclos governativos. 

Entre os objetivos definidos no despacho de criação da comissão estão ainda a garantia de maior uniformidade e especialização no controlo jurisdicional das entidades reguladoras, nomeadamente no âmbito do regime contraordenacional e da intervenção do Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão, bem como a promoção de mecanismos de divulgação e participação informada dos cidadãos, reforçando a defesa da concorrência e dos direitos dos consumidores. 

A comissão é presidida por Jorge Vasconcelos, primeiro presidente da ERSE e atualmente administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian. Integram ainda este grupo de trabalho Margarida Matos Rosa, ex-presidente da Autoridade da Concorrência, João Calvão da Silva, vice-reitor da Universidade de Coimbra, e Tiago Duarte, docente da Católica Global School of Law, bem como representantes dos gabinetes do Ministro da Presidência, do Ministro da Economia e da Coesão Territorial, do Ministro Adjunto e da Reforma do Estado e do Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças. 

A comissão deverá apresentar um relatório com propostas concretas até maio de 2026, contribuindo para um debate estruturante sobre o papel das entidades reguladoras no funcionamento da economia e na proteção do interesse público. 

A nomeação de Ana Lourenço surge na sequência de um percurso académico e de investigação consolidado na área da regulação. Em 2022, a docente coordenou o estudo “O Estado Regulador em Portugal: Evolução e Desempenho”, desenvolvido para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, no qual participaram vários docentes da Católica Porto Business School, nomeadamente Ricardo Gonçalves, Vasco Rodrigues, Filipa Mota, Mariana Cunha, Rafael Dias e Sandra Coelho. O estudo analisou o funcionamento das entidades reguladoras em Portugal e o modo como o Estado delega a supervisão de mercados a estas instituições. 

A integração de Ana Lourenço nesta comissão reforça a presença da Católica Porto Business School no debate público sobre políticas económicas, regulação e governação, sublinhando o contributo da Escola para a reflexão informada sobre temas centrais para o futuro da economia e das instituições. 

 

21-01-2026

Católica no Porto abre portas aos futuros universitários com Open Days das licenciaturas

As faculdades da Universidade Católica Portuguesa no Porto voltam a abrir portas aos alunos do ensino secundário com um conjunto alargado de Open Days dedicados às suas licenciaturas. Ao longo dos próximos meses, realizam-se sessões informativas, pensadas para apoiar os estudantes que se preparam para tomar uma importante decisão do seu percurso académico: a escolha do curso e da universidade.

Os Open Days oferecem a oportunidade de conhecer de perto a realidade de cada licenciatura, através da apresentação dos planos de estudo, do contacto direto com professores, estudantes e antigos alunos, e do esclarecimento de dúvidas sobre saídas profissionais e experiências académicas. As sessões decorrem em diferentes formatos - presencial, online e híbrido - procurando garantir flexibilidade e acessibilidade a todos os participantes.

Embora especialmente dirigidas a alunos do ensino secundário, as sessões estão também abertas a psicólogos escolares, orientadores pedagógicos e encarregados de educação, que desempenham um papel fundamental no acompanhamento deste processo de escolha. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia.


Consulte a agenda e inscreva-se!

Escola de Enfermagem (Porto) - Enfermagem

Escola Superior de Biotecnologia - Bioengenharia, Ciências da Nutrição, Microbiologia, Ciências e Sociedade

Católica Porto Business School - Economia, Gestão e Dupla Licenciatura em Direito e em Gestão

Escola do Porto da Faculdade de Direito - Direito e Dupla Licenciatura em Direito e em Gestão

Faculdade de Educação e Psicologia - Psicologia

Escola das Artes - Cinema, Conservação e Restauro e Som e Imagem

  • 15 de abril, 14h30 Conservação e Restauro; 14h30 Cinema; 17h00 Som e Imagem: presencial. Inscreva-se aqui
  • 23 de maio, 14h30 Conservação e Restauro; 14h30 Cinema; 17h00 Som e Imagem: presencial. Inscreva-se aqui


 

21-01-2026

Professora da Escola das Artes liderou a transferência das coleções para as novas Reservas do Museu do Porto

“Conversas nas Reservas” – este é o mote para dar a conhecer o projeto das novas reservas municipais.

Inauguradas a 14 de janeiro, as Reservas do Museu do Porto ocupam o antigo Abrigo dos Pequeninos, projetado em 1933 por Rogério de Azevedo para apoiar as crianças das ilhas de São Vitor. Após uma reabilitação profunda, que preservou a identidade arquitetónica do edifício, este foi adaptado para servir as necessidades atuais de conservação e estudo do património.

O planeamento e a coordenação da transferência das coleções municipais para as Reservas do Museu do Porto esteve a cargo de Maria Aguiar, professora da Escola das Artes, que desde 2020 orienta a organização dos acervos e dos espaços especializados adequados à preservação, investigação e gestão dessas coleções.

As “Metodologias e cuidados técnicos na transferência de reservas museológicas e implementação de novas infraestruturas” será o tema debatido por Maria Aguiar na conversa com Luis Pisco, no dia 26 de janeiro, às 18h.

Inscrição e informações em:  "Conversas nas Reservas" do Museu do Porto - PPorto dos Museus

21-01-2026

Até 2500 € para Iniciativas Estudantis que contribuam para inclusão e diversidade, sustentabilidade ou bem-estar

No âmbito da Aliança Transform4Europe (T4EU), encontra-se aberto o terceiro concurso para Iniciativas Estudantis, oferecendo a clubes estudantis ou a equipas individuais de estudantes da Católica a oportunidade de receber financiamento para concretizar as suas ideias e contribuir para a melhoria dos seus campi e da comunidade universitária europeia.

Esta iniciativa tem como objetivo incentivar a criação de projetos que promovam a cooperação, a sustentabilidade e o bem-estar dos estudantes, enquanto fortalecem a colaboração entre as comunidades estudantis e criam um sentimento de pertença a uma comunidade T4EU partilhada.

As iniciativas selecionadas deverão ser desenvolvidas por equipas internacionais compostas por estudantes de três universidades diferentes da aliança. Cada proposta deverá ser apresentada como um projeto com datas de início e fim e orçamento definidos, e deverá demonstrar impacto positivo na interconectividade da Aliança, promovendo compreensão mútua e cooperação entre estudantes.

O foco das iniciativas deverá incluir pelo menos uma destas áreas: inclusão e diversidade, sustentabilidade ou bem-estar, com o intuito de reforçar o sentimento de pertença a um campus transnacional comum. Os estudantes podem formar a sua equipa através do grupo do WhatsApp ou juntar-se a novos colegas nos eventos da T4EU.

Os estudantes podem usar o Catálogo T4EU Green Campus para pesquisar e encontrar mais informações sobre os grupos estudantis existentes nas suas universidades.

Para dúvidas, por favor contacte transform4europe@upr.si.

 

Condições de Candidatura

 

16-01-2026

Balla Moussa Conde: A bolsa de estudos para refugiados da Católica “mudou positivamente tudo na minha mente”

Ao chegar a Portugal, em 2023, “os meus sonhos eram integrar-me bem na sociedade portuguesa, fazer um curso profissional e arranjar um emprego como eletricista ou motorista de autocarro. Mas a bolsa para refugiados da Católica e o curso mudaram positivamente tudo na minha mente: a minha perceção da vida, o meu raciocínio sobre questões de gestão e economia, os meus sonhos”, partilha Balla Moussa Conde.

Com 20 anos, Balla frequenta o 2.º ano do curso de Gestão da Universidade Católica Portuguesa, no Campus do Porto. Mas o caminho até aqui não foi sem desafios. “Antes de chegar a Portugal, vivi na Grécia como refugiado menor de idade e passei nove meses lá. Quando cheguei, pensei que a minha vida em Portugal seria igual à que tinha sido na Grécia, com racismo, desigualdade e falta de oportunidades para os refugiados menores de idade.”

Felizmente, foi exatamente o contrário. Agora, Balla está confiante de que “Portugal é um dos países mais hospitaleiros, com pessoas multiculturais, simpáticas e que respeitam os direitos humanos.”

Vir para Portugal também significou a oportunidade de continuar os seus estudos. “Escolhi a Católica Porto Business School porque era a única universidade que me permitia acreditar no meu sonho. A CPBS ajuda-me em qualquer situação em que precise, e estou muito grato por isso”, diz Balla.

O melhor momento até agora foi conseguir a acreditação da Católica Porto Business School, e “isso motivou-me ainda mais a acreditar em mim mesmo e no meu sonho de trabalhar numa das maiores instituições financeiras”, recorda.

“Tenho esperança no futuro. Com a ajuda da Católica Porto Business School, das Aldeias das Crianças S.O.S, do Espírito Santo e da minha perseverança, o Senhor irá conduzir-me ao sucesso”, afirma, esperançoso.

Este programa faz parte do esforço nacional para acolher e integrar refugiados e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pelas Nações Unidas. A Iniciativa de Apoio a Estudantes Refugiados foi reconhecida como uma Boa Prática pelo Pacto Global sobre Refugiados.

 

15-01-2026

Manuel Jorge: “A licenciatura na Católica combina exigência, método e proximidade entre professores e alunos.”

Manuel Jorge é diretor de Mergers and Acquisitions na Natixis Partners Iberia, a equipa de fusões e aquisições da Natixis, integrada no grupo BPCE. Licenciado em Gestão pela Católica Porto Business School, tem desenvolvido uma carreira internacional, entre Portugal, Espanha e experiências noutros mercados. Vê o seu grande desafio profissional como um “processo contínuo” de aprendizagem, feito “passo a passo”. Nesta entrevista, fala-nos sobre o seu percurso, a importância das bases teóricas e das experiências internacionais e sobre as competências essenciais para quem ambiciona uma carreira em finanças e consultoria.

 

É diretor da área de fusões e de aquisições da Natixis Partners Iberia. Quais são as suas principais responsabilidades?

A Natixis Partners é a equipa de M&A da Natixis, um banco de investimento com presença global, integrado no grupo BPCE. Nesta área, fazemos essencialmente assessoria em operações de compra e venda de empresas. No meu caso, as principais responsabilidades passam por identificar e desenvolver oportunidades de M&A na Península Ibérica, tanto em situações de sell-side como de buy-side, com especial foco em Portugal, e acompanhar os clientes ao longo de todo o processo, desde a análise do target e o desenvolvimento do equity story, até à estruturação e negociação das transações e ao levantamento de capital.

 

 

“Olho para o desafio como um processo contínuo: ir passo a passo, tentando fazer um pouco mais e um pouco melhor do que no momento anterior."

 

 

Até hoje, qual foi o seu maior desafio profissional?

Se excluirmos os trabalhos da cadeira de Recursos Humanos na Católica (risos), é-me difícil destacar algum projeto em específico, porque olho para o desafio na minha carreira profissional como um processo contínuo: ir passo a passo, tentando fazer um pouco mais e um pouco melhor do que no momento anterior.

 

É licenciado em Gestão pela Católica Porto Business School. O que é que destaca da sua experiência enquanto aluno?

A experiência foi muito positiva, tanto a nível académico como pessoal. Coincidiu com uma mudança de cidade e tive a sorte de conhecer colegas extraordinários, muitos dos quais seguem hoje percursos pessoais e profissionais muito interessantes e sólidos, em áreas bastante diversas. Embora a distância faça com que nem sempre nos vejamos com a frequência que gostaria, mantemos contacto e procuramos encontrar-nos sempre que possível. Do ponto de vista académico, a licenciatura na Católica deu-me uma base muito rigorosa e estruturada, combinando exigência, método e uma relação próxima entre alunos e professores. Esse equilíbrio entre qualidade académica e proximidade foi, para mim, um dos grandes pontos fortes da experiência na Católica e algo que valorizei bastante.

 

O que é que distingue o ensino da Católica e de que forma é que isso acaba por moldar os percursos profissionais?

O nível de preparação da Católica é muito sólido e não fica atrás de outras universidades internacionais. As bases teóricas são fortes e isso nota-se claramente nos primeiros anos de trabalho, quando se é mais júnior. Ter boas bases ajuda a estruturar melhor o pensamento e a evoluir mais depressa. Além disso, a universidade também é um bom treino para competências que depois são essenciais na vida profissional: trabalhar em equipa, lidar com diferentes personalidades e aprender a tirar o melhor de cada uma. A dinâmica é muito parecida com o que se vive mais tarde na vida profissional. Finalmente, estar rodeado de colegas muito bons obriga-nos a puxar por nós próprios e isso ensinou-me algo que continua a ser fundamental no meu dia a dia: ser esforçado, dedicado e fazer as coisas com atenção e cuidado.

 

 

“É essencial ser organizado, metódico, saber gerir bem as prioridades e ter grande disponibilidade."

 

 

Que competências considera essenciais para quem quer trabalhar em M&A?

A competência mais importante é a capacidade de trabalho e a motivação para dedicar muitas horas ao que se faz. O trabalho é exigente, tem prazos apertados e, sobretudo nos primeiros anos, passa por investir muitas horas. Ao mesmo tempo, é um trabalho interessante: permite conhecer diferentes negócios, trabalhar com pessoas com perfis muito variados e é bastante dinâmico - dificilmente nos aborrecemos. É essencial ser organizado, metódico, saber gerir bem as prioridades e ter grande disponibilidade. É duro, mas para quem gosta, pode ser bastante divertido.

 

O seu percurso é marcado, também, pela componente internacional, maioritariamente em Espanha e Portugal e breves passagens pelo Reino Unido e pelo Brasil. Que conselhos daria a quem deseja construir uma carreira internacional?

O principal conselho que eu daria seria procurar ter experiências internacionais o mais cedo possível. As áreas de finanças e consultoria são hoje bastante globalizadas. Ter uma carreira internacional é positivo não só a nível pessoal, mas também profissional, porque abre um leque muito maior de oportunidades. Para quem está na universidade, fazer summer internships, estudar fora ou ter qualquer experiência internacional ajuda muito a dar esse passo. Mesmo para quem, por qualquer motivo, queira regressar ou ficar em Portugal no futuro, considero que viver algum tempo fora é uma experiência muito importante e difícil de substituir. Permite ver o país de outra forma, voltar com outra atitude e trazer perspetivas diferentes.

 

De que modo a experiência em diferentes mercados moldou a sua perspetiva e a sua forma de atuar profissionalmente?

Julgo que não é só trabalhar em diferentes países; trabalhar com pessoas distintas, mesmo dentro do mesmo país, expõe-nos a realidades muito diferentes. Ainda que o contexto possa ser semelhante, a forma como as pessoas pensam, decidem e trabalham varia bastante. Para mim, o mais importante tem sido tentar compreender essas dinâmicas - sejam culturais, profissionais ou humanas - e ajustar a forma de atuar a cada contexto. Na minha opinião, a mesma abordagem nem sempre resulta da mesma forma em situações diferentes. Por isso, parece-me importante saber adaptar-se e ser capaz de “ler” o contexto, o que ajuda a trabalhar melhor com pessoas diferentes e a atingir os objetivos da forma mais eficaz.

 

15-01-2026

Universidade Católica Portuguesa e Fundação Ilídio Pinho assinam protocolo de colaboração

A Universidade Católica Portuguesa e a Fundação Ilídio Pinho celebraram um protocolo de colaboração destinado a apoiar iniciativas da "Cátedra Francisco e Clara", bem como o lançamento do "Centre for Impact in Global Management" (CIGMA), da Católica Porto Business School.

Este acordo reforça a parceria entre duas instituições comprometidas com a inovação, o empreendedorismo e o desenvolvimento social em Portugal. A Universidade Católica Portuguesa tem como missão estimular e desenvolver indivíduos íntegros, preparando-os para serem líderes nas suas áreas de atuação através de uma formação académica e científica alinhada com os mais altos padrões internacionais, sempre com preocupação no desenvolvimento de um comportamento ético e socialmente responsável. Por seu lado, a Fundação Ilídio Pinho, que prossegue fins de caráter científico, cultural e de solidariedade social, tem tido um papel crucial de intervenção nas áreas da educação e assistência, com especial enfoque no apoio à formação, à inovação e ao empreendedorismo.

"Esta parceria com a Fundação Ilídio Pinho representa mais um passo significativo no nosso compromisso com a formação de líderes que aliam a excelência académica à responsabilidade social. Juntos, queremos potenciar o impacto transformador da educação e da investigação, criando valor para a sociedade", afirmou Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa.

Ilídio Pinho reforçou a ligação que tem à Universidade Católica afirmando que “quando estou na Católica, sinto-me em casa”. Realçou, ainda, os desafios atuais de Portugal e do mundo e reforçou que a assinatura deste protocolo denota o alinhamento entre as duas instituições na procura de soluções que criem verdadeira riqueza para a sociedade.

A cerimónia de assinatura do protocolo decorreu no dia 15 de janeiro, no campus do Porto da Católica, e contou com a presença de Ilídio Pinho, presidente da Fundação Ilídio Pinho, Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade, de Isabel Braga da Cruz, pró-reitora, João Pinto, diretor da Católica Porto Business School, Susana Costa e Silva e Ana Salomé Martins, coordenadoras do CIGMA. 

 

15-01-2026

Novo projeto da Católica combina quatro áreas do conhecimento para responder às alterações climáticas

SINFONIA é o nome do novo projeto de investigação da Universidade Católica Portuguesa que visa desenvolver soluções integradas para responder aos desafios das alterações climáticas na agricultura, na alimentação e na preservação do património cultural. O projeto envolve uma equipa multidisciplinar da Universidade Católica Portuguesa, reunindo investigadores do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF), do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR), do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde (CIIS) e do Centro de Estudos em Gestão e Economia (CEGE).

As alterações climáticas colocam uma pressão crescente sobre a sustentabilidade e a produtividade agrícola, através do aumento das temperaturas, da irregularidade das chuvas, da ocorrência de eventos extremos e da degradação dos solos, comprometendo culturas essenciais para a segurança alimentar, para as tradições culturais e para as paisagens agrícolas,” refere Elisabete Pinto, uma das coordenadoras e investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina, integrado na Escola Superior de Biotecnologia.

Os impactos destes fenómenos estendem-se também ao património cultural, “acelerando a degradação de materiais e exigindo soluções inovadoras de conservação, com potencial de reforço da economia circular”, afirma Patrícia Moreira, uma das coordenadoras e investigadora do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa.

Neste contexto, o projeto SINFONIA - Agroecossistemas sustentáveis, inovação alimentar e práticas artísticas para adaptação às mudanças climáticas propõe uma abordagem integrada que conjuga práticas agrícolas sustentáveis e agroecológicas, inovação alimentar e desenvolvimento de soluções artísticas e tecnológicas orientadas para a adaptação climática. No fundo, o projeto “visa melhorar a saúde do solo e da vegetação através de práticas sustentáveis para garantir uma produção alimentar segura; desenvolver alimentos inovadores, como substitutos vegetais de ovo para a indústria alimentar e suplementos energéticos e proteicos para idosos; bem como criar novas estratégias de preservação e criação artística,” salienta Mariana Bexiga, uma das coordenadoras e gestora de ciência do Centro de Biotecnologia e Química Fina, integrado na Escola Superior de Biotecnologia.

O encontro de kick-off do projeto, que se realizou na semana de 6 de janeiro, reuniu 24 investigadores, incluindo a equipa de coordenação, líderes dos diferentes work packages e investigadores responsáveis pela condução científica e operacional dos trabalhos. Esta primeira reunião permitiu o contacto presencial entre os membros da equipa, a apresentação detalhada dos objetivos, tarefas, milestones e deliverables, bem como a identificação de sinergias e de potenciais desafios, permitindo antecipar estratégias de mitigação de riscos.

O plano estratégico estrutura-se em três grandes linhas temáticas: saúde do solo e práticas agrícolas; desenvolvimento de alimentos inovadores, saudáveis e sustentáveis; e paisagens simbióticas, que cruzam arte, inteligência artificial e novos materiais, visando reforçar a regeneração dos ecossistemas agrícolas, promover padrões alimentares mais sustentáveis e impulsionar novas estratégias de preservação e criação artística.

O projeto é financiado no âmbito do Programa Regional Norte – Acordo de Parceria Portugal 2030, gerido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

 


 

15-01-2026

Universidade Católica e Altice Labs assinam protocolo de cooperação científico-tecnológica

A Universidade Católica Portuguesa no Porto e a Altice Labs celebraram um protocolo geral de cooperação, reforçando a ligação entre ambas as instituições e abrindo caminho a diversas iniciativas conjuntas nas áreas da formação e da investigação. 

O protocolo estabelece ações de colaboração científico-tecnológica, visando o desenvolvimento de atividades orientadas para a formação de recursos humanos e para a difusão de conhecimento. Esta parceria pretende consolidar sinergias entre o desenvolvimento do saber nas áreas lecionadas na Universidade Católica no Porto e os interesses estratégicos da Altice Labs, nomeadamente em Gestão de Tecnologia, Gestão de Inovação, Liderança, Gestão de Risco, Vendas, Marketing e Pensamento Estratégico.

As entidades identificaram três áreas prioritárias de colaboração: a cooperação ao nível da formação Pós-Graduada e de Executivos; a realização de estágios no âmbito de projetos de I&D; e o intercâmbio de especialistas entre as duas organizações. 

Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Católica, afirma que "esta parceria reflete a estratégia que a Católica tem levado a cabo no que toca à ligação entre a academia e o tecido empresarial. A colaboração com a Altice Labs permitirá à nossa comunidade académica aceder a desafios reais do setor tecnológico, enquanto contribuímos com conhecimento especializado para a inovação e competitividade da empresa".

Paulo Firmeza, Diretor-Geral da Altice Labs, refere que “o protocolo é uma ponte estratégica para continuar a transformar ‘saber’ em ‘fazer’, valorizar e capacitar as nossas equipas, estimular novos talentos e dar resposta a desafios cada mais exigentes na área da tecnologia. Um compromisso com a inovação é também um compromisso com a academia e acreditamos que a Universidade Católica Portuguesa partilha a nossa visão de futuro”.

A assinatura do protocolo contou com a presença de Isabel Braga da Cruz, pró-reitora, João Pinto, membro da comissão executiva do Centro Regional do Porto da Católica, Paulo Firmeza, Diretor-Geral da Altice Labs, e Ana Margarida Almeida, Diretora de Estratégia de Inovação e Comunicação da Altice Labs e decorreu no dia 14 de janeiro, no campus do Porto da Universidade Católica Portuguesa.
 

15-01-2026

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