X

Novidades

Gulbenkian abre nova edição de bolsas para Jovens Talentos

Destinado a apoiar o talento e estimular os primeiros passos na investigação de jovens estudantes, o programa Bolsas Gulbenkian Novos Talentos está aberto a estudantes de Licenciatura ou Mestrado nas áreas da ciência: biologia, física, matemática e química, bem como em qualquer área das humanidades, das artes e das ciências sociais.

Parte de um projeto integral vocacionado para a investigação, as bolsas, com candidaturas abertas até 30 de setembro, incluem um programa imersivo de enriquecimento de talento, retiros científicos na Gulbenkian, e o acompanhamento por parte de tutores e de uma comissão científica.

Para se candidatarem, os estudantes deverão estar atualmente inscritos no 2.º, 3.º ou 4.º ano de cursos de licenciatura ou de mestrado integrado; ou no 1.º ano de cursos de mestrado; e possuir uma média igual ou superior a 17 valores, no momento da candidatura.

Dividida em três componentes, a bolsa consiste num apoio no valor 1.000€ para o prosseguimento de estudos e investigação, podendo ainda incluir um apoio de até 1.500€ para atividades de enriquecimento de talento a validar pela Comissão Científica; e um apoio social adicional de 1.000€ para candidatos que apresentem um valor anual de rendimento per capita do agregado familiar até 12.000€.

Ao total, já seis jovens talentos da Universidade Católica Portuguesa receberam esta bolsa. Em 2022, Maria Figueira Verdelho Barreto Xavier e Alexandre Manuel Abrantes Neves, e mais recentemente na edição de 2023, das 15 bolsas nas áreas das ciências sociais, quatro foram para estudantes da UCP: Marta Cansado, Xavier Rendeiro Silva Cunha, Camila Monteiro, e Guilherme da Costa Pimenta.

Saiba mais sobre o Programa | Candidate-se

Para mais informações, contacte talentos@gulbenkian.pt

06-09-2024

Investigadores da FEP entre jovens talentos europeus selecionados para o EU TalentON 2024


Ana Moreno e Pedro Ribeiro, do Human Neurobehavioral Laboratory (HNL) da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP), estão prestes a embarcar numa experiência única. Os jovens investigadores foram selecionados para participar na 2ª edição do concurso EU TalentON 2024, que acontece de 9 a 14 de setembro, na Polónia. Ao lado de outros jovens talentos europeus, irão desenvolver soluções inovadoras para alguns dos maiores desafios da União Europeia: alterações climáticas, cancro, oceanos, cidades e solos.

Sob a orientação de Patrícia Oliveira-Silva, diretora do HNL, os jovens, que integram também o Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH), foram escolhidos entre centenas de candidatos de toda a Europa para integrar este prestigiado concurso, onde o foco é encontrar soluções inovadoras para os desafios mais urgentes da atualidade. 

A participação de Ana Moreno e de Pedro Ribeiro neste concurso internacional é fruto da formação aplicada e multidisciplinar que têm recebido no HNL e reflete o genuíno interesse em participar ativamente na procura de soluções para desafios globais.

Esta experiência representa muito mais do que uma oportunidade, sentimo-nos privilegiados pela nossa candidatura ter sido aceite e estamos a abraçar essa iniciativa com um forte entusiasmo. Unir forças com outros jovens investigadores europeus em busca de respostas para os desafios que a nossa geração enfrenta e que, consequentemente, terão impacto para as futuras gerações se não forem resolvidas, é parte do compromisso com a ciência que atribuímos às funções de um investigador”, afirma Ana Moreno.

Pedro Ribeiro acrescenta: "É incrível sentir que tenho a oportunidade de contribuir para a agenda Europeia do desenvolvimento sustentável e poder fazê-lo a colaborar com mentes brilhantes como as que foram selecionadas".

Os dois jovens vão rumar à cidade de Katowice, na Polónia, de 9 a 14 de setembro de 2024, para participarem na competição. Ambos irão integrar equipas de investigadores internacionais e, num ambiente de elevada pressão, terão de desenvolver projetos que encontrem soluções inovadoras para as suas áreas.

Ana Moreno está integrada num grupo de trabalho dedicado a encontrar soluções para o tema “Cancer Prevention and Care” e Pedro Ribeiro pertence a um grupo que se debruçará sobre o tópico “A Soil Deal for Europe”.

Soluções inovadoras para desafios globais

O grande desafio acontecerá na próxima semana, mas os dois jovens da FEP-UCP já tiveram oportunidade de conhecer as equipas onde vão estar integrados, bem como o comissário europeu envolvido no projeto. Na semana do concurso, estarão reunidos presencialmente, e trabalharão em grupos mais pequenos para desenvolver dinâmicas específicas.

Ana Moreno e Pedro Ribeiro são os únicos representantes portugueses das suas respetivas arenas a participar no concurso. Tanto um como outro realçam a importância do EU TalentON 2024: “Definitivamente, acreditamos que este é um tipo de iniciativa que pode ser a base para a colaboração internacional. Aliás, saber que terminaremos este concurso com uma proposta pronta a ser implementada e reconhecida por especialistas internacionais em cada uma das áreas, com valor estratégico para a agenda europeia, é algo que nos entusiasma e motiva, muito mais do que o prémio monetário”.

Note-se que a “prize pool” para a competição é de 75,000 euros a dividir pelos membros da equipa vencedora.

Estamos comprometidos em usar a nossa energia, criatividade e conhecimento interdisciplinar na área das Neurociências para a construção de soluções que tenham um impacto positivo para o progresso científico e social”, rematam.

A participação no EU TalentON 2024 representa um passo importante na carreira dos investigadores do HNL e demonstra o compromisso da FEP-UCP com a formação de jovens talentos e com a produção de conhecimento de excelência.

Nesta 2ª edição, o evento conta com 108 jovens investigadores com idades entre os 21 e os 35 anos, que foram selecionados a partir de centenas de candidatos de todos os estado-membros europeus.

 

05-09-2024

Universidade Católica associa-se à Mensagem do Papa Francisco de setembro “Pelo Grito da Terra”

De 1 de setembro a 4 de outubro, no âmbito do Tempo da Criação, o Papa Francisco apela à oração pelo grito da Terra. Alerta que a terra “tem febre e está doente, como qualquer doente”, e destaca que “os pobres são os que mais sofrem” com as consequências das crises ambientais, instando-nos a ouvir a dor das vítimas e agir.

Cuidar do planeta é o tema de oração de setembro na Rede Mundial de Oração do Papa. A urgência de “fazer frente às crises ambientais provocadas pelo homem” requer respostas não só ecológicas, mas também sociais, económicas e políticas. Indissociáveis, “a luta contra a pobreza” e “a proteção da natureza” exigem a alteração dos hábitos do homem, arquiteto da mudança.

Exemplo disso são algumas das ações que a Universidade Católica realiza este mês, no âmbito do acolhimento aos novos estudantes: desde a criação da Horta Laudato Si’ e a melhoria das condições de vida no bairro do Zambujal e na Casa São Francisco de Assis, à plantação de uma árvore inserida no âmbito do acolhimentos aos novos estudantes da Escola Superior de Biotecnologia, à ação de voluntariado dos novos estudantes da Faculdade de Ciências Humanas, até ao já tradicional “Restolho”, a apanha de batatas pelos caloiros da CATÓLICA-LISBON.

Outras iniciativas, como o Pacto para a Gestão da Água, o projeto O Futuro, com o objetivo de criar e manter florestas urbanas nativas, bem como o projeto RADIANT, que visa fortalecer o diálogo entre produtores, consumidores e investigadores sobre o cultivo e o consumo de culturas subutilizadas na Europa, são igualmente importantes, refletindo a responsabilidade social como um dos pilares da Universidade Católica Portuguesa

Neste contexto, o Pe. José Manuel Pereira de Almeida, Vice-Reitor da UCP, insta a ouvir as palavras do Santo Padre e incentiva à ação: “O Papa Francisco afirma que «é muito nobre assumir o dever de cuidar da criação com pequenas ações diárias» (Laudato si’, 211) e dá vários exemplos de coisas muito simples que podemos assumir. A sugestão que fazemos para este Tempo da Criação é a de vermos quais são e acrescentemos mais duas ou três que estejam à nossa mão: não nos esqueçamos de as levar à prática!”

“Espera e age com a Criação” é a lição deste vídeo-mensagem, em sintonia com a mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação 2024. A vídeo-mensagem foi produzida pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, responsável também pela iniciativa do O Tempo da Criação.

 

 

Veja a Vídeo-Mensagem e Aja com a Criação:

05-09-2024

CPBS, AEP e CCP parceiras na transformação e liderança digital

A Católica Porto Business School lançou, com a Associação Empresarial de Portugal (AEP) e a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), um conjunto de programas de formação para a transformação e liderança digital de organizações empresariais e da Economia Social. 

“Este é um projeto importante, que surge no âmbito do Programa Líder Mais Digital, coordenado pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional e financiado pelo PRR”, começa por referir o diretor executivo para a Formação Executiva da Católica Porto Business School, Carlos Vieira. Os cursos vão ter a duração de 90 horas e visam, através de um projeto de formação e ação de transformação digital, proporcionar o reforço das qualificações e competências digitais. 

Dirigidos a gestores, dirigentes e quadros técnicos, “o pretendido é capacitá-los para a tomada de decisões estratégicas e operacionais de excelência e apoiar o desenvolvimento concreto de um plano específico de digitalização dentro da sua organização”, salienta Carlos Vieira. Trata-se, por isso, de um esforço da Escola e das duas entidades envolvidas para modernizar o tecido organizacional, em especial ao nível daqueles que são os seus decisores. 

Ambos os programas (a Norte com a AEP e no Centro com a CCP) são gratuitos e conferem um diploma da Universidade Católica Portuguesa. “Face à dimensão do projeto, estamos a trabalhar para criar turmas específicas por setores de atividade que permitam uma homogeneidade e uma partilha de experiências e de realidades específicas”, acrescenta Carlos Vieira. 

Pode consultar mais informações sobre ambos os programas aqui

Sobre a Católica Porto Business School (CPBS) 

A Católica Porto Business School está entre as melhores escolas de negócios do mundo, fazendo parte de um grupo muito restrito, a nível global, de 1% de escolas com distinções de acreditação EQUIS, AMBA e AACSB. Este reconhecimento atesta a excelência de toda a atividade, incluindo Ensino, Investigação e Impacto na Sociedade. A Católica Porto Business School é uma faculdade da Universidade Católica Portuguesa reconhecida internacionalmente pelo desenvolvimento integral de profissionais para uma sociedade sustentável e global, assim como pela produção de conhecimento nas áreas da Gestão e da Economia. https://catolicabs.porto.ucp.pt 

05-09-2024

Ezequiel Coscueta: “Temos de ser artistas e criadores na Ciência.”

Ezequiel Coscueta tem 37 anos, é argentino e é investigador do Centro de Biotecnologia e Química Fina, da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa. Aos oito anos, disse que ia ser cientista. E foi! Para além do gosto pela área, é um forte apaixonado pelas Artes: “A arte ajuda a ver mais além”. Sobre o CBQF, destaca a vocação para a complementaridade entre diferentes áreas de conhecimento e o foco na sustentabilidade. O que é que o desafia? “A sede de conhecimento”.

 

O que é que um artista e um cientista têm em comum?

Pensar e ver fora da caixa. Porque o artista tem de saber ver fora da caixa e tem de saber transmitir de uma maneira artística aquilo que vê e aquilo que sente. E a ciência consiste em perceber e transmitir aquilo que percebemos do universo. A arte ajuda a ver mais além, e esta visão criativa torna-se ferramenta para sermos disruptores; e também na Ciência temos de ser capazes de ver para lá do óbvio. Temos de ser artistas e criadores na Ciência. No fundo, a Ciência não é mais do que a arte de criar soluções inovadoras para os problemas do dia-a-dia, quer sejam problemas gerados pela necessidade quer sejam motivados pela vontade de encontrar explicações para o que (ainda) escapa o nosso entendimento.

 

Enquanto investigador na área das Ciências, é uma vantagem para si ter também uma forte ligação ao mundo das Artes?

Sempre senti como uma vantagem juntar essas duas dimensões. Na minha profissão, às vezes, tenho a necessidade de encontrar respostas para algumas questões de formas muito criativas. Sem este lado criativo teria muito mais dificuldade em chegar a determinados resultados. Diria que a Ciência “exige” este salto de criatividade quando se procura criar algo verdadeiramente novo e diferente do que já existe, não basta fazer tudo o que já foi feito, como sempre se fez e esperar algo diferente; é preciso imaginar algo diferente. E é nesse processo criativo que a mentalidade do artista é um motor do pensamento para a mudança.

 

“A Ciência e Arte partilham um terreno comum.”

 

Será que a Ciência está a perder essa capacidade de ser também artista, criadora e pensadora?

PhD significa “doutorado em filosofia”, mas, atualmente, perdeu-se um pouco este significado. Os cientistas perderam a parte filosófica. Acho importante resgatar isso porque os grandes cientistas antigamente eram também escritores, filósofos, pensadores, artistas. Hoje voltamo-nos muito para as métricas, para a urgência de obter resultados rápidos, por vezes à custa de não refletirmos sobre todos os ângulos daquilo que temos nas mãos. Não significa que os nossos resultados estejam errados! Mas podemos estar a perder a oportunidade de descobrir algo novo por não olharmos com um olhar mais crítico para o que estamos a fazer. A Ciência e Arte partilham um terreno comum: temos de ver para além do que está à nossa frente …

 

Que memórias tem da sua infância?

Sempre gostei muito de brincar. Sempre fui muito criativo. Nunca me aborrecia, porque encontrava sempre forma de estar entretido. Nem que fosse a destruir os brinquedos, para perceber como funcionavam (risos).

 

“A sustentabilidade está no centro de toda a nossa ação.”

 

De onde surge o gosto pela área científica?

Quando estava em casa da minha avó, via muitos documentários no Discovery Channel e da National Geographic. Eu era muito fã da natureza, da biologia, das ciências. Lembro-me que, ainda em criança, já tinha um fascínio grande por figuras como o Einstein. Aos oito anos disse que ia ser cientista. Apesar de ter muita ligação às Artes, assumi que artista era algo que podia ser toda a minha vida e, por isso, optei por ir estudar na área das Ciências.

 

Em 2014, larga a sua cidade natal - Santa Fe, no centro norte da Argentina – para vir para o Porto para um ano de investigação no Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.

Vim para a Católica para um projeto de investigação durante um ano. Na altura, tinha duas hipóteses: vir um ano ou para Portugal ou para Inglaterra. Como sou latino, vim atrás das pessoas quentes e de ter o mar perto. Nunca tinha saído da Argentina.

 

Mas já lá vão 10 anos…

Pois (risos). Desde o primeiro dia fiquei completamente rendido ao Porto.

 

No seu primeiro ano no CBQF em que projeto de investigação esteve envolvido?

Vim trabalhar para um projeto sobre a farinha de soja, uma vez que a soja tem alguns compostos que são anti nutrientes, que são tóxicos e, por isso, são prejudiciais para a nossa saúde. O objetivo do projeto era retirar esses compostos sem os destruir, mantendo uma boa qualidade da proteína que fica no que resta da farinha de soja, o chamado concentrado proteico de soja. O objetivo era também estudar de que forma podemos usar esses compostos noutras situações onde podem ser vantajosos, principalmente para a saúde. Estive um ano dedicado a isso e foi, inclusivamente, o meu projeto de doutoramento.

 

Depois desse ano regressa para a Argentina?

Regresso para continuar o meu doutoramento, cujo desenvolvimento prático foi partilhado entre a Universidad Nacional de Rosario, Argentina, e o CBQF. Durante os anos do doutoramento estive sempre entre cá e lá. Quando terminei o doutoramento, mudei-me definitivamente para o Porto, há já 6 anos. Sou investigador do Centro de Biotecnologia e Química Fina, integro o grupo Bioactives and Bioproducts Research.

 

É, também, investigador de um projeto próprio, o gBIOT. Em que é que consiste?

O gBIOT propõe uma tecnologia inovadora que poderá ser aplicada em nutracêuticos e alimentos com benefícios terapêuticos para o trato gastrointestinal, baseada em microrobótica. Apesar dos grandes avanços das últimas décadas, hoje a microrobótica ainda permanece inexplorada e longe de uma aplicação em contexto real. Os atuais sistemas de administração de medicamentos para a saúde gastrointestinal são limitados na sua eficácia e, muitas vezes, enfrentam desafios significativos para atingir as áreas-alvo do trato gastrointestinal. Com o gBiOT, estamos a criar micro-robôs biocompatíveis que podem identificar ativamente áreas inflamadas e libertar compostos bioativos naturais, fornecendo uma abordagem mais proativa e eficiente para o tratamento de distúrbios gastrointestinais. Os distúrbios gastrointestinais têm consequências de longo alcance, incluindo neoplasia e o cancro. O gBIOT aproveita os recentes avanços da nanotecnologia para aprimorar o desenvolvimento de produtos nutracêuticos e alimentícios saudáveis com ingredientes de micro-dimensão.

 

“Motiva-me muito a transmissão de conhecimento e a oportunidade que tenho de partilhar com os outros aquilo que sei.”

 

O que é que distingue a investigação que é feita no CBQF?

O CBQF é um centro de investigação de referência em Portugal. Às vezes, temos “a mania” de pensar que, como somos um centro de pequena/ média dimensão, em comparação com outros centros de investigação e universidades, o nosso trabalho também tem pouca dimensão, mas não é verdade. No ano passado, na área da biotecnologia agroalimentar, eu e outro investigador do CBQF ocupamos o primeiro lugar das categorias de Investigador auxiliar e Investigador júnior no Concurso Estímulo ao Emprego Científico Individual da FCT. Além disso, o Centro teve uma percentagem de sucesso acima da média nacional: isto tem de querer dizer alguma coisa sobre a qualidade da investigação e dos investigadores do CBQF.
Além disso, o CBQF está muito envolvido e comprometido com o tema da economia circular e da valorização de subprodutos. Queremos dar respostas e soluções à sociedade, no geral, e às empresas, no particular. Cruzamos diferentes áreas do conhecimento, o que é algo que aprecio muito e que me desafia imenso. Ultrapassamos as fronteiras que muitas vezes existem entre as diferentes áreas de conhecimento, acreditamos que as áreas são complementares. Ser investigador no mundo de hoje exige (ou deveria exigir) uma consciencialização constante para as questões ambientais - de que serve preocuparmo-nos com a saúde humana se descurarmos a saúde do planeta? A sustentabilidade está no centro de toda a nossa ação.

 

O que é que mais o desafia?

A sede de conhecimento, a sede de progredir e de sentir que estou a contribuir, de alguma forma, para revelar diferentes mistérios da natureza e, principalmente, ajudar cada vez mais a saúde. Motiva-me muito a transmissão de conhecimento e a oportunidade que tenho de partilhar com os outros aquilo que sei. É por isso que gosto tanto do trabalho que faço com os estudantes de mestrado e de doutoramento da ESB. O conhecimento não serve de nada se não for partilhado. Falar com os nossos “pares”, colegas e investigadores, é fácil; mas levar o conhecimento aos outros, à sociedade, às novas gerações, isso sim, é muitas vezes um grande desafio. De que serve o conhecimento se ficar apenas num pequeno grupo de elite?

 

Saudades da Argentina?

Saudades da minha família. Das pessoas. A Argentina é um país espetacular, mas o que fica sempre são as pessoas.

 

O que é que os portugueses e os argentinos têm em comum?

O sentido de família, as amizades, a relação próxima que existe entre as pessoas, a informalidade nas relações, o abraço fácil e, claro, o gosto pela boa comida.

 

05-09-2024

Diretor da Escola das Artes nomeado representante do Estado na direção da Associação Amigos do Coliseu do Porto

Nuno Crespo, diretor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, foi nomeado pela Ministra da Cultura representante do Estado na direção da Associação Amigos do Coliseu do Porto.

“É uma honra poder integrar a Associação de um dos equipamentos culturais relevantes e icónicos da cidade do Porto e espero poder contribuir para a consolidação e afirmação do projeto Coliseu do Porto”, refere Nuno Crespo.

A Associação Amigos do Coliseu do Porto é uma Associação privada sem fins lucrativos. Como está descrito nos Estatutos, a Associação tem como finalidade assegurar o funcionamento e exploração do Coliseu do Porto como equipamento de grande relevância para a vida cultural, social e corporativa da cidade e Área Metropolitana do Porto.

 

05-09-2024

Mensagem de Boas-Vindas da Pró-Reitora, Isabel Braga da Cruz

04-09-2024

Aceleração académica: pais de alunos sobredotados revelam impacto positivo da medida


Uma dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Psicologia da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP) trouxe novas evidências sobre os benefícios da aceleração académica para os alunos sobredotados ou com sobredotação. O trabalho, defendido no ano letivo 2023/2024, ouviu pais de crianças que passaram por essa experiência, e que relataram um impacto positivo da aceleração académica, tanto no bem-estar emocional quanto na confiança dos estudantes.

A aceleração académica - uma prática que permite a alunos com sobredotação avançarem mais rápida e precocemente no currículo escolar - tem sido um tema de debate nas políticas educativas portuguesas. A dissertação desenvolvida na FEP-UCP pelo estudante Gil Costa, sob a orientação da docente Marisa Carvalho e coorientação do Doutor Alberto Rocha, investigou as perspetivas de 8 pais acerca desta medida, para compreender como é que a mesma tem impacto na vida dos filhos sobredotados, nomeadamente, do ponto de vista académico e socioemocional.

Impacto positivo no bem-estar emocional dos alunos

Os resultados preliminares das entrevistas aos pais indicam que a maioria observou um aumento na autoestima e no bem-estar emocional dos seus filhos, após a aceleração académica. Além disso, a integração social dos alunos, embora variável, foi geralmente positiva.

"Estes resultados corroboram estudos anteriores e reforçam a importância de oferecer opções de ensino diferenciadas para alunos com sobredotação. Do mesmo modo, realçam a importância da aposta numa educação inclusiva para todos os estudantes”, refere Marisa Carvalho.

Gil Costa destaca o caminho que ainda tem de ser percorrido para uma verdadeira integração destes alunos: "as experiências dos pais que participaram neste estudo indicam que, tanto do ponto de vista legal como prático, ainda há muito a fazer para que os alunos com sobredotação se sintam realmente incluídos no sistema educativo e as suas altas capacidades sejam aproveitadas".

Os resultados preliminares das entrevistas aos pais foram apresentados em formato póster na 4ª edição da Porto International Conference on Research in Education, que decorreu de 17 a 19 de julho de 2024, na Escola Superior de Educação do Porto.

A dissertação de mestrado intitula-se “Impacto da aceleração académica em alunos com sobredotação: A perspetiva dos pais no contexto das políticas educativas portuguesas". O trabalho foi coorientado por Alberto Rocha, da Associação Nacional para o Estudo e a Intervenção na Sobredotação (ANEIS) e do ISCE DOURO - Instituto Superior de Ciências Educativas do Douro.

03-09-2024

Rúben Correia da Cunha: “Deus quer-nos livres.”

Chama-se Rúben Correia da Cunha, é natural da Mealhada e tem 44 anos. É seminarista e estudante de Teologia da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. É licenciado em Geologia, tendo trabalhado na área da qualidade e, mais tarde, da segurança e saúde no trabalho e ambiente. Aos 39 anos entra para o Seminário. Sobre a Faculdade de Teologia, destaca o “cariz familiar”. Desafio de estudar Teologia? “É preciso saber transportar aquilo que lemos na Bíblia para os dias de hoje”.

 

Quando é que começou a questionar a sua vocação?

Foi numa altura em que tinha mudado de trabalho há pouco tempo. Eu licenciei-me em Geologia, mas trabalhei alguns anos na área da qualidade e depois na segurança e saúde no trabalho e ambiente, área da minha pós-graduação. Mais tarde, ingresso também no curso de Engenharia Civil, tinha 30 anos quando comecei o segundo curso. Estudava e trabalhava ao mesmo tempo. Até aqui nunca me tinha passado pela cabeça descobrir esta vocação do sacerdócio. Aliás, se há uns 10 anos, me dissessem que eu iria entrar no seminário nunca acreditaria e diria claramente que essa pessoa estaria maluca e a delirar (risos). Eu estava muito afastado da Igreja.

 

Como é que se dá essa aproximação?

A minha irmã e o meu cunhado convidaram-me para ser padrinho da minha sobrinha. Tive de ir à minha paróquia e a verdade é que fui muito bem acolhido pelo pároco. Na altura, fez-me a proposta de integrar o curso Alpha. É um grupo de discussão de diferentes temas. Achei muito interessante e acabei por me envolver muito nessa iniciativa. Depois fui entrando muito naturalmente noutras iniciativas da paróquia. Integrei o coro, fui voluntário e animador das edições seguintes do Alpha. Aos poucos e poucos fui entrando, fui-me envolvendo mais e inevitavelmente nasceram em mim muitas questões e alguma inquietação interior. Sentia que andava à procura de alguma coisa…

 

Começou a fazer discernimento?

Sim, em 2018. Entro em contacto com o reitor do seminário, que era quem estava responsável pela parte vocacional, e comecei a fazer o meu percurso de discernimento. Agora que olho para trás, reconheço que talvez já estivesse há mais tempo a fazer este discernimento.

 

“A faculdade tem um forte cariz familiar.”

 

Foi uma decisão difícil?

Claro, foi uma decisão difícil e uma mudança grande na minha vida. Eu tinha a minha vida estabilizada, trabalhava, tinha a minha casa, a minha independência. Foi um ato que, na altura, até pode ter parecido de alguma loucura, mas precisei de arriscar. Eu gostava bastante daquilo que fazia profissionalmente, gostava mesmo muito. Mas ao mesmo tempo também sentia que faltava alguma coisa.

 

É finalista do Mestrado Integrado em Teologia. Como é a Faculdade de Teologia?

Na Faculdade de Teologia conhecemo-nos todos, conhecemos os professores. Há uma excelente relação com os professores e com os colaboradores. A faculdade tem um forte cariz familiar.

 

Veio das Ciências para as Humanidades…

Não foi fácil para mim. A minha aptidão natural é para a área das ciências e vim para a Teologia estudar letras, filosofia e todas as outras áreas associadas. Um grande desafio. Vim com alguns receios, mas que acabei por ultrapassar.

 

Alguma disciplina que o tenha marcado de forma especial?

Escritos joaninos, com o Professor José Carlos Carvalho. Foi uma disciplina que acabou por me marcar de forma especial, essencialmente pelo entusiasmo que o professor passava. Já referi isto em algumas conversas. O entusiasmo que transmitia aos alunos era impressionante e nesta cadeira senti-o de forma especial. É um professor que marcou pelo exemplo.

 

Está prestes a entregar a tese de mestrado. O que se segue depois da entrega da tese?

Ainda vou fazer um ano de formação avançada na Católica. Depois, será um ano onde terei diferentes experiências pastorais, que poderão ser em paróquias, em hospitais ou noutros locais. Talvez no ano seguinte seja ordenado diácono e depois talvez mais um ano para a ordenação sacerdotal. Mas o plano pode mudar e por isso vou fazendo o caminho…

 

É um caminho longo …

No início parecia que tinha infinitos anos à minha frente, mas agora que olho para trás parece que passou tudo tão depressa. Tenho respeitado o tempo e o caminho. Quando arrisquei e entrei para o seminário foi precisamente com esta ideia de caminho. Não dou como garantido que venha a ser ordenado padre, apesar de ter sido esse o objetivo da minha entrada no seminário. O caminho vai-se revelando e é com esse espírito que tenho vivido estes anos da minha vida. Estou em constante discernimento.

 

O que é o move? O que é que procura?

Foram a minha fé e a minha espiritualidade que me levaram a este caminho. Quero estar a 100% ao serviço de Deus e da Igreja. Este serviço reflete um serviço aos outros e uma vontade grande de poder contribuir para que mais pessoas se encontrem com Deus e possam viver a sua vida com Deus.
 

“A Igreja não pode ter as suas portas fechadas, porque o mundo está a acontecer lá fora.”

 

Como é que se alimenta a fé?

A fé tem de ser alimentada e renovada. É curioso, porque o estudo da Teologia ajuda muito nisto, porque nos vai dando ferramentas que nos ajudam a ir procurar a nossa fé. Faz parte da fé querermos procurar sempre cada vez mais. O Mistério vai-se revelando, mas nunca na sua totalidade.

 

Qual tem sido para si o grande desafio de estudar Teologia?

O grande desafio e a grande sabedoria é conseguir ler a Bíblia nos dias de hoje. A Bíblia tem contextos sociais, temporais e outros. É preciso saber transportar aquilo que lemos para os dias de hoje, para a nossa vida, para os meios onde nos inserimos. À medida que vamos estudando e mergulhando na Escritura vai-se fazendo luz dentro de nós e naquilo que só conseguíamos ler de uma determinada forma agora já conseguimos ver um outro significado e uma nova mensagem.

 

O diálogo ocupa um lugar central no estudo da Teologia?

Claro que sim. Sem diálogo não crescemos. Sem diálogo não há Universidade. Desde logo, o diálogo com o ateísmo. Há algum tempo li num livro que o ateísmo até pode servir para aprofundarmos a nossa fé. Temos de procurar o diálogo com todos. Temos de estar inseridos no mundo.

 

“Temos de estar abertos a tudo e saber acolher o que surgir.”

 

O que é que quer dizer com estar inserido no mundo?

Significa que não podemos viver de portas fechadas. A Igreja não pode ter as suas portas fechadas, porque o mundo está a acontecer lá fora. É um caminho que a Igreja tem vindo a fazer. E já nem é tanto só a abertura em si, é o estar lá verdadeiramente.  Nós estamos na Igreja, somos católicos, mas também fazemos parte de uma sociedade. Aquilo em que nós acreditamos tem de estar na sociedade, não pode estar à margem. A religião faz parte da nossa vida e temos de ser capazes de estar no mundo com os nossos valores e com a nossa fé. A Igreja não tem de deixar de ser o que é, mas tem de saber estar onde as pessoas estão.

 

Como olha para o futuro?

Olhos abertos! Espírito aberto! Não penso muito em como é que será o futuro. Estou aqui e, por isso, é aqui que me é pedido para estar. É no presente que me vou preparando para o futuro. Venham desafios, dificuldades … Temos de estar abertos a tudo e saber acolher o que surgir.

 

Isso exige alguma liberdade interior …

Sim, sem dúvida. É uma liberdade que se vai ganhando e que se vai construindo. Porque é que temos de criar prisões? Às vezes até as criamos inconscientemente, mas acabamos por ficar limitados e por não nos abrirmos verdadeiramente à vida e ao que ela nos vai trazendo de bom e de mau. Deus quer-nos livres.

 

29-08-2024

Resultado do projeto europeu RADIANT promove sustentabilidade e diversificação alimentar

Fortalecer o diálogo entre produtores, consumidores e investigadores sobre o cultivo e o consumo de culturas subutilizadas na Europa, nomeadamente leguminosas, cereais e produtos hortícolas. Este é o grande objetivo da nova aplicação gratuita RADIANT APP, disponível para iPhone e Android, que resulta do projeto de investigação europeu RADIANT - Realização de Cadeias de Valor Dinâmicas para Culturas Subutilizadas. Liderado pela Universidade Católica Portuguesa no Porto, este projeto abrange 29 entidades, públicas e privadas, de 12 países europeus, e tem a parceria da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

O RADIANT explora variedades tradicionais que promovem a sustentabilidade ambiental e a saúde humana, combinando a neutralidade climática e a resiliência do sistema agrícola através da redução da emissão de gases de efeito de estufa,” refere Marta Vasconcelos, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) e líder do projeto de investigação europeu RADIANT. “O grande objetivo desta nova aplicação que estamos a lançar a nível europeu é o de potenciar a comunicação entre produtores e consumidores, para que haja uma maior sensibilização para cultivar e consumir mais culturas subutilizadas, como as leguminosas, os cereais e os hortícolas,” acrescenta.

Financiado pelo programa “Horizonte 2020” da União Europeia, há duas explorações agrícolas em Portugal que integram o projeto: a BioFontinhas, localizada nos Açores (Portugal), e o Freixo do Meio (Alentejo). Estas são duas das 20 explorações agrícolas piloto, designadas por “explorações AURORA”, que são locais de teste e que promovem práticas orgânicas e sustentáveis. “Pretendemos demonstrar transições bem-sucedidas para sistemas inclusivos de agrobiodiversidade, melhorando a competitividade de culturas subdesenvolvidas e testando práticas agrícolas sustentáveis,” explica a investigadora. Alguns exemplos incluem lentilhas, diferentes variedades de feijão, ervilhas, árvores de frutos tradicionais e milho painço. “Estas culturas são valiosas devido ao seu elevado valor nutritivo, à resistência a ambientes hostis e a solos pobres, e à utilização eficiente da água,” explica a investigadora.

Em dois anos de projeto europeu, os investigadores do RADIANT têm, através de diferentes ações, procurado sensibilizar a comunidade e entidades governamentais para os benefícios dos alimentos tradicionais, destacando a sua valorização nutricional e abordando preocupações relacionadas com a sobrepopulação mundial e a possível escassez de alimentos. As culturas subutilizadas, frequentemente negligenciadas, têm um uso limitado em diferentes contextos geográficos, sociais e económicos, mas oferecem uma grande promessa para diversificar os sistemas agrícolas, criar sistemas agrícolas cada vez mais sustentáveis e diversificar dietas.

Além do serviço de Marketplace e do fórum (espaço de diálogo), a nova aplicação - RADIANT APP - disponibiliza um conjunto de outras funcionalidades: Informações detalhadas, como dados sobre benefícios nutricionais, receitas, modos de cultivo e uso eficiente de recursos; Notificações e atualizações de notícias sobre boas práticas, eventos e resultados de investigação científica; mas também integra recursos educativos, como materiais para promover a sustentabilidade ambiental e a saúde humana nas escolas.

A RADIANT APP disponível para download gratuito nas lojas de aplicativos da Apple e do Google, pronta para ser utilizada por todos os interessados em promover um futuro mais sustentável e diversificado. Com o lançamento desta aplicação, a equipa de investigação do projeto dá um passo significativo na promoção da sustentabilidade e diversificação alimentar, esperando que esta ferramenta ajude a sensibilizar e capacitar a comunidade global para os benefícios das culturas subutilizadas.

 

Sobre RADIANT

Este trabalho foi apoiado pelo programa de investigação e inovação Horizon 2020 da União Europeia por meio do projeto “Realising Dynamic Value Chains for Underutilized Crops” (RADIANT), coordenado pela Universidade Católica Portuguesa (no Porto), envolve 29 entidades de 12 países – Portugal, Eslovénia, Reino Unido, Hungria, Espanha, Grécia, Itália, Alemanha, Irlanda, Bulgária, Países Baixos e Chipre. É ainda Parceiro da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). https://www.radiantproject.eu/

29-08-2024

Pages